30 de novembro de 2005

"Línguinhas de prata"!

Mais logo, pelas 21h20m, na nossa RTP-Açores "Língua Afiada". Análise e debate, em directo, por um painel de quatro comentadores, dos temas mais em foco na actualidade.Programa politicamente incorrecto, que irá falar sobre tudo o que se passa de mais relevante na sociedade açoriana, tendo sempre três comentadores permanentes - Pedro Arruda, Nuno Barata e Nuno Mendes - e um quarto comentador que vai sendo convidado pelo restante painel todas as semanas."Língua Afiada" um programa apresentado pelo jornalista Vasco Pernes. O comentador convidado desta semana é Rui Moreira da Silva Coutinho,conhecido mundialmente pelo alcunha de Maracujá, cientista, vulcanólogo da Universidade dos Açores e ex Director Regional do Ordenamento do Território e Recursos Hidricos, cabe-lhe bem o epiteto de pensador livre. Certamente vamos falar de muitas coisas e de outras tantas.
Este programa é emitido em directo e pode ser visto nos Açores através da RTP-a e no resto do Mundo clicando aqui e bastando, para isso, possuir ou fazer o download do programa real player
A língua já foi ao esmoril. Até logo.

Não...

... não morri nem estive doente nem estive em lugar sem Internet. Estive (sempre cá) sim, (tive)3 dias de muito trabalho e muita atenção dedicada a dois dos meus sócios espanhóis que raramente vêm aos Açores. Três dias de uma volúpia estonteante que quase me faziam esquecer o falar português. 3 dias sem postar e sem sequer visitar os blogues amigos e inimigos. Prometo mais assiduidade "por estas fechas". Amanhã celebra-se, em Portugal, a restauração da independência em 1640. Quanto mais lido com "nuestros hermanos" mais me convenço que era Miguel de Vasconcelos "quien ténia razón".

27 de novembro de 2005

Genial...

... este post do Alexandre Borges no seu O Boato
quantos problemas tem Portugal?
Assim de repente, consigo lembrar-me de uns 10 milhões

Companheira


Vela, originally uploaded by foguetabraze1.

Já aqui escrevi sobre esta minha vela que me acompanha há cerca de 25 anos. Está definitivamente colada num canto da minha secretária e os seus pingos já quase chegam ao soalho. Vinte e cinco anos de uma relação de intimidade, essa é a companheira de todas as solidões, a inspiradora de formas e conteúdos ,a cúmplice da minhas cogitações.

26 de novembro de 2005

25 de novembro de 2005

Um post à laia de comentário


O André Bradford lançou a pergunta: Quanto é que ganha Berta Cabral?

Na minha prespectiva ganha mal, ganha mesmo muito mal. Talvez por isso essa ânsia de procurar subterfúgios para ganhar mais. Eu não entro nessa onda demagógica sobre os ordenados dos políticos. Estes, os políticos, ou são bem pagos ou então não passamos de presidentas de coroação em vestido Azul cuecas.

...

...O CÚ vai ser testado nos Açores...EhEhEh!!!

Boa noticia

O mais recente jotnal diário dos Açores já está on-line. É aqui

Finalmente Livres!

Hoje há 30 anos, Portugal libertou-se de uma ditadura comunista que tinha tomado conta do País depois de derrubar uma abjecta ditadura Salazarista. Graças ao chamado grupo dos 9 e ao trabalho - ainda quase nada reconhecido - de Ernesto Melo Antunes "O sonhador pragmático".

24 de novembro de 2005

"Aviões já, SCUT depois..."

A confirmar-se a noticia vinda a público no Jornal dos Açores, (sem edição on-line) estamos perante uma medida acertada, será que finalmente essa gente (políticos do poder) percebeu que a SATA é a nossa melhor "auto-estrada"?
As opções pela nova frota é que não me parecem muito apropriadas para quem pretende um crescimento e melhoria desse tipo de transporte. Na verdade, quer o ATR da nova geração 500 produzido pela consórcio ALENIA e EADS, e não pela Airbus como foi noticiado, quer o Dash da Bombardier, não são aviões muito diferentes dos actuais ATP.
O ATR 72-500 na sua versão 68 ou 72 passageiros continua a ter um défice no espaço de carga que não pode ir além dos 10,6 m3 com limitação de peso máximo à descolagem na ordem das 22 toneladas. O Dash na sua versão para 68 passageiros tem um limite de 14m3 de carga, um pouco melhor, com um Maximum take-off weight de 28 toneladas, logo com maior disponibilidade de carga e bagagem.
ATR 72/500 da Alitalia
Contudo, o Dash vem equipado com motores menos económicos já que o motor PW 150 que o equipa tem mais potência do que o PW 127F que equipa o ATR, ambos são da geração dos chamados motores ecológicos (green motors).
Dash da companhia aérea FLYBE
Os dois são aviões de asa alta o que é desaconselhado para voos sobre o mar já que o seu poder de flutuação é menor.
As duas aeronaves têm a seu favor o facto de estarem equipadas com motores canadenses PW (Pratt & Witney), fabricante que motoriza os actuais ATP. Isso deverá constituir uma vantagem.

23 de novembro de 2005

Como já vai sendo costumeiro...

... mais logo, pelas 21h20m, na nossa RTP-Açores "Língua Afiada". Análise e debate, em directo, por um painel de quatro comentadores, dos temas mais em foco na actualidade.Programa politicamente incorrecto, que irá falar sobre tudo o que se passa de mais relevante na sociedade açoriana, tendo sempre três comentadores permanentes - Pedro Arruda, Nuno Barata e Nuno Mendes - e um quarto comentador que vai sendo convidado pelo restante painel todas as semanas."Língua Afiada" um programa apresentado pelo jornalista Vasco Pernes. O comentador convidado desta semana é Paulo Simões o director do mais antigo jornal português. Certamente vamos falar do rescaldo do Congresso do Partido Socialista dos Açores, do Orçamento regional, das trapalghadas de Sócrates, dos Aviões da CIA, eo o mais que se verá.
Este programa é emitido em directo e pode ser visto nos Açores através da RTP-a e no resto do Mundo clicando aqui e bastando, para isso, possuir ou fazer o download do programa real player
A língua já foi ao esmoril. Até logo.

22 de novembro de 2005

2anos2

Dois anos de Causa Nossa. Muito embora sejam apenas as causas deles que não as minhas, este é um blogue de visita diária. Parabéns e votos de muitas causas.

Trapalhadas

Estará Portugal destinado a viver em permanente trapalhada?
Parece que sim.
Depois das trapalhadas, com o Fundo Social Europeu, os hemofílicos de Évora, o Alumínio, as derrapagens orçamentais do Centro Cultural de Belém, o ZéZé Beleza, o Melancia e Macau, que levaram Cavaco Silva a sair do Governo e abandonar Portugal, foi o pântano de trapalhadas em que nos mergulhou o Eng. Guterres ea sua tralha.
Num ápice apareceu e fugiu par a Comissão Europeia o Zé Manel, não, não é o taxista do Benfica é ou outro o Cherne Barroso que nos deixou o Calimero Lopes na incubadora.
Eis que na esperança da trapalhada se esfumar, os Portugueses deram uma reforçada confiança ao Eng. da co-incineração. Tudo parecia ir bem até que no debate do orçamento de estado as trapalhadas começam a aparecer. Se a intuição da altura me levou a acreditar que quem mentia era César, passadas 24 horas já não tinha dúvidas que a mentira vinha do Primeiro Ministro. Que feio, um Primeiro Ministro mentir à Assembleia da Republica e consequentemente a todos os Portugueses.Hoje o Primeiro-ministro de Portugal aparece de novo envolvido num episódio do disse que disse e que não disse. Já não há intuição que lhe valha, agora não tenho dúvidas que é o Secretário Geral do Partido Socialista e Primeiro-ministro quem mente.

21 de novembro de 2005

Orelhas "moucas".

Vi com especial desagrado uma nota de reportagem feita hoje pelo Pedro Moura no programa Bom Dia da RTP-a, sobre a enorme poluição provocada pelo abandono de sacos para o transporte de alimentos compostos e fertilizantes para uso na agro-pecuária.
Deveria aqui dizer que é uma maçada estar à frente no tempo, mas não o vou dizer, vou mesmo dizer que é uma grande Porra estar á frente no tempo. Deixa-me fulo ter razão antes do tempo.
Estávamos no final da legislatura 1996/2000, César já sabia que no final daquele ano teria uma maioria absoluta, as coisas corriam de feição. Mesmo assim, no cumprimento das funções que me foram confiadas, apresentei em 18 de Janeiro de 2000, na Assembleia Legislativa Regional dos Açores, um requerimento sobre essa questão, prevendo já um futuro agente poluente. A resposta tardou mas sempre chegou ao plenário em 12 de Abril. O documento de resposta não está, infelizmente, disponível on-line, mas dizia o então Secretário Regional do Ambiente, Dr. Ricardo Rodrigues, que a Secretaria da tutela estava atenta ao assunto. Já lá vão quase 6 anos e muitas mais reportagens vamos ter que ver para que uma solução seja encontrada. Escusado será falar dos interesses existentes entre Ricardo Rodrigues, a Associação Agrícola e a Cooperativa União Agrícola, o primeiro agente económico a comercializar esses produtos em sacos sintéticos e a quem não dava jeito nenhum mudar para o papel.

20 de novembro de 2005

Unidos para nos tramar

A Alemanha viu, esta semana, nascer uma "grande coligação", uma espécie de acordo de regime entre os dois maiores grupos políticos, a CDU/CSU e o SPD. Angela Merkel, dos democratas cristãos alemães, será a nova chanceler. Se uns defendem que o maior vencedor desse processo de 4 semanas de negociações é a cultura política alemã, outros entendem que os pactos de regime são um processo antidemocrático.

18 de novembro de 2005

Democracia corporativa? Não obrigado!

Há muito que venho chamando à atenção do perigo de estarmos a entrar numa fase de reforço da democracia corporativa, em detrimento do mais natural e puro sistema democrático, o parlamentar.
As Assembleias da república e regionais são uma espécie de bombo em que todos entendem bater. Fica bem bater nos deputados, nos adjuntos, na instituição, mas esquecem-se que essa é a casa dos representantes legítimos do Povo e o garante único do funcionamento da democracia. O parlamento é a democracia, é o reflexo de um Povo, o espelho de uma Nação. Ao bater-lhe estamos a bater em nós próprios, e a quebrar o espelho em que nos vamos ver distorcidos. O texto abaixo é do Rodrigo Moita de Deus que o publicou no Acidental e pode ser uma boa achega para a reflexão sobre o papel que a corporações estão a ter em Portugal.

