Fundo de Coesão garantirá crescimento harmonioso dos Açores
Garantir mais investimento público para as ilhas mais pequenas é a pretensão de Carlos César ao anunciar a criação de um Fundo de Coesão.
Esta é a mais nova criação demagógica do Presidente do Governo Regional dos Açores em campanha eleitoral. Um fundo de coesão para garantir o "desenvolvimento harmonioso da Região". Em, primeiro lugar, este conceito, já roçado, gasto, roto mesmo, lançado nos Açores nos tempos áureos da governação Amaralista, não só não fazia sentido no tempo como ainda mais deixou de fazer sentido hoje. Não será o próprio orçamento regional uma espécie de fundo de coesão? Não será o sistema eleitoral uma espécie de garante deste fundo de coesão?
Atenção! Atenção eleitores das Ilhas maiores, estes Senhores querem levar o dinheirinho todo para as Ilhas mais pequenas, onde o mercado não é capaz de gerar investimento privado. Atenção Senhores eleitores de São Miguel e Terceira, preparem-se para quatro anos de mais miséria, sem estradas, sem portos, sem reparações de grande vulto. Este Governo prepara-se para, se ganhar as eleições, abandonar São Miguel e a Terceira.
As nossas Ilhas são como um comboio, têm uma locomotiva e mais oito carruagens, umas mais leves do que outras, umas mais modernas do que outras. Se insistirmos nesta idiotice de investir predominantemente nas carruagens, elas vão ficando cada vez mais luxuosas, mais pesadas e vamos indirectamente enfraquecendo a locomotiva. Isto é o que tem sido feito nos últimos 30 anos e não fora a iniciativa privada, em São Miguel, mercê do mercado existente, a fazer qualquer coisa de novo e estaríamos quase no ponto em que estávamos nos primeiros anos da década de 90 do século passado. Era bom saber, talvez o André B. e o Guilherme Marinho possam ajudar, qual o investimento público, per capita efectuado em cada Ilhas dos Açores nos últimos anos. Era bom saber, a evolução do PIB per capita em cada uma das Ilhas onde este investimento foi mais elevado, para concluirmos finalmente onde e quando se deve investir. Eu suspeito que sei a resposta mas como não tenho a certeza não me adianto.
24 de setembro de 2004
23 de setembro de 2004
Momentos culturais
O maior pasquim da aldeia escreve na primeira página que Lá Féria é o único encenador que não recebe subsídios do governo. Em bom "açorianês" dir-se-ia "tai asno". Mesmo por detrás da fotografia da primeira página está um logo tipo do GRA, como principal patrocinador do espectáculo que Lá Féria vai levar à cena este fim-de-semana em Ponta Delgada.
Esta diarreia de programas semanais no Teatro Micaelense, pagos por nós todos, pelos nossos impostos é uma autêntica pouca-vergonha. Não que não merecêssemos um Teatro recuperado e espectáculos todas as semanas. Não. O que merecíamos era que os nossos políticos tivessem vergonha na cara e que fizessem coisas dessas durante todo o ano e não apenas em vésperas de eleições. Não sei quanto custará o musical Amália no teatro Micaelense e quanto custaram os outros dois espectáculos. Por acaso até gostava de saber quanto vai custar o cartaz dos últimos dias. Só por curiosidade e para avaliar em quanto os meus impostos estão a contribuir para a promoção da imagem da Secretaria da Economia e do Governo Regional dos Açores.
Não ponho em causa as obras de recuperação do Teatro Micaelense, nem ponho em causa a competência das pessoas ligadas à Sociedade Anónima que irá gerir aquele espaço.
O que me preocupa neste processo do Teatro Micaelense é que, a megalomania de alguns políticos, aliada à passividade de uma elite que prefere ficar calada desde que se faça qualquer coisa que lhes sirva as manias, teve como resultado um imóvel e uma empresa da área da cultura e do turismo que, só para fazer face às despesas correntes terá que gerar uma receita quinhentos mil euros. Não tardará, as paredes começarão a ficar velhas, as cadeiras roçadas, os corredores esfolados, as lâmpadas fundidas, as portas inchadas, e tudo isso é necessário reparar. Muito subsidio vai ter que existir!
