30 de setembro de 2007

Ventos de mudança.

Windows
Os chamados partidos do arco do poder optaram pela implementação dum sistema de eleição directa dos seus Presidentes. Bem sei que esse é um mecanismo mais democrático e mais justo, é aliás, por isso, que a esquerda mais radical não o adopta. No entanto, com os resultados à vista, Sócrates, Portas e Menezes, não estou seguro de que esse seja o melhor sistema. Ou então, os respectivos partidos perderam o tino.

28 de setembro de 2007

Eu não percebo nada disso mas...

Há cerca de 2 anos congratulava-me aqui com uma notícia do então Jornal dos Açores sobre a decisão do Governo em avançar com a renovação da frota da SATA ainda antes das SCUT. Aconteceu ao contrário, infelizmente. Tal como escrevi na altura, o ATR 72 não é a melhor escolha já que o seu Maximum take-off weight, reduz-lhe o espaço de carga para cerca de 10,6 m3 e 22 toneladas de MTW, contra as 28 toneladas do seu mais directo concorrente o Dash 400, produzido pela Bombardier. Todos sabemos o problema que é escoar mercadoria e até mesmo a bagagem dos passageiros, das Ilhas mais pequenas.
Além disso, os ATR foram testados e recusados há 17 anos. Fará sentido repescar uma solução quase 20 anos depois?

O PSD a votos


Via 31 da Armada, a melhor leitura que já vi sobre os votos no PSD.
Na verdade, nem Marques Mendes é tão mau quanto parece nem Menezes é tão bom quanto mostra. Enfim, é a política à Portuguesa, concerteza. Quatro paredes cagadas e um cheirinho a fernesim.

27 de setembro de 2007

A isto chama-se...

... dignificar a política portuguesa.

A maioria dos populistas e demagogos que pululam pelo "chiqueiro" em que se transformou a politica à portuguesa, ficaria no estúdio à espera de retomar a edição para poder falar de Mourinho. Santana Lopes preferiu e bem, mandar a SIC noticias "lamber sabão". Bravo.

26 de setembro de 2007

Esperar sentado...


... não faz caminho, excepto na política à Portuguesa. Mesmo as mais difíceis “travessias do deserto” têm que ser percorridas. Muitos dos mais promissores políticos da nossa era , não foram capazes de fazer essas travessias e, ou entraram em projectos falhados (Manuel Monteiro e o PND é um bom exemplo) ou voltaram aos seus projectos iniciais antes do tempo (Paulo Portas e o CDS-PP são disto paradigma). Por cá, a regra é “esperar sentado.” Receio que, neste momento, estejam demasiados actores políticos sentados em confortáveis poltronas à boca de cena à espera que Cesar saia do palco. Esperar é uma virtude mas é preciso, contudo, ir mostrando trabalho. Berta Cabral é, talvez, a única actriz em palco secundário mostrando serviço, à espera de entrar na grande sala.
Se a lógica que preside aos partidos políticos portugueses, nomeadamente ao PSD, não fosse a de que quem perde deve demitir-se, Berta Cabral (se é que ela quer ser Presidente do Governo dos Açores) estaria muito bem colocada para enfrentar Carlos Cesar já em 2008. Mas, como a lógica vigente é a de queimar figuras, termos que esperar por 2012 depois da saída de Cesar. Talvez seja tarde.

25 de setembro de 2007

Será Portugal como eu o vejo?

(...)Eusébio era o único símbolo português vivo reconhecido internacionalmente. O Estado Novo era nacionalista, porque não tinha outra saída para levar a cabo as reformas (?) necessárias… Em contrapartida, Salazar ofereceu a Eusébio Ferreira da Silva uma chupeta. Barato! Salazar era muito poupado. “Portugal?” questionavam os jornalistas portugueses aos estrangeiros quando ao serviço da propaganda. “Eusébio” respondiam. Salazar serviu-se de Eusébio para que se confundisse a Pátria com o glorioso jogador. Sem Eusébio, corria-se o risco de ouvir por esse mundo fora como resposta à pergunta “Portugal?” um esgar do tipo bloco de esquerda: “Ditadura!”, “Atrasados” “Suínos”, o que era péssimo para as figuras sagradas e consagradas do salazarismo que queriam que o país fosse bem cotado na estranja. Portugal era uma mentira. Os “fascistas” dominavam a comunicação social e a verdade que era colocada aos nossos olhos era a que mais rendimento permitia. Salazar não contente por nacionalizar Eusébio, mandou fechar de conluio com Cerejeira a pastorinha vidente numa prisão regular. A Irmã Lúcia garantia à imitação de judeus e árabes a chamada terra sagrada de Fátima. Portugal nacionalista podia ser inculto, mas possuía um Muro das Lamentações e uma Kaaba.(...)
Um excelente texto político do grande filósofo da Rua dos Manaias, Manuel Melo Bento, o Mélito, esse traidor à Pátria Açoriana a viver há três meses em Portugal. (aqui devia haver um "bonecrinho" a piscar o olho).

