22 de setembro de 2015

Que vergonha

"Este editorial do Diário Insular é uma vergonha," diz o Nuno Mendes no Facebook  acerca do texto abaixo transcrito e que vem  hoje publicado no matutino Terceirense. Reafirmo Eu aqui que além de ser uma vergonha explica muito o que vai nas cabeças ( ou o que não vai) das supostas elites da Ilha Terceira de Nosso Senhor Jesus Cristo . Não, a culpa não é dos políticos, é precisamente dessas supostas elites  que pensam dessa maneira e que vivem numa cegueira contra São Miguel que nem percebem que cavam as suas covas que depois clamam que alguém as venha fechar  e ateiam os seus fogos clamando que outrem os venha apagar.

Um editorial deste teor roça a xenofobia. Tenho pena de não ter lido um único cidadão da Ilha Terceira se insurgir contra tal bestialidade.

Por fim quero deixar aqui uma nota  apenas. As forças politicas e a sociedade Micaelenses nada fizeram para que os seus reclusos fossem enviados para uma outra Ilha ou para o Continente. Bem pelo contrário. Vimos, nos últimos 30 anos, a nossa cadeia superlotada e sem condições e vimos  os investimentos nessa área em São Miguel preteridos em favor de outros, pelo visto, pouco desejados. Há mais de 30 anos que os Micaelenses clamam por uma nova cadeia, já foram cedidos terrenos e edifícios para o efeito e o Ministério da Justiça e a Direcção Geral dos Serviços Prisionais nunca deram ouvidos a essas pretensões.

Por outro lado, ao primeiro clamor de reclamação vindo da Terceira, Zás! aqui vai um novo estabelecimento prisional para a Terra Chã. Até nisso a Terceira está dependente de São Miguel, não fora o sacrifício redobrado dos prisioneiros micaelenses terem de ir para longe das suas famílias e “ecossistemas” ter servido de fundamento para a construção de uma nova cadeia em Angra e a cadeia da Terceira estaria a menos de metade da sua ocupação ou nem teria sido construída. As “elites” da Terra Chã insurgiram-se contra essa construção mas a restante “inteligência” da Ilha queria uma cadeia nova primeiro do que em São Miguel. Conseguiram.

Aliás, como disse o Dr. Moreira das Neves, um daqueles que não precisou de aqui nascer para aqui viver e saber aqui morrer, “a cadeia da ilha Terceira não pode substituir a construção de um novo estabelecimento prisional na ilha de São Miguel”, foi o primeiro micaelense (com sotaque continental é certo mas com alma Micaelense) a dizê-lo.

A seguir transcrevo o referido editorial (eufemismo)  com as necessárias anotações entre parêntesis, a negrito  e a azul.

Dormir na forma dá nisto... (e não andaram sempre a dormir à sombra dos feitos das tropas de D. António o Prior do Crato?)
Enquanto a Terceira anda entretida a discutir o sexo dos anjos - por exemplo, transformar uma base militar norte-americana numa alavanca de desenvolvimento da ilha...( sempre na esperança que alguém resolva os problemas com pós de perlimpimpim) -, São Miguel vai aproveitando para exportar para a cadeia situada na Terra-Chã, arredores de Angra do Heroísmo, alguns dos seus piores criminosos. Com cerca de oitenta por cento de toda a população criminal açoriana e com uma cadeia a abarrotar, São Miguel não coloca os seus presos no continente, aproveitando as boas condições da cadeia da Terceira para aqui concentrar os indesejáveis. (São Miguel não coloca presos, essa é uma competência do Governo Central, da justiça e dos serviços prisionais e até de alguns serviços como é o caso da reinserção social que tem muitíssimo mais peso na Terceira)
Faz uma enorme diferença colocar os presos de São Miguel na Terceira ou no continente - sendo, porém, certo que os reclusos micaelenses deveriam ficar em São Miguel, junto das famílias e do ecossistema (ecossistema?)que tão bem conhecem e do qual são produto. Mas acabando por sair de São Miguel - o que não deveria acontecer, note-se -, tais reclusos só poderiam ir para o continente. Porquê? A questão tem a ver, em boa parte, com as saídas da cadeia. Os reclusos saem por pequenos períodos, por liberdade condicional e por fim da pena. Já está percebido que os reclusos micaelenses que aportam à Terceira vão ficando por cá, sem famílias, habitando bairros sociais que por si só já são um problema. Perceba-se que eles já representam outro tanto dos criminosos locais condenados (uma rotulagem inadmissível, depois de ordem de soltura o individuo, civilmente, é um cidadão de plenos direitos e requer apoio da sociedade para a sua reinserção, e regresso à vida cívica, não precisa de rótulos para tal). Ou seja, o potencial de crime na ilha duplica quando eles são postos em liberdade provisória ou definitiva. Já no continente, se eles decidirem por lá ficar a sua presença diluir-se-á em dez milhões e não nas cinquenta e poucas mil pessoas que vivem na Terceira. O impacto nem sequer é comparável. É a diferença entre zero e uma colónia penal e pós-penal.

