18 de dezembro de 2013

Ave César

Acabo de ouvir a entrevista de Carlos César à TVI 24, se dúvidas existissem elas dissipar-se-iam hoje. César é um dos melhores políticos portugueses da actualidade. Seria, de facto, um desperdício enviá-lo para Bruxelas.

17 de dezembro de 2013

Na prática...

...porque razão o Banco Central Europeu nos quer impor um programa cautelar? Por isso mesmo, literalmente, por cautela. Para nos poupar aos previsíveis desmandos desta gente.

11 de dezembro de 2013

E de que maneira...

André Abrantes Amaral no incontornável Insurgente.



Pois é, esta crise ensinou-nos e da forma mais dolorosa, com desemprego, fome, instabilidade social, mais empobrecimento dos mais pobres em prol do enriquecimento dos que já eram privilegiados, da perda de liberdades individuais, da perda de direitos adquiridos e de respeito pelas instituições constitucionais. O degradar-se  da democracia, o descrédito na política . Enfim, um sem número de coisas ruins que estamos a pagar e ainda vamos continuar a fazê-lo por longos anos.

Temo, porém, que este Povo que agora paga caro as suas próprias escolhas politicas, volte, num futuro próximo, a apostar nas mesmas "figurinhas" que nos trouxeram até este longo túnel de trevas.

10 de dezembro de 2013

Quase sempre concordo, mas...

"Carlos César revela que não vai ser candidato nas Europeias e diz esperar nessas eleições um sinal claro dessa abertura, por parte de António José Seguro.
Nesta conversa com Pedro Adão e Silva e Pedro Marques Lopes, Carlos César defende abertamente um governo de bloco central liderado pelo PS, com uma outra liderança no PSD, e sem o CDS de Paulo Portas, que considera ser um elemento «inesperado e enigmático nas decisões», representando o lado «ludo-maníaco» do Governo." 


Chega a irritar-me as vezes que concordo com o que diz e escreve Carlos César apesar de discordar frontalmente de algumas das opções técnicas e politicas dos seus  3 governos nos Açores.
Porém, neste particular, temo discordar na medida em que, deixar Paulo Portas de fora é o que melhor serve os interesses daquele e da esquerda radical. 
Na verdade, temo que esse governo de bloco central não durará mais do que uma legislatura  o que será o tempo mais do que suficiente para que, na senda das tácticas  eleitoralistas do passado, a esquerda radical acentuará o seu discurso de que o PS não é esquerda porque está a aplicar politicas de direita com o PSD. O que, não sendo absolutamente verdade até porque o PSD, o PS e até o CDS são partidos do grande "centrão" com muitas inclinações de esquerda (o que Paulo Portas tem mais à direita é a mecha de cabelo e a boina aos quadradinhos), cai no goto dos portugueses como ginjas.
Deixar de fora o "macaquinho na loja de loiças" é permitir que esse faça o discurso contrário à esquerda dizendo que afinal o PSD não quis reformar nada porque é de esquerda tal como o PS e como a esquerda radical não é de confiança é ele que se apresenta como única alternativa.
No entanto, admito, um governo de bloco central pode muito bem ser um governo de salvação nacional, assim o queiram os dois partidos do centro esquerda.

PS. Gostei do lado "ludo-maníaco" do Governo.

4 de dezembro de 2013

Foi há 33 anos


Para alguns a Democracia é uma coisa “fodida”.

O Daniel Gonçalves, pessoa por quem nutro particular simpatia e de cuja poesia gosto particularmente, tem porém um “pitafe” daqueles que me fazem arreganhar as unhas dos dedos dos pés.
Ontem, num artigo (post) publicadono Comparar Santa Maria, o ilustre professor/pensador/poeta discorre sobre a sua experiência democrática enquanto representante de uma determinada força política no seio de uma determinada coligação eleito para a Assembleia Municipal de Vila do Porto. O Prof. Daniel Gonçalves ilustra esse seu artigo com a imagem (ver abaixo) de um símio pensativo que se pergunta exclamativo: o que fazer?
O que se passou nessa Assembleia Municipal que tanto desiludiu o Daniel Gonçalves pouco ou nada me importa, afinal os que lá estão foram eleitos e como tal são o resultado da vontade da maioria e essa escolha popular, por mais que me custe e custe ao Daniel Gonçalves, é o máximo expoente da democracia.

