9 de setembro de 2018

Coluna Liberal - Jornal Diário dos Açores 07 de Setembro de 2018


Na década de 80 do século passado emergiu na humanidade uma nova era liberal. Com políticos como Margaret Thatcher e Ronald Reagan, a precipitação da queda anunciada do comunismo nos países da ex URSS e do Pacto de Varsóvia e com os resultados relativos aos índices de bem-estar das populações que puderam fruir das vantagens das políticas económicas mais liberais, essas ganharam, claramente adeptos mas, como tudo também adquiriram críticos e até ódios.
O termo liberal, foi inclusive, ganhando contornos e acessões indevidas e até perniciosas.
Na verdade, o liberalismo que vivemos hoje é muito diferente do configurado no vastíssimo legado de Kant, o mais liberal e universal filósofo que a humanidade já conheceu, apesar da seu isolamento na sua pequena Königsberg, de onde nunca saiu e cujas rotinas, diz-se, serviam para os homens da cidade acertarem os seus relógios.
Na alba de XVII, Miguel de Cervantes na sua obra-prima, usa o termo “liberal” para caracterizar os Homens de “espirito aberto”, cordial, sensato, resumido como pessoa de quem se pode facilmente gostar. Não há, portanto, em D. Quixote qualquer tipo de conotação politica ou filosófica com o termo, ele é tão só visto como um conjunto de características  de uma determinada pessoa quer no domínio das suas escolhas pessoais quer no domínio da sua ação cívica.
Ora essa não é a conceção liberal que, mais tarde, já em XVIII, os chamados filósofos liberais defendem e advogam. Na verdade, com John Locke, Voltaire, já para não citar Stuart Mill ou Adam Smith, o vocábulo adquire uma carga conceptual e do domínio da gestão da polis mais acentuada. O conceito liberal vem contrapor-se essencialmente ao Rei Absoluto e aos seus dogmas. Os liberais de  XVIII defendem as liberdades individuais, o livre comércio e a concorrência como forma de promover a liberdade financeira dos cidadãos.
Os “pensadores livres” que defendem o Estado mínimo e laico.  A coisa pública liberta do obscurantismo religioso, são uma marca do liberalismo de XIX.
Voltemos então ao Século XX e às figuras de Margaret Thatcher e Ronald Reagan. Os chamados neoliberais. A queda da URSS e a demonstração à saciedade, do falhanço soviético e dos seus “satélites”, permitiu que uma certa direita conservadora tomasse a dianteira nas reformas ideológicas que a humanidade tanto necessitava. Foi essa direita que assumiu as bandeiras da reforma das instituições, do próprio estado e da liberdade. Parecia um contrassenso, no entanto a esquerda acanhara-se e deixara-se ficar num registo expectante apenas.
Mesmo depois da chamada crise do “subprime”, uma das maiores crises mundiais depois da grande depressão, que abalou seriamente a instituição liberal e as politicas austeras,  a esquerda manteve-se acanhada e resignada às evidencias, Veja-se o caso Grego ainda recentemente  badalado e que terá pela frente mais 20 anos de pura austeridade apesar da saída limpa de um plano de resgate que deixou na pobreza mais de 20% da população.  As nações, como os indivíduos, regem-se por uma conta de deve e haver e a Grécia, com ou sem Syrisa, não é diferente dos outros estados da união Europeia ou do Mundo.
O liberalismo de XX, o neoliberalismo de Thatcher e Reagan,  está aí para durar porque não foram esses os sistemas causadores das crises mas sim um sistema esdruxulo, inventado na europa como uma espécie de 3ª via e que sendo absolutamente interventor na economia dos países e na vida dos cidadãos se arroga de liberal e democrático coisas que não é.
Hoje, recuperamos alguns dos bons modelos dos anos 80 do século XX mas importa ir muito além da economia e do mercantilismo à escala global. Importa ir, por exemplo,  à recuperação dos conceitos como o das  liberdades individuais que hoje não  são coartadas por ordens de prisão arbitrárias mas sim por regulamentos, leis e posturas que determinam quem pode sobreviver e quem deve ser afastado.  Mais do que nunca, os medos atávicos, a autocensura e o comedimento com a liberdade de expressão, são factos que corroboram necessidades de mudança de paradigma. 
O estado omnipresente deixa o cidadão sufocado.





1 de setembro de 2018

Valha-nos Santa Bárbara!


Diz o Povo, este Povo ao qual me orgulho de pertencer e partilhar as vidas e as vivências, que “só se lembram de Santa Bárbara quando faz trovões”. É verdade! Por cá a nossa governança que, muitas vezes, mais parece desgovernaça e estar permanentemente num gabinete de comunicação e de propaganda em vez de estar a dirigir, gizar planos e formas de os executar, não age, apenas reage!
Reagir não é o mesmo que agir. E não é, de facto a melhor forma de governar. Mas reagir em quente a questões sérias, estruturais, vetustas, leva-nos a desacreditar mesmo aqueles em que, nalgum tempo, chegamos a depositar esperanças.
Faltou água. Rezaram, fizeram mesinhas e esperaram que se cumprisse o velho ditado do Abril águas mil, que no São João caem nevoeiros e chuviscos e que  o primeiro de agosto é o  primeiro de inverno. Nada! Na verdade não chove coisa digna desse nome, em algumas Ilhas, desde Março. Santa Maria enfrenta, neste momento, uma das maiores crises de água de que há memória. Anda a Câmara num esforço hercúleo a acartar água de reservatório em reservatório para que não falte nas torneiras das habitações, pneus e gasóleo com fartura.
Em São Miguel e Terceira a miséria está à vista de todos. Na Graciosa já se fala do assunto, que eu me lembre, vão para lá de 30 anos.
No mundo todo, pelo menos desde as primeiras pedradas atiradas ao charco por Al Gore, não se fala de outra coisa. Por cá, na imprensa regional, só eu já fiz publicar uns quantos textos sobre o assunto, até corri o risco de sugerir um plano e indicar lugares para possíveis mini açudes para retenção de água em ribeiras com caudal permanente. Especialista em generalidades, dizem eles. Os políticos devem ter achado esdruxula a ideia, os técnicos, que nunca se pronunciam publicamente, devem ter achado que eu tentava descobri a pólvora chinesa, mas sabem, todos eles, que tenho razão.
Só quando há secura é que a malta, lá no café e com a barriga encostada no balcão se lembra da água. Mas as secas serão cada vez mais prolongadas e cada vez mais frequentes e então a malta começa a reagir. E ai está um dos grandes problemas. A reação vem sempre com soluções fáceis, rápidas  mas nem sempre duradouras. O Sr. Secretário que tutela a Agricultura e que também tutela as florestas (outro assunto que um dia vai ser noticia pela negativa) vem agora dizer uma coisa extraordinária diz: “Estamos concentrados em encontrar pontos de abastecimento de água de ribeiras com caudal permanente, como é o caso da Ribeira da Alegria, na freguesia das Furnas, cujo caudal servirá para reforçar o abastecimento do complexo da Lagoa das Contendas”. Ou seja  é gastar o resto até à ultima gota e quem vier atrás que apague a luz e feche a porta.