16 de novembro de 2005

Atenção é Hoje às 21h20m, hora dos Açores

Mais logo, pelas 21h20m, na nossa RTP-Açores "Língua Afiada". Análise e debate, em directo, por um painel de quatro comentadores, dos temas mais em foco na actualidade.Programa politicamente incorrecto, que irá falar sobre tudo o que se passa de mais relevante na sociedade açoriana, tendo sempre três comentadores permanentes - Pedro Arruda, Nuno Barata e Nuno Mendes - e um quarto comentador que vai sendo convidado pelo restante painel todas as semanas.?Língua Afiada? um programa apresentado pelo jornalista Vasco Pernes. O comentador convidado desta semana é André Rodrigues. Certamente vamos falar do Congresso do Partido Socialista dos Açores, da candidatura de Costa Neves à presidência do PSD-Açores e de outros temas se sobrar tempo. Sim, se sobrar tempo. É que este não é um programa formatado em que se passa ao tema seguinte mesmo antes do anterior estar totalmente dirimido.
Este programa é emitido em directo e pode ser visto em todo o mundo clicando aqui e bastando, para isso, possuir ou fazer o download do programa real player
Até mais logo.

Adivinha

Sobre que pessoa foi escrita a seguinte frase:
"Conhecidos de todos são o seu empenhamento cívico, corajoso, de homem livre, o respeito pelos compromissos e a assunção plena, desassombrada e muito manifesta da cidadania."
Dá-se um caramelo a quem adivinhar.

Bem a propósito

Abaixo el-rei Sebastião


É preciso enterrar el-rei Sebastião
é preciso dizer a toda a gente
que o Desejado já não pode vir.
É preciso quebrar na ideia e na canção
a guitarra fantástica e doente
que alguém trouxe de Alcácer Quibir.

Eu digo que está morto.
Deixai em paz el-rei Sebastião
deixai-o no desastre e na loucura.
Sem precisarmos de sair do porto
temos aqui à mão
a terra da aventura.

Vós que trazeis por dentro
de cada gesto
uma cansada humilhação
deixai falar na nossa voz a voz do vento
cantai em tom de grito e de protesto
matai dentro de vós el-rei Sebastião.

Quem vai tocar a rebate
os sinos de Portugal?
Poeta: é tempo de um punhal
por dentro da canção.
Que é preciso bater em quem nos bate
é preciso enterrar el-rei Sebastião.

Manuel Alegre, O canto e as armas

Da direita liberal a Manuel Alegre

Não sou dessa direita mesquinha e conspirativa, incapaz de fazer oposição externa e que, por isso, se entretêm na guerrilha interna. Mas também não sou dessa outra que de estrondosa em estrondosa derrota vai assobiando para o ar como se se pudesse fazer politica numa espécie de limbo. As direitas, portuguesa e açoriana, carecem de líderes que as congreguem, que arregimentem as suas tropas.
Durante dez anos, Cavaco Silva tentou ser esse líder da direita portuguesa. Terá convencido os mais distraídos, não me convenceu a mim. Por detrás da uma atmosfera de rigor e de obra em curso, escondiam-se centenas de trapalhadas que mais tarde vieram a revelar-se erros estratégicos colossais.
Uma gestão social-democrata pura, assente no aumento do estado social e a manter a economia aquecida com base em grandes obras públicas e regimes monopolistas do estado em sectores estratégicos levaram o país ao túnel em que se encontra hoje. Parecendo um liberal convicto, Cavaco governou o país sem qualquer tipo de liberalismo. As reprivatizações foram encaradas não como uma forma de devolver a economia aos cidadãos mas sim do estado arrecadar riqueza para investir em obras de regime. A abertura de novos negócios à iniciativa privada, como foi o caso da televisão, assentaram em jeitos aos amigos, primeiro ao amigo da imprensa depois ao amigo clero.
A verdade porém é que muita gente da área da direita liberal, ainda hoje, se revê em Cavaco Silva.
À falta de um candidato das verdadeiras direitas portuguesas, votarei no poeta Manuel Alegre. Esse, ao menos, encara a politica com romantismo e sentido de servir, eu não a encaro de outra forma.
Bem sei que os amiguinhos de Mário Soares andam irritadiços, dizem que Alegre apenas se candidatou para ir contra a sua candidatura, aceito. Mas não foi Soares que apresentou a sua candidatura contra Cavaco? Se é legítimo Soares tentar evitar o passeio de Cavaco pelas Presidenciais, não é igualmente ou mais legitimo ainda, Manuel Alegre tentar travar a arrogância de um Mário Soares que se julga dono da liberdade e da democracia?
Alegre uma coisa já conseguiu. Tal como Soares em 1985, Alegre conseguiu arregimentar apoios nessa tal direita liberal e ao centro, Soares perdeu-os.
Sái mais uma sondagem por favor!

15 de novembro de 2005

Segunda sessão

Pareceu-me ler de soslaio num pasquim qualquer da aldeia que Paulo Portas pretende liderar a bancada parlamentar do CDS-PP.
Onde foi que eu já vi esse filme?

Crescimento quase nulo

O Banco de Portugal reviu em baixa o crescimento da economia. Claro que não podem ser imputadas culpas a um governo com pouco mais de 10 meses de governação. Quem o fizer está a entrar num registo de demagogia pura e crua.
Contudo, deveremos olhar para este indicador com muitas cautelas. Não será essa obsessão pelo défice, que dura desde 2002, que está a retrair os investidores, nomeadamente o pequeno e médio investidor? Obviamente que sim. Numa economia ainda demasiado dependente do Estado, quando este aperta o cinto a economia tem que ressentir-se forçosamente. O Estado não tem que apertar o pescoço aos portugueses tem que emagrecer ele mesmo, na sua despesa corrente, para poder libertar capital para investimento. Tal como as medidas tomadas para combater o défice, essas que aponto também estão nos livros simplesmente são muito mais difíceis de aplicar e mexem com o bolso de quem se cruza nos corredores do poder diariamente. Por isso?

Presidente mas não líder

Um Carlos Costa Neves, desempregado da política, mais uma vez na corrida à liderança do PSD-Açores contra Américo Viveiros, é a repetição de um erro estratégico colossal. "Ó glória de mandar, ó vã cobiça dessa vaidade a quem chamamos fama?" escreveu, sábiamente, Camões .
Que medo terá esse PSD de ter Américo Viveiros como presidente?
Que diferença fará?
Essa gente ainda não percebeu que tem uma líder natural?
Porque não quererá essa líder assumir a Presidência do PSD?
Terá rabos-de-palha?
Será medo de defrontar César?
Será simplesmente por não querer? Será apenas por estar comprometida com Ponta Delgada?
O PSD-Açores vai ter um novo Presidente mas continuará sem um líder!

SA

Devido às contingências orçamentais a que está sujeito o Orçamento Regional, o Governo dos Açores desatou a criar sociedades anónimas a tordo e a torto, para ultrapassar o problema do endividamento. Falta criar a Sociedade anónima para tratar do gato da vizinha.
Eles não devem nada a ninguém mas também entenderam criar uma Sociedade Anónima de estrutura accionista devidamente identificada. O Nuno Mendes e o Rui Lucas são os primeiros investidores. Boa sorte e boas "postas".

Hoje há um ano...

...eu escrevia sobre a incapacidade de Vítor Cruz de liderar o PSD-Açores, não me enganei. Nem um bocadinho.

13 de novembro de 2005

Dire Straits


Mark Knopler, originally uploaded by foguetabraze1.

Mais daqui a pouco na RTP 1 Dire Straits on the night. Mark Knopler and friends , a não perder, uma das melhores bandas de sempre.
Dire Straits on the night é um disco de 1992, com Musica de Mark Knopfler e produção de Mark Knopfler, Guy Fletcher e Neil Dorfsman .
O album encerra os temas Calling Elvis; Walk of life; Heavy fuel; Romeo and Juliet; Private investigations; Your Latest trick; On every street; You and your friend; Money for nothing (Mark Knopfler e Sting); Brothers in arms.
É à meia noite e quinze minutos no canal de serviço público.

O Parque da Cidade


Recanto, originally uploaded by foguetabraze1.

Viver no centro da cidade foi uma opção da qual não me arrependo. Além de muitas outras vantagens, não tenho que pagar o jardineiro para ter o prazer de desfrutar de um espaço como este. O Jardim de António Borges, está como nunca, um lugar aprazível, onde a família se pode reunir numa manhã de Domingo. Enquanto as crianças se divertem nas "arredouças" perco-me pelas suas veredas e recantos de máquina fotográfica em punho tentando captar aqui e ali o momento do dia. O jardim está vazio, dois guardas, duas crianças, duas mães e dois turistas nórdicos. É caso para dizer, merecíamos cidadãos melhores.

12 de novembro de 2005

Pelas entranhas da Ilha


Trilho na encosta do Pico da Barrosa
O dia de hoje foi passado no interior da Ilha, entre a Vila da Lagoa e a Serra de Água de Pau. Na companhia de velhos e novos amigos e com a natureza por perto. Desde o Pico da Mariana até à nascente da encosta da Barrosa, com regresso pelo trilho da adutora, seguindo os aquedutos e o emaranhado de conteiras e silvados, cá chegamos e registamos alguns momentos, daqueles que não se mostram aos turistas.

Aqueduto

11 de novembro de 2005

Vale a pena ler isto

"Vasco Pereira da Costa já se devia ter demitido". Vale a pena ler esta entrevista do Ricardo Lalanda ao Expresso da Nove, lúcido, humilde e sistemático, coisas que até parecem impossíveis tratando-se de quem trata.

10 de novembro de 2005

Pinóquio e a Borboleta Mágica

Na história de Mário Collodi, escrita na Itália do final do Sec. XIX, a borboleta perguntava onde morava Pinóquio e esse mentia. A borboleta repetia a pergunta, e ele dava a mesma resposta, que não tinha morada. "Mas, de cada vez que mentia, o nariz crescia-lhe mais um pouco, pelo que não conseguiu enganar a Borboleta Mágica."
Quem nos estará a enganar, O Primeiro-ministro? Ou o Presidente da Governo regional dos Açores? Nesse último caso, o Grilo Falante, já veio a terreiro dizer que o Senhor Presidente do Governo, não tem por hábito faltar à verdade aos Açorianos. Esperemos o desenrolar dos acontecimentos mas que isso vai ter que ser muito bem explicado, ai isso vai.

