Diz-se,
muitas vezes, que no passado havia mais futuro. Recuso essa inevitabilidade,
acredito na inesgotabilidade do que há de vir...25 de maio de 2022
Inesgotabilidade
Diz-se,
muitas vezes, que no passado havia mais futuro. Recuso essa inevitabilidade,
acredito na inesgotabilidade do que há de vir...24 de maio de 2022
Em busca da quimera perdida
No
princípio dizia-se que os Açores eram uma terra rica e de grande prosperidade.
Do mar, da pesca e da Base das Lajes viria toda a nossa fortuna. Seríamos, num
ápice, todos ricos sem necessidade de trabalharmos. Assim nos venderam a ideia
de Autonomia político-administrativa. Seríamos ricos e governaríamos as nossas
ilhas ditando o nosso destino.
Alguns,
os mais céticos, mais racionais e pragmáticos, logo desconfiaram que coisa tão
boa não seria de acontecer nestas ilhas, de onde já haviam visto partirem os
seus mais próximos, pais, avós, tios, irmãos e primos, rumo à outra margem do
Atlântico.
Hoje,
alguns, líricos, românticos, deslumbrados com o poder, embora sem sequer o vislumbrarem,
continuam alimentando na busca de quimeras vãs as soluções para o dia de
amanhã. Da pesca, da vaca e do leite, do mar profundo e do espaço, como uma
família endividada que se perde em jogos de fortuna e azar à espera de um
milagre.
Entretanto,
a Região segue endividada, cada vez mais endividada… vai perdendo os seus principais
ativos e os seus principais centros de decisão. Enredeados por um regime que se
revela incapaz de se reformar e por um poder que anuncia ser aquilo que não é!
O regime se não se
reforma, se não se adapta ao tempo, num processo rápido e eficaz, acabará pondo
em causa a sua própria sobrevivência, pela emergência de populismos serôdios e
totalitarismos indesejáveis.
Num regime democrático
e liberal, parlamentar por essência, como é o nosso, o poder legislativo tem sempre
um papel preponderante na fiscalização da observância das elementares regras
democráticas, por forma a garantir que o poder executivo não perpetra
sobre os cidadãos pressões e formas totalitárias e autoritárias de poder.
Quando nós, cidadãos, nos demitimos de escolher os melhores entre os nossos
pares, deixamos essa decisão nas mãos de outros. Quando nós, cidadãos,
desacreditamos os diretamente eleitos damos força aos que, não tendo a mesma
legitimidade democrática, têm mais poder de mudar as nossas vidas.
Para uma reforma, que
se entende necessária da Autonomia, concorrem além das nossas vontades e apetites,
as instituições nacionais e da União Europeia. Na verdade, as questões
relativas à nossa Autonomia decidem-se, cada vez mais, em Lisboa ou em Bruxelas
e, cada vez menos, nos Açores. Na realidade, o financiamento fundamental ao
funcionamento das nossas instituições, decide-se mais no eixo entre o
Terreiro do Paço e a Rue de la Loi, do
que no eixo longitudinal Horta-Angra do Heroísmo-Ponta Delgada.
Carece, assim, a
nossa Autonomia, de uma reforma ampla, que permita aproximar os eleitores dos
eleitos para que os primeiros se sintam de veras representados pelos segundos.
Caso contrário, o presente quadro parlamentar não está a prestar um bom serviço
ao regime, bem ao invés contribui para a sua degradação. E não vale a pena
continuarmos em busca de quimeras perdidas!
In jornal Diário Insular, edição de 24 de maio de 2022
22 de maio de 2022
Poeta em Angra
Comerciei fazendas na Rua de São João,
Fui saltimbanco no adro da Sé,
Em São Pedro fui sapateiro
Fui Donatário, Capitão-general,
Fui poeta na memória.