Não faz falta captar e canalizar as ribeiras de caudal permanente, faz falta construir açudes e outras soluções de retenção de água a montante para alimentar os lençóis freáticos. Em lugar de promover o abate de matas regionais para vender ao preço da “uva mijoa” a alguns amigos do regime à sombra de encapotados concursos públicos e brincar ao desenvolvimento de biótipos e aos salvamento do Priolo,  o que faz falta é plantar mais criptoméria em altitude para captação da humidade e introdução dessa água nos solos  tal como os estudos publicados ainda recentemente por cientistas comprovam.
O que faz falta é agir em vez de reagir. O que faz falta é ir ao terreno trabalhar em vez de inaugurar.
Que a seca vos abrase essas cabeças que o fogo da vossa incompetência já nos abrasou a todos. 


São Lourenço, 31 de Agosto de 2018.

27 de agosto de 2018

Tiros de pólvora seca!


Correm esgotos para as ribeiras, para o mar. Por encostas abaixo jorram lamaçais vindos de pocilgas e nitreiras de vacarias clandestinas. As estradas estão ladeadas de lixo, fraldas descartáveis, embalagens  de iogurtes, latas de refrigerantes, sacos de batatas e outras iguarias dos tempos do consumismo. Por aqui e por ali, encontro  restos mortais de uma queca apressada ou de uma refeição adquirida no “drive in” do restaurante de “fast food” mais próximo.
Em pleno século XXI ainda se  encontram resíduos, largados por mão humana,  nos mais recônditos lugares.

Usamos e abusamos de químicos para a agricultura, o Estado/Região usa glifosato em grande escala no combate a infestantes em bacias hidrográficas. Queimam-se com químicos as infestantes das bermas das estradas matando também endémicas e exóticas. As câmaras combatem as ervas dos passeios de calçada portuguesa com recurso a herbicidas.
Enterramos, todos os dias, toneladas de resíduos que não sabemos o que são. Deram-se -ministraram-se, como é moda dizer agora - cursos e mais cursos de uso e aplicação de fitofármacos mas ninguém monitoriza ou fiscaliza o uso e abuso dos mesmos. Fizeram-se leis plenas de bonomia que são inaplicáveis e quase impossíveis de fiscalizar.

A nossa grande riqueza, a agricultura, importa alimento sem rastreabilidade alguma, sabemos lá o que se está a importar e a introduzir na nossa cadeia alimentar por falta de coordenação e de controlo. Importamos sementes manipuladas geneticamente sem sabermos, usamos e abusamos de híbridos, de milho, meloa, melancia, tomate, courgettes, alface, repolho, couves e até –imagine-se – pimentas que dizemos serem da terra. Tudo  isso, desconfio, sob as bardas dos serviços oficiais sem que esses o desconfiem ou sequer tenham noção da sua gravidade.
Os turistas e os locais que redescobriram ou descobriram  a sua própria terra (finalmente)pisam e repisam em zonas protegidas sem controlo. Os serviços públicos abrem autenticas “autoestradas” em zonas de paisagem protegida.

As reservas marinhas são saqueadas por pescadores furtivos sem qualquer tipo de controlo (que é feito dos Drones do Brito e Abreu?). Mergulhadores de recreio embaraçam-se em redes ilegais largadas ao emalhe em zonas proibidas sem que se descubra o nome do prevaricador.
O Mar, está na boca dessa gente que nos governa mas ela pouco ou nada sabe o que fazer com ele.

Todas as semanas importamos mais viaturas, mais combustíveis fosseis, mais plástico, mais venenos.

Apenas exportamos peixe fresco, algumas conservas de tunídeos, gado vivo e uma dúzia de carcaças de vaca velha. A nossa industria está reduzida aos lacticínios, que usam parte das matérias primas locais  e às agroindústrias e conservas de peixe cujas matérias primas são, na sua grande maioria, importadas. Nem uma lata de comida de cão ou gato produzimos a moda do “petfood” passou-nos ao largo com tanto que tínhamos para enlatar. Não produzimos nem um parafuso, nem um rudimentar instrumento (ainda haverá quem faça sachos?). Da indústria que tivemos no final de XIX e XX, temos apenas meras recordações materializadas em velhas chaminés e um museu de arte contemporânea que deveria ter sido museu da indústria micaelense.
 Exportamos, todos os dias e à distância de um clique recursos financeiros e gente. Sim, continuamos a exportar gente para ir trabalhar e produzir riqueza para outros e noutras paragens. É fantástico! Não é?

Encher a boca com a palavra sustentabilidade não nos transforma numa região sustentável
Palavras sem atos são tiros de pólvora seca.

Munições de salva…

São Lourenço, 23 de Agosto de 2018.

26 de agosto de 2018

"Maverick"




A política Internacional ficou mais pobre ontem 25 de Agosto de 2018. Na verdade, com a saída de cena do Senador MacCain a humanidade perdeu um dos seus melhores. Já vão restando poucos.
Outrora detestado pelos seus oposicionistas, inclusive no Partido Republicano onde perdeu internamente em 2000 a corrida para a nomeação  a favor de  George W. Bush e maltratado nos media europeus, hoje , certamente, todos vão ser unânimes, todos vão escrever e dizer que se perdeu um grande Homem, todos vão lamentar o facto de não ter sido Presidente dos Estados Unidos da América.
Em 2008, “at least”, MacCain garantiu a  nomeação para candidato presidencial pelo Partido Republicano.
Tal como escrevi na altura, numa contenda difícil, John MacCain foi vitima da herança das politicas e falta delas  de George W. Bush e de uma campanha pouco ortodoxa que tendo-o poupado, perpetrou fortíssimos ataques  contra a sua putativa Vice-presidente Sarah Palin, quer  pelo seu discurso pleno de conservadorismo radical e nacionalismo, quer pelos escândalos familiares.
MacCain foi vitima de xenofobia. Ironia das ironias. MacCain foi o primeiro exemplo de um enorme politico, com convicções e um projeto humanista  global, que foi derrotado apenas porque era branco, genuíno nas suas convicções e heterossexual. 
O Mundo ficou a perder.

