31 de agosto de 2005

Ainda há esperança

O Luís Osório e mais uma boa percentagem de Portugueses que pensavam que Manuel Alegre ia partir a loiça toda enganaram-se redondamente acerca das análises de carácter que fizeram deste grande senhor da politica Portuguesa. Não sou Socialista nunca fui e estou cada vez mais longe de poder ser. Mas ha Homens que ainda nos transmitem alguma esperança na Politica Portuguesa.

30 de agosto de 2005

Perdi...

... o meu Moleskine, o último dos meus blocos de notas que tinha dado início em Fevereiro deste ano. Tenho esperança que a recompensa oferecida pelo seu achamento seja suficiente para que quem o encontrar entre em contacto comigo. De resto, só posso esperar. E tal como disse Bruce Chatwin "losing my passport was the least of my worries; Losing a notebook was a catastrophe."

Faróis


Sigo os meus faróis. Quer o mar esteja grosso ou alteroso quer esteja calmo ou estanhado. Sigo os meus faróis para que não me perca na neblina das rotas dos outros.
Há vezes em que me perco entre dois ou três dos meus faróis, mas são sempre os meus faróis que indicam o caminho por onde vou mesmo que esse não seja o caminho por onde deva ir.

28 de agosto de 2005

Fim de férias



Estão-se acabando os dias de férias por aqui. Férias essas que foram atribuladas e interrompidas várias vezes. Acho até que não foram férias, foram uns fins-de-semana diferentes e maiores. Santa Maria voltou ao seu normal. O tempo abafado com céu outonal faz lembrar que o verão está a chegar ao fim. Mesmo assim a temperatura e a limpidez das águas desta linda Baia de São Lourenço convidam sempre a um banho ao final da tarde ou início da noite. É o que vou fazer no intervalo do Marítimo/Sporting e quando deixar de sentir a feijoada do almoço no estômago. Amanhã volto ao trabalho.

27 de agosto de 2005

Caro Luís Filipe Silva Melo

Admito que tenhas razão no que concerne ao tamanho do meu Ego, isso não quer dizer que eu seja egocêntrico, são conceitos bem diferentes. Se procuro intervenção pública e poder decisório é porque acredito nas minhas ideias e nas minhas capacidades e naquilo quero para a minha Terra (planeta e não somente Açores). Cada vez acredito mais nela, até porque os modelos de governação dos Açores desde 1975 foram muito parecidos e os resultados estão à vista.É um bom laboratório para o resto do Mundo. Isso pode parecer pretensioso, mas explico. Se eu não acreditar em mim como farei os outros acreditarem? Na verdade, o que se passa com a maioria da classe politica nos Açores em particular e na humanidade em geral é que são "falsos modestos". São de uma "peneirice" e de uma arrogância e hipocrisia tais, que conseguem parecer modestos. São esses os perigosos que, quando perdem eleições, dizem que o povo é ingrato (Carlos César dixit). Eu, todas as vezes que fui a votos directamente, apenas atingi o limiar do 4%. Esse facto, incontornável, não me demove de continuar a dizer que o Povo, este Povo ao qual me orgulho de pertencer, é sábio na hora de votar. Se a esta falta de aceitação popular eu não juntasse um pouco de confiança, certamente já me teria suicidado, coisa que não pretendo fazer pelo menos durante esta encarnação.
Quanto à minha diplomacia, deves ser a primeira pessoa no universo a reparar nisso. Quase todos - incluído eu - dizemos que sou uma "besta". Devo dizer-te que, de facto, já me apeteceu muitas vezes mandar-te à "merda", mas não foi nem por diplomacia nem por esforço de contenção que o não fiz, deve ser porque gosto de ti e da tua frontalidade, muito embora não concorde com muitas das coisas que escreves e pensas nomeadamente em relação às tuas reticências no que concerne ao liberalismo económico.