Tudo isto ocorre com silêncios cúmplices. Aliás, só nos começamos a aperceber da dimensão do problema quando - imagine-se! - um amigo norte-americano, militar, nos telefonou avisando que um avião militar que estava nas Lajes com prisioneiros era português, o destino era a Terceira e não Guantánamo. (Claro que percebemos a piada...) (que não tem piada nenhuma). Até os nossos inquilinos dão pelo que se passa, mas os nossos políticos, esses estão a leste do paraíso. A Terceira pode ser transformada numa colónia penal; os bairros sociais podem transformar-se no apêndice da cadeia; a ilha pode arder... Eles continuam a viver no seu estranho mundo. Nem sequer se lembraram de levantar a voz. De perguntar "Porquê?" e de dizer "Não!, nós não queremos!", "Isto não pode acontecer!"

6 de setembro de 2015

O inverno no Verão.

Era eu ainda uma criança quando num chuvoso dia de agosto no edílico Vale das Furnas ouvi, pela primeira vez, da boca da D. Rosa Quental que as Furnas encanta de tal maneira que até o Inverno vem passar o Verão para o Vale.

Pois, parece que o Verão quer continuar o seu Inverno nos Açores.

4 de julho de 2015

É preciso ter muita lata...

O Costa de Lisboa ( já devem ter reparado que não engulo o sujeito nem coberto de mel) disse hoje num evento para "rapazinhos" do PS que  "Portugal só não está como a Grécia por causa do PS". É que é preciso ter mesmo muita lata para um tipo que fez parte do "Pântano Guterrista" e do "Lodaçal Socrático" vir dizer uma coisa destas. É que é mesmo preciso não ter vergonha nenhuma na p**a da cara.

3 de julho de 2015

Como aos costumes...

Hoje, como é costumeiro à sexta-feira de há uns tempos a esta parte, li o Açoriano Oriental da ultima para a primeira páginas.


Hoje, como de costume, o grande, o enorme, João Nuno Almeida e Sousa acertou na mosca no seu texto elogioso à peça de Dinarte Branco e Nuno Costa Santos " I don't belong here". Não vi a peça, nem sei como o assunto foi tratado. No entanto, vivi muitos anos perto desta triste realidade que a peça teve, segundo o JNAS, a virtude de fazer muita gente reflectir. Ele próprio foi desperto para esta realidade.
Nos Açores, como no resto do país, a desgraça e a miséria têm servido para resolver os problemas de emprego de muita gente que está instalada à volta desta "indústria" mas pouco tem resolvido dos problemas de quem é vitima desses flagelos. Salvo raros projectos de sucesso, quase todos os que conheço e já tive o cuidado de investigar  consomem grande parte (a maior parte)dos recursos que lhes são alocados para manter as suas máquinas administrativas e em recurso humanos que nem chegam a reflectir sobre o assunto. Muita gente fez carreira da solidariedade e da inserção social e pouca gente fez alguma coisa por essa gente cuja miséria lhes garante o emprego e o rendimento para levarem um vida acima da média das almas boas desta terra que fazem alguma coisa por quem mais precisa.

Mais uma vez a formação na doutrina social da Igreja e a minha matriz democrata cristã me obriga a atirar pedradas a este charco que o JNAS também tentou agitar depois do mote da peça em questão.

Para quem não teve oportunidade de ler aqui fica o texto do João Nuno.