Se Santa Maria fica a perder ou não com o excesso de retórica e com as guerrilhas político-partidárias dos seus representantes eleitos, isso é coisa que importa reflectir mas importa sobre tudo respeitar. Talvez por isso não sejamos todos símios sem saber o que fazer. Temos pena.

26 de novembro de 2013

É a andar que se faz o caminho...

Perdi o meu tempo, não o tempo cronológico  esse bastardo inimigo que nos ataca fugindo, perdi o meu tempo de existir, o meu estado de alma, o tempos dos amores perfeitos e imperfeitos das venturas e desventuras. Há um tempo, esse sim cronológico, que não volta, sim esse não volta nunca por mais que o poeta o cante, que o prosador o evoque que o filósofo o ensaie. O tempo cronológico em que estou a escrever estas linhas vai passando e não fica. Ficam as linhas, ali no papel amontoadas como as pegadas que fazem no terreiro o trilho por onde vão passar outras pegadas. São as nossas palavras que nos fazem assim nesse outro tempo como as nossas pegadas fazem o nosso caminho.
De quando em vez é preciso, torna-se premente mesmo,  mudar-mos as nossas palavras, mudar-mos o nosso caminho, negar-mos a nossa própria existência para assim podermos continuar a existir como dizia Goethe. Fazer-mo-nos, refazer-mo-nos qual Fenix das cinzas renascida. 
De um monte de nervos, músculos e ossos, frágil como uma orquídea em noite de vendaval, brota um animal horrível, mau, hostil, capaz de matar por prazer, capaz infligir no próximo as maiores atrocidades, aquelas que sabe seria incapaz de suportar. O Homem, de facto, não é grande coisa.

25 de novembro de 2013

Hoje sim, é o dia!

Hoje importa lembrar e lembrarei enquanto forças tiver e a razão mo permitir, a madrugada de 25 de Novembro de 1975, o "Grupo dos 9" e esse grande vulto da democracia portuguesa que deu e dará pelo nome de Ernesto Melo Antunes. Lembrarei a esses democratas de pacotilha que enchem a boca e salas de livrarias e anfiteatros e mesas redondas e vendem livros e outras coisas tais, usando e abusando do nome desse grande Homem da história de democracia deste triste, pobre e inculto país que sem o grupo dos 9 tínha transitado automaticamente de um regime musculado de direita  para uma ditadura da esquerda radical.


Recordo Melo Antunes com a saudade de quem apenas privou com ele uma ou duas vezes. Era eu então um puto intrometido e obcecado com as conversas dos adultos sobre a coisa pública. Recordo a sua serenidade a falar com paixão de tempos que não vivi, de figuras que não conheci. De cigarro entre os dedos indicador e grande e polegar encostado à fronte como que a segurá-la para que nunca se curvasse e, não se curvou, o Tenente Coronel divagava, com inteligência,  durante horas, apenas interrompido, quase sempre de forma  impetuosa, por um ou outro amigo/conviva.

Nunca me viram numa sessão pública de homenagem ao "Sonhador Pragmático", ( mesmo sendo amigo pessoal dos seus filhos, principalmente do Ernesto por quem nutro especial  admiração e amizade que nunca me perguntou ou manifestou qualquer admiração por eu não ter estado presente neste ou naquele evento sabendo ele o quanto admiro o Pai). Não suportaria a hipocrisia dos presentes.

Com já aqui escrevi, num passado  mais ou menos  recente,  é ao papel desempenhado por Melo Antunes no seio do chamado grupo dos nove que se deve a teorização do contra-golpe militar que, liderado por Ramalho Eanes com o apoio de Jaime Neves e dos seus Comandos, havia de libertar Portugal da tendência de esquerda radical do MFA que pretendia fazer do país uma "Cuba da Europa".