9 de novembro de 2005

Porque hoje é Quarta-feira

É dia de afiar a língua. Não perca mais logo à noite na nossa RTP-Açores o programa de que mais se fala nas ruas dos Açores. É verdade! Ainda vamos para o 3º programa e já tenho muita dificuldade em atravessar a cidade sem ser interpelado por um ou dois cidadãos. Uns abonam outros desabonam mas todos falam da "língua afiada" de quarta-feira à noite.
Já se sabe! Hoje vamos falar de Costa Neves, dos conceitos de autonomia de Jorge Sampaio, das relações financeiras de cabeceira entre César e Sócrates, do serviço público de televisão e dos recentes acontecimentos em França na perspectiva das suas implicações na Região. Sim eu não disse Açores mas escrevi Região, essa entidade conceptual que, segundo Medeiros Ferreira, serve de argumento para nos afirmarmos e nos "fazermos representar nas mais altas instituições da União Europeia".
Para ver e comentar aqui no sempre vosso Foguetabraze, o blog mais desinibido dos Açores e arredores.

8 de novembro de 2005

Mujahedines Franceses V

A sociedade das formigas é uma sociedade igualitária. Todas as formigas trabalham para o bem do formigueiro. Não existem divisões nem conflitos de interesses. Todas as formigas têm o mesmo interesse, garantir a sobrevivência e a reprodução da comunidade. O formigueiro é o estado socialista ideal. Mas o formigueiro só é possível porque não é uma verdadeira sociedade. Todas as formigas têm exactamente o mesmo código genético.
Tirado do Blasfémias, um blogue que nem faz parte da minha lista de favoritos mas vai passar a fazer.

Mujahedines Franceses IV

É claro que eu não vou deixar passar em claro o post do ToZé no seu Ardemares, nem os últimos comentários do Ezequiel aqui no foguetabraze. Comecemos pelo fim.
Caríssimo Ezequiel, certamente leste o meu post na diagonal, incomodou-te aquela questão da genética e então desatas a chamar-me nomes como d Le Pen, Häider e outros epítetos que não me cabem nem sequer de longe. Que a questão é racial, acho que já ninguém tem dúvidas, que tem motivações religiosas com espirito de contra-cruzada, também acho que ninguém duvida. Contudo vejo que em relação à questão genética todos se alarmam, se indignam, se refugiam no mais elementar dos humanismos porque não a querem aceitar. Desculpa que te diga mas o teu exercício foi demagógico e como sabes tenho um defeito que tu também assumes ter, ambos dizemos o que nos vai na alma.
Tenho pena que te tenhas despedido do foguetabraze, de ando aliás já andavas bem arredio, espero que voltes que eu cá não vivo de ressentimentos nem me deixo agastar por coisa tão pequena, terias de me ofender muito mesmo para eu não te perdoar, Amigo.
Caríssimo ToZé.
As diferenças genéticas, nos animais e por força de razão nos Homens, são, do ponto de vista cientifico, inquestionáveis. Não me digas que acreditas no Pai Natal? Embora não existam estudos muito divulgados, existem vários trabalhos publicados em revistas da especialidade, na Nature, por exemplo, sobre este assunto.
Alguns negros poderosos, nos Estados Unidos, chegaram a encomendar a universidades e laboratórios de genética, estudos sobre as suas origens. Um desses estudos, publicado na Nature precisamente (ando à procura dele para te enviar), aponta para o facto de a grande maioria dos negros que foram escravos para a América do norte, serem escolhidos entre os melhores das suas tribos, os mais fortes, os mais sagazes, até entre os que davam mais luta, porque seriam submetidos a uma viagem de navio muito rigorosa e a condições muito adversas que os negreiros não arriscavam transportar Homens debilitados. Essa condição física, genética como sabes, fez do Negro norte americano um ser mais lutador e mais trabalhador do que outros noutras paragens, dai também a sua perseverança na luta pela emancipação.
O mesmo código genético que condiciona a cor da pele, dos olhos, a robustez dos ossos, a fragilidade do coração, o formato do nariz e das unhas dos pés, condiciona o tamanho e o ordenamento dos neurónios, dos nervos e dos tendões. Dirás que os meus estão desalinhados, já sei. Mas permite-me dizer-te que já estou habituado a que me digam isso, talvez por ter a ousadia de pensar e de o fazer não só sobre o que se passa à minha volta como sobre o que se passa no resto do mundo. O meu umbigo é muito pequenino e feio para me enfeitiçar.Isso não explica tudo. Claro que existem comunidades excluídas, onde nem por razões religiosas, nem por razões culturais nem genéticas a violência é uma constante, podemos ir aqui perto aos bairros degradados das nossas vilas e cidades fazer estudos rápidos. Embora aí, também a questão religiosa seja causadora de enormes letargias, esse seria outro debate. E também é claro que a solução para esses caso não passa por mudar a religião e a genética, muito menos pela simples repressão. Passa fundamentalmente pela educação e cultura, ou seja, como disse há dois post atras, educando sempre, reprimindo quando é preciso e responsabilizando quanto baste.

7 de novembro de 2005

Mujahedines Franceses III

Mujahedines Franceses II

Vem este post a propósito de um comentário que o ToZé deixou no texto Mujahedines Franceses .
Não ToZé! Não me venhas com esses romantismos. São essas atitudes que nos levam a esses becos sem saída (principalmente as da tua última frase inacabada e desistente de lutar). Não! Este é um assunto que interessa e muito. Interessa porque é de vária ordem. É racial, é religioso, é cultural e é genético. Caro ToZé, os portugueses nos anos 60 viviam escravizados e excluídos socialmente nos arredores de Paris. Não tinham assistência na doença, segurança social, subsídio de desemprego, rendimento mínimo e casas de alvenaria dadas pelo estado social, como têm os africanos de agora. Fundaram os bidonville e ajudaram a fazer da França o que ela é hoje e são reconhecidos por isso. Poderia dizer-te, demagogicamente, que a culpa é do estado social, como não hesitaram alguns em dizer que a culpa do que aconteceu em New Orleans era do Estado Mínimo. Não, não o direi, a culpa, nestes casos é dos próprios excluídos que mesmo excluídos vivem melhor nos guetos da Europa Social e da América Liberal do que nos seus países de origem. Não podemos continuar a culpar-nos pelas escolhas de estilo de vida que algumas populações negras, principalmente as muçulmanas, fazem para si próprias. Tomemos como exemplo os emigrantes asiáticos. Também eles são excluídos, também eles começam a sua vida nos guetos das grandes cidades europeias e americanas. Contudo, rapidamente pela força do trabalho, da inovação, do entrosamento se tornam em comerciantes, agricultores e industriais de enorme sucesso, os seus filhos estudam, integram-se e chegam a ocupar o poder. Repito a questão é racial, cultural, religiosa e genética e não é procurando culpados que se resolve, é educando sempre, reprimindo quando é preciso e responsabilizando quanto baste.
Esse é um debate que pode dar pano para mangas, espero não morra em dois ou três comentários como tem acontecido sempre que se debatem coisas sérias aqui no sempre vosso Foguetabraze. Disponham à vontade da caixa de comentários, é grátis.

Já aqui disse...

...que não voto Cavaco, nem voto Soares.
Depois de ouvir a entrevista de Manuel Alegre a Constança Cunha e Sá na TVI, agora há pouco, diria que estou muito mais próximo de Alegre do que do voto em branco do Saramago.

Factos 10

Já está nas bancas, desde Sexta-feira, o nº 10 da revista Factos. Um trabalho sobre a segurança dos Ultraleves motorizados e os voos na zona de segurança do Aeroporto João PauloII, é chamada de primeira página. A única revista de grande informação dos Açores, a ler e a comentar aqui no seu FOGUETABRAZE.

6 de novembro de 2005

Deficientes mentais? Só pode!


Deficientes mentais, originally uploaded by foguetabraze1.

Numa tarde de Domingo soalheiro, alguns motards optaram pelas esplanadas da cidade em vez de fazerem rolar os seus motociclos pelas estradas da Ilha. Essa atitude já é costumeira, tal como o é o facto de estacionarem a suas máquinas barulhentas nos lugares destinados aos deficientes. Fazem-no com razão. Quem não tem cartão de deficiente e estaciona nos lugares a eles destinados, é deficiente. Mental, certamente, mas deficiente, deviam tira-lhe a carta de condução.
P.Scriptum: Pouco importante será o facto de na esplanada estar muito bem sentado um Juiz, julgo que também ele motard.

Mujahedines Franceses

Um Ministro atribuiu-lhes o epíteto de "escumalha". Eles, em vez de mostrarem ao Mundo que não o são, fazem precisamente o contrário. Mostram ao mundo que são exemplares cidadãos Franceses que lançam o pânico nas ruas e fogo aos carros, às escolas, às lojas, aos edifícios públicos e aos transportes. Batem na pátria que lhes deu, pão, liberdade, assistência na doença, subsídios de integração e de rendimento mínimo. A pátria que lhes ensinou a palavra tolerância até mesmo quando as suas práticas religiosas atentam contra a dignidade humana.

