30 de abril de 2005

Coisas que só eu vejo

Vão longe os anos em que me passeava pelo arraial do Senhor Santo Cristo, pela Avenida, pelo Campo, pelos Retiros Académicos. Há muitos anos que escolho sair da Ilha nesta altura, este ano porém, não foi possível, refugiei-me no edílico Vale da Furnas, onde vivi nos meus primeiros anos de casado.
Da infância recordo o ?Cantinho Vicentino?. Era ali na Avenida Conselheiro Luís Bettencourt, onde hoje está o horripilante edifício Costa Dias. (assunto tratado pelo Dr. Carlos Falcão no Indispensáveis)
Recordo as carrocinhas de madeira atreladas a um cavalo com uma roda. Hoje vi um ancião a vender dessas carrocinhas, numa banca a monte e a competir com as inúmeras bugigangas made in China que os Ciganos vendem nas sofisticadas barracas, globalizadas, mesmo ali ao lado.
Recordo os novelos de algodão doce, também conhecidas por Rocas de Açúcar.
Hoje ela estava ali, no mesmo sítio de sempre, frente às escadas que dão acesso ao lado sul do Campo de São Francisco. A inquilina da barraca ainda é a mesma. Era linda, de cabelos longos negros e escorridos, com um busto bem fornecido e firme, parecia uma Princesa Charazade de carne e osso, olhos negros , grandes e brilhantes de tanta esperança no futuro prometido pelo seu Príncipe encantado. Ele era o Nez Perces em pessoa, seco de carnes, cabelo igualmente negro e escorrido, grande como um tronco de árvore e parecendo ser forte como um toiro bravo. Sem sorrisos, na barraca ao lado da dela, vendia pipocas (freiras), simples com sal ou vermelhas com açúcar, era o seu Príncipe das mil e uma noites.
Eles ainda lá estão, vão de festa em festa, de vila em vila de terra em terra e tudo começa com o Senhor Santo Cristo dos Milagres e vai acabar não sei onde e quando lá para o Outono. Estão Velhos a beleza escultural dela deu lugar a um monte de banhas desmazeladas, os cabelos frisaram e esbranquiçaram, deixou de ser a minha Charazade, os seus olhos já não brilham, estão agora baços e fixados num horizonte distante. Ele está grizalho e igualmente desmazeladamente farto de sebos.
Igual mesmo está apenas a sua barraca de vender "Rocas da sucar" uma preciosidade digna de um Portugal no seu melhor.

28 de abril de 2005

Cortejo de vaidades

Estou grande parte do meu tempo no escritório, no Campo de São Francisco. Da minha janela vejo o Campo, a Igreja de São José e a do Santo Cristo, o Santuário da Esperança. Nestes dias que antecedem a festa em honra do Senhor, vejo centenas de pessoas numa azáfama "formiguenta", dum lado para o outro, acartando, pregando, colando, atarraxando, cuspindo para o chão e até mijando contra a parece que serviu de pano de fundo ao suicídio do grande, do verdadeiramente Santo, Antero.
Nestes dias vejo gente, supostamente de bem (serão de bem longe) gente fina (de canelas e pulsos) numa roda-viva de entrar e sair para assegurar um lugarzinho mais aqui ou mais ali no cortejo das vaidades. São todos muito crentes! Porque razão só os vejo nesta zona da cidade nesta altura do ano? No resto do ano são descrentes?
Pois como diria a minha amiga Juvenália, é "cagança" senhor, "cagança".

25 de abril de 2005

25 de Abril

25 de Abril de mil novecentos e sempre
O 25 de abril diz-me muito mais hoje do que quando tinha catorze anos, estávamos num intervalo das aulas no Externato de Vila Franca e o Mário Fernando Brandão, mais velho do que eu dois ou três anos, veio a correr e a gritar que o Marcelo Caetano tinha sido afastado do poder. Eu não tive naquela altura a noção precisa do que estava a acontecer, nem nos dias seguintes. E nos meses que se seguiram irritavam-me as manifestações populares, o bulício. Disposição que não melhorou em 1975, 1976 quando qualquer coisa continuava a ser pretexto para um comício. Eu odiava comícios, quase tanto como odeio hoje o alarido à volta do futebol. Então porque raio é que eu tenho de achar que os putos de hoje têm de saber alguma coisa sobre a revolução dos cravos? Que já aconteceu há 31 anos? Eles já nasceram em democracia. Mas quando falo com alguém sobre o 25 de Abril, vem logo, ligeira, a remocada: os putos não sabem nada sobre o 25 de Abril, nem querem saber?.Claro que não querem saber. Para que é que querem saber que um punhado de militares levou a cabo um golpe de estado. Capitães de Abril da Maria Medeiros? ?Nunca vi. Ah, já sei. Aquela cena de guerra com uns tanques em Lisboa que a gaja mete um cravo na G3 dum soldado?? Pronto, é suficiente. Não será. Mas a eles basta-lhes saber o essencial. Que foi preciso o esforço e o sacrifício dum grupo de homens e mulheres para que hoje vivam em liberdade. Não têm de saber de que cor era a gravata preferida do Otelo Saraiva de Carvalho. Nem de que marca eram os tanques comandados por Salgueiro Maia. E que Marcelo Caetano tinha uma verruga no dedo grande da mão esquerda com a qual brincava quando estava nervoso.Por essas e por outras é que me odeio. Por achar que até sou um tipo culto que sabe coisas que pouca gente sabe. É mentira. Estou solidário com os rapazes e raparigas que têm dezoito anos. Eles têm é de saber coisas do seu tempo. Por exemplo com quantas carlsberg se pode atingir um estado de embriaguez absoluto.Isso sim, são conhecimentos práticos e úteis. O que eles têm de saber é que para se atingir algo de consistente é preciso trabalhar para isso. Tenho um filho com dezoito anos a quem tento fazer perceber essa evidência. Ele parece não compreender. Mas tenho a certeza que compreende. E que há-de fazer uso dessa compreensão a seu tempo.Entrevistei Gabriela Ataíde Mota que foi casada com Ernesto Melo Antunes, considerado o ideólogo da revolução de Abril. Uma senhora duma simplicidade desarmante que me manifestou a sua desilusão porque os jovens de hoje não sabem do que se passou. E garantiu-me que os militares eram pessoas generosas com uma vontade imensa de mudar as coisas.Acredito. E para mim, a melhor homenagem que podemos prestar a esses militares é que não se deve deixar esquecer que foi preciso uma revolução para mudar o estado das coisas. E que devemos fazer pequenas revoluções quer na nossa vida pessoal, quer na nossa vida enquanto membros duma comunidade. A revolução de Abril deveria servir para não nos esquecermos da urgência constante de revolucionar.
MR
Terça-Feira, dia 19 de Abril de 2005
in Digital Azores e Entramula

23 de abril de 2005

Bárbaro iletrado

"Não sabia que gostavas de literatura! É mais uma das tuas facetas que eu não conhecia!" Disse-me ela com um ar reprovador como naquele dia em que o pescador disse ao a um certo filósofo que sabia que ele era paneleiro mas que não sabia era que o tipo era escritor, essa coisa abjecta.
É verdade, nunca me senti tão mal, ela achava estranhando encontrar-me no lançamento de um livro. E eu também achei estranho. Eu sempre fui homem de poucos pudores. Falo dos meus sapatos, dos meus defeitos, dos defeitos dos outros dos romances, das aventuras, mas raramente, muito raramente, falo dos meus livros. Mostro a minha casa, abro a porta a todos sem me arrepender, mas nunca lhes mostro os meus livros. Os meus livros são meus e guardo-os só para mim. Ela achou que eu não gostava de livros.
Será porque não vou a lançamentos? Então também não gosto de artes plásticas ou de teatro. Não gosto de música, nem de cinema. Não vou a estreias ou a inaugurações de exposições. Os meus gostos culturais não são de ordem sócio-estética, não são para aparecer na revista cor-de-rosa da semana seguinte. Para isso, eu prefiro que ela continue a pensar que eu sou um bárbaro iletrado.

22 de abril de 2005

Ponto final

Hoje não posto.
Há dias assim.
Começam cedo e parecem que nunca mais acabam.
Hoje não posto.
Amanhã quem sabe.
Amanhã talvez. Ponto.
Ponto parágrafo.
Ponto final.

21 de abril de 2005

Só para chatear

O Açoriano Oriental de Hoje traz um flagrante igual ao que foi publicado num blogue anteontem.


Já não é a primeira vez que isto acontece com este mesmo jornal e este mesmo blogue. Coincidência?

20 de abril de 2005

Justiça lenta ?

A frase "a justiça em Portugal é lenta" deve ser o maior mito que conheço. Só se é com os outros, comigo ela é sempre rápida, seja contra seja a favor. Terei eu azar ou sorte?
O Sr. Primeiro-ministro anunciou como uma das primeiras medidas deste governo a redução das férias judiciais. Provavelmente fê-lo sem ponderar os prós e contras da medida, mas ponderando bem os efeitos "eleiçoeiros" e populistas da mesma. O Cidadão pode dizer, muitas vezes, que apresenta queixa à policia sobre um certo furto continuado ou sobre uma certa situação e nada acontece. Todos nós já o dissemos centenas de vezes na vida. Contudo, isso não é o mesmo que dizer que a justiça não funciona ou é lenta. Se as policias não funcionam bem, se o sistema penal e judicial permite sucessivas fugas, se o ladrão é conhecido e a policia não o pega, isso não significa que a justiça não funcione.
Pelo contrário, muitas vezes, é porque o sistema judicial funciona que não se prende um indivíduo só porque a vizinha se farta de telefonar à polícia a dizer que ele lhe rouba as galinhas e lhe chamou aquele nome que se chama às vizinhas que encornam os maridos. Não se olvidem que impera no nosso sistema jurídico o princípio sagrado (para mim pelo menos) da presunção da inocência. Outro princípio sagrado (para mim pelo menos) é o "in dubio pro reu", princípio pelo este que leva a, que muitas vezes, ouvimos os senhores agentes da PSP dizerem, "nós prendemo-los mas os juízes põem-nos cá fora". Precisamente por isso, porque na incerteza não se condena ninguém, em caso de falta de garantias mais vale que fique em liberdade.
O cidadão desinformado não acredita mas o sistema funciona, e o Senhor Primeiro-ministro devia sabê-lo. Assim como devia saber, o Senhor Primeiro-ministro, que as férias judicias são aproveitadas para por em dia alguns processos mais morosos e complicados. A redução desse período fará acumular os processos nos tribunais, pois ao invés do esperado os processos poderão continuar a entrar mas não serão despachados convenientemente porque o pessoal gozará as suas regulamentares férias.
Esta foi uma medida só para o povinho ver, tal como a dos medicamentos e a da limitação de mandatos, o tempo irá dar-me razão.

Vem este tema a propósito do número de juristas e advogados que frequentam este blogue, gostaria de vos ouvir (ler).

19 de abril de 2005

Abaixo o especialista

Eu até nem gosto muito de citar frases de outras pessoas, gosto de ouvir alguém citar as minhas. Lembro-me de um dia, depois de um professor de filosofia ter feito um reparo sobre a minha abordagem pouco académica ao pensamento de Kant eu ter respondido arrogantemente: Os grandes Homens fizeram-se com as suas grandes ideias, não com as ideias dos outros grandes Homens. Dai que alguns me chamem de filósofo, coisa que nego. Mas serei muito mais filósofo do que sei de filosofia. Há anos que manifesto a minha ira contra os especialistas, eu detesto especialistas, sabem de uma coisa e nada mais, e quase proíbem os outros de pensarem sobre esse mesmo assunto. Eu gosto de pensar sobre tudo e sobre nada, sobre a macroeconomia, a fome no mundo, os comportamentos estranhos dos Homens e tantas e tantas outras coisas. Por isso, me auto classifico como um especialista em generalidades, não há nada menos especializado do que isto.