Amei uma prostituta no Pátio da Alfândega
Embarquei numa caravela do Gama
Rumo às Índias Orientais
Cheio de esperanças e quimeras
Tive escorbuto sede e fome
Dias dificeis carecem de estadistas não de populistas
Ao ler a edição do passado sábado do Jornal que a partir de hoje me acolha às terças-feiras nas suas páginas, deparei-me com duas tomadas de posição dos Senhores Deputados da República sobre os Açores e ambas dedicadas à Ilha Terceira em particular. Desde que o Dr. José Lourenço me convidou a colaborar com o Diário Insular tenho adiado esta participação, mas eis que hoje, os Senhores Deputados que nos representam em Portugal ajudaram nesse difícil pontapé de saída. As posições dessas figuras também podiam ter servido de inspiração a um qualquer humorista ou cartoonista.
Fiquei para aqui perdido em cogitações sobre esses dois grandes
partidos que nos têm governado cá e lá e que nos têm representado lá, em Portugal,
alternando poderes entre uns e outros, entre o socialismo puro e duro do PS e o
socialismo requentado de um PSD que não se consegue assumir liberal e assim se libertar
do pensamento estatista que os seus fundadores nos Açores lhe conferiram por necessidade
estrutural.
Paulo Moniz desenterra o assunto do GNL, Vânia Ferreira - atual
Presidente de Câmara da Cidade da Praia da Vitória – havia desenterrado a
questão do HUB Logístico Internacional no lançamento da sua campanha autárquica.
Já Sérgio Ávila, nem especifica, pergunta ao atual Ministro Costa e Silva o que
devemos fazer e o que reserva Portugal para os Açores. Pois é levar isso tudo
com muita paciência que essa gente nem sabe do que fala e muito menos sabe o
que quer para esta terra quase à beira de se tornar ingovernável pelo sucessivo
adiamento de políticas estratégicas, de veras, estruturantes e capazes de fazer
crescer e consolidar o tecido económico e empresarial.
Na verdade, esses
Partidos centralistas continuam a dizer inverdades aos açorianos e em especial
aos Terceirenses para nos embalar a todos numa teia de enredos que vai levando
a Terceira ao definhamento e à perda de importância quer em termos internos
quer em termos internacionais. Continuar a alimentar a questão do GNL (Gás
Natural Liquefeito) e do HUB Internacional é adiar soluções, adiar importância
e fingir que estão com a Terceira e os Terceirenses. Meus Caros conterrâneos da
Ilha de Jesus Cristo, acreditai que quem vos diz a verdade não é bairrista nem
tem absolutamente nada contra o desenvolvimento da Ilha, bem pelo contrário, o
que defendo é um crescimento económico de todos para, dessa forma, todos sermos
mercado uns dos outros e todos termos dias melhores num futuro próximo. O que
defendem os outros que se dizem amigos e preocupados, são soluções desenquadradas,
quimeras vãs e mitos urbanos sobre a importância geoestratégica dos Açores e o
nosso desenvolvimento assente nessa mera geografia.
Os dias que se seguem não se coadunam com romantismos bacocos
ou lirismos, os dias que se seguem carecem de gente capaz de decidir de forma
pragmática e realista, os dias difíceis carecem de homens de Estado, não de
populistas sejam eles dos partidos ou
das outras corporações costumeiras, sejam eles da esquerda , da direita ou do
centro, sejam eles do Estado, da Região, das autarquias ou sejam eles até das associações empresariais ou das
empresas, dos sindicatos ou dos trabalhadores.
In Jornal DIário Insular, edição de terça-feira 17 de maio de 2022
25 de março de 2022
Sobre a estratégia para o Espaço
O Deputado da Iniciativa Liberal na Assembleia Legislativa dos Açores, Nuno Barata, sublinha as contradições em torno da Estrutura de Missão para o Espaço e explica por que precisamos de terceiros.
Diário Insular - Já questionou os custos da estrutura de missão para o espaço (açoriana) que vinha do governo anterior e mantém-se. Há algo especial que desperte a sua atenção?