Serviço público de televisão III

Lógicas da programação

Se é fácil definir quais as obrigações de serviço público segundo as lógicas da informação, assentes nos princípios básicos da ética jornalística, já no que concerne às lógicas de programação as opções pelos conteúdos são mais polémicas e logo mais difíceis de definir.
A abertura ao mercado do espectro televisivo veio, segundo José Rebelo, "tornar mais veementes as responsabilidades do estado" em termos de programação no serviço público de televisão. Dai a necessidade de se debater com o maior número possível de instituições, das mais diversas áreas da população, das artes, dos ofícios, do desporto, enfim da chamada sociedade civil, por forma a se encontrar um "espaço público critico e exigente". Ainda segundo José Rebelo, a lógica economicista da televisão estatal aponta para a redução de custos a toda a força. Essa lógica levará a uma "redução de conteúdos e consequentemente a uma redução de serviço público". Ainda segundo José Rebelo, é importante, em serviço público, "divertir, mas fazê-lo com inteligência". Fundamental é encontrar um equilibro na dicotomia, Interesse público e interesse do público. E se na primeira se podem optar por "soluções e conteúdos mais vanguardistas", na segunda presidem os critérios das audiometrias.
Para Sara Pereira da Universidade do Minho que nos falou de programação para crianças, além de existir pouca programação para infantis e juvenis, há pouco cuidado com os conteúdos. Segundo aquela investigadora, "o sector privado quebra as mais elementares regras da ética em televisão". Cabe ao serviço público, por isso, atender às "diferentes realidades socioculturais e à pluralidade de experiências de vida". Deve assim, promover uma educação para o consumo dos media.
Maria Emilia Brederode Santos, programadora educativa, falou-nos da componente formativa e educacional da televisão e de como a escolha de conteúdos pode contribuir decisivamente para a educação e formação dos telespectadores. Para tal era necessário saber que necessidade educativas existem e definir os novos públicos alvo.
O estado de incultura geral que, reconhecidamente, existe hoje no país passa obrigatoriamente pela televisão. Esta, a televisão, tem um papel importantíssimo na formação de crianças e jovens de classes sociais que não têm possibilidades de dar aos seus filhos mais do que a escola pública dá. Ou seja, há uma enorme faixa da população estudantil que não tem possibilidades de pagar actividades extra curriculares e que não pode contar com a ajuda da família já que esta é, muitas vezes, mais ignorante e iletrada do que o próprio aluno. Segunda a conferencista, a diferença entre os meninos das classes mais favorecidas e os outros está precisamente nos tempos livres e não na escola. Ou seja, a escola é praticamente igual para todos mas depois da escola há os meninos que têm apoio da família, ocupação com actividades culturais, musica, dança, ou desportivas, e há os meninos que depois da escola têm a rua e a televisão como actividade de ocupação dos tempos livres. É para esses que a escolha dos conteúdos em televisão pode fazer a diferença.

Seria de esperar mais jornalistas na plateia, mais profissionais de televisão, mais fazedores de opinião dos que proliferam nos media regionais, mais gente ligada aos partidos políticos, mais cidadãos livres, exigentes e irrequietos. Felizmente, não estavam representadas as corporações, começo a ficar aliviado quando não aparecem. Se as elites nesses dias, preferem aproveitar o sol, as compras e as conversas de café em vez de participarem no debate das questões a que todos dizem respeito, estamos conversados. Assim, estamos a demitirmo-nos das nossas obrigações e direitos de cidadania. Estranho é que sejam essas elites, ultrapassadas por demissão das suas obrigações enquanto tal que vêm, recorrentemente, criticar a ascensão de novos grupos de pensadores. A sociedade açoriana vive, de facto uma enorme revolução, ontem fiquei com essa certeza, discutem-se mais abertamente os temas sem os costumeiros receios e traumas de sermos pequenos. Contudo, como disse Conceição Garcia na abertura da sessão da tarde, estavam "poucos mas os melhores", até porque os melhores são sempre os que querem estar.

Dois anos :ILHAS

São dois anos de informação cultural, de critica de costumes, de participação na vida pública, de um profundo exercício de cidadania. São dois anos que os tornaram indispensáveis no nosso dia-a-dia.
Nestes dois últimos anos, o Alexandre Pascoal, o Carlos Guilherme Riley, o João Nuno Almeida e Sousa, o Pedro de Mendoza, o Vitor Marques e o ToZé enquanto lá esteve, fizeram um dos melhores blogs portugueses, quer na forma quer nos conteúdos.
Parabéns aos rapazes do :ILHAS.

5 de novembro de 2005

Serviço público de televisão II


Forum Açoriano, originally uploaded by foguetabraze1.

Lógicas da Informação

O debate começa a ser cada vez mais difícil de controlar pelos moderadores. A plateia não estava tão composta como ontem à noite, não havia "cãs grandes" como oradores. De qualquer modo deixem-me referir três notas breves sobre as intervenções desta manhã.
Paulo Simões lembrou a necessidade de se definir o conceito de serviço público de televisão nas lógicas da informação, para além do que está plasmado no decreto lei que o define. É a eterna questão da interpretação do espírito da lei e a ténue diferença entre as questões de facto e as questões de direito. Na opinião da Director do Açoriano Oriental, a "RTP-A, ao invés do passado ainda recente, tem aberto o seu sinal a espaços de opinião diversificados " e isso é bom.
Para o Pedro Bicudo, a informação é o coração da RTP-A e do serviço público, serviço público esse que é "o fermento da cidadania". Reforçou a ideia lançada ontem pela jornalista Teresa Tomé, de se criar a figura do provedor do espectador. Confesso que não sou grande adepto da ideia. As figuras providenciais, na minha opinião, criam mais letargias do que fermentos. A nossa, ainda deslastrada, democracia não precisa de mais provedores, precisa de mais cidadãos irrequietos. Segundo José Manuel Portugal, urge definir e demarcar a fronteira entre a informação e a ficção, alertando para os perigos da "neotelevisão" e do excessivo poder que as televisões adquiriram nos últimos anos. "O público consome escândalos desde que Caim matou Abel".

Serviço público de televisão I

Tal como previa, o debate da noite foi muito menos inovador do que o debate da tarde. Em primeiro lugar por ser um debate repetido, com mais de 10 anos, as mesmas promessas, quase os mesmos protagonistas e até se levantaram questões de 1983. E eu, ingénuo a pensar que se ia falar de futuro.
Ao contrário do que havia acontecido na tarde, onde os intervenientes não tiveram o peso de encher a sala mas regalaram os presentes com polémicas e questões bastante pertinentes sobre o serviço público de televisão.
Para salientar só as questões mais importantes, refiro a intervenção de uma Jovem Professora da Universidade do Minho, Helena Sousa. Fez uma resenha histórica da criação da televisão em Portugal e salientou a falta de independência da televisão pública em relação ao poder politico ao longo dos tempos. Apelou a uma maior participação cívica, salientando a bonomia das intenções do ex-Ministro Morais Sarmento em relação à 2: que não resultou para além do papel. Na verdade, a 2:, ao contrário do que se pretendia, não é feita pela chamada sociedade civil, pois são sempre os mesmos protagonistas e os mesmos conteúdos. Deixou ainda algumas perguntas no ar, "terá a sociedade civil pedido um canal de televisão?" "Quem, dessa sociedade civil, foi convidado a participar?" E ainda "quem tem condições para aceitar esse convite caso exista"?
Ficamos, ainda, sem saber que mecanismos podem garantir a isenção da RTP.
Tolentino Nóbrega, falou do serviço público de televisão na Madeira onde é tido pelo Governo "não como o órgão de informação regional mas como um órgão de propaganda", aqui nos Açores, cada vez é menos assim, felizmente.
Já José Grave da RTP-A, relembrou o papel que a televisão teve na consolidação da identidade açoriana e do reforço da ideia de região arquipelágica. Foi a primeira vez que ouvi alguém falar da importância estratégica da televisão nos Açores, não só como meio de divulgação das questões regionais pela totalidade das Ilhas mas também como meio de projecção dos Açores no Mundo.
Em meu entender, não nos devemos quedar pela satisfação de sermos capazes de nos conhecermos melhor uns aos outros por meio da RTP-A. Devemos mostrar ao mundo a nossa cultura e que somos capazes de discutir aqui, o que se passa em Tóquio, Nova Iorque ou no Irão. Mais do que nos fazermos ouvir a nós próprios, importa fazer os outros nos escutarem e aprenderem a nos respeitar pelo que pensamos.
É urgente que as decisões sobre o que é e não é serviço público de televisão saiam da esfera do poder politico, sem que se permita aos governos lavarem as suas mãos no que concerne ás responsabilidades do Estado na garantia do serviço público.
Do painel da noite, Vasco Cordeiro foi quem conseguiu ir mais longe, deixando uma réstia de esperança. Pela sua voz saiu a confirmação de que o Governo regional não pretende a tutela da RTP-A. No entender daquele Governante, "cabe ao Estado assegurar o serviço público de televisão nos Açores".
Acho essa estratégia perigosa para a nossa autonomia mas percebo que o Governo do PS não queira ficar com o ónus de pretender dominar financeiramente a RTP-A, evitando assim, suspeições quanto ao seu controlo no que diz respeito aos conteúdos.
Pessoalmente, como nacionalista açoriano, entendo que a nação açores, tal como a Catalunha, o País Basco ou a Galiza, devia ter a sua televisão. Com a entrada dos canais generalistas regionais em sinal aberto para toda a região, a TV dos Açores terá que assegurar a sua emissão com mais produção regional, esse pode ser o caminho da sua independência face à casa mãe. Falta assegurar o financiamento. Aguardo pelo dia de amanhã (hoje) mais debate e mais conclusões.

4 de novembro de 2005

É preciso ter lata

Quem ler a mini entrevista de Telmo Correia à Sábado desta semana, até julga que ele não foi um dos arquitectos da suicida coligação com o PSD e um dos ministros "bacocos" que contribuíram para a degradação das instituições democráticas na nossa história recente.

Tempo ganho, tempo perdido

O serviço público de televisão está em debate no Teatro Micaelense, pela mão do Forum Açoriano. Hoje à tarde aprendemos todos bastante e o debate foi bastante descomprometido, por isso criador. Temo que o horário nobre, hoje pelas 21h30m, não seja tão profícuo. Quase se adivinham os comícios do Ministro Santos Silva, do Secretário Cordeiro e do Deputado Mota Amaral. Nesses colóquios aprendo sempre mais nas sessões menos badaladas, com gente mais anónima, os "experts" estão a ficar demasiado previsíveis neste país cinzento e emburrado.

História da minha vida II

É mais logo, pelas 21h15m, na RTP-Açores. A segunda entrevista de Joel Neto a mais um Açoriano com uma história de vida para contar.
Tomás Vieira, o serralheiro mecânico que trabalhou para a NASA, conta, mais logo, em discurso directo, a história da sua vida.
Para ver o comentar aqui no seu FOGUETABRAZE.