Tanto dinheiro concentrado na mesma mão não levará mais cultura a mais Açorianos. Ao invés, este dinheiro distribuído por muitos dos pequenos agentes culturais e empresários da cultura espalhados pela Região, dariam para que, houve todas as semanas, em todos os concelhos, um momento de cultura.
Receber subsídios é o "modus vivendi" dos Portugueses, directa ou indirectamente. Somos "subsídiodependentes". Para se receber subsídios, não é necessário candidatar-se e fazê-lo directamente. Muitos de nós recebemos subsídios sem darmos conta disso e ainda somos mal-agradecidos.
Os Açorianos que viajam na Sata, na Açorline, compram gasolina ou gasóleo, são subsidiados. Os Açorianos que vão ao Teatro, são subsidiados. Todos estes subsídios são, porém, pagos por nós, pelos nossos impostos.
Esta diarreia de programas semanais no Teatro Micaelense, pagos por nós todos, pelos nossos impostos é uma autêntica pouca-vergonha. Não que não merecêssemos um Teatro recuperado e espectáculos todas as semanas. Não. O que merecíamos era que os nossos políticos tivessem vergonha na cara e que fizessem coisas dessas durante todo o ano e não apenas em vésperas de eleições. Não sei quanto custará o musical Amália no teatro Micaelense e quanto custaram os outros dois espectáculos. Por acaso até gostava de saber quanto vai custar o cartaz dos últimos dias. Só por curiosidade e para avaliar em quanto os meus impostos estão a contribuir para a promoção da imagem da Secretaria da Economia e do Governo Regional dos Açores.
Não ponho em causa as obras de recuperação do Teatro Micaelense, nem ponho em causa a competência das pessoas ligadas à Sociedade Anónima que irá gerir aquele espaço.
O que me preocupa neste processo do Teatro Micaelense é que, a megalomania de alguns políticos, aliada à passividade de uma elite que prefere ficar calada desde que se faça qualquer coisa que lhes sirva as manias, teve como resultado um imóvel e uma empresa da área da cultura e do turismo que, só para fazer face às despesas correntes terá que gerar uma receita quinhentos mil euros. Não tardará, as paredes começarão a ficar velhas, as cadeiras roçadas, os corredores esfolados, as lâmpadas fundidas, as portas inchadas, e tudo isso é necessário reparar. Muito subsidio vai ter que existir!
Tanto dinheiro concentrado na mesma mão não levará mais cultura a mais Açorianos. Ao invés, este dinheiro distribuído por muitos dos pequenos agentes culturais e empresários da cultura espalhados pela Região, dariam para que, houve todas as semanas, em todos os concelhos, um momento de cultura.
Receber subsídios é o "modus vivendi" dos Portugueses, directa ou indirectamente. Somos "subsídiodependentes". Para se receber subsídios, não é necessário candidatar-se e fazê-lo directamente. Muitos de nós recebemos subsídios sem darmos conta disso e ainda somos mal-agradecidos.
Os Açorianos que viajam na Sata, na Açorline, compram gasolina ou gasóleo, são subsidiados. Os Açorianos que vão ao Teatro, são subsidiados. Todos estes subsídios são, porém, pagos por nós, pelos nossos impostos.
22 de setembro de 2004
Ainda o sistema eleitoral para a RAA
Dando seguimento à discussão ontem lançada aqui, recebi do Manuel Moniz, a proposta de alteração do Sistema Eleitoral para os Açores, apresentada pelo MPT a quando da apresentação da lista de candidatos por São Miguel. Embora não esteja totalmente de acordo com a mesma, ela aproxima-se de níveis de equidade e representatividade muito interessantes, sem recorrer ao aumento do número de deputados (nasce um novo fantasma) mas diminuindo o nº de deputados das Ilhas mais pequenas em favor das duas maiores (morre um fantasma).
Na Minha modesta opinião, a proposta elabora num erro de base que, certamente, aquele Movimento pretenderia ver corrigido em sede de revisão constitucional.
Vejamos. Não é possível, constitucionalmente, a existência de círculos uninominais, logo a Ilha do Corvo tem que ter pelo menos dois deputados. Alem disso, o Pico com três concelhos, três círculos, teria que ter 6 deputados, as Flores e São Jorge com 2 concelhos, logo dois círculos teriam que ter 4 deputados.