Nuno Barata - Claro que há! Uma questão que, logo à partida, desperta a atenção de qualquer cidadão atento é o facto de o Sr. Ministro Manuel Heitor ter vindo à Região dizer que os Governos Regionais, o anterior e o atual, foram incompetentes no que à estratégia dos Açores para o espaço concerne. Depois, a Sr.ª Secretária Regional da tutela que veio dizer que todo o processo está atrasado por culpa do Governo anterior. No entanto, a cereja no topo do bolo é a renomeação e recondução da mesma Estrutura de Missão para o Espaço que vinha do Governo Regional anterior. É, no mínimo, inusitado e obviamente isso desperta, faz soar alarmes, em qualquer mente inquieta.
Diário Insular - Há estruturas em Santa Maria relacionadas com o espaço e os marienses tardam em ver resultados palpáveis no seu modo de vida. Depois há (haverá...) o porto espacial.... Correremos o risco de darmos o espaço (físico) essencial e entregarmos o ouro a alguém?
Nuno Barata - Em qualquer tipo de investimento externo corremos esse risco, isso parece-me óbvio, mas se caminharmos permanentemente alimentando esses medos e essas inquietudes, certamente não vamos avançar e jamais saberemos se demos o passo certo ou errado. É só nesse sentido que questiono os custos da Estrutura de Missão, para tentar avaliar se são gastos ou se, ao invés, são ganhos. Há coisas que custam muito dinheiro e que não são caras, assim como há coisas onde são gastas quantias pequenas que constituem gastos enormes. Tudo depende da sua eficiência, ou seja, da sua relação com a eficácia. Por exemplo, o avião Concorde era extremamente eficaz, transportava pessoas muito rapidamente entre dois pontos do globo. No entanto, a sua operação era de tal forma onerosa que o tornou ineficiente. Esse é um excelente exemplo: um avião do outro mundo, mas isso tinha um custo incomportável. E há por aí tantas coisas do "outro mundo"...
Diário Insular - Teremos capacidade nos Açores para refletir sobre o uso do nosso espaço geoestratégico (para fins civis e militares) ou será que, pelo menos nisto, fazemos aquela figura do burro a olhar para um palácio?
Nuno Barata - Há que diferenciar a nossa posição geográfica daquilo que é a nossa posição geoestratégica e ainda a nossa importância geoestratégica e geopolítica. A nossa posição geográfica decorre das convenções internacionais que definem a nossa latitude e a nossa longitude e isso não mudará, a não ser que aconteça um cataclismo que nos faça desaparecer do mapa mundi. A nossa posição geoestratégica decorre da nossa posição geográfica conjugada com as geografias mais próximas, Estados Unidos da América a ocidente e Europa a oriente, no meio destes dois centros económicos e militares de preponderante importância para o equilíbrio das forças mundiais. E os Açores têm um pedaço da América e são espaço da Europa! A nossa importância geoestratégica e geopolítica depende da necessidade que um desses polos ou um terceiro polo venham a ter, quer do ponto de vista económico, quer do ponto de vista militar. A importância não é aquela que nós atribuímos, mas sim aquela que terceiros nos atribuem.
Diário Insular - Fará alguém alguma ideia, mesmo com algum tempo para consultas, de quantas estruturas aproveitam o nosso espaço geoestratégico? Quem e quanto ganham com isso? E quanto (ou como) ganhamos nós?
Nuno Barata - Não! Ninguém sabe e ninguém consegue avaliar. Mas isso não é obrigatoriamente mau, bem pelo contrário. Mau mesmo é nós continuarmos a desvalorizar todas as questões de geografia e geopolíticas e não sermos competentes para desenvolvermos atividades capazes de valorizarem a nossa geografia, tendo em conta as geografias que nos são mais próximas.
Agricultura Familiar "Eat local first".
Sustentabilidade, nos Açores é eufemismo.
12 de março de 2022
Lugar ao sol era só para alguns.
27 de dezembro de 2021
Mini Entrevista Diário Insular
Diário Insular - No espectro político açoriano, a que
deveremos estar muito atentos no ano de 2022?
