29 de setembro de 2014

Da agenda 2020 à TROIKA.

Chegando a Primeiro-ministro  (coisa pela qual ainda vai ter que labutar) António Costa vai ter pela frente a gestão de um dos maiores sistemas de incentivos alguma vez disponibilizado pelas União Europeia  aos seus Estado-membros.
O fim do próximo QREN (nem sei se agora se chama assim) entra de novo uma qualquer TROIKA. 
Então será a vez de Rui Rio fazer os Portugueses apertarem, de novo o cinto.

27 de setembro de 2014

Da importância da separação de poderes.

Assunto realmente importante é o caso da suspensão do estado de direito e a supressão de um dos mais importantes poderes do Estado (os tribunais estão a 10%) por influência direta, com dolo ou sem dolo, com intenção ou sem intenção, isso não interessa, mas é uma suspensão de um dos poderes do Estado por influência direta de outro poder do estado o que representa o estilhaçar  do salutar principio da separação de poderes.

“Quando, na mesma pessoa ou no mesmo corpo de Magistratura, o Poder Legislativo é reunido ao Executivo, não há liberdade. Porque pode temer-se que o mesmo Monarca ou mesmo o Senado faça leis tirânicas para executá-las tiranicamente. 
Também não haverá liberdade se o Poder de Julgar não estiver separado do Legislativo e do Executivo. Se estivesse junto com o Legislativo, o poder sobre a vida e a liberdade dos cidadãos seria arbitrário: pois o Juiz seria o Legislador. Se estivesse junto com o Executivo, o Juiz poderia ter a força de um opressor. Estaria tudo perdido se um mesmo homem, ou um mesmo corpo de principais ou nobres, ou do Povo, exercesse estes três poderes: o de fazer as leis; o de executar as resoluções públicas; e o de julgar os crimes ou as demandas dos particulares.”


Montesquieu, Charles-Louis de , Do espírito das leis, São Paulo, Saraiva, 2000, p.167-168).

26 de setembro de 2014

Demita-se Sr. Primeiro-ministro.


“Dois males não fazem um bem” e não é pelo facto de José Sócrates ter assinado de cruz projetos de engenharia ou até mesmo ter  violado o regime legal de dedicação exclusiva que, agora, devemos relevar o caso em que está envolvido o Primeiro-ministro desta “choldra” a que teimamos, pelo menos alguns de nós, em transformar num país para os nossos filhos poderem viver em paz e melhor.

Demita-se Sr. Primeiro-ministro, não chute para a norma o que é da moral, foi isso que fez o cidadão Pinto de Sou e outros de todos os partidos quando confrontados com questões éticas. A moral vai para lá da norma e é de ética deontológica, que se trata neste momento.

25 de setembro de 2014

18 de março de 2014

José Medeiros Ferreira.

Encontra-mo-nos, por um acaso, numa tabacaria de Ponta Delgada, eu conhecia-o como qualquer bom cidadão tinha obrigação de o conhecer, ele conhecia-me dos meus andares por aí, pelos apelidos dos dois costados, pelos amigos comuns, etc. 
Por volta de 1997 trocamos alguma correspondência agri-doce, pejada de ironias e de alfinetadas como só ele sabia fazer espicaçado  e reagindo às minhas provocações de político imberbe . Depois veio a Blogosfera, por volta de 2003, que nos aproximou ainda mais, passamos a trocar deliciosos e-mails que guardo para um dia que me decida a escrever uma auto-biografia não autorizada, ou seja em que eu escreva tudo aquilo que tenho guardado só para mim.
Num  certo dia de Junho de 2005 encontra-mo-nos, por mero acaso, numa esplanada da nossa cidade e estivemos à conversa uns quantos quartos de hora ( não era difícil ficar à conversa com o Medeiros). perguntou-me se eu conhecia o poema "Amigos" de Vinicius de Morais, disse-lhe, do alto da minha ignorância que não. recomendou-me que o procurasse na internet. Fi-lo de seguida, na primeira oportunidade que tive, foi então que fiquei a saber que a estima que tinha por ele, apesar das nossas enormes divergências políticas, era reciproca.
Não sei que poema te poderei dedicar agora, certamente o de Vinicius não é pois há muito que sabemos que somos amigos.
Descansa em Paz.

11 de março de 2014

Nunca é demais lembrar

Pra se ser Açoriano
É preciso aqui nascer
Ou então viver a vida
Pra saber aqui morrer
 



Maria da Graça Câmara 

28 de fevereiro de 2014

"Povo Açoriano - Isso não dá Pão".