Desterrados
São personagens da vida real que povoam a peça “I don’t belong here” de Dinarte Branco e Nuno Costa Santos. No palco estão “repatriados” que nos confrontam com as suas vidas e a trindade atávica de abuso-violência-alcoolismo que os perseguiu até ao outro lado do Atlântico. Gente que cedo viu o sonho americano transformar-se num pesadelo sem fim. Descarregados em S. Miguel como mercadoria, vivem na ilha não uma segunda oportunidade, mas uma segunda pena de prisão. Estigmatizados, confinados a esta espécie de “Alcatraz”, cercados pela neblina e pelo preconceito, circulam à margem da sociedade numa agonizante rotunda cujas voltas se repetem em eterno retorno. A peça não branqueia o passado dos protagonistas, mas exibe a dimensão desumana da “deportação”. Em 1996, o Congresso dos EUA aprovou uma lei de deportação retroactiva, automática, sem mediação judicial, implicando que milhares de imigrantes legais sem a cidadania americana fossem recambiados para a sua terra natal por crimes pelos quais já tinham cumprido pena. Essa desumanidade está em carne viva numa peça que incomoda tanto quanto emociona. Com episódios comoventes e outros do absurdo da vida, humaniza a pessoa que se esconde na palavra “repatriado”. Esta é a verdadeira função da arte: convocar-nos a reflectir.


João Nuno Almeida e Sousa



PS: O João Nuno Almeida e Sousa está filiado no partido errado, um desperdício.

26 de junho de 2015

Não à Europa?

O Governo (eufemismo) Grego caminha hirsuto rumo (ou á vista) a fazer  vingar a sua matriz ideológica apoiada por tantos e tantos Portuguesas  como o Costa de Lisboa e a sua trupe (se  lá  não estivessem  3 ou 4 pessoas que muito considero chamaria de “cáfila”).

 O trilho seguido por Tsipras & Companhia Ldª é contrário ao que as restantes democracias europeias delinearam desde a fundação da CECA até ao Tratado de Lisboa (Porreiro Pá!). Obviamente, o programa do Syriza, pelo menos o que foi apresentado ao eleitorado Grego e propalado pela integral rosa-dos-ventos, é incompatível com o projecto de moeda única e com o liberalismo democrático que tem servido de base à construção dos tão  desejados Estados Unidos da Europa. 
A Grécia não quer e não pode estar no Euro. Assumamos.
No entanto, do ponto de vista das instituições europeias, não faz sentido ter um governo descrente com projecto europeu, sustentado democraticamente por um Povo igualmente descrente desse projecto, envolvido no processo de integração mais abrangente que a União tem entre mãos, a moeda única. A Comissão, o BCE e o FMI não querem a Grécia no Euro. Também temos que o assumir

A questão mesmo é saber quem consegue sair deste impasse negocial com o ónus da saída da Grécia do Euro. 
O Governo de Tsipras? 
A troika?


Para já Alexis Tsipras ganha e leva a vantagem na corrida feita na imprensa, não leva, claramente, a vantagem de quem pensa a Europa.

Seria uma grande irresponsabilidade.

(...)Seria uma enorme irresponsabilidade eleger em Portugal um “Presidente Syriza”. E há uma grande diferença entre a candidatura de Mário Soares em 1985 e a candidatura de Sampaio da Nóvoa em 2015. Há trinta anos, o PS impôs o seu candidato ao PCP. Trinta anos mais tarde, a extrema-esquerda está a impor o seu candidato ao PS. (...)

João Marque De Almeida in  O Observador.

Seria uma grande irresponsabilidade, obviamente. E não vai acontecer precisamente porque é uma imposição da extrema esquerda ao socialismo moderado do Partido Socialista.

O ADN de Alexis Tsipras é anti europeu.

(...) O primeiro-ministro grego não tem as mesmas motivações nem o mesmo quadro de referências não apenas de Juncker, mas de todos os que, da direita democrática à esquerda social-democrata, construíram a Europa nos últimos 60 anos. O seu mundo é outro, e não apenas por ser grego, pois o que Tsipras fez toda a vida foi combater o modelo económico, social e político da União Europeia. (...)

