30 de junho de 2006

Mais Mélito noutro Mélito

...Só nos regemos pelas horas certas da barriga... É preciso dizer que a "Língua Afiada" esperava pelo dr. César para o direito ao contraditório. Desconfiei que uma vez encarnando a figura do dr. Mota Amaral ele não aceitaria o repto lançado pelos responsáveis daquele programa. Mota Amaral fez o mesmo com Martins Goulart. Gostei da intervenção do socialista Pedro Arruda (troquei-lhe o nome numa das minhas crónicas). Mostrou que nem sempre os antolhos ficam bem a quem tem obrigação de difundir opinião correcta. Admirei-me, também, com Nuno Barata. Foi inteligente. Deu a volta ao texto e forneceu boas pistas para o futuro. "Língua Afiada" merece o lugar no pódio. Toma lá! Que isto não é nenhuma condecoração. Uma última palavra para o jornalista Rui Lucas. Boa análise e boa argumentação. É um homem preparado. De um a cinco ananases dou-lhes quatro. Fico com um!

Obrigado Mélito, exagerado como sempre.

Última Hora

Finalmente mudanças no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Por razões de saúde ou não a verdade é que há muito se esperava a saída de Freitas do Amaral dos destinos da política externa Portuguesa.
Longe da lógica futebolística de que "em equipa que ganha não se mexe", O Primeiro Ministro faz mexidas no Ministério da Defesa e dos Assuntos do Mar onde Luís Amado vinha fazendo um trabalho altamente meritório, apenas se espera que no MNE, Luís Amado seja tão eficiente como foi na pasta anteriormente ocupada. Para ocupar o lugar deixado vago por Luís Amado, parece-me incontestável a nomeação de Nuno Severiano Teixeira que não foi um bom Ministro da Administração Interna no "Pântano Guterrista" mas que está claramente talhado para o cargo que agora vai ocupar.

Autocensura


Canas e Saltos, original carregado por foguetabraze1.

É preciso fazer um esforço bem grande para ficar calado quando se ouvem disparates colossais sobre um sector que se conhece muito bem. Mas como diz um amigo meu, até o desassombro tem limites.

29 de junho de 2006

A maior ponte do mundo

Braga Bridge
Entre a comunidade açoriana na nova inglaterra diz-se que Fall River é uma extensão de Portugal, mais propriamente dos Açores. Agora, depois da ideia pindérica de gosto mais do que duvidoso que um grupo de conterrâneos saudosistas, liderado por um tal Frank Cabral, teve de edificar, numa Praça, absolutamente secundária, uma réplica das Portas da Cidade de Ponta Delgada, torna-se cada vez mais verdade que a Braga Bridge é a maior ponte do Mundo porque une Portugal à América.
E lá vai a nossa Presidenta de vestidinho azul coroação mais o seu séquito e demais convidados, participar na cerimónia de inauguração do tal monumentozinho.
Se o mau gosto pagasse imposto nós não tínhamos que pagar derrama.

Foi com o Mayor Edward Lambert Jr. que Berta Cabral aprendeu a andar de carro de cavalos, felizmente o nosso José Afonso (casinha) não traja essas vestes "abichanadas" que são as dos Cowboys norte americanos. Meu caro "cowboy das costas quebradas" muitos sapos vais ter ainda que engolir.
NB: O foguetabraze não se reponsabiliza pelas "peixeiradas" que este post possa provocar.

28 de junho de 2006

Atenção FIFA, existe o juiz perfeito.

Eu sei que tinha prometido não escrever sobre o mundial e sobre a selecção do "Xô Xcolari". Mas é demais estar prá qui num sufoco para escrever sobre o fora de jogo não assinalado á selecção do Brasil.
As arbitragens neste Mundial têm falhado redondamente na avaliação dos fora-de-jogo. Na verdade é muito difícil ao árbitro e aos juizes de linha manterem o olho no avançado que passa a bola no outro que a vai receber e aind anos defesas, só há uma pessoa capaz de fazer isso bem feito, O Professor Medeiros Ferreira.

O último, pelo menos desta época.

O "Língua Afiada" vai para férias a partir de Hoje . Já sabe, vamos para o ar na RTP Açores pelas 22 horas, Eu e o Pedro Arruda e o Rui Lucas, vamos fazer um balanço dos temas recorrentes das 35 semanas em que estivemos no ar.

Por falta de comparência, o Partido Socialista e o governo abdicaram do espaço ao contraditório.

