8 de junho de 2017

O Blogue feito pelo Diário Insular.Leitura obrigatória

DIZ HÉLDER MENDES, VIGÁRIO GERAL DA DIOCESE DE ANGRA, SOBRE AS FESTAS PROMOVIDAS POR AUTARQUIAS, GOVERNO E OUTROS

Apropriação do Espírito Santo
é "um pouco herética"


O Espírito Santo tem uma dimensão "vistosa" que é apelativa, diz Hélder Mendes. O vigário geral da Diocese diz que não compete às autarquias e ao Governo organizar coroações e dar esmolas. 
A apropriação do Espírito Santo por parte de Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, entidades governamentais ou coletividades é "um pouco herética", diz Hélder Mendes. Em entrevista à Antena 1/Açores, o vigário geral da Diocese de Angra defende que a organização de coroações e a distribuição de esmolas por parte dessas entidades é apenas aparência e, portanto, vazia de substância.
"Quando os estatutos das irmandades dizem que a finalidade é prestar culto à terceira pessoa da Santíssima Trindade e a prática da caridade, em princípio este é o espírito de um sujeito individual que é religioso ou de uma irmandade constituída por sujeitos que também são religiosos e que têm esse fim: louvar o Espírito Santo e praticar obras de caridade. A uma pessoa coletiva não religiosa ou um sujeito coletivo não religioso falta-lhe esta dimensão", avançou.
O responsável diocesano, que falava no programa Grande Entrevista, emitido ontem na rádio pública regional, entende, por isso mesmo, que as entidades em causa devem abster-se dessas práticas.
"Não me parece que faça sentido - quer dizer, pode fazer sentido do ponto de vista político, mas tendo em conta a conversa que estamos a ter, da aparência ou da vista, parece-me que essas entidades não o deveriam promover e desligar a atitude de um sujeito religioso que verdadeiramente fez aquela promessa ou tem aquela intenção, abstendo-se de toda essa parte - que é o motor - e ficar só com a aparência para que os outros vejam. Não compete às autarquias estarem a fazer esmolas, mesmo que digam que as esmolas não são de orçamentos públicos - pois então que sejam feitas através de irmandades. Não têm de ser as autarquias a gerir pensões, a gerir esmolas, a fazer coroações quando isso compete a sujeitos religiosos ou a entidades coletivas com uma finalidade religiosa", disse.
Segundo Hélder Mendes, esta "utilização" do Espírito Santo não só retira à festa a sua motivação - ligada, conforme referiu, ao culto da terceira pessoa da Santíssima Trindade e à caridade -, como também dificulta o trabalho da Igreja, isto é, o trabalho de evangelização.
"Hoje praticamente todos os párocos da Diocese acompanham as famílias nas suas casas, nos impérios e nas igrejas. Agora, uma Câmara? Como é que se vai evangelizar uma Câmara a convidar meninas, bandeiras, rainhas e filarmónicas?", questionou.
Ainda assim, referiu o vigário geral da Diocese de Angra, a situação em causa não deixa de criar um dilema às paróquias. É que ainda que não tenham motivações religiosas, as festas não deixam de lado essa dimensão. As coroações, por exemplo, mesmo as que são organizadas por autarquias, passam pela Igreja.
"A Câmara de Angra, por exemplo, durante uns anos suspendeu a coroação do Espírito Santo e penso que com muito mérito. (...) A festa do Espírito Santo foi até ao 11 de junho e depois a 24 de junho há o São João que não é Espírito Santo e, portanto, não têm de chamar turistas para fazer o Espírito Santo, nem convidar irmandades pela ilha para virem a Angra - estou a dizer Angra, mas Ponta Delgada está da mesma maneira - ou crianças e impérios para vir fazer uma coroação à cidade. Mas fazer o quê se já fizeram há quinze dias nos seus impérios? É uma representação vazia e essas representações vazias não têm de ser alimentadas", sustentou.
TURISTAS NOS BODOSEm entrevista à Antena 1/Açores, Hélder Mendes referiu-se, ainda, a um fenómeno que diz ser recente, mas que começa a espalhar-se pela Região. Trata-se, avançou, da organização de festas do Espírito Santo só para os turistas verem.
Segundo o vigário geral da Diocese de Angra, essa prática constitui mais uma "montagem fictícia".
"Mas mesmo assim, entre duas possibilidades, eu escolheria essa, a do turista ir ver o bodo do domingo de Pentecostes ou da Santíssima Trindade, do que a de andar durante o verão a fazer montagens para que as autarquias ou as comissões de festas estejam a montar cenários que não são verdadeiros. Deixa até numa atitude de incómodo a própria Igreja", considerou.
Nessa linha, aliás, o responsável alertou para o perigo de caracterizar a festa do Espírito Santo apenas como sendo "uma questão meramente cultural".
"É verdade que é cultura e ainda bem que assim é, mas a sua raiz e a sua motivação são outras, são mais profundas, e quando se tira essa motivação espiritual para aparência só de vista, estamos a esvaziar a verdadeira razão ou a essência do Espírito Santo e a ficar só com a casca. Para essa entidade que promove saiu a atividade muito bem, mas de facto não é um bom serviço ao Espírito Santo ou à motivação da festa. Não passa pela cabeça de ninguém uma autarquia fazer uma procissão do Senhor Santo Cristo com andor igual àquele, que é muito bonito", atentou.
Sopas são para
quem precisa
FUNÇÕES DE STATUS SOCIALOra, segundo Hélder Mendes, também as famílias correm o risco de esvaziar o Espírito Santo de sentido. Em causa, considerou, estão as funções por convite - e que deixam de lado a oferenda de sopas e pão a quem mais necessita.
"Haver os convidados, por um lado, é necessário: é bonito convidar as pessoas para haver um certo controlo da dimensão da refeição. Mas de facto, tem esse perigo de se convidar aquele que me pode convidar e esse que convida alguém para a coroação já fica, de alguma maneira, com um ponto ou com um crédito para ser convidado quando, de facto, o que o evangelho diz a esse propósito é que quando fizeres um ato destes convida aquele que não te pode pagar", afirmou.
Para o vigário geral da Diocese de Angra, aliás, utilizar o Espírito Santo para promoção social é um "desastre".
"Se a pessoa convida como sendo uma festa privada, às vezes para honra do próprio imperador ou imperatriz, para que aquela família seja socialmente destacada, de facto é de pôr em questão. É um desastre, é quase invocar o nome de Deus em vão. De facto, pode haver essa tentação de uma promoção social em nome do Espírito Santo", avançou.
Ainda assim, Hélder Mendes mantém-se positivo quanto a essas práticas e diz que o que continua a ver-se são "as sopas para todos".
Para além disso, referiu, o Espírito Santo mantém a essência da caridade e da partilha sem vaidade.
"Os verdadeiros atos mais discretos do Espírito Santo não aparecem, porque são tão localizados e são tantos em simultâneo que é impossível dar conta da riqueza do que se passa. O que se nota, o que é público, são os grandes espetáculos de aparências, que são mediatizados - já se convocam os meios de comunicação social para que estejam ali. O mais genuíno e verdadeiro não é isto. O que se passa nas casas das pessoas, nas construções dos altares, não é disto; o que se passa nos impérios durante a oração não é disto; as esmolas que se dão na rua sem ser aos irmãos também não são disto. Há irmandades que vivem simplesmente disto", sublinhou.