"Estou fazendo uma campanha contra o especialista, sabia? Abomino o sujeito que só sabe algo relacionado com a profissão dele. Cheguei a um ponto da minha vida em que não admito mais o especialista."

Oscar Niemeyer, em entrevista a Eduardo Graça, Sexta-feira 15 de de Abril na revista Sábado

Teaser sem teaser

Por constrangimentos vários, resultantes da greve dos funcionários da RTP - e por isso alheios à equipa de moderador, comentadores e cronistas -, não terão lugar as emissões do Choque de Gerações previstas para 19 e 26 de Abril. O programa volta a 3 de Maio, prosseguindo depois, ao ritmo normal de um por semana (terças-feiras à noite, repetição às quartas-feiras ao final da tarde), até ao final da temporada.

18 de abril de 2005

Parabéns a você...


170º aniversário do mais antigo jornal Português. Parabéns a todos os que ao longo destes quase dois séculos nos trouxeram as notícias a casa.

17 de abril de 2005

Pequenino. Muito pequenino

PSD antecipa limitação de mandatos.O PSD vai antecipar-se ao Governo e agendar para o seu debate potestativo do dia 28 a discussão um projecto-lei que introduz a limitação de mandatos autárquicos... Pois é. É aquilo a que poderíamos chamar de política da terra queimada. Nem mais. O Sr. Marques Mendes mostra como, afinal, não é um pequeno grande Homem, mas confirma ser um pequeno e minúsculo homenzinho.
Ou talvez não, até pode ser um acto de coragem, mas para isso bastava votar a proposta do Governo.Afinal, segundo o estudo publicado no EXPRESSO deste fim-de-semana, é o PSD que sai mais prejudicado com a presente lei. Na verdade, dos 40% de mandatos em risco, 62% são do PSD. O que também nos pode levar a pensar que o PS quer ganhar as autárquicas de 2009 por decreto. Aqui de El Rei! Se fosse ao invés e fosse a direita a falar nisso pela primeira vez. Cairia o Carmo a Trindade e mais o Castelo e a Mouraria.

16 de abril de 2005

Pois pois...

Blah Blah Blah
Pois e os lucros anúnciados com pompa e circunstância? Também se deveram à subida dos preços do ouro negro?
Porque razão nunca nos dizem a verdade?
"merecemos politicos melhores" MUITO MELHORES!!!

13 de abril de 2005

Acomodados 2

Para continuar o debate que, no fim das contas é o que interessa, vem este post em jeito de resposta ao comentário do PJG (que parece toda a gente sabe quem é menos eu) no post "acomodados". Espero que os Bloggers participem mais neste debate, sei que alguns têm opiniões muito próprias sobre este assunto mas não as quiseram discutir aqui. Valia a pena fazer mais um esforço
Antes de passar à resposta propriamente dita gostava de lançar mais um tema ao debate ainda sobre a lei da limitação dos mandatos dos políticos ou de alguns politicos. O Dr. Jorge Coelho anunciou ontem que a lei, em alguns casos, terá efeitos retroactivos. Não sou jurista nem advogado, andei por lá mas sei pouco do assunto. Contudo, sempre me disseram que a retroactividade é um principio que se deve evitar quando se legisla e que este mecanismo só deverá ser utilizado em casos extremos de flagrante injustiça decorrente da aplicação da lei nova. Ora não me parece que a aplicação destas novas regras para os detentores de alguns cargos políticos promova qualquer injustiça retroactiva.
Caro JPG
É bem verdade que o anonimato decorre do direito à privacidade. Mas no caso das opiniões politicas, o anonimato, em meu entender, é um sinal de medo. Aqueles que sentem necessidade de opinar sobre as questões de interesse público devem fazê-lo usando o seu nome, sob pena das suas opiniões anónimas serem relevadas por isso mesmo. Não se trata de buscar as "luzes da ribalta" os holofotes da TV ou os flash dos fotojornalistas, trata-se de uma obrigação de cidadania. Não podemos generalizar. Nem toda a gente que opina o faz por ânsia de aparecer, muitos o fazem com sentido de servir o bem comum. É redutora a leitura de que quem dá a cara o faz só para aparecer. A imagem pública também se desgasta e isso tem um preço muito alto, devemos ser um pouquinho mais puros e acreditar que os que o fazem só para o retrato são a minoria.
Um silogismo é verdadeiro se as suas premissas também o forem. Ora o anonimato bloguista é, em meu entender, um reflexo do medo de debater de discutir de questionar o poder instituído que atravessa a sociedade portuguesa, essa atitude permite a proliferação do caciquismo e da prepotência. Se o cidadão comum não tiver pejo em pensar e em opinar, quem está no poder terá por ele muito mais respeito e logo muito mais cuidado na forma como exerce esse poder. Foram esses abusos e esse caciquismo que estiveram no espírito do legislador quando pensou esta lei. Dai a meu raciocínio dedutivo.

"Longe de Manaus"

É o novo romance do Francisco José Viegas, companheiro de outras andanças, vai ser lançado em Lisboa terça-feira 19 e eu vou estar lá.

12 de abril de 2005

Porque Hoje é Terça-feira

...a partir das 21.30 (hora dos Açores), Maria Graça da Silveira, Nuno Costa Santos e Armando Mendes discutem a nova tendência para a instalação nos Açores de casas de striptease, alterne e prostituição e ainda a suprema importância que a fama e os famosos cada vez mais assumem em Portugal e nas ilhas.A apresentação é de Joel Neto, enquanto Nuno Costa Neves tem a cargo a reportagem e Luís Filipe e Alexandre Borges tomam conta das habituais rubricas Ódio e Amor de Estimação. É a edição número 23 do Choque de Gerações, programa exibido semanalmente pela RTP-Açores e acessível também através do site acores.net (basta ter uma versão recente do programa Real Player).

Acomodados

Nos últimos meses apareceram dezenas de blogues Açorianos. Foram tantos que perdi a capacidade de os consultar diariamente e até de os classificar na lista de links aqui ao lado que, como se pode constatar, está bastante desactualizada. Essa "diarreia" de blogues é um bom prenúncio para uma Região onde a letargia e o comodismo imperam há séculos. Contudo, infelizmente, a grande maioria destes novos blogues e os comentadores dos mesmos são anónimos. Este facto, além de me irritar (as coisas que só me irritam a mim), deixa transparecer que existe nos Açores uma certa opinião envergonhada.
Os Açores, Portugal a Europa, a Humanidade em geral, precisam de debate, de discussão de ideias e se estas são boas pouco interessa, de facto, de onde são provenientes. Mas este medo de dar a cara de ser frontal de mostrar que se existe, esta atitude de ter pejo de pensar constitui um perigo enorme para a consolidação da nossa democracia, com a agravante de que estamos a falar de cidadãos de uma faixa etária bastante jovem.
Os déspotas nascem pelo medo que conseguem criar na sociedade. Só uma sociedade cobarde, medrosa e acomodada permite a criação de sistemas totalitários.
Desta reflexão, concluí, as razões de tanta gente estar de acordo com a limitação de mandatos dos detentores de cargos políticos, é uma questão de medo e de falta de confiança na capacidade de reacção da sociedade, porque somos um grande número de acomodados.

11 de abril de 2005

Ela partiu.

O Príncipe encantado

Muitos militantes do PSD terão ficado sentados à espera que António Borges avançasse na corrida à liderança do Partido, a tal terceira via de que se falava nas vésperas do congresso. Mas não, ainda não foi destas que o PSD repetiu o feito da famigerada reunião magna da Figueira da Foz que elegeu, inesperadamente, um militante de Boliqueime que aproveitou o Congresso para ir rodar o seu novo Citroën BX .
Existe uma enorme diferença entre António Borges e Anibal Cavaco Silva, é que este último queria ser líder do PSD e Primeiro-ministro e foi, enquanto o primeiro apenas deseja que se fale dele. É um eterno D. Sebastião, uma espécie de Príncipe encantado que vai adiando a sua declaração de amor até ao dia em que a bela Princesa, farta, se decide por casar com outro.

Adeus ao ARDEMAR

A Mariana Matos entendeu apagar definitivamente o seu blogue . É um direito que lhe assiste mas eu não concordo. Fico chateado! Claro que fico chateado!!!
Se eu fizesse um blogue colectivo, coisa que está fora das minhas cogitações mais recentes, convidava a Mariana para colaborar, é sempre bom ter entre nós um reaccionário de esquerda.

9 de abril de 2005

Pouco democrático! Não?

A limitação de mandatos dos políticos é, no meu entender, uma medida anti-democrática. Mesmo sabendo que essa lei traria a esperança de Alberto João Jardim sair do Governo da Madeira até 2020 e que Avelino Ferreira Torres sairia das presidência da Câmara do Marco de canaveses pelo menos até 2015 e por mais que isto me agradasse, continuo a achar que a lei é totalmente anti-democrática.
Então? O décimo mandato não é tão legítimo como o primeiro? Não são todos obtidos por eleições livres? Ou o Povo só é sábio quando da jeito?

8 de abril de 2005

Novo ciclo


A partir deste fim-de-semana o "laranjal" terá um novo ciclo.

Das legislativas às autárquicas

Ou os dramas do PS-Açores

No rescaldo das legislativas de 20 de Fevereiro e com uma maioria mais do que absolutamente inequívoca do Partido Socialista, pouco ou nada se poderá dizer. É cedo para fazer comentários à composição do Governo, é cedo para avaliar as primeiras medidas. É tarde para exigir o cumprimento de promessas eleitorais já que as não houve.
Portugal tem dez anos para ganhar a corrida e apanhar os seus parceiros da 1ª divisão da Europa unitária. O PS tem essa responsabilidade entre mãos e chega ao poder sem obstáculos de índole parlamentar e com algumas das reformas mais importantes e essenciais em andamento. Não haverão desculpas, agora é tempo de olhar para autárquicas. Um País com autarcas capazes, responsáveis e inovadores faz-se mais rapidamente do que, se ao invés, esses autarcas forem despesistas irresponsáveis, reaccionários ou bota-de-elástico e gestores incapazes.
Carlos César e o PS-Açores, ainda não tiveram uma vitória em autárquicas e desde a saída de Mário Machado da Câmara de Ponta Delgada que o PS não consegue um bom resultado na chamada Jóia da Coroa.
Se é verdade que algumas concelhias do PS reclamam sua a vitória do passado dia 20 de Fevereiro, na de Ponta Delgada isso não acontece. Essa diferença de atitude indicia que o PS não tem candidatáveis a Ponta Delgada, ninguém está disposto a fazer um sacrifício pelo Partido, eu diria que o PS do poder é bem diferente do PS oposição.
Quantos dos seus rostos mais antigos ou mais recentes estarão interessados em serem candidatos autárquicos contra a Drª Berta em Ponta Delgada ou contra José Carlos Carreiro no Nordeste ou contra José Fernando Gomes na Praia da Vitória?
Estará José Contente disposto a ir a votos em Ponta Delgada? Estará Ricardo Rodrigues disposto a disputar Vila Franca do Campo? Quererá Duarte Ponte correr à presidência da Câmara da Ribeira Grande?
Não me parece, estamos perante um Partido Socialista pleno de calculistas que se ancoraram na imagem de governação de Carlos César e que, à custa desse e agora de Sócrates, vão mantendo as suas capelinhas e nada mais. Por isso, o PS não será nunca um Partido com grande implantação autárquica nos Açores, não terá mais do que meia dúzia das 19 câmaras do arquipélago e no dia em que deixar de ser poder, os ratos fugirão como fizeram alguns dos seus actuais colaboradores no tempo em que colaboravam com governos do PSD.
A política regional começa a entrar numa zona perigosa, tal como aconteceu em 1992 com Mota Amaral. Começam a ser vitórias demasiadas. Na verdade, a entronização de Carlos César por via dos sucessivos e demasiado bons resultados eleitorais, torna o PS numa espécie de agência de emprego e de clientelas politicas. Até há bem pouco tempo o PS-Açores não tinha máquina partidária e isso era bom para a Região. Hoje, pelo contrário, o PS já tem máquina e encerra nessa mesma máquina pessoas que de socialistas nada têm, alguns são mais reaccionários do que os dirigentes mais empedernidos do CDS. Enquanto for um partido de poder, essas divergências serão atenuadas, ao deixar de o ser, passará por uma fase de purga à semelhança do que aconteceu com o PSD de Mota Amaral.
In Revista Factos nº 2

7 de abril de 2005

Factos 3

Já está disponivel na Bertrand e no Ponto FM no Centro Comercial Parque Atlântico. Amanhã nos sitios do costume.

