31 de julho de 2006

Pôr do Sol no lugar do Norte

Eu bem te dizia Francisco, valia a pena ir um pouco mais a diante.

Savana Açoriana

Em África, as planícies de prados naturais de capim africano chamam-se Savanas, quase todas povoadas por espécies selvagens, a savana é um dos habitats naturais mais completo já que permite o desenvolvimente e reprodução de inúmeras espécies. Em raros casos, a savana é utilizada na pastoricia. Contudo, em Moçambique e no Zimbabwe fora feitas inúmeras tentativas de desenvolver sistemas agricolas. Quase todos faliram ou por causa da guerra ou por questões relacionadas com os transportes e o mercado.
Essas mesmas planícies, na América do Norte são chamadas Pradarias onde no velho Oeste cowboys manejavam com peculiar destreza laços de corda para lidar os animais e onde caçadores de peles faziam as mais lucrativas caçadas de Búfalos. Hoje são campos de trigo ou reservas de indios e bufalos.
Na Argentina são conhecidas por Pampas, povoadas por vacas de carne, hoje de raça Hereford, foi nessas planícies da América do Sul que nasceram os gaúchos, tratadores de vacas cujo maneio fazem utilizando, habilmente, cordas de tamanho variável mas quase sempre pequenas com bolas de madeira nas extremidades e que lançadas, com destreza, às mãos dos bois os imobilizam completamente.
Vem este post a propósito de um comentário do André Bradford no post de baixo. Na verdade, salvaguardando as devidas dimensões, a zona de pene-planície da costa sul da Ilha de Santa Maria, feita de prados naturais de festuca jubata e lolium perene, só não tem cowboys ou gaúchos. Aqui o maneio do gado é feito com arame farpado e postes de madeira. O que não há dúvida é que, no verão, esta paisagem se transforma numa imensa planície africana.

Savana Açoriana

Ainda a moda das janelas


Camião Azul em Santana, originally uploaded by corsario.

Hoje acordei assim, para a realidade de mais um dia de trabalho de camionista. Sempre tem a aliciante das janelas diferentes minuto a minuto.
Sim, claro que preferia uma janela aberta para o nascer do Sol na Lagoa das Furnas, ou na Baía de São Lourenço (hoje deixei-a linda). Também podia ser sobre a costa norte de São Miguel ou no 20º andar de um hotel de Nova York, numa água furtada em Alfama, numa viela de Veneza num terraço de Roma. Mas no verão mesmo é aqui que gosto de estar, mesmo a trabalhar.

30 de julho de 2006

Baía do Raposo


Baixa, original carregado por corsario.

Não trouxe comigo o meu computador portátil, não dava jeito. Felizmente não me esqueci do inseparável moleskine e de um lápis. Será que, um dia, se vier a ter netos e algum deles se der ao trabalho de ler estes pequenos blocos de notas vai saber o que é um lápis? Na verdade, este é um utensílio bastante rudimentar para os nossos dias que nem imagino o quão rudimentar serão daqui a uma vintena de anos. Como todos os objectos rudimentares, o lápis tem, contudo, uma utilização fundamental nas tecnologias de ponta. Por exemplo, é utilizado para escrever no espaço onde a falta de gravidade não permite a utilização de canetas e esferográficas. O lápis é um dos meus utensílios preferidos, uso-os de todas as formas, feitios, durezas e cores.
Hoje contudo, prefiro escrever directamente para um teclado de computador, mais não seja porque a minha caligrafia é tão má que quando escrevo eu e Deus sabemos o que lá está escrito, quando acabo só Deus sabe.
Não fora a presença de um pescador solitário em cima de uma pedra e este hoje seria o lugar perfeito. Claro que o Homem está no seu pleno direito, e muito embora estejamos a uns 50 metros de distância um do outro, também eu o incomodo.


Queda de Água
Vou-me embora, estou ansioso por descarregar as fotografias que fiz para o computador e ver o resultado final, escrever um texto, talvez transcrever este e publicar ao mundo.
Atrás de mim, restam vestígios de três moinhos de água, com as suas levadas, rodas e mós que outrora moeram o milho e o trigo com que se fazia o pão. São resquícios de uma actividade industrial que cresceu nestas Ilhas até meados do século XX. Seriam propriedade do tal Raposo que não seu quem é mas vou descobrir.
Por aqui há esta baía que se chama do Raposo, há ainda dois lugares de terras boas de lavoura que também se chamam do Raposo, um na Freguesia de São Pedro, outro em Santo Espírito ali para as bandas de Malbusca.
Aqui, nesta Baía, também se plantaram videiras e construíram currais de pedra em socalcos, restam apenas uma meia dúzia deles e totalmente abandonados.
Vou agora empreender a subida de regresso ao lugar das Feteiras de São Pedro. Até mais logo.


