23 de junho de 2006

Petulância de pensar.



O meu amigo Ezequiel Motta Moreira da Silva, que conheço desde que é gente, sugeriu a leitura do livro "Introdução à Filosofia Política" de Jonathan Wolff. Ou melhor, mais correctamente, leu qualquer coisa ao folhear o livro que lhe recordou a minha pessoa. Assim é que foi.

Caro Amigo (amigo com A grande não foi gralha, foi intencional)

As primeiras coisas que li de Wolff, foram escritas (salvo erro) entre 1992 e 1994 numa revista técnica cujo nome não me recordo e não encontro entre o montão de tralha que guardo. Lembro-me que, na altura, gostei muito pela facilidade com que entrei no artigo escrito num inglês muito claro e fácil como se impõe para um homem como eu com básicos conhecimentos da língua que se fala em terras de Sua majestade. Cheguei até a desvalorizar o artigo (recomendado por um amigo hoje professor de filosofia na UA e doutorado na Alemanha) por me ter parecido ser escrito numa linguagem demasiado simples. Mais tarde vim a perceber que, também na filosofia, o pragmatismo se impõe.
Sei que, como académico, eterno académico, bem hajas por isso, aprecias muito o respeito pelos conceitos e pela sua aplicação. Também gosto de os conhecer, mas prefiro a antítese à tese. Se me é permitido tal petulância, diria que prefiro inventar conceitos do que apreender e encarnar conceitos dos outros. Bem sei que elaboro num erro, segundo a tua opinião, mas para mim, valem mais algumas das minhas más ideias do que muitas das melhores ideias dos pensadores das ciências sociais ao longo dos séculos. Isso é petulância mesmo, mas eu gosto, és burro, dirás na tua mais sincera linguagem vernácula.
Talvez por pensar assim, com total liberdade, da edição da Gradiva (penso que a única que existe em Português) sobressai a frase de Kant transcrita na contra-capa: "De mim não aprendereis filosofia, mas antes como filosofar, não aprendereis pensamentos para repetir, mas antes como pensar." Ou ainda essa outra de Mill na página 178 (sobre a liberdade,207), "todos os erros que ele venha a cometer por não dar ouvidos aos conselhos e avisos perdem todo o peso face ao mal que seria permitir que os outros o limitassem naquilo que ele considera ser o seu bem."

1 comentário:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

Arquivo do blogue