3 de fevereiro de 2006

Amigos

Sou Homen de poucos amigos, porém os que são meus amigos têm em mim um grande amigo. Seguro. Os amigos só têm vantagens se comparados com os inimigos. Desde logo, porque os amigos por vezes, perdem-se e os inimigos nunca se perdem, mas ganham-se a um ritmo muito maior do que aquele com que se fazem amigos.
Ontem estive com amigos.
Daqueles amigos que são de agora, dos de sempre. Estive com amigos que comigo protagonizaram estórias que poderiam ter saido de um livro de Enid Blyton. Com amigos que fiz no tempo em que os cravos da revolução eram viçosos e vermelhos e não rosados e esmorecidos. Estive com amigos que tenho de agora e que fiz por meio dessa fabulosa plataforma de comunicação que são os Blogues.
Mas ontem. Ah! Ontem estive com amigos saídos da prosa poética de Vinicius. Amigos que não sabem que são meus amigos, que não sabem o quanto sou amigo deles.
Moldado em barro de Almagreira e com o rosto marcado pelo vento norte que escorre pela montanha do pico Alto abaixo entre a Ribeira do Alto e a do Engenho. Vento perfumado pelos odores silvestres do louro e dos incensos floridos. Vento que talha como quem talha atalhos de foice entre cearas que foram de trigo. António. António poeta, filósofo, músico, quase musicólogo, mas acima de tudo radialista. António aquela voz que me habituei a ouvir falar de jazz, com a calma que eu não sei ter. António de Sousa de Almagreira, de Santa Maria, António de nós todos.

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