Moinho

28 de julho de 2006

Factos 17

Porque a revista FACTOS nº 18 já está nas bancas, aqui fuica a crónica do número anterior.

Não há que ter medo de mudar

Levamos 10 anos de governo do Partido Socialista. Estúpido seria se apenas encontrasse nesta década de governação socialista coisas ruins. Muitas houveram que, por obra e graça deste Governo ou por simples mudança de atitude das pessoas, da dita sociedade civil, dos empresários, dos funcionários, mudaram e bastante. Direi mesmo que mudaram para melhor.
A verdade porém é que a grande parte da nossa população é avessa a mudanças. Corre-lhe no sangue o medo de mudar, o medo de perder regalias, de perder privilégios. Sempre o medo de perder em contraponto com a esperança de ganhar.
Já assim foi em 1996. Na verdade, lembro os mais esquecidos, só mudamos os nossos governantes por pouco. Também nesse tempo se dizia dos actuais governantes que não estavam à altura e alguns de facto não estão. E também se dizia que muitos não tinham estofo e de facto o tempo veio a comprovar que não tinham. E também na altura se dizia que não havia oposição e de facto até parecia não haver.
Não fora a total falta de habilidade de Álvaro Dâmaso para lidar com o eleitorado e não se tinham operado as mudanças que vieram a acontecer.
Os recentes e lamentáveis episódios ocorridos com a denúncia pública de um até então prestigiado cidadão, a forma inequívoca como o Governo Regional elege as prioridades dos seus investimentos conforme se ajeitam aos seus amiguinhos ou não; O anúncio de uma mudança de politicas quando toda a sociedade civil esperava uma mudança de políticos e tantos e tantos outros episódios que seriam fastidiosos aqui enumerar, são a confirmação de que, na atmosfera da política regional o ar começa a ficar rarefeito.
Não vale a pena insistir no argumento falho de que necessitamos mais e melhor oposição. Não vale o esforço de inventar fantasmas e putativos líderes de partidos que os não têm.
Na verdade, César e a forma como ele se transformou no poder, são a prova inequívoca de que não há que temer mudanças. Quem era e o que era César antes de ser Presidente do Governo Regional dos Açores? Era um deputado de segunda linha de um partido que havia estado anos perdido em guerras internas e sem rumo, sem líderes e sem apoio na sociedade civil. Um partido que se escorou nas corporações descontentes que foram durante os anos de 1988 a 1992 a única oposição nos Açores. Pena é que, essas mesmas corporações, não tenham aprendido, no passado, que a atitude de permanente bajulação do poder, como fazem agora, é menos frutífera do que a atitude independente e reivindicativa que cabe a essas organizações. Tenho saudades do tempo em que, até dentro do próprio governo, havia massa critica capaz de enfrentar os chefes.
É por aí, pela falta de participação cívica e critica que o ar da nossa democracia começa a ficar pouco aconselhável.
Não vale a pena os habituais acólitos de César virem aqui esgrimir os argumentos do passado pois que o mal dos outros me não serve de remédio. Pelo contrário, é por ter denunciado no passado bem recente de dez anos, situações como as que agora vejo que me acho no direito e até no dever de o fazer agora também. Alguns desses acólitos e companheiros de oportunidade, são os mesmos que até à noite da vitória eleitoral do partido Socialista em Outubro de 1996, ainda não sabiam de que lado estavam. Se Álvaro Dâmaso tivesse, por milagre, ganho as eleições, muitos do que estão com César estariam agora com ele e empenhados na sua defesa.
1996, deu a César a possibilidade de se mostrar aos Açorianos e de demonstrar a sua habilidade politica para governar e liderar um grupo de trabalho.2006 mostra um César no seu melhor mas um partido Socialista vitima da prolongada permanência no Governo, prepotente, arrogante, prenhe de políticos de ocasião, de falsos socialistas de falsos moralistas e de gente que, embora séria, de acordo com o vetusto Principio de Peter se mostra incompetente para o desempenho das funções para que foi nomeado.

27 de julho de 2006

Uma plataforma logistica no Atlântico.


