3 de novembro de 2004

A esquerda tem mau perder

A esquerda tem mau perder e reage com insultos anti democráticos aos resultados eleitorais saídos da vontade popular.
Os Barnabés, órfãos há já algum tempo, viram em Jonh Kerry, que só tem de vermelho o Ketchup que a mulher vende, um dos seus pilares de salvação para ganharem qualquer coisa no plano Internacional. Perderam. Perderam por quase 4 milhões de votos. Os Barnabés há quatro anos não existiam mas os seus escribas fartaram-se de falar da falta de legitimidade de Bush por ter sido eleito, pelo colégio eleitoral constitucionalmente consagrado, mas com menos 100 mil votos do que Gore. Os Barnabés estão, agora, à espera de vencer no Ohio para elegerem Kerry, legitimamente com menos quase 4 milhões de votos do que Bush. Os Barnabés não sabem perder. Os Barnabés têm apelidado o povo Americano de "acéfalo". Os Barnabés é que não têm cabeça, estão perdidos e desesperados, resta-lhes a esperança de Marcelo Rebelo de Sousa, esse perigoso reaccionário, continuar a fazer a campanha deles.
É engraçado constatar como os Barnabés têm usado a agenda das direitas, liberais e capitalistas para estarem na crista da onda, estão ao lado de Chirac na questão Iraquiana, estão com Kerry na América, com Marcelo em Portugal. É que a agenda dos Barnabés está cheia de causas.
Os Barnabés perderam hoje, assim como, perderam os senhores Michael Moore, o Dr. Soares o Dr. Sócrates e toda uma panóplia de intelectuais e pseudo intelectuais que achavam que a América ia decidir de acordo com o que eles pensam.

2 de novembro de 2004

Choque de Gerações hoje na RTP-a

Hoje, na nova grelha de programação da RTP-Açores, não percam ás 21 horas com Joel Neto "Choque de Gerações", com os comentadores residentes Miguel Monjardino e Mário Cabral. O comentador convidado de hoje é o Bernardo Rodrigues, jovem arquitecto, filho da nossa terra e a fazer carreira fora de portas.
O programa que, segundo Joel Neto, requer algumas afinações, tenta mostrar aos Açorianos uma nova geração de intelectuais, escritores e artistas que se vão evidenciando no panorama Regional, Nacional e quiçá Internacional.

Sugiro, entretanto um "zapping" à CNN ou uma visita ao http://www.cnn.com/ para acompanhamento das novidades nas eleições nos Estados Unidos da América, talvez as mais importantes eleições internacionais desta primeira década do século XXI. Do seu resultado pode esperar-se de tudo, uma nova politica de Bush ou uma revolução democrática. Uma continuidade da politicas republicanas do último quinquénio ou uma nova abordagem á questão do médio Oriente. Também há quem defenda que ganhe quem ganhar tudo fica na mesma como a lesma. Não acredito. Ganhe quem ganhar as coisas vão mudar. Mesmo que ganhe Bush, espera-se uma nova ofensiva da Casa Branca, desta feita legitimada pelo voto popular.

Silêncio ensurdecedor

Começa a ser incómodo, pelo menos para mim, o silêncio a que César se reservou sobre a constituição do próximo executivo.
Fontes próximas do Palácio de Santana e da Rua Margarida de Chaves, asseguram-me que César só falará de nomes lá para os dias 12 ou 13, ou seja 3 ou quatro dias antes da tomada de posse da nova Assembleia Legislativa Regional dos Açores.
Estará a ser difícil encontrar Gente competente com disponibilidade para aceitar certas pastas criticas?
Estará a ser difícil convencer alguns dos actuais agentes políticos do Governo a continuarem as suas funções em período que se adivinha de "vacas magras"?
Estará a ser difícil gerir o aparelho partidário em função das escolhas de alguns "independentes"?

Pergunto. Pergunto num misto de curiosidade e inquetude. E ouço, ao longe, uma silenciosa e incomodativa chiada.

