2 de novembro de 2004

Silêncio ensurdecedor

Começa a ser incómodo, pelo menos para mim, o silêncio a que César se reservou sobre a constituição do próximo executivo.
Fontes próximas do Palácio de Santana e da Rua Margarida de Chaves, asseguram-me que César só falará de nomes lá para os dias 12 ou 13, ou seja 3 ou quatro dias antes da tomada de posse da nova Assembleia Legislativa Regional dos Açores.
Estará a ser difícil encontrar Gente competente com disponibilidade para aceitar certas pastas criticas?
Estará a ser difícil convencer alguns dos actuais agentes políticos do Governo a continuarem as suas funções em período que se adivinha de "vacas magras"?
Estará a ser difícil gerir o aparelho partidário em função das escolhas de alguns "independentes"?

Pergunto. Pergunto num misto de curiosidade e inquetude. E ouço, ao longe, uma silenciosa e incomodativa chiada.

31 de outubro de 2004

Doçuras ou travessuras

O Halloween é uma tradição importada muito recentemente para os Açores. Sem querer ser maçador, permitam-me uma pequena e atrevida história desta festa de abóboras bruxas e "rabeçados".
A palavra halloween tem origem no dia que amanhã a comunidade Cristã dedica a todos os Santos. Na verdade, a palavra Halloween tem origem numa corruptela das palavras "All Hollows Day" ou "All Saints Day" que era desde o século V ac e de acordo com a comunidade Celta Irlandesa comemorado no dia 31 de Outubro, dia este que também marcava o fim do verão e o inicio de um novo ano.
No século primeiro depois do nascimento de Cristo, os romanos adoptaram as práticas Celtas como suas e faziam neste dia uma festa em honra de Pomona, Deusa da fruta e das árvores.
Hoje o Halloween não passa de um dia de festa com abóboras e bruxas e "doçuras ou travessuras".
Amanhã a Igreja católica celebra o dia de todos os Santos. É também dia de Pão por Deus. Em Ponta Delgada existe a tradição de oferecer aos ardinas, uma certa quantia em dinheiro em troco de uma mão cheia de quadras.
Na minha infância, no Nordeste, organizávamos grupos de rapazes, com boinas na cabeça e uma saca de pano, normalmente feita de retalhos, íamos pelas ruas, de porta em porta pedindo o Pão por Deus. Ao final do dia, trazíamos de tudo, desde algumas moedas a chocolates e "candiles".
Tradições que se vão perdendo e que vão sendo substituídas por esses novos fenómenos da cosmocultura.

Nova grelha

A nova grelha de programação da RTP-Açores, promete mais produção Regional. Isto pode ser uma boa noticia. Na verdade, a nossa televisão é o único meio de fazer chegar a todas as Ilhas dos Açores aquilo que se passa nas outras. Noticias, divulgação cultural, desporto e debate são algumas das propostas. Ficamos assim, mais uma vez, expectantes. Para já, o programa dirigido por Joel Neto e que vai para o ar à Terça Feira promete muito debate e muita novidade sobre uma nova geração de Açorianos que nem todos os Açorianos conhecem. À Quarta feira Rui Ferreira volta com o seu Máquinas e Lazer, que mantinha os açorianos informados sobre os desportos motorizados e radicais.

30 de outubro de 2004

"Carne para canhão"

Este não será o local apropriado para tratar dos problemas do PSD. Contudo, por ser um lugar de opinião e debate, admite-se que algumas discussões sobre assuntos de interesse regional se façam aqui. Parece-me que algumas franjas da opinião pública Regional continuam obcecadas com o PSD e com o seu futuro. Para mim o PSD a 17 de Outubro passou a ser, outra vez, um dos meus adversários políticos, senão mesmo o mais importante. Bem quero é que encontrem um poste com qual esbarrem com bastante força.
Sem querer meter foice em seara alheia, parece-me que se vai passar no PSD o que se tem passado desde a saída do Dr. Mota Amaral, substituem o líder e depois o aparelho é o mesmo. Os mesmos que perderam agora com Victor Cruz, são os que perderam com Álvaro Dâmaso, Manuel Arruda, e Carlos Costa Neves. O Actual aparelho do PSD queimou dois dos seus mais promissores políticos da actualidade, em minha opinião claro, Costa Neves e Victor Cruz. Não queimarão Berta Cabral (que é bem pior do que qualquer um dos outros dois) porque esta não lhes dará oportunidade.
O próximo líder do PSD-A, será assim, uma espécie de "carne para canhão".

Esta é a minha visão das coisas neste momento em que me encontro longe, bem longe mas com o sentido nos destinos da minha terra.

25 de outubro de 2004

Expectante

Não estou virado para as "postas". Não me apetece escrever, mas estou deveras expectante em relação a notícias sobre o novo Governo de Carlos César. Há novidades? Parece que não. Será que vamos ter Governo ainda esta semana? Ou a remodelação prometida não passará de uma miragem. Estou deveras expectante.

23 de outubro de 2004

Palau de la Música Catalana


O movimento modernista de Barcelona atingiu o seu auge nesta magnifica sala de concertos construída entre 1905 e 1908. Esta foi uma criação do Arquitecto Lluís Doménech i Mantaner. A fachada trabalhada, cercada de colunas com mosaicos e arcos de tijolo, sugere o que nos espera lá dentro. O Jardim da música como Doménech lhe chamava, estende-se para além das portas da frente, com cada superfície decorada com motivos florais. A sala de concertos, tão alta quanto comprida, é um verdadeiro hino à luz e às formas naturais repleta de vitrais e clarabóias que deixam atravessar o sol, abundante por estas paragens.

22 de outubro de 2004

Park Güel

A arquitectura "rócoco" modernista de António Gaudí feita Jardim. Nenhuma outra obra do famoso arquitecto catalão se integra tão bem com a Natureza, a sua fonte inspiradora mais frequente.

O parque pretendia ser uma cidade-jardim residencial ao estilo inglês, dai a terminologia "park". Contudo, o projecto falhou, tendo-se apenas construído uma casa, onde Gaudí viveu e que é hoje a sua casa museu, que é conhecida pelo formigueiro gigante que adorna as suas paredes exteriores.

Os Olhos também comem

21 de outubro de 2004

Férias e mais qualquer coisa

Este blog está em período de descanso, curto mas intenso, que esta coisa de ser empresário não dá para gozar grandes férias.
Hoje estivemos todo o dia aqui, amanhã também.

20 de outubro de 2004

Deserto Verde

Concurso para a privatização da Veredegolf SA ficou deserto.
Havia alguém capaz de imaginar que fosse acontecer outra coisa que não isso?
A Verdegolf é um bom exemplo de como não se devem fazer as coisas. Nasceu torta no tempo do amaralismo e oito anos de governação socialista não lhe viraram a orientação. Não basta substituir administradores ou substituir empregados. São necessárias medidas de fundo para alterar a situação daquela empresa que se revela de interesse estratégico para o desenvolvimento do Turismo nos Açores.
Ao construir mais 9 buracos na Achada das Furnas e 27 buracos na Batalha sem desenvolver projectos imobiliários paralelos capazes de suportarem o financiamento da construção e manutenção dos campos, os políticos e gestores públicos de então cometeram um erro colossal. Demorar oito anos insistindo no mesmo modelo foi outro erro colossal. Em gestão, na política ou na economia, seja ela macro, micro ou doméstica, não se podem esperar resultados diferentes se mantivermos o "modus operandi".
Provavelmente, os políticos de agora, ficaram admirados com o facto do concurso ficar deserto. Nunca pensaram que uma das contrapartidas pedidas era um enorme fardo para quem comprasse a empresa.
Nos moldes em que está estruturada a empresa e mesmo retirando do caderno de encargos a contra-partida de construir um campo de golfe no Faial, não sei se existirão muitos empresários capazes de aceitar aquela empresa dada, quanto mais por 9 milhões de euros.

19 de outubro de 2004

Epitáfio

Nunca fui bom epitafista, aliás nunca fui bom em nada, só a trabalhar. Acho que venço os outros por ter esta capacidade enorme de me alhear do que me está à volta e pôr-me a trabalhar sem sossego até acabar a gesta a que me proponho. Mas cá vai o meu epitáfio ao Não M'Acredito. Eu gosto dele, gosto do autor dele, gosto do autor há muitos anos mesmo quando discordo e nos últimos tempos isso foi uma constante. Domingo foi um dos vencedores e um dos vencidos. O nosso Benfica perdeu. Roubado mas perdeu. Eu gosto de ganhar roubado ao FCP, dá-me um gozo dos diabos mas, detesto perder roubado seja com quem for.
Na festa de 1º aniversário do Foguetabraze fiquei com pena de não lhe ter dado um prémio, ele merecia e o lobby para que isso acontecesse foi bastante forte. Prometi-lhe um prémio no ano seguinte mas ele infelizmente morreu. Deixou-me, portanto duplamente de luto.
No seu comentário de parabéns deixou, porém, uma porta aberta. Só espero que ressuscite com o novo blog prometido. Desculpa, amigo, as minhas ofensas mas sabes bem que não me aguento, é de mim. E POR FAVOR, NÃO GRITES MAIS COMIGO!

Vaga de fundo

Caro Ezequiel.
Obrigado pelos elogios que me deixaste subentendidos em comentários no "post" abaixo. Vou intervir em forma de post, já que existe assunto que merece ser desenvolvido e assim saltar para outro nível de discussão.

Tal como disse o nosso amigo Pedro Arruda e bem, é pena que esta "vaga de fundo" venha de fora do partido e não de dentro. Também o Abel tem razão. Ele melhor do que ninguém sabe como se trabalha no terreno para ganhar votos e consolidar ideias sem ser cinzento, sem tentar agradar a tudo e a todos. Mas também sabe que criar uma máquina partidária é muito mais difícil do que isso e dominá-la ainda é mais complicado. O CDS/PP não é um partido tipo União Nacional, para agradar a tudo e a todos. É um partido com uma ideologia vincada e com ligações muito próprias a um eleitorado conservador no que é bom e nem sempre, liberal no que pé preciso. Eu já disse várias vezes que a nossa principal afirmação deve fazer-se pelo pragmatismo e pela discussão dos conceitos económicos mais liberais. O Modelo de desenvolvimento dos Açores que o Partido Socialista leva a vante, é um complemento directo do modelo Amaralista, é um modelo esgotado e com provas dadas deste mesmo esgotamento. Esse é também o modelo defendido por Alvarino Pinheiro. Não raras vezes o ouvimos fazer apelos à intervenção do Estado/Região, em sectores da vida económica Regional que deveria estar destinados a privados.

É certo que sou o único que, (na senda de outros pensadores da direita liberal portuguesas,) pensa a economia global como um caminho sem retorno e sem lugar a proteccionismos e intervencionismos. Este discurso não é suficiente para tomar conta do partido. Na noite eleitoral, aproveitando uma deixa do Luciano Barcelos, tive o cuidado de tocar neste assunto embora muito pela rama. A criação de um Fundo de Coesão Regional, uma das poucas ideias lançadas por César no decorrer da campanha eleitoral, é continuar numa linha de investimento público onde o que é necessário é criar condições para o investimento privado proliferar. Isto só não acontece porque o Estado/Região, está minado por medíocres. Na verdade, há gente com grande capacidade de análise e de trabalho nas diversas secretarias mas a grande parte dos serviços estão minados por funcionários medíocres que não fazem nem deixam fazer.

Este discurso agrada a grande parte do eleitorado do CDS/PP mas nem sempre funciona internamente. O discurso interno é mais eficaz quando se podem contar espingardas. Além disso, esta vaga de fundo que, me apraz registar, foi me manifestada não só ao longo da campanha mas também e principalmente, ao longo dos dias de ontem e hoje. Infelizmente esta é uma vaga externa e demasiado "flat". O mar está so "crawdli", não me parece que seja eu, um surfista amador, a apanhar essa vaga.