8 de novembro de 2013

Cuida-te Pedro

Quem tem amigos como o Morais Sarmento e o Marques Mendes, nem precisa de inimigos.

6 de novembro de 2013

3 de outubro de 2013

No rescaldo das autárquicas IV

Dá para perceber um pouco o que se passou em Oeiras como dá para perceber, aqui à escala regional  e na razão inversa, muitas coisas que aconteceram, nas Velas, na Calheta, na Ribeira Brande e em  muitas outras autarquias .
(...)
Daniel Oliveira não compreende porque é que Isaltino ganhou as eleições, sendo Oeiras “o concelho com maior percentagem de licenciados de Portugal”.  Na televisão, na noite das eleições, um comentador dizia não compreender como é que isto podia acontecer no concelho com maior nível de vida do país. Um outro bloguer mostra-se confuso com a vitória, até porque “rezam as estatísticas que Oeiras é o concelho do país com maior literacia… “ E há o apoiante de Moita Flores que dizia na noite de Domingo, “isto é uma vergonha, num concelho que foi o primeiro do país a eliminar as barracas e onde o nível de vida é maior”. Ou um grande amigo que vive em Almada e que argumentou algo como “Pois, pois, têm as Quintas das Fonte, os Lagoas Parque, os Arquiparque, os Tagus Park, tem essas empresas ricas todas, mas depois escolhem a lista de um presidiário.” Ou um partido que dizia na campanha que seria uma uma contradição eleger Isaltino no concelho com maior ‘derrama’ no país.

2 de outubro de 2013

No rescaldo das autárquicas III

Aliás a esquerda também já tem um presidenciável, António Costa.

No rescaldo das autárquicas II

A direita já tem candidato para as presidenciais de 2016, Rui Rio um dos grandes vencedores da noite do passado dia 29 de Setembro.

1 de outubro de 2013

No rescaldo das autárquicas.

As votações obtidas pelos principais transumantes, Menezes no Porto e Seara em Lisboa, demonstram que o Povo, sábio, soube fazer muito bem aquilo que a Assembleia da República não quis fazer, interpretar devidamente a lei de limitação dos mandatos dos autarcas. Fica apenas por esclarecer se o Povo castigou a transumância ou se, pelo contrário, Menezes e Seara ganhariam em Gaia e Sintra respetivamente.

Com já aqui afirmei, sou contra qualquer lei que limite os mandatos dos eleitos por entender que é castradora da vontade popular e portanto antidemocrática. A prova está à vista nestas autárquicas, o Povo sabe bem o que faz e como faz.

26 de setembro de 2013

Em tempo de campanha autárquica V

Jornalista- O que nos pode dizer sobre os casos de tortura conhecidos em pleno século XXI?
Eu - Desculpe mas não tenho acompanhado a campanha eleitoral.


20 de setembro de 2013

Holanda diz adeus ao Estado social e entra no século XXI. E nós? Para onde vamos?


Por cá - embora não possamos classificar o nosso regime como "Velha Democracia" - vai passar-se o mesmo, não tarda muito.

António José Seguro vai ser Primeiro-ministro em 2015 ou ainda antes disso que mais não seja porque tem um calendário eleitoral muito vantajoso à sua frente e o Povo, desde o mais bem instalado até ao mais desprotegido,  já decidiu que não quer fazer sacrifícios pelo país. Por isso, vai votar em peso e contra a austeridade (as informações que vêem do estrangeiro como a que acima transcrevi   apenas servem para confirmar a alguns aquilo que já sabiam. Para a grande maioria é, como se usa dizer, letra de música). 

Mesmo que as eleições autárquicas do próximo dia 29 não corram de feição ao Partido Socialista (coisa que não acredito), poucos argumentos haverá para pedir a cabeça de Seguro. Portanto, se o mesmo não for vítima de um "golpe palaciano" no Largo do Rato, manter-se-à na liderança do PS até às eleições europeias de 2014 onde, prevejo, o PS terá um excelente resultado uma vez que  o PSD e o CDS estarão ainda mais agastados pelo clima de recessão e de falta de indicadores de retoma como todos os dados disponíveis indicam. 