Já andam por aí os "Bifes"

A respeito do "post" anterior e da fotografia do The Valley of the Hermit's Stream no País de Gales perguntei-me esta manhã. O que virão fazer os "Bifes" aos Açores? Ver as nossas paisagens não será certamente, disso têm eles mesmo ali ao pé.
Bem, as "Bifas", pela fama que têm e por "zun zuns" que me chegaram via e-mail, parece que já andam à procura de rapazes corpulentos o voluntariosos do tipo macho latino para lhes satisfazerem os mais imaginativos apetites sexuais. Bom negócio para os "putos" desempregados da garagem do farfalha.

O verde das Ilhas

Eu dou um doce a quem descobrir onde fica esta paisagem

6 de abril de 2005

"Futebolês" de ministro

Eu não quero viver num País em que um Sr. Ministro diga "póssamos" querendo dizer possamos.
Foi Jaime Silva, actual Ministro da "Ingri(in)cultura" hoje durante todo o dia nos noticiários.

E assunto?

Por manifesta falta de inspiração e porque há muita gente que vem ao blogue e não tem oportunidade de ler a revista Factos, aqui deixo hoje a crónica publicada no nº 1 da referida revista.

E assunto?
O dilema do título


Quando aceitei esta coluna não me passava pela cabeça que fosse tão difícil cumprir a promessa que fiz ao Rui Lucas. Escrevi e escrevinhei algumas linhas que acabaram ou publicadas no Blogue que deu o nome a esta, ou directamente enviadas para a reciclagem do Windows XP.
Com mais dois ou três textos entre mãos, com uma campanha eleitoral para preparar, dois funcionários incompetentes, três juristas sedentos de dinheiro, quatro gerentes bancários que tem medo da sua própria sombra, tudo isso feito numa argamassa consistente que não me aliviava o pensamento, deixei ir passando os dias sem me lançar na gesta de escrever a minha primeira crónica para a Factos.
Hoje entrei no escritório bem cedo, como de costume, e disse alto para que todos ouvissem e me dessem uns momentos de descanso: Hoje tenho que escrever para a Factos.
Isso o que é? Retorquiu alguém que tem estado desatento.
E assunto? Perguntou a minha colaboradora mais próxima.
Sai porta fora sem dizer nada e voltei no mesmo instante, meti a chave à fechadura entrei de rompante e gritei. E assunto? Vai ser este o tema da minha primeira crónica.
Quando se escreve por gosto ou por sistema há sempre assunto. Quando se é um generalista ou, um especialista em generalidades, como uso dizer que sou, escreve-se sobre tudo e sobre nada. Escreve-se apenas porque se gosta de escrever.
Poderia ter escolhido inspirar-me numa queda que vi uma senhora dar num resto de carpete das ornamentações de Natal das ruas de Ponta Delgada, sobre um velho que vi beber uma garrafa de vinho de qualidade duvidosa, duvidosa não, de má qualidade mesmo sentado numa soleira de uma artéria nobre da Cidade, sobre o Bruce Lee e a vitrina do Domingos Vieira, sobre as obras no café Royal e a falta que me faz aquela sandes (prefiro Sandwich) de Queijo de São Jorge com um café duplo logo de manhã, podia escrevinhar sobre tanta coisa que se passou neste lapso de tempo entre a minha decisão de escrever este texto hoje e ter-me sentado em frente ao computador.
Mas não! Todos esses casos não foram indutores do meu entusiasmo. Por outro lado aquele E assunto? Dito assim, a seco pela minha colaboradora mais próxima, fez-me logo sentar em frente ao teclado e desatar a debitar leves e simpáticas dedadas nas teclas com letras.
A crónica tem sempre a condicionante do tempo, do "cronos" e esta tem também o seu tempo. O tempo do nascimento desta nova revista de grande informação e opinião.
Esta nova publicação tem todos os ingredientes para trazer aos Açores uma nova forma de estar na comunicação, na vida e na vivência das Ilhas, sem brumas, sem estarmos condicionados pelo mar, pela gaivota, pelo rochedo ou por xailes negros. Sem barcos de partida ou de chegada, sem amarras, sem mantos roxos de saudade.
Não esperem muito de mim nestas crónicas mensais. Contudo, esperem o desassombro com que vos habituei noutras funções e esperem acima de tudo muita coragem, e determinação, muita dedicação e reflexão sobre o que se passa nas nossas Ilhas. Serei Eu. Aqui, como ali, como acolá, eu apenas, pouco preocupado em pensar demasiado no que digo e dizendo sempre o que penso.

5 de abril de 2005

O Furo é intocável

José Fócrates o tal da vida que é uma soda, anunciou ontem a intenção do Governo da República Queiroziana de Portugal, acabar definitivamente com os furos entre as aulas. Acabar com a mais secular instituição da juventude estudantil Portuguesa? Isso é inadmissível! Não há direito de acabar com o furo.
Então? Heim!? Como é que vai ser? E aqueles namoricos e marmelanços entre as aulas? E as corridas corredor fora depois do segundo toque rumo ao campo de Basket? E as "peladinhas" porque o chato do professor de história, graças à praga que lhe rogamos, teve uma diarreia?
Mobilizem-se, jovens! Fócrates que se sôda" E o Jogo da mosca e do lencinho. Acabar com o furo é acabar com essas tradições estudantis todas.
Sôda-se, não permitam que vos roubem essa oportunidade, que vos tirem essa prerrogativa, que vos roubem essa liberdade.
Sôda-se.

Só para lembrar

O " teaser" costumeiro só para lembrar que hoje é dia de Choque de Gerações, não de gera cães, como insinua o Professor Vamberto Freitas.
Joel Neto será o condutor de um debate que levará os seus convidados, Pedro Arruda, Miguel Monjardino e o autor deste post pelas estradas do mais recente pensamento açoriano sobre o processo sucessório no PSD, no CDS e no PCP e ainda o novo plano de Tony Blair para África.
Não perca, já sabe é hoje pelas 21h30 minutos com repetição amanhã ao final da tarde ou ainda em http://www.acores.net/.
Lembrei-me, a respeito da busca incessante que o CDS tem feito por um nova liderança que seria bom convidarem a Marisa Cruz com aquele excelente par de mamas silicone, e pedir emprestada uma tômbola da Santa Casa à Zézinha Nogueira Pinto, colocarem lá dentro todos os cartões de militantes e assistirmos, todos, em directo, à escolha do novo Presidente do CDS sem PP. Era bom não era?
Lindo!!!!

3 de abril de 2005

A Cigarra e a Formiga

Vivemos uma era em que a economia marca as mudanças e condiciona as atitudes dos cidadãos, marca o compasso do desenvolvimento e das esperanças da humanidade.
A Sociedade Açoriana, até aos finais do século XX, era essencialmente aforradora, mercê da condição de ilhéus, distantes e sistematicamente fustigados pela fúria dos elementos naturais, criamos hábitos de formiga, da formiga da fábula "A Cigarra e a Formiga". Em 1990 existiam, em contas a prazo nos bancos dos Açores, cerca de 200 milhões de contos, mais cerca de 30 milhões em diversos outros sistemas de poupança. Esse dinheiro era, essencialmente, canalizado para financiar investimentos de empresas de fora da Região. Vivíamos também uma época de grande emigração. Os Açores exportavam, assim, uma das maiores riquezas que um povo pode ter, massa Humana trabalhadora e capital.
Por um lado, os que cá viviam, poupavam com todo o seu esforço. Por outro, os que não conseguiam sequer ganhar o suficiente para viver com o mínimo de dignidade, procuravam novas vidas em terras do tio Sam.
Da América dos filmes de "ariuane" e "endezap" ( corruptelas de wath You want e hands up), vinham noticias de grandes "moles" (malls) onde se comprava de tudo a preços muito bons. Os "candiles", os "alvaroses de ganga" e as botas de biqueira de aço, faziam as delícias de pequenos e graúdos lá da terra em dia de chegada de barril da américa. No mesmo barril vinha um envelope com uma nota de 5 ou 10 dólares. As "dolas", naquele tempo, valiam alguma coisa e resolviam, por algum tempo, os problemas do fiado na "loje do sô chique ou da Sóra Sofia", os merceeiros da aldeia. Ter um filho, um Pai ou um tio na América era razão suficiente para ter fiado.
Hoje na euforia desbragada das compras no "shoping" e no hipermercado, os Açorianos parecem ter perdido o respeito pelo dinheiro. Isso trouxe vantagens à nossa economia e ao nosso bem-estar. Desde logo, as Açorianas passaram a andar na rua muito mais bem vestidas e perfumadas, deixaram de usar uns trapinhos fora de moda vindos nos barris da América para vestirem elegantemente "zara" e "stradivarius", deixaram no canto mais recôndito das cómodas os velhos vaporizadores da Avon e usam perfumes franceses com a chancela victor's, Maviripa ou Perfumes & cia, são autênticas bonecas Barbie de carne e osso, frescas e cheirosas pavoneando-se pelos corredores do Centro Comercial.
E se falta alguma coisa, não faz mal, vai-se pedir ao Governo, que o governo dá.
Os Açorianos deixaram de ter contas a prazo e prazo para pagar as contas.

1 de abril de 2005



Tinha pensado não escrever nada sobre esta memoria de mis putas tristes, achei que era uma presunção da minha parte fazer qualquer tipo de critica a uma obra de Gabriel García Marquez, prémio nobel da literatura em 1982.
Os pudores e os despudores de um velho sábio de noventa anos e a sua relação com uma velha meretriz e uma adolescente virgem.
Este é o que eu chamaria um romance light, very light, too much light. Não diria que é do tipo Margarida Rebelo Pinto e I'm in love with a pop star, mas está próximo. Apesar disso, gostei.

Peta ou não peta

Pois é. Passei uns dias sem postar e parece que houve malta que descansou dos choques desassombrados do Foguetabraze. O sossego acabou mesmo.
Da leitura dos comments aos post anterior, em 1 de Abril, parece ninguém acreditou que o BOOM! deste blogue fosse a sério. E não é! Não se livram de mim com tanta facilidade, aqui estarei até que ma obriguem a pagar para ter um Blogue.

Não se esqueçam que amanhã estará, nas bancas do costume, o nº 16 da :ILHAS, com apresentação na livraria Solmar às 21 horas numa sessão cultural intitulada Eh Atolêmáde, isse é Consumo (Cultural)...!

Não percam, se for na linha do Eh Atolêmáde, isse é política, será uma noite, certamente, para relembrar.

Havia mas...

Havia por aqui um blogue! Mas.... BOOM!

29 de março de 2005

21CDG21

Estou ainda entre a partida e a chegada, entre a angústiada espera aeroportuária e a recuperação das altas pressões, que sempre me irritam. De regresso aos "post", começo por lembrar que hoje é Terça-feira, dia de Choque de Gerações, Maria Graça Silveira, Armado Mendes e eu próprio debateremos esta noite os cuidados ou descuidados geriátricos nos Açores e no Mundo, e o consumo de medicamentos genéricos e anti-depressivos nos Açores.