IGREJA VAI EMITIR DOCUMENTOS SOBRE O ESPÍRITO SANTO
Evangelizar a festa
A Diocese de Angra está a preparar documentos sobre o Espírito Santo. O que se pretende, avançou Hélder Mendes à Antena 1/Açores, é avançar com uma maior evangelização da religiosidade popular. E evangelizar, adiantou o vigário geral, não é disciplinar.
Em causa está documentação - que deverá estar pronta no prazo de um ano - sobre a fé, sobre as celebrações e sobre a caridade.
"A Igreja não é o único interveniente, nem é dona do Espírito Santo - não há donos do Espírito Santo. Agora, entende que há uma dimensão que tem a ver com a fé cristã, porque se é o mistério da Santíssima Trindade, se a Igreja vive da fé e da comunhão no Pai, no Filho e no Espírito, se o evangelho está sempre a remeter-nos para o Espírito Santo que é o espírito de Cristo, a sua memória, a Igreja tem todas as fontes para ir acompanhando a presença e a ação do Espírito Santo - nas pessoas, na alma das pessoas, na vida da comunidade, na vida da Igreja, na vida do mundo. É isso que procura fazer, porque não há propriamente uma entidade reguladora ou uma entidade fiscalizadora", disse.
No programa Grande Entrevista, Hélder Mendes chamou, ainda, a atenção para o perigo de regionalizar a festa.
"Os Açores quase se apropriaram do Espírito Santo. Ora, o Espírito Santo é o espírito de Deus, é universal e está em todas as partes do mundo. Se nos Açores permanece com esse enquadramento, então temos de zelar é pela sua integridade e não pela sua apropriação. Ninguém se deve apropriar do Espírito Santo, nem a Região, nem sequer a Igreja", afirmou.

6 de junho de 2017

Coluna Liberal-Miguel Albergaria

“Facista”, “Comuna”, “Neoliberal”!

Quando eu era novo, nesta ilha, se por exemplo um indivíduo estacionasse o carro à frente da garagem de outro, e este lhe dissesse para o tirar pois precisava de se servir dessa entrada, um dos impropérios que se poderia ouvir do infrator era “A rua é de todos… facista!”. O mesmo “facismo” que levava esse dono da casa a queixar-se de lhe terem garatujado umas palavras na parede que recentemente pintara de branco, ou o vendedor de gravatas a não baixar os preços enquanto houvesse quem os pagasse, o professor a não aceitar resoluções de equações do 3º grau mediante a fórmula do 2º grau…
Os cientistas políticos não convergem numa definição exata de “fascismo”. Em todo o caso, associam-lhe traços como antirracionalismo; defesa da luta pela qual sobrevivem os mais fortes; elitismo destes sob a orientação de um líder autoritário que corporiza a nação; afinidade pelas políticas socialistas relativas às baixas classes socioeconómicas, e ao intervencionismo económico do governo. O leitor concordará que vai uma diferença entre quem defenda isto e as personagens daqueles outros casos.
Passou-se o tempo, e à reclamação “facista!” sucedeu-se o rosnido “comuna!”. O caso mais esclarecedor que conheço foi comigo: quando o PSD do Doutor Cavaco Silva se propôs privatizar as grandes empresas públicas – mediante acordo constitucional com o PS do Dr. Vítor Constâncio (o país não deve a este último apenas os encómios ao endividamento público após o euro, e a ausência de supervisão bancária eficaz pelo BdP ao BPN, BPP…) – eu votei com sinceridade naquele primeiro partido. Poucos anos passados, porém, nas conversas sobre política comecei a perguntar aos meus companheiros de voto o que é que no país estávamos a preparar para produzir, de forma que porventura a diferença entre o custo de transporte desses próximos produtos pelas novas autoestradas e IP’s, e um respetivo custo de transporte pelas antigas estradas nacionais, pagasse a parcela portuguesa do custo daquelas vias mais a sua manutenção ulterior. Enquanto privadamente repetia essa pergunta, publicamente os deputados do PS disputavam ao governo a autoria dos projetos, e o mérito do saneamento das contas públicas mais a negociação dos subsídios europeus, que haviam permitido aquelas obras, mas nunca discutiam a primazia económica destas. Quanto ao CDS, era então “o partido do táxi” – só mesmo os motoristas destes escutavam o que esses 4 deputados lhes diziam. Oposição, qualquer que fosse, restava a do PCP.
Assim, resposta à minha pergunta, nunca a obtive. Mas um antigo conhecido “cumprimentou-me” um dia com algum azedume: “Oh… comuna!”. Ao pé da propriedade deste dito, as anteriores classificações de “facista” tornam-se respeitáveis taxonomias em doutoramentos de ciência política. Pelo que me dispenso de a comentar.
O tempo continuou a passar. E, tal como a anterior reclamação fora substituída por esse último rosnido, foi este agora substituído pela terrível acusação “neoliberal!”. Atribuída, por exemplo, ao Dr. Passos Coelho e ao Doutor Vítor Gaspar que em 2013, contra a regra acordada com a troika de que dois terços do equilíbrio das contas públicas decorreriam de cortes nas despesas, e apenas um terço do aumento das receitas, implementaram o “enorme aumento de impostos”. Atribuída, antes disso, à desregulação dos novos mercados financeiros da última década do séc. XX, etc.
Estou em crer que quem emite tal acusação estará a referir-se a algo relativo ao velho conceito “liberalismo”. A definição deste último é o que se irá fazendo nesta Coluna Liberal, que tenho o gosto de partilhar com o Nuno Almeida e Sousa – aliás, que já começámos a esboçar nas duas crónicas anteriores. Por agora, avançarei apenas que esta ideologia (ou doutrina) política é rigorosamente contrária a “enormes” intervenções do Estado na economia, nomeadamente através de impostos. Tanto como é contrária à ausência de qualquer regulação do mercado, sem a qual há muito se sabe que este tende a destruir-se.
A globalização financeira selvagem, o Dr. Passos Coelho… serão pois tão liberais quanto é comunista quem desconfia da centralização da economia de um país nas obras públicas. Quanto é fascista quem reivindica o respeito pelo Código de Estrada.

No meu liberalismo, todavia, em nada quero restringir a liberdade e criatividade linguísticas. Apenas me parece que, para se evitarem ambiguidades e outras confusões, seria preferível remeter o “facista!”, o “comuna!” e o “neoliberal!”, por exemplo, para os estádios de futebol, já enfastiados dos nomes do costume à orientação sexual do árbitro, assim como às práticas dessa natureza da mãe e da mulher deste. Fora isso, não vejo que uso possam ter.

Miguel Soares de Albergaria no Jornal  Diário dos Açores Edição de 26 de Maio de 2017

13 de maio de 2017

Coluna Liberal

Neste meu primeiro artigo desta Coluna Liberal que escreverei a quatro mãos com o meu amigo Miguel Soares de Albergaria, tentarei de uma forma breve e clara explicar ao que vimos, porque vimos e como vimos. Na verdade, a ideia desta coluna escrita a dois nasceu do Miguel e tem como objetivo clarificar e formar os leitores mais desatentos para as vantagens de uma sociedade liberal. Com recurso a exemplos e ao conhecimento filosófico tentarei, como melhor souber e possa, esclarecer os leitores acerca dessas vantagens e se o não conseguir espero que, pelo menos nos espíritos mais críticos, fiquem lançadas sementes de curiosidade.

Nas sociedades contemporâneas continuam a prevalecer os princípios fundadores do denominado Estado Moderno ou como alguns gostam de chamar Estado Vestefaliano por, na verdade, ter sido após os tratados de Vestefália que o Estado como conhecemos hoje se afirmou como forma de governo dos povos. Daí para cá, no entanto, dentro dessas formas de organização do estado têm existido correntes politicas bem diferentes quer na forma de organizar e separar os poderes, quer na forma mais ou menos totalitária ou mais ou menos democrática de o exercer.