25 de agosto de 2018

Coluna Liberal - Jornal Diário dos Açores 24 de Agosto de 2018


Talvez não seja por puro acaso que começam a reaparecer em Portugal novos partidos de inspiração liberal. A ideia transversal à sociedade portuguesa de que algo vai podre nesta democracia representativa do levanta-te e baixa-te às ordens do chefe; Da disciplina de voto; Do carreirismo político; Do nepotismo e da plutocracia. A ideia corrente e generalizada de que são todos iguais apesar de alguns serem mais iguais do que outros (o caso Robles foi só mais um). O descrédito gerado nas instituições partidárias e a sua manifesta incapacidade de se reinventarem por estarem perdidos nas suas convulsões internas e por se terem tornado numa espécie de estribo para interesses pessoais. São motivos mais do que suficientes para buscarmos soluções fora do tradicional espectro político-partidário.
Depois das aparições dos partidos sectoriais, dos reformados, dos animais (quem sabe ainda vai aparecer dos LGBT), partidos com agenda mas sem ideologia, embora se lhes reconheçam tiques totalitários e de esquerda. E, depois da recriação da UDP e do PSR por fusão no Bloco de Esquerda, eis que Portugal assiste ao emergir da Iniciativa Liberal.
Primeiro foi um movimento, depois um partido, uma espécie de “startup política” de matriz essencialmente liberal, sem pejo e sem complexos que se diz estar, ideologicamente entre o PS e o PSD, à esquerda deste e à direita daquele, seja lá o que isso for. O Iniciativa Liberal aparece como uma espécie de PRD liberal, ou seja um Partido que apesar de se afirmar como novidade, encerra nos seus princípios programáticos, a que chamaram de Manifesto Portugal Mais Liberal, um conjunto de banalidades e lugares comuns capazes de serem sobescritos por qualquer dirigente do PS do PSD e até do CDS. O Iniciativa Liberal parece, assim, uma espécie de caixa de cartão  onde cabem todos e tudo. Para um novo partido, são vetustas práticas. Para uma solução inovadora são velhas táticas. Para uma perspetiva de futuro tem já demasiado passado.
Uma das questões que mais reservas me causou no manifesto e nas palavras dos promotores da Iniciativa Liberal, é o facto de acreditarem que Portugal é já um país liberal. Na verdade, nem com D. Pedro IV foi possível afirmar essa certeza e mesmo durante a primeira república, com a desordem instalada, foi possível garantir esse desiderato tendo o pais acabando se entregando a um regime de partido único, personificado num líder feito herói nacional. Caído o regime do Estado Novo, logo nos apressamos a apoiar outro tipo de totalitarismo do qual, felizmente, nos libertamos em 25 de Novembro de 1975. Não somos, na verdade, um país de liberais e isso explica muita da nossa pobreza, do nosso atavismo da nossa condição de dependentes, da nossa permanente busca de soluções exógenas quando elas são, ou deveriam ser, endógenas.
Agora aparece-nos a Aliança, movimento para-partidário liderado por Pedro Santana Lopes. Com uma declaração de princípios que, apesar de não trazer nada de novo, não esconde ao que vem. Três palavras-chave encimam esse documento: Personalismo, Liberalismo e Solidariedade. Parece-me bem, mas vamos escalpelizar o que nos é dito nesse manifesto sobre estes três “eixos fundamentais”. Pouco ou quase nada, na verdade.
O documento não vai além de considerações vagas sobre o respeito pela vida, a dignidade humana e a pessoa no centro das decisões. Sim, concordo mas é pouco. Importa saber o que pensam os “aliados” sobre temas tão na ordem do dia como a eutanásia e o aborto (recuso usar a sigla IVG).
Para lá de pequenas referências à liberdade religiosa, a defesa da iniciativa privada e a liberdade económica, o manifesto perde-se em pormenores de programa de governo deixando algumas ideias basilares do liberalismo por explorar.
De matriz democrata-cristã, na esteira da doutrina social da igreja, o fundador deste movimento não poderia deixar de falar de solidariedade e de responsabilidade da sociedade pela proteção dos mais desfavorecidos, promovendo valores absolutamente essenciais ao desenvolvimento  das comunidades como são o da solidariedade “intra e inter-geracionais” e a promoção de políticas de combate à exclusão social promovendo assim uma real e verdadeira convergência social através da implementação de politicas capazes de criar oportunidades para todos e não apenas para alguns que, sabemos, são sempre os mesmos.
Pedro Santana Lopes, sempre o mesmo inconformado, resiliente, lutador, incompreendido por uma maioria de medíocres, permanentemente na busca do bem comum, saltando permanentemente para fora da sua zona de conforto, mais uma vez, dá uma lição de humildade, convicção, tenacidade e fé.
A sorte está lançada, ou como diziam os romanos na antiguidade clássica: Alea jacta est.


22 de agosto de 2018

Ainda se fosse Nicolas Maduro!




A polémica à volta do convite e “desconvite” a Marine Le Pen para discursar no websummit por pressão das “blocoreanas” evidencia bem o que essa gente que, ainda ostenta nas suas bandeiras os símbolos do socialismo soviético,  pensa ou melhor verborreia sobre as liberdades individuais e sobre o pensamento livre , seja ele qual for. Quem não pensa como eles não o pode expressar.
 Para essa gentinha que se julga gente e que segue atentamente e com aplauso as revoluções ibero-americanas e que encontra virtudes no líder da Coreia do Norte, todos os que não pensarem como eles terão de ser silenciados. Esta é, claramente, a  visão turva dessa gentalha descamisada dos blocos e dos PCs, dos Ciudadanos e quejandos. 
Sobre esse direito fundamental da construção do estado de direito democrático que é a liberdade de expressão essa gente tem uma visão clara, só pode falar quem concorda com a cartilha da esquerda extrema, seja ela mais contemporânea ou mais ao jeito dos Partidos Comunistas do  século XX, tanto faz.  Quem não pensar como eles ganha de imediato o epiteto de pernicioso, falso, perigoso, fascista etc.
Atente-se ao que chegou o “argumentário” dos seguidores de Trostki, Estaline, Lenine e outros bons rapazes. Acusam  Marine Le Pen de fascista, pró-nazi, nacionalista e xenófoba. Pior, é acusada de ser tudo isso e de não o afirmar claramente de ser uma dissimulada perigosíssima populista.
Ora essa “esquerdalha” que mentiu e mente  ao mundo o tempo todo, que tem no seu ADN os campos de trabalhos forçados da Sibéria, os Gulag, milhões de mortes em nome da revolução do proletariado  e que continua a construir narrativas falaciosas sobre as maravilhas do socialismo e do comunismo que, sabemo-lo todos hoje até por o estarmos a sentir na pele, trouxe ao mundo a fome e a miséria mesmo em Países onde o potencial endógeno era imenso, age como se o estivesse a fazer em causa própria.
Essa horda de deslumbrados mente e constrói realidades virtuais por isso acha que toda a gente é igual e que toda a gente, seja qual for a sua linha de pensamento, age de forma diferente do que pensa. Mentirosos compulsivos, vendedores expertos da banha-da-cobra, acham-se todos moralmente superiores aos demais quando na verdade a sua moral vale tanto como um punhado de cascas de lapas.
Para uma coisa serviu esta polémica. Serviu, na verdade, para comprovar que quem paga manda e que, apesar do evento ser supostamente privado, quem paga todo aquele arraial somos todos nós. Isso mesmo disse  Paddy Cosgrave, o Irlandês que lidera o evento, “se o governo português pedir para retirarmos o convite a Marine Le Pen nós retiramos”. O respeitinho é bonito e fica bem a qualquer um mas esse respeitinho tem apenas uma “moral”, absolutamente teleológica, a “ética” do vil metal.
Fogo vos abrase a todos que o povo, esse, já arde literalmente em fogos florestais e figurativamente na fogueira da pobreza e da coleta de impostos diretos , indiretos e encapotados e não há websummit que nos livre dessa “canalha”.


São Lourenço, 17 de Agosto de 2018.