18 de outubro de 2004

Antes que me digam...

..deixem-me dizer que o Foguetabraze também foi um dos derrotados da noite, embora sem grandes responsabilidades, como disse o Pedro Arruda, o Foguetabraze fez mais pela coligação do que muitos dos dirigentes do CDS/PP.
Uma reunião de emergência entre os seus membros, (consciência, dever cívico e bicho carpinteiro) foi decidido manter no cargo de director, sub director, chefe de redacção e reserva moral, o seu fundador.
A todos os meu muito obrigado

Vitória de César

Carlos César havia anunciado em meios restritos e públicos que não seria candidato nestas eleições. O Partido Socialista, temendo a orfandade, empurrou César para o que seria o mais difícil combate político da sua carreira, enfrentar o delfim de Mota Amaral, numa conjuntura que se julgava de desgaste. César é, por isso, o grande vencedor da noite eleitoral de ontem. Fica-lhe bem, politicamente correcto, dizer que ganharam os Açorianos, mas no íntimo sabe, melhor do que ninguém que é a ele que se deve a vitória.
Também Victor Cruz assumiu a sua quota-parte da derrota. Não podia fazer outra coisa. Falta aos outros protagonistas da coligação, os que se empenharam mais e principalmente os que se empenharam pouco, fazerem o mesmo, tomarem por sua a derrota de ontem.
Victor Cruz não perdeu sozinho, perdeu porque estava com os mesmos que perderam com Álvaro Dâmaso e com os mesmos que perderam com Manuel Arruda. Victor Cruz perdeu, também, por um fenómeno de rejeição da Coligação Açores. Esta, não conseguiu sequer fidelizar a soma dos votos que os dois partidos alcançaram há quatro anos, perdeu em toda a linha.
Em São Miguel, onde a derrota é mais estrondosa já que em Santa Maria não foi novidade, nem a estratégia seguida por Paulo Gusmão de fazer campanha sozinho serviu de muito. Por isso, perdeu também, O Jovem líder dos Populares de São Miguel que não conseguiu assim segurar o eleitorado do seu partido perdendo a possibilidade histórica de eleger um segundo deputado pela Ilha, o seu compadre Frederico Sampaio, é também um derrotado de ontem. É caso para dizer que a politica não se faz só com os amigos e com os compadres, faz-se com todos os que querem participar nos processos e ouvindo todas as sensibilidades.
Daqui envio a Carlos César os meus sinceros parabéns e votos de que opere as mudanças necessárias no seu executivo e opere as reformas esperadas nas áreas onde a governação socialista foi mais penalizadora, Agricultura, Pescas e Ambiente.

17 de outubro de 2004

Fonte de tudo

Eu amo tudo o que foi...

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa, 1931.

15 de outubro de 2004

Autonomia Progressiva

Deixando de parte o ruído da campanha eleitoral, tenho andado a debater com o Guilherme, no seu chá verde (puro),( já que aqui parece que o Guilherme não anda com grande vontade de vir por causa do tal ruído) a questão autonómica. Chegamos a algumas conclusões e a situações de comum acordo.
Desde logo a questão do financiamento das Regiões autónomas foi assunto em que concordamos, na forma e na essência. Contudo, este debate sobre as autonomias insulares atlânticas que, no meu entender deverá ter como nossos privilegiados aliados, não só a Região Autónoma da Madeira mas também a "Región Autonómica de Canarias". Esta última, por ser uma região autónoma de um outro estado membro e com problemas similares aos dos Açores e da Madeira, nomeadamente no concernente às questões dos transportes e comunicações mas, sobre tudo, relativamente ao seu estatuto de autonomia, deve fazer parte de um "task force" a criar em Bruxelas, no sentido do alargamento das competências e das responsabilidades da União no processo de desenvolvimento económico específico das suas parcelas atlânticas e ultraperiféricas.
Uma maior autonomia financeira relativamente ao Estado, mesmo que transferindo esta responsabilidade para Bruxelas, que permita aos Açores uma gestão dos seus recursos menos dependente dos interesses do poder instituindo em Lisboa é desde logo uma solução que me agradaria e muito.
Para os defensores da Independência dos Açores. Eu, pessoalmente, não acredito na conquista da Independência e na "livre administração dos Açores pelos Açorianos", pela via revolucionária. Está provado que os grandes movimentos e sublevações populares que aconteceram nas nossas Ilhas, tiveram sempre motivações de ordem económica e nunca do campo das ideias. Ou seja, com a barriguinha cheia o Açoriano não se mexe.
A caminho do federalismo europeu, pode muito bem, vir a ser o caminho para a independência dos Açores e de muitas outras regiões europeias. Na verdade, desenterrando o vetusto conceito de autonomia progressiva que, nunca foi devidamente desenvolvido, nem aprofundado, por via da falta de empenha na solução da questão financeira, acredito que, no quadro da União europeia e da pouco desejada por alguns mas inevitável economia à escala da "Aldeia Global", se caminhe no sentido da criação de micro estados sendo os Açores um deles a par da Madeira, Canárias, País Basco, Catalunha, Martinica, Reunião, Córsega e muitas outras regiões periféricas e não periféricas da Europa incluindo as que constituem pequenas federações dentro da União Europeia.
Ao fim e ao cabo, o que temos hoje é uma Região gerida à escala de um micro estado mas com uma total dependência financeira de outro Estado/nação. Reparem que quando me refiro aos Açores independentes me refiro a um micro Estado e não micro estado/nação.
O conceito de nação tal como o encaramos e não como os dicionários o classificam, pode até não fazer sentido para muitos do Açorianos que se sentem Portuguesas dos quatro costados mas isso não implica a negação do conceito de estado independente e soberano.

"Santana quase brilhava"

Segundo A Capital, jornal tido como de esquerda onde, no entanto, existem alguns jornalistas da área da social-democracia, Santana Lopes quase brilhava no debate mensal na Assembleia da República. Quem se ficou mesmo pelo populismo e baixa politica foi, o também estreante, José Sócrates. Afinal são os dois da mesma escola.

Too much noise

Ontem estive na rua, tinha acabado de fazer o meu balanço da campanha eleitoral para um jornal nacional, passei pela Calheta Pêro de Teive à hora em que estava marcado o comício do Partido Socialista e não havia condições de público para o realizar mesmo sendo uma Festa Comício com os grupos Santamaria e GNR.
Em contra-ponto, fui até à Ribeira Grande onde o largo da cascata e a escadaria da Matriz, meia hora antes da hora marcada, estavam cheios de gente até por cima das paredes à espera de Victor Cruz, um sucesso que eu não imaginava ser possível nos dias de hoje.
Voltei a sair da Ribeira Grande debaixo de chuva e ninguém arredava pé do recinto. Voltando a Ponta Delgada, não chovia, e ainda os artistas actuavam no palco e já os populares se estavam a ir embora. Se eu fosse Carlos César estava preocupado, a coisa não parece estar a correr bem para os lados da Rua Margarida de Chaves.
Das gravações que ouvi dos discursos dos dois principais candidatos a deputados e presumíveis presidenciáveis, só posso dizer uma coisa. Too much noise

14 de outubro de 2004

Felizmente são só promessas vãs 2

Em versão Coligação Açores, Victor Cruz anunciou ontem que se for governo irá construir uma via rápida para o Nordeste. Eu só espero que também essa seja uma promessa vã, que não se arranje o dinheiro para a fazer, que os ambientalistas se movimentem, que a sociedade civil se organize que o Povo ao qual me orgulho de pertencer não embarque na cantiga do progresso do betão e do aço. Eu cá vou começar já hoje a minha ruidosa campanha contra essa alarvidade ambiental. Espero ouvir os outros.
Já aqui dexei o alerta a quando do anúncio por parte de Carlos César, não ficaria bem com a minha consciência se não o fizesse também agora.

13 de outubro de 2004

Hoje ha 8 anos

O Partido Socialista ganhou pela primeira vez Eleições Regionais

NO COMMENTS!!!!!!!!!!!!!!!

Escandaleira

Eu bem sei que me vão dizer que eu ando a fazer o meu Blog usando o sensacionalismo dos Jornais do Continente e que isto é só uma árvore na Floresta e que não é bem assim e que até vão comparar as obras da reconstrução de agora com as de há 20 anos e o preço das lagoas de agora com as do tempo do Adolfo Lima e tudo o mais. Mas eu não posso deixar de chamar a vossa atenção para essa notícia do Publico de Hoje, um Jornal que não tem sido nada meigo com o Governo de Santana Lopes e que é tido como uma referência no Jornalismo diário Português.
O Governo Regional fez um acordo com a empresa que construiu a lagoa do Faial, combinando uma segunda empreitada quatro meses antes do decreto de adjudicação que estipulava a consulta a cinco empresas. No acordo, a empresa comprometeu-se a desistir de uma queixa contra o Governo Regional. O preço da obra, inicialmente estimado em 39 mil contos, disparou para quase 309 mil.

12 de outubro de 2004

Democracia sem lastro

Teresa de Sousa traz-nos hoje no Público um artigo de opinião bastante interessante, infelizmente indisponível on-line por isso sem link.
O Francisco dizia ontem no seu ENTRAMULA que, "Todos gostamos de ouvir ou ler alguém que diz aquilo que também dissemos e dizemos tantas vezes".
Pois a tese de Teresa de Sousa hoje vem ao encontro daquilo que defendi sobre a falta de lastro da nossa democracia. Dizia eu, há uns dias atraz, a respeito do episódio Gomes da Silva/Marcelo R.Sousa/TVI, que "A haver caso, repito a haver caso, então a nossa democracia está completamente deslastrada e sem um dos seus principais garantes o 4º poder, o poder dos média".
Hoje parece já ninguém ter dúvidas sobre o facto de ter existido caso. Embora me custe propalar aos sete ventos a existência de um novo "Lápis Azul" em Portugal, não me custa absolutamente nada admitir que Marcelo Rebelo de Sousa foi pressionado pelo poder económico que de uma forma muito directa tutela a informação da TVI. O grave desta situação é o facto de poderem existir pressões do estado sobre os média. Isso não deveria ser possível e apenas o é porque, como já disse, existe uma omnipresença do estado na vida económica nacional e na gestão da coisa privada, situação essa que muito agrada à esquerda tanto tradicional como moderna. Todos dependemos um pouco do bom ou mau humor de um qualquer funcionário. Isso é lamentável e pernicioso numa democracia, que se pretende cada vez mais aberta e arejada, onde os direitos de cada um não colidam com os direitos de cada outro e onde os deveres de cada um não estejam em contraponto com a impunidade de cada outro.
Diz Teresa de Sousa, no seu artigo de hoje: "Há manifestamente um défice de cultura democrática em Portugal". Não é isso o mesmo do que dizer que a nossa democracia é uma democracia deslastrada?

Encontro de "Bloggers" Açorianos

Sábado 21 de Agosto de 2004, Casa de Pasto O Avião. Esteve lá quem quis, foi um encontro de "bloggers" cujo registo fotográfico da autoria do Luís Monte aqui fica para a posteridade retratado.

O Próximo será no aniversário do :ILHAS?

Será simultâneo com o lançamento da revista nº15?

A ver vamos.
Para ver a reportagem fotográfica completa é só clicar aqui

11 de outubro de 2004

Sociedade Anónima para a Agricultura

O candidato do PS à presidência do Governo açoriano nas regionais de 17 Outubro, Carlos César, foi a S. Jorge anunciar a criação nas ilhas de uma sociedade anónima para promover investimentos na área das infra-estruturas agrícolas. Domingo no comício com que fechou o oitavo dia de campanha, Carlos César adiantou que a nova sociedade vai substituir o Instituto Regional de Ordenamento Agrário (IROA), entrando para o respectivo capital o património florestal da região.