3 de novembro de 2005

A solução esperada

A Sata anulou concurso para a construção da sua nova sede social. Fez bem. Era a única saída para o Conselho de Administração da SATA. Justificou mal. Dizer que ambos os projectos não correspondiam às necessidades da empresa é um argumento falacioso. Contudo, aceita-se, não havia outro a não ser admitir que o concurso estava viciado.
Espera-se, portanto que a SATA elabore um novo concurso para a sua sede social e que não incorra nos mesmos erros deste agora anulado. Principalmente, não seja feito à medida deste o daquele, não vá o diabo tecê-las e aparecer alguém para "atramoçar" a negociata.
Sugere-se ao Conselho de Administração da SATA que adquira um terreno nas imediações do aeroporto de Ponta Delgada e lance um concurso público para a concepção do seu edifício sede, abandonando a anterior solução, pouco ortodoxa, de lançar a concurso para a aquisição, concepção e execução do mesmo, coisa que só aqui e neste caso foi vista alguma vez.
Assim, não só é séria como o parece, a mulher de César.

Solidários mas pouco.

Alguém me explica o que é que o Governo Regional tem a ver com os problemas laborais na Instituições Particulares de Solidariedade Social?
Na grande maioria dessas instituições, existe um excesso de voluntarismo inexplicável. Elas, essas instituições, são, na sua grande maioria, ninhos de caciquismo. As IPSS, são na sua maioria, instituições de utilidade pública, servindo para o governo transferir verbas, ao abrigo desse estatuto, que depois são utilizadas na compra de consciências e consequentes votos. Ou as IPSS são, de facto, Particulares e de Solidariedade, ou tornam-se extensões da secretaria dos assuntos sociais geridas sem o rigor das finanças públicas e fugindo, assim, ao controlo mesmo que inconsequente do Tribunal de Contas.
As residências assistidas e os lares de idosos, são hoje e foram sempre, um negócio altamente rentável e não meros estabelecimentos de solidariedade social. Se assim é, deixe-se o mercado funcionar e acabe-se com a hipocrizia de os chamar de instituições de solidariedade social.

Candidato contra Cavaco.

Não foi um Super Mário que esteve ontem na TVI a responder às pertinentes perguntas de Constança Cunha e Sá. Foi um "marocas" no seu pior. Politiqueiro, arrogante a puxar de galões que não tem, sem projecto e sem respostas para a jornalista. Mário Soares levou 90% da entrevista a falar do Professor Cavaco Silva.

2 de novembro de 2005

Um "teaser" que vai ser costume

Porque hoje é Quarta-feira não se esqueça de preparar o sofá, uma boa chávena de chá de tília e deitar as criancinhas mais cedo porque é já a partir das 21h30m que vai para o ar, na nossa RTP-Açores, o segundo programa dessa primeira série do Língua Afiada. Com os comentadores residentes do costume, hoje como comentador convidado teremos Rui Lucas , o jovem director da revista regional de grande informação Factos.
Em cima da mesa vão estar os temas da actualidade. Desde os apoios aos órgãos de comunicação Social, a protecção civil e bombeiros, os grandes projectos como as SCUT, as Portas do Mar e os Parques Subterrâneos de Ponta Delgada e o Azores Parque Tudo discutido e escalpelizado pela boca e mente de quem não tem papas na língua.

1 de novembro de 2005

Há 250 anos...

...Caiu o Carmo e a Trindade. Foi também há 250 anos que Sebastião José de Carvalho e Mello, Ministro de D. José I, O Absolutista, celebrizou a frase vamos enterrar os mortos e tratar dos vivos.

31 de outubro de 2005

Haja pachorra!!!!

O Primeiro-ministro anunciou hoje o novo modelo do livrete dos automóveis. Que emoção! O que será para a próxima? O novo modelo da ficha da Inspecção Periódica Obrigatória? São os políticos que temos mas não merecemos. O país segundo Sócrates promete, mas pouco.

O estado da Justiça

Francisco Sarsfield Cabral, Diário de Notícias, 2005.10.30

Cristóvão de Aguiar - 40 anos

A Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra homenageou Cristóvão de Aguiar por completar 40 anos de obra literária.
O Livro, dirigido e coordenado por Ana Paula Arnaut, colige grande parte da crítica e opinião publicadas em Portugal sobre a obra do escritor Açoriano ao longo dos tempos. O Foguetabraze não escapou e lá está a páginas 255 o texto aqui publicado em 21 de Junho de 2004 e que agora se republica.


Cristóvão de Aguiar


No último mês fui "Um Grito em chamas " na "Nova relação de Bordo". Fui "Passageiro em trânsito" entre a trilogia de "Raiz comovida". Nada de recensões, nada de sinopses, nada dessas presunções e literatices que não sei fazer.
Fui, um visitante da Açorianidade.
Se o conceito nasceu com Vitorino Nemésio, certamente tem em Cristóvão de Aguiar um continuador. Com a excepção para "Passageiro em Trânsito", onde há uma clara alteração do estilo, as restantes obras são belíssimos exemplos de critica dos costumes das nossas Ilhas e das nossas gentes, gentes que fizeram e fazem a nação Açores.
Nelas, nas obras de Cristóvão de Aguiar, com destaque para o primeiro de raiz comovida, está tudo no seu lugar, consigo imaginar o luzir dos instrumentos da "Musica Nova", o cheiro da terra das estufas, daquela fatia de pão com manteiga de vaca que ficou por comer, dos "charrinhos" fritos, do mar das Calhetas. Vi como que real a "branquidão" das ajudantes do Dr. Alemão, ali à rua do Contador onde na minha infância passei várias vezes ao dia nas minhas deslocações entre a casa de meus pais e a escola. Já não havia o Dr. Alemão. Estavam lá, a deambular pelo jardim os Cães do Sr. Gilberto Nóbrega, dois lindos Lobos da Alsácia sempre pendurados na varanda. Cães de verdade, não dos cães do "Passageiro em trânsito" ."Que canelas pensais vós mordiscar, ó cães literatos, sem possuirdes a dentição completa?"

29 de outubro de 2005

Dúvida desfeita

Afinal o bicho-carpinteiro não é o blogue oficial de apoio a Mário Soares. É o blogue não oficial contra Cavaco Silva.

28 de outubro de 2005

HISTÓRIA DA MINHA VIDA

Mais logo às 21h15m, vai para o ar a primeira de uma série de entrevistas com a história de uma vida. Apresentado por Joel Neto, o programa pretende que os seus convidados, em discurso directo, contem a história das suas vidas.
Alberto Costa, até hoje Presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto e apartir de amanhã Deputado Regional, será o seu primeiro convidado. Não perca e não deixe de comentar aqui no seu Foguetabraze aquilo que entender sobre o programa e sobre a história de vida de Alberto Costa, um amigo de Fidel Castro e Jimmy Carter.

A dúvida

Se o Super Mário é o Blogue não oficial da candidatura de Mário Soares, o Bicho-carpinteiro é o quê? O blogue oficial?

27 de outubro de 2005

A bem da saúde da democracia ...

... nos Açores, era bom que a noticia desta manhã na Antena 1 não fosse verdade. De facto, a ser verdade que o Ex Director Regional da Habitação e depois Presidente do IROA por 10 meses com o intuito de preparar a sua candidatura autárquica à Ribeira Grande, usou de um expediente administrativo antecipando a sua posse para garantir regalias futuras. Repito, se tudo isso for verdade, estamos perante mais um daqueles casos em que a desilusão começa ainda antes de começar o trabalho do autarca. Aguardemos com serenidade.

26 de outubro de 2005

A caminho do congreso do PSD

Pedro Gomes no AO de hoje e ainda no Anjo Mudo

Primeiro programa

É já mais logo, por volta das 21h30m que vai para ar, em directo dos estúdios de Ponta Delgada da RTP-Açores, o ?Língua Afiada?. Não percam os comentários e o debate dos residentes Pedro Arruda, Nuno Mendes e Nuno Barata e da comentadora convidada Carmo Rodeia. Mediados pelo jornalista Vasco Pernes, os comentadores vão abordar várias temáticas que vão da "crise" de sucessão no PSD ao debate à volta o Orçamento de Estado e das relações entre a Região e a República.
A não perder para depois comentar, aqui no seu e sempre seu Foguetabraze.

25 de outubro de 2005

Ainda a Lotaçor e a Segurança Social

Não se entende porque razão o Governo Regional, na qualidade de único accionista da Lotaçor, não fez rolar a cabeça do seu único administrador executivo depois do escândalo dos pagamentos atrasados à Segurança Social. Ao invés, o Governo entendeu atabalhoada e apressadamente, transferir 750 mil euros para as contas da lotaçor para que esta proceda ao pagamento da divida. Este paliativo não é certamente a cura, é aliás a assumpção de que a doença existe, é o confirmar daquilo que se tem denunciado, quer em forma de post, quer por alguns dos comentadores neste fogo que os abrase.
A lotaçor gastou o dinheiro retido aos pescadores em despesas de funcionamento e para fazer face aos compromissos assumidos com os empreiteiros das obras da Lota de Ponta Delgada e da sua nova Sede Social, e não pagou à segurança social.
Mesmo admitindo que o processo burocrático seja complicado e que as folhas não estejam correctas, isso não impede a falta do pagamento, há sempre tempo para enviar folhas rectificativas. Além disso, só um ignorante total no assunto é que acredita que exista uma dívida sem folhas entregues. E se o problema é das folhas, porque razão o governo teve que transferir à pressa estes 750 mil euros agora? Será o fruto da venda das acções da Cofaco por cerca de um quinto do valor da sua compra?

24 de outubro de 2005

Parabéns ao Sala de Fumo

O Haloscan, servidor de comentários tem estado em baixo ao longo do dia de hoje. Esse facto tem condicionado o debate sobre os temas dos últimos dias. Paciência.
Parabéns ao André pelo 1º aniversário do seu Sala de Fumo. Embora tenha sido no dia 20, todos nos olvidamos da data, até ele que só se recordou hoje.

De novo em Santa Maria

Já passava das oito e meia quanto os velhos motores Pratt & Witney do ATP da Sata deixaram de roncar na placa do Aeroporto de Santa Maria. Em mais uma viagem de rotina à minha Ilha de adopção, leio os Jornais que o meu Velho amigo Tony, comissário de bordo, me trouxe gentilmente. À minha espera a minha velha Renault 4, no velho parque de estacionamento do velho terminal que um dia acolheu os mais famosos dos famosos. Saco o meu velho computador portátil de dentro da minha velha pasta de cabedal e desato a teclar. Faltam algumas horas para os meus velhos colaboradores aparecerem. Vi velhos amigos hoje.
O meu velho amigo José (das pombas) Batista diria, esse avião veio cheio de "cans grandes". É verdade, grandes e pequenos que julgam ser grandes.