31 de outubro de 2004

Doçuras ou travessuras

O Halloween é uma tradição importada muito recentemente para os Açores. Sem querer ser maçador, permitam-me uma pequena e atrevida história desta festa de abóboras bruxas e "rabeçados".
A palavra halloween tem origem no dia que amanhã a comunidade Cristã dedica a todos os Santos. Na verdade, a palavra Halloween tem origem numa corruptela das palavras "All Hollows Day" ou "All Saints Day" que era desde o século V ac e de acordo com a comunidade Celta Irlandesa comemorado no dia 31 de Outubro, dia este que também marcava o fim do verão e o inicio de um novo ano.
No século primeiro depois do nascimento de Cristo, os romanos adoptaram as práticas Celtas como suas e faziam neste dia uma festa em honra de Pomona, Deusa da fruta e das árvores.
Hoje o Halloween não passa de um dia de festa com abóboras e bruxas e "doçuras ou travessuras".
Amanhã a Igreja católica celebra o dia de todos os Santos. É também dia de Pão por Deus. Em Ponta Delgada existe a tradição de oferecer aos ardinas, uma certa quantia em dinheiro em troco de uma mão cheia de quadras.
Na minha infância, no Nordeste, organizávamos grupos de rapazes, com boinas na cabeça e uma saca de pano, normalmente feita de retalhos, íamos pelas ruas, de porta em porta pedindo o Pão por Deus. Ao final do dia, trazíamos de tudo, desde algumas moedas a chocolates e "candiles".
Tradições que se vão perdendo e que vão sendo substituídas por esses novos fenómenos da cosmocultura.

Nova grelha

A nova grelha de programação da RTP-Açores, promete mais produção Regional. Isto pode ser uma boa noticia. Na verdade, a nossa televisão é o único meio de fazer chegar a todas as Ilhas dos Açores aquilo que se passa nas outras. Noticias, divulgação cultural, desporto e debate são algumas das propostas. Ficamos assim, mais uma vez, expectantes. Para já, o programa dirigido por Joel Neto e que vai para o ar à Terça Feira promete muito debate e muita novidade sobre uma nova geração de Açorianos que nem todos os Açorianos conhecem. À Quarta feira Rui Ferreira volta com o seu Máquinas e Lazer, que mantinha os açorianos informados sobre os desportos motorizados e radicais.

30 de outubro de 2004

"Carne para canhão"

Este não será o local apropriado para tratar dos problemas do PSD. Contudo, por ser um lugar de opinião e debate, admite-se que algumas discussões sobre assuntos de interesse regional se façam aqui. Parece-me que algumas franjas da opinião pública Regional continuam obcecadas com o PSD e com o seu futuro. Para mim o PSD a 17 de Outubro passou a ser, outra vez, um dos meus adversários políticos, senão mesmo o mais importante. Bem quero é que encontrem um poste com qual esbarrem com bastante força.
Sem querer meter foice em seara alheia, parece-me que se vai passar no PSD o que se tem passado desde a saída do Dr. Mota Amaral, substituem o líder e depois o aparelho é o mesmo. Os mesmos que perderam agora com Victor Cruz, são os que perderam com Álvaro Dâmaso, Manuel Arruda, e Carlos Costa Neves. O Actual aparelho do PSD queimou dois dos seus mais promissores políticos da actualidade, em minha opinião claro, Costa Neves e Victor Cruz. Não queimarão Berta Cabral (que é bem pior do que qualquer um dos outros dois) porque esta não lhes dará oportunidade.
O próximo líder do PSD-A, será assim, uma espécie de "carne para canhão".

Esta é a minha visão das coisas neste momento em que me encontro longe, bem longe mas com o sentido nos destinos da minha terra.

25 de outubro de 2004

Expectante

Não estou virado para as "postas". Não me apetece escrever, mas estou deveras expectante em relação a notícias sobre o novo Governo de Carlos César. Há novidades? Parece que não. Será que vamos ter Governo ainda esta semana? Ou a remodelação prometida não passará de uma miragem. Estou deveras expectante.

23 de outubro de 2004

Palau de la Música Catalana


O movimento modernista de Barcelona atingiu o seu auge nesta magnifica sala de concertos construída entre 1905 e 1908. Esta foi uma criação do Arquitecto Lluís Doménech i Mantaner. A fachada trabalhada, cercada de colunas com mosaicos e arcos de tijolo, sugere o que nos espera lá dentro. O Jardim da música como Doménech lhe chamava, estende-se para além das portas da frente, com cada superfície decorada com motivos florais. A sala de concertos, tão alta quanto comprida, é um verdadeiro hino à luz e às formas naturais repleta de vitrais e clarabóias que deixam atravessar o sol, abundante por estas paragens.