José Manuel Fernandes, in O Observador, 2015.06.20

23 de junho de 2015

Não se pagam as contas com Cascas de Lapas.


Era tudo um mar de rosas, o Rosas o Fazenda & Companhia Ldº mais a Drago e o Galamba e o Costa de Lisboa e outros tantos  da esquerda mais "esquerdalha" e da suposta direita que não passa de uma esquerda mais disfarçada e os social-democratas das oligarquias Cavaquistas que foram, e bem, "corridos" do arco da governação defendiam, com unhas, dentes e ferros, o fim da austeridade. Alexis, o visionário, vence as eleições na Grécia há menos de meio ano e todos se congratulam com as soluções mágicas para o Povo Grego e para a Europa. Todos sem excepção. Passados estes meses, com a Grécia lançada numa das maiores crises sociais dos últimos anos, o Syriza  confessa-se incapaz de fazer diferente do que fizeram Espanha e Portugal e acaba apresentando ao Eurogrupo e aos credores internacionais um plano de reformas quase igual ao de Victor Gaspar:  2.692 milhões de euros de cortes até ao final deste ano com 665 milhões de euros de cortes nas pensões e 5.207 milhões de euros de austeridade, pura e dura até ao final 2016.


Em 2015, serão 665 milhões de euros de cortes em pensões e em 2016 as pensões sofrerão um corte de 1.860 milhões de euros. Os reformados deixarão de o ser aos 59 anos e passarão para os 67 como na maioria dos países da Europa.

O Syriza foi incapaz de cumprir as suas promessas eleitorais mas certamente não haverá um único jornalista de esquerda (puro eufemismo), um Deputado canhoto ou um opinativo cidadão anti Passos/Portas que venha a terreiro pedir a demissão de Alexis Tsipras.
O Syriza não é claramente o partido dos reformados e pensionistas o que não quer dizer que seja um partido contra os mais fracos, bem pelo contrário.

O Keynesianismo é "porreiro pá" mas é preciso aquilo com que se mandam cantar os cegos. O crescimento é uma alternativa à austeridade? Claro que é, mas investindo e pagando esse investimento com quê? Com cascas de lapas?

Estamos conversados. 

19 de junho de 2015

As eleições são uma maçada.

As eleições e essa coisa do Povo votar por escrutínio secreto é uma maçada. Não é companheiro António Costa?

Isto é a Democracia, Estúpido!



Obviamente que o Povo sabe bem o que está a fazer, soube sempre, até mesmo quando escolheu ser governado por um "bandalho bem-falante". Atenção! Esse tal bandalho, por mim, até pode estar totalmente inocente dos crimes pelos quais está a ser investigado e detido preventivamente. Espero mesmo que esteja, muito sinceramente custa-me ver o meu país nas bocas do Mundo por ter um  ex-primeiro.ministro acusado seja de que crime for. No entanto, o inominável  não deixa de  ser um bandalho pelos casos conhecidos e provados e nunca desmentidos, da licenciatura fora de horas, dos projectos assinados pelos amigos e até pela falta de honestidade intelectual do seu discurso enquanto candidato e Primeiro-ministro. Porém, na verdade, o povo soberano, democrata e secretamente escolheu-o para governar Portugal por duas vezes. 

O Povo, na hora da verdade, sabe escolher e nunca se engana mesmo quando se vem a provar mais tarde que as coisas não correram bem. As eleições livres e democráticas são sempre um dia de festa da liberdade e das escolhas individuais que se conjugam numa escolha do colectivo. Mas naquela hora, por traz do biombo, com a caneta na mão e o "papelinho" com os símbolos e os quadradinhos à nossa frente, somos, cada um de nós, livres de lá por o que bem entendermos.
Daqui até às eleições ainda vai correr muita água por debaixo das pontes. A crise Grega ainda vai mostrar melhor aos Portugueses o que uma certa esquerda pretende para a Europa. O Caos.
De acordo com esta sondagem essa esquerda pode, se se entender, formar uma maioria absoluta de votos e de mandatos e o facto de CDU e BE terem aproximadamente 18% dos votos pode ser um sinal de que o Povo quer um governo de esquerda, liderado pelo PS mas com dois "fusíveis" que possam garantir que os Partido Socialista não embarca, de novo, em "desmandos  de tensão".
Ainda falta muito tempo para as eleições e ainda falta muito caminho para percorrer. Uma coisa é certa, Costa está muito aquém do que Seguro já tinha conseguido e isso demonstra que Costa está muito aquém das expectativas que o Povo Português e em particular a esquerda portuguesa tinha do ex-ministro do "Pântano Guterrista"  e do "Lodaçal Socrático".