23 de outubro de 2005

Crime na Lotaçor

Segundo o Correio dos Açores de hoje, confirmado por António Raposo, Presidente do Conselho de Administração da Lotaçor, aquela empresa que, gere a totalidade das lotas dos Açores, deve à segurança social cerca de 1 milhão de euros, relativo às prestações dos pescadores para a segurança social desde Janeiro de 2005. O não pagamento à segurança social dos valores retidos aos pescadores bem como aos trabalhadores constitui crime. Neste caso há mais uma agravante, a Lotaçor cobra uma taxa de 4% sobre as vendas de pescado para fazer face às despesas com os serviços prestados aos pescadores e armadores, entre os quais se inclui a organização dos processos e o pagamento da segurança social dos profissionais da pesca local (boca aberta). As respostas dadas pelo administrador da Lotaçor ao Correio dos Açores, esfarrapadas e longe de serem verdades, são de uma infantilidade assustadora, só possíveis pelo desconhecimento que o Jornalista tem de como se processam as retenções e pagamentos da segurança social dos pescadores. Espera-se uma reacção do sindicato dos pescadores.

Post Scriptum para Carlos César: V.Exiª lembrar-se-á que teve a faca e o queijo na mão para resolver, de uma vez por todas, os problemas com esta empresa pública regional. Desprezou-o, agora habitue-se, isso talvez seja só a ponta do iceberg.

Vão-se preparando

22 de outubro de 2005

Mais do mesmo

Na Fileira do leite tem-se investido a montante e a jusante sem qualquer sentido estratégico ou quando a estratégia existiu foi a errada. Primeiro foi o investimento cego no aumento da produção de leite em quantidade, esquecendo que através de um melhoramento genético adequado se pode obter leite com qualidades impares para a produção de queijo, leite comum ou iogurtes para o auto-consumo das ilhas e para conquistar mercados de excelência. Para isso, é urgente investir na investigação na área das biotecnologias nomeadamente na genética da vaca leiteira. Já se fazem, felizmente, algumas coisas nesta área no pólo de Angra da UA. Nuno Barata, um especiaslista em generalidades, post escrito a partir da gravação de uma intervenção no XI Congresso da Agricultura na Cidade da Horta em Abril de 2004.
Franz Fischler ao Jornal a União.

Santos de casa não fazem milagres

"Mais do exportar leite em pó e manteiga, é preciso apostar em produtos com valor acrescentado". Estas foram palavras de Franz Fischler, Autriaco, ex- Comissário da Agricultura da União Europeia e tido como um dos melhores estrategas em questões de argricultura ao nivel mundial.
"A jusante, na indústria transformadora, importa inovar nos produtos e fabricar queijos, leites e derivados, com carisma local e de alto valor acrescentado". Nuno Barata, um especiaslista em generalidades, post escrito a partir da gravação de uma intervenção no XI Congresso da Agricultura na Cidade da Horta em Abril de 2004, onde orou na qualidade de convidado.

21 de outubro de 2005

Alea jacta est

A sorte está, de facto lançada. Com a nova grelha de programação da RTP-a, haverá todas as quartas-feiras, a partir das 21h45m "Língua Afiada". É um programa de debate, generalista, obviamente centrado nas questões politicas mas sem tratar apenas delas, feito descomprometidamente, sem "cinzentismos", imprevisivel e sem preocupações com as agendas pessoais. Será um programa para falar de tudo e com todos. Mediados por Vasco Pernes, todas as Quartas-feiras estarão em estúdio o Nuno Mendes, o Pedro Arruda e eu próprio. Traremos à antena semanalmente um convidado, não para ser entrevistado mas para se juntar ao debate. É já na próxima quarta dia 26 com Carmo Rodeia.

Pois é...

... eu aqui de novo a tentar escrever sobre qualquer coisa e só me apetece gritar. Podia escrever sobre a falta de vergonha de Américo Viveiros, a miopia politica de Costa Neves, a racionalidade exagerada de Vítor Cruz, a Bílis dos seus apoiantes, a camisa de sete varas de Berta Cabral, o, cada vez mais, trono de César, o corte de cabelo do Joaquim Machado ou até mesmo sobre o regresso de Carlos Ávila à politica não local.
Mas não me apetece, está um dia tão bonito e nesses dias Santa Maria fica ainda mais bonita.

19 de outubro de 2005

Eu podia escrever...

... sobre o orçamento, a Berta Cabral, o Dias da Cunha e o José Peseiro, o Cristiano Ronaldo, os títulos do Correio da Manhã, os editoriais do João Paz, as mamas da Dona Bina ou os tomates do Padre Elias. Mas não me apetece, estou preocupado com as contracções da Princesa Letícia. Aquele pequeno é a nossa última esperança.

Nem um! Nem unzinho!

Um gajo esmera-se, faz um post construtivo, com elogios ao grande centro e nem um comentário? Nem unzinho?

Orçamento Geral do Estado

É admirável a forma como o PSD nacional lidou com o orçamento de estado. Já aqui disse muitas vezes que a coerência, para mim, não é um princípio fundamental, ser sempre coerente pode significar errar e persistir no erro. Se, por exemplo, o Partido Socialista fosse coerente com o discurso de quando era oposição, ainda há pouco tempo, certamente não teríamos um orçamento de estado de rigor e contenção como temos hoje. Deve aqui enaltecer-se a falta de coerência e a coragem do governo do PS, bem como a atitude construtiva, plena de sentido de Estado e, neste caso, coerente deste PSD de Marques Mendes face a um orçamento que, no essencial e na sua filosofia, pouco ou nada difere dos anteriores apresentados por Manuela Fereira Leite e Bagão Félix. Escrevi algures (penso que num comentário no Bicho Carpinteiro) há dias que, este orçamento pouco ou nada podia ter de diferente dos anteriores. Nas ciências económicas e financeiras, tal como em outras, está quase tudo inventado, pode ser-se mais ou menos imaginativo, mais um menos reaccionário, mais ou menos criativo. Contudo, quer na economia quer nas finanças, tal como na culinária, só se fazem omeletas com ovos. Quanto à restante oposição, uma palavra chega para classificar. Ruído.

18 de outubro de 2005

Judiciária entrou na SATA

Em Maio eu alertei aqui . Mais tarde, quando o concorrente perdedor apresentou a sua reclamação voltei a alertar. Logo caíram os avençados ao serviço do Partido Socialista, entre eles o André SLB PS Bradford, em cima de mim, falando de despeito. Deixei o tempo avançar e eis senão quando me espanto, ou não, com a notícia no Expresso pela pena do Estevão Gago da Câmara e hoje no Jornal dos Açores pela pena de uma jovem jornalista da casa.
Pois é, não só havia fumo como já estão alguns rabos-de-palha a arder. As tentativas de silenciar já começaram, mas quem parece que foi enganado no meio disso tudo foi o Eng. Manuel António Cansado que, ao que sei, já foi ouvido pela PJ e não sabia de metade.
Este não é um assunto que diga apenas respeito a tráfego de influências entre empresários do PS, a secretaria de economia e a SATA, é transversal, já que há indícios de tratamento diferenciado da Câmara de Ponta Delegada para com o tal concorrente ganhador. A isso não será alheio o facto do marido da Presidente ser um dos administradores da dita empresa. Por exemplo a Câmara de Ponta Delgada, aprovou uma alteração ao alvará de loteamento em que cede 40 lugares de estacionamento público à SATA. Este alvará foi alterado em 3 dias. Experiente o cidadão comum a fazer o mesmo e logo verá quanto tempo demora.
Continuo a dizer, sem papas na língua e correndo o risco de ter que o provar nos tribunais, que o projecto ganhador, nem devia ter sido admitido a concurso por não cumprir com o caderno de encargos.

17 de outubro de 2005

Mais vale tarde do que nunca!

Sair é assumir a derrota, é ir contra o discurso que proferiu na noite eleitoral. Todos nós percebemos que o PSD/A perdeu as autárquicas na Região, o Presidente do Partido só percebeu isso uma semana depois. Faltam outros de outros partidos concluírem o óbvio.

Está certo, é justo

A proposta de Orçamento de Estado para 2006 (OE/2006) que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, vai entregar hoje na Assembleia da República promete dar uma forte "varridela" ao complexo sistema de benefícios fiscais que actualmente vigora.

Na verdade, os benefícios fiscais em vigor apenas beneficiam os cidadãos que menos precisam. É justamente por aí que o Estado tem que começar a cortar na despesa.
O que não se compreende nessa proposta de orçamento é porque razão se corta nas transferências de verbas para as autarquias e não se mexe na lei de financiamento da Regiões Autónomas? Será por medo de João Jardim e do aviso que Carlos César fez em Maio último?

16 de outubro de 2005

É caso para dizer...

...filha de peixe sabe nadar

Abutres


Abutres, originally uploaded by foguetabraze1.

Tal como os abutres esperam pacientemente a fragilidade das suas presas e uma vez descobertas não mais as largam enquanto houver ossos para roer, os rebocadores de alto mar, embora solitários, são muitas vezes comparados a abutres.
Na verdade, esse tipo de embarcação espera pacientemente em zonas estratégicas do globo por navios em aflição e quando os encontram oferecem os seus préstimos a troco de avultadas somas.
Muitos Micaelenses já se terão questionado sobre a presença constante do rebocador Fotiy Krylov, propriedade do TSAVLIRIS SALVAGE GROUP, uma empresa fundada há 50 anos na Grécia por um imigrante Ucraniano refugiado da revolução Bolchevista. Alexander Tsavliris, foi operário metalúrgico e marinheiro até se lançar no negócio da armação de pequenos navios auxiliares.
Com uma potência total na ordem dos 40.000 Cavalos (hp), o Fotiy Krylov é capaz de navegar a uma velocidade média de 20 milhas por hora e tem uma capacidade de reboque de 250 toneladas e 5250 toneladas de arqueação bruta. É um dos maiores e mais bem apetrechados rebocadores do Mundo e já efectuou importantes operações de salvamento não só no Atlântico Norte como em outras zonas do globo. De quando em vez damos pela sua falta e julgamos que está fundeado na costa norte da ilha, quando na realidade está em operação de. Há cerca de uma semana chegou a Ponta Delgada trazendo a reboque o navio tanque Genmar Trust com uma avaria na máquina. Ali está ele por fora de São Roque sem deixar a sua presa.
Já nos anos sessenta e setenta do século passado estacionavam em Ponta Delgada rebocadores Holandeses destinados ao mesmo tipo de serviços.
Eis um bom exemplo de vantagens comparativas que a nossa Região não tem sabido aproveitar. Valorizar a importância geoestratégia não é só negociar o acordo da Base das Lajes ou lugares na administração da FLAD, também é mas não só.
O N/M Pêro de Teive, rebocador da Administração dos Portos das Ilhas São Miguel e Santa Maria, S. A. tem algumas capacidades e poderia fazer alguns desses serviços se estivesse devidamente divulgado no meio naval e se tivesse alternativa no Porto quando estivesse em serviço no exterior. Eis um investimento que seria muito mais proveitoso e reprodutivo do que a construção de um cais de cruzeiros e terminal ferry ou até mesmo a aquisição de navios para transporte de passageiros. Pois alevá!