24 de setembro de 2007

Santa Maria a Ilha-mãe

2007.08.28 173
O António de Sousa fez de Daniel de Sá e fez muito bem. A voz do António, a voz dos Açores, de Santa Maria do tempo dos aviões da PanAm,dos tempos de hoje, enche qualquer sala vazia tal como as tuas letras devem ser lidas no silêncio dos grilos que estão por toda a parte. Saí da Vila correndo até ao “campo da aviação” estavas ali pensativo, como sempre, olhavas o horizonte entre a torre velha de madeira americana e o verde seco das acácias já sem flor neste principio de Outono quente. Embrulhado nas tuas palavras como um pedaço de queijo de peso em papel de manteiga, fui seguindo cada uma delas e agarrando-as como se fossem minhas, como um menino que agarra e guarda o seu primeiro “Dakota de plástico”. A minha primeira parelha de carrilhos vermelhos bebeu na Ribeira do Guilherme, eram gordos. os meninos, hoje, não brincam com carrilhos. Acho que é por serem franzinos, os carrilhos. Foi aí, na décima Ilha que disse as minhas primeiras palavras de que me recordo. Hoje, ao ler-te, entendi melhor o porquê da palavra saudade, porquê essa minha ligação ao Nordeste. Porquê se saí de lá tão tenro?
Não, tu não és de Santa Maria. Embora tenha sido aqui que disseste as primeiras palavras de que te recordas, tu és um cidadão do Mundo. Um mundo que pode não ser mais do que a tua Maia, a nossa Maia, onde eu não me lembro de ter dito algumas das minhas primeiras palavras. Mas, Maia que também é minha.
Fui a Santana. Vi-te a correr pelo pasto de erva seca, amarela, a fugir da Alda que te perseguia voando em passos de gazela por cima dos muros de pedra. Meteste-te ali entre os juncos. Tudo porque não quiseste rachar a lenha, malandro. “As nossas memórias são a nossa vida. Por isso parece que vivemos tanto mais quanto menos esquecemos.” É verdade.
Tenho na minha cabeceira um excelente livro, com excelentes fotos, está autografado por dois amigos, o Max Elizabeth e o José António Rodrigues. Falta-me uma assinatura, uma coisa insignificante para ti, talvez, mas para mim importante. Vou aparecer-vos de surpresa um destes dias. Diz à Alice que prepare um chá. A última vez que bebi um feito por ela, nunca mais esqueci. Foi há vinte anos que estive na tua casa com o Laurindo. Ah, como teria gostado de ler este livro o Laurindo.
Agora, deixo-te. Vou para São Lourenço descendo pelo “caminho retorcido” das voltas, vou fazer companhia a um daqueles amigos do Dr. Pessoa. É quase lua cheia de Setembro, vai nascer por detrás do Ilhéu do Romeiro. Depois conto-te.

Pagamos todos nas compras da semana.

