31 de março de 2020

Lazareto?


Chamam-nas de medidas de exceção na contenção do SARS-Covi-2.  Trata-se de confinamento em unidade hoteleira em regime de pensão completa e autorização para circular nas zonas comuns (recreio). Há quem ache isso tudo uma medida de grande alcance, de enorme responsabilidade e de coragem. Independentemente da sua necessidade e da sua eficácia, que não discuto, entendo ser um abuso de poder. Sim um abuso, uma prepotência e uma arrogância improprias dum Estado Democrático e de Direito. Nem o diploma do Presidente da República, nem o diploma do Governo, preveem medidas de confinamento de cidadãos em unidades que não sejam hospitalares. Já sei, vão dizer-me que é necessário, e até talvez seja, mas então isso demonstra que quando legislaram não sabiam o que estavam a fazer, fizeram-no apenas para legalizar as medidas então ilegais e que por boa vontade dos Portugueses já estavam no terreno. Muitos dos que clamam pela libertação do Rui Pinto, ou estão calados ou pior, tecem loas ao confinamento de cidadãos num quarto de hotel contra sua vontade. Estranho, muito estranho.


In Jornal Açoriano Oriental, edição de 31 de Março de 2020

25 de março de 2020

CEGANDO 3



O arquipélago dos Açores não fica isolado e protegido de ameaças externas graças ao centralismo dos mandantes de Lisboa. Nunca tive dúvidas! Em cada Português existe um inimigo das Autonomias, apenas uns disfarçam melhor do que outros. Estou ciente, cada vez mais, de que o regime das autonomias constitucionais apenas existe porque, assustados com os gritos de libertação dos Povos, Lisboa cedeu nos seus apetites colonialistas um poucochinho para calar as ondas independentistas. Traídos pelos seus pares, os Povos Insulares entraram de alma e coração num regime que, cuidavam, era de livre administração dos Açores pelos Açorianos, e da Madeira pelos Madeirenses. Os de sempre, os que já vinham acomodados dos tempos dos Distritos e os outros que, ainda imberbes, rapidamente aprenderam a arte da vida boa sem ondas, sentaram-se no poder desse sistema que não é nem de perto o que os Açorianos e Madeirenses desejam, mas o que Portugal permite que tenhamos. Se o caso fosse de Guerra no sentido literal do termo, essa gentalha não hesitaria em atirar-nos para as trincheiras como carne para canhão. 


In Jornal Açoriano Oriental edição de 24 de Março de 2020

19 de março de 2020

Cegando 2


O encerramento de fronteiras e consequentemente dos Aeroportos dos Açores é competência exclusiva do Governo da República. Esta é, tal como a questão das Lajes, uma das questões que carece ser repensada no aprofundamento da autonomia dos Açores. Na verdade, esta é também uma daquelas questões que deveria levar os Governos Regionais a uma espécie de “desobediência civil”, teriam, certamente, o apoio dos povos .  A contenção de um surto desta natureza não se faz com “medidinhas” nem com “meias tintas”. Ambas as Regiões são pobres, incapazes de gerar recursos suficientes para manter um nível de financiamento adequado ao sector da saúde, os meios complementares de diagnóstico são escassos e mesmo nos casos em que esse serviço está convencionado com os privados, não está ao alcance de todos no tempo desejável. Não estamos à altura de lidar com uma pandemia desta natureza, a única coisa que podemos fazer é fecharmo-nos, isolarmo-nos. É ver os patéticos globalistas a defenderem o isolacionismo. Quando o fogo chega aos seus “rabos-de-palha, as convicções esvaem-se. Estão cegando.

In jornal Açoriano Oriental, edição de 17 de Março de 2020

11 de março de 2020

Caciquismo




Leio o comunicado do último Conselho do Governo e há apenas duas palavras que me assaltam a alma, eleitoralismo e caciquismo. Quanto ao eleitoralismo, assalta-me aquela pregunta: Deve o Governo deixar de governar no último ano da legislatura? Precisamente por haver eleições, fica claro que não, bem pelo contrário. O Governo deve trabalhar e muito em especial nesse último ano de legislatura. No entanto, deve fazê-lo para encerrar um ciclo e não lançar projetos e primeiras pedras; Deve trabalhar para ara fechar processos e não para dar inicio a processos novos; Deve esforçar-se para mostrar o trabalho feito e não apenas as boas intenções futuras; Deve ter soluções e não propostas, deve ter respostas e não perguntas. Aquilo a que temos assistido nos últimos dias não é governação, não é oposição, não é política, é aquilo a que alguém, muito brilhantemente, chamou de “eventologia”. Já no que concerne ao caciquismo, ele é a vetusta ferramenta para a perpetuação do poder. Roça muitas vezes o nepotismo disfarçado de opções democráticas, toca tangencialmente o carácter disfarçadamente dinástico da democracia do tipo ilhéu.


In Jornal Açoriano Oriental, edição de 10 de Março de 2020.