Fotografia de Francico Botelho
Mesmo sem conhecer o projecto, até porque ainda não existe, bem se pode imaginar o que vai acontecer.
Em primeiro lugar, vai ser a criação de mais uma Sociedade Anónima de capitais maioritariamente, senão totalmente públicos, só isso já é pernicioso. Para gerar receita, encontraram um meio muito fácil, desbaratar as matas regionais, grande parte delas plantadas no tempo do Sr. Possidónio e do grande déspota Adolfo Lima.
O nosso património Florestal, algum dele conquistado, infelizmente, à custa da floresta endémica, é das poucas coisas em que não devemos mexer. Desde logo por via do equilíbrio ambiental e depois por razões de ordem económica. Assim que uma empresa de capitais públicos entrar no negócio da madeira, deixará de fazer sentido os privados investirem nessa área e se já existem muitos terrenos de altitude abandonados mais aparecerão. Nenhum empresário gosta e tem capacidade financeira, para competir com uma empresa de capitais públicos.
Estruturalmente, mexer no património Florestal dos Açores é destruir um sector que, apesar da sua debilidade, ainda dá trabalho a muita gente e onde o mercado funciona. Esta é mais uma tentativa de destruir o tecido empresarial dos Açores em nome da criação de um "aparachik". São mais três administradores, umas quantas secretárias e mais uns quantos assessores, conselheiros chefes e mais chefes e mais índios e mais e mais e mais. E assim se vai criando o aparelho que César diz o seu partido não ter.

Post Scriptum: Para melhor documentar este texto, recorri à página WEB da Direcção Regional dos Recursos Florestais. Que tristeza! É isso que anda a fazer a tal Direcção Regional da Ciência e Tecnologia?

Enigma?

17=26/26
18=26/23/3

10 de outubro de 2004

Crise! Silêncios comprados!

A crise na lavoura açoriana já causa baixas: os lavradores falidos regressam à emigração como forma de pagar as dívidas a que as vacas os obrigam
Esta crise não é exclusiva do sector agrícola. Na construção civil passa-se o mesmo, o sector está em grande regressão, apesar de estarmos em ano de eleições. Nas Pescas as preocupações não são menores, com uma larga redução do volume de capturas, felizmente compensado pelo aumento dos preços do pescado, talvez seja o único sector onde o mercado tem funcionado, apesar de, ao nive do investimento haver grande diferenciação entre os filhos e os enteados. Até ao Turismo chegou a crise. O aumento do número de camas vai ser largamente compensado com o encerramento de algumas unidades. O Hotel de São Pedro está "encerrado", ao serviço do Governo Regional dos Açores e o Hotel Açores Atlântico vai encerrar durante dois anos quando abrir o Hotel Marina Atlântico.
Porque estão tão caladas as associações de classe, as da Agricultura, das Pescas, as Câmaras de Comércio, as Associações de Industriais, a Associação dos Construtores Civis?
Estão calados porque é o Governo Regional que lhes paga as despesas de funcionamento!
Isto é ou não é um esquema de pressão e de silenciamento?

Blogaólico

Estava a sentir um frio na barriga, abri o frigorifica um par de vezes, fui duas vezes ao jardim, voltei com uma sensação de vazio, tremi. Aquela sensação esquisita não passava.
Desci rapidamente a rua da Canada, entrei o Largo 2 de Março a fundo, sorvi um café na Tabacaria Açoriana com a sofreguidão de quem tem alguém a correr a traz de si. Vim para o escritório, sentei-me na secretária abri o Internet Explorer e, finalmente, aquela sensação de alívio tomou conta de mim.

Boa nota para Domingo. Uma leitura retrospectiva do João Nuno no Ilhas sobre aquilo que fomos dizendo ao longo da Semana. Esperemos que este "Vox Populi" seja para continuar semana após semana.

8 de outubro de 2004

Ainda o "Caso" Marcelo

A haver caso, repito, a haver caso, ele só é possível porque o Estado interfere demasiado na iniciativa privada, ao invés de termos menos Estado e melhor Estado, caminhamos para uma solução Estalinista de mais Estado e pior Estado.
Só por isso se pode acreditar que possam existir pressões de um Governo sobre um canal de televisão.
A haver caso, repito a haver caso, então a nossa democracia está completamente deslastrada e sem um dos seus principais garantes o 4º poder, o poder dos média.

7 de outubro de 2004

Felizmente são só promessas vãs

Eu não quero uma estrada nova, rompida por escavadoras e bulldozers a roncar ao longo da mais imaculada floresta de endemismos açóricos, talhada a pá e pica por entre os mais antigos aglomerados de rocha basáltica, vulcânica e sedimentar, esculpida em monstros de betão e aço por entre os mais belos vales e ribeiras da minha Ilha. Eu não quero ver o meu berço esvaziado só por ficar mais perto do Hiper Modelo ou do Centro Comercial. Eu não quero. E pronto. Sou e sempre fui contra a estrada nova para o Nordeste. As acessibilidades são um pau de dois bicos, um caminho com dois sentidos. No caso em apreço, tanto permite a chegada de mais gente ao Nordeste como facilita a saída de mais gente de lá. Não é liquido que a melhoria da acessibilidade ao concelho o torne mais desenvolvido, pelo contrário pode, muito rapidamente, esvaziar a sua economia promovendo uma migração do poder de compra para os meios que lhe vão ficar mais próximos.
Seja como for, a minha esperança é que César perca as eleições do próximo dia 17 e que, mesmo que ganhe, faça com este projecto o que fez nos últimos anos. Arrume-o na gaveta. Este foi uma bandeira eleitoral de 1996, foi bandeira eleitoral nas autárquicas de 1997 e foi bandeira eleitoral nas Regionais de 2000. Promessas, só promessas. Valha-nos isso.

5 de outubro de 2004

Sem máscaras

De facto merecíamos políticos melhores. A verdade, porém, é que temos que escolher entre uma maioria parlamentar que sustente um governo chefiado por Carlos César em contra-ponto com uma outra que garanta um executivo dirigido por Vítor Cruz.
Ao contrário do que é costume a maioria das pessoas dizerem, eu gosto de campanhas eleitorais. Nelas, caem as máscaras dos politiqueiros, caem a poses de Estado dos falsos estadistas, aparecem os interesseiros politiqueiros em busca de "tacho". Contudo, também há daqueles que fazem política por convicção, por estarem sempre prontos a prestar um serviço público, que apresentam ideias e soluções.
Esta campanha, também por culpa da imprensa, tem se pontuado por um nível demasiado baixo. Arregimentam-se as tropas para "comer dado" ou para ouvir um qualquer grupo musical ou cantor popular. Dão-se sopas a pobres e a velhos e chamam-se-lhes idosos e desfavorecidos. Enfim, não é a blogosfera que atravessa uma fase mais hipócrita, é a Região, são os seus políticos, os de sempre e os de agora, os que encaram a política como um serviço e os que dela se usam para subsistir. Esquecem-se, alguns, que o poder é efémero e a politica é um lugar onde apenas se vai de passagem.
Na minha opinião, quem começou da pior maneira possível a pré campanha foi o PS do Sr. César e do seu inseparável amigo e eminência parda "Happy Jo", com o comício do Pinhal da Paz, uma inspiração Jardinista do tipo Chão da Lagoa, onde levantou a questão das queixas a Bruxelas. Foi execrável. A coligação, em vez de agir, reagiu e fê-lo da pior forma, fazendo do mesmo e mais forte ou seja, mais baixa politica como resposta a baixa politica.
Não morro de amores pela coligação, não vou à missa com o Dr. Gusmão nem gosto de políticos sem sal como Vítor Cruz ou demasiado cerebrais como Alvarino Pinheiro, mas prefiro que ganhem estes do que se repita a vitória dos outros. Em nome da alternância e da moralização do sistema, para que não se entre naquilo que os Açores entraram com Mota Amaral, Natalino de Viveiros e Adolfo Lima a partir de 1992.
Oito anos é tempo mais do que suficiente para se levar um projecto ao fim e passar o testemunho a outros. Bem sei que ficaram alguns projectos por acabar, não obstante as dividas pagas pelo amigo Guterres e a lei de finanças regionais. Contudo, mais do que oito anos no poder, numa democracia feita, ainda, de medos e com o poder económico e financeiro praticamente centrado no Governo Regional e nas empresas públicas, onde em algumas Ilhas não há alternativa de emprego estável que não sejam esses mesmos serviços públicos, empresas públicas e câmaras municipais, começa a ser perigoso.

4 de outubro de 2004

Pausa na Blogosfera

Não. Não atirem já as "roquêras" e os "bombans" que eu não vou fazer pausa alguma. Não. Refiro-me à pausa que a "Blogosfera" Açoriana, seguindo o ritmo nacional da "silly season", efectuou. Agosto foi um mês quase sem textos. Na verdade, a pausa terá começado em Julho e está a prolongar-se até este mês de Outubro.
Felizmente algumas aberrações, que eu tinha previsto durassem só até 17 de Outubro, desapareceram prematuramente. Outros é pena que tenha feito tão prolongadas pausas. Até o Ilhas, que está bem recheado de escribas e pensadores, andou a ritmos mais calmos. O Francisco permaneceu na nossa companhia desde os mares do Norte e a Indispensável Ana não perdeu oportunidade de nos mostrar um pouco de si, ou melhor das suas férias. Esperamos a retoma.

3 de outubro de 2004

Ambiente-Saber consumir

As questões ambientais são sempre grandes questões. Contudo as suas soluções podem passar por pequenos gestos, tão pequenos como dividir em casa o lixo e colocá-lo no sitio certo. Gesto simples que o consumidor desenfreado devia fazer, até porque lhe devia pesar a consciência pela forma como compra.
Comprar com preocupações ambientais é muito mais difícil, por isso não tenho a esperança que venha a ser uma realidade a curto prazo.
Acredito, porém, que é pela compra que podemos começar a ser amigos do ambiente. Se escolhermos as embalagens, se soubermos quais a menos poluentes ou quais as biodegradáveis. Há uns anos comprava umas esferográficas feitas de fécula de milho, desapareceram do mercado.
Se nos transformar-mos em consumidores exigentes, as indústrias farão um esforço por mudarem os seus métodos de produção.
A Bumble Bee inc. e a Starkist-seefood inc, são dois dos gigantes mundiais de produção de conservas de peixe. Só uma da fábricas da Bumble bee em Megans Bay em Porto Rico, labora por dia mais do que a totalidade da capacidade da indústria instalada nos Açores.
A Starkist, que agora pertence ao grupo Heinz, tem o seu braço europeu em África onde labora cerca de 12.000 toneladas por dia o equivalente à capacidade anual da fábrica da Cofaco de rabo de Peixe. Contudo essa sua fábrica do Ghana é tão insignificante para a empresa que nem consta das suas web pages .
Há cerca de 10 anos os consumidores Americanos deixaram de comprar conservas da Bumble bee e da Starkist porque o atum era capturado com redes nocivas para os Golfinhos. Em dois anos aquelas empresas entraram em processo de falência. A Bumble bee foi adquirida pela Starkist depois do seu chairman, Rex Ito, ter sido encontrado morto em circunstâncias suspeitas num quarto de Hotel em Singapura.
A Starkist, assim transformada num super gigante foi adquirida pela Heinz e as duas empresas com o apoio do Earth and Island Institute, desenvolveram um programa chamado "Dolphin Safe", integrada num outro ptrograma mais vasto chamado International Marine Mammal Project.
Hoje todo o atum transformado pela Starkist tem um certificado "Dolphin safe" de origem passado pelo EII e todas as latas têm um selo com essa referência. As empresas recuperaram a confiança dos consumidores e já saíram do vermelho.
Há pouco tempo houve um pequeno revés nas obrigações das indústrias e um diferendo entre a administração Bush, o EII e as indústrias. Contudo as mais importantes não abandonaram o projecto por completo com receio da reacção do mercado.
Se os consumidores não tivessem sido exigentes, continuava-se a pescar atum com redes nocivas para os mamíferos marinhos e a vender. Assim, ainda acontece em França, na Itália, nas Filipinas, na Samoa, em Espanha e em Portugal.