Embora o movimento de mercadorias tenha “estagnado” os lucros do Porto de Ponta Delgada subiram 250%. Um fenómeno que não tem a haver com a diminuição de custos ou com o aumento dos trabalhos portuários mas só e apenas com as taxas. Taxas essas que pagamos nós todos na conta final da mercearia.
Esse facto, por si só, explica a elevada taxa de inflação ocorrida nos Açores. Esta semana alguns indicadores económicos foram divulgados “propagandisticamente”. Outros, porém, foram propositadamente olvidados. Importa saber e comparar, por exemplo, o índice de preços ao consumidor, os níveis de conforto e bem-estar das famílias, o poder de compra, os salários médios.
O sector primário continua a ser o nosso principal vector económico. Ou seja, ainda estamos ao nível do terceiro mundo, com sectores como a agricultura de subsistência e pequeno mercado a absorver uma boa faixa da população activa, o que explica a baixa taxa de desemprego.
Todos sabemos que, uma tão baixa taxa de desemprego não é um bom indicador, é boa propaganda mas é preocupante do ponto de vista do desenvolvimento económico. Taxas de desemprego abaixo dos 7%, representam falta de mão-de-obra disponível, isso atrofia a economia e cria calos nas bases da pirâmide etária. Veja-se, por exemplo as Ilhas onde há pleno emprego. Os Jovens “fogem” para as Ilhas mais próximas ou migram para o Continente, vão ficando os reformados e os acomodados ou os bem empregados. Essa situação não permite inovação e empreendedorismo. O diploma que criou incentivos ao investimento nas chamadas Ilhas da coesão, estava e está pleno de bonomia. Contudo, é tarde. Já não há capacidade de reacção. Serviu, apenas, para que as Sociedades anónimas de capitais públicos vissem majoradas as subvenções a receber do dos fundos comunitários. Se é que essa não foi a intenção que presidiu à feitura do diploma.

Morreu o Mestre do Gesto.


Nacho Doce/Reuters
Aos 84 anos, depois de ter escapado à lei dos Homens (AUSCHWITZ), o mímico francês Marcel Marceau, não escapou à mais cruel e implacável das leis da vida. A morte.

Santa Maria, A Ilha-Mãe.

2007.09.01 118
É onde estou.
Depois de uma semana passada na Horta de Terça a Domingo com uma saltada relâmpago a São Miguel de Sexta para Sábado a fim de reparar uma bomba injectora, o dever chamou-me à Ilha de Gonçalo Velho. Juntando o útil ao agradável, conto estar, logo mais á tardinha, mais propriamente pelas 19h30m, nesta Vila do Porto, na apresentação do novo livro do Daniel de Sá, levado à estampa pela Veraçor e com fotografias, entre outros, dos meus amigos José António Rodrigues e Max Brix Elizabeth.

23 de setembro de 2007

Assunto muito sério, o das quotas de captura.

Cores
O mesmo se poderá passar nos Açores, com o Goraz, se o Governo Regional insistir em ficar aquém da quota estabelecida. No ano passado, por culpa exclusiva do executivo regional, ficaram por capturar 200 toneladas da nossa quota o que representa um volume de negócios que ronda os 2 milhões de euros. Este ano, se o Governo persistir na teimosia e birra política de não abrir a pescaria às embarcações que já ultrapassaram a quota, ficarão por cumprir quase as mesmas 200 toneladas. Corremos o risco de, num futuro próximo perdermos essa mesma quota, como perdemos da Gata-lixa, também por incompetência.
Nessa altura, os Governantes de agora, não se ralarão, as suas reformas continuarão a vencer ao dia 20 de cada mês.
Assunto demasiado sério para continuar a ser tratado sem rigor e sem critério como tem sido até agora, quer pela tutela quer pelas organizações de produtores que lhe vão no rasto.

Via Bloguitica

22 de setembro de 2007

Na linha do equador.

Nas próximas horas o Genuíno Madruga e o seu Hemingway deverão passar a mítica linha do equador. Será por volta das 6 horas da manhã. Marinheiro que não conheceu outra vida que não a do mar, Madruga fará a típica saudação ao Deus Neptuno.
Neptuno que ele um dia viu na Horta entristacido, na marca dos vermelhos pensativo, no Princesa Alice absorto. Neptuno que, enraivecido, lhe levou o seu Guernica.
Nomes interessantes que este lobo-do-mar dá aos seus barcos.

20 de setembro de 2007

Meter a foice em seara alheia.

Praia de Porto Pim
A cada dia que passa se vai configurando o perfil do sucessor de Carlos Cesar no comando dos destinos do PS-Açores. Infelizmente, Vasco Cordeiro é, cada vez mais, uma carta fora do baralho. Melhor para ele, pior par a Região que vê "morrer na praia" um dos mais promissores políticos do nosso tempo. Resta o Vice-presidente do Governo, o responsável pelo descalabro financeiro da Câmara de Angra, disfarçado com habilidosa cosmética e dose graciosa de circo.
Contudo, não me surpreenderia se, para evitar essa ascensão meteórica do “Vice”, o PS tirasse da cartola uma solução como José Contente. Uma político, astuto, capaz de trabalhar na sombra e capaz de escolher, muito bem, o momento certo para a estucada final. Não tivesse sido ele o grande estratega deste Partido Socialista que em 1996 era um “frangalho” comparado com o que é hoje.