23 de março de 2005

Partida

Estou de partida.
Estou sempre de partida, embora pareça que estou sempre de chegada. Perguntam-me
-Quando chegaste?
Fico atordoado e digo: Agora mesmo. Acabei de aterrar.
-Quando te vais embora?
Porque será que a pergunta que se segue é logo aquela vontade de saber quando nos vão ver pelas costas? Eu prefiro dizer: Espero que desta vez fiques por cá o tempo suficiente para pormos a escrita em dia.
Levo comigo "memória das minhas putas tristes".
Há putas alegres?

22 de março de 2005

O alerta do costume

É hoje pelas 21h30m na nossa RTP-Açores ou em www.acores.net
O aborto, a sua validade e os seus debates políticos e ainda o caso de sucesso do, amado por uns e odiado por outros, treinador do Chelsea, José Mourinho.

Como de costume Joel Neto conduz os seus comentadores pelos corredores de um novo e desempoeirado corredor do pensamento Açoriano. Esta Noite, Maria Graça da Silveira , Nuno Costa Santos e Pedro Arruda falam abertamento do que pensam sobre os temas. O Pedro Arruda descobre finalmente o seu Moleskine e os irmãos Borges lá estarão com as suas crónicas de amor e ódio.


Bem hajam

21 de março de 2005

Primavera



Chegou a Primavera de facto, céu azul e quase sem nuvens, temperatura amena e as flores a despontarem as suas primeiras cores. A passarada chilreia num ruído agradável e pleno de vida. A cidade está linda, como são todas as cidades quando o céu se apresenta azul. Hoje é dia de gravações daquele programa que ninguém vê mas do qual todos falam, o tal programa sobre o pensar e não sobre o saber., o tal onde se pretende falar das coisas sem estar preso a preconceitos e ideias feitas. O programa que pode mudar muita coisa nestes nossos Açores cheios de dogmas e de fés e de crenças e medos, com uma origem comum, os vulcões e terramotos.
Voarei, por isso, para a Ilha Terceira onde me vou encontrar com os companheiros e amigos do costume para falarmos de tudo e de nada.

20 de março de 2005

Um Domingo caseiro

Um Domingo chuvoso que não convidou a pôr o nariz fora da porta. Saí à hora da chegada dos Jornais de Portugal que, cada vez, chegam mais tarde aos Açores.
Coma família de férias e eu sozinho porque essa coisa de ser patrão também tem os seus contras, passei o dia em volta de leituras. Não vou fazer um Vox Populi para o Alexandre não me acusar de andar a roubar os post dos outros. Vou, apenas, manifestar a minha estranheza pelo facto de quase todas as publicações semanárias, Sábado, única, pública e não vi outras, destes idos de Março, trazerem reportagens sobre questões sexuais. Será que para vender papel temos que falar de sexo e de traição?
O resto do Domingo foi passado em volta dos blogues habituais com passagem obrigatória pelas Açorianices do João Vasconcelos Costa e pelo livro de David Landes "A riqueza e a pobreza das nações", numa edição da Gradiva.

Provocador e estimulante, o historiador e sociólogo leva-nos a uma viagem pela realidade da História Universal e aos constrangimentos das nações para combaterem a pobreza e como outras tiveram a sua vida facilitada. Desde as questões naturais e geográficas, passando pelas sucessivas revoluções industriais e politicas. Para leitura obrigatória e com vagar pelos nosso políticos.

19 de março de 2005

Ainda Ponta Delgada

Temos agora uma nova moda com a beneplácito da edilidade presidida pela "Sóra" Berta. Pois é, a importação de um modelo de comércio ambulante que apareceu em Lisboa nos anos 80 e que está, infelizmente, para durar já chegou a Ponta Delgada, importamos tudo o que não presta esquecemo-nos do que vale a pena trazer para cá. É o exemplo da moda das caravanas bar.

Esta, está localizada junto a um dos melhores e mais modernos hotéis de Ponta Delgada, o Marina Atlântico, funciona basicamente de noite e até tem uma esplanada. Sinceramente não era nisso que eu esperava que Ponta Delgada se transformasse.

Esta outra está junto ao mais moderno e maior Hotel de Ponta Delgada a inaugurar já no próximo mês de Abril, na estrada de São Gonçalo que eu me atreveria a apelidar de "via do progresso betonado".


Os passeios da nossa cidade, além de excelentes zonas para o estacionamento, andam também a ser utilizados para exposição de viaturas para venda. Não sei se a autarquia cobra para tal. Se o faz, faz mal se o não faz, trata-se, então, de um abuso do promotor e o executivo camarário devia mandar retirar as mesmas do local já que se trata de uma situação recorrente e sempre com a mesma empresa.

Se esta moda pega, a Avenida Litoral de Ponta Delgada corre o risco de se transformar num mega espaço de exposições.

Factos

Já está nas bancas o número 2 da revista Factos. Mudaram-lhe o formato, o que, em minha opinião, melhorou o aspecto da capa. Tem ainda uma longa mas, nem por isso, interessante entrevista a Paulo Gusmão onde parece ficaram por dizer muitas coisas mas tem a habilidade de não destilar a bílis. Um trabalho engraçado sobre a vida e obra do "luky fuinha" e um excelente Cartoon do Mário Roberto.


E já se sabe uma crónica do Foguetabraze. Vale bem os 2,5 euros que pedem por ela.

18 de março de 2005

Nicadas das melhores

Do melhor humor que se faz por cá. Pela pena e pela objectiva do Mário Roberto.

Não escrevi mas andei por aí

Estes dias não escrevi nem, comentei nos Vossos blogues simplesmente por falta de tempo. Mas andei por ai, ora sentado com o Pedro nos bancos da avenida ora esborrachando-me nos postes que alguém deixou no meio dos passeios de Vila do Porto com o Paulo Henrique. Com o António João resisti aos paraísos da América do Norte e Fumei um puro com o André à porta da FNAC. Li quase tudo o que se publicou nos Açores esta semana com o João Nuno e dei uma volta pelo gatil das Miau Girls onde fiquei a saber que as cegonhas já não são o que eram e encontrei o Pacheco de Melo com o olho no lugar da Ponta Delgada. Assisti a um concerto virtual de Teresa Berganza com o Dionisio e bebi um chá com o Guilherme. Ah! Vi o Choque de Gerações. Encontrei o Francisco tão atarefado como eu e vi o Mário Roberto babado com a sua Princesa grávida.
Fui a Aviz ver o Francisco que me deu noticias do Brasil e fui com o professor Vital Moreira aprender o que são verdadeiros grupos de interesse
Andei por aí com este e mais este e mais este e este e este outro a ler coisas novas e velhas que me ajudaram a crescer.

E claro, como não podia deixar de ser, também fui ver como estavam de saúde os Barnabés e os Acidentais, que nestas coisas há que ver ou ler dos dois lados.

Os Bancos da Avenida Litoral

Sobre os bancos da Avenida Litoral de Ponta Delgada apetecia-me escrever bastante. Sobre a tal mania ou "diarreia" das coisas modernas e os crimes de lesa património que se cometem em nome de um progresso de merda, apetecia-me escrever mais ainda.
Ao contrário do que aconteceu com o Pedro, não me incomoda nada o dinheiro que o gajo que vendeu estes bancos ganhou, o que me incomoda é o dinheiro que a autarquia esbanjou, sendo que para esbanjar tem que cobrar em outros pontos como estes


horrorosos exemplos do que não devia ser permitido na Avenida Litoral de Ponta Delgada que tomou o nome de uma das mais importantes figuras da nossa história expancionista, o Infante D. Henrique.
Estes outros ainda escapam,
mas também não são do meu agrado. Percebo que não suscitem ao Pedro o mesma preocupação que causaram os bancos. Percebo que não incomode ao Pedro o dinheiro que ganhou o seu criador, o seu construtor e o seu explorador/concessionário, não sei é porque razão ficou tão incomodado com o dinheiro que ganhou quem vendeu os tais bancos.

17 de março de 2005

Desenriçado


O novelo não está totalmente desenriçado mas já lhe encontrei a ponta e desenrolei uma boa parte do enriço. Nó a nó, fui dolorosamente percorrendo caminhos que me custaram bastante calcorrear. O pior está feito. Agora? Bem, agora é continuar a desenrolar o novelo e tecer uma trama e teia capazes de suportar o peso do projecto. Vale bem a pena trabalhar quando se sabe que se vai no caminho certo.
O Blogue volta ao seu ritmo normal, até porque foi das coisas mais importantes que fiz nos últimos tempos.
Cheguei a pensar que o Foguetabraze nunca mais seria o que já tinha sido.
É verdade, começa-se assim, não se escreve hoje, depois fica-se três e quatro dias sem escrever e depois parte-se para outra. A maior parte dos mais antigos blogues portugueses está a chegar ao seu segundo ano de existência. Contudo, muitos desapareceram por completo, foram apagados e outros há que estão em banho-maria há muito tempo.
Escrever todos os dias e dizer novidades é muito difícil, e escrever por escrever também não dá prazer algum. Bem sei que alguns de vós vindes aqui só à espera da "má língua". Esse é o tipo de post que menos parzer me dá escrever mas é sem dúvida o mais fácil. "Má língua" com humor ainda dá algum gozo, agora falar mal por falar. Nahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!, "na dá prazê ninum".

16 de março de 2005

No desenriço

Peço desculpa por esta interrupção, o blogue segue dentro de momentos, horas, dias, mas segue.

14 de março de 2005

Enriço

Estou feito num oito, torcido e retorcido, não sei como é que me vou destorcer. Hoje tenho que deixar prontas, uma série de coisas, que ainda nem sei bem o que são muito menos como vão ser resolvidas porque, amanhã vou para Santa Maria não sei, ainda, fazer o quê. Estou no meio de um enredo de fios de problemas e complicações e dúvidas e certezas, que não sei como me livrar deles. Chego a pensar que o melhor é parar e deixar que o novelo de desenrice. Não, pelo contrário, o melhor é começar mesmo a desenriçar o novelo. Quando não, o novelo vai ficando cada vez maior e maior e maior e jamais se desenriçará.

11 de março de 2005

Lambendo Sabão

Um avião de companhia peruana, com os equipamentos mais sofisticados, e de última geração, inclusive com oito computadores interligados ao gigantesco computador central na torre de um aeroporto supermoderno, de repente ficou voando sozinho, sem qualquer comando, os pilotos nada podiam fazer, manche, pedais, alavancas e botões estavam travados pela pane inesperada e irreversível. Há uma piada no meio aeronáutico: na cabine de comando de um avião do futuro, só haverá instrumentos, um piloto e um cachorro. Por que o cachorro? Se o piloto tentar mexer em algum instrumento, o cachorro não deixará. "Safety first".Dos aviões passo para a vida geral. Cada vez mais a era digital nos penetra, programando aquilo que podemos e devemos fazer, deixando uma estreita faixa para o que realmente queremos fazer. E o que é pior: programando inclusive aquilo que devemos querer fazer. Na hora de escolher um sorvete de manga ou abacaxi, minha vontade de nada me servirá: estarei programado para, naquela circunstância, preferir um ou outro sorvete.Vamos dar de barato que a programação seja correta, necessária, saudável, urgente, que todas as coordenadas tenham sido previstas, analisadas e resolvidas para o meu bem estar moral, material e para o meu prazer. Muito bem. Basta um chip entrar em pane e tudo se esboroa.Vou tomar um sorvete de manga ou abacaxi, milhões de circuitos internos estão procurando determinar a escolha que devo fazer naquele momento -- e eis que o chip avariado me ordena, literalmente, lamber sabão.Não há sabão à vista, tenho de procurar um banheiro público, com sorte, encontro um que tem um pedaço diáfano de sabão grosseiro, e lá fico eu, lambendo aquilo.Bem, a hipótese, como o sabão, é também grosseira. Mas não deixa de ser possível.

