30 de julho de 2004

Estádio Novo

Há umas horas, na apresentação do nº 14 da :ILHAS, vimos um documentário sobre o qual ainda vou escrever algo mais substancial do que isso. Estádio Novo, é um interessante documentário Inglês que trata o tema da promiscuidade entre a política e o futebol, desde o Estado Novo até aos dias de hoje. A certa altura, num tratamento brilhante dos pequenos clubes da 1ª liga, fala dos Açores e do Santa Clara, mais propriamente da Santa Canalha. Nome de claque assaz bem escolhido tratando-se de quem se trata.
Achei muito interessante o facto de, ao referi-se aos Açores, o autor dizer: "os Açores são uma colónia de Portugal". Essa é a visão dos que observam de fora a forma como nos relacionamos com Portugal.
Também é assim que Portugal olha para nós. Porque razão não reagimos a este estatuto? Gostamos? Não nos sentimos colónia? Ou adoramos Portugal? Ou adoramos as transferências do orçamento de estado?
Este é um tema para reflexão séria que se espera seja mais bem tratado lá para depois das férias.

29 de julho de 2004

28 de julho de 2004

Once more in África


O Governo do Sudão recusa a intervenção da ONU. Enquanto isso, milhares de refugiados, deslocados, em fuga por causa das perseguições das milícias selvagens, vão se aglomerando em enormes campos de refugiados, no norte do país, onde a fome e a doença começam a produzir catastróficos efeitos.
O Governo do Sudão recusa a palavra Genocídio.

Nunca fiz nem volto a fazer

Sai da cama ainda o sol iluminava o hemisfério Sul. Era crepúsculo na Austrália. A madrugada rompia quando sai de casa e ele ali estava, subindo vagarosamente do mar em direcção ao Céu. Ali mesmo à minha frente a Baia de São Lourenço estava linda, estanhada como a lagoa das Furnas num final de tarde de Agosto. Nesses dias, não apetece sair dali. Muito menos se for para apanhar um avião e dar uma fugida a São Miguel (Japão) para uma reunião de manhã num Banco, outra à tarde no Notário uma baguete de atum comida à pressa e empurrada goela abaixo por um sumo de laranja quase morno. Entre a volúpia da vida de um empresário neo-liberal e que leva a vida a correr, dois encontros para troca de conversa. Encontrei o ToZé no canto dos Burros. Ficou a nossa indignação pelo aparecimento de um Blog anónimo para discutir a Independentismo/Nacionalismo Açorianos.
Mais à frente, uma distinta Professora da nossa Universidade conversava numa mesa de esplanada com um não menos distinto advogado da nossa praça. Entre ter-me feito convidado para sentar e já estar a debulhar alarvidades, foi um ápice.
Estivemos para ali uns bons 15 minutos a dizer coisas sem nexo e que no fim tinham todo o sentido do Mundo. Que se lixe o Gerente do Banco que está à minha espera mais à frente. Afinal eu até lhe pago boa parte do ordenado.
Não sei como, falamos de muitas coisas e acabamos falando de ?charros?. Ele nunca fumou, Ela também não. Eu nunca fumei nem volto a fumar. E ela, simples, serena, pálida diz sem malícia, sem qualquer pejo. "Eu sempre gostei muito de tomar uns copos que nunca precisei de fumar charros". Eu não bebo, sou abstémio, cada vez mais militante, mas também não preciso de fumar charros.

Passa Cão

Monsenhor Agostinho Tavares não quer mendigos e Bêbedos à porta da Igreja do Senhor Santo Cristo. Tem bom remédio. Leve-os para casa. Fica mesmo em frente.
Não basta apelar e pregoar à caridade cristã. É urgente pratica-la. Infelizmente é da instituição Igreja que vêem os piores exemplos. Passa Cão.

27 de julho de 2004

O País a arder

Se o País não estivesse em chamas, o que estariam os jornalistas a fazer?

