28 de setembro de 2018
22 de setembro de 2018
Coluna Liberal - Jornal Diário dos Açores 21 de Setembro de 2018
Ao
longo da história da humanidade várias foram a tentativas dos governantes de
condicionarem o pensamento e o desenvolvimento dos indivíduos. O liberalismo
veio trazer algo de novo ao pensamento filosófico e à organização do governo da
polis no sentido de libertar o cidadão das peias do absolutismo.
Nos
últimos dias, na Cidade Praia da Vitória, o Partido Socialista dos Açores
discutiu (eufemismo) e votou (outro eufemismo) uma moção de estratégia global
que, para além de ser a única a ir a votos, foi aprovada por unanimidade (por
principio não aprecio unanimismos). Escalpelizar essa moção é uma tarefa, de
veras, complicada para alguém que ousa defender as liberdades individuais e os
seus princípios libertadores.
Apreciar
os discursos do oradores fixando-se nas expressões faciais de Carlos Cesar é um
exercício que , talvez, pouca gente fez. Analisar a denominada, perdoem-me o
estrangeirismo, “body language” do
presidente honorário do PS-Açores é um exercício lúdico muito interessante.
Este foi um congresso que ficará marcado não pelo que disse, verbalmente Carlos
Cesar, mas sim pelo que expressou inequivocamente pela permanente “cara de
jogador de poker” que ostentou. Tomara. Cada “jovem turco” que subiu à tribuna
naqueles dias veio anunciar mais uma medida, mais um truque de magia para
resolver problemas estruturais, permanentes e persistentes da sociedade
açoriana. Diz a sabedoria popular que “
quem se deita com pequenos acorda mijado” Carlos Cesar, um dos mais experientes
políticos portugueses, acordou encharcado.
Cesar
ouviu e consentiu mas, certamente não gostou, eu também não gostava.
A
páginas tantas (42 para ser preciso), da tal moção de estratégia global
aprovada por unanimidade, lê-se: “o Partido
Socialista dos Açores tem dirigido a sua ação política para a promoção de uma
sociedade cada vez mais coesa, justa, solidária e geradora de igualdade de
oportunidades.” Para logo de seguida se ler que “a educação permanece como
a mais eficaz ferramenta no combate à pobreza, no acesso ao emprego e a uma
remuneração condigna.” Sempre a
paixão pela educação usada como arma de combate à pobreza e à exclusão mas isso
só nas palavras porque nos atos a Região está para lá de muito pior do que o
resto do país e a distar muitas milhas
do que já se faz por essa Europa a
dentro da qual divergimos a olhos vistos e números declarados.
Dizem ainda os
subescritores que uma estratégia para a educação “ implica uma mudança de mentalidades, de procedimentos e de prioridades,
inclusive dentro do próprio sistema educativo regional “. Salvo seja!
O
Estado de direito democrático não pode nem deve construir mentalidades,
condicionar formas de pensar, construir narrativas diferentes da estrutura
cultural e identitária de todo um Povo. Bem sei que para este PS essa coisa de
Povo Açoriano “não dá pão”, mas devia dar.
Quando
o estado monitoriza e indica tutores educativos, como se de “guardas vermelhos”
se tratassem, para supostamente ajudarem determinados indivíduos, esse estado
está a condicionar o pensamento desse individuo e a dirigi-lo para um
pensamento coletivo, estamos a trabalhar no caminho do Partido único, do
pensamento único, das práticas estandardizadas. Disso, só foi visto, de facto, na China de Mao até
meados do século XX com a chamada revolução cultural . Essa China não era e
nunca mais foi um estado de direito e muito menos liberal.
Depois
de vinte e dois anos no poder, nos Açores, como assim seria em qualquer outra parte
do Mundo, é absolutamente normal que o Partido Socialista comece a beber dos
seus próprios venenos, ou seja a apontar soluções para problemas que são da sua
inteira responsabilidade ( não me digam que a culpa ainda é das velhas famílias
dos Senhores feudais, do Salazar do Mota Amaral ou do Natalino Viveiros).
Também
é expectável que esse mesmo partido encerre nas suas fileiras gente que se
aproximou para gestão dos seus interesses pessoais, dos seus apetites, em lugar de o fazer por ter um projeto para o
bem-comum, isso é da natureza humana como dizia Hobbes o “Homem é lobo do Homem”
e nisso fundamentou a sua teoria para a construção do Estado talo como o
conhecemos hoje.
É
preocupante que se leia dos discursos de alguns dirigentes do PS-Açores e que
se ouçam das bocas de jovens quadros da Região, discursos aplaudidos de pé que
indicam caminhos perigosos de pensamento único e m nome de conceitos tão vagos
como são o da própria autonomia e o de “interesse dos Açorianos”. O partido
Socialista dos Açores vive um momento de autismo que, fruto de medos atávicos e
comodismo de todo um povo dependente do Estado/Região, poe em perigo um dos
mais básicos pilares da democracia, o pluralismo de opiniões, até mesmo dentro
do próprio partido onde não aparecem discursos alternativos ao poder instalado
ou a líder incontestado. Líder esse que, diga-se, ainda vai sendo o único que
tenta introduzir novidade e agitar as consciências.
Para
os que, nesta região, lutaram contra as forças que no PSD-Açores tentaram a
mesma via nos anos noventa do século passado, é entristecedor assistir a este
processo sentado na bancada central.
Não
é normal, nem um bom sinal para a democracia,
digo eu, que num país ou numa
região, como num partido ou num clube de futebol, a mesma fação ou seja lá o
que for, detenha o poder durante vinte e
dois anos, dezoito dos quais em maioria absoluta.
21 de setembro de 2018
17 de setembro de 2018
Açores-A destruição do que nunca existiu
O denominado discurso e prática
permanentemente assentes no “politicamente correto” tornou-nos numa espécie de
ovelhas seguindo em rebanho os guias do mesmo. Sabendo inclusive, que o caminho
não é o percorrendo, algumas dessas gentes não ousam grita-lo, vão seguindo
esperando que outras gritem, (não berramos Sr. Presidente da Republica, os
Homens não Berram).
Nos últimos dias, perante as sucessivas
narrativas falaciosas sobre o estado da Região. Construções semânticas essas
que vão desde : a educação onde a Região em vez de ir além do que faz o Estado
teima em ficar aquém; na saúde com as prioridades às evacuações a serem
atribuídas pelos apetites pessoais dos decisores políticos em lugar de serem tidos em conta os pareceres
dos médicos; das finanças que apesar “da situação estável” deixam os fornecedores em estado de agonia prolongada; do investimento que não se faz apesar dos
anúncios de taxas de execução extraordinárias; do sector publico empresarial
regional a definhar de dia para dia sem soluções visíveis; do descalabro no
ambiente apesar dos discursos da sustentabilidade serem permanentes; das
quebras no turismo mesmo quando o
investimento no sector nunca foi tão grande. E por aí adiante poderia continuar
a desfiar um ror de coisas que culminariam no crónico estado de pobreza dos agricultores e dos pescadores.