1 de outubro de 2004

César merece perder

Não resisti. Fui de corrida à sede do Santa Clara e voltei rapidamente para casa para ver o debate entre os dois principais candidatos a deputados à ALRA e pressupostos futuros presidentes do GRA.
Victor Cruz esteve ao seu melhor nível, debateu com calma e com segurança quase todos os temas. Cruz ganhou na saúde, na educação, no turismo. Perdeu na agricultura. Carlos César insistiu em comparar a sua governação com o que se passa no Continente e na Madeira, e como se fosse importante e comparável. Lisboa e o Funchal não são chamadas para este assunto. Victor Cruz nunca pertenceu a nenhum Governo da República ou da RAM ou da RAA. Carlos César insistiu permanentemente nos investimentos nas Ilhas pequenas. Merece perder as eleições em São Miguel e na Terceira.
Na sua intervenção final Cruz abriu a porta a independentes para o Governo, não gosto de independentes do tipo "cheira bufas". Por isso, não gostei.
César teve a sorte de encerrar o debate, já a tinha tido no debate a 7 e mesmo assim não a aproveitou, gostei da Sub-Secretaria das pescas. Há anos que a defendo.

"rámente"

Paulino Pavão averbou uma grande vitória nas eleições para os órgãos sociais do CDSC. O barómetro do Golfinho Vermelho enganou-se redondamente.
Essa coisa de comer vidros empurrados por laranjada sempre vai dando resultados.
José Carlos Pacheco errou na sua estratégia, uma lista de consensos que parecia mais de continuidade do que a de Paulino Pavão. Nem os votos dos empregados da FTE lhe valeram.
É caso para dizer não há nada como "rámente".
Caro João Pacheco de Melo, lá terás que lutar mais uns anos para veres os teus inimigos de estimação fora dos órgãos sociais do nosso Clube. E o Lugar da Ponta Delgada vai ter de ficar para segundo plano. Desculpar-me-ás mas não resisti em divulgar o mais genuinamente blog de santa Clara.

Quero lá saber...

... do debate entre César e Cruz. Durante anos considerei-o um duelo de titãs adiando sine die. Hoje. Bem, hoje tenho a prefeita convicção de ter ofendido os verdadeiros Titãs. Prefiro, por isso, ir para a Sede do meu Clube Desportivo Santa Clara e acompanhar o mais de perto possível as horas decisivas do meu Clube.

Futebol sentado à mesa do Orçamento

Via Sol na Eira cheguei a esta notícia.
O Decreto Legislativo Regional, criado por Álamo de Menezes e melhorado pela Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, e que foi aprovado em sessão plenária com o meu voto, é um óptimo exemplo de como a má utilização de uma lei que, de inicio parecia muito boa e com um grau de justeza impar, se transformou rapidamente num enorme peso para Administração Regional e perniciosa no seu objectivo.
Na verdade, até então, os apoios aos clubes desportivos e às actividades desportivas e culturais não estavam abrangidos por qualquer legislação ou regulamentação. Eram, por isso, do livre arbítrio de qualquer Director Regional.
Criada a legislação, todo o sistema de apoios ficou moralizado. A lei teve, pelo menos, essa virtude.
No entanto, veio a transformar-se num pau de dois bicos. Na realidade, a táctica dos clubes passou a ser investir nos escalões inferiores, tentando assim, a subida de divisão que lhes dá acesso a um prémio, decorrente da lei, por essa subida. Alguns desses clubes, vivem exclusivamente das verbas do orçamento regional e dos apoios camarários.
Nos Açores, e não só, o negócio do futebol está sentado à mesa do orçamento. O que mais impressiona é o facto de alguns dos dirigentes desportivos, serem arrogantes e muito críticos em relação a outro tipo de subvenções existentes para outros sectores mais reprodutivos.
Não obstante os inconvenientes, continuo convicto de que, mais vale ter uma lei que defina as ajudas Regionais a esse tipo de actividades do que os subsídios dependerem do facto de um qualquer Director Regional gostar mais deste clube do que daquele outro. Assim, ao menos, não pode existir qualquer tipo de suspeição.

Boas Notícias

o projecto é o que se pode chamar uma boa noticia para o Ambiente nos Açores, nomeadamente na Ilha de São Miguel

Priôlo Pyrrhula murina.
No século XIX, uma ave de cabeça, asas e cauda pretas e com plumagem cinzento-acastanhada atraiu a atenção de agricultores, coleccionadores e naturalistas. Os agricultores viram os seus pomares de laranjeiras, cultura então dominante na costa sul da ilha de S. Miguel, serem atacados pelas aves, as quais devoravam rapidamente as flores daquela árvore de fruto. Foi então instituído um prémio por cada cabeça apresentada nos Serviços Agrícolas (Agricultor Micaelense, 1843 e 1848; Chaves, 1923). Os coleccionadores atraídos por aquela ave enigmática procuravam espécimes para museus. Na segunda metade do século XIX e no início do século XX foram capturados espécimes para museus americanos, ingleses, austríacos e alemães (Hartert e Ogilvie-Grant, 1905; Murphy e Chapin, 1929). Em 1903 um coleccionador austríaco capturou 53 aves em 60 dias (Bannerman e Bannerman, 1966).

Os naturalistas obtiveram as primeiras informações sobre a distribuição, hábitos e classificação da espécie. Recolheram, igualmente, espécimes para museus. Godman (1866), o primeiro a classificar a espécie correctamente, constatou que, apesar de invadir os pomares durante a floração, a ave predominava nas áreas montanhosas.

30 de setembro de 2004

Também tive um Sonho



Depois do Francisco ter publicado no Entramula o sonho Mariense dele, aqui fica o meu sonho/cantinho na Ilha de Gonçalo Velho.

Ainda o Ambiente e as Lagoas

Os comentários ao meu "post" anterior suscitaram-me este texto que por ser um pouco longo publico sob esta forma.
Caro Guilherme
Obrigado por meter retirado da sua lista de culpados.
Acrescento:
Os Micaelenses, são talvez, dos Açorianos, as mãos acomodados, os menos reivindicativos e os que, por terem mais horas dedicadas ao trabalho, mais acções demonstram em vez de palavras. Ao longo dos tempos, São Miguel foi a Ilha quer menos influência sofreu do exterior. Não tivemos Americanos nem Ingleses nem Franceses, nem companhias do Cabo Submarino.
Isso tornou os Micaelenses mais embrutecidos mas também mais auto-suficientes.
Por isso, quando algum micaelense mais influente reclama das autoridades ou até mesmo dos seus pares mais regalias e mais investimento para a Ilha, é tido, nas restantes Ilhas do arquipélago, como um perigoso bairrista e centralista. São problemas culturais que não vamos conseguir ultrapassar enquanto tivermos o sistema de governo e de eleição que temos, sistema este que permite níveis de poder muito diferentes entre as Ilhas.
Por outro lado, enquanto se nomearem pessoas para cargos de grande responsabilidade só pelo facto de viverem aqui ou ali. Enquanto for a lógica da distribuição territorial a definir quem ocupa que cargo, continuaremos no mau caminho. Isto era o que eu esperava se tivesse mudado em 1996, por isso me desiludi tanto com o meu Partido e com o Partido Socialista.
Exemplo:
Vai ser investido mais dinheiro na recuperação do farol dos chapelinhos do que em qualquer das lagoas de São Miguel. Isso não é bairrismo, é uma constatação de facto.
Porque razão o GRA não fez um esforço para classificar a bacia das Sete Cidades património Mundial? Eu respondo: Porque o Senhor Secretário está na Horta e vê o Pico todos os dias mas só vem a São Miguel a congressos, conferências e ao Conselho de Governo. O Sr. Secretário precisa de andar de "jeep" e pé pelas nossas Ilhas todas, para as conhecer. Eu até acho que o nosso Secretário do Ambiente deve ser alguém que conheça muito bem as Nove Ilhas dos Açores, por dentro e por fora, desde o mais bonito dos lugares até ao mais entranhado pardieiro. Nunca uma ave de arribação que encontrou nos açores um oásis onde se instalar com todas as mordomias.
Com a agravante da pessoa em causa ser incompetente e arrogante.

28 de setembro de 2004

Rabo de Peixe

Desci a rua do Porto, ao meu lado, Aquilino Busto, um Asturenho, nado e criado há 60 anos em Cudillero, um "pueblo" pesqueiro perto da Avilez.
Coduzia com muita precaução e Aquilino mirava tudo em redor. Afinal fora ele que me pediu para visitar Rabo de Peixe. Dissera-lhe Manolim um outro de Cudillero que é mestre do seu barco, que por ali havia muitos marinheiros, pescadores e muita vida ligada à pesca. Tentando não atropelar as chinelas do Senhor António que estava sentado á soleira com as ditas meio metro mais à frente. Desviando-me das crianças meias nuas e descalças a correr de um lado para o outro sem olharem para baixo ou para cima, na sua liberdade, pobre, muito pobre, sem esperança. Mas liberdade. Ao final da Rua do Porto um arruamento novo, totalmente novo, mais "ancho", com duas vias totalmente tomadas por um par de Homens e um emaranhado de cabos e fios de nylon. Estavam desembaraçando aparelho tomando a via pública. Os carros desviavam-se por cima de um passeio ainda por pavimentar convenientemente. Aqulino mirava tudo incrédulo. Tudo lhe fazia espanto, os ranchos de rapazes pequenos, descalços, as mulheres de preto forrado e de lenço na cabeça, as raparigas sentadas à soleira quando era hora de estar a preparar o Jantar, as Jovens por todo o lado sentados ou deitados "grunhindo" uma espécie de dialecto do mar.
Falamos com pescadores. Sobre as suas artes de pesca e o modo de vida.
-Esta es una tierra de marineros e pescadores. Se siente in el aire. Aquí hay mucho potencial, pero, Nuno están en la edad de la piedra! - Disse-me Aquilino.
Corei, mas anui. Afinal tinha razão. Até ali tinha traduzido para o Plácido (um pescador de Rabo de Peixe) quase tudo o que Aquilino tinha dito, aquela frase não traduzi literalmente. Mas apeteceu-me. Claro que o meu convidado não falava do Paleolítico mas as suas palavras eram certas.
Saímos dali e fomos até à Ribeira Grande onde a humanidade já terá chegado ao neolítico.
Senti um sonido saído do seu bolso. Era o telemóvel
- Si aurora, estoy aquí con Nuno estuvimos en un pueblo pesquero. Aurora, tienes que venir aquí a ver como vive esta gente. Es increíble. Viven como se vivía en Cudillero en el tiempo de Franco.

27 de setembro de 2004

Na mão de Deus

Estou na janela do escritório, o dia de trabalho foi longo e sem muito tempo para andar pela blogosfera. Dei uma saltada aos do costume. O João, no seu Professorices tem um novo texto sobre Antero. Olhei para traz. Por entre as folhas dos plátanos indiciando a chegada do Outono, vi a matrona estátua de Madre Teresa da Anunciada. Ao lado dela dois bancos de Jardim. Num deles Antero pôs termo à vida.

Na mão de Deus

Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depus do ideal e da paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança em lôbrega jornada,
Que a mãe leva no colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas mares, areias do deserto?
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus Eternamente!