Nuno Barata - Desde logo à concretização (ou não) do discurso do Governo Regional de coligação. Está mais do que na hora de se evoluir do discurso da mudança de paradigma, para a efetiva mudança de paradigma. Importa maior arrojo na privatização de serviços e na libertação dos Açorianos do peso das empresas públicas perdulárias e da máquina administrativa burocrática; sermos mais exigentes na forma como os apoios sociais são concedidos e utilizados; sermos mais eficientes e eficazes nas políticas económicas, quer no apoio à recuperação da pandemia, quer na gestão dos recursos da saúde e da educação. Há longos caminhos a percorrer, mas sem anúncios de vãs paixões, porque dessas estamos cansados. A última “paixão pela educação” conhecida redundou na taxa mais alta de abandono escolar precoce e o desígnio regional “da saúde para todos” culminou nas mais longas listas de espera de sempre (para consultas e cirurgias). Em síntese, importa estarmos atentos ao efetivo fim das políticas socialistas que durante 24 anos conduziram a Região aos piores patamares sociais e económicos do País.
.
Diário Insular - Os sinais já dados pela coligação a 3 e
com outros 3 apoios parlamentares, podem sossegar alguém ou, pelo contrário,
serão indiciadores de problemas a caminho?
Nuno Barata - A Iniciativa Liberal (IL) conhece o seu lugar no espetro político regional. É na oposição, construtiva, dialogante e que sabe (hoje e no futuro) aproveitar a abertura do Governo para debater e implementar políticas liberais que conduzam a Região para um novo patamar de desburocratização, descomplicação, despartidarização e de sustentabilidade social, económica e ambiental. Tudo o que aliviar o cidadão do peso do Estado/Região e lhe devolva a Liberdade de escolha e de ação são sinais de tranquilidade; tudo que o que sejam políticas socialistas a prosseguir serão sinais de “problemas a caminho”.
Diário Insular - A Europa terá de dizer alguma coisa
sobre a SATA... Dada a dimensão do problema, poderemos estar perante a gota de
água que faz transbordar o copo (com um orçamento retificativo, por
exemplo...)?
Nuno Barata - Se esperam continuar a meter milhões de euros dos nossos impostos numa empresa em insolvência técnica, terão de procurar outro parceiro. Contra o esbanjamento de recursos que fazem muito mais falta em setores como a saúde, a educação e a qualificação profissional. O que é fundamental preservar é a SATA Air Açores. Ao contrário de alguns que só se preocupam com “umbiguismos” sectários e assomos de bairrismo serôdio, materializados em obrazinhas de paróquia, nós estamos atentos à sustentabilidade deste Povo e desta Região.
Diário Insular - Lisboa é historicamente centralista e,
de quando em vez, foge-lhe a boca para a verdade, como acaba de acontecer com o
ministro Manuel Heitor.,. O que poderemos fazer a partir dos Açores para ao
menos amainar os ventos centralistas?
Nuno Barata - O Estado Português não cumpre com os
cidadãos da Região e PS e PSD têm cedido em todas as matérias em que a
República passou por cima dos interesses da Região. A 30 de janeiro, os
Açorianos vão a votos pela 17.ª vez, para eleger 5 Deputados à Assembleia da
República. Arrisco a dizer que vamos voltar a ouvir os mesmos discursos e reivindicações
de sempre. PS e PSD já não têm cara de exigir à República absolutamente nada. Partilham
o poder desde 1975 e foram sempre cúmplices. É preciso mais Liberdade e menos amarras
político-partidárias. Esta liberdade só se encontra na IL. A Autonomia falhou, não
por falta de poderes, nem de recursos; falhou porque exerceu esses poderes e
consumiu esses recursos de forma errada, despesista e incapaz de gerar a riqueza
que nos tirasse do fosso da pobreza resiliente, que nos transformou num bando
de remediados. Custe a quem custar, os Açores são uma manta de retalhos
geográfica, presos por pinças de euros e engalfinhados em bairrismos bacocos. Urdiu-se
a Autonomia nos gabinetes, em vez de a discutir nos cafés, nos adros das
igrejas ou nos arraiais festivos. Ora, se falhámos internamente, jamais soubemos
ser suficientemente convincentes na defesa do nosso sistema, deixando o caminho
livre para que o espírito centralista pulule no espetro partidário luso. Em 45
anos de Autonomia, PS e PSD nunca foram capazes de inverter esta teoria em
Lisboa, pelo que só uma efetiva mudança de protagonistas e de forças políticas
será capaz de iniciar o processo de sensibilização dos centralistas. Deixar de
pedinchar a Lisboa e passar a exigir de Lisboa, fazendo ver a todos os partidos
que damos ao País mais do que qualquer financiamento que o País nos possa
conceder. Só gente livre dos aparelhismos e das visões carreiristas que os
mesmos de sempre têm da política pode alterar o status quo. Está nas mãos do
Povo Açoriano a 30 de janeiro!