26 de agosto de 2005

Cromo

Alguém teve o desplante de sugerir que na série de cromos de Ponta Delgada que tenho vindo a publicar no blogue com o mesmo nome me auto incluisse . Prometo que o farei. Será uma coisa inédita. Uma autobiografia não autorizada.

25 de agosto de 2005

Um erro sem remédio

O Luís Anselmo lembra-nos o lançamento da obra faraónica das Portas do Mar. Eu sei que já não mudo nada e que a massa anónima está em pulgas para ver concluída aquela obra. Mas os blogs têm essa vantagem. Posso aqui deixar bem escarrapachada a minha opinião e a minha convicção para mais tarde cobrar a quem de direito. Claro que nada poderei cobrar aos anónimos que aqui vieram noutras entradas defender este projecto, mas posso fazê-lo politicamente a quem tomou tal decisão.
Há ainda um pormenor que tem escapado quer aos detractores quer aos defensores deste projecto. Ele vai ser financiado, pela Administração dos Portos da Ilha de São Miguel e Santa Maria SA. Assim, a capacidade financeira dessa instituição ficará comprometida para os próximos vinte a trinta anos, se é que não é para uma eternidade, tudo depende dos custos de manutenção e da despesa corrente que aquela infra-estrutura irá produzir, pois se esses custos forem directamente proporcionais ao que se passou no Teatro Micaelense SA, estamos a transformar uma sociedade anónima com resultados positivos em mais um elefante branco. Enfim só nos resta esperar resignados mas sempre alerta para servir os interesses dos Açorianos.

20 de agosto de 2005

Eu até acho...

... que o Ministro António Costa também devia ter ido de férias para o Quénia. Reparem. Por duas vezes o Ministro da Administração Interna usou meios aéreos de combate a incêndios para visitar zonas em chamas. Se António Costa tivesse ido de férias para o quénia, esses meios tinham sido utilizados para apagar fogos e não para passear o ministro.

19 de agosto de 2005

Adeus


O Francisco - companheiro de outras andanças também já acabadas - resolveu por um ponto final no seu Aviz, um dos mais antigos e mais estimados entre os blogues portugueses. É mais uma má noticia para a blogosfera . Ficamos à espera de novos projectos.

Eles sempre foram

Dirigentes serão responsáveis por dívidas se clubes não pagarem
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, João Amaral Tomás, garantiu hoje que, caso os clubes de futebol não regularizem a situação fiscal, os seus dirigentes "serão responsáveis pelo pagamento das dívidas".
Os dirigentes sempre foram responsáveis pelas dividas dos clubes, o Estado é que não agia e ainda não agiu.

Acabei de aprender...

... no canal Odisseia que Angra do Heroismo é a Capital dos Açores. Não é que isso me incomode. Não! Pelo contrário, há estatutos que não reclamo para nenhuma cidade dos Açores e se alguma tem condições para ser Capital, pela sua exclusiva centralidade geográfica esta é Angra de todos dos Heroismos, onde os Homens heróis, largaram os touros ao inimigo e fugiram para terra.
Agora um canal com as responsabilidades do Odisseia dizer tantos disparates como os que acabo de ouvir, não se admite. E eu que tomava como boas tantas das informações que nele colhia sobre paragens que não conhecia. Vou, decididamente mudar de escolhas televisivas.

Paga Zé.


-Quem é que vai pagar a factura da compra de publicidade ilegal que o Sr. Presidente da Câmara de Vila Franca do Campo fez?
-Nós e os nossos impostos. Foi para isso que subiram as taxas da ex-contribuição autárquica.
-A compra ilegal de publicidade não respeita os mesmos princípios de outra qualquer compra ilegal de bens e serviços?
-Devia. Afinal comprar publicidade ilegal é o mesmo que comprar mercadoria contrafeita e produtos receptados. Afinal comprar um serviço de publicidade ilegal é como ir ao Sowgirls com o dinheiro da câmara. Ou não é?

Este assunto carece de debate, afinal merecemos políticos melhores mas também merecemos cidadãos melhores, mais informados, mais críticos, mais interventivos. OU não?