Paulo Portas, esta semana, caiu na tentação de dizer que "já saímos do fundo e não vamos lá voltar"  e esse não é, certamente o melhor discurso para o momento porque a gente ainda não sente esse descolar do fundo  até porque ainda nem lá bateu.

Um Governo de António José Seguro em 2015, será construído ou com base em acordos de incidência parlamentar ou num acordo de coligação com o PCP e o Bloco de Esquerda, ou seja será tudo menos aquilo que indica o apelido do Secretário Geral do PS. 

Teremos então um calendário eleitoral propício ao disparate. Na verdade, com a eleição do Presidente da República que, se for cumprida a tradição, ocorrerá em meados do ano de 2016 e ainda Eleições Legislativas Regionais em Outubro do mesmo ano, não faltarão os discursos e as práticas despesistas. Ainda antes do final do prazo, teremos novo resgate e novo Governo. Aí sim, teremos batido no fundo e aí sim teremos que começar a criar os alicerces para a construção de uma escada que nos tire do "fundo do poço".
Temo que nessa altura seja decretado o estado de emergência social e suspensa a lei, entraremos então num estado de excepção, um caminho para o totalitarismo.

18 de setembro de 2013

Em tempo de campanha autárquica III

Quem ouve e lê o que por aí dizem e escrevem os candidatos a autarcas até julga que estamos no El Dorado.  
No dia 30 voltamos a falar.

17 de setembro de 2013

Quo vadis Universidade dos Açores

Com quase 40 anos de vida (37 feitos em Janeiro último) a Universidade dos açores atravessa um dos seus mais atribulados e difíceis momentos.
Nascida com o defeito obsessivo da tri-polaridade que tomou conta do processo autonómico e das sucessivas tentativas de construção de uma realidade Açores, o então Pólo Universitário dos Açores e depois Universidade dos Açores chegou a um beco sem saída. Fazer desse beco uma rua não é tarefa fácil. É necessário partir demasiadas paredes e desalojar muitas famílias.
Afinal esse era um fim anunciado para uma instituição que nos últimos anos insistiu num certo autismo.
Tenho pena que a "batata quente" tenha rebentado na mão da actual equipa reitoral, afinal estamos a falar de gente sensata, coisa que nem sempre abundou na academia açoriana.
Custa-me muito assistir a tal degradação, afinal esta é também a minha casa, uma casa onde cresci e continuo a crescer intelectualmente, onde adquiri e espero poder a continuar a adquirir competências, onde conheci muita gente boa e bem intencionada e que põe o culto pelo conhecimento na frente de todos os valores.

16 de setembro de 2013

Em tempo de campanha autárquica II

No "futebol" da política regional autárquica os melhores jogadores estão no banco.

15 de setembro de 2013

Em tempo de campanha autárquica.

Devo citar de memória esse grande ícone da política regional que dá pelo nome de Alvarino Pinheiro " latas de tinta na mão de alguns autarcas é pior que droga na mão dos traficantes".

31 de julho de 2013

É como der mais jeito...

Em Angra, uns escondem o símbolo dos partidos os outros a cara do candidato. No fundo, a estratégia é similar.

17 de julho de 2013

Tão atual como há 4 anos

Nas vésperas das autárquicas de 2009, há 4 anos, escrevi neste mesmo espaço assim:

Quando é que vai haver governo?

O Governo desta choldra a que alguns teimam a chamar Portugal, regressou da sua silly season directamente par a campanha eleitoral das autárquicas. Digamos que para lá de 2 meses que não temos governo. Fez falta? Nenhuma.
Post Scriptum: "Governa melhor quem governa menos".
Os juros da dívida pública mantêm-se o Presidente vai às Selvagens e depois vai de férias para o Algarve, o Povo sereno parte em férias e daqui a dias estamos a eleger os nossos novos autarcas, teremos uma solução de regime que nos imporá mais umas atrocidades e afinal estão todos de acordo até Eanes e Sampaio  concordam com Cavaco.
Sem governo estamos melhor, muito melhor.