No denominado Mundo Ocidental as sociedades democráticas saídas do rescaldo das revoluções Atlânticas  que se afirmaram ao longo de XIX e que vieram a desempenhar um especial papel em XX depois das duas grandes guerras mundiais, têm passado por períodos conturbados do pensamento político onde a força dos órgãos de comunicação social e o poder da retórica têm transformado conceitos de liberdade e em especial de liberdades individuais em coisas perniciosas. Basta para isso falar de neoliberalismo e de como esse conceito tem sido diabolizado pelos grandes inimigos das liberdades nos últimos anos. Paradoxalmente essa crítica vem de áreas politicas que em XVIII e XIX foram terreno fértil para a afirmação dos liberalismos político, social e económico.

Por princípio, ser liberal só pode ser uma coisa boa porque tudo o que seja falar de liberdade dos cidadãos só pode ter o nosso apoio. Na espuma destes dias parece que não, o cidadão na verdade hoje, tem positivados constitucionalmente direitos que lhe permitem viver a vida em liberdade e de garantir direitos adquiridos nomeadamente no que concerne à propriedade privada (direito que preocupava os liberais de XVIII) no entanto, o facto de termos esses direitos não é garante de que eles serão respeitados, nem pelos nossos pares, nem pelo estado a quem cedemos algumas das nossas liberdades em prol do bem comum. Não basta o estado manifestar intenções, tem que as garantir e materializar, o difícil não é promulgar leis, definir princípios abstratos de constituição, o difícil é garantir que essas leis não são usadas pelo Estado contra os cidadãos, a mais funesta doença dos estados contemporâneos.

O exercício do poder de forma totalitária pode ter hoje um significado diferente do que tinha há 100 anos e do que tinha há 50 anos. No entanto, existem e cada vez mais, formas subversivas de condicionar a vida dos cidadãos que são comparáveis a algumas das mais graves ditaduras do século XX. Certamente, nas sociedades ocidentais de XXI, não é o tempo de falarmos da necessidade de luta pela “liberdade de imprensa”, como instrumento de resistência a governos totalitários ou tiranos. Mas, na verdade, o exercício dessa liberdade que pode ir além da liberdade individual, pois pode ser de um grupo ou de uma fação, está condicionado pelo grau de dependência financeira que  essa fação ou esse grupo da sociedade tem relativamente ao Estado e aos seus decisores no seio da polis.

A segurança económica é considerada por muitos autores e filósofos sociais como indispensável para garantir a condição de cidadão livre. Tomando como exemplo os sistemas de incentivos à economia, centralizados num ou dois governantes, por onde se determina uma boa maquia do investimento privado, facilmente se percebe que quem depende da aprovação administrativa sobre a atribuição de um subsidio ou de um incentivo ao investimento, não expresse livremente a sua opinião sobre um determinado governo ou uma determinada figura do Estado. Trotsky , na primeira metade do século XX em oposição a Lenine dizia que “num país em que o Estado é o único empregador, oposição significa morrer lentamente de fome”. Ora podemos dizer hoje que num pais e por força de razão numa Região em que o Estado detêm o monopólio do financiamento, quem não obedece não investe ou se o faz, fá-lo em absoluta desvantagem com os que obedecem.

Publicado no Jornal Diário dos Açores edição de 12 de maio de 2017

12 de maio de 2017

Os 3 Fs

Recebi do João Nuno Almeida E Sousa este magnifico texto acompanhado de uma ilustração igualmente magnifica que, depois da devida autorização do autor, partilho com os meus leitores:


Na época das trevas, e do obscurantismo do velho regime, Portugal era um Estado subjugado ao folclore dos 3 F’s : Fátima, Fado e Futebol...a trilogia da propaganda. Nessa lustrosa instituição da ignorância digital que é a wikipédia lê-se que esses eram “os três pilares da ditadura de António de Oliveira Salazar para a pacificação da população e alienação da mesma no que concerne a política do país” (sic !). A caminho de cinquenta anos volvidos sobre esses anos de chumbo Portugal está no caminho das Luzes. Temos uma Frente Popular Comunista/Verde/Trotskysta/Socialista/PANistano governo que proclama os amanhãs que cantam e um Presidente fofinho e dos afectos...tudo postiço claro está. Portugal continua a ser um Estado refém das “corporações” (incluindo a dos eurocratas e maçons...ou frequentemente de ambas concomitantemente) embora já não seja um Estado Corporativo. No resto a “pacificação da população e alienação da mesma” faz-se com os mesmos 3 F’s...a mesma mistificação de Fátima a que se associa o Primeiro-Ministro, chefe do Conselho de Ministros da Frente, e um Presidente da República gágá distribuidor de beijinhos e boneco de selfies...a mesma alienação de massas hiperbolizada no Futebol com delírios comunicacionais que ocupam, no mínimo, ⅓ das notícias das Televisões, cujos telejornais não informam mas opinam veiculando as "notícias oficiais"...a mesma treta ensimesmada do faduncho ranhoso, agora sem fadistas, pois estes estão hoje travestidos de cançonetistas plagiadores de bossa-nova com piscadelas de olho aos ritmos africanos, mas com o ícone sagrado do Salvador Sobral no Festival da Canção...Apre...Sem deslumbre por nenhum dos três F’s do regime resta-me planear este fim de semana beber um copo...ou dois...ou três !!!

Saúde
João Nuno 

Novos contributos

A partir de hoje no Diário dos Açores partilharei esta coluna com o Miguel Soares de Albergaria.Cada um de nós escreverá um artigo por mês mantendo assim a coluna uma periodicidade quinzenal.

28 de abril de 2017

O blogue feito pelos outros.

O Tribunal de Contas descobriu que a AMISM comprou pareceres jurídicos, no valor de dezenas de milhares de euros, sem “contraprestação efetiva, o que é suscetível de responsabilidade financeira sancionatória e reintegratória”. Não é opinião. É a transcrição de uma decisão judicial. Adiantou o TC que a AMISM pagou pareceres “emitidos no interesse próprio dos responsáveis individuais” e não no interesse da própria Associação, tendo recomendado a devolução da despesa para “recuperação dos pagamentos indevidos”. No final das conclusões, o mesmo TC diz que em causa estavam “indícios de que o património da AMISM tinha sido lesado em cerca de 400 mil euros” e que “os pagamentos efetuados pela AMISM”, no âmbito da assessoria jurídica relativa ao concurso público para a incineradora de São Miguel, são “ilegais” (sic.). O core business da AMISM é o tratamento e reciclagem de lixo. É nesse meio que se move e, com o histórico que antecede, adjudicou a compra de uma incineradora pelo módico valor de 65 milhões de euros dos contribuintes. Para essa decisão contribuíram decerto eméritos pareceres técnicos abençoando a benevolência do monstro. O futuro dirá se a máquina terá “contraprestação efectiva” para todos e se justificará o dano ambiental e de saúde pública ditado, democraticamente, por quem manda em nome do Povo!

JNAS hoje 28 de Abril de 2017

A visita liberal. Miguel Soares de Albergaria.

Ser liberal não é pernicioso. Num momento de grande tensão internacional é sempre bom lembrar os mais populistas que aquilo que está a acontecer à humanidade neste momento não é culpa dessa entidade abstracta a que as esquerdas apelidam de neo-liberalismo. Bem pelo contrário, o problema é excesso de peias e de grilhões. Libertemos-nos então!


26 de abril de 2017

25 de Abril de 2017.