4 de março de 2020

Cegando



O Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal já nos habituou a um certo padrão de ironia que roça a falta de educação. Bem sei que há vezes em que falta paciência para “paninhos quentes” e banhos de “água de rosas” e é preciso ser-se curto e grosso na forma e no conteúdo. Curto e grosso não significa grosseiro como é hábito no Sr. Santos Silva. Sempre que se tratam questões relacionadas com os Açores e com as relações euro-atlânticas o Sr. Ministro arrepia-se eriça-se e toca de mandar a malta tomar “banho de malvas”. Como “quem não se sente não é filho de boa gente” Vasco Cordeiro, desta vez, fartou-se e tendo o Ministro usado da Ironia para ofender os Açores através do sempre acutilante Deputado Paulo Moniz. Vasco Cordeiro disse chega e quase que se “passava dos carretos” e vai dai responde à letra e com clareza. O Sr. Ministro está, de facto, “cegando” e estamos todos ficando cansados da forma como Portugal olha os Açores e como menospreza as relações euro-atlânticas sempre de relevante importância para Açorianos. Estes Portugueses estão cegando.


In Jornal Açoriano Oriental, edição de 03 de Março de 2020

27 de fevereiro de 2020

2 Margens 2020.02.27

Edição nº 20 da terceira série do programa 2 margens, na Açores-TSF, 2020.02.27
https://www.acorianooriental.pt/files/multimedia/podcasts/50_Duas_Margens/14238.mp3?fbclid=IwAR0zQUKjqKtNJPhU51K4iGRyGOHJSGw2uTb0JD03hEM9eMgN2qm_xvGAPWc

Entrudo


Malassadas, coscorões, bailes e bailinhos, fantasias e costumes, máscaras e desmascarados, mais ou menos formais mais ou menos regados com cargas etílicas, as tradições carnavalescas do Povo Açoriano vão se mantendo um pouco por todo o lado. Carnaval é na Terceira, dizem uns, outros que é na Graciosa, alguns dizem que é em São Miguel e outros ainda acham que só no faial é que se comemora condignamente o caminho para a Quaresma, já que no Pico a grande tradição é a matança do porco na quarta-feira de cinzas. Certo é que em todas as ilhas dos Açores há uma tradição diferente e é isso que faz de nós um Povo singular, um Povo que vive as mesmas festas de modo diferente e não há uma única forma comum a todas as ilhas, fruto do isolamento enorme que viveram até há bem pouco tempo. “Guerrear” com limas cheias de água foi uma tradição decorrente de uma batalha de flores que hoje se faz, maioritariamente, com sacos de plástico e balões, tudo muito mais ecológico do que andar a colher flores para atirar uns aos outros, goste-se ou não, a batalha é uma tradição.


In jornal Açoriano Oriental edição de 25 de Fevereiro de 2020

19 de fevereiro de 2020

Matar Fascistas

Na sinopse de uma peça de Teatro levada à cena no Nacional D.MariaII, ou sejas, paga pelos impostos de nós todos e de alguns outros cidadãos da União Europeia, pode ler-se uma espécie de incitamento ao ódio que para lá de lamentável chega a ser criminoso. “Há lugar para a violência na luta por um mundo melhor? Esta família mata fascistas. É uma tradição com mais de 70 anos que cada membro da família sempre seguiu. Hoje, reúnem-se numa casa no campo, no Sul de Portugal, perto da aldeia de Baleizão. A mais jovem da família, Catarina, vai matar o seu primeiro fascista, raptado de propósito para o efeito.” É claro que há lugar à violência na luta por um mundo melhor, está nos livros e até em artigos publicados pelo autor desta crónica e citados internacionalmente, o que não há lugar, pelo menos por hora, é a este tipo de incitamento à violência encapotado em cultura e sob o manto da liberdade de expressão. Este tipo de atividade constitui, de acordo com o código penal em vigor, crime punível de 6 meses a 8 anos de prisão. Onde anda o Ministério Público?

In Jornal Açoriano Oriental, edição de 18 de Fevereiro de 2020

12 de fevereiro de 2020

Trumpalhada

Bem ao seu jeito mediático e exibicionista Donald Trump fez, na semana passada, aquilo a que se pode chamar uma mutação do tradicional discurso do Estado da União num espectáculo de variedades. Provocou o Regime de Maduro & Friends, mandou recados para dentro do seu Partido, apelou à participação dos Americanos na mudança, desafiou os democratas e ainda conseguiu fazer com que Nancy Pelosi cometesse um dos mais infantis erros que alguém na sua posição poderia cometer, rasgar um discurso em frente às câmaras, em direto, e enquanto o Presidente ainda o proferia e depois de ter aplaudido de pé algumas das suas intervenções. Este episódio e o acumular de erros que os Democratas têm vindo a cometer desde a eleição de Tump em 2016, fizeram com que o Presidente atingisse os níveis mais altos de popularidade desde a sua investidura. Com o desemprego mais baixo dos últimos 50 anos e a economia a crescer como não se registava desde 1995, Trump tem a linha aberta para a reeleição para o seu segundo mandato. Do outro lado, Bernie Sanders e Elizabeth Warren  ainda não perceberam “Porque não houve socialismo na América”.

In jornal Açoriano Oriental edição de 11 de Fevereiro de 2020

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