16 de junho de 2015

Syrizando...


O Governo Grego do Syriza, liderado por Aléxis Tsípras e com Yanis Varoufakis como responsável máximo pelas finanças, principal problema da Grécia, parece um daqueles maus alunos que vai adiando o estudo até às últimas horas antes do exame até porque "enquanto o pau vai e vem as costas aliviam”. A saída do Euro é agora inevitável e irá ser extremamente dolorosa para o Povo Grego. Varoufakis é talvez o único, num Governo de gente louca, que sabe o quanto irá ser penoso para a Grécia sustentar os níveis de despesa corrente que ainda tem e o quanto mais penoso será ainda a redução dessa despesa, ou seja, aquilo a que agora se chama , perniciosamente, austeridade. No entanto, o Ministro Grego das finanças pouco mais faz do que jogar ao gato e ao rato  e está simplesmente a adiar o inadiável e a tentar transferir para a União Europeia o ónus do descalabro da política económica e financeira da Grécia nos últimos anos. Já se sabe.



O Costa de Lisboa, que foi Ministro no "Pântano Guterrista" e no "Lodaçal Socrático", congratulava-se há uns meses com a vitória de Tsípras dizendo mesmo que  a "vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha". Costa está, clara e redondamente enganado. Na verdade,  a via escolhida pela dupla Tsípras/Varoufakis não é o caminho da saída dos problemas Gregos mas sim uma auto-estrada para os agravar ainda mais , como aliás está à vista.

Espero que o Povo Português não se engane.

28 de maio de 2015

Onde está o nº 4?

O lugar mais desejado na lista do PS-Açores à Assembleia da República nas próximas eleições legislativas é o nº 4.
 Alguns incautos acreditam no  4-1, o que faria do 5º lugar outro alvo de cobiça. Outros, um pouco mais cautelosos, fazem as contas à saída de Cesar para o Governo da República. Por isso ou por aquilo o quarto lugar da lista terá de ser ocupado por um "figurão".
Quem?
Sairá das hostes do PS ou de uma corporação qualquer dessas que têm muito peso eleitoral?
Será só um engodo ou é mesmo para cumprir mandato?

As perguntas que se impõem e que carecem das respectivas respostas.

24 de março de 2015

19 de março de 2015

Ficção na economia dos encaminhamentos.

Na história que se segue todos os personagens são pura ficção mas as contas são reais.
Raquel (nome fictício) Engª Aeronáutica pelo IST é controladora de Tráfego Aéreo em Santa Maria tem um bom ordenado. José e Maria, pais de Raquel (serrana bela) são naturais e vivem na ilha das  Flores, ele é técnico da PT reformado antecipadamente mas bem remediado. Ela é reformada dos CTT, tiveram sorte estes dois, vivem desafogadamente. A sua grande preocupação  é a filha única do casal estar tão longe. De vez em quando lá vão passar uns dias a Santa Maria, matam as saudades da "Raquelinha", alugam um "carrito"  numa rent'a car local que a pequena precisa do seu para ir trabalhar fora de horas que aquela gente trabalha por turnos. Dão uma volta pela Ilha.
A Maria encontra sempre alguma coisa para comprar apesar do comércio local estar cada vez mais pobre e ter cada vez menos o que vender. Comem umas alheiras, abastecem-se de biscoitos de orelha que o Inverno há-de consumir com chá de erva cidreira da Fajã Grande e regressam à sua ocidental Ilha das Flores já com saudades da sua "Raquelinha".