Nos últimos dias, dizia eu, perante tudo isso,
eis que se levantam finalmente alguns dos “senadores” do Partido Socialista, em
vésperas de conclave da agremiação, para gritarem, alto e a bom som, do alto
das suas cátedras que “o Reio vai nu”. Primeiro Martins Goulart, depois
Dionísio de Sousa.
É verdade, a Região falhou e isso aconteceu
porque: Falhou a democracia porque não soube vencer e educar este povo para
ultrapassar os atavismos que o regime de
Salazar semeou, o de Mota Amaral cultivou e o de Cesar está a colher; Falhou a coesão porque se alimentaram
clientelas, umas politicas outras sociais e outras ainda recriações do próprio
regime; Falhou a Região num todo identitário e falhou absolutamente e por direta culpa de todos os que nos
governaram até hoje com especial responsabilidade para os pequenos grupelhos de
agitadores e uma oposição ananicada que não foram, conjuntamente, capazes de
construir uma comunidade politica que agregasse estas nove ilhas mas, tão só,
uma unidade orgânica.
Os Açores, carecem de ser mais do que um espaço
geográfico e um organigrama. É urgente
deixar de agitar bandeiras bairristas e falsas questões de igualdade quando
somos todos diferentes.
É
urgente acabar com as discriminações feitas em nome da coesão ou do “desenvolvimento
harmonioso” de uma região cheia de idiossincrasias e especificidades que não
são anuláveis, felizmente.
A “discriminação positiva” não é diferente de discriminação
pura e simples. Discriminar positivamente é favorecimento de grupo pessoa classe,
etc , e isso é sempre feito em detrimento, prejuízo de outros. Por isso não
existe discriminação positiva existe sim e sempre uma discriminação, porque é
essa mesma a sua essência etimológica, uma separação, uma segregação.
Discriminar é criar um grupo à parte, segrega-lo, não é juntar, tornar coeso.
Numa altura em que os políticos enchem a boca
com palavras como coesão social e coesão territorial, sujam as mãos com
discriminações sociais, territoriais ou corporativas só porque são mais
populosas ou mais poderosas.
O que vieram dizer os “Senadores” do Partido
Socialista nestas vésperas de Congresso do seu clube, não foi mais nem menos do
que têm dito muitos escribas e comentadores políticos nos últimos anos, que o
fogo abrase aqueles que não sabem ouvir.
Ponta Delgada, 14 de Setembro de 2018
13 de setembro de 2018
Inquérito Diário dos Açores 2018.09.12
Diário dos Açores -
Vasco Cordeiro vai suceder a Vasco Cordeiro no Congresso do PS do próximo fim-de-semana.
A sua liderança estará reforçada para assumir, sem problemas, uma nova vitória
absoluta nas eleições de 2020 ou prevê alguma alteração?
Nuno Barata
- Uma das vantagens, a grande vantagem arrisco dizer, do regime democrático, é
que até ao contar dos votos ninguém pode estar mais seguro ou menos seguro do
resultado a alcançar. Nas últimas regionais de 2016, o PS perdeu cerca de 9000
votos em relação às regionais de 2012, esse número de votos perdidos não é
despiciendo se atentarmos ao círculo de compensação e ao efeito que pode ter o
resultado na distribuição de mandatos. A liderança de um partido, seja ele qual
for, em regime de candidato único não está em causa e poderá sair mesmo reforçada
do congresso se, de facto, a moção de estratégia que se conhece for apresentada
e for discutida com mais pormenor e de forma participada. Não é isso que tem
vindo a acontecer nos congressos partidários mais recentes. Não se espera que
venha a acontecer mas deseja-se.
O PS Açores não tem que ter qualquer receio de
debater-se, de renovar-se, de fazer diferente e para isso precisa de falar menos
para fora e mais para dentro de si mesmo. Renovar o Partaido não aceitar novos
militantes ilustres que muitas vezes são apenas “Cristão Novos” em busca de uma
espaço com sombra. Renovar o Partido é purga-lo das coisas perniciosas - onde se incluem esses agentes da oportunidade
- e reedita-lo seguindo a sua matriz
ideológica e o espirito de mudança que preconizou num passado ainda recente.
Por
princípio sou avesso a unanimismos, ao PS-Açores falta debate interno.
Diário dos Açores - As
propostas que Vasco Cordeiro apresenta na sua moção são suficientemente
mobilizadoras para uma renovação ou espera que haja espírito crítico por parte
de dirigentes e militantes do PS?
Nuno Barata
-Como disse atrás, existe um perigo enorme do PS-Açores
sofrer de um certo “autismo” que culmine num pensamento único. Isso é,
infelizmente, próprio dos partidos que passam pelo poder muito tempo. Aconteceu
no PSD de Mota Amaral e está a acontecer ao PS de Vasco Cordeiro e Carlos
Cesar. Dentro do PS-Açores não há quem arrisque agitar as águas.
Deve dizer-se, em nome de uma justiça de
avaliação, que Vasco Cordeiro tem, ele próprio, em questões muito gerais sido o
único agitador de consciências mas sempre com propostas que caem numa espécie
de saco roto. Nunca mais se ouviu falar das propostas que aventou no dia da
Região nas Flores ou no discurso do último congresso. Porém agora aparecem
propostas ao conclave socialista relativas à qualificação da autonomia, vejamos
o que o PS consegue fazer sobre esse importante desiderato nos próximos dois anos. Este Partido Socialista
não tem desculpas, já governa a Região com maioria absoluta desde 2000, só não
reformou o regime porque não quis ou não quer ou ainda porque entende que está tudo
bem (voltamos à tese do autismo). O papel aceita quase tudo o que lá se poe,
operacionalizar essas intenções é que nem sempre é fácil, possível, e aceite
pelo soberano eleitorado.
Diário dos Açores -
Daqui a poucas semanas haverá alterações na liderança do PSD-Açores. Quem acha
que estará mais apto: Alexandre Gaudêncio ou Pedro Nascimento Cabral?
Nuno
Barata - 1X2, é como jogar no totobola, só que aqui não há lugar ao uso do X.
Eu diria que ambos os candidatos têm condições de ganhar as eleições internas diretas,
ambos terão condições de enfrentar o congresso, mas só um pode ser o líder que
o PSD almeja há algum tempo. Ser Presidente do Partido é a parte que custará
menos a Alexandre Gaudência, tem conhecimento das bases, implantação bastante
em São Miguel, foi Secretário-geral e é um autarca com algumas provas dadas mas
também com muitos rabos-de-palha por explicar e tem o apoio do actaul dirigente
máximo do PSD-Açores.