16 de julho de 2013

É tudo uma questão de lastro...

Foi com D. João II, com o Marquês de Pombal e o Intendente Pina Manique, com Rodrigo da Fonseca, com Oliveira Salazar e agora com um pacto de regime. Este país só estabiliza e se deixa ser governado de forma musculada. Falta lastro a este Povo para poder navegar nas águas atribuladas da democracia.

14 de julho de 2013

Ramón Gómez De La Serna

De quando em vez revisito Ramón Gómez de la Serna, mesmo com outras leituras entre dedos e na espuma destes dias em que os afazeres da academia me obrigam a ler outras coisas, revisito Goméz de La Serna  e a sua magistral autobiografia. A sua prosa desconcertante, não é dificilmente catalogável no espectro das correntes estético-literárias. O autor nasceu já no fim do realismo e naturalismo que caracterizaram a segunda metade de XIX tendo, por isso, desenvolvido toda a sua atividade literária na primeira metade de XX, portanto, sob influência estética do modernismo. As suas obras são referência dessa corrente literária à escala planetária com especial relevo na chamada hoje de Ibero-América. Na verdade, Gómez De La Serna influenciou muitos escritores hispano-americanos da época nomeadamente os brasileiros Mário de Andrade e Oswald Andrade (outro revisitado). Em Portugal foi António Ferro, editor da revista Orpheu e como tal digno representante do Orfismo (modernismo português)  quem melhor caracterizou o percurso de Gómez de La Serna sobre o qual  Ferro disse um dia  ser um “palhaço, saltimbanco, cujos dedos são acrobatas na barra da sua pena”.

(…)No quiero haber vivido mucho, ni viajado mucho, ni amado mucho, ni escrito mucho, sino haber levantado mucho la vista hacia las cosas asistido por mi alma limpia y altruista de pobre de solemnidad, y haber comprendido en esa contemplación y con tolerancia la inanidad de todo, y que entre lo inane lo que lo es menos es lo bueno y lo bello, entendiendo por bondad el cariño desinteresado por las ideas, por las cosas visibles e invisibles, por las personas nobles, y entendiendo por lo bello lo que ya está revelado como tal o lo que lleva latente y aun en secreto la belleza futura y sólo se sabe que es así por lo que se oye en los sueños y en los suspiros. (…)


Para quem gosta de ler em castelhano recomenda-se como leitura para este verão ou para outros verões que virão. Automoribundia (http://www.wook.pt/ficha/automoribundia-1888-1948-/a/id/2597552) ou ainda, uma leitura mais leve de algumas das sua Greguerias. (http://www.wook.pt/ficha/greguerias/a/id/2236297).

13 de julho de 2013

Porque a história da nossa vida não passa da história da nossa morte.

"Titulo este libro 'Automoribundia', porque un libro de esta clase es más que nada la historia de cómo ha ido muriendo un hombre y más si se trata de un escritor al que se le va la vida más suicidamente al estar escribiendo sobre el mundo y sus aventuras. (...)
Ramón Gómez De La Serna

Não, não temos elites.

As elites Açorianas padecem de uma moléstia cuja cura não será fácil. Os que se julgam urbanos e cosmopolitas, cultos e contemporâneos, pensam demasiado pequeno, prenhes de preconceitos esquecem muito rapidamente os que trabalham a terra para lhes por a comida na mesa. São como aquela cão que morde a mão que lhe dá de comer.
Não, não temos elites e isso faz toda a diferença.

10 de julho de 2013

Não me ofendam a Bimby sff...


Paulo Portas "a uma espécie de "bimby" governante". 
E a Cecília Honório é uma Bimba falante. 
Eu adoro essas "piquenas"  do bloco que comem Mac Donalds às escondidas e nos convencem que cozinham em panelas de ferro com trempe em cima das brasas.

9 de julho de 2013

Depois é que são elas.

Nem parece que estamos em crise….

É só ver o que vai por esses Açores fora de programas de “violas e brasileiras”. Autárquicas a quanto obrigas.