24 de julho de 2004

Lugares-Ghana

Há lugares neste imenso planeta que quanto mais visito mais me apetece voltar. Há lugares nestas nossas Ilhas que quanto mais visito mais me apetecem esquecer e há lugares nestas Ilhas que nunca esquecerei mesmo que nunca mais lá volte. Pela positiva e pela negativa há lugares inesquecíveis.
A vida é como um livro se não viajarmos não passamos da primeira página. Estas palavras que, cito de memória e por isso podem não ter sido escritas bem assim, foram-no por São Tomáz D'Aquino. Lidas nos já longínquos anos da minha adolescência marcaram a minha vida desde então. Na verdade, foram estas palavras que despertaram em mim o gosto pelas viagens, pela aventura de conhecer novos lugares e outras gentes, outras culturas e outras vivências. Hoje relendo um texto que escrevi a bordo do voo 325 da KLM entre Amesterdão e Accra capital do Ghana, avivaram-me a memória e trouxeram-me recordações de África muito interessantes.
África vive hoje momentos dramáticos marcados pela fome, pela guerra e pelo mais moderno dos flagelos, a SIDA.
O Ghana que é uma das economias mais fluorescentes do Continente Africano tem níveis de contaminação pelo HIV assustadores. A título de exemplo, a Dunlop, fabricante e distribuidor de pneumáticos, tinha no Ghana a sua maior fábrica fora dos Estados Unidos da América, destinada a produzir pneus para serem distribuídos em toda a África e Europa. Há dois anos, o Gigante norte-americano encerou aquela fábrica por não conseguir formar novos operários ao mesmo ritmo que outros morriam de sida. Simplesmente assustador. Mais ainda se pensarmos que o Ghana, ao contrário da maioria dos países africanos, tem uma democracia instalada há mais de 30 anos, com alternância de poder entre dois partidos, com uma economia relativamente estável, com enormes recursos naturais e com uma coabitação entre populações de várias religiões de fazer inveja a muitos países desenvolvidos.
A poligamia associada a uma excessiva religiosidade pode estar na base do flagelo. Contudo, haverá certamente culpas nas organizações locais e internacionais de luta contra a SIDA e de pouco ou nada tem servido o facto do Secretário-geral da ONU, Sr. Kofi Annan ser um Ganês.

22 de julho de 2004

Insularidade

O Inverno resolveu vir passar mais uns dias de verão aos Açores e os aviões estão todos atrasados. Isto é a verdadeira insularidade, não tem nada a ver com os preços das coisas nos supermercados, com o cabaz de compras, com a produtividade, com o PIB ou com o preço do petróleo. A Insularidade não se vence, ameniza-se.

21 de julho de 2004

Ao ritmo das férias

Nos últimos dias o Foguetabraze tem sido feito a partir daqui.

Embora não totalmente em férias já que, para um "workaoolic", isso é coisa que não existe, o ritmo é bem mais moderado. Desde logo, o trabalho aqui é menos no escritório e mais no estaleiro, não convém usar o computador portátil muito próximo de areia, das britas e do pó-de-pedra. Por isso, o Foguetabraze segue o ritmo da restante blogosfera e do País. O ritmo das férias.