Antero de Quental

Ai mudam mudam

O líder virtual do Partido (virtual) da Nova Democracia, eclipsou-se. Fez juz a um slogan de campanha por ele utilizado há uns anos.

Ai mudam mudam, a começar por ti, Manel.

26 de setembro de 2004

Está tudo doido

O haloscan até inventa nomes, o blogspot umas vezes deixa postar, outras, nem por isso. Será o princípio do fim dos servidores gratuitos? Será desta que vamos ter que puxar os cordões à bolsa.

Clube Desportivo Santa Clara 0 Desportivo das Aves 2

Clube Desportivo Santa Clara 0 Desportivo das Aves 2
Quatro jogos, quatro derrotas. Até já tenho pena do José Carlos Pacheco.
Nós não precisamos de um treinador e de uma direcção. Precisamos de uma equipa.
Onde estão os senhores politicos que andavam pelo estádio quando o CDSC estava na 1ª divisão?
Bem sei, são politicos do campeonato do Inatel.
Merecemos politicos melhores.

25 de setembro de 2004

Merecemos melhor

José Sócrates foi, como se esperava, o vencedor da eleição directa do Secretário-geral do PS. Mais uma vitória do populismo, do discurso fácil, da imagem de menino de coro sem decoro, de públicas virtudes e privados defeitos. O tal Homem que disse há dias "Tenho uma obra feita. Tive uma presença na comunicação social, na RTP, durante um ano e meio, que foi positiva para o PS." Será o líder da oposição . Será mais um caso para dizer. Merecemos políticos melhores.

Pico da Vara


1105 Metros acima do nível médio das águas do mar, ergue-se a mais alta montanha da Ilha de São Miguel. O Pico da Vara. Habitat natural do Priôlo. Ave de pequenas dimensões que apenas existe na zona do conjunto montanhoso constituindo pela Serra da Tronqueira, entre o pico Bartolomeu, o Pico da Vara e ainda o Planalto dos Graminhais. O mesmo conjunto é também lugar privilegiado para o desenvolvimento de espécies da flora endémica dos Açores, algumas mesmo raras como o Azevinho e a Ginja do mato.
Daqui a pouco vamos tentar a subida ao Pico da Vara, se o tempo ajudar.

24 de setembro de 2004

Aos meus espaços

O meu Blog é o meu mais recente espaço. É verdade, este começou por ser um espaço só meu. Além de mim, que aqui postava o que de mais recente ocorria aos meus pensamentos, pouco mais de meia dúzia de pessoas, mais chegadas, vinham aqui.
Depois alguém se encarregou de o divulgar e perdi o controlo dos meus visitantes.
Um dos marcos mais importantes do meu blog foi quando decidi colocar o espaço para comentários. Não me lembro quando foi. Mas sei que nesse dia o meu blog passou a ser uma espécie de fórum. Uns dias mais outros dias menos.
O meu blog é um dos meus espaços. Um daqueles que não me importo de partilhar com toda a gente.
Há dias, postei uma fotografia da minha secretária da casa das Furnas com a minha velha Royal e o meu último PC portátil. O Ezequiel, que é amigo de longa data, achou que eu precisava de um carpinteiro, que precisava de mais espaço.
Caro Ezequiel. Aqui o blogger baratinha também sabe cortar umas tábuas e pregar uns pregos. Provas? Queres provas? Ora toma!

Este é o espaço do blogger. Onde ele escreve, lê um artigo na Nature, um livro de Saramago ou os sonetos de Antero. O blogger também vê televisão e até vê novelas da TVI. Imagina.
Estas prateleiras, estantes e estas secretárias que vês, foi o blogger Baratinha que as fez. O blogger Baratinha a única coisa que não sabe fazer é aquela que mais gosta. Escrever. De uma coisa podem ter a certeza, vou escrever tanto, tanto que um dia saberei fazê-lo. Nesse dia mostro tudo. Tudo o que escrevi em segredo na esperança de estar bem escrito. Aqui no meu cantinho, rodeado das minhas recordações, dos meus sonhos, dos meus livros.

Fundo da demagogia

Fundo de Coesão garantirá crescimento harmonioso dos Açores
Garantir mais investimento público para as ilhas mais pequenas é a pretensão de Carlos César ao anunciar a criação de um Fundo de Coesão.

Esta é a mais nova criação demagógica do Presidente do Governo Regional dos Açores em campanha eleitoral. Um fundo de coesão para garantir o "desenvolvimento harmonioso da Região". Em, primeiro lugar, este conceito, já roçado, gasto, roto mesmo, lançado nos Açores nos tempos áureos da governação Amaralista, não só não fazia sentido no tempo como ainda mais deixou de fazer sentido hoje. Não será o próprio orçamento regional uma espécie de fundo de coesão? Não será o sistema eleitoral uma espécie de garante deste fundo de coesão?
Atenção! Atenção eleitores das Ilhas maiores, estes Senhores querem levar o dinheirinho todo para as Ilhas mais pequenas, onde o mercado não é capaz de gerar investimento privado. Atenção Senhores eleitores de São Miguel e Terceira, preparem-se para quatro anos de mais miséria, sem estradas, sem portos, sem reparações de grande vulto. Este Governo prepara-se para, se ganhar as eleições, abandonar São Miguel e a Terceira.
As nossas Ilhas são como um comboio, têm uma locomotiva e mais oito carruagens, umas mais leves do que outras, umas mais modernas do que outras. Se insistirmos nesta idiotice de investir predominantemente nas carruagens, elas vão ficando cada vez mais luxuosas, mais pesadas e vamos indirectamente enfraquecendo a locomotiva. Isto é o que tem sido feito nos últimos 30 anos e não fora a iniciativa privada, em São Miguel, mercê do mercado existente, a fazer qualquer coisa de novo e estaríamos quase no ponto em que estávamos nos primeiros anos da década de 90 do século passado. Era bom saber, talvez o André B. e o Guilherme Marinho possam ajudar, qual o investimento público, per capita efectuado em cada Ilhas dos Açores nos últimos anos. Era bom saber, a evolução do PIB per capita em cada uma das Ilhas onde este investimento foi mais elevado, para concluirmos finalmente onde e quando se deve investir. Eu suspeito que sei a resposta mas como não tenho a certeza não me adianto.

23 de setembro de 2004

Momentos culturais

O maior pasquim da aldeia escreve na primeira página que Lá Féria é o único encenador que não recebe subsídios do governo. Em bom "açorianês" dir-se-ia "tai asno". Mesmo por detrás da fotografia da primeira página está um logo tipo do GRA, como principal patrocinador do espectáculo que Lá Féria vai levar à cena este fim-de-semana em Ponta Delgada.

Esta diarreia de programas semanais no Teatro Micaelense, pagos por nós todos, pelos nossos impostos é uma autêntica pouca-vergonha. Não que não merecêssemos um Teatro recuperado e espectáculos todas as semanas. Não. O que merecíamos era que os nossos políticos tivessem vergonha na cara e que fizessem coisas dessas durante todo o ano e não apenas em vésperas de eleições. Não sei quanto custará o musical Amália no teatro Micaelense e quanto custaram os outros dois espectáculos. Por acaso até gostava de saber quanto vai custar o cartaz dos últimos dias. Só por curiosidade e para avaliar em quanto os meus impostos estão a contribuir para a promoção da imagem da Secretaria da Economia e do Governo Regional dos Açores.
Não ponho em causa as obras de recuperação do Teatro Micaelense, nem ponho em causa a competência das pessoas ligadas à Sociedade Anónima que irá gerir aquele espaço.
O que me preocupa neste processo do Teatro Micaelense é que, a megalomania de alguns políticos, aliada à passividade de uma elite que prefere ficar calada desde que se faça qualquer coisa que lhes sirva as manias, teve como resultado um imóvel e uma empresa da área da cultura e do turismo que, só para fazer face às despesas correntes terá que gerar uma receita quinhentos mil euros. Não tardará, as paredes começarão a ficar velhas, as cadeiras roçadas, os corredores esfolados, as lâmpadas fundidas, as portas inchadas, e tudo isso é necessário reparar. Muito subsidio vai ter que existir!
Tanto dinheiro concentrado na mesma mão não levará mais cultura a mais Açorianos. Ao invés, este dinheiro distribuído por muitos dos pequenos agentes culturais e empresários da cultura espalhados pela Região, dariam para que, houve todas as semanas, em todos os concelhos, um momento de cultura.
Receber subsídios é o "modus vivendi" dos Portugueses, directa ou indirectamente. Somos "subsídiodependentes". Para se receber subsídios, não é necessário candidatar-se e fazê-lo directamente. Muitos de nós recebemos subsídios sem darmos conta disso e ainda somos mal-agradecidos.
Os Açorianos que viajam na Sata, na Açorline, compram gasolina ou gasóleo, são subsidiados. Os Açorianos que vão ao Teatro, são subsidiados. Todos estes subsídios são, porém, pagos por nós, pelos nossos impostos.

22 de setembro de 2004

Ainda o sistema eleitoral para a RAA

Dando seguimento à discussão ontem lançada aqui, recebi do Manuel Moniz, a proposta de alteração do Sistema Eleitoral para os Açores, apresentada pelo MPT a quando da apresentação da lista de candidatos por São Miguel. Embora não esteja totalmente de acordo com a mesma, ela aproxima-se de níveis de equidade e representatividade muito interessantes, sem recorrer ao aumento do número de deputados (nasce um novo fantasma) mas diminuindo o nº de deputados das Ilhas mais pequenas em favor das duas maiores (morre um fantasma).

Na Minha modesta opinião, a proposta elabora num erro de base que, certamente, aquele Movimento pretenderia ver corrigido em sede de revisão constitucional.

Vejamos. Não é possível, constitucionalmente, a existência de círculos uninominais, logo a Ilha do Corvo tem que ter pelo menos dois deputados. Alem disso, o Pico com três concelhos, três círculos, teria que ter 6 deputados, as Flores e São Jorge com 2 concelhos, logo dois círculos teriam que ter 4 deputados.

A redução do número de deputados a eleger nas ilhas mais pequenas, passado de 3 para dois o número de deputados a eleger, reduz significativamente a possibilidade das forças mais pequenas, (muitas vezes as ideologicamente mais bem definidas e que não pertencem a este grande centrão em que se transformaram os partidos do arco do poder) de elegerem representantes.

A aplicação do método de Hont, provoca a criação de bolsas de votos sobrantes de significativo montante. Só a título de exemplo, no sistema actual, ficam por utilizar, em São Miguel; cerca de 3000 votos úteis, o que é suficiente para eleger 3 deputados em Santa Maria ou na Graciosa. Dai que eu defenda ou o aumento do número de deputados por São Miguel e Terceira ou a criação de um 10º círculo eleitoral Regional que aproveitaria todos os votos sobrantes de todos os círculos.
Bem sei que o aumento do número de deputados parece uma aleivosia, quando se discute tanto o custo do Parlamento e das subvenções dos deputados. Reduzam-se os custos com tanto disparate que se faz e aumente-se a representatividade do Povo no sistema democrático. Nada há de mais justo do que isso.

No que concerne à eleição directa do Presidente do Governo, nada tenho a opor. Contudo, sou um parlamentarista puro e como tal tudo o que seja retirar poderes aos parlamentos cria-me alguns anticorpos. Porém, admito, que o sentido natural dos acontecimentos vai pela eleição directa do Presidente do GRA.

Proposta do MPT (parte)

"O MPT - PARTIDO DA TERRA propõe um sistema de círculos mistos de ilha e concelho, e uma dupla votação para o Governo e para a Assembleia Regional, em que os candidatos deverão ser eleitos individualmente, não sendo obrigatória a candidatura por partidos.
Deverá votar-se para o Presidente do Governo e para os Deputados individualmente"...