Nascimento
Cabral, tem também nas suas fileiras, gente da máquina partidária e tem a
enorme vantagem de não estar ele próprio ligado ao aparelho do Estado/Região/Poder
Local, é aquilo que se pode chamar um outsider
que sempre esteve por dentro e soube escolher a sua hora, fez o seu caminho
como todos nós que andamos atentos podemos comprovar. Começou com cuidado a
mandar recados para dentro do partido, endureceu as críticas à direção de
Duarte Freitas e lançou, no início deste ano, a derradeira “lança” anunciando a
sua candidatura ainda antes do processo eleitoral ser despoletado. Nascimento
Cabral é um estratega da política e isso dá-lhe muitas garantias de sucesso.
Diário dos Açores - O PSD, com uma nova liderança, poderá almejar umas
eleições mais disputadas em 2020 ou terá ainda que aguardar por 2024, quando
Vasco Cordeiro já não se poderá recandidatar?
Nuno Barata - O resultado eleitoral de 2020 vai
depender muito da forma como correrem os dossiers
que neste momento são incómodos para o PS Açores.
O Governo e o Partido Socialista,
muito por culpa da s suas cedências às reivindicações populistas da oposição, e
menos por culpa das suas fracas convicções, criou ao longo dos últimos anos um
conjunto de problemas para si próprio e com os quais vive ensombrado.
O Dossier SATA será fundamental
neste processo. Se a operação de “reconstrução” da SATA correr mal, as eleições
certamente irão correr mal para o PS.
Nos últimos anos de oposição,
passado o período de “ressaca” despois da derrota de 1996, o PSD adotou uma
tática política análoga à tática militar usada pelos Russos contra a invasão
pelas tropas de Bonaparte. “Politica da Terra Queimada”. Ou seja, foi
apresentando o sem número de propostas, mais um menos populistas, mais ou menos
inexequíveis, algumas desnecessárias e até perniciosas como engodo para o PS ir
cometendo os erros estratégicos que cometeu. Quando prevalece a tática sobre a
estratégia é isso que acontece. O PS deixou-se levar pelo imediatismo da
tática, da resposta rápida às provocações da oposição e nem sempre esteve à
altura de responder com firmeza a esses ataques.
Neste momento o PSD espera
calmamente, tal como os Russos esperaram às portas de Moscovo por napoleão e às
portas de São Petersburgo pelas tropas alemãs. O PSD espera e desespera por um
desaire do Partido Socialista, as eleições nos Açores não se ganham, perdem-se.
9 de setembro de 2018
Um Café sem bica
O facebook é um Café. Não é um Café
tradicional, como aquele onde entramos seguindo o cheiro dos grãos negros acabados de moer, cheios de histórias
contadas e outras tantas por contar. Histórias de amor, escarnio, dramas.
Histórias de escravos, histórias de vidas e sobretudo de mortes.
Também não é um café como os do Steinner, onde se constroem mitos, destroem
vaidades, se fazem propostas, se apresentam soluções e se desenvolvem teorias filosóficas
sobre a felicidade humana e o futuro da europa.
Uma das enormes vantagens dos Cafés é que estão
regulados pelo mercado – esse demónio- não somos obrigados a entrar neste
naquele ou no outro, podemos escolher onde entrar e comprara o que
queremos ou podemos comprar.
O facebook
não é apenas uma café, é um conjunto deles, dos que vale a pena entrar,
daqueles onde entramos quotidianamente assuntando por aqui e por ali com este
ou com aquele. É como encostar a barriga ao balcão e resolver os problemas da
humanidade, seja entre dois copos de cerveja e um pastel de bacalhau às 3 da
manhã, seja entre a bica em chávena escaldada e o pastel de nata da pausa
laboral das 10 horas.
Mas, também é como um daqueles espaços físicos
que dão pelo nome mas não o merecem. Cheiram a azedo. E como em qualquer Café,
somos todos livres de querer entrar ou não.
Alguns grupos, neste “grande Café”, são como
esses espaços esconsos e mal cheirosos. Cheios de perfis falsos, descarados anónimos,
plenos de gente que se julga isso mesmo mas não chega a sê-lo,
de meias verdades e mentiras absolutas, de insinuações dadas como verdades
insofismáveis. São lugares perigosos, onde, a qualquer momento, podemos ser
atraiçoados por uma faca saída da liga de um qualquer vagabundo.
Muitos desses grupos não são sequer Cafés, não
passam de lixeiras a céu aberto. Com o devido respeito, não gosto de frequentar
depósitos de lixo, aterros sanitários e afins a não ser para adquirir composto
orgânico e animado pelas “carinhas larocas” e pela simpatia e profissionalismo
das funcionárias lá do lugar.
Sim já entrei em alguns grupos desses que
pululam por aí no mundo virtual da world
Wide Web. Em alguns deles, tal como nos Cafés, até encontrei coisas
interessantes, mas esses grupos são como alguns desses Cafés, escuros,
cheirando a azedo e a beatas nos cinzeiros onde apenas é permitido beber uma
bica pegando a chávena com a mão esquerda para usar o lado menos gasto da borda
só “passadinha” por água
Ponta Delgada, 7 de Setembro de 2018
Coluna Liberal - Jornal Diário dos Açores 07 de Setembro de 2018
Na
década de 80 do século passado emergiu na humanidade uma nova era liberal. Com políticos como Margaret Thatcher e
Ronald Reagan, a precipitação da queda
anunciada do comunismo nos países da ex URSS e do Pacto de Varsóvia e com os
resultados relativos aos índices de bem-estar das populações que puderam fruir
das vantagens das políticas económicas mais liberais, essas ganharam,
claramente adeptos mas, como tudo também adquiriram críticos e até ódios.
O termo liberal, foi inclusive, ganhando contornos e acessões indevidas
e até perniciosas.
Na verdade, o liberalismo que vivemos hoje é muito diferente do configurado
no vastíssimo legado de Kant, o mais liberal e universal filósofo que a
humanidade já conheceu, apesar da seu isolamento na sua pequena Königsberg, de
onde nunca saiu e cujas rotinas, diz-se, serviam para os homens da cidade
acertarem os seus relógios.
Na alba de XVII, Miguel de Cervantes na sua obra-prima, usa o termo
“liberal” para caracterizar os Homens de “espirito aberto”, cordial, sensato,
resumido como pessoa de quem se pode facilmente gostar. Não há, portanto, em D.
Quixote qualquer tipo de conotação politica ou filosófica com o termo, ele é
tão só visto como um conjunto de características de uma determinada pessoa quer no domínio das
suas escolhas pessoais quer no domínio da sua ação cívica.
Ora essa não é a conceção liberal que, mais tarde, já em XVIII, os
chamados filósofos liberais defendem e advogam. Na verdade, com John Locke,
Voltaire, já para não citar Stuart Mill ou Adam Smith, o vocábulo adquire uma
carga conceptual e do domínio da gestão da polis mais acentuada. O conceito
liberal vem contrapor-se essencialmente ao Rei Absoluto e aos seus dogmas. Os
liberais de XVIII defendem as liberdades
individuais, o livre comércio e a concorrência como forma de promover a
liberdade financeira dos cidadãos.
Os “pensadores livres” que defendem o Estado mínimo e laico. A coisa pública liberta do obscurantismo
religioso, são uma marca do liberalismo de XIX.