13 de agosto de 2018

Vasco Cordeiro não merecia esta gentalha!

São mais do que as mãezinhas até porque alguns trouxeram famílias inteiras, os cristãos novos e os “agamelados” (gente que apenas sabe e consegue viver sentada à mesa do Estado/Região) que se juntaram ao Partido Socialista no encalço de, a pouco custo, canibalizarem o regime e assim satisfazerem os seus apetites privados em lugar de servirem a coisa pública. Não há qualquer mal em servir o Estado/Região, bem pelo contrário, o mal vem ao mundo é quando esse desiderato é substituído para usar o estado/região em seu beneficio ou dos seus familiares.
Há muitos donos de muita coisa que é pública nesta região e há muita gamela que deveria estar a servir o Povo e está apenas a servir os canibais do regime.
O caso recente, divulgado por este jornal, sobre o desvio de um meio de socorro à revelia das decisões técnicas, para servir um familiar de um decisor é bem demonstrativo do que aqui escrevo.
São uns “meia-tijela”, inúteis e  incapazes de construir seja o que for que dignifique o próprio regime que acham eles ser outra coisa qualquer. Dão-se a ares de gente mas não vão além de maus hábitos aburguesados. Fumam charutos cubanos  mas sacodem a cinza para cinzeiros de reles cristal. Bebem chá e, outras infusões da moda, de mindinho em riste achando que é assim que deve ser pegada uma xicara. Alimentam-se ruidosamente de croquetes e empadas e espevitam os dentes no final entre um copo de gin agitado, tantas vezes, com recurso ao dedo indicador
O Partido Socialista de 1996 era muito mais do que a meia dúzia de socialistas puros e resistentes ao regime “amaralista” capitaneados por um perseverante Carlos Cesar. O PS de 1996 era um estado de espirito, uma atitude, um movimento que nasceu nas regionais de 1992 em volta do saudoso Mário Machado e que juntou socialistas, democratas cristãos separatistas e outros “istas” e que apesar de uma estrondosa derrota não atirou a toalha ao chão e 4 anos depois, em 13 de outubro de 1996 fez mudar os destinos desta Região de forma muito significativa. Estava quebrado um ciclo.
Muitos dos que hoje percorrem os corredores do poder nem eram ainda seres pensantes (se é que alguma vez pensaram) e a sua ignorância sobre a tenacidade e a força que foram necessárias para alterar o rumo dos Açores nessa altura, não lhes permite sequer perceberem que cometem os mesmos erros que levaram ao colapso do regime de então. Prepotência, arrogância, nepotismo, perseguição, conspiração e falta de noção dos limites das suas ações e a falta de discernimento acerca do poder que lhes foi confiado. O poder democrático é efémero e a sua conquista é quase tão dolorosa como a sua perca.
Muitos, como se usa dizer comummente, assentaram praça em general e por isso são incapazes de imaginar o que foi a luta dos soldados nas trincheiras do lado oposto à hegemonia do PSD de Mota Amaral. Outros ficaram a “caçar de espreita” até ao contar final dos votos naquela noite quente de outubro e como a coisa ficou muito periclitante quedaram-se à espera dos anúncios dos dias seguintes para decidirem o que fazer, onde se posicionar.

Apetece parafrasear Batista Bastos e perguntar: Onde estavas a  12 de Outubro de 1996?


Ponta Delgada, 09 de Agosto de 2018

11 de agosto de 2018

Coluna Liberal - Jornal Diário dos Açores 10 de Agosto de 2018

Quando falámos de liberalismo logo somos associados ao capitalismo, ao liberalismo meramente económico. Ora esse é o enorme erro que o grosso da coluna anti liberal incorre quando nega o liberalismo por reação ao capitalismo selvagem. O estado liberal não é apenas um estado que permite o livre comércio a liberdade de estabelecimento e a concorrência.
Na verdade, o Capitalismos, o liberalismos económico, é uma consequência do liberalismo lato senso não um fim em si mesmo. O estado liberal assenta essencialmente nas liberdades políticas, nas liberdades cívicas, ou seja nas liberdades do cidadão.
Os grandes inimigos do estado liberal são os inimigos da liberdade que muito embora andem com a boca cheia dela, escorrem-lhes pelos cantos dos lábios todos os tiques dos totalitarismos, sejam eles mais remotos no tempo ou mais atuais.
O estado liberal encerra em si mesmo um ideal que ultrapassa as questões da economia e das finanças de forma transversal. É um filho da modernidade, do rescaldo da Guerra dos 30 anos, da crise sucessória, do fim dos impérios. É um movimento que, hoje como no passado pós iluminismo, é uma corrente de pensamento que pretende defender o cidadão, individualmente, de qualquer tentativa de instalação de sistemas de pensamento único, cultura dominante ou controlo da expressão de ideias. Nesse sentido, o socialismo e o comunismo foram mais longe do que os regimes totalitários mais conservadores, condicionando, estabelecendo barreiras, destruindo e reescrevendo até a história, condicionando e anulando o exercício do pensamento divergente dos seus respetivos regimes.
A denominada Revolução Cultural Proletária na China, implementada a partir da segunda metade da década de sessenta de XX,  é o exemplo mais paradigmático de uma campanha politico-ideológica perpetrada sobre um povo para neutralizar todo e qualquer pensamento e prática cultural dissidente do regime em afirmação depois do grande fracasso económico decorrente do plano chamada de Grande Salto para a Frente que redundou naquela que ficou conhecida como a crise da Grande Fome Chinesa.
A divulgação das ideias liberais é hoje tão importante como foi no rescaldo do primeiro grande conflito mundial ou na destruição dos totalitarismos decorrentes do segundo grande conflito à escala global de onde emergiu e se reforçou o estado socialista o grande inimigo das liberdades dos cidadãos.
Todos somos atropelados, diariamente, por opressão do estado nas nossas vidas e são esses atropelos, esse ultrapassar de limites da sua ação, que os liberais, os defensores do estado liberal, combatem e devem combater na espuma dos dias.
Revisitando alguns textos publicados nesta coluna para evitar repetições de ideias, dei comigo pensando o quão importante é, afinal, repetir algumas dessas ideias para ir deixando alertas sociais para a emergência de certos totalitarismos.
Hoje, com o permanente escrutinar de certas instituições do estado, nomeadamente da justiça , instituições essas que  já nem  deveríamos questionar, corremos o risco de atropelar direitos liberais adquiridos desde o iluminismo e que foram atropelados de forma consideravelmente perniciosa para a humanidade na emergência dos totalitarismos do século XX decorrentes, principalmente  da Primeira Guerra Mundial mas também do segundo conflito do qual emergiram o Socialismo Soviético,  o regime chinês e as revoluções populares da chamada ibero-américa que no seu conjunto fizeram já milhões de vitimas humanas e povos oprimidos e famintos.
Hoje, mais do que nunca, porque as ações do estado são mais encapotadas, mais dissimuladas e mais difíceis de medir os seus limites, mais necessidade temos de estarmos atentos para as situações que, de uma forma ou de outra, nos privam de certas liberdades individuais e até mesmo coletivas.
Vigilância é a palavra de ordem para os dias que correm.