22 de outubro de 2004

Park Güel

A arquitectura "rócoco" modernista de António Gaudí feita Jardim. Nenhuma outra obra do famoso arquitecto catalão se integra tão bem com a Natureza, a sua fonte inspiradora mais frequente.

O parque pretendia ser uma cidade-jardim residencial ao estilo inglês, dai a terminologia "park". Contudo, o projecto falhou, tendo-se apenas construído uma casa, onde Gaudí viveu e que é hoje a sua casa museu, que é conhecida pelo formigueiro gigante que adorna as suas paredes exteriores.

Os Olhos também comem

21 de outubro de 2004

Férias e mais qualquer coisa

Este blog está em período de descanso, curto mas intenso, que esta coisa de ser empresário não dá para gozar grandes férias.
Hoje estivemos todo o dia aqui, amanhã também.

20 de outubro de 2004

Deserto Verde

Concurso para a privatização da Veredegolf SA ficou deserto.
Havia alguém capaz de imaginar que fosse acontecer outra coisa que não isso?
A Verdegolf é um bom exemplo de como não se devem fazer as coisas. Nasceu torta no tempo do amaralismo e oito anos de governação socialista não lhe viraram a orientação. Não basta substituir administradores ou substituir empregados. São necessárias medidas de fundo para alterar a situação daquela empresa que se revela de interesse estratégico para o desenvolvimento do Turismo nos Açores.
Ao construir mais 9 buracos na Achada das Furnas e 27 buracos na Batalha sem desenvolver projectos imobiliários paralelos capazes de suportarem o financiamento da construção e manutenção dos campos, os políticos e gestores públicos de então cometeram um erro colossal. Demorar oito anos insistindo no mesmo modelo foi outro erro colossal. Em gestão, na política ou na economia, seja ela macro, micro ou doméstica, não se podem esperar resultados diferentes se mantivermos o "modus operandi".
Provavelmente, os políticos de agora, ficaram admirados com o facto do concurso ficar deserto. Nunca pensaram que uma das contrapartidas pedidas era um enorme fardo para quem comprasse a empresa.
Nos moldes em que está estruturada a empresa e mesmo retirando do caderno de encargos a contra-partida de construir um campo de golfe no Faial, não sei se existirão muitos empresários capazes de aceitar aquela empresa dada, quanto mais por 9 milhões de euros.

19 de outubro de 2004

Epitáfio

Nunca fui bom epitafista, aliás nunca fui bom em nada, só a trabalhar. Acho que venço os outros por ter esta capacidade enorme de me alhear do que me está à volta e pôr-me a trabalhar sem sossego até acabar a gesta a que me proponho. Mas cá vai o meu epitáfio ao Não M'Acredito. Eu gosto dele, gosto do autor dele, gosto do autor há muitos anos mesmo quando discordo e nos últimos tempos isso foi uma constante. Domingo foi um dos vencedores e um dos vencidos. O nosso Benfica perdeu. Roubado mas perdeu. Eu gosto de ganhar roubado ao FCP, dá-me um gozo dos diabos mas, detesto perder roubado seja com quem for.
Na festa de 1º aniversário do Foguetabraze fiquei com pena de não lhe ter dado um prémio, ele merecia e o lobby para que isso acontecesse foi bastante forte. Prometi-lhe um prémio no ano seguinte mas ele infelizmente morreu. Deixou-me, portanto duplamente de luto.
No seu comentário de parabéns deixou, porém, uma porta aberta. Só espero que ressuscite com o novo blog prometido. Desculpa, amigo, as minhas ofensas mas sabes bem que não me aguento, é de mim. E POR FAVOR, NÃO GRITES MAIS COMIGO!

Vaga de fundo

Caro Ezequiel.
Obrigado pelos elogios que me deixaste subentendidos em comentários no "post" abaixo. Vou intervir em forma de post, já que existe assunto que merece ser desenvolvido e assim saltar para outro nível de discussão.