Voltemos então ao Século XX e às figuras de Margaret Thatcher e
Ronald Reagan. Os chamados neoliberais. A
queda da URSS e a demonstração à saciedade, do falhanço soviético e dos seus
“satélites”, permitiu que uma certa direita conservadora tomasse a dianteira
nas reformas ideológicas que a humanidade tanto necessitava. Foi essa direita
que assumiu as bandeiras da reforma das instituições, do próprio estado e da
liberdade. Parecia um contrassenso, no entanto a esquerda acanhara-se e
deixara-se ficar num registo expectante apenas.
Mesmo depois da chamada crise do “subprime”, uma das maiores crises
mundiais depois da grande depressão, que abalou seriamente a instituição
liberal e as politicas austeras, a
esquerda manteve-se acanhada e resignada às evidencias, Veja-se o caso Grego
ainda recentemente badalado e que terá
pela frente mais 20 anos de pura austeridade apesar da saída limpa de um plano
de resgate que deixou na pobreza mais de 20% da população. As nações, como os indivíduos, regem-se por
uma conta de deve e haver e a Grécia, com ou sem Syrisa, não é diferente dos outros
estados da união Europeia ou do Mundo.
O liberalismo de XX, o neoliberalismo de Thatcher e Reagan, está aí para durar porque não foram esses os sistemas
causadores das crises mas sim um sistema esdruxulo, inventado na europa como
uma espécie de 3ª via e que sendo absolutamente interventor na economia dos
países e na vida dos cidadãos se arroga de liberal e democrático coisas que não
é.
Hoje, recuperamos alguns dos bons modelos dos anos 80 do século XX mas
importa ir muito além da economia e do mercantilismo à escala global. Importa
ir, por exemplo, à recuperação dos
conceitos como o das liberdades
individuais que hoje não são coartadas
por ordens de prisão arbitrárias mas sim por regulamentos, leis e posturas que
determinam quem pode sobreviver e quem deve ser afastado. Mais do que nunca, os medos atávicos, a
autocensura e o comedimento com a liberdade de expressão, são factos que
corroboram necessidades de mudança de paradigma.
O estado omnipresente deixa o
cidadão sufocado.
1 de setembro de 2018
Valha-nos Santa Bárbara!
Diz o Povo, este Povo
ao qual me orgulho de pertencer e partilhar as vidas e as vivências, que “só se
lembram de Santa Bárbara quando faz trovões”. É verdade! Por cá a nossa
governança que, muitas vezes, mais parece desgovernaça e estar permanentemente
num gabinete de comunicação e de propaganda em vez de estar a dirigir, gizar
planos e formas de os executar, não age, apenas reage!
Reagir não é o mesmo
que agir. E não é, de facto a melhor forma de governar. Mas reagir em quente a
questões sérias, estruturais, vetustas, leva-nos a desacreditar mesmo aqueles
em que, nalgum tempo, chegamos a depositar esperanças.
Faltou água. Rezaram,
fizeram mesinhas e esperaram que se cumprisse o velho ditado do Abril águas
mil, que no São João caem nevoeiros e chuviscos e que o primeiro de
agosto é o primeiro de inverno. Nada! Na verdade não chove coisa
digna desse nome, em algumas Ilhas, desde Março. Santa Maria enfrenta, neste
momento, uma das maiores crises de água de que há memória. Anda a Câmara num
esforço hercúleo a acartar água de reservatório em reservatório para que não
falte nas torneiras das habitações, pneus e gasóleo com fartura.
Em São Miguel e
Terceira a miséria está à vista de todos. Na Graciosa já se fala do assunto,
que eu me lembre, vão para lá de 30 anos.
No mundo todo, pelo
menos desde as primeiras pedradas atiradas ao charco por Al Gore, não se fala
de outra coisa. Por cá, na imprensa regional, só eu já fiz publicar uns quantos
textos sobre o assunto, até corri o risco de sugerir um plano e indicar lugares
para possíveis mini açudes para retenção de água em ribeiras com caudal
permanente. Especialista em generalidades, dizem eles. Os políticos devem ter
achado esdruxula a ideia, os técnicos, que nunca se pronunciam publicamente,
devem ter achado que eu tentava descobri a pólvora chinesa, mas sabem, todos
eles, que tenho razão.
Só quando há secura é
que a malta, lá no café e com a barriga encostada no balcão se lembra da água.
Mas as secas serão cada vez mais prolongadas e cada vez mais frequentes e então
a malta começa a reagir. E ai está um dos grandes problemas. A reação vem
sempre com soluções fáceis, rápidas mas nem sempre duradouras. O Sr.
Secretário que tutela a Agricultura e que também tutela as florestas (outro
assunto que um dia vai ser noticia pela negativa) vem agora dizer uma coisa
extraordinária diz: “Estamos concentrados em
encontrar pontos de abastecimento de água de ribeiras com caudal permanente,
como é o caso da Ribeira da Alegria, na freguesia das Furnas, cujo caudal
servirá para reforçar o abastecimento do complexo da Lagoa das
Contendas”. Ou seja é
gastar o resto até à ultima gota e quem vier atrás que apague a luz e feche a
porta.
Não faz
falta captar e canalizar as ribeiras de caudal permanente, faz falta construir
açudes e outras soluções de retenção de água a montante para alimentar os
lençóis freáticos. Em lugar de promover o abate de matas regionais para vender
ao preço da “uva mijoa” a alguns amigos do regime à sombra de encapotados
concursos públicos e brincar ao desenvolvimento de biótipos e aos salvamento do
Priolo, o que faz falta é plantar mais criptoméria em altitude para
captação da humidade e introdução dessa água nos solos tal como os
estudos publicados ainda recentemente por cientistas comprovam.
O que faz
falta é agir em vez de reagir. O que faz falta é ir ao terreno trabalhar em vez
de inaugurar.
Que a seca vos abrase
essas cabeças que o fogo da vossa incompetência já nos abrasou a todos.
São Lourenço, 31 de Agosto de 2018.
27 de agosto de 2018
Tiros de pólvora seca!
Correm esgotos
para as ribeiras, para o mar. Por encostas abaixo jorram lamaçais vindos de
pocilgas e nitreiras de vacarias clandestinas. As estradas estão ladeadas de
lixo, fraldas descartáveis, embalagens
de iogurtes, latas de refrigerantes, sacos de batatas e outras iguarias
dos tempos do consumismo. Por aqui e por ali, encontro restos mortais de uma queca apressada ou de
uma refeição adquirida no “drive in” do restaurante de “fast food” mais
próximo.
Em pleno
século XXI ainda se encontram resíduos,
largados por mão humana, nos mais
recônditos lugares.
Usamos e
abusamos de químicos para a agricultura, o Estado/Região usa glifosato em
grande escala no combate a infestantes em bacias hidrográficas. Queimam-se com
químicos as infestantes das bermas das estradas matando também endémicas e
exóticas. As câmaras combatem as ervas dos passeios de calçada portuguesa com
recurso a herbicidas.