Outras vezes é Raquel que, aproveitando umas folgas acumuladas, vai de viajem até às Flores com o Tiago, namorado que é de Beja e também é controlador em Santa Maria, conheceram-se no técnico. Nas Flores, para não incomodar o Pai que pode precisar do carro para ir até ao Porto das Poças ver os pescadores a descarregarem o resultado da faina, Raquel aluga uma "carrito", dão as suas voltas pela Ilha, vão todos Jantar ao Por-do-sol degustar um belo repasto e vão à festa que o José Rogério preparou para o serão de Sábado. regressam a Santa Maria com a saudade  na mala, queijo da Uniflores e aquela deliciosa manteiga que não há outra igual.
José, não fossem essas passagens tanto caras e podíamos fazer uma visita à nossa à Raquel, recuperar o stock de biscoitos e comer aquela bomba calórica das alheiras fritas com ovo a cavalo no restaurante do Ângelo, disse a Maria enquanto "corria" um lençol, alvo,com um olho no ferro outro na novela da SIC.

Qual quê Maria, retorquiu José, "a gente vamos" mas é a Lisboa com a pequena, é mais barato, compramos 4 passagens numa dessas companhias novas por 30 ou 40 euros, vamos à borla todos até São Miguel onde nos encontramos e vamos passar esses 4 dias a Lisboa, aproveito para ir ao Sporting pagar as cotas e ver um jogo e tu vais mais a tua filha para as compras na baixa e no Colombo enquanto o Tiago vai a Beja ver a família, coitado vai gastar mais no comboio do que no avião.
Pagamos todos para o dinheiro ser gasto na Capital do Império. Sim que o José não passa sem ver o Terreiro do Paço para se recordar dos tempos em que Portugal era um Império.

Feliciano, outro nome fictício, trabalha na Junta da Fazenda de Santa Cruz, até não ganha mal se comparado com outros. Feliciano tinha o sonho de conhecer o estádio da Luz, mas com o ordenado que tem e com os impostos que paga, ainda agora recebeu o aviso do IMI da casa que ainda está a pagar com muito poupar  ao banco que foi resgatado com dinheiro desses mesmos impostos, dois rapazes para estudar e a sua Odilia que nem sempre tem casa onde servir, mesmo com essas coisas das passagens baratas não pode sonhar sequer com avionetas quanto mais com aviões, para o Feliciano até de borla é caro. 

O mesmo se passa com o Hélio, oriundo da Bretanha na Ilha de São Miguel, emigrado na "cagarrolândia" onde é condutor de pesados na Câmara de Vila do Porto  e cuja mulher, a Odete, trabalha no Bar do Aeroporto, ambos empregados portanto, mas a pagar a casa e o automóvel que à hora que a sua Odete entra e  sai do serviço ou ainda não há ou já não há transportes públicos,  rapaz mais velho vai para a Universidade em São Miguel e a bolsa mal dá para os gastos, o que vale é que a tia que vive por lá e está empregada a fazer limpezas  numa repartição de finanças vai ajudar. Além disso, ainda teve que pagar para registar a casa que herdou do pai na Bretanha  e paga o IMI daquela coisa sem préstimo que apenas serviu para que visse negado o apoio social à aquisição de casa própria, tanto malandro que teve uma casinha e o Hélio só porque o pai lhe deixou aquela porcaria que nem consegue vender por causa da crise que os ricos provocaram, "nicles batatoides". Mas para irem a São Miguel estar com a rapaz e tratar de limpar as ervas do beirado da casa da Bretanha,  vai custar, para os dois mais de 180 "aéreos". Vão de barco quando começar a época, sempre são apenas 120 euros a diferença já dá para a comida.

Os impostos dos muitos Felicianos e Hélios  desta terra vão pagar as Viagens de lazer das Raquel, dos Josés e das Marias e dos Tiagos.
As suas Santa Cruz e Vila do Porto ficam cada vez mais pobres porque  quem ainda pode gastar algum, chamam-lhe consumir, vai  gastar agora o dinheiro todo em Lisboa.

Há quem chame a isto um contributo para maior justiça social, direitos das ilhas mais pequenas e outras "boutades". Eu nem sei bem o que lhe chame, acho é que está tudo doido.

18 de março de 2015

O Hiper Estado.