A redução do número de deputados a eleger nas ilhas mais pequenas, passado de 3 para dois o número de deputados a eleger, reduz significativamente a possibilidade das forças mais pequenas, (muitas vezes as ideologicamente mais bem definidas e que não pertencem a este grande centrão em que se transformaram os partidos do arco do poder) de elegerem representantes.
A aplicação do método de Hont, provoca a criação de bolsas de votos sobrantes de significativo montante. Só a título de exemplo, no sistema actual, ficam por utilizar, em São Miguel; cerca de 3000 votos úteis, o que é suficiente para eleger 3 deputados em Santa Maria ou na Graciosa. Dai que eu defenda ou o aumento do número de deputados por São Miguel e Terceira ou a criação de um 10º círculo eleitoral Regional que aproveitaria todos os votos sobrantes de todos os círculos.
Bem sei que o aumento do número de deputados parece uma aleivosia, quando se discute tanto o custo do Parlamento e das subvenções dos deputados. Reduzam-se os custos com tanto disparate que se faz e aumente-se a representatividade do Povo no sistema democrático. Nada há de mais justo do que isso.
No que concerne à eleição directa do Presidente do Governo, nada tenho a opor. Contudo, sou um parlamentarista puro e como tal tudo o que seja retirar poderes aos parlamentos cria-me alguns anticorpos. Porém, admito, que o sentido natural dos acontecimentos vai pela eleição directa do Presidente do GRA.
Proposta do MPT (parte)
"O MPT - PARTIDO DA TERRA propõe um sistema de círculos mistos de ilha e concelho, e uma dupla votação para o Governo e para a Assembleia Regional, em que os candidatos deverão ser eleitos individualmente, não sendo obrigatória a candidatura por partidos.
Deverá votar-se para o Presidente do Governo e para os Deputados individualmente"...
..."A base de cálculo para o número de deputados ao nível do arquipélago deverá ser ligeiramente alterada, reflectindo a população existente em cada ilha, embora salvaguardando o peso das diversas unidades territoriais, tão fundamentais para a unidade açoriana.
É proposto o seguinte quadro de deputados:
No interior das ilhas que têm mais de um concelho, o número de deputados deverá ser dividido por cada concelho, de acordo com o respectivo peso populacional. No caso de S. Miguel, propõe-se que Ponta Delgada tenha 12 deputados, a Ribeira Grande 6, Lagoa 3, Vila Franca do Campo 2, Povoação 1 e Nordeste 1.
Os deputados eleitos por cada concelho deverão constituir um elo de articulação entre: os seus concelhos e a Região; entre as autarquias, o Governo e a Assembleia Regional; e entre os diversos órgãos de poder e a sociedade civil. Para o conseguir, deverá ser aberta uma delegação da Assembleia Regional em cada concelho, onde os deputados deverão trabalhar, receber a população e interagir com as diversas forças vivas, participando assim activamente no desenvolvimento local.
Para além do seu papel ao nível concelhio, os deputados deverão funcionar no âmbito das estratégias desenvolvimento globais de cada ilha, assim como ao nível das estratégias de âmbito regional."
Na Minha modesta opinião, a proposta elabora num erro de base que, certamente, aquele Movimento pretenderia ver corrigido em sede de revisão constitucional.
Vejamos. Não é possível, constitucionalmente, a existência de círculos uninominais, logo a Ilha do Corvo tem que ter pelo menos dois deputados. Alem disso, o Pico com três concelhos, três círculos, teria que ter 6 deputados, as Flores e São Jorge com 2 concelhos, logo dois círculos teriam que ter 4 deputados.
A redução do número de deputados a eleger nas ilhas mais pequenas, passado de 3 para dois o número de deputados a eleger, reduz significativamente a possibilidade das forças mais pequenas, (muitas vezes as ideologicamente mais bem definidas e que não pertencem a este grande centrão em que se transformaram os partidos do arco do poder) de elegerem representantes.
A aplicação do método de Hont, provoca a criação de bolsas de votos sobrantes de significativo montante. Só a título de exemplo, no sistema actual, ficam por utilizar, em São Miguel; cerca de 3000 votos úteis, o que é suficiente para eleger 3 deputados em Santa Maria ou na Graciosa. Dai que eu defenda ou o aumento do número de deputados por São Miguel e Terceira ou a criação de um 10º círculo eleitoral Regional que aproveitaria todos os votos sobrantes de todos os círculos.