Carlos Heitor Cony é romancista e cronista, é também colunista da Folhade São Paulo. Escreve para a Folha Online às terçasE-mail: cony@uol.com.br
Post Scriptum: Esta crónica foi.me enviada pelo Rui Coutinho (maracujá) a respeito de eu o ter mandado ir lambar sabão.

9 de março de 2005

A respeito do dia que se comemorou ontem.

Lá em casa mandam elas. E quem disser que é mentira que me prove o contrário.

Um dia um padre disse na missa que aquele que cuidasse que mandava em casa lhe fosse levar uma saca de castanhas à sacristia.
O Justino da Eira que era muito macho, logo tratou de ir para casa e preparar a dita saca de castanhas para levar ao prior da freguesia.
Entra sacristia dentro com uma saca feita de retalhos, muito bem arranjada, com uns berloques em cada extremidade do fundo da mesma e exclama:
-Aqui tem, Sr. Prior, a saca das castanhas que prova que lá em casa mando eu!
-Oh! Justino então porque razão me trazes as castanhas nessa saca de retalhos e não as trazes numa normal saca de serapilheira- pergunta o prior intrigado.
-Oh Sr. Padre isso vinha mesmo era numa saca velha de serapilheira mas aquela corisca não deixou!

Ponta Delgada

O Blogue Ponta Delgada tem uma nova entrada.
Haja Saúde.

Faz parte de mim

Pedem-me que deixe a política. Não aquela que faço no dia-a-dia, nas tertúlias dos cafés, nos blogues, nos jornais e revistas que me escolhem para entrevistar ou nas aparições televisivas do "Choque de Gerações" ou de qualquer seu sucedâneo cujo autor se lembre de mim . Não! Não me pedem para me calar. Mas pedem-me para deixar a política partidária, para ser mais livre, mais desassombrado, mais genuíno. Pedem-me com carinho e penso eu, para me protegerem. Sei que mo pedem para meu bem. Temo não vos fazer a vontade. As coisas só se mudam de dentro para fora.

8 de março de 2005

Programa 18

É verdade, hoje vai para o ar na nossa RTP-Açores, pelas 21h30m com repetição amanhã ao final da tarde, o programa nº 18 do Choque de Gerações. Um programa do Joel Neto com a participação de uma nova geração de Açorianos e amigos dos Açores, um programa sobre o pensar e não sobre o saber que tem levantado muita polémica aqui e não só.
Esta semana, Susana Meireles Yourcheck, Maria Graça da Silveira e Francisco José Veigas, discutem o papel da mulher nas sociedades contemporâneas. O casamento de Carlos de Inglaterra e Camilla Parker e as potencialidades e limitações do sistema monárquico.
Espera-se polémica e debate como é costumeiro.
Pelo meio, ficam a reportagem do Nuno Neves e o amor de estimação do Alexandre Borges. No final o já habitual ódio de estimação da Luís Filipe.Não percam o melhor programa da RTP-Açores e que não fala dos dramas e das teatrices do tipógrafo Malaquias e da Guerra Colonial.

7 de março de 2005

Pois pois e ...


"Não gostei de ser ministro, ninguém acredita mas é verdade. Foi uma experiência enriquecedora, mas não gostei. Prefiro servir o país como parlamentar"

Isso não terá a ver com alguma SISA por pagar ou qualquer outro rabinho de palha? Não?

Ou já ninguém se lembra porque razão o "baixote" saiu do Governo de Guterres? Pois não, não se lembram, ele até recebeu como prémio uma indicação para Comissário Europeu.Uma travessia do deserto dourada. Passa cão!

Santa Maria no seu melhor


Esta chegou-me via Botafaladura.
Há 20 anos que 70% dos Marienses votam no Partido Socialista. Em Angola também é assim e no Ruanda e no Uganda e na Somália e no Togo e na Costa do Marfim e...

Coisas de Putos

A historieta da fotografia de Freitas do Amaral é a prova cabal de que algumas criancinhas nunca devia ter saído do 5º andar do Largo do Caldas. Ou nunca deviam ter lá entrado.

Eu já não me indigno com qualquer coisa

Desde que vi um porco andar de bicicleta e um elefante a tocar trombone que não me espanto com qualquer coisa.
Desde que vi o Professor Sousa Franco ir de presidente do PPD/PSD a Ministro da tralha "Guterrista" e cabeça de lista do PS às europeias e desde que vi o Professor Freitas do Amaral fazer um percurso político desde a fundação do CDS até a Ministro de um Governo do PS, que não me indigno com qualquer coisa.
Portugal é um país, cada vez mais, " queiroziano", viva o Senhor Conde de Abranhos!

PUFFF! e "Prontos"!

Eu gostava que a Dr.ª Berta e o seu ANIMA trouxessem a Ponta Delgada, ao Coliseu Micaelense, em vez do Luís de Matos, o David Coperfield. Sim o tal que faz desaparecer Ferraris, arranha-céus e outras coisas que tais. Talvez fizesse desaparecer a Dr.ª Berta para sempre.

6 de março de 2005

Da bruma ao tipógrafo Malaquias

Juro que não falo mais de bruma, da Ilha e da gaivota. A partir de agora só falo do tipógrafo Malaquias da Guerra Colonial.

5 de março de 2005

Património arquitectónico

No Aeroporto da Ilha de Santa Maria existem raros exemplares de arquitectura da 2ª Grande Guerra que deviam, em minha opinião, ser preservados. As casas de Chapa foram já quase todas destruídas. Das mais carismáticas, ainda existem algumas em bom estado e com boas possibilidades de recuperação.

Na chamada Estrada do Meio, está este magnifico exemplar. Talvez fosse tempo de alguém se preocupar em fazer as obras de manutenção necessárias para que algumas destas casas se possam manter por mais uns anos.

4 de março de 2005

Mais velharias

Já aqui falei de algumas das minhas velharias. Eu adoro coisas velhas.
A minha velha Renault 4 é uma dessas velharias da qual me custa separar. Em Santa Maria ela é o meu meio de transporte preferido.

Há mais de um mês o Francisco deixou-a no parque do Aeroporto, voltei a precisar dela anteontem, cheguei, sentei-me, puxei o injector dei um sinal na ignição e, num instante, lá estava ela nobremente a deslizar pelas estradas de Santa Maria. A minha velha Renault 4, inseparável amiga de todas as horas.

Vi-te...

...ali sentada num banco, tosco, de madeira, num corredor de uma aerogare em obras. Lias atentamente uma revista dessas que dizem ser cor-de-rosa mas que só tratam das desgraças de uns e outros. Dizem que é a vida dos famosos. Sei lá.
Fingi que estava distraído, tu também, ambos sabemos isso. Tive vontade de me chegar para ti abraçar-te e pedir-te desculpa. Não tive coragem. Sou um cobarde com as mulheres, não as trato como merecem. Merda de feitio que me complica tanto a vivência interior. Merda de feitio que me atormenta pelo que não tenho a coragem de dizer e de fazer. Sim! Merda de feitio que para umas coisas parece tão corajoso e noutras, bem simples, se esconde por trás de um manto obscuro de maldade.
Sei que nunca me irás perdoar mas, mesmo assim, peço-te desculpa pelos danos que te causei, pela forma como não fui capaz de te tratar.
Embarcaste no mesmo avião que eu. A fila formou-se mesmo à frente das cadeiras plásticas cor de laranja em que eu estava sentado. Tomaste o teu lugar na fila, compenetrada e distante, fingiste, mais uma vez, que não me vias, eu também. Deixei que entrasses no avião, aproximei-me cautelosamente, vi, pelo canto do olho, onde te sentavas e sentei-me o mais longe que pude.
Mal abriram as portas fugi rapidamente em direcção à porta e nunca mais te vi.

3 de março de 2005

O sorriso do Sol no casario branco

Não! Não hibernei nem desapareci do mapa nem estou amuado. Não! Estou é sem tempo. Mais uma vez o tempo. O tempo do relógio que passa por mim e me diz adeus numa volúpia tal que nem o vejo.
Em Santa Maria, onde estou, supostamente o tempo passaria com mais vagar. Hoje não! Hoje ele passou por mim na velocidade com que passa numa qualquer metrópole da Europa.
Cosmopolita, como sempre, Vila do Porto está inundada pelo sol. O sorriso do sol sobre o casario branco, podia ser o tema da próxima produção do Zeca Medeiros.

Hoje há 31 anos

Nasceu o meu amigo Joel Neto. Jornalista e escritor, natural da Terceira, a resider no Seixal e a trabalhar em Lisboa. Faz um programa na RTP-A que quase ninguém gosta mas toda a agente vê que mais não seja para falar mal.
Bem hajas amigo e que esta data se repita por muitos anos e com muitos programas na RTP-A

1 de março de 2005

Todas as terças na RTP-A

Hoje é Terça-feira. Já sabem, na RTP-Açores pelas 21h30 minutos com repetição amanhã ao fim da tarde, há Choque de Gerações. Joel Neto conduz a conversa entre Maria Graça Silveira, a miauu girl que acha que só devemos fazer amor para procriar, Armando Mendes e eu próprio. Falamos sobre o turismo nos Açores e a personalidade de João Paulo II.
As habituais rubricas, ódio e amor de estimação estão a cargo dos fabulosos irmãos Luís Filipe e Alexandre Borges respectivamente.

Hoje há 39 anos

Continuando na aviação civil

Uma má interpretação ou uma propositada maldade, de um leitor não identificado convenientemente, requer alguns esclarecimentos em relação ao meu post anterior. Normalmente não respondo a anónimos. Contudo o facto das interpretações do dito serem abusivas leva-me a esclarecer. Não se trata de fechar ou abrir a Ilha. A Ilha está aberta via São Miguel. É mais rápido 30 minutos (segundo o horário oficial da SATA) sair para Lisboa via Sata Air Açores e depois Sata-Internacional do que fazê-lo no tal voo de Quinta ? feira que também vai por São Miguel. Aliás os passageiros já se aperceberam disso, com excepção para os dias 20 de Janeiro e 17 de Fevereiro, em todos os outros o número de passageiros a chegar é superior ao de número passageiros a partir. Há ainda a acrescentar o facto de que, saindo directo, o Mariense que vai trabalhar perde a manhã de, Quinta-feira, assim como o perde o que for de férias. Saindo por São Miguel, o que vai de férias, gasta 5 horas da noite o que vai trabalhar não perde horas de expediente. Contas são contas e quem as faz sabendo o que faz tem sempre razão. Além disso, os custos para os contribuintes são bastante menores.


Algumas pseudo elites de Santa Maria vivem agarradas a complexos anti feudais e embebedadas com os tempos áureos da aviação civil. Pois é, ao invés de fazerem pela sua terra, escondem-se em cobardes anonimatos e evocam esses tempos de ouro em que os ricos viviam em casas de chapa e os pobres em palhotas de chão térreo, os tempos em que os ratos choravam ao saírem dos armários vazios das casas de Santa Bárbara e Santo Espírito, os tempos em que o ensino teve que ser impulsionado pelos que vieram de fora e tinham que educar os seus filhos e os filhos dos seus companheiros de trabalho. Os tempos em que, uns viviam para dentro do "açucareiro" e os outros para lá entrarem tinham que ter um passaporte.
Santa Maria tem um grave problema populacional para resolver. Tem uma classe baixa bem formada mas ignorante e uma classe média mal formada e igualmente ignorante mas que julga ser culta e informada. Tal como nas outras Ilhas tem pseudo elites complexadas e que pensam sempre pequenino. Muito pequenino.

28 de fevereiro de 2005

Os números de uma "gateway"

SATA - INTERNACIONAL
Movimento Aeroporto de Santa Maria

Assim visto a cru, poderíamos concluir que o nº de passageiros de e para Santa Maria não difere escandalosamente do nº de passageiros em trânsito para Ponta Delgada no mesmo voo. Isso servirá para alguns dizerem que Santa Maria com 4.800 habitantes recebe cerca de metade dos passageiros que São Miguel com 150.000 recebe.