6 de agosto de 2018

Tende Misericórdia de nós Senhor

São cerca de quatrocentas em Portugal e apoiam mais de 150 mil pessoas, na sua grande maioria idosos e desvalidos. Falo das misericórdias portuguesas, uma vasta faixa da população portuguesa é apoiada por essas instituições multiseculares de inspiração cristã. São catorze as obras de Misericórdia, sete corporais e sete espirituais, que estão na origem da instituição das Misericórdias Portuguesas por influência da Rainha D. Leonor de Lencastre. Durante muitos séculos da nossa história, estas foram as únicas instituições que deram apoio aos mais carenciados.
Hoje, a grande maioria das misericórdias portuguesas continua a ter uma importância muito relevante no apoio aos mais carenciados e no combate à pobreza e consequentemente à exclusão social. Porque o Estado não está onde devia estar para estar onde não deve, alguém tem que fazer o seu papel.
Nos últimos tempos, na espuma da “silly season”, depois de em 2016 alguns órgãos de comunicação social regionais terem alertado para situações de eventuais maus tratos nas unidades de cuidados continuados da Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada, uma televisão nacional trouxe ao conhecimento dos portugueses notícias sobre esses supostos maus tratos.
Não vi nem vou ver a referida reportagem. Nem sequer é o teor da mesma que me importa analisar mas sim a forma despicienda e leviana como são feitos certos julgamentos públicos sem que se deixem as instituições tratarem os assuntos como eles devem ser tratados.
“Houve queixas ao Ministério publico”, comenta-se por aí nas redes sociais. Há-as todos os dias. E? Uma queixa no Ministério Público implica culpa formada? Condenação? Sequer pressupõe um facto? Claro que não!
Houve notícias nos jornais e televisões! Gritam tresloucados e ávidos de sangue os mais atrevidos e assíduos comentadores dos grupos do facebook e tweetam os mais presunçosos inocentes. E?
Esta é uma questão que nos devia preocupar a todos, pois que ninguém está livre de uma cabala ou de lhe ser encontrado um qualquer “rabo-de-palha” onde alguém possa chegar um fósforo.
Por estes mesmos dias, a direção de uma Juventude Partidária, liderada por aprendizes de “gameleiros” ainda cheirando a cueiros, vociferou acerca de questões da justiça e do direito. A solução para todos os males, segundo essa gente, passa pela instituição da delação premiada e pela inversão do ónus da prova. Medidas essas consideradas de relevante importância para o combate ao crime.
Veja-se só o que fazem esses julgamentos mediáticos. Levam a que esses imberbes “jovens turcos” direcionem, ora por mero populismos ora por simples ignorância, o seu discurso no sentido de um certo retrocesso civilizacional.
Para entendermos as morosidades do sistema judicial e as suas bonomias, temos que nos centrar na história do direito que se confunde, claramente, com a história do governo da Polis e da construção do Estado-moderno.
O tempo da notícia, não é o tempo da justiça. O direito não é jornalismo e as garantias que têm e devem ter os cidadãos sobre as eventuais prepotências dos agentes do Estado não são coisa que tenha sido fácil conquistar. O regresso a mecanismos como a delação premiada, e com maior gravidade e alcance  a inversão do ónus da prova, potenciam um ror de atropelos às garantias dos cidadãos inaceitáveis nos níveis de democracia que, mesmo deslastrada, a sociedade portuguesa já atingiu.
O regresso aos julgamentos no largo do pelourinho, que hoje pode aferir-se, são as redes sociais e as gordas nas capas dos tabloides, é um retrocesso civilizacional enorme.
Aos jovens aprendizes de politiqueiros recomenda-se que estudem filosofia antes de se inscreverem numa juventude partidária.


São Lourenço, 03 de Agosto de 2018 

29 de julho de 2018

Você sabe onde fica Malbusca?

Na costa sul da Ilha de Santa Maria entre a fajã de aluimento da Paria  Formosa, praia de areias finas, claras e de fundos visíveis pela limpidez das suas águas,   e O Barreiro da Piedade, área de basalto alterado com milhares de anos de existência e referência para os geólogos, e ainda a  Ribeira de Maloás onde se podem encontrar, a 220 metros de altitude, uma queda de água com cerca de 20 metros de altura constituída por um conjunto de formações geológicas em disjunção prismática que, nos Açores, apenas é visível naquela parte  da Ilha de Gonçalo Velho,  em zonas recônditas da costa norte da Ilha de São Miguel entre  a Lomba de São Pedro e os Fenais da Ajuda  e na conhecida Rocha dos Bordões na Ilhas das Flores ,  pelo meio fica o planalto de Malbusca.
Trata-se de um pequeno planalto, absolutamente rural com um disperso casario típico e que já foi mais habitado do que é, que em tempos teve uma Escola Primária do Plano dos Centenários mas que hoje é apenas um lugar de passagem para turistas e de habitação para uma meia dúzia de famílias locais e outra meia dúzia de estrangeiros e  filhos da diáspora açoriana.
O que tem de especial Malbusca para estar a ser notícia há já algum tempo? Tem de especial que é ali naquele lugar que Governo Regional e investidores internacionais querem instalar um vasto campo de lançamento e aterragem de foguetes para satélites.
Diz-se que a Europa carece urgentemente de entrar nesse negócio e que Portugal tem um espaço geográfico privilegiado para receber um investimento de 200 milhões de dólares para o efeito. Ora aqui os estudos que a jeito escolhem Malbusca partem de dois pressupostos absolutamente errados. Primeiro é dizer que a Europa precisa sem saber se os Açores precisam dessa base seja para o que for. A outra é dizer que Portugal possui uma posição estratégica privilegiada quando quem detém essa posição é o arquipélago das Ilhas Açores.
Quem decide esses investimentos não sabe onde é Malbusca nem quer saber quem vive e viverá perto daquele lugar. Não quer saber da  nossa “Calçada do Gigante”, da nossa Praia ou das nossas gentes. Quem decide este tipo de investimento apenas procura um otário que permita a sua instalação no seu território em troca de uma mão cheia de promessas. Procura um deslumbrado que se deslumbre ainda mais com promessas de desenvolvimento. Procura um politico ávido de cair no goto da gente desesperançada que o sustenta.
Otários há muitos e há os que acreditam nos vendedores da banha da cobra (Santa Maria sabe bem isso o que é, já caiu em muito “conto do vigário”)e há os que acreditam em regressos ao passado glorioso da aviação civil, um passado em que uns viviam muito bem para uma grande maioria crescer em casa de chão térreo e cozinha no lar em lume de lenha.
Os políticos que vão decidir sobre este centro espacial em Santa Maria não vão cheirar a pólvora queimada nem os seus filhos vão crescer contaminados pelas radiações das antenas. Vão estar muito bem resguardados nos corredores do poder e vão ter o suficiente para viverem longe e protegidos. Mas há os políticos locais que, certamente, querem ver os seus filhos crescerem e viverem nesta terra e com garantias de viverem saudavelmente e sem estarem, daqui a uma dezena de anos, a falar de índices de doenças cancerosas elevados ou em descontaminação.
Aos políticos de cá (Santa Maria) deixo um apelo, não permitam que decidam por nós e por vós. 
Aos políticos de fora faço outro apelo, digam-nos a verdade para que possamos decidir. 
Numa altura em que tanto se fala de democracia direta e em orçamentos participativos (absurdo e negação das bonomias do sistema parlamentar), tenham a coragem de debater este assunto com seriedade e abertura com todos os interessados, caso contrário, fogo vos abrase a todos no planalto de Malbusca.