Enterramos,
todos os dias, toneladas de resíduos que não sabemos o que são. Deram-se -ministraram-se,
como é moda dizer agora - cursos e mais cursos de uso e aplicação de
fitofármacos mas ninguém monitoriza ou fiscaliza o uso e abuso dos mesmos.
Fizeram-se leis plenas de bonomia que são inaplicáveis e quase impossíveis de
fiscalizar.
A nossa grande
riqueza, a agricultura, importa alimento sem rastreabilidade alguma, sabemos lá
o que se está a importar e a introduzir na nossa cadeia alimentar por falta de
coordenação e de controlo. Importamos sementes manipuladas geneticamente sem
sabermos, usamos e abusamos de híbridos, de milho, meloa, melancia, tomate,
courgettes, alface, repolho, couves e até –imagine-se – pimentas que dizemos
serem da terra. Tudo isso, desconfio,
sob as bardas dos serviços oficiais sem que esses o desconfiem ou sequer tenham
noção da sua gravidade.
Os turistas e
os locais que redescobriram ou descobriram
a sua própria terra (finalmente)pisam e repisam em zonas protegidas sem
controlo. Os serviços públicos abrem autenticas “autoestradas” em zonas de
paisagem protegida.
As reservas
marinhas são saqueadas por pescadores furtivos sem qualquer tipo de controlo
(que é feito dos Drones do Brito e Abreu?). Mergulhadores de recreio
embaraçam-se em redes ilegais largadas ao emalhe em zonas proibidas sem que se
descubra o nome do prevaricador.
O Mar, está na
boca dessa gente que nos governa mas ela pouco ou nada sabe o que fazer com
ele.
Todas as
semanas importamos mais viaturas, mais combustíveis fosseis, mais plástico,
mais venenos.
Apenas
exportamos peixe fresco, algumas conservas de tunídeos, gado vivo e uma dúzia
de carcaças de vaca velha. A nossa industria está reduzida aos lacticínios, que
usam parte das matérias primas locais e
às agroindústrias e conservas de peixe cujas matérias primas são, na sua grande
maioria, importadas. Nem uma lata de comida de cão ou gato produzimos a moda do
“petfood” passou-nos ao largo com tanto que tínhamos para enlatar. Não
produzimos nem um parafuso, nem um rudimentar instrumento (ainda haverá quem
faça sachos?). Da indústria que tivemos no final de XIX e XX, temos apenas
meras recordações materializadas em velhas chaminés e um museu de arte
contemporânea que deveria ter sido museu da indústria micaelense.
Exportamos, todos os dias e à distância de um
clique recursos financeiros e gente. Sim, continuamos a exportar gente para ir
trabalhar e produzir riqueza para outros e noutras paragens. É fantástico! Não
é?
Encher a boca
com a palavra sustentabilidade não nos transforma numa região sustentável
Palavras
sem atos são tiros de pólvora seca.
Munições de salva…
São Lourenço, 23 de Agosto de 2018.
26 de agosto de 2018
"Maverick"
A
política Internacional ficou mais pobre ontem 25 de Agosto de 2018. Na verdade,
com a saída de cena do Senador MacCain a humanidade perdeu um dos seus
melhores. Já vão restando poucos.
Outrora
detestado pelos seus oposicionistas, inclusive no Partido Republicano onde
perdeu internamente em 2000 a corrida para a nomeação a favor de George W. Bush e maltratado nos media europeus, hoje , certamente, todos vão ser unânimes, todos vão escrever e dizer que se
perdeu um grande Homem, todos vão lamentar o facto de não ter sido Presidente
dos Estados Unidos da América.
Em 2008, “at
least”, MacCain garantiu a nomeação para
candidato presidencial pelo Partido Republicano.
Tal como
escrevi na altura, numa contenda difícil, John MacCain foi vitima da herança
das politicas e falta delas de George W.
Bush e de uma campanha pouco ortodoxa que tendo-o poupado, perpetrou fortíssimos
ataques contra a sua putativa
Vice-presidente Sarah Palin, quer pelo
seu discurso pleno de conservadorismo radical e nacionalismo, quer pelos escândalos
familiares.
MacCain
foi vitima de xenofobia. Ironia das ironias. MacCain foi o primeiro exemplo de
um enorme politico, com convicções e um projeto humanista global, que foi
derrotado apenas porque era branco, genuíno nas suas convicções e
heterossexual.
O Mundo ficou a perder.
25 de agosto de 2018
Coluna Liberal - Jornal Diário dos Açores 24 de Agosto de 2018
Talvez não seja por puro acaso que começam a
reaparecer em Portugal novos partidos de inspiração liberal. A ideia
transversal à sociedade portuguesa de que algo vai podre nesta democracia
representativa do levanta-te e baixa-te às ordens do chefe; Da disciplina de
voto; Do carreirismo político; Do nepotismo e da plutocracia. A ideia corrente
e generalizada de que são todos iguais apesar de alguns serem mais iguais do
que outros (o caso Robles foi só mais um). O descrédito gerado nas instituições
partidárias e a sua manifesta incapacidade de se reinventarem por estarem
perdidos nas suas convulsões internas e por se terem tornado numa espécie de
estribo para interesses pessoais. São motivos mais do que suficientes para buscarmos
soluções fora do tradicional espectro político-partidário.
Depois das aparições dos partidos sectoriais,
dos reformados, dos animais (quem sabe ainda vai aparecer dos LGBT), partidos
com agenda mas sem ideologia, embora se lhes reconheçam tiques totalitários e
de esquerda. E, depois da recriação da UDP e do PSR por fusão no Bloco de
Esquerda, eis que Portugal assiste ao emergir da Iniciativa Liberal.
Primeiro foi um movimento, depois um partido,
uma espécie de “startup política” de matriz essencialmente liberal, sem pejo e
sem complexos que se diz estar, ideologicamente entre o PS e o PSD, à esquerda
deste e à direita daquele, seja lá o que isso for. O Iniciativa Liberal aparece
como uma espécie de PRD liberal, ou seja um Partido que apesar de se afirmar
como novidade, encerra nos seus princípios programáticos, a que chamaram de
Manifesto Portugal Mais Liberal, um conjunto de banalidades e lugares comuns
capazes de serem sobescritos por qualquer dirigente do PS do PSD e até do CDS.
O Iniciativa Liberal parece, assim, uma espécie de caixa de cartão onde cabem todos e tudo. Para um novo
partido, são vetustas práticas. Para uma solução inovadora são velhas táticas.
Para uma perspetiva de futuro tem já demasiado passado.
Uma das questões que mais reservas me causou
no manifesto e nas palavras dos promotores da Iniciativa Liberal, é o facto de
acreditarem que Portugal é já um país liberal. Na verdade, nem com D. Pedro IV
foi possível afirmar essa certeza e mesmo durante a primeira república, com a
desordem instalada, foi possível garantir esse desiderato tendo o pais acabando
se entregando a um regime de partido único, personificado num líder feito herói
nacional. Caído o regime do Estado Novo, logo nos apressamos a apoiar outro
tipo de totalitarismo do qual, felizmente, nos libertamos em 25 de Novembro de
1975. Não somos, na verdade, um país de liberais e isso explica muita da nossa
pobreza, do nosso atavismo da nossa condição de dependentes, da nossa
permanente busca de soluções exógenas quando elas são, ou deveriam ser,
endógenas.