Mini Entrevista Diário dos Açores
24 de dezembro de 2021
PS e PSD não fazem diferença na Assembleia da República
15 de dezembro de 2021
PS e PSD não são o voto últil para a Autonomia.
🔴 🔵 PS e PSD não são um voto útil para a Autonomia
14 de dezembro de 2021
Iniciativa Liberal quer reformas de facto.
7 de dezembro de 2021
O VOTO DA MUDANÇA É NA INICIATIVA LIBERAL
24 de novembro de 2021
Discurso final_Plano e Orçamento RAA 2022

A alteração do paradigma não pode ser apenas uma parangona,
um discurso, uma narrativa, tem que ser uma realidade concretizada.
Comecemos, então, pela análise do presente plano.
O documento que nos foi presente não assenta nessa alteração
de paradigma, bem pelo contrário, alem da rigidez de regulamentação que
obviamente também carece de ser alterada, é ponderoso mudar a forma de planear
o investimento da Região Autónoma dos Açores deixando no plano aquilo que, de facto
é investimento, e retirando dele aquilo que é despesa corrente.
O plano aqui apresentado, à semelhança dos planos dos
governos anteriores encerra uma panóplia de medidas que não podem nem devem ser
consideradas despesa de investimento, mas sim despesa corrente.
Essa realidade factual decorre da transferência para
entidades externas da prestação de serviços e fornecimento de bens que são da esfera
do estado, mas na prática não são prestados ou fornecidos pelo mesmo. O facto de
muitas das funções sociais, por exemplo, serem garantidas por entidades externas,
sejam elas IPSS, COOPERATIVAS, Associações ou empresas em regime de
outsourcing, não pode alterar a sua classificação
pois na verdade são despesa corrente. Na verdade, se essas entidades não
prestassem esses serviços aos cidadãos eles teriam que ser prestados pelos
serviços da administração publica regional e seriam despesas de funcionamento
apenas.
Em alguns casos pode até ser por uma questão de eficiência e
eficácia e isso nós somos os primeiros a reconhecer que é necessário garantir,
nós somos aquela força política que defende que os privados são quase sempre
mais eficazes e mais eficientes do que alguns serviços do Estado/Região, mas
isso não deve ser considerado investimento, mas sim despesa corrente.
Se deste plano subtrairmos grande parte desses contratos-programa,
protocolos de cooperação e outras formas de garantir transferências de verbas
para a aquisição de serviços, ele fica reduzido a muito pouco e essa é uma
realidade incontornável.
Nesta governação e nos documentos que hoje discutimos, Plano
para 2022 e sobretudo no orçamento que será executado ao longo do próximo ano,
a Iniciativa Liberal estará sempre a favor de todos os investimentos que sejam
criteriosos, racionais, justos e sustentáveis, mas estaremos contra qualquer
ação que vise apenas garantir clientelas eleitorais, adicionar estruturas de
poder e engordar o estado/região em prol só de uns poucos e pago por todos os
demais. Foi assim que nos apresentamos ao eleitorado e não o cumprirmos seria
trair esse mesmo eleitorado … também
nisso ousamos a utopia em confronto com a distopia.
A Iniciativa Liberal
tem uma visão diferente para a política regional, na esteira do
pensamento liberal do estado de direito e da separação de poderes, dos direitos
liberdades e garantias, mas também no
sentido mais contemporâneo do liberalismo económico que nos permite empreender,
criar emprego, criar riqueza e assim construirmos um futuro de liberdade e
crescimento económico capaz de fazer face aos anseios das populações e garantir
recursos para prosseguirmos e perseguirmos as metas da sustentabilidade social
e ambiental no quadro das nossas obrigações internacionais e para
com a humanidade, mas sobretudo das
nossas obrigações “inter-geracionais”.