Bem sei que o aumento do número de deputados parece uma aleivosia, quando se discute tanto o custo do Parlamento e das subvenções dos deputados. Reduzam-se os custos com tanto disparate que se faz e aumente-se a representatividade do Povo no sistema democrático. Nada há de mais justo do que isso.
No que concerne à eleição directa do Presidente do Governo, nada tenho a opor. Contudo, sou um parlamentarista puro e como tal tudo o que seja retirar poderes aos parlamentos cria-me alguns anticorpos. Porém, admito, que o sentido natural dos acontecimentos vai pela eleição directa do Presidente do GRA.
Proposta do MPT (parte)
"O MPT - PARTIDO DA TERRA propõe um sistema de círculos mistos de ilha e concelho, e uma dupla votação para o Governo e para a Assembleia Regional, em que os candidatos deverão ser eleitos individualmente, não sendo obrigatória a candidatura por partidos.
Deverá votar-se para o Presidente do Governo e para os Deputados individualmente"...
..."A base de cálculo para o número de deputados ao nível do arquipélago deverá ser ligeiramente alterada, reflectindo a população existente em cada ilha, embora salvaguardando o peso das diversas unidades territoriais, tão fundamentais para a unidade açoriana.
É proposto o seguinte quadro de deputados:
No interior das ilhas que têm mais de um concelho, o número de deputados deverá ser dividido por cada concelho, de acordo com o respectivo peso populacional. No caso de S. Miguel, propõe-se que Ponta Delgada tenha 12 deputados, a Ribeira Grande 6, Lagoa 3, Vila Franca do Campo 2, Povoação 1 e Nordeste 1.
Os deputados eleitos por cada concelho deverão constituir um elo de articulação entre: os seus concelhos e a Região; entre as autarquias, o Governo e a Assembleia Regional; e entre os diversos órgãos de poder e a sociedade civil. Para o conseguir, deverá ser aberta uma delegação da Assembleia Regional em cada concelho, onde os deputados deverão trabalhar, receber a população e interagir com as diversas forças vivas, participando assim activamente no desenvolvimento local.
Para além do seu papel ao nível concelhio, os deputados deverão funcionar no âmbito das estratégias desenvolvimento globais de cada ilha, assim como ao nível das estratégias de âmbito regional."
21 de setembro de 2004
"Ditadura" da minoria
Com cerca de 100 mil eleitores, 53 por cento dos inscritos nos Açores, a ilha de São Miguel vai eleger nas regionais de 17 de Outubro apenas 19 dos 52 deputados da Assembleia Regional
Um sistema eleitoral mal concebido e mal organizado, sem ter em conta o valor dos votos de todos os Açorianos, sobre o qual, todos os partidos anunciam projectos de alteração, mas ninguém quer mexer. Permite uma das maiores injustiças da eleição dos mais altos representantes do Povo no poder político.
O sistema eleitoral, para a eleição de deputados à Assembleia Legislativa Regional dos Açores, só pode ser mais justo, aumentando o número de deputados, mas como isso é um discurso pouco eleitoralista, e que aumenta a probabilidade de eleição de deputados dos partidos com menor expressão eleitoral, ninguém o quer fazer.
Ora, aumentar a representatividade e o leque ideológico é o que de melhor poderia acontecer a um parlamento em crise de identidade e de confiança dos cidadãos. Assisti no actual sistema é fazer mais do mesmo. Logo os resultados são mais do mesmo.
Um sistema eleitoral mal concebido e mal organizado, sem ter em conta o valor dos votos de todos os Açorianos, sobre o qual, todos os partidos anunciam projectos de alteração, mas ninguém quer mexer. Permite uma das maiores injustiças da eleição dos mais altos representantes do Povo no poder político.
O sistema eleitoral, para a eleição de deputados à Assembleia Legislativa Regional dos Açores, só pode ser mais justo, aumentando o número de deputados, mas como isso é um discurso pouco eleitoralista, e que aumenta a probabilidade de eleição de deputados dos partidos com menor expressão eleitoral, ninguém o quer fazer.
Ora, aumentar a representatividade e o leque ideológico é o que de melhor poderia acontecer a um parlamento em crise de identidade e de confiança dos cidadãos. Assisti no actual sistema é fazer mais do mesmo. Logo os resultados são mais do mesmo.