"Abouiá pó calhá"


"Abouiá pó calhá", originally uploaded by foguetabraze.

As preocupações ambientais têm que fazer parte da nossa consciência social e política. Nesse sentido, a educação ambiental torna-se fundamental. Só a mobilização dos cidadãos permitirá a criação de uma consciência global. Em 19777 a UNESCO considerava a educação ambiental como "componente essencial no processo de formação permanente" dos cidadãos e contribui para tornar o "sistema educativo mais relevante e mais realista". Por cá continua-se a enfiar a cabeça na areia e a promover pequenas campanhas aqui e ali.

15 de outubro de 2005

Transporte de passageiros


P1010100, originally uploaded by foguetabraze.

O Governo Regional prepara-se para investir no transporte marítimo de passageiros inter-ilhas. Usando para tal a denominada SGPS das administrações portuárias, o GRA pretende adquirir quatro embarcações para consignar a privados.
Será que a experiência dos últimos anos não deu para perceber que o transporte marítimo de passageiros inter-ilhas não funciona? Nada tem que ver com a qualidade do serviço nem com a qualidade das embarcações, tem a ver com o facto de ser residual e sazonal.
O futuro económico desta Região depende essencialmente de um bom sistema de transportes, esse é um assunto consensual. Contudo, continua a ser um problema por resolver. Não é, certamente com o transporte subsidiado de "rapazes" para os festivais de verão que se vai fazer essa revolução. Está tudo por explicar e ninguém faz perguntas porque essas seriam impopulares e penalizadoras dos resultados eleitorais. O parlamento dos Açores, por via da representação maioritária dos partidos do chamado bloco central, está coarctado de fazer o seu principal papel, o da fiscalização da acção do Governo.

14 de outubro de 2005

Noticia e contra-noticia

Noticia: Foi detectado um surto de febre aftosa no Brasil.
Má noticia: Portugal (EU) proibiu a importação de carne do Brasil.
Péssima noticia: Os restaurantes de Ponta Delgada vão começar a servir carne açoriana.
Contra-noticia: Resta-nos a esperança da carne da Argentina e Uruguai.

13 de outubro de 2005

Apenas mais dois comentários...

...E prometo que não falo mais em autárquicas..

Na Povoação registou-se uma grande vitória de Francisco Álvares e do PSD. Na verdade não só levou a melhor na luta titânica com Carlos Ávila - destacado militante (funcionário ?) do Partido Socialista - como dilatou a sua distância em relação a 2001. Ganhou ainda o Povo que votou em massa atingindo um dos níveis mais baixos de abstenção em toda a Região. O cenário de bipolarização foi aqui facilitado pela ausência do CDS-PP e do BE e dos votos absolutamente residuais do PCP onde em duas freguesias não obteve qualquer voto atingindo apenas a cruz de 23 eleitores em todo o Concelho.

Pesada derrota do CDS-PP no Corvo. Não direi de João Greves porque da leitura que faço dos números, o carteiro reformado, segurou o seu eleitorado de 2001. Contudo, o facto de ir coligado com o PSD fez transferir os votos daquele partido para o PS. Nesse caso as responsabilidades vão direitinhas para os mentores da coligação, as direcções regionais dos respectivos partidos. A esse fenómeno não estarão também, certamente, alheias as manobras de bastidores de Manuel Rita - o ex Presidente de câmara do PSD destronado por Greve - conhecido como exímio malabarista.

12 de outubro de 2005

Um post à Mário Roberto

A primeira fotografia oficial da minha "pitchena ou do mê petcheno"

Coisas sobre as quais já devia ter dito algo

As minhas dúvidas sobre a derrota de António Pedro Costa ficaram totalmente dissipadas com o discurso de Domingo à noite.
Se tivesse dúvidas sobre a derrota de Rui Menezes elas teriam ficado dissipadas com um vale de 100?, golpe baixo, rasteiro, pela retaguarda e à má fila.
Bem! Eu só ainda não escrevi sobre a derrota do João Greves porque sou um gajo porreiro.
Não escrevi sobre a Vitória do João Castro porque sou um democrata.
Não escrevi sobre a derrota do metrÁvila porque ainda estou eufórico.

Não me digam!

11 de outubro de 2005

Outra análise que importa fazer

Neste post do João Nuno, o Pedro Arruda deixa um comentário que embora oportuno parece querer desculpabilizar o resultado do PS - candidatura em que esteve envolvido - insinuando alguma falta de legitimidade de Berta Cabral pelo facto de ter sido eleita por menos de metade dos eleitores inscritos, com 52% de abstencionistas. Pois bem. Meu caríssimo amigo. A abstenção em Ponta Delgada não foi nem maior nem menor do que o habitual. Na verdade, a Jóia da Coroa - como gostam de lhe chamar - tem registado níveis de abstenção assustadores não só em eleições autárquicas como em Regionais , Legislativas, e Presidenciais isso para não falar do fenómeno abstencionista recorrente nas eleições para o Parlamento europeu que tem ultrapassado a barreira dos 70%.
Certamente já te terás dado conta que em 2001 a abstenção foi de 51,9%, em 1997 de 60,2% em 1993 de 50,4% e em 1989 de 57,4%. Este fenómeno pode ter algumas explicações lógicas e até racionais que em nada têm a ver com o desinteresse da população. Ora vejamos. Grande parte do estudantes que estão no continente não votam, muitos dos residentes de Ponta Delgada vão para fora da ci9dade durante o fim-de-semana e nem todos regressam ao Domingo atempo de votar. Outros ainda, mudaram de residência numa espécie de exodo urbano - muito na moda por estas paragens - e descuidam-se de mudar o respectivo recenseamento.
Por outro lado há ainda a questão da actualização dos cadernos eleitorais que num meio grande se faz sentir mais do que em meios mais pequenos.
Há ainda a referir que na Regionais de 2000, com a vitória de César dada como adquirida, a abstenção em Ponta Delgada foi de 52,7% e em 2004, com a força da coligação, baixou para 48,9% de onde se pode concluir que sob a ameaça de uma força mais forte os socialistas saíram de casa para votarem no seu partido, não fosse o diabo tece-las. Domingo passado, ficaram em casa porque deram como adquirida a vitória de Berta Cabral, perderam por falta de comparência. Se tiveres o cuidado e a paciência de analisar os resultados poderás constatar que nas Freguesias onde a abstenção é maior, Berta Cabral atinge maior percentagem de votos, parece-me bem elucidativo.

Angra do Heroísmo e a análise que...

...ainda ninguém fez e que importa fazer.
Em Angra do Heroísmo onde o PS não apresentava, à partida, uma candidatura forte e onde se poderia prever uma situação idêntica à ocorrida em 2001 com a saída de Joaquim Ponte em que o partido do poder ficava fragilizado apresentando o seu número dois, o PSD apresentou um dos seus mais destacados militantes, Carlos Costa Neves, ex- Secretário Regional, ex-Presidente do PSD-A, ex-Administrador da SATA, ex-Deputado Europeu e ex-Ministro da Agricultura. Aquilo a que se poderia apelidar de um peso pesado, transformado em ex-candidato a seja o que for. Esta foi a mais pesada derrota infligida ao PSD. Embora tenha recuperado cerca de 7 pontos percentuais em relação ao resultado do PSD de 2001, Costa Neves não só não conseguiu arrancar a Câmara de Angra ao PS como esteve muito longe de o conseguir.Ainda em Angra o CDS-PP perde cerca de 50% do seu eleitorado mantendo no entanto o estatuto de 3ª força política e o PCP passa a 5ª força cedendo também mais de 50% do seu eleitorado que foi transferido para o Bloco de Esquerda agora 4ª força na Cidade Património Mundial.

Casa no Bosque


casa na mata, originally uploaded by foguetabraze1.

Vai-se por esta Ilha fora olhando aos "alindamentos" os "parques de merendas" os jardins públicos e vê-se muita desordem, muito gosto duvidoso, muita sujidade, demasiado betão. É a atitude imprópria dos nossos autarcas conjugada com o gosto duvidoso e aculturado dos nossos governantes alicerçados na opinião incutida nos nossos cidadãos ao longo de gerações.
Por outro lado, felizmente, há cada vez mais privados a recorrerem aos serviços dos nossos bons arquitectos e a construírem coisas inovadoras, recorrendo a materiais não convencionais e de indiscutível bom gosto.
Foi o caso que fui encontrar, no último fim-de-semana no sempre verde Vale das Furnas. Dentro de uma propriedade privada, muito bem cuidada e onde tudo está irrepreensivelmente colocado no lugar certo. Uma casa no meio do bosque.

10 de outubro de 2005

Reflexão e mudanças urgentes.

Berta Cabral anunciou ontem "ganhamos em 21 das 24 freguesias do concelho". A Presidente da Câmara estava, humildemente, a referir-se à eleição para as Assembleias de Freguesia onde o PSD não conseguiu conquistar Santo António (PS), Capelas (PS), e Santa Clara (Grupo de independentes). Contudo, na eleição para a Câmara Municipal Berta Cabral fez o pleno. Esse fenómeno de popularidade não é de todo desprezível. Vítor Cruz terá que repensar a sua estratégia eleitoral e o seu grupo de trabalho. Muito terá que ser mudado na Rua Dr. Luís Bettencourt se o PSD quiser ser poder em 2008.
A mesma preocupação deverá ter o grupo de pensadores da Rua de São João em Angra de todos os heroismos já que o CDS/PP ficou reduzido a cinzas das quais se espera, obviamente, uma Fénix renascida.
Mea culpa, não fiz "peva" desta vez.