17 de agosto de 2005

não sei onde li ou ouvi isso mas...

...lá que é verdade é: "A cultura humanística ensina-nos a desprezar o dinheiro que gastamos com ela".

acabou...

...o Fora do Mundo, do Francisco J. Viegas, do Pebro Lomda e do Pedro Mexia. Paciência.

16 de agosto de 2005

O "Espírito da Maré"


Não sei como foi que nasceu a expressão "espírito da maré", acho que ninguém sabe. Acho mesmo que ninguém será capaz de explicar o que é esse "spirit". Uma coisa é certa, todos os que vivem por dentro o festival musical com mais tradições nos Açores vivem este espírito. Há mesmo quem diga que, ou se está por dentro, imbuído do espírito da maré ou então se fica completamente de fora. De facto, não é a mesma coisa ouvir, das estradas das redondezas ou dos pastos adjacentes, os grupos que passam pelo palco do que ouvi-los lá dentro, no chamado "Pasto da Maré".
Há vinte e um anos, um grupo de músicos locais associou-se a outros tantos vindos de São Miguel e montaram um espectáculo improvisado, num pasto convertido em anfiteatro natural na Praia Formosa na soalheira Ilha de Santa Maria. Desde então não mais se deixou de realizar este festival musical.
A sua organização insiste em não nomear cabeças de cartaz, "são todos bons" diz o João Pimentel com o "savoir faire" de quem está preparado para organizar eventos desta natureza.
Ao cronista porém, cabe dar a sua opinião e por isso, este ano, destaco no dia 19 de Agosto, os SKATALITES, grupo Jamaicano auto denominado fundador da música SKA, uma simbiose perfeita de "Boogie-Woogie Blues, o R+B, Jazz, Mento, Calypso e ritmos africanos, o Ska transformou-se na primeira música verdadeiramente Jamaicana".

No dia 20 sobem ao palco da Maré de Agosto 2005, os Kila. Os amantes de música Celta poderão assistir a um concerto destes Irlandeses que em Dublin, no final dos anos oitenta começaram por tocar para plateias reduzidas em alguns bares da Capital Irlandesa. Uma década mais tarde pôde ler-se na Billboard "Tóg é go bog é" is the most impressive example of Irish fusion music yet, for it preserves an essential Irish identity while venturing into strange, new territory - as the emigrating islanders have for years. The Billboard, WeatherBureau, Summer 1999.
Ainda no dia 20 de Agosto, destaque para Manecas Costa, um Guineense de origem e que fez grande parte da sua aprendizagem de forma autodidacta e imigrado em Lisboa desde a última década do século passado ?grava com o apoio da UNICEF "Mundo di Femia", o seu primeiro álbum a solo. Este sucesso lança-o numa nova carreira de produtor e arranjador, bem como de cantor e compositor, produzindo muitos discos de artistas africanos residentes em Portugal. Foi guitarrista de Waldemar Bastos, com quem fez tournées na Europa e Estados Unidos e neste período trabalhou de perto com os músicos cabo verdianos Bana e Paulino Vieira, tendo igualmente gravado com muitos músicos internacionais incluindo o produtor espanhol Jose Romeo (Mestisay) e o grupo franco-maliniano TAMA (Real World)."
Infelizmente não houve grande adesão das bandas locais ao festival. Na verdade não estará em palco qualquer banda Açoriana, não é que isso traga qualquer mal ao mundo mas é sempre bom ver e ouvir o que se está a fazer por cá. A não ser que se esteja a fazer pouco.