Pobre democracia a nossa em que o poder se arroga em único detentor da verdade e não se digna marcar presença onde se faz o debate daquilo que interessa a todos. Calem-se aqueles que ao longo das últimas semanas se queixaram da falta de espaço para o esclarecimento e o contraditório. Calem-se os avençados ou não, anónimos, encapotados e maldizentes que o Vosso líder, tal como Vós não tem coragem para dar a cara.
Para quem tem TV Cabo em serviço DTH, pode ser visto no restante território nacional. Pode ainda ser visto no resto do Mundo clicando aqui e bastando, para isso, possuir ou fazer o download do programa real player. Muito simples. Para ver e comentar aqui no V. foguetabraze ou por aí nos cafés e adros das Igrejas.

27 de junho de 2006

Tá mal...,

...pois claro que está mal. O Governo não tem o direito de reduzir o nº de professores dispensados do desempenho de funções docentes para se dedicarem ao sindicalismo de 450 para 300. Não há direito, quanto muito o Ministério da Educação devia dispensar 0 (zero) professores.
Consta por aí que na verdade não estão dispensados 450 professores mas sim mais de 1000. Isso é o que se pode chamar um escândalo.
O Estado pagará aos bancários, aos agricultores, aos pescadores, aos guarda-freios e aos cobradores da CP para se organizarem corporativamente?

Coisas novas

Há um novo post no Ponta Delgada.

Ciberpolítica XXI

A Internet e consequentemente os Blogues não mudarão a face da política e dos políticos nos próximos anos. Porém, não chegaremos ao final da década sem que este instrumento ganhe a importância que têm hoje as televisões e as rádios. Com cada vez menos tempo para estar de fronte de um televisor e sendo cada vez mais fácil aceder aos conteúdos da net, mesmo os inspirados nos modelos tradicionais de televisão, o Homem urbano, moderno, progressista dará cada vez mais atenção aos conteúdos da net.
Nesse particular, o papel do cidadão jornalista ou simples fazedor de opiniões, terá um papel fundamental no crescimento de uma massa critica que se quer participativa mas não ululante.
Aparecerão então, equipas especializadas a utilizar este meio fabuloso e aí, tal como agora, o mais bem informado é o cidadão que souber e quizer filtrar a informação que lhe enviam, seja ela pela Net, pelos media tradicionais ou por simples mensagem de telemóvel (SMS).
"Com todo o seu valor, a política baseada na Net não vai derrubar o satatu quo de um dia para o outro. O consentimento dos governos tornou-se uma piada de mau gosto no final do século XX, quando a palavra de ordem "uma pessoa um voto" adquiriu a conotação maligna "um dólar um voto", em que os dólares foram gastos na televisão, em apelos dirigidos às massas que se transformaram progressivamente em ataques de onde a verdade estava ausente."
Gillmor, Dan - Nós os media.

26 de junho de 2006

Transporte maritimo parte II

A saga do transporte marítimo de passageiros está longe de melhores dias. O Navio Motor "Bahia de Malaga", segundo navio que deveria chegar aos Açores a 1 de Julho e deveria ter saído ontem de Viana do castelo, só sairá no próximo dia 30 do presente o que o impedirá de começar a operação no dia previsto.
A levar a sério um artigo de opinião, escrito por encomenda e publicado por frete no Jornal dos Açores, o "Sr. Almeida e a Transmaçor SA vão revolucionar os transportes marítimos em Portugal". Essa é a anedota mais gira que me contaram nos últimos tempos. Deve ser a revolução dos atrasos.

