A
26 de Maio próximo, domingo das festas em honra do Senhor Santo Cristo dos
Milagres, a Europa vai escolher os seu mais diretos representantes no
parlamento da União. Nunca como agora foi esta escolha tão importante. Na
verdade, os dias conturbados que se vivem e que atribulam a construção do projeto
europeu de Monnet, Schuman e companhia, exigem de nós cidadãos que façamos as
escolhas mais adequadas.
A
Europa das frases feitas, a Europa que já foi das nações, que já foi dos
estados, qua já foi das regiões só sobreviverá sendo a Europa dos Cidadãos, de
facto e de direito e não apenas de parangonas e de sound bites. Quase todos os processos democráticos têm sido
ameaçados pelos extremismos porque não foram capazes de resolver os problemas
dos cidadãos. Na França, em Espanha, na Grécia, em Itália, na Polonia, em
Portugal, na Hungria e por aí adiante, o
falhanço dos regimes tem levado ao aparecimento e recrudescimento de projetos
político-partidários com discursos
radicais e extremados que não auguram coisas boas para os povos europeus.
Também
no seio da União existe esse sentimento de que os políticos, auto sitiados em
Bruxelas, não resolvem os nossos problemas bem pelo contrário, agudizam-nos,
atiram ainda mais areia para as engrenagens nacionais e traçam a régua e
esquadro regras que não se adaptam da mesma forma a todos os estados-membros.
A
saída, com ou sem acordo, do Reino Unido da União Europeia; O radicalismo dos separatismos
Catalão e Basco; a onda crescente de nacionalismos emergentes pela chamada crise
dos migrantes do norte de áfrica, são apenas 3 exemplos das maiores ameaças que
a Europa irá enfrentar nos próximos anos. Destes desafios, teremos todos que
tirar ensinamentos e sermos capazes de catapultar a Europa para algo diferente do
que ela tem sido até agora e desde e sua fundação ainda como Comunidade
Económica do Carvão e do Aço (CECA). Estas adversidades devem potenciar
soluções e não mais problemas, devem ser olhadas como desafios para construir
uma europa mais solida e não para carpirmos o desaire, devem ser olhadas como
indutor de mais velocidade ao projeto e não como assutado travão, devem
constituir vantagem e não contratempo.
Desde
o chamado Plano Spinelli, aprovado
por larga maioria no Parlamento Europeu a 14 de Fevereiro de 1984, decorreram
35 anos e 6 tratados, todos eles muito importantes para o funcionamento da
União mas nenhum com bases fundacionais de uma alternativa federalista, ao
jeito e gosto de Altiero Spinelli, em
contraponto ao que hoje conhecemos e que
tomou o alcunha de OPNI (objeto politico não identificado) uma organização de
estados soberanos que gosto de apelidar de esdruxula por ter as “tónicas” em
lugar diferente das restantes organizações de estados e povos que conhecemos.
Uma
Europa de Estados Federados capaz de resolver os problemas dos cidadãos
esvaziando alguns poderes dos Estados-membros, devolvendo subsidiariamente
alguns outros poderes e representatividade às regiões, capaz de transformar os
regionalismos em potenciais microestados representados nos órgãos da federação
parece-me o único caminho possível para sustentar um projeto económico e social
que não pode esquecer ser também um projeto politico de paz na humanidade e
como tal carece de política externa própria e de uma política de defesa
própria.
A
discussão à volta do projeto europeu tem que ir muito para além de uma conta de
deve e haver, tem que extravasar o debate em redor das perspetivas financeiras,
das periferias e das centralidades, tem que ser um debate em torno do que
queremos que a europa seja politicamente.
Por
cá, os candidatos até agora conhecidos, são dois políticos puros que terão a
oportunidade de exporem aos açorianos, no decurso da pré e campanha eleitorais,
os seus pontos de vista sobre o projeto europeu, espero não caiam na tentação
das contas de merceeiro e do carpir as mágoas da ultraperiferia mas acentuem as
vantagens da centralidade euro-atlântica e dessa vocação de séculos.
A
União carece de mais e melhores políticos e de menos tecnocratas.
In jornal Diário dos Açores edição de 17 de Fevereiro de 2019.
Ponta
Delgada, 15 de Fevereiro de 2019
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