Se está disposto a engrossar as fileiras dos amantes da boa música em "Espírito de Maré", então o lugar certo para estar no próximo fim-de-semana é a Ilha de Santa Maria. Toda a informação necessária sobre o festival pode ser obtida através do site oficial do mesmo disponível em http://www.maredeagosto.com/.
Do próprio in: Suplemento SARL do Jornal dos Açores

15 de agosto de 2005

Replay

Eu não sou de lado nenhum. Diz-se que, um dia, Diógenes, quando inquirido de que país era oriundo, afirmou: "Sou um cidadão do mundo".
Porque algúem aqui abaixo quiz concdicionar a minha opinião pelo facto de ter nascido em São Miguel, repito um post de Abril de 2004, escrito aqui em Santa Maria e a respeito de um comentário do Ezequiel Moreira da Silva que achava que eu era mais da Ribeirinha do que do Nordeste.
Cidadão do Mundo?
Para o Ezequiel Mota Moreira da Silva, o meu amigo IEL, a propósito de um comment que ele deixou aqui. Pois é meu Caro Iel Eu sou um Cidadão não sei de onde, talvez do Mundo mas de uma forma bem estranha, senão repara. O meu Pai é da Ribeirinha, fuzeiro dos quatro costados embora um deles venha da Maia, minha mãe de Cabinda com ascendência em Coimbra e no Carapito(beira interior) e foi com 9 anos para a Lisboa Pombalina, ali mesmo junto á Sé e ao Santo António, por baixo do Castelo que nos protegeu dos Mouros.
Nasci em Ponta Delgada, a infância foi no Nordeste, a adolescência dividida entre a Ribeira Grande e Ponta Delgada, a Juventude entre esta ultima e Lisboa. Cresci bastante nas Furnas onde casei com uma cagarra com ascendência de Vila Franca do Campo e onde nasceu a minha primeira Filha. Continuei a crescer e a constituir família em Rabo de Peixe, voltei a Ponta Delgada onde ando a ganhar os primeiros cabelos brancos e passo metade das minhas semanas em Santa Maria (onde me encontro presentemente). Por isso, sou da Ribeirinha, do Nordeste, das Furnas de Rabo de Peixe (eleitor), de Ponta Delgada, de Vila do Porto e de Santa Bárbara (labrego) e sei lá de onde serei mais. Sinto-me bem em Roma, Nápoles ou Madrid, vivia bem em Nova Iorque , Boston ou Londres. No Texas seria Cowboy, no Alentejo Toureiro, em Florença pintor, em Paris escritor em barcelona arquitecto. Em Israel bombista , na Palestina seria terrorista em Bagdad bombeiro.No Marco de Canaveses um perigoso esquerdista em Felgueiras um activista reaccionário. Na Madeira era emigrante na Venezuela onde me oporia ao regime de Chavez. No Brasil moço de banca de gelados, no Hawaii surfista, na Austrália padeiro em Angola garinpeiro Aqui posso ser um pouco disso tudo, um especialista em generalidades e fazendo fé no dito popular, "mestre em todas as artes burro em todas as partes", não faço nada bem feito mas faço um pouco de tudo. E erro. Erro muito porque só não erra quem não faz. Só os relógios parados duas vezes ao dia estão certos.
Enfim sou deste mundo global, da cosmopolitica e da cosmocultura, sem brumas, sem gaivotas e sem rochedos e sem baleias e sem baleeiros, onde as violas da terra são iguais às outras nas suas diferenças.
Sou um Açoriano sem a açorianidade intrínseca mas com sotaque micaelense serrado, sou conservador e sofisticado sou de direita mas não sou temente a Deus, sou por vezes perspicaz por outras demasiado ingénuo, frontal, desbocado e brejeiro, mas reservado, silencioso e delicado. Sou quase sempre responsável mas felizmente muitas irresponsável. Engano-me muitas vezes e quase sempre tenho dúvidas. Afinal ainda estou a crescer. Só tenho uma certeza é que os coices dão-se sempre para cima, para baixo estende-se uma mão amiga. Este valor herdei de meu Pai, da Ribeirinha e como é um dos valores que mais prezo se calhar tens razão. Ou talvez não. Definitivamente não, eu sou um Cidadão do mundo, sem registo e sem cartão de identidade, contumaz, anónimo mas cidadão do Mundo.

Arquivo do blogue