Eu não esperava que esta gente que nos governa tivesse lido Hobbes, Rousseau ,Helvétius, Fichte, Hegel ou Saint-Simon. Mas pelo menos que lessem Locke e Max Weber, uns bons resumos  era bastante para essa gente perceber para que serve o Estado e os seus recursos. Já agora podem ler umas coisinhas mais caseiras, Agostinho da Silva ajuda bastante e Eduardo Lourenço dá-lhe "sempre em quente".
Ainda há gente em lista de espera para cirurgias importantes, faltam médicos de família, há escolas sem computadores, há tanta coisa importante para fazer na saúde, faltam 77 médicos no Serviço Regional de Saúde, na  educação, entre a paixão e a desilusão, ainda há turmas de 30 alunos na mesma escola onde no mesmo ano os filhos dos escolhidos pelo regime estão em turmas de 15 para garantir as boas notas. Na  justiça social falta fazer tanta coisa, falta segurança e protecção de  pessoas e bens, falta uma verdadeira preservação da propriedade privada e de elementares  direitos humanos. Há fome, há muita gente ainda a passar fome. 
Enquanto assim for eu não entendo que o Estado/Região gaste os seus escassos recursos em passagens aéreas para o bem-estar de alguns.
É a total confusão entre bem-comum e o bem de alguns.

17 de março de 2015

Nunca tantos desejaram viajar para São Miguel.

 Andam todos (nas outras ilhas) eufóricos com os encaminhamentos gratuitos. Eu percebo a euforia, afinal alguém (talvez a troika) vai pagar, ainda mais,  para os mais favorecidos viajarem ainda mais barato. Essa gente só não percebeu é que essa intervenção estatal além de anular todos os ganhos que se poderiam ter obtido com a liberalização, ajuda a enterrar a companhia aérea regional ainda mais do que já está por via de decisões "politiqueiras" sucessivas e contraditórias que já levaram ao afastamento de dois bons presidentes de CA, o Eng. Manuel António Cansado e o Prof. Doutor António Gomes de Menezes. O fim da SATA, pelo menos da Internacional, só pode ser o objectivo de curto prazo. Caso contrário, não se compreende que o accionista único promova a concorrência com a sua própria empresa.
O que essa gente, das outras ilhas, esquece é que, com essa euforia toda,  está a contribuir  para o mais vil dos centralismos "uma placa giratória"  em São Miguel. A TAP já abandonou o Faial e Pico, a Internacional vai à insolvência e pronto, fica naturalmente resolvida a questão da chamada "Hub Aérea do Atlântico". 
Desde que seja à borla, qualquer centralismo se suporta. Ou como dizia o meu querido e saudoso amigo Alceu Cabido Carneino. "Puta já temos só nos falta o dinheiro". Esse será dos Alemães, esses maus-de-fita de sempre. Claro.

16 de março de 2015

Uma ficção com direitos.

A Easyjet  está  a vender Lisboa/Genebra por 21€.
Se eu quiser apanhar um voo desses na Portela de Sacavém acham que tenho direito a ir até Lisboa gratuitamente?

15 de março de 2015

Socialismo nos rótulos da "Farinha Amparo"

Só para que conste e para memória futura deixo aqui a minha opinião sobre o novo modelo de transportes que prevê o encaminhamento gratuito de passageiros. Esta coisa  (encaminhamentos a custo zero) é tremendamente injusta socialmente ( dizem que eles que são socialistas, eu acho que eles nem sabem o que isso é) e constitui uma descriminação social  incomparável a qualquer outra coisa que tenha sido feita nos Açores nos últimos 50 anos. Além disso irá provocar ainda mais desertificação e empobrecimento nas Ilhas mais pequenas do Arquipélago. Não faz sentido uma Região pagar para exportar capital. Disse!

Post scriptum: Essas passagens vão ser pagas pelos impostos de muita gente que nem pode sonhar com aviões.

13 de março de 2015

O idiota clássico é o anti-politico.

Pelo que ouvi hoje por aí, sim eu ando por aí, houve interpretações duvidosas sobre as minhas palavras de ontem. Na verdade, quando falo de idiotas no sentido clássico do termo, estou a referir-me à antiga Grécia de onde é originária a palavra que servia para designar aqueles que não faziam parte das decisões politicas, que não estavam integrados na polis e que apenas se ocupavam dos seus apetites e dos seus interesses pessoais. A participação  e envolvimento nos assuntos políticos, na antiguidade clássica grega, revestia-se, tal como hoje,  de enorme importância.

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