Agora aparece-nos a Aliança, movimento
para-partidário liderado por Pedro Santana Lopes. Com uma declaração de princípios
que, apesar de não trazer nada de novo, não esconde ao que vem. Três palavras-chave
encimam esse documento: Personalismo, Liberalismo e Solidariedade. Parece-me
bem, mas vamos escalpelizar o que nos é dito nesse manifesto sobre estes três
“eixos fundamentais”. Pouco ou quase nada, na verdade.
O documento não vai além de considerações
vagas sobre o respeito pela vida, a dignidade humana e a pessoa no centro das
decisões. Sim, concordo mas é pouco. Importa saber o que pensam os “aliados”
sobre temas tão na ordem do dia como a eutanásia e o aborto (recuso usar a
sigla IVG).
Para lá de pequenas referências à liberdade
religiosa, a defesa da iniciativa privada e a liberdade económica, o manifesto
perde-se em pormenores de programa de governo deixando algumas ideias basilares
do liberalismo por explorar.
De matriz democrata-cristã, na esteira da
doutrina social da igreja, o fundador deste movimento não poderia deixar de
falar de solidariedade e de responsabilidade da sociedade pela proteção dos
mais desfavorecidos, promovendo valores absolutamente essenciais ao
desenvolvimento das comunidades como são
o da solidariedade “intra e inter-geracionais” e a promoção de políticas de
combate à exclusão social promovendo assim uma real e verdadeira convergência
social através da implementação de politicas capazes de criar oportunidades
para todos e não apenas para alguns que, sabemos, são sempre os mesmos.
Pedro Santana Lopes, sempre o mesmo
inconformado, resiliente, lutador, incompreendido por uma maioria de medíocres,
permanentemente na busca do bem comum, saltando permanentemente para fora da
sua zona de conforto, mais uma vez, dá uma lição de humildade, convicção,
tenacidade e fé.
A sorte está lançada, ou como diziam os
romanos na antiguidade clássica: Alea
jacta est.
22 de agosto de 2018
Ainda se fosse Nicolas Maduro!
A polémica à volta do convite e “desconvite” a
Marine Le Pen para discursar no websummit por pressão das “blocoreanas” evidencia
bem o que essa gente que, ainda ostenta nas suas bandeiras os símbolos do
socialismo soviético, pensa ou melhor
verborreia sobre as liberdades individuais e sobre o pensamento livre , seja
ele qual for. Quem não pensa como eles não o pode expressar.
Para
essa gentinha que se julga gente e que segue atentamente e com aplauso as
revoluções ibero-americanas e que encontra virtudes no líder da Coreia do Norte,
todos os que não pensarem como eles terão de ser silenciados. Esta é,
claramente, a visão turva dessa gentalha
descamisada dos blocos e dos PCs, dos Ciudadanos e quejandos.
Sobre esse direito fundamental da construção do
estado de direito democrático que é a liberdade de expressão essa gente tem uma
visão clara, só pode falar quem concorda com a cartilha da esquerda extrema, seja
ela mais contemporânea ou mais ao jeito dos Partidos Comunistas do século XX, tanto faz. Quem não pensar como eles ganha de imediato o
epiteto de pernicioso, falso, perigoso, fascista etc.
Atente-se ao que chegou o “argumentário” dos
seguidores de Trostki, Estaline, Lenine e outros bons rapazes. Acusam Marine Le Pen de fascista, pró-nazi,
nacionalista e xenófoba. Pior, é acusada de ser tudo isso e de não o afirmar
claramente de ser uma dissimulada perigosíssima populista.
Ora essa “esquerdalha” que mentiu e mente ao mundo o tempo todo, que tem no seu ADN os
campos de trabalhos forçados da Sibéria, os Gulag, milhões de mortes em nome da
revolução do proletariado e que continua
a construir narrativas falaciosas sobre as maravilhas do socialismo e do
comunismo que, sabemo-lo todos hoje até por o estarmos a sentir na pele, trouxe
ao mundo a fome e a miséria mesmo em Países onde o potencial endógeno era
imenso, age como se o estivesse a fazer em causa própria.
Essa horda de deslumbrados mente e constrói
realidades virtuais por isso acha que toda a gente é igual e que toda a gente,
seja qual for a sua linha de pensamento, age de forma diferente do que pensa.
Mentirosos compulsivos, vendedores expertos da banha-da-cobra, acham-se todos moralmente
superiores aos demais quando na verdade a sua moral vale tanto como um punhado
de cascas de lapas.
Para uma coisa serviu esta polémica. Serviu, na
verdade, para comprovar que quem paga manda e que, apesar do evento ser
supostamente privado, quem paga todo aquele arraial somos todos nós. Isso mesmo
disse Paddy Cosgrave, o Irlandês que
lidera o evento, “se o governo português pedir para retirarmos o convite a
Marine Le Pen nós retiramos”. O respeitinho é bonito e fica bem a qualquer um
mas esse respeitinho tem apenas uma “moral”, absolutamente teleológica, a “ética”
do vil metal.
Fogo vos abrase a todos que o povo, esse, já arde
literalmente em fogos florestais e figurativamente na fogueira da pobreza e da
coleta de impostos diretos , indiretos e encapotados e não há websummit que nos
livre dessa “canalha”.
São Lourenço, 17 de Agosto de 2018.
13 de agosto de 2018
Vasco Cordeiro não merecia esta gentalha!
São mais do que as mãezinhas até porque alguns
trouxeram famílias inteiras, os cristãos novos e os “agamelados” (gente que
apenas sabe e consegue viver sentada à mesa do Estado/Região) que se juntaram
ao Partido Socialista no encalço de, a pouco custo, canibalizarem o regime e
assim satisfazerem os seus apetites privados em lugar de servirem a coisa pública.
Não há qualquer mal em servir o Estado/Região, bem pelo contrário, o mal vem ao
mundo é quando esse desiderato é substituído para usar o estado/região em seu
beneficio ou dos seus familiares.
Há muitos donos de muita coisa que é pública
nesta região e há muita gamela que deveria estar a servir o Povo e está apenas
a servir os canibais do regime.
O caso recente, divulgado por este jornal,
sobre o desvio de um meio de socorro à revelia das decisões técnicas, para
servir um familiar de um decisor é bem demonstrativo do que aqui escrevo.