Longe vão os tempos da indignação com as palavras de Ricardo Rodrigues que repesquei para título desta minha reflexão. 
Hoje, passada a polémica com a Assembleia  e com o Presidente da República, importa apenas olhar o umbigo de cada um.
Por este dias tem andado o debate animado nas redes sociais e nos "pasquins" da urbe por via de assomo de bairrismos exacerbados por causa de coisa nenhuma. Ora é uma associação de promoção dos botes baleeiros ora é a sede de uma empresa pública ora é  por via dos subsídios à agricultura pagos a mais numa certa Ilha do que em outra. Esta última foi a questão que terá servido de espoleta a todas as outras. 
Embora sejam conhecidos e públicos textos onde sempre defendi a existência de um Povo Açoriano e seja essa o meu desejo intimo (agora usa dizer-se wishful thinking), a verdade é que nestas alturas me interrogo se estarei no caminho certo.
Não. Não existe um "ser-se Açoriano". Cada vez mais os  Açores não passam de uma referência geográfica, cada vez menos somos uma comunidade politica mas sim um amontoado de comunidades  políticas, "umbiguistas" e sem qualquer preocupação com o futuro da nossa autonomia e por conseguinte da nossa existência futura como nação (já nem falo de Estado). O caso da associação dos botes, que nem devia ser caso, está com promessas públicas de ser levado às 3 assembleias municipais dos 3 concelhos do Pico onde nem entre si se põem de acordo. Está em causa um direito adquirido com a conquista da democracia em 1974, o direito de associação. A sede da tal empresa vai para a Horta mas deveria era ir para o Pico porque estatisticamente aquela Ilha tem mais 18 mil utentes. E nisso se perde essa gente e nisso se gastam as energias desse amontoado de ossos e músculos. 

E até aquilo que mais nos une nos separa. Sim porque nunca se esqueçam, "o Senhor Espírito Santo da Rua D'Arquinha está-se cagando para o Senhor Espírito Santo da Rua do Passal.

27 de fevereiro de 2014

Resumo...

A última frase do excelente post do JMF  no blasfémias resume tudo com que nos devemos preocupar neste momento em relação à Ucrânia. "Nem todos os “amigos da Europa” de Kiev são amigos nos quais possamos confiar".

E Depois?

Os Jornais de Portugal, nomeadamente o semanário Sol, descobriram que Carlos César tem um emprego. Bem pior seria se não tivesse. Há, de facto, na generalidade dos media portugueses,  uma obsessão com o que ganham e fazem os cidadãos que desempenham cargos públicos que é transportada para uma dimensão igualmente obsessiva  antipolíticos que chega a ser repugnante.
Políticos são todos os cidadãos e não apenas os que auferem vencimento por cargos públicos. Políticos, mais do que quaisquer outros, são os jornalistas e fazedores de opinião e bom seria que fosse clara a relação entre essa classe (para não lhe chamar casta) e os poderes ocultos.

Notícia, mesmo notícia seria se o ex-presidente do Governo Regional ainda não tivesse conseguido arranjar emprego, isso sim era preocupante e motivo de parangonas.

20 de fevereiro de 2014

O drama da nova emigração.

Eu não tenho medo que os meus filhos emigrem. Eu tenho é medo que eles não tenham coragem para emigrar.

18 de dezembro de 2013

Ave César

Acabo de ouvir a entrevista de Carlos César à TVI 24, se dúvidas existissem elas dissipar-se-iam hoje. César é um dos melhores políticos portugueses da actualidade. Seria, de facto, um desperdício enviá-lo para Bruxelas.

17 de dezembro de 2013

Na prática...

...porque razão o Banco Central Europeu nos quer impor um programa cautelar? Por isso mesmo, literalmente, por cautela. Para nos poupar aos previsíveis desmandos desta gente.

11 de dezembro de 2013

E de que maneira...

André Abrantes Amaral no incontornável Insurgente.



Pois é, esta crise ensinou-nos e da forma mais dolorosa, com desemprego, fome, instabilidade social, mais empobrecimento dos mais pobres em prol do enriquecimento dos que já eram privilegiados, da perda de liberdades individuais, da perda de direitos adquiridos e de respeito pelas instituições constitucionais. O degradar-se  da democracia, o descrédito na política . Enfim, um sem número de coisas ruins que estamos a pagar e ainda vamos continuar a fazê-lo por longos anos.

Temo, porém, que este Povo que agora paga caro as suas próprias escolhas politicas, volte, num futuro próximo, a apostar nas mesmas "figurinhas" que nos trouxeram até este longo túnel de trevas.

10 de dezembro de 2013

Quase sempre concordo, mas...