17 de julho de 2004

Dos Açores e pelos Açores

Carlos Costa Neves é um político com (P) grande. Profissional, dedicado, conhecedor de inúmeros dossiers é, sem sombra de dúvida, o politico açoriano mais completo do momento. Muitas vezes demasiado palavroso, associa a qualidade de grande  orador aos conhecimentos técnicos.
Teria sido um óptimo Presidente do Governo Regional dos Açores, se não tivesse sido traído pelo seu próprio partido e pelo CDS/PP onde eu próprio, não nego, tive enormes responsabilidades, com um episódio parlamentar que deitou definitivamente por terra as aspirações da direita Açoriana de perpetrar um golpe palaciano que, ou se fazia sem anunciar, ou depois de anunciar o melhor era não fazer.
Tenho com Costa Neves um episódio engraçado. Tínhamos um convite para almoçar com o Senhor Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, no Palácio de Santana, na "rocoquérima" sala de jantar do Marquês de Jácome Correia. Costa Neves na qualidade de Presidente do PSD e eu na qualidade de vice-presidente do CDS/PP.
Na noite anterior encontramo-nos, por acaso, na estalagem de Santa Cruz na Horta. E perguntei-lhe:
-Queres boleia para Santana?
Riu-se, olhou em redor e disse:
-Bem depende da Boleia, amanhã para o almoço não preciso, depois é uma questão de conversarmos.
Rimo-nos bastante. Contudo, ambos sabíamos que nem eu nem grande parte do partido dele achávamos qualquer oportunidade em apresentar uma moção de censura ao Governo de César depois da tinta que já havia corrido sobre o assunto, a começar pelo episódio da substituição do Presidente da ALRA que caíra muito mal junto da opinião pública. Ambos sabíamos que o caso estava arrumado.
 
Tendo em conta a sensibilidade que o novo Ministro tem no concernente às questões da quota leiteira e da abertura das águas da ZEE açores à frota comunitária, estas duas questões de crucial importância apara a economia dos Açores poderão ver assim, melhores dias do que já viram. Por outro lado, junto das corporações do sector agrícola, Costa Neves poderá encontrar algumas barreiras uma vez que o seu antecessor, Sevinate Pinto, estava altamente cotado e era visto como um dos melhores ministros da agricultura dos últimos tempos.


16 de julho de 2004

Uma "boleia" à portuguesa

O João Nuno deixou-nos hoje no : ILHAS este belíssimo texto que merece da minha parte uma reflexão que não cabia num mero comentário a deixar no Blogue deles. Em primeiro lugar devo dizer que estou muito satisfeito por ter atribuído ao articulista (meu primo) o prémio de melhor escritor da Blogosféra Açoriana e ao : ilhas o de mais eclético e melhor Blogue colectivo dos Açores. Se alguma coisa estava por provar, os rapazes fizeram o favor de o confirmar.
Estou capaz de concordar com o comentário do  André no que concerne a essa obsessão do PSD no que diz respeito às relações entre o PS e o BE.  Devo dizer que ela não me choca nada, chocar-me ia muito mais se o PS andasse atrelado ao PCP, esta esquerda ultrapassada e radical que ainda usa na sua bandeira os símbolos do terror Estalinistas da foice, martelo e estrela e em cujas estruturas existe bastante de tudo e muito pouco de democracia.
Também eu, fico com a sensação que, essa obsessão do PSD e de muitos dos seus militantes e dirigentes, constitui uma espécie de desculpa por andarem a reboque ou à trela do CDS/PP, consoante se queira considerar o PSD um enorme atrelado onde cabe toda a espécie de gente, desde a esquerda mais radical até à direita ultra nacionalista ou um Cão onde todas as pulgas têm lugar independentemente da sua cor raça ou credo.
Tal como, aqui e em outras sedes disse e repito, não morro de amores por essa coligação, não sou por natureza um situacionista, sou mais do contra-poder, das grandes questões e das pequenas bandeiras. É mais fácil para um permanente interventor e repentista ser da oposição do que pertencer a um partido do arco do poder, ter que engolir sapos quase todos os dias e sofrer as enormes dores que um tiro nos pés provoca.
Bem sei que a minha opinião pouco importa, mas não contem com o CDS/PP para rebocar ou acartar no pêlo, seja quem for que, depois venha desdenhar da boleia. No CDS/PP há muito boa gente que estará disposta a soltar o atrelado ou sacudir as pulgas.
Não se esqueçam, Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube.


Abruptamente coerente

Pacheco Pereira demitiu-se do cargo para o qual havia sido recentemente  nomeado. As suas divergências com Pedro Santana Lopes, não permitiam manter-se num cargo de nomeação governamental, muito embora se tratasse de um cargo que não cai com o Governo.
A coerência acima de tudo.
 