6 de julho de 2013

Um macaquinho numa loja de porcelanas.

Portas no Governo não é “um elefante numa loja de loiças”, é mais um macaquinho numa loja de porcelanas. Explico. Um elefante entra na loja de loiças e parte a loiça toda. Um macaquinho, ao invés, salta de prateleira em prateleira e vai partindo uma peça aqui outra acolá, bem escolhida e de preferência as melhores. De vez em quando faz uma paragem e põe um ar comprometido. Quando se trata de limpar os cacos, o macaquinho prontifica-se a juntar alguns deles e porta-se como se não tivesse sido ele o culpado da sujeira.

No meio de tudo isso tenho pena que Portas e Passos tenham conseguido “queimar” e deixar pelo caminho Victor Gaspar e, segundo consta, Álvaro Santos Pereira duas figuras nas quais detinha alguma esperança. Se as notícias que correm se confirmarem, preparam-se ainda para queimar mais duas figuronas que , na minha opinião, são uma reserva moral na política à portuguesa. Pires de Lima que representa o que de melhor existe na direita liberal em Portugal e Jorge Moreira da Silva que no espectro do centro-esquerda é uma mais-valia indiscutível. 

5 de julho de 2013

Aqui só passa quem eu quero...

Portugal tratou o voo de Evo Morales como se deve tratar um terrorista. Assim como tratou os voos da CIA como os tinha que tratar, como antiterroristas.

O terrorismo é a maior ameaça externa a que estão expostos os estados-nação nos dias que correm. Combatê-lo é agir de forma a garantir a segurança nacional.

4 de julho de 2013

Somos herdeiros das revoluções atlânticas, felizmente.

Hoje, 4 de Julho, comemora-se a passagem de mais um aniversário da constituição dos Estados Unidos da América. Daqui a 10 dias estaremos a comemorar o feriado nacional francês, a tomada da bastilha a 14 de julho de 1789, dez anos depois da Revolução Gloriosa que originou capitulação de Jaime II de Inglaterra e do fim da dinastia Stuart com o culminar da chamada Bill of Rights, ao fim do absolutismo em terras de Sua Majestade e ao início de uma prática política e um regime de subjugação do monarca às leis imanadas do parlamento que que havia começado com Cromwel em 1649 e que se consagrou depois de 1689 e permaneceu com notório sucesso até aos nossos dias.

Estes três marcos, também conhecidos como revoluções atlânticas, foram o rastilho e a semente para incremento das democracias parlamentares que hoje conhecemos no ocidente. Embora na Europa se aponte muitas vezes a Revolução Francesa como revolução fundadora do liberalismo e da democracia ou das democracias liberais se assim se entender chamar, facto é que esta foi a última das três revoluções e o seu "jacobinismo" e o seu carácter radical inspiraram revoluções antidemocráticas como foram os casos conhecidos na Ibero-América e até o caso português da chamada Primeira República.


Celebremos, por isso este 4 de julho, como símbolo da liberdade, do liberalismo e da democracia e saudemos Guilherme D’Orange e os seus seguidores por terem materializado em governos e sistemas políticos nacionais e internacionais aquilo que os filósofos políticos do seu tempo se deram ao trabalho de pensar e transmitir, com especial relevo e destaque para os contratualistas, Thomas Hobbes (1588-1679),John Locke (1632-1704), Montesquieu (1689-1755), Jean-Jacques Rousseau (1712-1778).


Se somos herdeiros dessas revoluções atlânticas? Claro que somos, ainda não fomos foi capazes de transportarmos para a nossa ordem política, para a nossa ordem social essa carga genética.

A comemorar desde 1776


28 de junho de 2013

Se me permitem a pergunta...

A greve de ontem alterou alguma coisa em Portugal face à crise em que vivemos?
El sueño es un depósito de objetos extraviados.
Ramón Gomez de La Serna
Gregerias

27 de junho de 2013

Contra a corrente.