Diário dos Açores - 43 anos depois do 25 de Abril, como estamos nos Açores em matéria de liberdade, democracia e fortalecimento da sociedade civil?


Nuno Barata - Mais de quarenta anos depois os desígnios e os apetites do Povo português não são, compreensivelmente, os mesmos que eram na reta final do Estado Novo. Nessa altura, 25 de Abril de 1974, conquistamos o que se pretendia, o fim de um regime totalitário estabelecido depois da grande crise da década de 20 do século passado e conquistamos ainda o fim da chamada Guerra Colonial e consequente desmantelamento do que restava do Império Ultramarino. Portugal tornou-se então, formalmente, numa democracia do tipo ocidental, na pártica Abril está por cumprir.

 Nas ciências sociais não há laboratórios onde possamos testar hipóteses, apenas a história nos serve de esteio para as mais vastas e dispares teorias sociais. Hoje, falar de liberdade de expressão como há 40 anos não faz sentido. Hoje falar de liberdade de associação como há quarenta anos, também não faz sentido. No entanto, hoje podemos afirmar, com toda a certeza, que em termos de liberdades individuais Abril está por cumprir. Mesmo se nos determos sobre as liberdades coletivas facilmente elencamos uma dúzia de situações em que falar de liberdade não passará de um mero eufemismo.


A construção do Estado Moderno é só por si um travão nas liberdades individuais, quanto mais estado menos individuo, Se atentarmos a esse domínio, hoje as liberdades são menos do que há 20, 30, 40, e 60 anos. Os apetites legislativos, reguladores e regulamentadores dos agentes do Estado são de tal ordem que chegaram ao ridículo de regulamentar o tamanho mínimo para comercialização das cenouras. Sem que a polis se aperceba de que se encontra espartilhada entre a autoridade do estado e a liberdade individual, aquele vai entrando na esfera deste outro de tal forma que o cidadão perde a sua mais preciosa condição, a de ser livre.

Os contratualistas de XVII e XVIII, principalmente Rousseau, entendiam que a cedência de liberdades individuais para uma entidade superior não podia ser considerada perca de liberdade para a autoridade por se tratar de uma cedência individual para um todo, “ dando-se a todos, não se dá a ninguém”. Obviamente esse compromisso entre a liberdade e a autoridade, onde ceder e onde exercer livremente a sua cidadania, em XVIII era bem diferente do que é hoje como hoje não é comparável a 1974. No entanto, uma coisa parece-me clara, somos todos cada vez menos livres porque todos cedemos todos os dias liberdades individuais para esse tal todo que é ninguém. Nesse campo, põe-se ao filósofo um dilema cada vez maior. O individuo cede voluntariamente os seus apetites éticos ao Estado ou é este último que aos poucos vai subtraindo ao individuo as suas pequenas liberdades? A resposta à próxima pergunta esclarece este dilema.


Diário dos Açores - Os órgãos políticos representativos dos açorianos têm estado a altura? Os inúmeros casos de crispação no parlamento regional são um mau exemplo?

Nuno Barata - A resposta a estas duas perguntas do Diário dos Açores, esclarece parte da pergunta final deixada na resposta anterior que carece de uma análise muito mais profunda do que este pequeno exercício técnico-jornalístico. Na verdade, mais importante do que saber se o Estado deve ou não continuar a construir um edifício legislativo arvorado em Procurador-Geral do bem comum é saber se os agentes desse mesmo Estado são os adequados, dotados das necessárias competências técnicas, conhecedores da realidade da polis e revestidos de uma áurea ética irrepreensível. Nesse aspeto, quer na Região quer no Pais em geral os agentes políticos não têm estado ao nível que seria de esperar. Os mais recentes acontecimentos envolvendo políticos de carreira, banqueiros de renome, empresários de sucesso e até membros do chamado poder judicial, demonstram à saciedade o quanto falhou a classe politica e consequentemente o Estado na proteção do bem comum, das esperanças dos cidadãos seus pares e na projeção de um futuro melhor para os filhos da nação.

Na Região, onde apesar de tudo em termos de corrupção, nepotismo e plutocracia as coisas têm corrido bem melhor do que no restante território nacional, há por aqui e por ali casos que maculam sem remissão a imagem de quem nos governa. Uns por ação, outros por omissão e outros ainda por ignorância, ressalvando raríssimas e muito honrosas exceções, quase todos saem “com a fralda suja”. No entanto, digamos que a gente está satisfeita pois continua escolhendo os mesmos. Recorrendo de novo a Roussesau, cada um sabe o que deve buscar para que fique satisfeito e em Democracia os eleitos não são mais nem menos do que o espelho de um povo, o que não nos deixa grandes margens para nos animarmos e acreditarmos que isto um dia pode melhorar.

Numa Região com níveis de desemprego assustadores, sem perspetiva de crescimento da economia que permita ao sector privado criar postos de trabalho e com percentagens elevadas de gente em idade laboral empregue em programas de ocupação temporária dependentes de departamentos estatais/regionais e como tal totalmente dependentes de decisões deste ou daquele agente do estado/região, é difícil acreditar que não exista uma espécie de autocensura que priva o ser humano da sua liberdade de escolha por decisão própria mas, obviamente,  por influência externa e medos atávicos.

Os casos recentes de alguma crispação na sociedade civil em especial no meio parlamentar, vem confirmar  o que há muito se vem receando, estamos a assistir a uma “ditadura da mediocridade” e a uma sociedade politica com dois estratos, os que atingem o seu objetivo (eleição e perpetuação no nível de rendimento que a eleição garante) por via da retórica fundamentada  no politicamente correto e uma outra fação que, pelo contrário, prefere o discurso do politicamente incorreto, duas práticas diferentes um mesmo objetivo. Isso não augura nada de bom para a nossa sociedade.

A política é uma atividade demasiado nobre para ser desenvolvida por gente sem fundamentos éticos e que assenta a sua atividade apenas com os olhos postos em eleições por forma a perpetuar os seus níveis de rendimento pessoal (salvo honrosas e muito poucas exceções). Tal como comecei a minha primeira resposta a este inquérito, a história é o único laboratório das Ciências Humanas e ensina-nos, assim de um jeito muito ligeiro, que na origem de todas os tipos de totalitarismo estão os populismos, as crises financeiras e económicas (fome), a plutocracia, o nepotismo e a corrupção.
O próprio Estado, tal como hoje conhecemos, primeiro grande atropelo às liberdades individuais, nasceu conceptualmente no seio de guerras e da miséria decorrente dos conflitos sociais e bélicos.

Para a economia e para as finanças existe uma conta de deve e haver por onde se medem os sucessos e os insucessos, para a liberdade não existe esse instrumento de medida e como tal cabe a cada um medir o nível que quer atingir dessa mesma liberdade individual.



10 de fevereiro de 2017

Ou vai Centendo já ou vão os dois daqui a dias!

Neste momento há razões mais do que suficientes para que Mário Centeno se demita ou que o primeiro Ministro o demita . Amanhã ou segunda-feira será tarde e é então António Costa que terá que se demitir, pois quanto mais tempo este folhetim durar mais mentiras se vão descobrir.

14 de janeiro de 2017

No fundo esta gente admira o Salazar.


 Esta gente não sabe que nós vivemos numa Democracia Representativa vai para lá de 40 anos? É que o tempo do corporativismo foi o tempo do Salazarismo, isto só para lembrar os mais distraídos, os ignorantes e os intelectualmente desonestos.

6 de janeiro de 2017

Caviar ao preço da uva-mijona.