A safra do atum registou os níveis de captura mais baixos de sempre. Custa tanto ter razão antes do tempo. Há 7 anos que eu disse, publicamente, que a pesca do atum nos mares dos Açores já tinha dado o que tinha para dar. Não fora o Governo Regional o principal credor da maioria das embarcações e já toda a frota estaria parada. Resta a solução menos politicamente correcta, abater as embarcações e reformar as tripulações ou reintegra-las em sistemas de pesca onde há falta de mão-de-obra.
À indústria conserveira sobra a esperança de que, no mercado internacional, o peixe mantenha preços e qualidade que permitam a sua importação sem que a conserva de origem regional perca a qualidade desejável.
Não é pecado transformar a Região num entreposto de "depotaje", pelo contrário, se podermos comprar produtos a baixo preço no mercado internacional e lhe dermos um cunho próprio e com isso alcançarmos valor acrescentado, só estamos a contribuir para nos afirmarmos e nos defendermos do processo inevitável que é a globalização da economia.

25 de julho de 2006

A moda das janelas

Primeiro foi esta e depois esta do tipo assim , e finalmente esta assim.
Um camionista e operador de máquinas tem, segundo a segundo, uma nova janela como esta assim.


Importa recordar...

... agora porque está em discusão.


"O Governo Regional sabe muito bem o que pretende neste processo e tenciona travar, com sucesso, qualquer batalha em que se envolva para acautelar os interesses dos Açores", afirmou Sérgio Ávila à agência Lusa.

Informação e contra-informação.

A estupefacção que suscitou este post do Mário Roberto e este outro da minha autoria, teria sido perfeitamente escusada se o Governo, através do seu Gabinete de Apoio à Comunicação Social (GACS), informasse os Açorianos, atempadamente, do decurso dos seus trabalhos em vez de usar aquele mecanismo para simples propaganda.
Lamentavelmente, só depois dos alertas e dos alarmismos é que o Governo reagiu à acção dos blogues e da população em geral.

Todo o sistema de comunicação entre os órgãos de Governo próprio da Região e os cidadãos eleitores requer ser repensado. Infelizmente, o GACS , os gabinetes dos governantes e dos autarcas, encerram alguns dos melhores jornalistas da nossa praça. Esse facto, transformou os serviços públicos, regionais e locais, em perigosos mecanismos de propaganda. Esses profissionais da comunicação deveriam ser utilizados para informar e não para propagandear.
Começa a ficar perigosa a nossa democracia, muito parecida com 1996 e o PSD, agora oposição, a ser vítima do sistema que gerou e que cresceu em 10 anos como nunca se imaginava fosse possível. Na verdade, O GACS ao pé do GIA faz deste último uma coisa perfeitamente inofensiva.

24 de julho de 2006

Uma coisa compensa a outra


Águas limpidas, originally uploaded by São Lourenço.

Eram 9 horas da noite, ainda dia. Tinha deixado de ouvir o roncar dos automóveis em passeio domingueiro. Agora, nem o mar se ouvia de tão calmo que estava. Havia meia dúzia de crianças a brincar alegremente na piscina vazia.
Já ouço as cagarras, este ano há muitas.
A quietude, a limpidez das águas e o chilrear dos melros negros por entre os canaviais, compensam todo o resto. Até quando?

23 de julho de 2006

Hoje...


Baia de São Lourenço, originally uploaded by São Lourenço.

... acordei assim

22 de julho de 2006

Julgamento?

Alguns Jornais Chamaram a isto um fulgamento
foto DN
Eu só lhe posso chamar palhaçada e isto para ser um "gajo porreiro".

21 de julho de 2006

À distância de um click?

O semanário Expresso das Nove tem hoje um artigo sobre o acesso à World Wide Web via 3G que merece algumas considerações da minha parte. Sou um grande utilizador desse serviço, que o diga a TMN. Contudo, não obstante a simpatia dos técnicos e dos comerciais daquela empresa e os esforços que fazem para me agradar, não estou nem sequer minimamente satisfeito com o serviço. Bem sei que pouco tem a ver com o operador, mas a cobertura de rede 3G nas nossas Ilhas não é nem de longe a desejável.
A título de exemplo, ontem estive cerca de 4 horas para conseguir carregar a fotografia da Sofia que aqui a baixo se pode ver. Na verdade, as placas utilizadas pelos 3 operadores são idênticas e permitem ligações por 3G, GPRS e Wlan. Onde existe cobertura 3G as velocidades são aceitáveis, já com o GPRS além de estarmos a falar de uma ligação a 57 Kbps (desesperante), as ligações cortam-se com muita facilidade o que deixa qualquer um fora de si.
Muito caminho temos para andar nesta Ilhas em termos de ligações e de redes de dados.

20 de julho de 2006

19 de julho de 2006

Mais do que merecida, exigivel.