São Lourenço, 27 de Julho de 2018 

Jrnal Diário dos Açores Edição de 29 de Jukho de 2018

25 de julho de 2018

A volúpia de Marcelo



“Foge, foge Marcelão ” vai na bisga de Avião. Este podia ser um verso de uma sequela dos poemas de Camões e Gedeão sobre o mesmo mote. Descalça vai Lianor à fonte,  Leonoreta vai na brasa de lambreta e Marcelão  vai na bisga de avião.
Chega já a ter contornos de pornografia a forma desmesurada como Marcelo tem viajado nos últimos meses. Só no mês de junho o presidente da Republica Portuguesa foi por duas vezes aos Estados Unidos da América, depois de já ter passado por Itália e Açores. Haja recursos e tempo para essa gente gastar.
Mas, Marcelo, é só um exemplo, muitos outros governantes, onde se inclui o Primeiro-ministro passam a vida em viagens dizem eles que de Estado e seguindo a escola de Paulo Portas, a exercerem as suas influências para potenciar as exportações portuguesas. Diplomacia económica dizia o então Ministro dos Negócios Estrangeiros. O de agora, mudaram a nomenclatura mas nem por isso mudaram a prática.
Do lado de cá, o contribuinte que se espreme todo para dar um saltinho ali ao lado numa viagem de avião em linha low-cost que as regulares estão pela hora da morte, lê as gordas dos Jornais do burgo que todos os dias espelham os níveis de pobreza em que nos encontramos, o atraso que temos em relação aos nossos parceiros da restante Europa mesmo daquela que partiu em atraso por via do Comunismo e, embasbacado, constata o grau de provincianismo refletido no discurso dos políticos e pensa: Que raio faz essa gente com tanto viajar? Não aprendem nada?
Claro que não aprendem nada. Para aprender é preciso querer aprender e essa gente que nos governa, mais a outra gente que se lhes opõe e deseja os seus lugarinhos de bem remediados salários (ambição pouca tem essa gente) acha que sabe tudo e de tudo e como tal não tem espirito para aprender coisas novas. Como se diz agora, não pensam fora da caixa.
Quem governa deve faze-lo com a proximidade necessária para se inteirar dos reais problemas das pessoas. Estamos de acordo. No entanto, também carece de estar o tempo suficiente nos gabinetes para decidir pois as decisões, pelo menos a mais importantes, devem ser tomadas no recato que a racionalidade exige, não podem sê-lo no calor da emotividade dos banhos de multidão ou no rescaldo de um incidente entre duas selfies.
Em Portugal os políticos só saem dos gabinetes para o que não é necessário, saem nas campanhas eleitorais (Marcelo está sempre em campanha eleitoral) durante as quais todos (sem exceção) mentem com os dentes todos que têm na boca. Saem nas situações de tragédias principalmente para minimizarem os danos que essas tragédias, quase sempre causadas por culpa de más decisões políticas, podem causar na sua credibilidade e aceitação popular. E, saem, para visitar o estrangeiro. Nestas três circunstâncias, levam sempre um numeroso séquito a reboque, resquícios da deslocalização da corte para o brasil nos princípios de XIX.

“Foge, foge Marcelão ” vai na bisga de Avião

 Ponta Delgada, 20 de Julho de 2018

21 de julho de 2018

Coluna Liberal - Jornal Diário dos Açores 20 de Julho de 2018


Na minha coluna de há 15 dias trouxe a preocupação e um registo para memória futura de como o Estado/Região não deve entrar nos negócios que podem ser desenvolvidos por privados.
Hoje, trago uma outra preocupação liberal e social. Esta prende-se com a obsessão que o estado socialista e social-democrata tem com a taxa, a taxinha e o tachão. O controlo dos meios de constituir riqueza, a regulação só porque sim, o vício de “standarizar” tudo, harmonizar, dizem eles. Tais taroucos.
De há uns poucos anos a esta parte surgiu no mercado um novo negócio. Mercê do apetite da estranja pelo nosso destino, Lisboa e Porto em Portugal e  Ponta Delgada e Angra do Heroísmos nos Açores, bem como outras cidades atlânticas, seguem a tendência internacional no que ao alojamento turístico concerne. Apareceu o Alojamento Local.
Numa economia frágil, débil, quase inexistente como a nossa e depois de termos passado por uma crise imensa cuja recuperação está longe de ser verdade. Depois de termos todos sido saqueados por políticos corruptos, banqueiros ávidos e reguladores complacentes, à boa maneira de gente herdeira de “ egrégios avós” e como manda a tradição Lusa, desenrascamo-nos. Todos mais pobres mas todos desenrascados.

Primeiro começamos por “empurrar com a barriga” bem ao nosso jeito, já os romanos diziam “procrastinare lusitanum est”, deixar para amanhã é um costume dos portugueses, depois reagimos e finalmente agimos e quando o fazemos temos sempre bons resultados. Aumentou o emprego, o rendimento das famílias, a recuperação de imoveis degradados, tudo isso foi uma realidade e a construção civil deixou de estar totalmente dependente das obras públicas.

É então que o Estado glutão se lembra de nós e se prepara para golpear esta atividade com a espada do fisco e da regulação. É mais forte do que eles. São incapazes de gerir sem ser com impostos sobre quem trabalha, quem possui seja o que for,  para distribuir benesses a quem pouco faz. Dizem que é socialismo, dizem que é por causa dos mais pobres. Dizem!

Na verdade, a crueza dos números é inequívoca, estamos cada vez mais distantes dos nossos parceiros europeus em quase todos os indicadores. Acho que os batemos apenas nas questões ambientais (por enquanto). Registamos, todos os dias casos de pobreza extrema entre nós. Caminhamos todos, mesmo os mais remediados para uma sociedade dependente de rendimento distribuído para sobreviver.

Sim, o Estado glutão, onde se incluem as regiões autónomas e as autarquias locais, está a preparar-se para taxar o Alojamento Local, para além disso prepara-se para regulamentar e regular de tal ordem que não será mais possível  qualquer um entrar no negocio mas apenas os que tiverem acesso ao poder decisório. Sim porque o caminho é sempre o mesmo, o caminho do jeitinho, do processo que entra depois mas é despachado primeiro, dos amigos e dos afilhados. Como é que o regime vai resistir se for capaz de se reformar?

Desengane-se quem julga que o Estado está preocupado com os condóminos ou com o excesso de oferta, nunca foi essa a preocupação do glutão.