A respeito de...

... Felgueiras, Gondomar e Oeiras, "demoracy is the worst form of government except for all those other forms thath have been tried from time to time".

Sir Winston Spencer Churchil na Câmara dos Comuns em 11 de Novembro de 1947.

Pôr do Sol


Pôr do Sol, originally uploaded by foguetabraze1.

Se para uns o "sol nasce todas as manhãs", para outros apenas se põe.

Auto-estrada das Ilhas


Auto-estrada das Ilhas, originally uploaded by foguetabraze1.

Se "O mar é a nossa terra", então é nele que se têm que fazer as nossas auto-estradas.

7 de outubro de 2005

FACTOS 9


FACTOS 9, originally uploaded by foguetabraze1.

Já está nas bancas a FACTOS nº 9. Uma peça de fundo trata dos privilégios de alguns políticos das nossas Ilhas. Na verdade, vários políticos açorianos, embora já sejam remunerados pelas funções que desempenham, acumulam esses vencimentos com reformas. Privilégios que ainda subsistem, apesar do governo da República já ter anunciado medidas para por cobro a esta situação. Enquanto as novas regras não entram em vigor, políticos como Laborinho Lúcio, Renato Leal, António Silveira, João Greves e António Pedro Costa vão acumulando vencimentos e reformas.

Dois pesos e duas medidas

Andaram por ai uns avençados defensores do Partido Socialista e do Governo e detractores da "Dama de Folheta" e de todo o resto que mexa à direita deles, a criticar a autarca de Ponta Delgada por causa do projecto do novo Parque da Cidade ali para os lados do Pico do Funcho. Diziam então (pena não me lembrar quem foi e não ter tempo pata andar nos arquivos dos blogs à procura) que não fazia sentido mais aquela infra-estrutura naquela zona por estar muito próxima do Pinhal da Paz e estar-se a recuperar o Jardim António Borges. Essa era a teoria dos tais avençados -com a qual não concordo - e que agora nada dizem sobre a intenção de "Més Zé Contente" construir uma zona verde a pouco mais de dois Km da tal do Pico do Funcho e quase tão próxima do Pinhal da Paz como a outra. São os critérios dos avençados do PS de serviço na blogosfera.

Já agora e para que conste eu sou a favor do parque da Cidade no Pico do Funcho e do Parque Açores XXI nas Laranjeiras e de todos os parques e zonas verdes requalificadas que se possam construir nos arredores de Ponta Delgada. Venham mais. Só foi pena que ali para os lados dos prolongamentos da Avenida e da Via Litoral para a Relva não tenham sido criados espaços dessa natrureza. Também é lamentável que na Canada do Henriquinho, o mesmo "Més Zé Contente" em vez de uma Zona verde tenha feito um Jardim de betão, daqueles que o candidato do PS à Câmara de Ponta Delgada diz não querer e critica à politica da ?Dama de Folheta?.
É caso para citar, mais uma vez, o amigo Pedro Arruda, merecíamos políticos melhores, até na blogosfera.

6 de outubro de 2005

Crónica de uma morte anunciada

O crono desta terceira república em que vivemos - ou sobrevivemos? - está a anunciar as suas últimas badaladas. Numa organização onde os que mais se queixam são os que têm o ordenado a tempo e horas na conta e o pão a tempo e horas na mesa; Numa nação onde os que não têm nem pão nem ordenado não têm tempo nem saber para se queixarem; Num País onde fazem greves os policias os militares e os juízes; Não há governo da esquerda ou da direita que valha. Precisamos de fazer restart, começar de novo. Numa nação isso só se faz com uma revolução e uma revolução só se faz com fome. Enquanto o "povão" andar de barriguinha cheia, não se incomodar com os barrigudos que querem uma colher maior; Enquanto o "povão" não começar a sentir fome; Não se preocupa com o povinho que a passa. Para cada Povo existe, como para os indivíduos, uma conta de Deve e Haver, que nos dá o quilate das suas prosperidades, e por onde, cedo, até para os maiores impérios, os pródromos da decadência se denunciam.
J.Lúcio de Azevedo-Épocas de Portugal Económico-livraria clássica editora

Ninho


Ninho, originally uploaded by foguetabraze1.

Há coisas que faço sem saber bem porque as faço. Mais tarde venho a descobrir que afinal havia uma razão futura para eu ter feito aquilo naquele momento. É como se houve uma predestinação e eu a tivesse antecipado. Quando isso acontece o meu agnosticismo é abalado repentinamente. Faço um esforço para explicar por força da razão e retomo o meu estado normal de ser mundano, racional e pragmático.

5 de outubro de 2005

Fajã do Araújo


Os ventos fortes e a chuva que se fizeram sentir durante o dia de ontem com especial predominância no final do mesmo, não fazia prever para hoje um dia bom para actividades de ar livre. Contudo, a manhã mostrou-se risonha e lá fomos com destino ao Nordeste para mais um passeio pedestre organizado pela Associação de merecida utilidade pública Amigos dos Açores. Éramos poucos, penso que catorze, algo a que não terá ficado alheamos o estado do tempo ontem. Mas poucos e bons lá foram.
Quanto mais ando pelo interior e pelo litoral recôndito da nossa Ilha mais me convenço que há autarcas que deviam ser dados com inimputáveis. Hoje foi mais um desses casos em que me desaponto com a democracia. Contudo é o sábio povo que decide e no caso concreto até já fui candidato, obtive uns míseros 3%. Democraticamente aceito que o Sr. José Carlos Barbosa Carreiro é o autarca que o Nordeste quer, mas na minha opinião não deixa de ser o autarca que mais disparates fez naquele concelho. Nem mesmo o execrável Eduardo Medeiros conseguiu fazer tanta asneira. Pois alevá! O futuro não reserva para o Nordeste nada de risonho já que entre José Carlos Carreiro e Nuno Amaral venha o diabo e escolha, sendo que o autóctone Ali Alatas consegue ainda ser menos mau do que a Ave de arribação.

4 de outubro de 2005

Home!

Estou de volta de um merecido descanso com 8 dias de telemóvel completamente desligado. Não fazia isso desde 1997, já lá vão alguns anos. Soube-me bem. O que já não foi tão bom foi ver a secretária atafulhada de papéis esta manhã. Suspeitando o que me esperava, ainda o relógio da matriz não tinha anunciado as 6h30 e eu já aqui estava sentado. Parei agora para escrever estas linhas. A secretária está praticamente limpa e os pendentes encaminhados. Amanhã vou descansar desse dia estonteante com um passeio pedestre dos Amigos dos Açores até à Fajã do Araújo. Cheguei hoje a uma excelente conclusão, nunca mais regresso de férias que não seja na véspera de um feriado, é simplesmente "Fantabolástico".

1 de outubro de 2005

Diário de Bordo-Corfú

Post para 29 de Setembro
Corfú-Paleokastritsa
Corfú está longe de ser uma Ilha de sonho, um paraíso na terra. Na verdade, a Ilha é incaracterística, com uma paisagem natural costeira muito bonita, recortada e pincelada pelo verde e azul do mar, mas temos que fazer um esforço enorme para nos abstrairmos da paisagem humanizada para conseguirmos achar alguma graça a esta Ilha.
Aquelas paisagens de folheto de agência de viagens com casinhas alvas em arquitectura mediterrânica, com paredes disformes e janelas pequenas e portas de cores vivas, metidas em pequenos socalcos nas encostas escarpadas, é tudo mentira em Corfú. A arquitectura contemporânea aqui é do pior que se possa imaginar e os bares e esplanadas de praia são tão maus que não existe nada tão mau nos Açores, não são tascas não são esplanadas, não são nada. São uns pequenos bares instalados em construções de alvenaria tipo loja de loiça na beira das estradas algarvias, com avançados de telha de zinco. Numa palavra: Mau.
O banho de mar foi, no entanto, dos melhores que tomei na minha vida, a água é tão límpida que em pé com a água a chegar-me à boca conseguia ver os pés no fundo e distinguir todas as suas pedras de calhau rolado de mármore branco e rosado.
À Velha Cidade de Corfú, plena de comércio e restaurantes pode achar-se alguma graça. Não é destino que valha a pena gastar mais do que as 10 horas que aqui estivemos.

Diário de Bordo-Dubrovnik 2


Dubrovnik
Originally uploaded by corsario.


Post para 28 de Setembro de 2005

Poucos países terão tanta diversidade geográfica e natural em tão pouco território como acontece na Croácia. Desde o porto de Rijeka no norte até Dubrovnik no sul, a costa da Croácia oferece uma impressionante paisagem marítima.
Dubrovnik é uma das cidades mais singulares do mundo (lá estou eu entrar outra vez nessa), ruas de mármore ladeadas por casas apalaçadas construídas e reconstruídas em pedra, edifícios do estilo veneziano e altos campanários. Em 1979 foi reconhecida como património da humanidade devido aos inúmeros projectos de restauração realizados nas últimas décadas. Os seus habitantes orgulham-se bastante do compromisso que assumiram de restaurar a cidade a todo o custo.
Dubrovnik foi fundada por refugiados Gregos e Romanos no Século VII e manteve-se como república independente durante cerca de 700 anos (abolida por Napoleão em 1806). Manteve relações comerciais com a Turquia e com a Índia e com alguns países africanos, desde a costa do Magreb até ao arquipélago de Cabo Verde. Cidade de Homens dedicados ao mar, diplomatas e comerciantes, com o cruzamento de vários impérios medievais. Beneficiando dessa posição estratégica no mar adriático e com governantes astutos, evoluiu até se tornar numa cidade estado então chamada Ragusa e reconhecida como potência marítima e diplomática. Assim permaneceu durante alguns séculos, ao longo da Idade média e do renascimento.
Em 1667 um grande terramoto seguido de incêndio destruiu grande parte da cidade fortificada e matou 5000 pessoas. Já no século XX a cidade voltou a ser fustigada, em 1979 por um sismo que a destruí parcialmente levando mais de dez anos a reconstruir. De seguida, em 1991 e 1992, foi alvo das investidas da guerrilha e investidas do exército jugoslavo e das guerrilhas montenegrinas, sofrendo brutais ataques que a deixaram bastante danificada. Uma vez mais foi restaurada graças ao empenho e grande vontade do seu povo.

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