Factos 16 Maio 2006

O País Real é reaccionário
Comemoramos, há dias, mais um aniversário da revolução de Abril, comemoraremos, sem pompa e sem circunstância o dia da verdadeira conquista da democracia (25 de Novembro). Fazemo-lo sem, contudo, nos apercebermos do quanto a nossa democracia ainda está pouco lastrada se é que algum dia chegou a estar.
Deixemos de lado a policia política, as prisões de caxias e do aljube, o Tarrafal e concentremo-nos essencialmente nas relações do Estado com as empresas, com as corporações e com os funcionários.
Terá de facto mudado alguma coisa? Nada, absolutamente nada!
Vivemos um país prenhe de medos atávicos, de complexos de inferioridade e de quimeras sebastianicas.
Vivemos num País com uma minoria, muito minoria, de detentores do dinheiro e com uma grande maioria de pobres. Pobres de espirito também, essencialmente centrados numa classe média que se esforça inconsequentemente para sair do vermelho, mas que não deixa de viajar para o brasil com o calção de banho Zara religiosamente dobrado e deposto no fundo da mala de rodinhas comprada na última companha Modelo/Continente. Uma classe média com muita gente mas muito pequenina, que sonha com um fatinho cinzento e uma gravatinha bordeaux, um empregozito na caixa do banco, um último modelo da Renault comprado em segunda mão num amigo da Reboleira que negoceia carros de serviço, férias e pontes lá na Aldeia ou num qualquer parque de campismo dos arredores de Albufeira.
E que mal tem isso se afinal continua a poder parecer gente desde que o sapato esteja bem engraxado e possa almoçar num restaurante (restaurante aqui é obviamente um eufemismo) da baixa cinco dias por semana, iscas com elas, pataniscas de bacalhau ou uma febra de porco com salada e arroz. " Oh xô Zé Manél e era uma imperial ó faxavor".
Durante algum tempo ainda acreditei que o país fosse progressista, liberal e fosse capaz de se libertar dos estigmas de quarenta anos de ditadura e de relações do estado com a Igreja que raiavam a promiscuidade total. Mas não! O país é cada vez mais o país dos medíocres, dos irresponsáveis que esperam do Estado a solução para os seus males. O país real é reaccionário, conservador e avesso a liberdades. O estado diz-se laico mas trata a Igreja e as suas hierarquias nas palminhas da mão, a Igreja por sua vez suporta uma ou outra investida do Estado laico e socialista em nome de umas obras nos telhados dumas Igrejas.
As corporações subjugam-se ao poder em troca de uns croquetes, o poder dá aos lideres das corporações pequeninos espaços debaixo das luzes da ribalta em troca de apoios políticos. Depois as luzes apagam-se caiem os panos entre actos, brigam os actores e aqui de El-Rei quem me acode que os rabos de palha estão a arder. E o Povo espera serenamente que do fumo não venha fogo.
É verdade o País nunca foi tão subserviente como é agora, nunca foi tão cinzento, nunca foi tão hipócrita, nunca foi tão falso.
Eles andam por aí, ou como agora se usa mal dizer, "eles andem aí".
È verdade, andam por aí muitas vitimas das multidões ululantes, muito usurpador das ideias dos outros, muito carrasco das opiniões dominantes, muito opressor desprovido de amor próprio.
Anda por aí, muita fauna saída de uma quinta de Orwel, andam por aí muitos Condes de Abranhos e muitos Calistos Eloi.Oh como são actuais as criticas sociais do século XIX e de meados do século XX.

25 de junho de 2006

Há três anos...

... este blogue começou com um manifesto editorial que dizia assim:

Tive dúvidas cometi erros na concepção e acabei fazendo um disparate. o blog açorianissimo desaparece e dá lugar a este novo blog. Para quem não sabe, "fogotabrase" é uma expressão muito açoriana que quer dizer "vai morrer longe" ou "vai chatear o Camões". Ou "vai lamber sabão" ou pior que tudo " vai beijar o Saramago que ele cheira mal da boca".prometo não deixar passar uma .

Passados três anos, altos e baixos, erros e sucessos, momentos de glória e de desgraça, ele aqui está, quase diariamente. São 1519 post, milhares de comentários, visitas diárias sempre a crescer e melhor do que uma legião de fãs é o facto de se estar a organizar uma legião de detractores, facto que me dá, realmente, "muchas ganas de seguir escribiendo".
Amanhã é a vez do Entramula do Mário Roberto e do Francisco Botelho (amigos que fiz com os blogues) completar o seu terceiro ano de actividade. Tal como escrevi há dias, a grande maioria dos blogues portugueses apareceram depois do fim da Coluna Infame a 10 de Junho de 2003. Também nos Açores essa corrente foi quase imediata.

Hoje fazem 3 anos...

... dois dos meus blogues preferidos. O Terras do nunca que agora é o French kissin' e o descrédito.

24 de junho de 2006

A cereja em cima do bolo.


N/M Ilha Azul, original carregado por foguetabraze1.