15 de julho de 2004

"Monstro das bolachas" no Jaquinzinhos

Isto é o que eu chamo um bom trabalho jornalístico.

Segundas escolhas

Com o recuo de António Vitorino, José Sócrates e José Lamego, revêem as respectivas estratégias e entendem relançar as suas candidaturas à liderança do maior Partido da oposição.
O PS irá, assim, eleger um dos candidatos que se auto-classificaram como segundas escolhas.
Podemos assim prever, longos e animados duelos entre Santana Lopes O populista primeiro-ministro de Portugal e o não menos populista líder do maior partido da oposição, José Sócrates.
O verão promete ser animado no País político. Enquanto isso, o outro País, o real, segue o ritmo das férias, ressaca do Euro 2004, e perde-se alienadamente, num terramoto de festivais musicais e festas do "JET 7", com o Algarve como epicentro.

14 de julho de 2004

14 Juillet

Aujourd'hui est 14 Juillet. Personne à "poster" sur ce là. Pourquoi ? Ce n'est pas important?

13 de julho de 2004

"esperar por D.Sebastião quer venha ou não"

As manchetes do Público, ultimamente não acertam uma. Há dias era dada como certa a dissolução da Assembleia da República, menos de 24 horas depois o Senhor Presidente da República anunciava precisamente o inverso.
Hoje, enquanto regressava a casa sentado num dos muitos lugares vazios de um Airbus 310-300 da Sata-Internacional, li o seguinte título em destaque, "António Vitorino prestes a avançar para a liderança do PS". Pouco depois chego a Ponta Delgada e o meu Amigo Abel Carreiro já havia deixado um comment no meu último post a criticar eu ainda não ter dito nada sobre a fuga do "D. Sebastião" que os socialistas esperavam regressar de Bruxelas com os nevoeiros de Outubro .
Confesso que estava à espera que Vitorino avançasse, mas afinal o Homem nem é grande nem é grande coisa. Começa a haver algum nervosismo no Partido Socialista. Algumas figuras tidas como boas para liderar o Partido temem a luta eleitoral com a dupla PSL&PP (não se importam com as siglas pois não?). O primeiro já fugiu foi Ferro Rodrigues, segundo Sarsfield Cabral, no Diário de Noticias de ontem, "um líder fraco", não vejo como é que um Homem que dá ao seu Partido o melhor resultado de sempre pode ser classificado como "um líder fraco".
Depois foram as fugas de Coelho, Lamego e Sócrates que, ao empurrarem descaradamente Vitorino para a cabeça do Toiro se demarcaram da corrida e tentaram garantir um lugarzinho na contra ajuda ou quem sabe como rabejadores.
Agora a fuga do D. Sebastião, que não havia ido a cavalo para Alcácer Quibir mas sim montado num enredo fiscal para Bruxelas, se bem me lembro por causa de uma SISA ou algo parecido, nada comparável a uma manta da TAP tantas vezes usada como bandeira, ainda recentemente, por alguma esquerda menos séria.
Ficamos à espera dos candidatos.
João Soares já se assumiu, declarando a sua intenção de candidatura e de "acabar com a lógica dos unanimismos em que as coisas se decidem à mesa dos cafés nas costas de toda a gente". Será que Lamego, Coelho e Sócrates vão rever as suas estratégias ou João Soares será ele próprio uma vitima dos tais unanimismos que tanto condena?

Pausa para o almoço

Enquanto o diligente empregado vem e não vem, portátil para cima da mesa, ligação GPRS e já está, actualizam-se os comentários e pode-se até postar. Mesmo que não seja mais do que isto, uma entrada de circunstância para dizer que estamos vivos.
Hoje tentei ajudar uma idosa, simpática, de cabelo pintado de azul, como a minha avó, que se abeirou de mim e me pediu ajuda. Fui gentil como qualquer provinciano o é na grande Lisboa onde nos atropelamos anonimamente. No final, não era nenhuma idosa simpática, era só o raio de uma velha metediça a querer vender-me a sua religião. Passa fora.

Arquivo do blogue