Em economia, pode-se planear, prever, estudar mercados, inventar formas de acrescentar valor e inovar. O que em economia não se pode fazer é garantir resultados mesmo planeando, prevendo, estudando, inventando e inovando. Em Portugal nem mesmo as regras fiscais são estáveis e isso condiciona ainda mais o trabalho do investidor. Aliás esse empreendedor nunca é visto como uma solução mas sempre como um problema. Veja lá o leitor que essa gente que resolveu transformar casas devolutas em alojamento para turistas anda a retirar casas do mercado do aluguer de longa duração para locais.

O Estado glutão em vez de estar preocupado com o pequeno proprietário que esta a tentar rentabilizar o seu parco património sem o vender e que, com três ou quatro camas dá emprego a pelo menos uma ou duas pessoas e muitas vezes garante o seu próprio, anda a subsidiar grandes cadeias de hotéis para se instalarem aqui e ali. O Estado, socialista e Social-democrata associado à esquerda radical, mais facilmente paga com os nossos impostos a uma grande empresa para fazer um hotel que vai remunerar com  o ordenado mínimo  os trabalhadores  e ainda dá incentivos a essa contratação do que deixa um pequeno empresário investir livremente e sem subsídios.

O Estado socialista e social-democrata, bloco central de interesses, que também não tem pejo em se aliar aos comunismos trotskista e estalinista, não tem qualquer respeito pela propriedade privada, acha-a um abuso.

Não se esqueçam disso quando forem às urnas da próxima vez.


19 de julho de 2018

Painel in Correio dos Açores edição de 13 de Julho de 2018



Correio Económico: As questões sobre o ambiente estão sempre na ordem do dia, muito sob a forma de estudos, de planos e de intenções. Os Açores apostam em ser um destino turístico sustentável, e serem reconhecidos internacionalmente como tal. Por outro lado a água, ao contrário do que se pensa, não é um recurso inesgotável nos Açores, e têm que ser tomadas medidas urgentes por forma a assegurar para as gerações futuras o seu normal abastecimento para o uso doméstico, e para o sector empresarial, nomeadamente para as áreas agrícola e industrial.


Em ambos os casos o que é que o Governo dos Açores deve fazer em termos práticos no imediato para se atingir estes desideratos? 

Nuno Barata: Na verdade as questões do ambiente e principalmente todas as relacionadas com a escassez de água na decorrência das alterações climáticas estão na ordem do dia ao nível de toda a humanidade. Por cá, muitas vezes, ficamos com a sensação que existem enormes resistências em acompanhar as tendências mundiais. Por vezes julgo que ainda estamos na fase do deslumbramento com coisas que outros, que as têm há muito, estão a tentar libertar-se. Deslumbramo-nos com a abertura de lojas de cadeias de fastfood! Enquanto outros as consideram já perniciosas formas de exploração de mão-de-obra e enormes fontes de poluição através de resíduos sólidos urbanos e desperdícios que produzem.
Deslumbramo-nos ainda com a quantidade de viaturas que importamos, enquanto os países mais avançados estão já a tomar medidas de limitação de acesso de viaturas particulares a certas áreas.
Não é incrível?
Urge equacionar medidas concretas.
Limitar o acesso de viaturas ligeiras e particulares a zonas de  grande fluxo de turistas e locais  garantindo que os visitantes possam aceder a esses mesmos espaços através de carreiras regulares de autocarros ou serviços específicos de Shuttle de preferência em viaturas elétricas é uma dessas formas de combater a pressão ambiental e garantir eficiência energética e redução das emissões de gazes que provocam o efeito estufa.
Promover a construção de mini açudes  e barragens para garantir o armazenamento de água em vales de ribeiras  em altitude por forma a abastecer os lenções freáticos e obter pequenas produções de energia elétrica limpa e renovável para abastecimento local;
Promover um equilíbrio agro-silvo-pastoril sustentável, com recurso à proibição do uso de herbicidas e pesticidas nocivos ao ser humano como via para a eficiência das explorações e para  a promoção dos Açores também como destino sustentável e de grande valor acrescentado.
Taxação do uso de plástico (não se percebe porque a Região não acompanhou as medidas da Republica) em sacos de compras, dos alimentos compostos para animais, garrafas pet e muitos outros exemplos que seria enfadonho aqui enunciar;
Apetrechamento das habitações sociais com meios de produção de energia alternativos para não só garantir mais eficiência energética como também reduzir a fatura energética das famílias mais carenciadas e assim equilibrar um pouco os respetivos orçamento e consequentemente reduzir as desigualdades.
Promover, sem tréguas, a recolha seletiva de resíduos urbanos (deve ser um desígnio regional) por forma a diminuir a necessidade de usar aterros ou a construção de meios de queima de resíduos.
As nossas Ilhas são ecossistemas em equilíbrio há muitos anos. As dificuldades económicas têm servido de regulador do processo de degradação ambiental. A prosperidade que se vai registando com o crescimento de uma nova industria como é o turismo, pode trazer prejuízos irreversíveis, urge garantir que isso não acontece, urge assegurar que os nossos filhos e netos vão poder viver com qualidade nestas Ilhas já que nem sempre é fácil aqui desenvolver atividades suficientemente lucrativas para fazer fixar as populações.

16 de julho de 2018

Mudar o Mundo a qualquer hora


Quando somos adolescentes achamos que vamos mudar o mundo todos os dias e a toda a hora. Carregamos nas costas quimeras do tamanho do universo, encontramos soluções magicas para todos os males da Humanidade, alimentamos esperanças como se a vida terrena fosse eterna.
Entramos então na juventude, começam a ser regulares a cargas etílicas nas noites de verão. Vivemos o tempo das soluções, dos planos, das noites escaldantes com as hormonas aos saltos e as  moças casadoiras em alta. Tentamos mudar o Mundo às 4 da manhã, bafejados pelos fumos de um charro mal enrolado e os vapores de um Vodka com Laranja ou de um Absinto com Kima de Maracujá. Tudo parece fácil até chegar a manhã seguinte que  desmancha prazeres e quimeras vãs. Afinal o que parecia fácil mudar às 4 de manhã torna-se difícil sequer aceitar entre as 10 e o meio-dia. São dias difíceis, horas compridas mas não cumpridas. As esperanças inoxidáveis de outrora, de ontem, de há pouco, tornam-se ferrugentas dúvidas de agora.
Espera-nos o Mundo do trabalho,  o fatinho do casamento , a família. A vida dá-nos então o primeiro grande “emborcão”  hard knoks, como nos diz Francisco Cota Fagundes na sua autobiografia, uma odisseia açor-americana, de sonhos, quimeras e de muitas desilusões, o Mundo torna-se então difícil de mudar, seja a que horas for, seja do modo que for, seja por quem for. Insistimos. A Humanidade tem salvação.
Dizem-nos, pela primeira vez que somos um Homem de meia-idade. O que é essa merda? Meia-idade? Eu sou um puto. Nesse dia de regresso a casa, levando pela estrada o SUV familiar que substituiu o desportivo de antanho, pela  estrada fora,  só, entre um som da Janis Joplin  cuja voz sai límpida do leitor de mp3 do automóvel, vamos perdidos nas vetustas memórias de uma vida bem vivida e de Mundo ganho à custa de muito querer viver. Trauteamos a valsa de Cohen que passa logo a seguir a piece of my heart numa escolha aleatória sem sentido mas que transporta os nossos sentidos para dias passados. Distantes.
Há, na verdade, pequenos gestos do nosso quotidiano que devemos mudar e outros tantos que devemos preservar porque esses são os gestos que podem mudar o mundo e contribuir para que esse seja um planeta onde , de facto, vale a pena viver e vale a pena lutar pela vida. De nada servirá, a esta como às gerações vindouras, carpir os erros das gerações passadas, viver pregado ao desígnio de que hoje não há líderes, assobiar para o ar `espera que alguma coisa mude, porque tudo ficará na mesma mesmo que muita coisa mude.
A Humanidade só se pode queixar de si proporia e só ela para garantir que a civilização, não se deteriora até à exaustão. “O Homem é o lobo do Homem” na verdadeira aceção obsiana da expressão não é uma inevitabilidade é, antes, uma questão que importa debater e combater.
De facto, pensando bem, fizemos muitas porcarias e outras tantas coisas boas, mas ainda há muito para mudar. E então damo-nos conta de que mais de metade da nossa vida já passou, somos de facto gente de meia-idade, somos se calhar já velhos demais para mudar o Mundo mas novos o suficiente para acreditarmos que o pudemos mudar a qualquer hora.