Às 19h e 10m de hoje, com cerca de 1hora e 50minutos de atraso em relação ao previsto, o primeiro cabo de amarração do N/M "Ilha Azul", de bandeira Portuguesa do registo de mar da madeira atracou no cais comercial do porto de Vila do Porto na Ilha de Santa Maria. Tudo normal, até o atraso de 40 minutos é perfeitamente desculpável atendendo á inexperiência da empresa nesta operação.
Escandaloso mesmo é o facto desta operação, pelo menos nos próximos dois anos se ir fazer no cais comercial de Vila do Porto.
O governo regional, através da secretaria da economia e da APISM SA, construiu há 4 anos um cais para ferries no porto de Vila do Porto cujos contornos já deveriam ter levado à demissão para não dizer à cadeia os seus principais responsáveis. Na verdade foram gastos milhões de euros naquela infra-estrutura com consequências desastrosas. A alteração do projecto de um cais sobre pilares que permitiria o mar quebrar por baixo, para um cais maciço, provocou uma ondulação dentro da baia que tornou a operacionalidade do porto muito reduzida. O Sr. Arménio Parece, que sabe muito mais disso do que toda a outra gente junta, avisou mas não lhe deram ouvidos e ainda falaram mal do Homem.
A obra foi de tal forma prejudicial para o Porto que, agora, vão desmanchar a parte de dentro do cais Ro/Ro, tornando-o inoperacional para implantar no seu lugar um quebra-mar a ver se melhora a situação.
Ou seja, gastou-se há 4 anos uma pipa de massa dos nossos impostos numa obra absolutamente desnecessária e a prova está à vista.
Senhor secretário da economia, tenha a honradez de se demitir se é que ainda lhe resta alguma honra.

PS: A caminho vem uma marina, também para dentro do mesmo porto. Os entendidos dizem que vai melhorar em termos de ondulação, eu não acredito que melhore mas também sei que piorar não vai. Mas há uma coisa em que piora certamente, é o espaço de manobra dos navios de carga e de passageiros já que o pontão de protecção fica mesmo em cima da ponta do Caís Ferrie bem dentro da baía.

23 de junho de 2006

Tens melhor remédio.

Eles está farto deles "dos disparates dos blogs e dos seus presumidos autores" e então criou um "blog anti-blog, em luta pela verdade!". Pois certamente vai dar-lhe muito gozo. Mas quando estou farto de blogs, ou de alguns blogs, tenho um remédio melhor do quer fazer blogs anti blogs. Desapareço. Que é como quem diz, Oh! João se estás mal muda-te.

Petulância de pensar.



O meu amigo Ezequiel Motta Moreira da Silva, que conheço desde que é gente, sugeriu a leitura do livro "Introdução à Filosofia Política" de Jonathan Wolff. Ou melhor, mais correctamente, leu qualquer coisa ao folhear o livro que lhe recordou a minha pessoa. Assim é que foi.

Caro Amigo (amigo com A grande não foi gralha, foi intencional)

As primeiras coisas que li de Wolff, foram escritas (salvo erro) entre 1992 e 1994 numa revista técnica cujo nome não me recordo e não encontro entre o montão de tralha que guardo. Lembro-me que, na altura, gostei muito pela facilidade com que entrei no artigo escrito num inglês muito claro e fácil como se impõe para um homem como eu com básicos conhecimentos da língua que se fala em terras de Sua majestade. Cheguei até a desvalorizar o artigo (recomendado por um amigo hoje professor de filosofia na UA e doutorado na Alemanha) por me ter parecido ser escrito numa linguagem demasiado simples. Mais tarde vim a perceber que, também na filosofia, o pragmatismo se impõe.
Sei que, como académico, eterno académico, bem hajas por isso, aprecias muito o respeito pelos conceitos e pela sua aplicação. Também gosto de os conhecer, mas prefiro a antítese à tese. Se me é permitido tal petulância, diria que prefiro inventar conceitos do que apreender e encarnar conceitos dos outros. Bem sei que elaboro num erro, segundo a tua opinião, mas para mim, valem mais algumas das minhas más ideias do que muitas das melhores ideias dos pensadores das ciências sociais ao longo dos séculos. Isso é petulância mesmo, mas eu gosto, és burro, dirás na tua mais sincera linguagem vernácula.
Talvez por pensar assim, com total liberdade, da edição da Gradiva (penso que a única que existe em Português) sobressai a frase de Kant transcrita na contra-capa: "De mim não aprendereis filosofia, mas antes como filosofar, não aprendereis pensamentos para repetir, mas antes como pensar." Ou ainda essa outra de Mill na página 178 (sobre a liberdade,207), "todos os erros que ele venha a cometer por não dar ouvidos aos conselhos e avisos perdem todo o peso face ao mal que seria permitir que os outros o limitassem naquilo que ele considera ser o seu bem."