São uns “meia-tijela”, inúteis e incapazes de
construir seja o que for que dignifique o próprio regime que acham eles ser
outra coisa qualquer. Dão-se a ares de gente mas não vão além de maus hábitos
aburguesados. Fumam charutos cubanos mas
sacodem a cinza para cinzeiros de reles cristal. Bebem chá e, outras infusões
da moda, de mindinho em riste achando que é assim que deve ser pegada uma
xicara. Alimentam-se ruidosamente de croquetes e empadas e espevitam os dentes
no final entre um copo de gin agitado, tantas vezes, com recurso ao dedo
indicador
O Partido Socialista de 1996 era muito mais do
que a meia dúzia de socialistas puros e resistentes ao regime “amaralista”
capitaneados por um perseverante Carlos Cesar. O PS de 1996 era um estado de
espirito, uma atitude, um movimento que nasceu nas regionais de 1992 em volta
do saudoso Mário Machado e que juntou socialistas, democratas cristãos
separatistas e outros “istas” e que apesar de uma estrondosa derrota não atirou
a toalha ao chão e 4 anos depois, em 13 de outubro de 1996 fez mudar os
destinos desta Região de forma muito significativa. Estava quebrado um ciclo.
Muitos dos que hoje percorrem os corredores do
poder nem eram ainda seres pensantes (se é que alguma vez pensaram) e a sua
ignorância sobre a tenacidade e a força que foram necessárias para alterar o
rumo dos Açores nessa altura, não lhes permite sequer perceberem que cometem os
mesmos erros que levaram ao colapso do regime de então. Prepotência,
arrogância, nepotismo, perseguição, conspiração e falta de noção dos limites
das suas ações e a falta de discernimento acerca do poder que lhes foi
confiado. O poder democrático é efémero e a sua conquista é quase tão dolorosa
como a sua perca.
Muitos, como se usa dizer comummente,
assentaram praça em general e por isso são incapazes de imaginar o que foi a
luta dos soldados nas trincheiras do lado oposto à hegemonia do PSD de Mota
Amaral. Outros ficaram a “caçar de espreita” até ao contar final dos votos
naquela noite quente de outubro e como a coisa ficou muito periclitante
quedaram-se à espera dos anúncios dos dias seguintes para decidirem o que
fazer, onde se posicionar.
Apetece parafrasear Batista Bastos e perguntar:
Onde estavas a 12 de Outubro de 1996?
Ponta Delgada, 09 de Agosto de 2018
11 de agosto de 2018
Coluna Liberal - Jornal Diário dos Açores 10 de Agosto de 2018
Quando falámos de liberalismo logo somos
associados ao capitalismo, ao liberalismo meramente económico. Ora esse é o
enorme erro que o grosso da coluna anti liberal incorre quando nega o
liberalismo por reação ao capitalismo selvagem. O estado liberal não é apenas
um estado que permite o livre comércio a liberdade de estabelecimento e a concorrência.
Na verdade, o Capitalismos, o liberalismos
económico, é uma consequência do liberalismo lato senso não um fim em si mesmo. O estado liberal assenta
essencialmente nas liberdades políticas, nas liberdades cívicas, ou seja nas
liberdades do cidadão.
Os grandes inimigos do estado liberal são os
inimigos da liberdade que muito embora andem com a boca cheia dela, escorrem-lhes
pelos cantos dos lábios todos os tiques dos totalitarismos, sejam eles mais
remotos no tempo ou mais atuais.
O estado liberal encerra em si mesmo um ideal
que ultrapassa as questões da economia e das finanças de forma transversal. É
um filho da modernidade, do rescaldo da Guerra dos 30 anos, da crise
sucessória, do fim dos impérios. É um movimento que, hoje como no passado pós
iluminismo, é uma corrente de pensamento que pretende defender o cidadão,
individualmente, de qualquer tentativa de instalação de sistemas de pensamento
único, cultura dominante ou controlo da expressão de ideias. Nesse sentido, o
socialismo e o comunismo foram mais longe do que os regimes totalitários mais
conservadores, condicionando, estabelecendo barreiras, destruindo e
reescrevendo até a história, condicionando e anulando o exercício do pensamento
divergente dos seus respetivos regimes.
A denominada Revolução Cultural Proletária na
China, implementada a partir da segunda metade da década de sessenta de
XX, é o exemplo mais paradigmático de
uma campanha politico-ideológica perpetrada sobre um povo para neutralizar todo
e qualquer pensamento e prática cultural dissidente do regime em afirmação
depois do grande fracasso económico decorrente do plano chamada de Grande Salto
para a Frente que redundou naquela que ficou conhecida como a crise da Grande
Fome Chinesa.
A divulgação das ideias liberais é hoje tão
importante como foi no rescaldo do primeiro grande conflito mundial ou na
destruição dos totalitarismos decorrentes do segundo grande conflito à escala
global de onde emergiu e se reforçou o estado socialista o grande inimigo das
liberdades dos cidadãos.
Todos somos atropelados, diariamente, por
opressão do estado nas nossas vidas e são esses atropelos, esse ultrapassar de
limites da sua ação, que os liberais, os defensores do estado liberal, combatem
e devem combater na espuma dos dias.
Revisitando alguns textos publicados nesta
coluna para evitar repetições de ideias, dei comigo pensando o quão importante
é, afinal, repetir algumas dessas ideias para ir deixando alertas sociais para
a emergência de certos totalitarismos.
Hoje, com o permanente escrutinar de certas
instituições do estado, nomeadamente da justiça , instituições essas que já nem deveríamos questionar, corremos o risco de
atropelar direitos liberais adquiridos desde o iluminismo e que foram
atropelados de forma consideravelmente perniciosa para a humanidade na
emergência dos totalitarismos do século XX decorrentes, principalmente da Primeira Guerra Mundial mas também do
segundo conflito do qual emergiram o Socialismo Soviético, o regime chinês e as revoluções populares da
chamada ibero-américa que no seu conjunto fizeram já milhões de vitimas humanas
e povos oprimidos e famintos.
Hoje, mais do que nunca, porque as ações do
estado são mais encapotadas, mais dissimuladas e mais difíceis de medir os seus
limites, mais necessidade temos de estarmos atentos para as situações que, de
uma forma ou de outra, nos privam de certas liberdades individuais e até mesmo
coletivas.
Vigilância é a palavra de ordem para os dias que
correm.
6 de agosto de 2018
Tende Misericórdia de nós Senhor
São cerca de quatrocentas em Portugal e apoiam
mais de 150 mil pessoas, na sua grande maioria idosos e desvalidos. Falo das
misericórdias portuguesas, uma vasta faixa da população portuguesa é apoiada
por essas instituições multiseculares de inspiração cristã. São catorze as
obras de Misericórdia, sete corporais e sete espirituais, que estão na origem
da instituição das Misericórdias Portuguesas por influência da Rainha D. Leonor
de Lencastre. Durante muitos séculos da nossa história, estas foram as únicas
instituições que deram apoio aos mais carenciados.
Hoje, a grande maioria das misericórdias
portuguesas continua a ter uma importância muito relevante no apoio aos mais
carenciados e no combate à pobreza e consequentemente à exclusão social. Porque
o Estado não está onde devia estar para estar onde não deve, alguém tem que
fazer o seu papel.