Tal como disse o nosso amigo Pedro Arruda e bem, é pena que esta "vaga de fundo" venha de fora do partido e não de dentro. Também o Abel tem razão. Ele melhor do que ninguém sabe como se trabalha no terreno para ganhar votos e consolidar ideias sem ser cinzento, sem tentar agradar a tudo e a todos. Mas também sabe que criar uma máquina partidária é muito mais difícil do que isso e dominá-la ainda é mais complicado. O CDS/PP não é um partido tipo União Nacional, para agradar a tudo e a todos. É um partido com uma ideologia vincada e com ligações muito próprias a um eleitorado conservador no que é bom e nem sempre, liberal no que pé preciso. Eu já disse várias vezes que a nossa principal afirmação deve fazer-se pelo pragmatismo e pela discussão dos conceitos económicos mais liberais. O Modelo de desenvolvimento dos Açores que o Partido Socialista leva a vante, é um complemento directo do modelo Amaralista, é um modelo esgotado e com provas dadas deste mesmo esgotamento. Esse é também o modelo defendido por Alvarino Pinheiro. Não raras vezes o ouvimos fazer apelos à intervenção do Estado/Região, em sectores da vida económica Regional que deveria estar destinados a privados.

É certo que sou o único que, (na senda de outros pensadores da direita liberal portuguesas,) pensa a economia global como um caminho sem retorno e sem lugar a proteccionismos e intervencionismos. Este discurso não é suficiente para tomar conta do partido. Na noite eleitoral, aproveitando uma deixa do Luciano Barcelos, tive o cuidado de tocar neste assunto embora muito pela rama. A criação de um Fundo de Coesão Regional, uma das poucas ideias lançadas por César no decorrer da campanha eleitoral, é continuar numa linha de investimento público onde o que é necessário é criar condições para o investimento privado proliferar. Isto só não acontece porque o Estado/Região, está minado por medíocres. Na verdade, há gente com grande capacidade de análise e de trabalho nas diversas secretarias mas a grande parte dos serviços estão minados por funcionários medíocres que não fazem nem deixam fazer.

Este discurso agrada a grande parte do eleitorado do CDS/PP mas nem sempre funciona internamente. O discurso interno é mais eficaz quando se podem contar espingardas. Além disso, esta vaga de fundo que, me apraz registar, foi me manifestada não só ao longo da campanha mas também e principalmente, ao longo dos dias de ontem e hoje. Infelizmente esta é uma vaga externa e demasiado "flat". O mar está so "crawdli", não me parece que seja eu, um surfista amador, a apanhar essa vaga.

18 de outubro de 2004

Antes que me digam...

..deixem-me dizer que o Foguetabraze também foi um dos derrotados da noite, embora sem grandes responsabilidades, como disse o Pedro Arruda, o Foguetabraze fez mais pela coligação do que muitos dos dirigentes do CDS/PP.
Uma reunião de emergência entre os seus membros, (consciência, dever cívico e bicho carpinteiro) foi decidido manter no cargo de director, sub director, chefe de redacção e reserva moral, o seu fundador.
A todos os meu muito obrigado