Diálogo

Acerca deste blogue e do programa "língua afiada", tive há dias um diálogo interessante com uma pessoa igualmente interessante e com um curriculo invejável no que a transportes maritimos diz respeito. Foi mais oui menos assim:
A outra pessoa: Oh Nuno pelo que vejo e ouço não passou na fábrica da Compal!
Eu: O que é que isso quer dizer?
A outra pessoa: Que não lhe enlataram os tomates, 90% do país passou na fábrica da Compal!

22 de junho de 2006

Mais do mesmo e...

...para que fique claro, não sou contra o turismo de cruzeiros. Conheço bem esse tipo de turismo por experiência mais do que basta (cinco cruzeiros de sete dias, 3 nas Caraíbas e dois no Mediterrâneo e mais um de 11 dias também no Mediterrâneo o qual os mais assíduos deste blogue seguiram com um diário de bordo). Sei o que gastam como gastam e do que gastam e não é de todo desprezível para uma economia cada vez mais débil como a nossa e dependente dos fluxos de capital externo.

A questão aqui é que Ponta Delgada, há muito, precisa de um novo porto para granéis e combustíveis, essa é que é a prioridade em termos de investimento portuário. Além disso, a desconcentração de serviços da Zona portuária, acresce em muito nos custos logísticos e de pessoal que se querem cada vez mais racionais.
A construção de um terminal de granéis e combustíveis é muito mais bbarato do que essa obra faraónica do regime. Isso permitiria libertar o actual porto até à zona da chamada cortada, desse tipo de navio e instalar no edifício dos serviços portuários, uma gare de passageiros com uma pequena galeria comercial que servisse não só os cruzeiros como também, os navios de transporte marítimo inter-ilhas que o Governo insiste em construir.


Quanto aos erros de projecto, se eu o pudesse ver melhor poderia talvez encontrar todos ou quase todos, mas essas coisas têm pormenores que são, quase sempre, escondidos daqueles que são considerados nos corredores do poder persona non grata. Para já, fica para V conhecimento e memória futura, que a zona de operacionalidade disponível do cais tem aproximadamente 7 metros de largura, o que é manifestamente pouco para a operação dos grandes navios de cruzeiro como o da foto do post abaixo ou os do presente post.

Obras de regime não marcam a história.


M/V OCEANA, original carregado por foguetabraze1.

Começou a obra do regime. Cinquenta milhões de euros e uns tostões de trabalhos a mais e erros de projecto dos quais apenas ouviremos falar lá mais para o fim, é quanto vai custar a obra que marcará a passagem de César pelo Governo dos Açores.
Fique bem claro que não é isso que mais me incomoda, sei bem o que aconteceu à memória dos Açorianos em relação aos feitos dos sucessivos governos do PSD. Já ninguém se lembra de nomes como Germano Domingos, Adolfo Lima ou Jaime Medeiros. Alguns recordam Natalino de Viveiros pelas más e algumas injustas razões. Manuel Arruda ficará sempre ligado a Ponta Delegada e ao Clube União Micaelense do que ao Governo e ao Parlamento, o mesmo acontecerá aos que, agora tentam a todo o custo ficar no retrato. Ficará, à semelhança de Mota Amaral, o nome de César. Mesmo esse, se não tiver o bom-senso de deixar o navio a tempo de moralizar a pândega, ficará sempre na memória dos Açorianos ligado aos momentos menos bons da sua governação. O preço da arrogância é muito elevado e paga-se sempre mesmo que se tente assobiar para o lado.
O que me irrita, mesmo, é o facto de, levados pela cegueira de mostrar serviço e pela ânsia de ganhar votos, se esteja a hipotecar o futuro a médio prazo de toda a estrutura de transportes marítimos de mercadorias e de abastecimento e exportações das nossas Ilhas.
Sei que não mudo nada e que a gente toda está eufórica com mais esplanadas e mais um centro comercial e mais uma marina e mais um espaço de lazer e nada estão preocupados com o esbanjamento de 50 milhões de euros que em quase nada potenciam a economia das nossas Ilhas. E as corporações, nomeadamente a Câmara de Comércio calou-se, em troco de um pavilhão de exposições. Espero, ao menos, que, definitivamente, se deixem de fazer feiras e festas na zona de pescas do Porto de Ponta Delgada, é que qualquer dia a malta resolve boicotar aquela porcaria toda que já não se pode com a arrogância de quem se julga com o Rei na barriga.

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