Não temos o direito de hipotecar hoje o futuro das gerações que
hão de vir.
Esta alteração de paradigma que deverá mudar também a forma
de planear e a maneira de orçamentar é fundamental para que num futuro próximo,
num orçamento e num plano de 2023 possamos estar aqui a discutir, de fato, um
plano de investimentos e não um plano para o qual se transporta a despesa
corrente. Isso são habilidades que se fazem do ponto de vista contabilístico, para
dar a ideia às empresas e aos cidadãos de que há aqui um investimento enorme,
mas de fato aqui não há um investimento que se possa assumir como tal.
Esta forma de fazer transmitir a ideia de que é preciso
endividar a região para investir, se assim fosse não vinha qualquer mal ao
mundo, o problema é a região endividar-se para suportar despesa corrente
encapotada de despesa de capital e despesa de capital que tráz mais peso à
economia do que retorno futuro.
É imperioso a Região travar este caminho de endividamento permanente
sem retorno e é só olhar para o documento para perceber onde é que o dinheiro
se vai…. E não vai propriamente para investimento reprodutivo.
Passo a passo, de discurso em discurso vamos deixando os
nossos alertas. A grande prioridade da Iniciativa Liberal (IL) é um orçamento
que gaste menos do que os dos anos anteriores. Isto é, poupar tal como se faz
nas nossas vidas particulares e como se faz nas empresas. Não constituir divida
futura é o melhor investimento que podemos fazer para as gerações que hão de vir.
A dívida da região tem condições para ser travada, é preciso
é que a maioria do Governo tenha coragem para travar os investimentos onde eles
têm de ser travados.
Se a dívida da Região tivesse crescido como a dívida de
muitas empresas que estão permanentemente a investir e esse investimento tem
retorno, isso não seria perigoso. Grave é que muito do investimento feito foi
transformado em peso para a nossa parca economia e se, em alguns casos até
garantiu algum bem-estar social e coesão económica entre os Açorianos, na
verdade não conseguiu travar a espiral de empobrecimento e de perda de
rendimento das empresas e das famílias, esse é que é o resultado desastroso do
galopante endividamento da Região nos últimos anos.
Cada euro de endividamento corresponde a um euro que terá de
ser arrecadado em impostos, no futuro, acrescido dos respetivos juros (que se forem
ao preço que o Governo agora vai pagar à EDA torna-se num descalabro). Hoje, os
custos com o serviço da dívida, vulgarmente chamado de juros, custa-nos tanto
quanto é gasto com um serviço tão fundamental como assegurar a mobilidade dos
Açorianos.
Desenvolver uma economia, ou simplesmente dar-lhe ânimo
momentâneo é a diferença.
Se baseamos a nossa economia naquilo que todos conseguem ver
no imediato e que assente em obras publicas que apenas criam emprego enquanto decorrem,
mas que depois passam a constituir peso para a despesa da região, estamos
apenas a dar-lhe ânimo, essa é a parte fácil, mas isso não é desenvolver a
economia, é hipotecar o futuro das gerações que irão pagar a custo todas as
dividas agora contraídas.
A anteproposta de plano remetida aos parceiros sociais previa
um endividamento da Região de mais cerca de 295 milhões de euros, não era
aceitável. Dissemo-lo a tempo.
Na apresentação da proposta que hoje acabamos de discutir esse
valor foi reduzido de 295 para 170 milhões de euros, dizem que por imposição de
Bruxelas, é sempre preciso um “bode expiatório”.
Dissemos que estavam no bom caminho, mas que ainda seria
necessário fazer um esforço adicional na ordem dos 15 a 20 milhões de euros.
Água mole em pedra dura… (diz o Povo do alto da sua sabedoria).