Fotografia do Jornal dos Açores

O Jornal dos Açores, foi o único a trazer para a primeira página a homenagem que a Câmara Municipal de Nordeste prestou ao Engª Hernâni Santos. Bem haja por isso o mais jovem e ambicioso jornal de São Miguel.
Embora conte apenas com 40 anos de idade, pode dizer-se que já vi de quase tudo, em quase todas as partes do Mundo. Conheço gente nos 5 cantos do planeta. Gente boa , gente má, gente assim assim e conheço gente como o Engº Hernâni. Gente única, gente que dá de si tudo o que tem eo que não tem sem esperar dos outros seja o que for. Gente para quem a vida foi sempre madrasta mas a força de viver e a perseverança a levam à imortalidade.
Obviamente que concordo com esta homenagem da Câmara de Nordeste , outras estão por fazer, por exemplo ao Sr. José de Simas Moniz e a outros que a mim não compete sugerir. Contudo, fica esta homenagem marcada pelas qualidades técnicas e profissionais do agraciado, esquecendo aquela que é a sua principal característica. Um Homem bom! Nas minhas reflexões sobre a existência de um Deus bom e omnipresente, chego ao exemplo de vida do Emg. Hernâni Santos e todas as esperanças que eu tinha de começar a acreditar nessa tal existência dissipam-se. De facto, a vida foi-lhe pior do que madrasta, foi cruel. Primeiro levou-lhe um filho em tenra idade, depois outro já Jovem adulto, dizem que a única coisa pior que perder um Pai é perder um filho. Depois, faz-lhe ver degradar-se, tolhida pela terrível doença de Alzeimer, a sua companheira de sempre . Mesmo assim, não perdeu o seu característico sorriso nem desistiu de fazer pelos outros o que os outros nunca fizeram por ele..
Bem haja amigo Eng. Hernâni José Abrantes dos Santos, vemo-nos por aí.

17 de julho de 2006

A quem de direito

A páginas tantas a revista de bordo da SATA que, foi renovada e está com muito bom aspecto, vem um artigo sobre o pedestrianismo e as suas potencialidades numa Região que pretende afirmar-se no mercado mundial do Turismo. De facto, tem sido feito um enorme esforço, por parte de Governo e autarquias, no sentido de se criarem novos e convidativos percursos pedestres nas nossas Ilhas.
Há dias deparei-me com um cenário desolador na Ilha de Santa Maria. Mais uma vez a Ilha Amarela votada ao abandono. Não sei de quem é a responsabilidade mas as placas informativas dizem Secretaria Regional da Economia, Direcção Regional do Turismo.


Ao tentar efectuar os percursos recomendados PR1 SMA e PR3 SMA, deparei-me com dificuldades com as quais um normal cidadão desistiria. O bom-senso, tinha-me aconselhado a não levar a minha companheira habitual dessas andanças, a minha filha Marta de 9 anos, ainda bem que assim foi.
Teimoso e com uma dose de auto estima que não me faz desistir de qualquer coisa à primeira, insisti. Não fora o facto de já ter percorrido dois terços do caminho e tinha voltado ao princípio. Na verdade, o troço comum aos dois percursos e que liga o lugar do Norte ao de São Lourenço, está impraticável. As minhas pernas chegaram ao fim pareciam a testa do Cristo do Mel Gibson em Sexta-feira Santa.
Eu já não falo na importância que possa ter para a Ilha a existência de tais percursos, falo da segurança dos turistas e dos locais que gostam destas actividades. Ao menos retirem as placas informativas que dizem que o passeio é de grau 2 de dificuldade, é que aquilo está inqualificável.
PS: No Avião para São Miguel agora há pouco, vinha uma turista acidentada num desses trilhos.

Um post entre...


... os Lugares de Encanto do Vital Moreira e os Retratos do Trabalho em Portugal do Pacheco Pereira. carregado para a WWW pelo único Blogger camionista que eu conheço.
A fotografia podia estar melhor mas trata-se de um auto-retrato utilizando o Nokia qualquer coisa que tem uma câmara com apenas 1.3 megapixel de resolução. Ao fundo entre o azul conbalto do céu e um verde atipico dos Açores mas natural desta altura do ano em Santa Maria, podemos ver o Bairro Habitacional da Brasilia, no Aeroporto daquela que já foi a mais central das Ilhas dos Açores. Este conjunto de três bairros, com destaque para o mais antigo cujo nome não sei, contitui uma notável obra de arquitectura contemporânea, daquelas que só se faziam naquele tempo.

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