Ora isso não pode ser lido dessa forma tão linear. De facto, o que se passa é que essa rota de Santa Maria com trânsito para Ponta Delgada, corre o risco de abortar por ser escandalosamente dispendiosa. Na verdade, com o passar do tempo, os passageiros vão saber que ao voarem nesse horário, escalam Santa Maria, perdendo cerca de uma hora e sendo submetidos a uma aterragem e uma descolagem, os passageiros para Ponta Delgada evitarão esse tal voo. Ao suceder, isso encarecerá de tal forma a operação que a tornará inexequível, mesmo com a garantia de ter 50 turistas seniores (INATEL) semanais entre Março e Maio de cada ano.
Para a economia mariense, este voo directo, terá mais efeitos negativos do que positivos, pelo menos a curto e médio prazo. Servirá mais para esvaziar do que para encher. Facilitará que a classe média, que ainda tem algum poder de compra, embora não sendo muita sempre vai contribuindo para que a Ilha seja um oásis entre as Ilhas mais pequenas das Ilhas dos Açores, vá mais facilmente gastar as suas fracas economias noutros mercados mais apetecíveis, quem sabe com passagens compradas mais baratas ao abrigo dos acordos de facilidades existentes entre as companhias aéreas, a ANA e a NAV.
Em relação ao chamado turismo sénior, este é de facto, um turista remediado que não gasta muito dinheiro, não trará grandes mais valias à Ilha, servirá apenas para manter as estatísticas do nº de camas ocupadas em alta. Mesmo assim, cerca de 50 por semana numa Ilhas que tem como capacidade instalada cerca de 5 vezes esse número, parece-me manifestamente pouco.
Que fique bem claro que eu não tenho nada contra as reivindicações das forças vivas de Santa Maria e até acho que um voo directo em regime de charter com uma boa promoção da Ilha poderia ser uma solução para a rentabilização das unidades hoteleiras que incautamente foram construídas na Ilha com subsídios do GRA ou seja com dinheiro de nós todos. Contudo, não posso admitir que isso se faça à custa de um aumento do preço das tarifas para as outras ilhas, com prejuízo claro e inequívoco para São Miguel e servindo como argumento para não se liberalizar as rotas e se continuar num regime de monopólio controlado e encapotado, com a SATA e a TAP, antes concorrentes, agora entendidas em Cartel.
Quem vive em Ilhas mais pequenas tem que saber medir os prós e os contras de viver onde vive, e tudo tem o seu lado bom e o seu lado mau, as coisas não podem ser iguais em todo o lado.
Quem governa os Açores, seja ele quem for, tem que perceber que São Miguel é a locomotiva da economia Açoriana, se não lhe for adicionado combustível e ainda por cima lhe meterem mais carga nos vagões, a coisa acabará por ficar ainda mais negra.

Curiosidades


Fotografia importada do Lua Fotolog
Este ano as festas móveis são muito baixas. No dizer do nosso Povo as festas são baixas ou altas consoante se colocam no calendário. De facto o entrudo foi muito cedo e o Santo Cristo também o será. Isso porquê? Porque são duas festas indexadas ao Domingo de Páscoa. E porque é que a Páscoa é tão baixa. A resposta é: Por uma feliz coincidência. Na verdade, a data para a realização da festa da Páscoa é achada a partir do equinócio da Primavera. De facto, a Páscoa realiza-se no primeiro Domingo após a primeira Lua cheia depois do equinócio de Primavera. Como a primeira lua cheia está muito próxima do dia 22 de Março, dia 25 que é Sexta-feira, a festa da Páscoa fica muito baixa.
As coisas que eu guardo no meu disco rígido!

27 de fevereiro de 2005

Domingo

O meu Domingo foi eclético. Foi um dos melhores e, mais produtivos dias deste ano que vai com 58 dias apenas.
Comecei cedo, como costume, fui ao escritório e limpei parte da secretária que se havia conspurcado ao longo da campanha eleitoral. Depois? Bem depois fui carpinteiro, pedreiro, jardineiro e electricista. Um sem-número de coisas que estavam por acabar desde que me mudei há mais de um ano para esta casa, ficaram, finalmente, alinhavadas. É tão bom saber fazer qualquer coisa e chegar ao fim do dia, tomar um banho e navegar pela net desenfreadamente com a sensação de ter passado um Domingo bem produtivo. Tive a companhia da minha filha mais nova que não se calou um único minuto o que ajudou a distrair já que o rádio de pilhas estava fanhoso.


Sofia Costa Barata Almeida e Sousa

24 de fevereiro de 2005

Air Luxor proibida de voar para os Açores

O Instituto Nacional de Aviação Civil não autorizou a Air Luxor a voar para São Miguel, sem indemnizações compensatórias e fora do serviço público.Isto é o que eu chamo proteccionismo, politiqueiro e mesquinho.

Já se sabia e eu já aqui havia dito, que a liberalização encapotada das rotas de transportes aéreos para os Açores que culminou num acordo de code-share entre a TAP e a SATA era uma pouca vergonha.

Desta forma, os políticos não credibilizarão a política e não haverá círculo de compensação que chegue para as reclamações dos Micaelenses.
Tudo isso se resume a um capricho "eleiçoeiro" do Governo Regional dos Açores em exigir mais duas gateways, uma para o Pico e outra para Santa Maria. Do Governo da República veio a resposta na mesma moeda. Tomara se não o aprovassem perdiam os votos todos.
Era obvio, entrava pelos olhos de qualquer mortal que, Santa Maria e o Pico, não conseguiam rentabilizar essas rotas (no Pico ainda nem começou nem está para começar). Então tratou-se de subir os bilhetes. Tão simples como isso. Logo veio o Governo Regional que, se arrogou de "dono" das ditas gateways dispendiosas, dizer que a culpa da subida dos bilhetes era da Republica, isto por voz de Sua Excelência o Secretário Regional da Economia, que é quem tutela a SATA que teve 3.000.000 de euros de lucros mas não baixa as tarifas, deve ser culpa da república. Ou seja a existência das gateways é da autoria do GRA mas a subida dos preços por elas implicada é da responsabilidade da república. Não há paciência.
A única razão porque nós temos passagens caras para os Açores e entre as ilhas dos Açores é porque não há a coragem de acabar com mordomias e privilégios das Ilhas mais pequenas. Haja coragem de dizer basta e de dizer que também somos gente. Pague-se mais às companhias pelo serviço público mas tenham a coragem de liberalizar onde as rotas possam ser apetecíveis. Nós temos esse direito.

A lei eleitoral

O António Monteiro (Tony) que em tempos manteve bem activo o blogue Mariense agora meio em banho-maria chamado Azormonteiro, fez um blogue que se chama Revisão da Lei Eleitoral da Região Autónoma Açores
E que pretende ser um fórum de discussão sobre o assunto.
Participemos.

23 de fevereiro de 2005

Civismo. Onde e quando?

Entrei no parque de estacionamento, estava cheio, avistei um lugar vago logo ali do meu lado esquerdo. Cumpri o sinal de sentido obrigatório dei a volta ao parque e quando ia chegando ao tal lugar um "xico esperto" resolveu fazer uma transgressão, não cumpriu os sinais e tomou o meu lugar de assalto. Sim aquele era o meu lugar, fui eu que i vi primeiro, simplesmente fiz o que qualquer cidadão decente tem que fazer, cumpri o código da estrada. Essa atitude do "filho de puta esperto pa caraças" irritou-me solenemente. E ainda há quem acredite que o nosso povo está a ficar mais civilizado. Eu sei que vou educar as minhas filhas nos mesmos cânones em que fui educado, respeitando o próximo e as regras da sã vivência em sociedade, mas isso pode custar-lhes caro num futuro próximo. Sei que a maioria dos portugueses não educará os seus filhos assim.
Seremos um País de "filhos de puta espertos"?

22 de fevereiro de 2005

Choque de Gerações

Bem já sabem a nova geração Açoriana reúne-se hoje no CDG. O melhor programa da RTP-Açores. "Bem-vindo de volta, deixa-te dessas merdas", disse o Francisco referindo-se à Politica. Não, não deixo a politica nem deixo o meu Partido, está demasiado enraizado e sei que só poderei levar a bom porto o meu projecto para os Açores através de um partido político. Mas é disto que eu gosto, estou a adorar fazer televisão, era uma experiência pela qual aspirava há muito. Porque razão hei-de chatear-me com o raio da política se tenho esses amigos todos e esse programa maravilhoso para continuar a fazer? Bem, devo continuar a fazer politica porque é um dever que sinto ter como cidadão livre. Há poucos cidadãos livres, livres das pressões politicas, livres das pressões familiares, livre de dogmas e de estereótipos. Eu sou livre e prezo muito essa liberdade e é por isso, que gosto de fazer o programa e gosto de estar na política activa.
Muitas das coisas que digo no programa, não são bem aceites no meu partido, nem sequer na generalidade da classe politica. Contudo, ninguém ousou alguma vez dizer-me para ser mais contido.
Moderados pelo Joel Neto, o Miguel Monjardino, o Francisco José Viegas e eu, debateremos esta noite o resultado das eleições de Domingo e a questão Basca. Não esqueçam é logo mais à noite pelas 21h 30m na RTP-Açores ou em http://acores.net/rtp/
Não percam, o Amor de estimação do Luís Filipe Borges e o ódio de estimação do Alexandre Borges.

21 de fevereiro de 2005

In medium virtus est

O "Centrão" foi o grande vencedor das eleições de ontem na Região. Todos, com excepção para os partidos mais pequenos, trabalharam para a bipolarização. Na verdade, PS e PSD somaram 87,54% dos votos dos Açorianos. Enquanto P Partido Socialista no rectângulo recolheu 45,17% dos votos expressos, na Região atingiu os 53,13%. O PSD também teve aqui um resultado melhor do que lá, de 28,18% dos votos na república, o fenómeno Mota Amaral atirou o PSD Açores para os 34,41%. O CDS/PP foi uma das vítimas da bipolarização. Em condições adversas, saído de convulsões internas mas com o apoio de muita gente de fora do partido, devo dizer que não esperava um resultado tão mau. Em Santa Maria e São Miguel, Ilhas onde a minha candidatura poderia ter potenciado o resultado do CDS, isso não aconteceu. Pelo contrário, provoquei mesmo uma hecatombe, o BE ultrapassou o CDS/PP.
Uma nova batalha eleitoral nos espera, as Autárquicas de Outubro próximo. Não serei, depois deste desastroso resultado, candidato ou sequer dirigente do CDS/PP. Contudo, ficarei à espera de ver os quem vai ser o "corajoso" que o PS vai mandar para a frente de batalha contra as tropas da "Sóra" Berta.

20 de fevereiro de 2005

Maioria Absoluta

Agora mais livre do que nunca e totalmente na oposição, vai ser muito mais fácil escrever aqui. É sempre mais fácil fazer oposição do que governar. Isto vai-me dar um enorme prazer.
Sócrates que, não tem barbas para pôr de molho, que ponha outra coisa qualquer. Terá aquele poço de virtudes que é Louçã sempre à perna. Vem aí o aborto e a "ganza" leve. Sex anf drugs and rock n'roll. Cool.

Eu bem dizia

Ficaram todos "apespinhados" comigo porque disse que Mário Soares estava xexé. Agora foi a própria CNE a dizê-lo.

Segurança

Centenas de agentes da PSP de todo o país prestaram ontem a última homenagem a Ireneu Dinis, o polícia morto na madrugada de quinta-feira na Cova da Moura, em Lisboa.E se centenas de polícias, GNRs e Exercito tivessem mantido um cerco ao bairro da Cova da Moura até apanharem os assassinos? É assim que funciona nos países desenvolvidos. Não é?