Hoje, a maioria
parlamentar que suporta o Governo apresentou uma proposta que reduz o valor do
endividamento para 152 milhões de euros. Reduz mais 18 milhões de euros.
Assim, relativamente à anteproposta, cada açoriano viu
reduzidas as suas responsabilidades sobre o endividamento da Região em 646€,
menos 1789€ de endividamento a cada agregado familiar da região Autónoma dos
Açores.
É assim que fazemos a diferença!
Disse…
Horta sala das sessões, 24 de novembro de 2021
22 de novembro de 2021
Plano e Orçamento da Região Autónoma dos Açores 2022
4 de novembro de 2021
Entrevista ao Diário dos Açores 2021.11.04
1 Diário dos Açores - Exigiu que o
Governo dos Açores baixasse o montante de endividamento na proposta de Plano e
Orçamento para 2022 e o governo seguiu a sua exigência. Mesmo assim diz que não
está garantido o seu voto de aprovação aos documentos. O que é que falta então?
Nuno Barata- A questão da baixa do
endividamento é um bom princípio, é condição sem a qual não chegamos sequer a conversar,
mas por si só não é bastante para passarmos à fase seguinte. Nós alertamos para
o excesso e endividamento e para a dimensão do plano, exigindo uma diminuição
desse mesmo plano para reduzir o endividamento, a resposta do Governo não
satisfaz. Na verdade, a proposta que foi entregue no parlamento encerra um
aumento do Plano Anual em cerca de 10 milhões de euros e a redução das
necessidades de endividamento faz-se à custa da redução das transferências para
o Serviço Regional de Saúde. Ora, na nossa perspetiva, vale mais reduzir o
plano em áreas onde ele foi reforçado pela pressão das corporações do regime e
manter os níveis de financiamento da saúde. O Governo tem que perceber, de uma
vez por todas, que temos todos obrigação de devolver a centralidade ao
parlamento e que o corporativismo é um mau caminho, o caminho que nos trouxe
até ao lugar onde estamos, a cauda da Europa.
2 DA- Quais são as propostas que diz ter
apresentado na lista do acordo de incidência parlamentar e que não figuram
neste Orçamento?
NB- O acordo de incidência Parlamentar
entre a IL e o PSD não tem que estar plasmado no orçamento, tem é que ser
cumprido e para tal, nos momentos-chave da governação temos obrigação, nem se
trata de um direito, trata-se mesmo de uma obrigação, fazer cumprir esse
acordo. O programa com que nos apresentamos ao eleitorado não preconizava fazer
mais do mesmo, mas sim fazer diferente, é isso que queremos, transformar os
Açores num espaço geográfico e político onde todos tenham oportunidades e que o
despesismo de hoje não hipoteque o futuro das gerações que estão a emergir. Desde
logo, no primeiro ponto do acordo, que é publico, acordamos levar a cabo uma política
de proximidade, rigor nas decisões, mais humilde na atitude democrática e
transparência nos procedimentos, Isso não foi cumprido. Atente-se por exemplo o
recente caso das Agendas Mobilizadoras. É grave demais para deixarmos que tudo
fique na mesma, com enormes responsabilidades do executivo e das câmaras de
comércio que estavam todas alinhadas na forma e nas escolhas e algumas depois
aparecem como “virgens ofendidas” não é de todo aceitável.
3 DA- Para manter a Azores Airlines
a voar é preciso capitalizar a empresa. Diz que não aceita mais endividamento
para isso. Qual é a alternativa? Defende o fecho da empresa?