Nos últimos tempos, na espuma da “silly
season”, depois de em 2016 alguns órgãos de comunicação social regionais terem
alertado para situações de eventuais maus tratos nas unidades de cuidados
continuados da Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada, uma televisão
nacional trouxe ao conhecimento dos portugueses notícias sobre esses supostos
maus tratos.
Não vi nem vou ver a referida reportagem. Nem
sequer é o teor da mesma que me importa analisar mas sim a forma despicienda e
leviana como são feitos certos julgamentos públicos sem que se deixem as
instituições tratarem os assuntos como eles devem ser tratados.
“Houve queixas ao Ministério publico”,
comenta-se por aí nas redes sociais. Há-as todos os dias. E? Uma queixa no
Ministério Público implica culpa formada? Condenação? Sequer pressupõe um
facto? Claro que não!
Houve notícias nos jornais e televisões! Gritam
tresloucados e ávidos de sangue os mais atrevidos e assíduos comentadores dos
grupos do facebook e tweetam os mais presunçosos inocentes. E?
Esta é uma questão que nos devia preocupar a
todos, pois que ninguém está livre de uma cabala ou de lhe ser encontrado um
qualquer “rabo-de-palha” onde alguém possa chegar um fósforo.
Por estes mesmos dias, a direção de uma
Juventude Partidária, liderada por aprendizes de “gameleiros” ainda cheirando a
cueiros, vociferou acerca de questões da justiça e do direito. A solução para
todos os males, segundo essa gente, passa pela instituição da delação premiada
e pela inversão do ónus da prova. Medidas essas consideradas de relevante
importância para o combate ao crime.
Veja-se só o que fazem esses julgamentos
mediáticos. Levam a que esses imberbes “jovens turcos” direcionem, ora por mero
populismos ora por simples ignorância, o seu discurso no sentido de um certo
retrocesso civilizacional.
Para entendermos as morosidades do sistema judicial
e as suas bonomias, temos que nos centrar na história do direito que se
confunde, claramente, com a história do governo da Polis e da construção do
Estado-moderno.
O tempo da notícia, não é o tempo da justiça. O
direito não é jornalismo e as garantias que têm e devem ter os cidadãos sobre
as eventuais prepotências dos agentes do Estado não são coisa que tenha sido
fácil conquistar. O regresso a mecanismos como a delação premiada, e com maior
gravidade e alcance a inversão do ónus
da prova, potenciam um ror de atropelos às garantias dos cidadãos inaceitáveis
nos níveis de democracia que, mesmo deslastrada, a sociedade portuguesa já
atingiu.
O regresso aos julgamentos no largo do
pelourinho, que hoje pode aferir-se, são as redes sociais e as gordas nas capas
dos tabloides, é um retrocesso civilizacional enorme.
Aos jovens aprendizes de politiqueiros
recomenda-se que estudem filosofia antes de se inscreverem numa juventude
partidária.
São Lourenço, 03 de Agosto de 2018
29 de julho de 2018
Você sabe onde fica Malbusca?
Na costa sul da Ilha de Santa Maria entre a
fajã de aluimento da Paria Formosa,
praia de areias finas, claras e de fundos visíveis pela limpidez das suas
águas, e O Barreiro da Piedade, área de
basalto alterado com milhares de anos de existência e referência para os
geólogos, e ainda a Ribeira de Maloás
onde se podem encontrar, a 220 metros de altitude, uma queda de água com cerca
de 20 metros de altura constituída por um conjunto de formações geológicas em disjunção
prismática que, nos Açores, apenas é visível naquela parte da Ilha de Gonçalo Velho, em zonas recônditas da costa norte da Ilha de
São Miguel entre a Lomba de São Pedro e
os Fenais da Ajuda e na conhecida Rocha
dos Bordões na Ilhas das Flores , pelo
meio fica o planalto de Malbusca.
Trata-se de um pequeno planalto, absolutamente
rural com um disperso casario típico e que já foi mais habitado do que é, que
em tempos teve uma Escola Primária do Plano dos Centenários mas que hoje é
apenas um lugar de passagem para turistas e de habitação para uma meia dúzia de
famílias locais e outra meia dúzia de estrangeiros e filhos da diáspora açoriana.
O que tem de especial Malbusca para estar a ser
notícia há já algum tempo? Tem de especial que é ali naquele lugar que Governo Regional
e investidores internacionais querem instalar um vasto campo de lançamento e
aterragem de foguetes para satélites.
Diz-se que a Europa carece urgentemente de
entrar nesse negócio e que Portugal tem um espaço geográfico privilegiado para
receber um investimento de 200 milhões de dólares para o efeito. Ora aqui os
estudos que a jeito escolhem Malbusca partem de dois pressupostos absolutamente
errados. Primeiro é dizer que a Europa precisa sem saber se os Açores precisam
dessa base seja para o que for. A outra é dizer que Portugal possui uma posição
estratégica privilegiada quando quem detém essa posição é o arquipélago das
Ilhas Açores.
Quem decide esses investimentos não sabe onde é
Malbusca nem quer saber quem vive e viverá perto daquele lugar. Não quer saber
da nossa “Calçada do Gigante”, da nossa
Praia ou das nossas gentes. Quem decide este tipo de investimento apenas
procura um otário que permita a sua instalação no seu território em troca de
uma mão cheia de promessas. Procura um deslumbrado que se deslumbre ainda mais
com promessas de desenvolvimento. Procura um politico ávido de cair no goto da
gente desesperançada que o sustenta.
Otários há muitos e há os que acreditam nos
vendedores da banha da cobra (Santa Maria sabe bem isso o que é, já caiu em
muito “conto do vigário”)e há os que acreditam em regressos ao passado glorioso
da aviação civil, um passado em que uns viviam muito bem para uma grande
maioria crescer em casa de chão térreo e cozinha no lar em lume de lenha.
Os políticos que vão decidir sobre este centro
espacial em Santa Maria não vão cheirar a pólvora queimada nem os seus filhos
vão crescer contaminados pelas radiações das antenas. Vão estar muito bem
resguardados nos corredores do poder e vão ter o suficiente para viverem longe
e protegidos. Mas há os políticos locais que, certamente, querem ver os seus
filhos crescerem e viverem nesta terra e com garantias de viverem saudavelmente
e sem estarem, daqui a uma dezena de anos, a falar de índices de doenças
cancerosas elevados ou em descontaminação.
Aos políticos de cá (Santa Maria) deixo um
apelo, não permitam que decidam por nós e por vós.
Aos políticos de fora faço
outro apelo, digam-nos a verdade para que possamos decidir.
Numa altura em que tanto se fala de democracia
direta e em orçamentos participativos (absurdo e negação das bonomias do
sistema parlamentar), tenham a coragem de debater este assunto com seriedade e
abertura com todos os interessados, caso contrário, fogo vos abrase a todos no
planalto de Malbusca.
São Lourenço, 27
de Julho de 2018
Jrnal Diário dos Açores Edição de 29 de Jukho de 2018
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