..."A base de cálculo para o número de deputados ao nível do arquipélago deverá ser ligeiramente alterada, reflectindo a população existente em cada ilha, embora salvaguardando o peso das diversas unidades territoriais, tão fundamentais para a unidade açoriana.
É proposto o seguinte quadro de deputados:

No interior das ilhas que têm mais de um concelho, o número de deputados deverá ser dividido por cada concelho, de acordo com o respectivo peso populacional. No caso de S. Miguel, propõe-se que Ponta Delgada tenha 12 deputados, a Ribeira Grande 6, Lagoa 3, Vila Franca do Campo 2, Povoação 1 e Nordeste 1.
Os deputados eleitos por cada concelho deverão constituir um elo de articulação entre: os seus concelhos e a Região; entre as autarquias, o Governo e a Assembleia Regional; e entre os diversos órgãos de poder e a sociedade civil. Para o conseguir, deverá ser aberta uma delegação da Assembleia Regional em cada concelho, onde os deputados deverão trabalhar, receber a população e interagir com as diversas forças vivas, participando assim activamente no desenvolvimento local.
Para além do seu papel ao nível concelhio, os deputados deverão funcionar no âmbito das estratégias desenvolvimento globais de cada ilha, assim como ao nível das estratégias de âmbito regional."

21 de setembro de 2004

"Ditadura" da minoria

Com cerca de 100 mil eleitores, 53 por cento dos inscritos nos Açores, a ilha de São Miguel vai eleger nas regionais de 17 de Outubro apenas 19 dos 52 deputados da Assembleia Regional
Um sistema eleitoral mal concebido e mal organizado, sem ter em conta o valor dos votos de todos os Açorianos, sobre o qual, todos os partidos anunciam projectos de alteração, mas ninguém quer mexer. Permite uma das maiores injustiças da eleição dos mais altos representantes do Povo no poder político.
O sistema eleitoral, para a eleição de deputados à Assembleia Legislativa Regional dos Açores, só pode ser mais justo, aumentando o número de deputados, mas como isso é um discurso pouco eleitoralista, e que aumenta a probabilidade de eleição de deputados dos partidos com menor expressão eleitoral, ninguém o quer fazer.
Ora, aumentar a representatividade e o leque ideológico é o que de melhor poderia acontecer a um parlamento em crise de identidade e de confiança dos cidadãos. Assisti no actual sistema é fazer mais do mesmo. Logo os resultados são mais do mesmo.

20 de setembro de 2004

Hoje há um ano

A Ana deu início a este Indispensável Blog. Com a participação do indispensável do Pai, tornaram-se os dois Indispensáveis de visitar diariamente.
Votos de muitos e bons anos de indispensáveis textos.

18 de setembro de 2004

Saudosismos

O Sábado não foi de grande produção para o Blog. Depois de estar 3 dias longe da família, foi com elas que passei o dia de hoje. Como é bom, sem previsões, sem programa preparado, acabei nas Furnas. Não dormíamos aqui há dois anos. Parece que foi ontem. Revi a minha velha Royal, a primeira máquina de escrever que tive, portátil, com uma caixa de madeira forrada a um tecido preto, a caixa, linda, o caruncho comeu, resta-me aquela que foi a minha companheira de muitos anos. Deu-ma o meu Avô Barata, na altura disse-me, trata bem desta máquina, olha que tem mais de quarenta anos de África e vinte de Açores. Hoje não faço uso dela, prefiro o Toshiba Satellite com ligação GPRS, ADSL, Analógica, o que quiserem, mas sempre com uma ligação esteja eu onde estiver.

17 de setembro de 2004

"Pliteca à reginal"

CC: Queixinhas, queixinhas, ena ena!!...
VC: Quem diz é que é cala a boca jacaré!!!
CC: ..e quem repete mais é......
VC: Hellooooooooo!
CC: Tu és mesmo dahhhhhhhhhh!

16 de setembro de 2004

queixinhas

É só ir aqui e ver quem é queixinhas.

A outra faceta do Blogger

Media-esfera, Blogosfera e Atmosfera

A não perder este artigo de Pacheco Pereira no Público de hoje sobre a Blogosfera

Nem de propósito

Mais um grande investimento inaugurado ontem na Graciosa, Ilha onde é importante ganhar votos para inverter a actual xadrez politico-partidário.
A PRONICOL inaugurou uma nova unidade fabril na Ilha Graciosa, com apoios da EU e do GRA. É mais uma fábrica para produzir mais do mesmo, ou seja em nada vai revolucionar o sector na Ilha, antes pelo contrário vai criar falsas expectativas nos produtores locais.
O queijo da Graciosa tem pouca saída no mercado regional, conquistando apenas um minúsculo nicho desse mesmo em São Miguel e na Terceira. Por isso mesmo, a Pronicol tentou por várias vezes fechar a sua unidade na Graciosa ou entrega-la à cooperativa e associação de agricultores locais. Tive a honra de assistir a um destes actos de chantagem perpetrado pelo administrador Dr. Mancebo Soares. Alguns senhores deputados que faziam parte da Comissão de Economia do Parlamento dos Açores na legislatura 1996/2000 devem estar lembrados desse episódio caricato.
A fábrica, necessitava, de facto, de ser modernizada e ampliada. Disso não tenho dúvidas. Certo é que, agora, com o dinheirinho de nós todos lá posto, vai passar a dar lucros e o Dr. Mancebo Soares não a quererá entregar aos locais.
O que mais me impressionou na noticia foi a crueldade dos números e a forma como foram anunciados pelo Presidente do Governo, comparando os dados de 1999 com os de 2003 como se tivesse havido um crescimento exponencial e qualitativo do sector na Ilha branca.
Ora vejamos: De 1999 a 2003 apareceram mais 62 explorações pecuárias na ilha Graciosa e o nº de vacas leiteiras aumentou em 145 efectivos ou seja, duas vacas por exploração. A média de nº de vacas leiteiras por exploração em 1999 era de 3 (três- o extenso é para que não pareça gralha), em 2003 continua na mesma média.
Sem olhar ao ridículo destes números, apresentados a seco, sem as contas feitas para que parecessem muito importantes, há a acrescer o seguinte: Para atingir a capacidade máxima de produção da nova fábrica basta que a média anual se fixe na ordem dos 4461 litros de leite por vaca. Este número está muito aquém das médias conseguidas em outras ilhas dos Açores onde os 8000 litros vaca/ano começam já a ser uma realidade. Isto quer dizer que havendo melhoramento genético na Graciosa, em pouco tempo, ou se faz uma fábrica nova ou se reduz o efectivo para metade ou se pagam mais subsídios para deitar o leite aos porcos.
Uma Ilha como a Graciosa não tem, claramente vocação para a produção de leite e seus derivados. Há por isso que investir em culturas alternativas e que até já foram testadas com resultados muito interessantes.
Onde andou este ano a afamada meloa da Graciosa? foi substituída pela de Santa Maria?
Porque não se produz Uva de mesa em vez de abandonar os vinhedos à cultura da silva?
Perguntas que ficam sem resposta e que provavelmente a não terão tão cedo.
Dir-me-ão que não há mão-de-obra. Pois que se importe,do leste da UE, pode até ser que melhore a genética humana na Ilha.

15 de setembro de 2004

Agricultura subvencionada 3

Conclusões

Falar em diversificar a produção e a transformação, sem explicar os meios e as formas, pode parecer algo leviano e facilitista. Importa portanto, em jeito de conclusões especificar como, quem, quando e de que forma se pode fazer esta revolução no sector agrícola regional. Sim porque na Agricultura, como noutros sectores, é de uma verdadeira revolução que necessitamos.
Em primeiro lugar cabe aos produtores efectuarem a tal diversificação, a par de uma boa dose de especialização em culturas inovadoras. Para tal cabe ao Estado, neste caso, à Região, através dos serviços competentes, bem como á Universidade dos Açores através dos seus pólos de investigação, promoverem a criação de campos de experimentação de novas culturas. Á semelhança do que foi feito há anos no então chamado cento de Bovinicultura de Ponta Delgada e nos campos de experimentação da lagoa do Congro, São Gonçalo e Santana, bem como criar outros campos noutras Ilhas. Estes campos, inexplicavelmente, foram transformados em explorações a cargo das diversas organizações de produtores que deles tiram rendimentos para fazer face á suas despesas correntes. Ou seja, são uma forma indirecta do GRA subvencionar as Associações para pagamento daquelas despesas que incluem, como todos sabemos e de quando em vez é noticia, gastos supérfluos significativos.
A par da experimentação e chegado o momento da aplicação no terreno, é importante a reabilitação, em termos modernos, de um serviço de extensão rural, dotado dos técnicos e meios necessários ao acompanhamento dos produtores, nas várias fases da produção. Sementeiras, plantios tratamentos fito-sanitários e colheita. Enfim uma espécie de formação permanente e no local, com efeitos práticos.
Mais do que um sistema de subvenções que colmate a perda de rendimento, a agricultura Açoriana necessita urgentemente de um sistema de incentivos, mesmo que de base regional, para a modernização e inovação.
Na fileira do leite, foram efectuados, muito recentemente, grandes investimentos, comparticipados pela União Europeia e pelo Estado Membro com uma comparticipação da Região, em diversas unidades industriais e em diversas ilhas dos Açores com especial incidência para a Ilha de São Miguel. Contudo este investimento, na nossa opinião, destinou-se a unidades que vão produzir mais do mesmo. Ou seja não houve uma significativa alteração dos produtos finais, apenas uma modernização dos métodos de produção e um optimização dos recursos humanos e energéticos. Já não é mau.
É verdade que não existe indústria sem produtores como também é verdade que não existem produtores se não existir uma indústria competitiva capaz de pagar mais pelo melhor produto.
No caso da indústria transformadora, é importante a avaliação que se faz dos investimentos a subsidiar. Continuar a investir para fazer mais do mesmo, não é certamente o caminho.
Cabe à indústria e á sua associação de produtores (ANIL) promover a inovação. Cabe ao GRA, à Universidade e ao Inova, desenvolverem investigação que possa dar respostas às questões do mercado.
A título de exemplo. Quem é que não gosta de um papo-seco com queijo de São Jorge? Só quem não gosta de queijo, provavelmente. Contudo, o queijo de São Jorge ou outro qualquer Tipo Ilha, para ser vendido em Sandwiches, tem o problema de ser complicado aplicar um método de fatiar eficaz. Não caberia à Universidade ou ao Inova estudar uma solução técnica para tornar o queijo de São Jorge fácil de fatiar? Hoje, todos sabemos que, o chamado fatiado é um dos produtos mais procurados nas grandes superfícies de todo o mundo.
Continuar no caminho que vamos, preocupados com as sucessivas reformas da PAC e fazendo o mesmo que os nossos parceiros comunitários fazem, vamos ir, cada vez mais, no sentido de sermos mais um importador do que um exportador. E com uma balança de transacções, há anos deficitária, vamos no sentido de sermos ainda mais pobres.

Nota: Estes três textos, foram um resumo e um compilação da minha intervenção, feita de improviso, no XI Congresso da Agricultura dos Açores, onde participei a convite da Federação Agrícola dos Açores e que se realizou na Cidade da Horta nos passados dias 2,3,e 4 de Abril.
Na altura o meu querido leitor Carlos Falcão Afonso desafiou-me a publicar a mesma. Como a havia feito de improviso, sem querer deixar o Carlos sem a preciosa informação, entendi resumir os textos a partir de uma gravação que gentilmente me cederam.