19 de fevereiro de 2005

Reflexão

Conquistamos o direito de votar e de escolher os nossos representantes, com a conquista definitiva da democracia. Na verdade com o processo iniciado na madrugada do dia 25 de Abril de 1974 e que apenas se completou a 25 de Novembro de 1975, os Portugueses conquistaram um dos mais importantes direitos de todos os que já haviam conquistado na sua história, o direito de voto. Numa democracia Parlamentar, como é a nossa, os cidadãos escolhem os seus representantes no Parlamento, uma espécie de assembleia de Homens bons. Ao Parlamento cabe escolher o Governo. Vamos, por isso, eleger amanhã os nossos deputados. Votar não é, contudo, apenas um direito, é também um dever de cidadania. Não votar também é um direito, o direito à abstenção. Contudo, a abstenção que temos registado no nosso país, é mais do que um simples sentido de voto, é um desleixo, é, motivada por um enorme desinteresse, por um desacreditar na coisa pública, nas causas, nos políticos. A estes, aos políticos, cabe alterar este estado de coisas. A estes, aos políticos, cabe, depois de mais uma campanha e findo o processo eleitoral, repensar a forma de comunicar com os seus concidadãos e de lhes passar a sua mensagem.
Votar é um dever de cidadania, vamos cumpri-lo. Votar é um direito, vamos exercê-lo.

18 de fevereiro de 2005

Memória curta

Aqueles que criticaram a coligação açores por utilizar os símbolos regionais nas suas acções de campanha, onde estão agora para criticar o Sr. José Sócrates Pinto de Sousa por usar os símbolos nacionais em acções de campanha?
Dois pesos e duas medidas?
Memória curta?
Eu estou cá para lembrar! OK?

Último dia

Hoje é o último dia desta longa caminhada que está sendo a campanha eleitoral. Percorri, ao longo dos últimos quinze dias, caminhos plenos de sobressaltos e contratempos, de afectos e de ódios, de beijos, abraços e de manguitos. Ontem tive casa cheia na Relva. Aliás casa mais do que cheia, pela primeira vez, que eu me lembre, foi necessário colocar mesas e cadeiras à última da hora. Noutros tempos a nossa preocupação era disfarçar os lugares vazios. Ainda bem que assim foi. Gente de toda a Ilha e de vários quadrantes políticos juntaram-se aos do CDS/PP para apoiarem a minha candidatura, ficarei desapontado se não corresponder às aspirações dessa gente boa que me apoiou e apoia e que me quer ver eleito. Esperemos serenamente os resultados de Domingo. Entretanto, até ao final do dia de hoje é preciso queimar os últimos cartuxos.

17 de fevereiro de 2005

Ainda a lei eleitoral para a ALRA


As minhas convicções e opiniões sobre este assunto estão em diversos "posts" de há uns meses a esta parte. Contudo, porque o tema veio à baila, muito embora, a julgar pela falta de assistência, não seja um tema muito importante para os Açorianos, aqui vai uma pequena (pequeníssima) contribuição. Eu só entendo uma alteração do sistema eleitoral que melhore o nível de proporcionalidade, sem diminuir o número de Deputados das ilhas pequenas. Proporcionalidade sim mas nunca em detrimento da representatividade das Ilhas. As propostas que preconizem a redução do número de deputados são apenas demagógicas e tendem a fazer desaparecer os partidos mais pequenos, reduzindo assim, a representatividade, não só das Ilhas mais pequenas mas também das minorias intelectuais. Bipolarizar, instrumentalmente, a democracia açoriana é diminuir essa mesma democracia.

16 de fevereiro de 2005

Do Pântano ao vazio

O debate de ontem, veio confirmar o teor do meu post. Nada de ideias, um vazio total. Sócrates esgrime palavras sem nexo, não diz nada, deita para o lado todo o conteúdo do seu programa de Governo, se é que o conhece. Apenas apela a uma maioria absoluta.
No princípio, no meio, no fim, em todas as acções de campanha, a única coisa que Sócrates sabe é que quer uma maioria absoluta e ousa dizer que o país dela necessita. O que o País menos precisa é de maiorias absolutas ou musculadas, o que o País precisa, urgentemente, é de gente capaz de governar e o Sr. Sócrates não está à altura de o fazer. É claro que quanto mais incapaz é o primeiro-ministro, mais musculada tem que ser a maioria parlamentar, não vá o diabo tecê-las. Além disso, depois do precedente gravíssimo que Jorge Sampaio abriu dissolvendo uma maioria parlamentar estável, Sócrates deve estar preocupado é que a partir de agora qualquer governo, com qualquer maioria parlamentar, pode cair "pelas razões que todo a gente sabe".Para debate de candidatos a primeiro-ministro e candidatos a ministro de estado, ficou muito por dizer e quase nada de novo dito. O melhor mesmo é continuar com a campanha das ideias que é delas que o País e a Região precisam.
Nos Açores, vamos eleger deputados que defendam os nossos interesses, combativos, esclarecidos, sem peias, e sem o olho posto nas suas carreiras politicas pessoais.
Quem estará nessas condições?

15 de fevereiro de 2005

Do pântano às trapalhadas e a caminho do pântano

Estamos a assistir a uma campanha eleitoral de muito baixo nível. Alguém é capaz de enumerar uma medida que um dos dois principais partidos do arco do poder tenha apresentado num comício um numa feira. Nada! Na verdade, nos seus programas eleitorais, que tive a paciência de ler, estão plasmadas algumas ideias e intenções interessantes, o que mais faltava era que não estivessem. Contudo, os líderes desses partidos e os seus candidatos distritais e regionais não as usam nem as divulgam. Uns apostam na capacidade comunicativa do seu líder, os outros estão com o seu líder porque estão contra o líder dos outros.
José Sócrates, ontem, teve a necessidade de vir dizer que os Portugueses não se devem esquecer que Paulo Portas também fez e faz parte do actual Governo. É verdade, os Portugueses não se devem esquecer que Paulo Portas esteve neste Governo, assim como não se devem esquecer da obra que os Ministros do CDS/PP, todos sem excepção, deixaram feita. Os Portugueses não devem também esquecer que o Sr. Eng. Sócrates fez parte já de um governo de Portugal, o famoso governo do "Pântano Guterrista". Mai nada!

Porque hoje é Terça-feira...

...é dia de Choque de Gerações. Vai para o ar pelas 21h30m na nossa RTP-Açores.
Moderados pelo incansável, adorado por uns e abominado por outros, o grande Joel Neto, Miguel Monjardino, Francisco José Viegas e Pedro Arruda, debatem esta semana as, eleições legislativas antecipadas, o balanço das eleições no Iraque e o regresso da GNR a Portugal.


Descoberta: Francisco José Viegas.
Reportagem: Nuno Costa Neves.
Amor de estimação: Alexandre Borges.
Ódio de estimação: Luís Filipe Borges.

14 de fevereiro de 2005

O Aeroporto do Pico e as leviandades dos Senhores deputados do PS

Quando os políticos com responsabilidades apostam na incompetência dos Jornalistas e das oposições para dizerem mentiras e aleivosias, estamos perante um caso de escandaloso desplante. Mas quando os políticos são ignorantes e incompetentes o caso muda de figura, vira-se o feitiço contra o feiticeiro.
A notícia que eu transcrevo, é uma desses casos de incompetência e desplante. Sobre o aeroporto do Pico e as exigências feitas pelos Senhores Deputados do Partido Socialista. o Jornal TAKE-OFF, na sua página 15 (não disponível na edição on-line, escreve assim:
Política
Lemos há poucos dias nos Jornais um protesto de alguns deputados do Partido Socialista que exigiam a entrada imediata em funcionamento do Aeroporto do Pico e a obrigatoriedade de serem garantidas duas ligações semanais entre Lisboa e aquela Ilha Açoriana.
Os senhores deputados fizeram mal o trabalho de casa. Como deputados eleitos pelo partido que formou governo na Região Autónoma dos Açores, deviam saber que a responsabilidade das infra-estruturas aeroportuárias no Pico é do executivo regional e deviam saber, também, que a obra não está concluída, porque esse mesmo governo regional, não o equipou com as condições necessárias para paras exigir uma operação com aviões de médio porte com capacidade para transportar entre 100 e 200 passageiros.
Por tudo isso, manter-se-á o impedimento da operacionalidade do aeroporto picoense por aviões com capacidade para mais de uma centena de passageiros.

11 de fevereiro de 2005

No Faial com o olho no Pico

Estou no quarto 316 do Hotel Fayal, aproveito para descansar um pouco. Daqui a um par de horas vou participar num Jantar comício com militantes e simpatizantes do CDS/PP, sem mais figuras nem figurões que eu cá não gosto de enganar ninguém. Sou eu o candidato, é a mim que têm que ouvir e é em mim que têm que acreditar. O terreno não é dos mais fáceis para o CDS/PP. Farei o melhor que sei e posso. Não tenho jeito para falar a plateias, prefiro falar entre rodas mais restritas mas assim terá que ser hoje, na Praia do Almoxarife.
Dei uma volta às mobílias do quarto. A mesa redonda que estava a um canto, coloquei-a junto à Janela. Em frente, o Pico. Desde que estou aqui já mudou de cor três vezes. Anoitece, dentro de uma hora apenas verei as luzes da Vila da Madalena e que se estendem até à Areia Larga. Do outro lado está São Jorge, já cintilam algumas lâmpadas na Ilha de Francisco de Lacerda.
Ouço o Cristóvão inspirar o seu cachimbo e escrevinhar duas palavras no teclado do seu PC. Uma baleia falou-me do Dias de Melo e o canal lembrou-me o Nemésio.
Se bem me lembro, ainda agora havia por aqui caçadores de baleias, depois de atuns, agora de subsídios.
E o avião da TAP?
Está atrasado ? Diz-me envergonhado um quartel de vinha património da humanidade.
Espera turistas, espera visitas, espera o futuro.
Um "maroiço" mais informado segreda-me que a culpa foi do Governo.
Do da república?
Não do regional! Fizeram isso tudo com os pés no ar, não trataram da segurança e dos procedimentos exigíveis e agora está o aeroporto feito mas os aviões não podem vir.
Isto é porque o dinheiro não é deles, é de nós todos. Viva a folia que agora até já dá lucro.
Por quanto tempo?

Outra vez os tempos

Estou a caminho do Faial, já no aeroporto João Paulo II, com ingresso marcado para o voo SP570. Uma hora de voo e dá cá 158,96 euros. Felizmente o tempo está bom. Um anticiclone com cerca de 1030 hPa entendeu estacionar em cima das nossas ilhas. O tempo? O tempo do relógio irrita-me, ultrapassa-me na auto-estrada do dia-a-dia quase com desdém. Passa por mim, apita e olha para o lado e depois para traz e ri-se. Ri-se, porque me deixou para traz, porque não me permitiu mais vagar para fazer as coisas de que gosto. Há vezes em que nem tenho tempo para pensar, quanto menos para escrever. O tempo, o do relógio, é um chato, uma borbulhinha um pingo no nariz uma pedrinha no sapato.

O outro tempo, o meteorológico é algo que me fascina e atrai. Não passa dia que não leia pelo menos uma ou duas cartas de prognóstico. Depois? Bem depois comparo as minhas leituras com as da Sr.ª Navarro e com as sugestões do Pedro Moura para as senhoras irem ou não para o tanque lavara roupa. Quase sempre se diz que vamos ter céu geralmente nublado com boas abertas. Quais boas abertas, estamos com verão há 3 dias e eles a falarem de boas abertas.
Bem o que interessa é que até Domingo, queira ou não a Srª Navarro ou o Sr. Fernandes ou outro qualquer meteorologista de serviço, vamos ter bom tempo. Tempo para ir para o tanque, para o jardim, para a avenida, para o campo e até para a praia, a carta não engana, esta não é uma carta de cartomante é de meteorologista. 1040 hPa mesmo em cima das nossas Ilhas. E eu vou ver o Pico, lindo, descoberto erguendo-se no azul-cobalto do Céu, visto ali do Faial.