Foi preciso vir um português armado em estrangeiro (eles no fundo são mais separatistas do que nós) dizer que nós não sabemos o diamante que temos para saltar de imediato essa preocupação para as primeiras páginas dos jornais da Região. Foguetabraze!

Quem  acompanha minimamente o que escrevo e digo há anos, sabe, certamente, que desde pelo menos a entrada dos chamados Suecos no mercado do turismo regional defendo que não podemos nem devemos vender o destino Açores a baixo preço. Só a título de exemplo ficam aqui dois links de 2004 e 2005 respectivamente Coitadinhos dos Suecos)  (Anjo Surdo e mudo) mas podem recuperar outros textos no blogue, programas de televisão, textos de opinião e, mais recentemente,  respostas ao painel do Correio Económico. Desde que se fala de turismo e da importância desta indústria para a economia dos Açores que tenho manifestado preocupação com o depreciar do produto Açores. Todos sabemos que quando se deprecia um produto, voltar a vende-lo a um preço com valor acrescentado é muito difícil.

Não percebo, de facto, como é que uma região que acumula prémios a seguir de prémios, que colecciona referências elogiosas em revistas da especialidade como uma criança guarda "caricas" de garrafas, continua a depreciar esse produto e a remunerar mal os seus profissionais 

Ainda há dias li, estupefacto, um editorial do Diário Insular que, gratuitamente, criticava o facto dos vinhos Açorianos estarem a ser vendidos muito caros, confundindo claramente dois conceitos o se ser caro com o de custar muito dinheiro, o que são coisas bem diferentes. Hoje tomamos conhecimento de que o Arinto dos Açores, vinho branco da Ilha do Pico está entre os 10 melhores.

Quando se está entre os melhores dos melhores temos que nos valer disso, não podemos, continuamente, andar a vender caviar ao preço da uva-mijona.

3 de janeiro de 2017

Se não acrescenta valor para que serve?


Li hoje, quase incrédulo, que o sector da hotelaria regional está preocupado porque não poderá suportar o aumento do salário mínimo nacional.

Como é que é? Então? Constroem hotéis com os impostos de gente que nem pode sonhar em um dia dormir num Hotel, fazem-no em nome do combate ao desemprego e ao crescimento da economia, alegam ser a industria do futuro, tudo isso para receberem subsídios que chegam quase a 80% do valor total da obra e dos equipamentos, alguns são empreiteiros de si próprios e acumulam toda essa riqueza dos impostos dos outros  e , no fim, nem conseguem aguentar a subida do salário mínimo nacional. Nem mais um apoio para essa indústria!

Era bom que os senhores Deputados Regionais se debruçassem sobre esta matéria, cá por mim há suficientes indícios para uma comissão de inquérito ao negócio da ASTA mais alguns que por aí “cogumelizam”. Eu até acho que podem começar por analisar os relatórios da comissão de inquérito, que está a completar 20 anos, e que foi despoletada por um editorial do Sr. Gustavo Moura no Açoriano Oriental e que se debruçou precisamente sobre os terrenos da calheta.

Seria um excelente trabalho a prestar à Região, no lugar das habituais chicanas e contra chicanas que a malta pouco se interessa e por isso entende que esses Senhores Deputados gastam muito e servem para pouco.

1 de janeiro de 2017

30 de dezembro de 2016

(...)Nunc et in hora mortis nostrae. Amen.


É com um excerto da Avé maria que começa o romance, de leitura obrigatória,  O Leopardo. No original  D. Giuseppe Tomasi di Lampedusa, pela boca do protagonista principal do seu livro Il Gattopardo, D. Fasbrizio Corbera o Príncipe de Salinas, eternizado no grande ecrã pelo incontornável Burt Lencaster, foi também eternizada esta frase: "é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma". No entanto, para a espuma dos dias prefiro esta passagem: ""Nós fomos os Leopardos, os Leões; quem nos substituirá serão os pequenos chacais, as hienas; e todos - Leopardos, chacais e ovelhas - continuaremos a acreditar que somos o sal da terra."

Ano Novo

Que não venha a pior.

29 de dezembro de 2016

Dois pesos e duas medidas?

“Nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo”

António Costa em Abril último aquando do incidente com João Soares.
O que mudou entretanto?

28 de dezembro de 2016

Pede desculpa?



Parece que o Ministro Santos Silva pediu desculpa por ter comparado a Concertação Social a uma Feira de Gado. Eu penso que em muitas feiras de gado há muita gente muito mais honesta do que a maioria dos que têm assento nas cadeiras por onde se tem sentado o Augusto, esse trauliteiro que chegou a Ministro dos Negócios Estrangeiros por artes que pouca gente conhece e por ofícios ainda mais desconhecidos.
As palavras do Augusto sobre a Concertação Social são,tão  só, a denuncia dos privados defeitos que essa gentalha oculta com publicas virtudes. 
No fundo são todos, em conjunto, uma fraude.

 Pediu desculpa, não pediu demissão, só isso demonstra o que não vale Augusto Santos Silva

27 de dezembro de 2016

Consequencialismo.

À pergunta incontornável sobre qual a grande consequência dos governos Obama, incrivelmente, hoje nos Estados Unidos da América, a gente responde: Trump. Sim, a eleição de uma figura como Donald  Trump é uma consequência directa do que foi a administração Obama. Na esteira do pensamento  de  Elizabeth Anscombe um agente é responsável tanto pelas consequências directas  de um acto como pelas consequência indirectas do mesmo se esse for previsível. Ora, nada havia de mais previsível do que a ascensão dos populismos e dos neo-nacionalismos como consequência de  políticos "frouxos" e as suas inconsequentes politicas centradas em conceitos  como o estado-social e o personalismo-laico mas que redundam em desigualdades cada vez mais gritantes e degradação do nível de vida dos cidadãos, factores incompatíveis com o que se diz ser "governar para as pessoas".

26 de dezembro de 2016

Amigos

Revisito a miúde as palavras de Paulo Santana, muitas vezes sem passar da primeira estrofe “Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles (…)”. Leio, revisito-o numa busca incessante de conhecer mais e melhor os meus amigos, ler é sobre tudo conhecer, aprender, é um exercício difícil e inteligente, é como rezar, temos de estar concentrados no que estamos a ler tal como nos devemos concentrar nas nossas orações e devemos nos transportar para a leitura, como personagem do que está sendo lido tal como nos devemos transportar para a dimensão das nossas orações. 

É por isso que me deixo embrenhar nas palavras de Santana e deixo andar a vida entre as marés do destino e as praias da eternidade.

Sem amigos somos todos quase nada, sendo que quase nada é muito pouco.

23 de dezembro de 2016

Entrega

Ontem tive o privilégio doloroso de poder acompanhar o Monsenhor Augusto Cabral ( O Senhor Padre Augusto como é conhecido cá em casa) à sua última morada.
Aprendi, ao longo da vida a conhecer melhor este Homem a quem Deus iluminou para que fosse pastor do seu rebanho, culto, estudioso e grande percursor do ensino da fé e religião católicas, de fino recorte humorístico e de inoxidável fé e dedicação ao Senhor Santo Cristo dos Milagres pelas mãos do Senhor Padre Augusto passaram inúmeras gerações de rapazes e raparigas, leigos, seminaristas, catequistas e missionários que das suas sábias palavras beberam o conhecimento que tornou inabalável a sua fé em Cristo. 
Neste Natal que estamos vivendo gostaria de vos recordar a forma de estar perante os outros e perante Deus que o Senhor Padre Augusto nos transmitiu, pelos ensinamentos da catequese onde era exímio pedagogo, pelas suas homilias eloquentes mas pragmáticas que nos calavam fundo mas, sobretudo, pela sua entrega aos Homens por mão de Deus. Saibamos, neste Natal,  cada um de nós dar mais um pouco de si próprio ao próximo e entregar-se ao serviço de Deus que, certamente, todos termos um Natal Santo e Feliz. Demos graças pelo nascimento do menino. Não esqueçamos jamais, entre o consumismo da espuma dos dias, que este é o momento em que Deus em Jesus Cristo se solidarizou com os Homens sobretudo com aqueles que mais necessitam, com os mais pobres, com os mais doentes, com os mais oprimidos, com os marginalizados e façamos dos nossos dias, todos os dias, um dia de Natal seguindo o exemplo do Senhor Padre Augusto e de tantos outros, entregando-nos a Deus pelos Homens.
Cantemos como os Anjos cantaram naquele Natal de há mais de dois mil anos:
“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”.