14 de setembro de 2004

Por uns dias

Por estes dias o Foguetabraze vai ser feito a partir daqui

Santa Maria-Açores

Repor a verdade não fica mal a ninguém

Uma mentira repetida muitas vezes consegue atingir o estatuto de verdade. É um lugar comum mas é a pura, esta sim, verdade.
Segundo um desmentido publicado no Açoriano Oriental de hoje, (que tive o cuidado de confirmar junto de gente muitíssimo bem informada) o Falcon que transportou o Presidente do PSD aos Açores não era da Força Aérea Portuguesa mas sim de uma empresa privada, pertencente ao "major da bola".
Conclui-se, assim que houve má fé da parte de gente que tinha obrigação de estar mais bem informada do que eu, quando andaram a apregoar aos sete ventos que o dito "Jatinho" era um avião da FAP. Fico à espera das devidas assumpções de erro.

Agricultura subvencionada 2

Este segundo texto de uma trilogia sobre a Agricultura e as soluções que preconizo para o sector mais importante da economia regional, debruça-se sobre as soluções para o sector agro-pecuário. Tal como já foi dito no primeiro artigo, ontem, defendo a diversificação e a inovação como via escapatória para o buraco em que se encontra a Agricultura Regional.
Por mais que não se goste, por mais que se não queira, a globalização é um facto incontornável desde o chamado Uruguai Round.
Por mais que se lute para inverter esta realidade, ela não me parece alterável, pelo menos, nos próximos 30 anos.
Em fim de ciclo da monocultura da vaca e com os Açores ainda a dar passos pouco seguros na construção de um novo ciclo económico, o do turismo, urge encontrar soluções para o sector que emprega, ainda, a maioria da população activa dos Açores. Numas Ilhas mais do que noutras.
Na pecuária preconizo duas intervenções de fundo uma, para a fileira do leite, onde é fundamental investir no fomento da diversificação dos produtos. Outra, na fileira da carne, onde se deve apostar na introdução de variedades de gado de produção de carne e ainda na valorização dos subprodutos, o chamado quinto quarto.
Na Fileira do leite tem-se investido a montante e a jusante sem qualquer sentido estratégico ou quando a estratégia existiu foi a errada. Primeiro foi o investimento cego no aumento da produção de leite em quantidade, esquecendo que através de um melhoramento genético adequado se pode obter leite com qualidades impares para a produção de queijo, leite comum ou iogurtes para o auto-consumo das ilhas e para conquistar mercados de excelência. Para isso, é urgente investir na investigação na área das biotecnologias nomeadamente na genética da vaca leiteira. Já se fazem, felizmente, algumas coisas nesta área no pólo de Angra da UA.
A jusante, na indústria transformadora, importa inovar nos produtos e fabricar queijos, leites e derivados, com carisma local e de alto valor acrescentado. Neste momento o maior produtor de lacticínios dos Açores, é líder no mercado nacional graças à marca Terra Nostra. Embora "Natural dos Açores", o Terra Nostra é um queijo do tipo Flamengo, incaracterístico que muito embora tenha uma boa textura e sabor, só lidera o mercado graças a uma enorme campanha de marketing. A única aliás, feita ao nível nacional e até internacional sobre um produto Açoriano, graças à Fromageries Bell que usou e bem o facto do futebolista Paleta gozar de grande aceitação em França. Também nesta área, a do marketing, importa investir bastante. Os resultados estão à vista.
Faz todo o sentido que uma Região com as especificidades da nossa, num quadro de mercado à escala global, invista em pequenas produções de grande valor acrescentado, já que não temos dimensão para produzir à escala sequer do nosso país. Por isso mesmo, não faz qualquer sentido que o único produto com características únicas das nossas Ilhas seja um queijo (São Jorge) que é vendido ao kg. Os produtos de grande valor acrescentado são vendidos à grama.
Na fileira da carne as questões são mais complexas. Em primeiro lugar é necessário termos noção de que, com excepção para o Pico e Santa Maria, a produção de carne é um suplemento da fileira do leite. Dai a necessidade de investir na genética ou na importação, para que a fileira da carne seja engrossada com raças de produção da mesma por excelência
Além disso, e em segundo lugar, é necessário ter a noção que, com o crescimento do turismo vão ser necessárias muitas mais toneladas de carne para abastecer o mercado sazonal ou flutuante como se o queira classificar. Contudo, todos sabemos que este tipo de mercado apenas consome carne das peças chamadas nobres (a não ser os Suecos que comem hamburgers no Burger King) logo há que fazer o aproveitamento conveniente das restantes peças e do chamado 5º quarto, farinhas, ossos e peles.

Gestão caseira

O que o Senhor Ministro das Finanças nos veio dizer hoje, não foi novidade. Quem não sabe que Economia e Fianças são questões de Bom senso? Quem o não tem.
O gasto supérfluo, o gastar acima da receita traz, a curto prazo, muito curto mesmo, dissabores desnecessários.

Para cada povo existe, como para os individuos, uma conta de Deve e Haver, que nos dá o quilate das suas prosperidades, e por onde, cedo, até para os maiores impérios, os pródromos da decadência se denunciam.
Com respeito a Portugal, não será sem interesse indagar por que preço pagou as suas glórias.


J. Lúcio de Azevedo-Épocas de Portugal Económico-Livraria Clássica editora
1928

13 de setembro de 2004

Agricultura subvencionada 1

Vem este texto a propósito da intenção mostrada por Carlos César em reabri o dossier das quotas leiteiras, intenção essa que também já foi manifestada pelos partidos da coligação, nomeadamente no decorrer da campanha para as últimas eleições europeias.
Falar de quota leiteira e de soluções financeiras para a fileira do Leite é como falar da moléstia da laranja do Sec. XVIII ou seja, malhar em ferro frio. Falo assim, com a autoridade de quem é produtor agrícola e que já fui de leite. Descendo de uma família de agricultores, modestos mas inovadores. Meu Bisavô, Manuel Bento de Sousa, natural e residente enquanto vida teve na Freguesia da Maia na costa norte da Ilha de São Miguel, foi um dos maiores impulsionadores das culturas do Tabaco e do Chá na nossa Ilha. Segundo Manuel Jacinto Andrade foi Manuel Bento de Sousa quem introduziu a cultura do tabaco na Ilha, tendo sido fundador da extinta Fábrica de Tabacos da Maia.
A Inovação e a ânsia de experimentar coisas novas corre-me nas veias. Não posso assistir impávido e sereno a este comodismo da grande massa anónima dos agricultores Açorianos que pretendem continuar a produzir vacas de leite e a constantemente queixarem-se de que aquilo já não dá para por o pão na mesa dos filhos.
A estes digo: Inovem, cultivem outras coisas, tentem outras soluções, diversifiquem, extensifiquem, reduzam os custos.
Se no séc. XVIII, existisse uma União Europeia com a sua Política Agrícola Comum, provavelmente, viveríamos todos, dos subsídios à perca de rendimento dos Laranjais tomados pela moléstia.
Podem perguntar-me, diversificar com quê? Em que área? Com que culturas? Basta ir a uma grande superfície comercial ou assistir à abertura dos contentores frigoríficos que todas as semanas chegam a São Miguel para perceber o que temos que tentar produzir. Vou só exemplificar alguns produtos horto-fruticolas que importamos e que se podem facilmente produzir na Região sem grandes tecnologias e sem grandes conhecimentos técnicos. Eles são: Maçãs, uva de mesa, pimentos, tomate, meloas e melões, manga, papaia, capuchos, nêsperas (importam-se "mocnas" de Espanha meus senhores), cenouras, bananas e outras com menos significado como o gengibre ou os espargos e as beringelas.
De todas estas produções possíveis, só as maçãs representam uma quota importantíssima das nossas importações. Existem já alguns produtores com resultados muito interessantes na Ilha Terceira, com maçã Starking, em Santa Maria com meloa Harlen King e Gália e em São Miguel com melancias Sugarbaby. Contudo, costumo dizer que a fome aguça o engenho e como vão sempre aparecendo soluções financeiras subvencionais para colmatar as sucessivas crises na lavoura, nunca se desperta no produtor um incentivo à mudança de estratégias. Fazer do mesmo e mais forte só pode trazer resultados iguais e cada vez mais fortes.

10 de setembro de 2004

Pão e circo

É necessário parar com isto! É urgente parar com isto! Por uma questão de justiça social, por respeito pelo dinheiro público. Estamos pois a assistir, nestas ilhas, ao pior da política. Um despudorado circo festivaleiro.
E a sociedade civil que faz? Cala-se indiferente. E os cidadãos destas ilhas? Assistem impávidos e alguns impotentes. E as Instituições de Solidariedade Social que obram verdadeiros milagres com escassos fundos financeiros? Esperam incrédulas. E a Igreja, hierarquia e leigos, e seus movimentos sociais? Remetem-se a um silêncio comprometedor e preocupante.
E assim o terreno permanece aberto para estes políticos, uma classe cada vez mais descredibilizada, que rapidamente enveredam por esta alienação, dando música, bodos de leite, bifanas temperadas, porco no espeto, e chicharro na brasa. Pão e circo quanto baste.

Hoje há um ano.

Quase sempre não concordo com eles. O Daniel chega a arrepiar-me as unhas dos pés. Mas volto lá. Todos os dias há um ano que é assim.
Parabéns aos Barnabés.

Navegar na rede

Já naveguei bastante, perdi horas em bordos para este e para oeste em busca do vento que me levava ao caminho certo para uma qualquer Índia imaginária. Rumo a coisa nenhuma ou ao destino que fosse, pelos sete mares e por outros nunca "dantes navegados", lentamente, de vaga morta em vaga morta, fiz quartos de leme, fui mostrengo e Neptuno, Bojador e Preste João nos impérios do Google ou do Yahoo.
Hoje não navego na rede. Faço surf na rede. Surfar na rede é escolher a praia certa, chegar, deitar a toalha e a prancha, vestir o fato. Deitar de barriga na prancha e ir calmamente remando com as mãos mar fora em busca do lugar certo. È preciso saber onde é o lugar certo. Depois? Depois esperar ali sem pressas nem formigueiros que apareça a onda boa.
E eis senão, quando menos esperamos, lá vem ela, perfeita. Colocamo-nos em posição usamos as palmas das mãos freneticamente como remos e apanhamo-la. Vamos na onda, em pé, soberanos, guinada para um lado, guinada para o outro até ao golpe final. Sentimos o gosto do seu sal na boca os grãos de areia finos entre os dentes. Todas as ondas têm um sabor diferente. E voltamos e repetimos até mais não podermos. E voltamos sempre às mesmas praias onde sabemos que haverão ondas de sabores diferentes.

9 de setembro de 2004

Dura lex sed lex

45 dias. 45 dias sem poder conduzir o meu 520i, 45 dias sem sentar o traseiro na minha Bandit 1200, 45 dias a andar ao lado da minha mulher, a travar na antepara da frente do lugar do morto antes dela, a olhar para traz antes dela engrenar a marcha à "ré". 45 dias a dar tácticas e palpites. 45 dias por ter pisado por um segundo e ao de leve um risco contínuo. Bem feito.
O engraçado da história é ter sido causada por uma carroça daquelas puxadas a cavalo, já raras, na mais importante via de comunicação dos Açores. A estrada que liga Ponta Delgada à Ribeira Grande. Sim é a via de comunicação mais importante dos Açores.
Porquê?!
Julgavam os pacientes leitores que era a SATA, a Açorline, a Transinsular ou a RTP-a (de agonia)? Não. Não são estas as vias de comunicação mais importantes dos Açores. Para V. informação, naquela estrada, estreita, cheia de cruzamentos e entroncamentos perigosos. Sim, naquela estrada que deve ser a única na Europa que depois de uma obra de fundo ficou mais estreita, com menos zonas de ultrapassagem e muitíssimo mais perigosa, passam mais pessoas, mais mercadorias, mais agentes económicos do que em todas as outras estradas e auto-estradas de terra mar e ar dos Açores. Por isso, concordo com Carlos César e com Victor Cruz. Um diz que vai criar um fundo de coesão Regional, o Outro vai apostar no batido e esbatido argumento do desenvolvimento harmonioso da Região. E eu fico à espera. Sim fico à espera que a minha Ilha receba, finalmente, os investimentos públicos a que tem direito.