 Ponta Delgada, 13 de Julho de 2018

11 de julho de 2018

Pelos Caminhos da Paz_O Romeiro_ A Crença


Pelos Caminhos da Paz

“Dentro de mim existe uma luz/ que me mostra por onde devo andar (…)” estes são versos de uma canção que quase todos conhecemos e cantamos nas nossas caminhadas de fé e esperança. Na verdade, este caminho que nos indica essa luz interior que é a palavra de Deus pelas sagradas escrituras e a fé inoxidável de um Povo que secularmente nos foi transmitida pela força das evidências, não é o caminho no sentido literal do termo mas sim o caminho da nossa salvação, da nossa vida eterna e é esse caminho que o romeiro caminhante, homem de fé, deve procurar percorrer todo o ano e em paz.
Nós Romeiros, temos, no entanto, uma responsabilidade acrescida perante a restante comunidade cristã. Além de homens de fé somos homens em quem os outros Homens depositam muitas das suas esperanças e nunca poderemos olvidar-nos desta enorme responsabilidade. Aqueles que nos pedem orações, aqueles que muitas vezes nos seguem em silêncio com os seus olhares húmidos, depositam em nós, muitas vezes, a última das suas desesperadas esperanças. Temos de ter uma clara noção dessa nossa responsabilidade perante o Homem e o nosso Deus.
Na verdade, nos tempos que correm, mais do que uma penitência, mais do que o cumprir de uma promessa por agradecimento por uma graça recebida, a Romaria Quaresmal é um instrumento fundamental para a evangelização. Dai que, algum clero que durante muito tempo se arredou das Romarias, recentemente se tenha aproximado e acarinhado esta gigantesca manifestação de fé popular. Foi ciente do potencial evangelizador das romarias quaresmais que, por exemplo, D. António de Sousa Braga as acarinhou como nenhum outro bispo de Angra alguma  vez o havia feito.
Diz-nos o evangelista Mateus:  "Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida! E são poucos os que o encontram". É essa busca do caminho da vida, da porta de entrada nesse lugar de paz que fazemos no nosso-dia-a-dia, é essa evangelização diária, permanente, que temos obrigação de fazer junto daqueles que em nós depositam fé e esperança.

Nuno Barata
Rancho de Santa Clara.
Publicado no suplemento o Romeiro do Jornal A Crença na sua edição de 2018.07.06

9 de julho de 2018

Man Plans God Laughs



Não, este título não é por causa do álbum dos Public Enemy, vem na decorrência do Conselho de Governo temático que se realizou na semana passada na mítica, carismática, única, harmoniosa e formosa Freguesia de Furnas.

O planeamento é uma herança de longa data que os governos da Ex União Soviética usaram e abusaram para condicionar quer a economia quer as escolhas pessoais dos cidadãos. Hoje vivemos rodeados de planos e temáticas de tal forma que já nem sabemos viver sem eles.
Mesmo a mente mais livre carece de planeamento. Se planearmos pode nada dar certo mas se não planearmos, certamente quase tudo vai dar errado.

Planear é, de facto, importante mas os planos não podem ser instrumentos rígidos. Ao invés, devem ser flexíveis por forma a serem adaptados às circunstâncias. Mas, os planos também não podem servir apenas para encher prateleiras com pastas e arquivadores cheios de papeis onde se coloca tudo que o papel tudo aceita. Há linhas mestras, diretivas gerais, até bases fundacionais e filosóficas dos planos que têm que ser materializadas no terreno e respeitadas sob pena da “ideia luminosa” se transformar em fumaça.

O Estado, neste caso a Região, não pode passar a vida a plasmar  “lapalissadas” em papel e depois arquivar tudo isso no fundo de uma qualquer buraco e nada fazer.
Em matéria de ambiente, que foi o que se tratou esta semana e haverá de ser o assunto na ordem do dia dos Açorianos e da restante humanidade nos próximos séculos, os planos têm sido subvertidos de forma escandalosa. Temos as bocas cheias de questões ambientais e as mãos borradas de glifosato, plástico, cimento e ferro. Temos  resmas de papel escrito com regras e os prevaricadores (onde se incluem na primeira linha Governo Regional e Autarquias) continuam a fazer  o que bem querem e entendem sem que nada lhes aconteça.

Não basta trabalhar para a estatística. Não basta fazer com os números do ambiente o mesmo que é feito com os números do plano de médio prazo. Carece sabermos esses números que são divulgados até que ponto estão materializados, são consequentes e têm resultados na melhoria do ambiente e assim na qualidade de vida das Populações. Não basta anunciar sermos, ou queremos ser uma região sustentável e de turismo de natureza e depois termos , milhares de viaturas de aluguer a circular nas cumeeiras das Sete Cidades. Não vale a pena falar de harmonia entre a paisagem natural e humanizada e depois permitir pórticos para “selfies” na Fajã dos Cubres. Não chega falar da produção de endémicas e depois abandona-las à sua sorte ou de novo à mercê das infestantes. Não vale de nada falar dos números da mobilidade elétrica e depois carregar baterias com energia produzida com recurso a combustíveis fosseis ou mover-se em carros de alta cilindrada. De nada serve criar reservas naturais e despejar-lhes os esgotos urbanos lá dentro. Não vale de nada falar de economia sustentável e estar, ao mesmo tempo a programar lançar foguetões queimando pólvora por cima das populações. Não vale de nada falar de recolha seletiva de resíduos e estar, paralelamente, a trabalhar para a construção de uma fornalha. Não vale de nada fazer o pregão da defesa dos nossos valores culturais e das nossas raízes e depois adultera-los tomando conta deles para fins eleitorais.

“Bem prega Frei Tomaz”. Fogo-vos-abrase

Ponta Delgada 08 de Julho de 2018



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