18 de outubro de 2022

Agir e não reagir

 

Ontem, há hora que escrevia este artigo, comemorava-se o Dia Internacional para a Irradicação da Pobreza, instituído pela Organização das Nações Unidas em 1987. Um dos principais objetivos do dia é reconhecer as lutas dos pobres e fazer com que suas vozes sejam ouvidas. Ora este é o primeiro erro destas medidas que, embora cheias de boas intenções, não passam de retóricas sem consequências. Na verdade, os Pobres, os verdadeiros empobrecidos, não se fazem ouvir, nem sequer nas urnas de voto, quem vive em privação de alimentos, em deficientes condições de habitabilidade, com fracos rendimentos, não tem tempo para se fazer ouvir, apenas tem tempo para tentar sobreviver.  A primeira vez que tive um embate forte com esta realidade, decorriam  os esperançosos anos 80 do século XX , depois de ter sacado da prateleira do meu Pai o livro de Josué de Castro  “Geopolítica da Fome” de 1959  por força do respetivo título me ter chamado à atenção, por não conhecer, a palavra geopolítica e fome para mim ser coisa que sentia antes do jantar mas que num ápice se tratava nos minutos seguintes que não fosse com uma boa fatia de pá-de-milho com manteiga e açúcar. Dai até à enciclopédia foi um ápice de num repente também a geopolítica passou a ser matéria de estudo, até hoje e a fome na humanidade preocupação permanente. Sempre fui uma criança politizada, mas não tenho dúvidas que esta leitura e par de O Trabalho e as Corporações no Pensamento de Salazar foram os livros que mais contribuíram para o desenvolvimento, desde muito novo, de um sentido critico relativamente à politica e à vida pública. Talvez por isso seja hoje um liberal convicto e um anti corporativista militante.

Todos os dias deveriam ser dias do esforço pela irradicação da pobreza. Para políticos, no sentido mais abrangente do termo, não há outro desiderato que não seja o desenvolvimento socioeconómico no sentido do bem-comum e da boa vida. Por cá, nestas ilhas perdidas e achadas no meio do atlântico norte, a vida foi sempre difícil, numas fases mais difícil do que noutras, sempre dependentes de fatores exógenos já que os recursos endógenos são escassos. Nos últimos anos, a nossa economia está baseada na entrada de fundos da união europeia e em investimento publico, este caminho carece de ser mudado, com cuidado que não se tratam dependências económicas como se tratam outras, com abstinência forçada. Os Açores vivem, neste momento, uma época decisiva de mudança, não diria que se trata da última oportunidade porque outras certamente haverá, mas trata-se de uma oportunidade que conjuga fatores que dificilmente se repetirão. Na verdade, a conjugação de um novo Quadro de Referência Estratégica (PO 2030) com a Plano de Recuperação e Resiliência, permite aos Açores o acesso a fontes de financiamento que nunca teve. Esses dois fatores conjugados podem e devem ser potenciados para reduzir a pobreza na região, pobreza essa que é talvez a pior herança que o socialismo nos deixou, esse mesmo que agora se arroga o defensor dos mais pobres e dos mais desfavorecidos. Esses, ditos socialistas, foram os mesmos que nos últimos 20 anos demonstraram ser incapazes de retirar os açorianos da condição de um dos povos mais desfavorecidos da Europa. As políticas de coesão tomadas no passado, criaram condições de crescimento económico insuficientes e tenderam apenas a potenciar por via da discriminação, dizem que positiva, as economias que, apesar de mais frágeis, não são as que têm maior percentagem de pobres.

As ilhas. Supostamente mais ricas, são aquelas onde existe mais pobreza e onde é fundamental agir para a erradicar.

Não há fim da pobreza e da exclusão sem criação de emprego e distribuição de riqueza através da economia. Não há criação de riqueza sem investimento, não há investimento sem pequenos e médios empresários e estes não serão capazes de se imporem se lhes for vedado o acesso a meios de financiamento. Essa fonte de financiamento, neste momento está no PO-2030 e no PRR, se não agirmos rapidamente e apenas reagirmos, sermos incapazes de potenciar esses recursos externos em prol dos mais necessitados.

 

O Capitalismo destronou o Feudalismo dos grandes senhores através da liberdade de comerciar, produzir, realizar sonhos. Por mais que os seus detratores não queiram, o liberalismo económico é a melhor forma de democratizar o acesso à riqueza. O socialismo apenas garante que todos serão mais pobres pois condiciona a muitos o acesso a fontes de financiamento, informações importantes e condições de investimento.  A irradicação da pobreza não se faz, como está demonstrado, por via de mais estado, mas sim pela liberalização de atividades que hoje são condicionadas e protegidas.

 

Haja saúde

In Jornal Diário Insular edição de 18 de outubro de 2022

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