Vitória de César

Carlos César havia anunciado em meios restritos e públicos que não seria candidato nestas eleições. O Partido Socialista, temendo a orfandade, empurrou César para o que seria o mais difícil combate político da sua carreira, enfrentar o delfim de Mota Amaral, numa conjuntura que se julgava de desgaste. César é, por isso, o grande vencedor da noite eleitoral de ontem. Fica-lhe bem, politicamente correcto, dizer que ganharam os Açorianos, mas no íntimo sabe, melhor do que ninguém que é a ele que se deve a vitória.
Também Victor Cruz assumiu a sua quota-parte da derrota. Não podia fazer outra coisa. Falta aos outros protagonistas da coligação, os que se empenharam mais e principalmente os que se empenharam pouco, fazerem o mesmo, tomarem por sua a derrota de ontem.
Victor Cruz não perdeu sozinho, perdeu porque estava com os mesmos que perderam com Álvaro Dâmaso e com os mesmos que perderam com Manuel Arruda. Victor Cruz perdeu, também, por um fenómeno de rejeição da Coligação Açores. Esta, não conseguiu sequer fidelizar a soma dos votos que os dois partidos alcançaram há quatro anos, perdeu em toda a linha.
Em São Miguel, onde a derrota é mais estrondosa já que em Santa Maria não foi novidade, nem a estratégia seguida por Paulo Gusmão de fazer campanha sozinho serviu de muito. Por isso, perdeu também, O Jovem líder dos Populares de São Miguel que não conseguiu assim segurar o eleitorado do seu partido perdendo a possibilidade histórica de eleger um segundo deputado pela Ilha, o seu compadre Frederico Sampaio, é também um derrotado de ontem. É caso para dizer que a politica não se faz só com os amigos e com os compadres, faz-se com todos os que querem participar nos processos e ouvindo todas as sensibilidades.
Daqui envio a Carlos César os meus sinceros parabéns e votos de que opere as mudanças necessárias no seu executivo e opere as reformas esperadas nas áreas onde a governação socialista foi mais penalizadora, Agricultura, Pescas e Ambiente.

17 de outubro de 2004

Fonte de tudo

Eu amo tudo o que foi...

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa, 1931.

15 de outubro de 2004

Autonomia Progressiva

Deixando de parte o ruído da campanha eleitoral, tenho andado a debater com o Guilherme, no seu chá verde (puro),( já que aqui parece que o Guilherme não anda com grande vontade de vir por causa do tal ruído) a questão autonómica. Chegamos a algumas conclusões e a situações de comum acordo.
Desde logo a questão do financiamento das Regiões autónomas foi assunto em que concordamos, na forma e na essência. Contudo, este debate sobre as autonomias insulares atlânticas que, no meu entender deverá ter como nossos privilegiados aliados, não só a Região Autónoma da Madeira mas também a "Región Autonómica de Canarias". Esta última, por ser uma região autónoma de um outro estado membro e com problemas similares aos dos Açores e da Madeira, nomeadamente no concernente às questões dos transportes e comunicações mas, sobre tudo, relativamente ao seu estatuto de autonomia, deve fazer parte de um "task force" a criar em Bruxelas, no sentido do alargamento das competências e das responsabilidades da União no processo de desenvolvimento económico específico das suas parcelas atlânticas e ultraperiféricas.
Uma maior autonomia financeira relativamente ao Estado, mesmo que transferindo esta responsabilidade para Bruxelas, que permita aos Açores uma gestão dos seus recursos menos dependente dos interesses do poder instituindo em Lisboa é desde logo uma solução que me agradaria e muito.
Para os defensores da Independência dos Açores. Eu, pessoalmente, não acredito na conquista da Independência e na "livre administração dos Açores pelos Açorianos", pela via revolucionária. Está provado que os grandes movimentos e sublevações populares que aconteceram nas nossas Ilhas, tiveram sempre motivações de ordem económica e nunca do campo das ideias. Ou seja, com a barriguinha cheia o Açoriano não se mexe.
A caminho do federalismo europeu, pode muito bem, vir a ser o caminho para a independência dos Açores e de muitas outras regiões europeias. Na verdade, desenterrando o vetusto conceito de autonomia progressiva que, nunca foi devidamente desenvolvido, nem aprofundado, por via da falta de empenha na solução da questão financeira, acredito que, no quadro da União europeia e da pouco desejada por alguns mas inevitável economia à escala da "Aldeia Global", se caminhe no sentido da criação de micro estados sendo os Açores um deles a par da Madeira, Canárias, País Basco, Catalunha, Martinica, Reunião, Córsega e muitas outras regiões periféricas e não periféricas da Europa incluindo as que constituem pequenas federações dentro da União Europeia.
Ao fim e ao cabo, o que temos hoje é uma Região gerida à escala de um micro estado mas com uma total dependência financeira de outro Estado/nação. Reparem que quando me refiro aos Açores independentes me refiro a um micro Estado e não micro estado/nação.
O conceito de nação tal como o encaramos e não como os dicionários o classificam, pode até não fazer sentido para muitos do Açorianos que se sentem Portuguesas dos quatro costados mas isso não implica a negação do conceito de estado independente e soberano.

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