A todos desejo um Santo Natal e a esperança de que 2017 nos traga mais alegrias e graças e nos disponha a nos disponibilizarmos mais ainda ao serviço dos desígnios da palavra do Senhor.

Texto remetido como mensagem de Santo natal aos Irmãos Romeiros do Rancho de Santa Clara.

22 de dezembro de 2016

A humanidade às avesas

Anda a humanidade preocupada em tratar os animais como gente, quando há gente a ser tratada como animais.

16 de dezembro de 2016

Problemas com a matéria prima.

percorrer diariamente a opinião publicada na imprensa escrita regional para além de um acto de puro masoquismo, ajuda a compreender melhor as razões de sermos uma Região cada vez mais pobre.

Solidão.

O blogger é um solitário.

Não há nada a fazer!

Portugal é uma República de plutocratas marxistas.

15 de dezembro de 2016

Sit down !

Boa parte das consciências da nossa classe jornalística são como o cãozinho do Inglês.

14 de dezembro de 2016

Paradoxo da contemporaneidade.


A gente, boa parte dela, clama e apregoa liberdades e mais liberdades, direitos e mais direitos. Essa mesma gente clama e apregoa a necessidade de proibir isso e aquilo e tornar obrigatório mais isso e mais aquilo. Vá lá a gente entender a gente.

13 de dezembro de 2016

Pode-se atravessar duas vezes o mesmo deserto?

Sim pode. As lições da história ensinam-nos que em politica a mesma água pode passar várias vezes debaixo da mesma ponte. Essa mesma história nos ensina que as chamadas "travessias do deserto" são momentos da vida politica de um cidadão que em nada complicam os seus intentos, desde que o cidadão as faça caminhando em vez de esperar que o deserto passe por ele.




banho-maria



Tenho alguns postas em fila de espera, em suspensão, tenho o blogue em banho-maria.

29 de novembro de 2016

O blogue feito por outros

Dos liberalizadores de fachada
Bastava uma dúzia de decretos à Mouzinho da Silveira para refundar o Estado onde ele faz falta e extingui-lo no que ele é inútil. E somando reforço com abolição, a conta seria bem menos mesada. Por outras palavras, não chega liberalizar, impõe-se a libertação. Até dos chamados liberalizadores de fachada


José Adelino Maltez, Sobre o Tempo que passa, 2011/06/29

25 de novembro de 2016

25 de Novembro de 1975

Hoje comemoramos a liberdade, a libertação de Portugal do jugo comunista. Hoje comemoramos Melo Antunes e o grupo dos 9. A liberdade é um dos bens que o nosso imaginário colectivo apenas valoriza quando o perde.Cabe a cada um de nós, individualmente, vivê-la, para que se não perca a noção da sua importância para o bem comum.

4 de novembro de 2016

A frequência ainda vai que não vai mas só a matricula...?

Digamos que estamos perante uma licenciatura na forma tentada.

O XII Governo da Região Autónoma dos Açores


Diário dos Açores  - Qual a avaliação que faz do novo governo?

Se há 4 anos Vasco Cordeiro surpreendeu com um governo de técnicos em detrimento de políticos, agora parece demonstrar ter reconhecido a necessidade de construir um Governo mais político do que técnico. Atente-se por exemplo nas escolhas de Rui Bettencourt, o veterano deste governo, que tem um perfil que conjuga muitíssimo bem os conhecimentos técnicos com as abordagens mais políticas ou ainda no caso de João Ponte que, permanentemente estribado numa aura de independente, pode muito bem ser um secretário mais politico do que técnico fazendo-se para isso valer da sua vasta experiencia como “autarca de proximidade “ o que pode ter uma importância redobrada no contacto direto com os agricultores e silvicultores e menos com as corporações deles supostas representantes. João Ponte não será uma ponta-de-lança da lavoura no governo, será antes um ponta-de-lança do governo a jogar sempre no meio-campo da lavoura.

A escolha de Berto Messias para fazer a ponte entre o governo e o Parlamento foi apenas surpresa para os mais distraídos. Na verdade, desde o anúncio de André Bradford para liderar a bancada parlamentar do PS se vislumbrava esta solução agora apresentada. É mais uma escolha de um secretário eminentemente político, basta para tal verificar o seu currículo ou a falta dele, para concluirmos que será mais um elemento de combate parlamentar do que qualquer outra coisa.

Marta Guerreiro é a maior surpresa deste XII Governo Regional dos Açores e tem pela frente um enorme desafio, o de guindar o sector do turismo para patamares consolidados de entre os diversos sectores da economia das nossas Ilhas garantido um desenvolvimento sustentável e uma preservação do meio ambiente compatíveis com um destino de natureza e de sustentabilidade que é o que pretendemos e entendo que devemos querer ser. Finalmente o ambiente e o Turismo na mesma tutela. Só tarda o que nunca chega.

Todo o resto foi uma não surpresa, Gui Menezes no Mar Ciência e Tecnologia é só uma confirmação de uma carreira delineada por este prestigiado investigador e Rui Luís na Saúde também não causa qualquer espanto. A manutenção de Avelino Freitas Meneses , Andreia Cardoso e Vítor Fraga nas respetivas pastas também não causa qualquer tipo de alarme, sendo que no caso deste último as Obras Públicas poderiam ter sido ser uma espécie de subsecretaria.

Uma avaliação mais cuidada do XII Governo Regional apenas poderá ser feita depois de conhecidas  as mudanças ou não  nível de Diretores Regionais e Gestores de empresas e Institutos Públicos. A segunda linha, como se usa dizer, é muitíssimo importante.


Diário dos Açores  - Sérgio Ávila não perde nenhuma área que já possuía, apesar de ser criticado por estar sobrecarregado de sectores vitais, na economia e finanças. É um erro?

Ávila, na área das finanças, não pode deixar as pastas que domina, porque o descalabro seria total, só ele sabe como estão as contas públicas e os verdadeiros níveis de endividamento direto e indireto da Região. Também na área da economia e do apoio ao investimento qualquer retirada de poder seria entendida como uma “traição” ao seu eleitorado, não podemos esquecer que Ávila foi cabeça de lista pelo círculo da Ilha Terceira e nessa ilha o eleitorado é muito critico quando a mesma perde importância ou poder. Aliás esta é uma das grandes novidades desta legislatura, a Ilha Terceira vê reforçados os seus poderes quer ao nível parlamentar que passa de 10 para 12 Deputados por via da eleição de mais dois pelo circulo regional com os votos dos Micaelenses, Picoenses e Faialenses quer ao nível do governo com as pastas da saúde e dos assuntos parlamentares e a manutenção da gestão dos fundos europeus e de todo o apoio ao investimento centralizado em Sérgio Ávila.



Diário dos Açores  - É um governo para perder mais 10 mil votos daqui a 4 anos?