NB – A nossa posição sobre este assunto
é clara e coincide com aquilo que diz a União Europeia. Sem um plano de
restruturação credível, que não o que foi apresentado no início da legislatura
e que já levou a mais de 45 milhões de resultados operacionais negativos, só no
primeiro trimestre deste ano, não há solução para manter a Azores Airlines
(Sata Internacional) a voar. A Companhia aérea perde dinheiro todos os dias até
onde existem Obrigações de Serviço Público e isso é incomportável. A SATA-Air
Açores é uma empresa fundamental para a coesão dos Açorianos, para a nossa
mobilidade e é um símbolo inegável do nosso empreendedorismo. Não a podemos colocar
em causa por causa dos negócios ruinosos da Azores Airlines e de administrações
predadoras da própria empresa e da Região. Não podemos manter a companhia à
mercê dos apetites dos políticos, temos que a olhar com seriedade e sentido
estratégico de médio e longo prazo. Não há um economista e um gestor que seja
capaz de refutar estas nossas opiniões. O que este Governo está a fazer com o
Grupo SATA é o mesmo que foi feito no passado pelo partido Socialista, empurrar
o assunto para diante sem o resolver porque as soluções podem fazer perder
votos. Nós não estamos cá para isso, nós estamos cá para fazer a diferença, foi
isso que prometemos ao Açorianos e foi isso que eles nos responderam nas urnas
em 25 de outubro de 2020. Nós soubemos interpretar os resultados eleitorais,
nós mentemos o nosso rumo, o Governo, composto pelos três partidos, é que se
está a esquecer do que disseram aos Açorianos na campanha eleitoral.
4 DA- As suas exigências são todas para
este mandato?
NB – O acordo de incidência parlamentar
que assinamos com o PSD tem uma calendarização associada e permite a sua
execução em pleno, durante o tempo que decorre a legislatura. Queira o Governo,
nos momentos importantes, que são aqueles em que podemos fazer o ponto de
situação da execução desse acordo, demonstrar que o está a cumprir. Neste
momento, se analisarmos bem o acordo, apenas foram executados os pontos 9 e 10
e outros 2 pontos encontram-se em execução parcial, ou seja, temos 20% do
clausulado cumprido e cerca de 10 a 15%, em execução, o que é manifestamente
insuficiente.
5 DA- Acha que uma crise política na
região, em cima da nacional, e em menos de um ano de governação regional é
inevitável? Se houvesse novamente eleições, acha que haveria resultados
eleitorais diferentes do que há um ano?
NB – Não aceitamos que se agite a questão
orçamental ou o cenário de eleições antecipadas como uma crise. Crise é
passarmos a ser todos mais endividados e consequentemente mais pobres. Só agita
o fantasma da crise quem tem medo da democracia e quem quer poderes alargados
para continuar a fazer o que bem quer e entende. Veja-se o caso recente da
Bélgica e revisitem-se outros exemplos por este mundo fora para se perceber que
a instabilidade governativa nem sempre é perniciosa, pode até ser um fator de
reformismo e desenvolvimento. Só tem medo da democracia quem tem medo da Liberdade.
A democracia não nos assusta, as decisões dos eleitores também não. Todo o
resto são manobras de diversão dos políticos que só sabem governar aumentando a
despesa e aumentando o endividamento para garantirem assim clientelas políticas
que os mantêm no poder.
6 DA- Onde é que este governo está a
falhar mais clamorosamente? Quais os governantes ou áreas da governação que
considera que estão a falhar?
NB – Este Governo está a falhar em demasiadas
áreas porque não assumiu na plenitude a necessidade de reformas, perdendo-se em
coisas tão mesquinhas como substituir boys por outros boys,
clientelas por outras clientelas. Falhou na questão do PRR e das Agendas
Mobilizadoras, falhou na gestão do Hospital do Divino Espirito Santo, está a
falhar nas Florestas, está a falhar na Proteção Civil, está a falhar com as
IPSS, está a falhar com os Jovens e está principalmente a falhar com as
gerações que estão para entrar no mercado de trabalho e cujos impostos irão ser
usados apenas para garantir o pagamento de juros de uma dívida que ao ritmo que
estava a crescer, se o
permitíssemos, poderia chegar ao fim da legislatura a mãos de 3500
mil milhões de euros. Não fosse a existência e a coragem da Iniciativa Liberal
e teríamos um orçamento com um endividamento de cerca de 300 milhões de euros,
se ficarmos pelos 150 a 160 milhões de euros já não é mau de todo, mas continua
a ser mau. É a primeira vez em Portugal e nos Açores que um partido tem a
coragem de exigir uma redução do plano e uma diminuição do orçamento para
conter a espiral de endividamento.