"Carlos César revela que não vai ser candidato nas Europeias e diz esperar nessas eleições um sinal claro dessa abertura, por parte de António José Seguro.
Nesta conversa com Pedro Adão e Silva e Pedro Marques Lopes, Carlos César defende abertamente um governo de bloco central liderado pelo PS, com uma outra liderança no PSD, e sem o CDS de Paulo Portas, que considera ser um elemento «inesperado e enigmático nas decisões», representando o lado «ludo-maníaco» do Governo." 


Chega a irritar-me as vezes que concordo com o que diz e escreve Carlos César apesar de discordar frontalmente de algumas das opções técnicas e politicas dos seus  3 governos nos Açores.
Porém, neste particular, temo discordar na medida em que, deixar Paulo Portas de fora é o que melhor serve os interesses daquele e da esquerda radical. 
Na verdade, temo que esse governo de bloco central não durará mais do que uma legislatura  o que será o tempo mais do que suficiente para que, na senda das tácticas  eleitoralistas do passado, a esquerda radical acentuará o seu discurso de que o PS não é esquerda porque está a aplicar politicas de direita com o PSD. O que, não sendo absolutamente verdade até porque o PSD, o PS e até o CDS são partidos do grande "centrão" com muitas inclinações de esquerda (o que Paulo Portas tem mais à direita é a mecha de cabelo e a boina aos quadradinhos), cai no goto dos portugueses como ginjas.
Deixar de fora o "macaquinho na loja de loiças" é permitir que esse faça o discurso contrário à esquerda dizendo que afinal o PSD não quis reformar nada porque é de esquerda tal como o PS e como a esquerda radical não é de confiança é ele que se apresenta como única alternativa.
No entanto, admito, um governo de bloco central pode muito bem ser um governo de salvação nacional, assim o queiram os dois partidos do centro esquerda.

PS. Gostei do lado "ludo-maníaco" do Governo.

4 de dezembro de 2013

Foi há 33 anos


Para alguns a Democracia é uma coisa “fodida”.

O Daniel Gonçalves, pessoa por quem nutro particular simpatia e de cuja poesia gosto particularmente, tem porém um “pitafe” daqueles que me fazem arreganhar as unhas dos dedos dos pés.
Ontem, num artigo (post) publicadono Comparar Santa Maria, o ilustre professor/pensador/poeta discorre sobre a sua experiência democrática enquanto representante de uma determinada força política no seio de uma determinada coligação eleito para a Assembleia Municipal de Vila do Porto. O Prof. Daniel Gonçalves ilustra esse seu artigo com a imagem (ver abaixo) de um símio pensativo que se pergunta exclamativo: o que fazer?
O que se passou nessa Assembleia Municipal que tanto desiludiu o Daniel Gonçalves pouco ou nada me importa, afinal os que lá estão foram eleitos e como tal são o resultado da vontade da maioria e essa escolha popular, por mais que me custe e custe ao Daniel Gonçalves, é o máximo expoente da democracia.

Se Santa Maria fica a perder ou não com o excesso de retórica e com as guerrilhas político-partidárias dos seus representantes eleitos, isso é coisa que importa reflectir mas importa sobre tudo respeitar. Talvez por isso não sejamos todos símios sem saber o que fazer. Temos pena.

26 de novembro de 2013

É a andar que se faz o caminho...

Perdi o meu tempo, não o tempo cronológico  esse bastardo inimigo que nos ataca fugindo, perdi o meu tempo de existir, o meu estado de alma, o tempos dos amores perfeitos e imperfeitos das venturas e desventuras. Há um tempo, esse sim cronológico, que não volta, sim esse não volta nunca por mais que o poeta o cante, que o prosador o evoque que o filósofo o ensaie. O tempo cronológico em que estou a escrever estas linhas vai passando e não fica. Ficam as linhas, ali no papel amontoadas como as pegadas que fazem no terreiro o trilho por onde vão passar outras pegadas. São as nossas palavras que nos fazem assim nesse outro tempo como as nossas pegadas fazem o nosso caminho.
De quando em vez é preciso, torna-se premente mesmo,  mudar-mos as nossas palavras, mudar-mos o nosso caminho, negar-mos a nossa própria existência para assim podermos continuar a existir como dizia Goethe. Fazer-mo-nos, refazer-mo-nos qual Fenix das cinzas renascida. 
De um monte de nervos, músculos e ossos, frágil como uma orquídea em noite de vendaval, brota um animal horrível, mau, hostil, capaz de matar por prazer, capaz infligir no próximo as maiores atrocidades, aquelas que sabe seria incapaz de suportar. O Homem, de facto, não é grande coisa.

Arquivo do blogue