Alguém sabe o que se está a passar?

A ver navios
Eu não sei porquê mas, anda toda a gente a tentar sair da Horta. Não há um lugarzinho vago nos Aviões para São Miguel e Lisboa até Sábado. Sair daqui só mesmo se for de navio de carga.

19 de setembro de 2007

Na Horta acontece pouco mas acontece


O blogger anda por aqui. Com pouco para dizer e com muito que fazer. Hoje, lembrei-me de um post do Paulo Gorjäo (o teclado näo tem til) sobre o caracter instrumental da ASAE. Aqui passa-se a mesma coisa com a IRPescas. Volto ao tema.

18 de setembro de 2007

"Pacoviano".Não?

Há fogo na casa da água e o André Bradford quer, ou acha que, a restante blogosfera deve “cagar sentença” sobre o assunto. E porque não ser ele próprio a falar disso. Provavelmente ele saberá mais do que qualquer outro blogger de endemismo açórico. Eu cá estou me borrifando para as intrigas entre o Me(r)deiros e o Cesto da Gávea, estão bem bons um para o outro.

17 de setembro de 2007

Dez livros não mas dez lugares...

Fui desafiado pelo Paulo Pacheco. Penso que não houve dez livros que mudaram a minha vida, mas os livros são a minha vida. “A cultura humanística ensina-nos a desprezar o dinheiro que gastamos com ela”. É cada vez mais difícil estar actualizado, saber das novidades e, sobretudo, não embarcar nas tendências. Na verdade, vivemos naquela que foi classificada por Samuel Johnson, como “A Era dos Autores”. Nunca houve, no nosso “portugalsinho queiroziano” então, tanto autor publicado como há agora. A literatura é um negócio. Como tal, entrou numa fase de industrialização e de vendas nos hipermercados. Isso só pode ser bom. Mas, cuidado, tal como a escolha do detergente da loiça deve ser feita com base no seu poder solvente, a literatura deve ser adquirida pela sua capacidade de mudar qualquer coisa em nós, de acrescentar alguma coisa ao que somos e de contribuir para o que queremos ser. Nesse sentido, acho que não poderei enunciar dez livros que mudaram a minha vida, mas poderei, facilmente, fazer uma lista de dez lugares (muitos já desaparecidos) em Ponta Delgada que mudaram a minha vida. De Nascente para Poente: As papelarias Açoreana e Minerva, Ambar, Neves, Matriz, Xavier Casa do Livro, Avenida, Lusitânia e Académica. Era nas papelarias que se vendiam livros.
A livraria Gil, onde cresci com o José Carlos Frias agora da Sol-mar, foi a primeira a dedicar-se um pouquinho à literatura, tendo contudo uma propensão para se centrar demasiado nos autores Açoreanos e nos livros escolares, é o "comércio da literatura" que também é preciso. Mas havia uma visita itinerante fantástica. Não, não se trata de uma carrinha Citroën da Fundação Caloust Gulbenkian, essas também levavam a literatura perto de mim, quando estava no Nordeste ou na Ribeirinha. N/M Doulos no porto de Omam, imagem retirada daqui
Tratava-se da visita anual do N/M Doulos, uma imensa livraria flutuante que, anualmente atracava em Ponta Delgada e que me fazia as delicias. A maior parte dos livros que lá adquiri têm um carimbo de 1980. Foi com alegria que descobri que o Doulos continua a trabalhar e a levar aos mais diversdos países aquilo que eles chamam Bringing Knowlege, Help and Hope. Tudo bens preciosos dos quais nós ainda precisamos bastante.

O que dizem os sábios.

Um reforma (in)compreensivel?

(...)Há já violadores, ladrões e malfeitores de ordem vária, soltos directamente por causa destas novas leis penais, sob a total passividade dos poderes públicos que a aprovaram, a saber o Parlamento em peso e com a colaboração activa dos dois maiores partidos. Os líderes desta reforma, são relativamente desconhecidos, destacando-se o representante do PS, um certo Ricardo Rodrigues.Sabe-se hoje que a PSP agendou uma manifestação em que um dos motivos é a possível libertação de assassinos de colegas, por força das novas leis, o que fatalmente irá suceder, perante a passividade dos parlamentares da Justiça.(...)

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