É um Governo com um combate difícil pela frente mas muito dificilmente será um governo para perder votos. Em primeiro lugar pelas razões já atrás aduzidas, é um governo de políticos e isso faz toda a diferença. Mas, principalmente porque o quadro de financiamento europeu tem alocado muitos milhões de euros, mais do que tinha o quadro 2007/2013. Na verdade, este XII governo corre o risco de ter dinheiro a mais, pois, passados 3 anos, a execução do quadro 2014/2020, ainda não teve inicio o que demonstra alguma incapacidade do XI Governo de fazer a economia utilizar na sua plenitude os montantes disponibilizados pela União Europeia. Pois, na realidade, de sete anos de quadro, já passaram três sem execução, e assim Região terá de investir nos próximos 4 anos ainda mais verbas do que foram executadas nos sete anos do quadro anterior. Num panorama destes dificilmente se perdem eleições a não ser que se faça tudo mal feito.

Qual direita, qual carapuça.

"Ouvir PSD e CDS lamentarem a falta de investimento público e entrarem no campeonato dos aumentos das pensões é bem a prova de que Portugal está condenado às miseráveis políticas de esquerda"

31/10/2016 i oneline

19 de outubro de 2016

Mini Entrevista Diário dos Açores


Diário dos Açores - Como analisa esta vitória do PS?

Embora abaixo das sondagens conhecidas e das projeções à boca das urnas, a vitória do Partido Socialista nestas eleições Regionais vem no seguimento do que era esperado nos meios políticos da Região. No entanto, há a salientar o facto do Partido Socialista não se ter superado relativamente a 2012. Apesar da conjuntura favorável que vem de Lisboa, O PS perdeu 9500 votos, cerca de 18% do seu eleitorado, e um mandato relativamente às eleições de  2012. Parabéns a Vasco Cordeiro que soube, ao longo dos últimos 4 difíceis anos, aguentar uma boa parte do seu eleitorado  e aproveitar a onda de crescimento do PS nacional.

Diário dos Açores - O que vai acontecer ao PSD depois desta derrota?

O PSD, perdeu nestas eleições 6 760 eleitores, um mandato e tal como o PS 18% do seu eleitorado. Apesar de ter feito uma tentativa de renovação interna
 que eu classificaria de “depuração” necessária, não foi suficientemente convincente e não foi clarificador relativamente às questões ideológicas. O PSD Açores continua sem saber onde se vai posicionar dentro do espectro ideológico da politica doméstica, se mais liberal onde pode ocupar um espaço vazio e que deixou órfãos muitos eleitores especialmente em São Miguel, se mais social-democrata onde encontra no Partido Socialista um claro vencedor e um adversário difícil de combater.
O PSD, para seu bem, não pode continuar a “queimar” lideres à razão de um em cada dois anos sob pena de se esvair em prolongadas noites de facas longas.
Por ultimo é de salientar o facto de ter ganho novo folego recuperando a liderança da Ilha do Faial onde foi um claro e inequívoco vencedor ainda mais sendo a lita do PS encabeçada pela até agora Presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores..

Diário dos Açores - Nos restantes partidos, o que mais o surpreendeu?

Foi dos chamados partidos mais pequenos que veio a grande resposta, a resposta mais assertiva e  onde o Povo Açoriano manifestou a sua racionalidade e cultura democráticas. Os pequenos subiram todos sem exceção, fazendo assim pensar que há espaço para todos e que a qualquer momento podem vir surpresas eleitorais de projetos como o PAN ou o  PURP que subiram bastante as suas votações e poderão chegar, já em 2020 a uma representação parlamentar.

A CDU apesar de ter crescido e ter garantido a vitória no círculo da Ilha das Flores, não conseguiu garantir a eleição do seu coordenador e pode entrar num período de debate interno que leve à substituição de Aníbal Pires na sua liderança. O Bloco de Esquerda é um dos justos vencedores entre os vencidos uma vez que conseguiu, pela primeira vez eleger diretamente a sua coordenadora pelo circulo de São Miguel consolidando a sua posição de 3ª força política na Ilha, assim como também é vencedor o CDS que passou a segunda força politica na Ilha de São Jorge relegando o Partido Social Democrata para a 3ª posição e viu aumentado o número de Deputados eleitos apesar de ter falhado a eleição de um deputado pelo circulo eleitoral de São Miguel objetivo no qual se empenhou como nunca havia sido visto até agora.

Diário dos Açores - E a abstenção?

A abstenção, retirada a chamada abstenção técnica que deverá rodar os 20 pontos percentuais,  entre o recenseamento automático as ausências no estrangeiro e a desatualização dos cadernos eleitorais por óbito não declarado de cidadão sem o respetivo cartão, deverá ficar-se nos 40% o que se aproxima bastante dos valores que se registam nas maiores e mais consolidadas democracias mundiais como o Reino Unido ou os Estados Unidos da América.
Há , no entanto, que considerar a enorme responsabilidade dos dois maiores partidos nessa percentagem de gente que não deseja expressar o seu voto, e essa responsabilidade fica clara quando analisamos os números e constatamos que, em relação ao ato eleitoral anterior,   o número de abstencionistas aumentou precisamente na mesma dimensão dos votos que os dois maiores partidos perderam. São os eleitores descontentes com as promessas por cumprir, com a indefinição ideológica dos dois maiores partidos e desencantados por entenderem e expressarem a ideia de que o seu voto em nada muda porque seja quem for que para lá vá fica tudo na mesma. Felizmente não é assim e já existiram provas de que assim não é.

Por outro lado, os partidos mais pequenos, têm sido os grandes responsáveis pelo envolvimento de pessoas novas e de novas ideias no sistema e isso reflete-se nas suas proporcionais subidas. Por último e ainda em relação à abstenção, muitas vezes apontada como o grande mal da democracia, convém sempre lembrar os mais desatentos que abster-se, em qualquer circunstância, tem que ser encarado como um direito e nunca como uma displicência, todos temos o direito de não nos revermos em qualquer projeto e de querermos assim expressar o nosso desencanto. No entanto, o exercício do voto secreto e universal é a única “arma secreta” que possuímos para nos defendermos dos supostos abusos de quem nos possa governar com recurso a esses mesmos abusos. Por isso, votar é um garante das nossas liberdades individuais, bem esse que apenas valorizamos quando o perdemos. A bem da democracia e do debate mais plural e construtivo é salutar que a abstenção baixe e que a representatividade aumente. Para isso todos temos que fazer um esforço em vez de apontarmos sempre o dedo aos partidos como os causadores de todos os males. Mudar depende de cada um de nós, mesmo dentro dos partidos, se nos abstivermos de lutar pelo que acreditamos resta-nos aceitar o que outros decidam por nós.

Publicado no Diário dos Açores de 2016.10.18

13 de outubro de 2016

Parabéns melhor de sempre...


Robert Allen Zimmerman ou melhor dizendo, Bob Dylan foi o vencedor  anunciado do Nobel da Literatura 2016. 
Era já tempo da academia Sueca reconhecer nos poetas cantores uma outra forma de literatura, ou como dizia António Manuel Ribeiro, vocalista dos UHF  nos  anos 80 do século XX, “os poetas do século XX não escrevem livros, armam-se em cantores e soltam gritos de rebelião”.

Certamente não foi pelo “pastelão”  de seu titulo Tarântula, trazido aos escaparates em 1971 mas escrito em 1966 (tem a minha idade) ou pela sua Autobiografia de 2005 que Dylan alcança o desiderato que hoje foi publico. Mas foi, com certeza, por obras como Slow Train Coming de 1979 ou Knocked Out Loaded de 1986 ou ainda por coisas mais recentes como  Together Through Life de 2009.