Sobre a guerrilha política  que por aí se vai travando sobre os preços das passagens aéreas e dos transportes marítimos de passageiros eu não entro nem na crítica fácil nem faço da SATA nem bombo nem bobo da corte.

Já escrevi  e volto a fazê-lo, não quero ver  o dinheiro dos impostos de quem não pode sequer sonhar em passar um fim-de-semana nas Furnas a pagar as passagens de quem pode viajar de avião.
Quem precisa por imposição, por doença, para estudar, tem já apoios e se se entende que são reduzidos então que se os aumentem.
O dinheiro dos nossos impostos faz falta, é cada vez mais escasso e ainda vai ser mais difícil de o encontrar num futuro próximo. Admira-me bastante, espanto-me mesmo que os mesmos que pedem controlo nas contas públicas por um lado, reclamam por outro que o Estado gaste os seus recursos na exportação de capitais com passagens baratas. Criticam as violas e brasileiras, mas já se for "forró" no avião, tudo está bem.
A Região Açores, 30 anos depois da democracia, da autonomia e de "bacoquismos" e desastrados planos de desenvolvimento, é a Região mais pobre de Portugal e da Europa.factos são factos.
E porquê? Porque quem governou esta "santa terrinha", teve sempre muita dificuldade de perceber que a única maneira de acabar com a pobreza é produzindo riqueza, não é esbanjando recursos subsidiando as importações ou pagando para que a nossa classe média (constituída por funcionários) vá a Lisboa, Paris ou Nova Iorque, em passeios turísticos e idas às compras aos armazéns da moda.

A SATA-Air Açores e a Sata-Internacional, são uma  uma auto-estrada, não são uma SCUT. Se é que me faço entender?

25 de junho de 2013

Eu mesmo dormindo ouço muito bem...

É isso Rodrigo Moita de Deus, aqui, nas ilhas adjacentes como vocês dizem, é uma hora  mais cedo  e portanto, eu estava ainda com um olho meio aberto e outro meio fechado. No entanto ouvi muitíssimo bem e vi "claramente visto" o mesmo que tu viste. Nem precisei de pedir que me beliscassem, afinal conheço Paulo Portas há muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito tempo.

Hoje há 10 anos

Manifesto editorial

Tive dúvidas cometi erros na concepção e acabei fazendo um disparate. o blog acorianíssimo desaparece e dá lugar a este novo blog. Para quem não sabe, "fogotabrase" é uma expressão muito açoriana que quer dizer " vai morrer longe" ou "vai chatear o Camões". ou "vai lamber sabão" ou pior que tudo " vai beijar o Saramago que ele cheira mal da boca".


Hoje, há dez anos foi assim que dei inicio a este Foguetabraze, que foi Fogotabrase (expressão escrita pela primeira vez na trilogia  "Raiz Comovida" de Cristóvão de Aguiar). depois foi Fogotabraze e finalmente Foguetabraze. No fundo, são tudo formas populares de escrever por contracção a a frase "que o fogo te abrase ou que o fogo te faça em brasas.

Hoje, este que foi um dos mais procurados e comentados  blogues dos Açores mas  que ninguém lia e ninguém comentava, passa por dias de grande angustia e de alguma auto-censura. Não, não estou nem  cansado nem desiludido com os Homens, são as vantagens de nunca me ter iludido, são as vantagens de ser optimista em relação ao que sei fazer e pessimista em relação ao que esperar dos outros.


Que venham mais 10 anos de blogas e de muitas coisas boas que é sinal que Deus me deu vida e saude para andar por aqui, ou como disse um dia aquele a quem a história fará justiça, "vou andar por aí".


22 de junho de 2013

Limitação de mandatos, um folhetim constitucional.

Corria o já distante ano de 2005 quando o partido Socialista (PS) liderado  pelo inominável, recuperando a ideia da 22º emenda da Constituição dos Estados Unidos da América, trouxe a público um esboço de lei para limitação dos mandatos dos titulares dos órgãos do poder político autárquico e regional.