10 de fevereiro de 2005

Moto-locomotiva

Porque o João Pacheco de Melo, insiste em não ter espaço ao contraditório no seu Lugar da Ponta Delgada. Não percam a sua posta de hoje, uma composição ferroviária puxada por Mota Amaral onde vão vagões cheios de cruzes, a Presidenta, o Anjo e o Bolieiro, todos à Boleia da Velha locomotiva do PSD-Açores
Persistem alguns dos problemas observados aquando do projecto "Coastwatch Europe" do ano anterior (2003), esta é a principal conclusão do relatório de 2004 apresentado pela Associação Amigos dos Açores.Tal como no ano anterior, o lixo foi o factor mais preocupante nas várias zonas da costa visitadas: cerca de 50% das unidades analisadas apresentaram objectos de grandes dimensões - principalmente materiais de construção, lixo doméstico em sacos ou amontoados e objectos domésticos, estes últimos observados em grande número este ano. Destaque para o aumento dos resíduos sólidos, no ano corrente, com incidência em 90% das unidades visitadas, quando no ano anterior, as ocorrências de resíduos foram registadas em 70% das unidades. Em ambos os casos, os resíduos mais frequentes são as garrafas de bebidas em plástico, os sacos de plástico para compras, as garrafas de bebida em vidro e as latas de bebida. Papel, cartão e/ou madeira foi a categoria de lixo ou poluição encontrada, em maior quantidade, na zona supratidal, enquanto que, na zona intertidal, há uma maior ocorrência de recipientes de substâncias potencialmente perigosas. É de salientar o número de ocorrências de têxteis e artigos de vestuário e esferovite e/ou outros materiais similares.
In Diário dos Açores de hoje.
E depois digam-me que eu não tenho razão em falar de educação ambiental.

Botafaladura

O Blogue do Paulo Parece Batista saiu do banho-maria onde se encontrava há muito. Espero que desta vez voltes em força. Faz falta a Santa Maria. Passamos a vida queixando-nos dos nossos políticos locais e dos regionais e nacionais pela forma como tratam a nossa Ilha. E o que fazemos nós por este pequeno paraíso na terra?
Faça-se qualquer coisa que mais não seja Botarfaladura.

9 de fevereiro de 2005

Nova revista de grande informação


Vai para as bancas sexta-feira um novo título. A Factos é uma revista que dará prioridade ao jornalismo de investigação e será, para já, distribuída nas Ilhas de São Miguel, Terceira, Faial e Pico. Entre outras coisas contará com uma crónica do Foguetabraze.

8 de fevereiro de 2005

Padre António Vieira



Impelido pela lembrança do JVC no seu Professorices, iniciei a releitura dos sermões do Padre António Vieyra. A minha edição não é igual à dele, é um nadinha mais antiga, é de 1678 e está em muito mau estado mercê dos anos em que vivi nas Furnas e a traça lhe entrou por folhas a dentro.
Sermão para amanhã Quarta-feira de Cinzas


"La Tomatina"




A batalha de tomates em Buñol, perto de Valência é a batalha mais parecida com a nossa "Batalha de Limas".

La Tomatina remonta a 1945, uma batalha acidental deu origem a uma tradição, ver a história da Tomatina aqui.

"A Batalha das Limas"


Eu nunca batalhei e só fui uma vez à avenida ver como era. Já era grandinho e a minha mãe que também nunca tinha visto pediu-me para irmos, de carro, ver a batalha. Na minha infância fiz muitas limas e depois sacos para as batalhas caseiras e até para alguns amigos irem batalhar para a avenida. Achava graça ao convívio e aos "salamalecos" de fazer limas. De resto, dia de entrudo era dia de fazer os enxertos, aprendi com o meu avô como os fazer , ainda hoje mantenho essa tradição. Hoje, talvez vá enxertar uma meia dúzia de cameleiras. Tempos houve em que fazia enxertos de citrinos, agora dedico-me mais às plantas ornamentais.

Se há tradição que devemos manter , esta é a da batalha das limas. Que eu saiba não se faz em mais parte alguma do mundo e nem sei que origens terá. Alguns dirão que é uma tradição bárbara, que já foi mais civilizada mas que derivou para a brutalidade. Admito. Contudo, é daquelas tradições que não se pode perder. Bem haja quem ainda investe muito do seu tempo e dinheiro em manter esta festa de entrudo tão especial e diferente.

7 de fevereiro de 2005

O Pacto de Estabilidade e Crescimento e o Défice Orçamental

Em relação ao Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC), não o vejo como uma obsessão. Isto é: Manter o défice orçamental abaixo dos 3% impostos pelo PEC é desejável mas não pode constituir um constrangimento ao investimento público. O Estado Português e as Regiões Autónomas estão, ainda, demasiado presentes, senão mesmo, omnipresentes nas respectivas economias. Restringir o investimento público é diminuir a actividade económica, é como dormir numa cama com lençóis curtos, quando se puxa para cima fica-se com os pés de fora.
Urge implementar politicas de incentivo ao investimento privado e reforço do sector produtivo, de forma a tirar o estado, o mais possível, do circuito económico e manter um nível de investimento público capaz de sustentar o tecido económico que dele, ainda, está dependente. Este investimento público é, desde logo, recuperável nos exercícios seguintes por via das colectas do IVA e do IRC das empresas, bem como, do IRS dos seus trabalhadores. Essa teoria, por vezes redutora, que para cumprir o défice, é necessário apertar os cordões à bolsa, é falsa. Contudo, são necessários reduzir os gastos com a administração pública, nomeadamente com a despesa corrente. É necessário tomar medidas de racionalização dos recursos humanos e financeiros. Uma medida tomada pelo Ministro da Defesa e dos Assuntos do Mar, Dr. Paulo Portas e que serve de exemplo, foi a criação de uma central de compras para o exército que redundou numa poupança, no primeiro ano, de cerca de 22,5 milhões de euros. Medidas desta natureza terão que ser tomadas em outros ministérios e em outras áreas da governação.

6 de fevereiro de 2005

Coisas Velhas

Eu gosto de coisas velhas. É verdade, quando era miúdo chamavam-me sucateiro. Para quem não sabe fui criado no Nordeste, a décima Ilha dos Açores, passava grande parte dos meus dias no viveiro florestal daquela longínqua Vila da Ilha de São Miguel, mais propriamente nas suas oficinas, remexendo peças velhas e construindo carros de empurrar com os quais organizava Ralis com os outros rapazes da terra. Tudo servia, rodas velhas de triciclos, discos de embraiagem velhos serviam de volante eixos de madeira de buxeiro e os veios de direcção eram feitos com forcas de araçaleiro. Foi no Nordeste que nasceu a minha paixão por carros velhos. Os Land Rover são os meus predilectos, já recuperei alguns , um deles de 1961 que ainda circula e passa nas inspecções periódicas.



DB-80-03 Land Rover Série II de 1961 actualmente propriedade do Dr. Carlos Sebastião
BZ-17-13 Land Rover Série III de 1981 ainda minha propriedade
Ambos foram salvos da sucata há cerda de 8 anos.



Em 1969 com o Mestre Ferreira no viveiro Florestal do Nordeste.
Pode ter começado aí o gosto pelos Land Rover.

5 de fevereiro de 2005

Distribuição planetária

Os leitores do Foguetabraze, distribuem-se, por quase todo o planeta, conforme se pode ver pelo mapa abaixo.

É interessante verificar a distribuição de leitores e a sua densidade na América do Norte, mais propriamente na área da Nova Inglaterra. Estará a nossa comunidade emigrante, de endemismo açorico, assim tão abandonada que venha beber neste vosso humilde blogue alguma informação e opinião sobre o que se passa nos Açores e em cada uma das suas Ilhas?
A leitura atenta deste mapa levou-me a cuidar os temas tratados de forma a serem os mais abrangentes possíveis e dedicados ao maior universo possível.
Na minha opinião, este e outros regionais e nacionais, são um exemplo de como um blogue pode ultrapassar as fronteiras de um circuito fechado de amizades ou de interesses comuns e chegar a um universo de leitores mais abrangente.
Não descuidarei este pormaior.

4 de fevereiro de 2005

O debate



Já que a blogosfera regional, mais própriamento o João Nuno, exige um comentário e uma opinião sobre o debate de ontem, depois de ter ouvido Santana Lopes, na TSF esta manhã e de ter lido os principais Jornais nacionais, aqui vai a minha opinião.
Despido de qualquer "partidarite", e munido da liberdade que muito prezo, devo dizer que não gostei do debate. Não só pelo formato que, obviamente, coarcta o desenvolvimento de raciocínios mais profundos, mas também pela falta de espontaneidade dos participantes. Eu não gosto da política demasiado previsível, quase fui capaz de adivinhar as palavras de um e de outro conforme as perguntas iam sendo formuladas.
Jornalistas e políticos perceberam, finalmente que os Portugueses não querem ouvir mais paixões e intenções sobre os grandes temas da educação e da saúde. Os políticos sabem que estes sectores vão ser sempre problemáticos e que não vale a pena massacrar o Povo com promessas vãs e incumprireis. Todos, sem excepção, queremos mais e melhor saúde e mais e melhor educação. Contudo, estes são sectores cuja despesa corrente absorve de tal ordem o orçamento que não sobra muito para as despesas de investimento. Além disso, são dominados por interesses corporativos muito fortes que, não abdicam de regalias, nem em nome de um pacto de regime. Esse é um dos males dessa democracia corporativa que estamos a viver. Já o disse aqui há uns meses atrás que as corporações, em Portugal, começam a ter uma força tal que a democracia parlamentar, já de si pouco lastrada, começa a estar fortemente em risco. Não é por acaso que o grande trabalho de desacreditação do sistema parlamentar e dos senhores deputados nasce do seio dessas mesmas corporações. Convém estar atento.
De resto, não houve vencedor nem vencido, foi um debate morno ao bom estilo de um Portugal que necessita, urgentemente de agitação e de Homens bons.
Para melhor dizer o que achei do debate, escolhi, citando de cor (por isso, podendo conter imprecisões, um poema de Carlos Paião)

"Trocas e baldrocas,
Altas engenhocas
Que eles sabem inventar,
São palavras ocas
faz orelhas moucas
não te deixes enganar".
(obrigado Miguel)

3 de fevereiro de 2005

Outra vez sem tempo

O tempo está a correr com muita pressa, muita pressa mesmo. Entre uma entrevista uma fuga às empresas e um café tomado na volúpia dos dias, sempre vai dando para vir por aqui. Deixar um post de circunstância e visitar os blogues do costume. Não levem a mal a falta de resposta a algumas provocações ou ter deixado de comentar nos vossos Blogues. Não é estratégia nem falta de consideração, é simplesmente falta de tempo. Como compreenderão, comentar implica voltar aos blogues e responder, se for caso disso, a actividade frenética dos últimos dias e daqui até ao dia 20 de Fevereiro não irá permitir uma grande atenção à blogosfera. Pelo facto, peço desde já, as minhas desculpas.

2 de fevereiro de 2005

Blogues de Candidatos

Proliferam por este País fora dezenas de blogues de candidatos a deputados. O servidor da Telepac SAPO, disponibilizou espaço a alguns desses candidatados, José Sócrates, Santana Lopes, Paulo Portas e Jerónimo de Sousa. Dos principais, só Francisco Louçã (o homem que não ri), não aceitou e ficou de fora.
Este também é um blogue de um candidato. A diferença é que este já existia antes de eu ser candidato e continuará para além do próximo dia 20 de Fevereiro. Os outros? Bem os outros têm morte anunciada.

Arquivo do blogue