10 de outubro de 2016

Rufina, Dona Rufina de Melo Tavares

Rufina é uma bela e contagiante história de tantas e tantas mulheres destas ilhas repletas de partidas e regressos, muitíssimo bem contada e adjetivada pelo Miguel Soares de Albergaria. Como o próprio diz, entre a realidade e a ficção, Rufina, chegada à ilha aos 25 anos de idade vai contando a história e caracterizando a sociedade micaelense que encontrou num espaço temporal  de meio século na transição de XIX para XX. Francisco Luís Tavares, politico, advogado, Juiz, pensador é o personagem principal deste romance que começa com uma sua carta dirigida à mãe pedindo-lhe ajuizados conselhos na questão da greve académica de 1907 e termina com a avisada resposta dessa mulher “que soube construir uma vida como a sua”.
Rufina, Srª D. Rufina de Mel(l)o Tavares, sobrevivente de uma de tantas casas de desvalidos, uma dessas grandes “latrina onde a sociedade escondia as sobras” é um hino à perseverança, uma apologia do trabalho, uma ode à libertação da mulher não pelo reclamar constante de direitos mas pelo exercício efetivo da cidadania, um tratado da libertação e da conquista pela força da razão e  com a graça de Deus.
Tantas Rufinas há e quantas ainda estão para nascer mesmo neste século XXI da cibernética e do multiculturalismo?
O presépio da tias Jacinta e Abigail, ou melhor, a montagem deste e a discrição das suas figuras, mandadas fazer e pintar a preceito e a jeito, a disposição dessas mesmas figuras estrategicamente entre patamares devidamente separados e estratificados, constitui um retrato, uma crónica costumeira de Ponta Delgada e São Miguel no final do século da laranja e transporta o leitor para a época deixando-nos embrenhar no cheiro dos laranjais, no bafo húmido e asfixiante de uma estufa de ananases acabada de receber fumo. Um livro, tem que ter esta capacidade de nos transportar, de nos fazer revisitar, este atributo único de ser uma espécie de máquina do tempo em regressos ao passado e ao futuro.
Sem recurso ao grotesco ou à violência ou sequer ao sexo gratuito, coisa que até poderia ter acontecido se atentarmos à realidade desse tempo em Terras e Vera Cruz , o Miguel Albergaria cativa-nos enquanto leitores transportando-os para a época contando-nos, “romanceadamente” e de um ponto de vista sociológico, um pouco, bastante, da história das estórias que ouvimos contadas dos nossos avós nesta cidade de Ponta Delgada e da sociedade micaelense de então. Longe de ser um grande romance histórico é um bom romance com histórias das nossas estórias. O “dinheiro velho” em contraponto ao “dinheiro novo” da Laranja e de como uma certa burguesia se aristocratizou. A forma rude e severa como a sociedade, infelizmente ainda hoje, idolatra ou despreza um ser humano pelo volume da sua carteira ou pelo cargo que ocupa num serviço publico. O nascimento e a ascensão do Doutor Francisco Luís Tavares (bisavô do autor), figura incontornável da primeira metade do século XX micaelense quer na consolidação da República da qual foi Deputado Constituinte quer na oposição ao regime musculado do Doutor Oliveira Salazar.
Há, por fim, ao longo de todo o romance uma presença permanente da família como núcleo centrifugo e uma apologia da mesma como garante não só da estabilidade emocional dos que dela necessitam como também da força e do apoio que o ser humano requer para vencer as desventuras e as adversidades da vida terrena. Deus e a Família foram o suporte desta Rufina que o Miguel Albergaria, a bom tempo, resolveu trazer aos escaparates pela mão da Companhia das Ilhas. Anthero, o Santo Anthero, revolucionário e racionalista também lá está.

Bem hajas meu amigo.

8 de outubro de 2016

Quem muito se abaixa o...

Quem muito se abaixa o …

Chegou num Avião de fabrico estadunidense (eles não confiam na sua própria tecnologia), chama-se Li Keqiang, é o primeiro-ministro da República Popular da China e esteve segunda  e terça-feiras  passadas, 26 e 27 de Setembro,  nos Açores, mais propriamente na Ilha Terceira (onde havia de ser?), depois de ter realizado um conjunto de viagens que incluíram a “amiga” Cuba, a sede da ONU na “Big Apple” e o Canadá. 
De acordo com a informação oficial saída de Pequim pela Boca do seu mais alto representante para os negócios estrangeiros, tratou-se de uma escala técnica. No entanto, como há oportunidades que não se podem perder, O Ministro da propaganda do PS disfarçado de Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal  acompanhado do Candidato do PS a deputado pelo maior circulo dos Açores disfarçado de Presidente do Governo dos Açores, lá foram, a correr, investidos de profícuos dotes de  vendedores de “bacalhau-a-pataco” rapidamente e em força para a Praça Velha (para o que havia de estar reservado tão nobre lugar) no encalce de que essa visita pudesse dar à pré campanha do PS na Ilha Terceira qualquer coisa que não seja mais uma mão cheia de coisa nenhuma.
Até aqui tudo bem, “com papas e bolos se enganam os tolos” e quem se deixa enganar por um prato de chinesices não tem senão aquilo que merece.
Essa campanha começou há muito, esta visita só veio demonstrar, para os mais atentos à geopolítica, que tudo o que tem sido feito e dito sobre as lajes não passa, de facto, de  “papas para tolos” travestidas de PREIT.
Em Abril passado, outro propagandista da república (hoje em dia os ministros falam pela voz dos assessores de imprensa), veio em jeito de dar o jeito à propaganda de cá, dizer que “o Governo Português pondera dar uso civil mais consistente à Base das Lajes”. Ora agora ficou bem provado que quem manda na Base aérea nº 4 é o Pentágono e mais nada nem ninguém. O episódio que marcou o retardamento da partida do Boing 747 chinês para aterragem de seis aviões de ataque americanos é bem revelador do que pode e vai sempre acontecer nas Lajes enquanto os americanos quiserem. Pode ser o primeiro-ministro da china como pode ser o voo X da companhia de baixo custo Y.
Fizeram bem, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa em não virem aos Açores participar do “festim no pagode”, esta não foi e nem podia ser uma visita de estado e há que manter a dignidade dos cargos sob pena de, pela banalização, se perder a dignidade das instituições. As relações internacionais são um campo fértil, por ignorância nuns casos, por má-fé noutros, para abusos de interpretação e transposição para a ordem politica interna de assuntos que são da ordem da política externa. Esta não foi uma visita de estado, foi uma escala técnica.
Esse episódio traz-nos (aos mais desatentos, para mim não é novidade), no entanto, muito boas notícias, os Açores continuam (como eu sempre disse) em termos de geopolítica e geoestratégia, no centro do “realismo intrínseco” do Pentágono, caso contrário os Americanos já tinham feito do chamado acordo bilateral um monte de papel rasgado. Sai é muito mais barato e tem mais efeito dissuasor uma operação do tipo da que aconteceu terça-feira passada do que manter um efetivo permanente na Ilha Terceira. Cabe a Portugal fazer pressão, ameaçar mesmo rasgar o tal acordo se necessário, para garantir mais efetivos e mais investimento americano na Base Aérea nº 4. Cabe a Portugal zelar pelos seus interesses e não ceder aos interesses externos com anuência subserviente.
Nem tudo são más notícias portanto.

Ponta Delgada 1 de Outubro de 2016


Nuno Barata
in Diário dos Açores edição de 08 de Outubro de 2016

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