Vem, novamente, essa lei à liça pelo facto de estarmos na proximidade de mais um ato eleitoral para as Autarquias Locais e pelos “casos” constituídos pelas supostas candidaturas de Luís Filipe Menezes ao Porto e Fernando Seabra a Lisboa.

Dizem os Jornais desta semana que a candidatura de Seabra está comprometida porque o Tribunal da Relação de Lisboa confirmou a sentença do Cível sobre o procedimento cautelar interposto pelo Movimento Revolução Branca. No entanto, a interpretação dos Tribunais tem sido diferente para casos iguais uma vez que, o Tribunal de Évora rejeitou a providência cautelar interposta pelo Movimento Revolução Branca contra a candidatura da CDU à autarquia local, protagonizada por Carlos Pinto de Sá.

Todas essas dúvidas persistem porque os responsáveis políticos insistem, e mal, na “ditadura do politicamente correto” e o Povo insiste e mal em deixar-se ir  como se de bovinos se trate.


O Tribunal Constitucional vai agora ser “convidado” a pronunciar-se sobre a potencial candidatura de Fernando Seabra (já existe entretanto recursos pendentes sobre os caso do Porto e da Guarda) quando esse mesmo tribunal devia sim ter sido chamado a pronunciar-se sobre a própria Lei 46/2005 que, no meu entender,  viola claramente a Constituição da República Portuguesa (ver artigos 2º e 26º pelo menos) desde logo porque constrange o exercício da democracia  limitando o direito de propositura que é um direito de cidadania.

4 de abril de 2013

A crise do Estado moderno.

O grau zero do Estado

Os sentenciados do caso Casa Pia que se apresentaram voluntariamente na prisão da Carregueira, tiveram que esperar, tiveram que sair novamente para almoçar, tiveram que regressar mais tarde porque faltavam umas burocracias, umas autorizações, uns papéis.
Não há retrato mais justo deste nosso Estado ronhoso, incompetente, arrogante, preguiçoso, desarticulado, miserável e incapaz.

No Corta Fitas

28 de fevereiro de 2013

O Povo é quem mais ordena 2

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 
E o Povo - esse ao qual me orgulho de pertencer - ainda tem mais uma responabilidade na porcaria toda que anda por aí, a da coragem que não tem, nem sequer para assumir o que diz e faz.
 Coisa que não abunda neste Povo são herois, nem mesmo os de Abril o foram. E com razão, afinal  "quem tem cú tem medo" e agora, mais do que antes, o que está em causa nem sequer é a liberdade, é mesmo uma questão de ter ou não ter com que dar de comer aos filhos e perante isso qualquer um amolece. Acontece que uns amolecem mas continuam com a dignidade de terem um nome  e até asssumirem o seu amolecimento, outros continuam, sabe-se lá em nome de que "gamela", escondidos.

27 de fevereiro de 2013

O Povo é quem mais ordena!


 

Dizem eles. Mas, pergunto eu:
Não foi o Povo quem mais ordenou até agora?
O Povo não aplaudiu a autoestradas inúteis e sem custos?
 Aplaudiu sim senhor!
 E o Povo não escolheu por escrutínio secreto e universal a gentalha que nos andou a governar nos últimos 30 anos?
Escolheu sim senhor!

E não foi o Povo que pediu mais e mais estado por tudo quanto é sítio?

Foi sim senhor!

 E não foi o Povo que andou de carro novo e casa nova este tempo todo?

 Foi sim senhor!

E não foi o Povo que gostou do Euro 2004 e da Expo98 e de mais uma série de inutilidades?

Foi sim senhor.

Então o Povo foi quem mais ordenou nos últimos 30 anos e o resultado está à vista.

26 de fevereiro de 2013

O que seria do amarelo se não fosse o mau-gosto

Essa coisa de “grandolar” aos Ministros em todo o lado pode ter um excelente efeito estético. Afinal há gostos para tudo e o que seria dessa gentalha se não fosse o mau-gosto. Mas, terá resultados práticos?

16 de fevereiro de 2013

Sonho que sou poeta em Vila do Porto.

O Palácio da Ventura

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!

Antero de Quental, in "Sonetos"


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