8 de setembro de 2004

País ridículo

Um Ministro
Uma corveta
Uma chalupa
Uma Rebeca
Um Trotskista
Tudo em catadupa
Um referendo
Dez usurpadores
Quinze demagogos
Vinte Jornalistas
Trinta páginas de Jornal vendidas
Quarenta horas de televisão
Um povo feliz, chorando "podriz".

7 de setembro de 2004

20% menos

Luís Nazaré em defesa da causa deles, mostra-se indignado com as declarações do cabeça de lista por São Miguel às eleições legislativas Regionais dos Açores, nomeadamente no concernente à anunciada baixa das tarifas da SATA em 20%.
"o candidato PSD a chefe do governo dos Açores, anunciou pomposamente que, caso fosse eleito, baixaria as tarifas aéreas inter-ilhas em vinte por cento. Nem mais nem menos. Pouco lhe importa a situação financeira da SATA, as regras básicas de funcionamento das empresas, a disciplina orçamental, pública e privada, ou outras questões "menores", totalmente ausentes das preocupações do populismo e da demagogia".
Já antes de Luís Nazaré eu tinha lido noutro blog ou jornal nacional a mesma referência e indignação. Confesso que o assunto não me inspirou por se tratar de período pré-eleitoral. Enfim bocas de rapazes em campanha eleitoral onde há sempre lugar a alguma demagogia e populismo, atente-se às mais recentes acusações de César sobre alegadas queixas anónimas feitas a Bruxelas. Antes, dos comícios, esperávamos mensagens e ideias. Agora ouvem-se acusações sobre denúncias anónimas ou anúncios populistas e demagógicos que não são devidamente explicados.
Eu concordo com o Luís Nazaré. Eu sei que o "arroto" de Victor Cruz não passou de um acto populista e demagógico. Mas eu, que sofro na pele, ou melhor no bolso com o preço das passagens inter ilhas, vou explicar ao Victor Cruz e ao Luís Nazaré, do alto da minha insignificância, porque razões se devem baixar as tarifas inter ilhas e com que contrapartida orçamental. Sem demagogias e sem populismos.

Para já fiquem a saber que se esta medida estivesse em vigor só durante o mês de Agosto último eu tinha poupado 104,90 euros, o que dá para comer muitos bifes no Aliança, muitas doses de chicharros no Avião e até uma lagostinha nos Prazeres da Maia, hábitos burgueses dos quais não abdico. Parece pouco mas para uma pequena e média empresa como a minha, é nessas pequenas coisas que reside a diferença entre o lucro e o prejuízo.

Do ponto de vista da política económica da Região, em meu entender, não faz sentido exigir da República preços mais baratos no transporte de passageiros entre os Açores e o Continente, fomentando assim, a ida dos Açorianos a Lisboa gastar dinheiro em hotéis, restaurantes e centros comerciais.
Economicamente, no meu fraco entender, muito fraco mesmo, faz mais sentido facilitar a mobilidade dos Açorianos entre as suas próprias Ilhas, fazendo assim, circular o dinheiro entre nós.
Durante séculos exportamos o que de melhor tínhamos, mão-de-obra e dinheiro. Exportamos mão-de-obra para os mais diversos países onde ajudamos os autóctones a desenvolverem as suas economias, exportamos capitais porque poupamos e entregamos as nossas economias aos bancos com sede em Lisboa que os aplicaram no desenvolvimento da economia do rectângulo. Ficamos sempre com as migalhas. Este é para mim o argumento de ordem económica para que se reduzam as tarifas de passageiros inter ilhas ao invés de vivermos obcecados com as tarifas de e para o continente.
Na perspectiva do equilíbrio orçamental, também é fácil encontrar uma solução, basta aumentar as tarifas de e para o continente, reduzindo as respectivas indemnizações compensatórias, permitindo que a verba então disponibilizada passe a ser dirigida para indemnizações da mesma ordem mas pagas à Sata-AirAçores em vez de serem pagas à Sata-Internacional. A haver qualquer tipo de fomento ao transporte aéreo entre o Continente e os Açores (sei que isto é contra todas as regras da campanha eleitoral), ele devia ser pago aos continentais que pretendam vir aos Açores, para que os mesmos venham pagar Hotéis, restaurantes táxis e o que mais entenderem pagar. Se eu mandasse, até os horários da SATA eram feitos no sentido de obrigar os continentais a pernoitarem nos Açores para fomentar o seu consumo nas nossas Ilhas. Da maneira que estão feitos, os caixeiros-viajantes chegam de manhã com as malas cheias de bugigangas e vão no voo da noite com as mesmas malas cheias de dinheiro. É por isso que o tal senhor de Boliqueime não se importava de pagar passagens baratas.
Nunca os políticos, os jornalistas, os fazedores de opinião e os economistas do poder e do contra-poder nos Açores, acharam estranham a benevolência da República para com as Regiões Autónomas no caso das indemnizações compensatórias para o transporte aéreo. Mas quando a esmola é grande o pobre desconfia e por isso, sempre tive em relação a este assunto que, como podem constatar, me é caro, uma postura muito critica. Foi Cavaco Silva, um dos melhores macro economistas do nosso país, o principal impulsionador da medida. Arranjou-se assim, uma maneira airosa de, em nome da ultra periferia e da coesão Nacional, contornar as directivas comunitárias de então e injectar dinheiro na TAP-Air Portugal, companhia que, à época, efectuava o serviço público. Além disso, em 1986, a banca com balcões abertos nos Açores tinha cerca de 2,240 mil milhões de contos em depósitos a prazo e os diferentes ministros da economia e o próprio Cavaco Silva promoveram a redução das tarifas entre os Açores e o Continente para estimular nos Açorianos o gosto pelo consumo e fazer assim circular esse dinheiro que estava tradicionalmente aforrado. Facto é que a partir do final dos anos oitenta começou a ser moda ir às compras a Lisboa.

6 de setembro de 2004

Faial da Terra

O último fin-de-semana de Agosto, passei-o totalmente na recôndita e isolada Freguesia do Concelho da Povoação chamada Faial da Terra. Das velhas Myrica faya nem rasto. Busquei entre incensos e conteiras e silvados aquelas folhinhas singelas e recortadas de onde saem, nesta altura do ano, cachos de amoras pretas que, se doces, são uma delicia. Quase ninguém come amoras de Faia, eu gosto muito do seu sabor da sensação de arrocho que dão na boca, de ficar com os dentes cheios de grainhas. Eu gosto porque nasci e cresci a comer amoras de faia e uva da serra. Da serra da Tronqueira.
Embora seja hoje um empresário ligado aos assuntos do mar, é a serra e o seu interior que me dão a tranquilidade que procuro quando saio do escritório Sexta-feira à hora que for.
Naquele último fim-de-semana de Agosto percorri vagarosamente as inúmeras veredas que nos levam por cerca de 6 km. Entre a Freguesia do Faial da terra, o Salto do Prego e o Sanguinho.
No Salto do Prego encontrei rolos de madeira abandonados, certamente a montante e que a ribeira trouxe. Continua-se a não limpar as ribeiras que um dia enchem e entopem e rebentam e levam tudo o que encontram pela frente. Ao invés estão os senhores do ambiente preocupados em preservar a Freguesia autorizando a construção de um aldeamento turístico junto ao mar e na abandonada aldeia do Sanguinho. Nesta última, já foram investidos, nos últimos anos, largos milhares de euros e pouco ou nada mudou. Limparam as silvas e limparam as casas dos restos de madeira dos soalhos e telhados apodrecidos. Têm mantido as ladeiras limpas e plantaram umas macieiras e uns pereiros "porqui por li".

Salto do Prego-Faial da Terra-São Miguel-Açores
Que a água da ribeira os leve a eles e aos que como eles olham as árvores em vez da floresta. Onde andam as organizações ambientalistas que em outros tempos pediam a demissão de Secretários Regionais (e bem) só porque a ceifeira das Sete Cidades tinha estado parada mais do que cinco dias consecutivos?
O Faial da Terra é hoje um sítio muito agradável para se estar, onde está preservado um certo equilíbrio agro-silvo-pastoril e onde a mão humana ainda não destruiu muito, tendo construído, mal e porcamente, bastante. Urge manter esse equilíbrio sob pena de se perder totalmente o seu encanto.

Resistências

Excitações do António João que vale a pena lerem

"O orçamento regional paga quase tudo desde que se saiba gerir o tempo político. O silêncio. A homenagem. O obséquio."

"Até o catolicismo local se adapta a tudo. Hoje são socialistas. Ontem eram de direita. Por um telhado de igreja ?"

"Os métodos de propaganda: na página de um folheto a cara do Santo Cristo dos Milagres, na outra página, a do candidato."

4 de setembro de 2004

"À Mulher de César..."

"À Mulher de César não basta ser séria tem de parecê-lo".
A fazer fé na notícia do Independente e nas inúmeras páginas do Jornal Oficial da Região Autónoma dos Açores, estamos perante uma das maiores vergonhas que a Autonomia, e a auto intitulada Nova Autonomia nos trouxeram.
Mesmo não pondo em causa a competência da pessoa em questão, há que ter o bom-senso de evitar situações como esta, ao Presidente do Governo Regional dos Açores exigia-se maior desprendimento e maior clareza na nomeação e requisição da sua mulher para lugares públicos.
É pena que alguma comunicação social da Região, nomeadamente o Expresso das Nove que era useiro em transcrever as nomeações do tempo do Dr. Mota Amaral, tenha, agora que se transformou em órgão oficial do PS e do Governo, deixado de ler o Jornal Oficial. Foi preciso um Jornal nacional pegar no assunto para que a imprensa regional acordasse.

3 de setembro de 2004

Coitadinhos dos Suecos...

Os meus impostos servirem para o Sr. Carlos César e o Sr. Sérgio Ávila oferecerem viagens aos velhinhos da Terceira em ano de eleições regionais, além de me irritar como democrata e zeloso cidadão preocupado com as finanças públicas, repugna-me pelo despudor com que dois cabeças de lista às eleições usam o erário público para fazerem campanha partidária.

Mas bem pior do que isso, é o Sr. Sérgio Ávila e o Sr. César (este último indirectamente) usarem os meus impostos para pagar as férias dos suecos que ganham mais do que eu, têm melhor segurança social do que eu, menos desemprego do que eu, menor défice orçamental do que eu, viajarem à borla entre duas Ilhas dos Açores. Está tudo louco ou é mesmo falta de noção de como se promovem Ilhas como os Açores.
Cara Mariana, bem sei que não gostas que eu diga que vendemos os Açores como as prostitutas de 5 euros que andam de roda do I.S.Técnico. Contudo, neste caso não estamos a vender os Açores como destino turístico, estamos a oferecer e todos sabemos que o que é dado, é sempre desdenhado.

O Sisma dos independentes

Eu não gosto de independentes.(ponto)
Na política os independentes são pessoas que não têm convicções ou que estão à espera de ver para que lado é que a coisa vai virar para logo se colarem.
Os independentes são perniciosos, comodistas, gelatinosos potenciais compráveis.
Ser independente, em politica, é assumir uma total passividade sobre o que nos rodeia e nos destina. Ao invés, pertencer e colaborar com um partido político é querer participar e viver preocupado com o dia-a-dia do nosso povo.
Eu não gosto de independentes e não entendo a obsessão que, todos, os partidos políticos têm em colocar independentes nas suas listas e fazer disso cartaz. É mais ou menos como quem diz: No nosso partido somos todos incapazes. Como tal, recorremos a independentes.

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