20 de setembro de 2004
Hoje há um ano
A Ana deu início a este Indispensável Blog. Com a participação do indispensável do Pai, tornaram-se os dois Indispensáveis de visitar diariamente.
Votos de muitos e bons anos de indispensáveis textos.
Votos de muitos e bons anos de indispensáveis textos.
18 de setembro de 2004
Saudosismos
O Sábado não foi de grande produção para o Blog. Depois de estar 3 dias longe da família, foi com elas que passei o dia de hoje. Como é bom, sem previsões, sem programa preparado, acabei nas Furnas. Não dormíamos aqui há dois anos. Parece que foi ontem. Revi a minha velha Royal, a primeira máquina de escrever que tive, portátil, com uma caixa de madeira forrada a um tecido preto, a caixa, linda, o caruncho comeu, resta-me aquela que foi a minha companheira de muitos anos. Deu-ma o meu Avô Barata, na altura disse-me, trata bem desta máquina, olha que tem mais de quarenta anos de África e vinte de Açores. Hoje não faço uso dela, prefiro o Toshiba Satellite com ligação GPRS, ADSL, Analógica, o que quiserem, mas sempre com uma ligação esteja eu onde estiver.
17 de setembro de 2004
"Pliteca à reginal"
CC: Queixinhas, queixinhas, ena ena!!...
VC: Quem diz é que é cala a boca jacaré!!!
CC: ..e quem repete mais é......
VC: Hellooooooooo!
CC: Tu és mesmo dahhhhhhhhhh!
VC: Quem diz é que é cala a boca jacaré!!!
CC: ..e quem repete mais é......
VC: Hellooooooooo!
CC: Tu és mesmo dahhhhhhhhhh!
16 de setembro de 2004
Media-esfera, Blogosfera e Atmosfera
A não perder este artigo de Pacheco Pereira no Público de hoje sobre a Blogosfera
Nem de propósito
Mais um grande investimento inaugurado ontem na Graciosa, Ilha onde é importante ganhar votos para inverter a actual xadrez politico-partidário.
A PRONICOL inaugurou uma nova unidade fabril na Ilha Graciosa, com apoios da EU e do GRA. É mais uma fábrica para produzir mais do mesmo, ou seja em nada vai revolucionar o sector na Ilha, antes pelo contrário vai criar falsas expectativas nos produtores locais.
O queijo da Graciosa tem pouca saída no mercado regional, conquistando apenas um minúsculo nicho desse mesmo em São Miguel e na Terceira. Por isso mesmo, a Pronicol tentou por várias vezes fechar a sua unidade na Graciosa ou entrega-la à cooperativa e associação de agricultores locais. Tive a honra de assistir a um destes actos de chantagem perpetrado pelo administrador Dr. Mancebo Soares. Alguns senhores deputados que faziam parte da Comissão de Economia do Parlamento dos Açores na legislatura 1996/2000 devem estar lembrados desse episódio caricato.
A fábrica, necessitava, de facto, de ser modernizada e ampliada. Disso não tenho dúvidas. Certo é que, agora, com o dinheirinho de nós todos lá posto, vai passar a dar lucros e o Dr. Mancebo Soares não a quererá entregar aos locais.
O que mais me impressionou na noticia foi a crueldade dos números e a forma como foram anunciados pelo Presidente do Governo, comparando os dados de 1999 com os de 2003 como se tivesse havido um crescimento exponencial e qualitativo do sector na Ilha branca.
Ora vejamos: De 1999 a 2003 apareceram mais 62 explorações pecuárias na ilha Graciosa e o nº de vacas leiteiras aumentou em 145 efectivos ou seja, duas vacas por exploração. A média de nº de vacas leiteiras por exploração em 1999 era de 3 (três- o extenso é para que não pareça gralha), em 2003 continua na mesma média.
Sem olhar ao ridículo destes números, apresentados a seco, sem as contas feitas para que parecessem muito importantes, há a acrescer o seguinte: Para atingir a capacidade máxima de produção da nova fábrica basta que a média anual se fixe na ordem dos 4461 litros de leite por vaca. Este número está muito aquém das médias conseguidas em outras ilhas dos Açores onde os 8000 litros vaca/ano começam já a ser uma realidade. Isto quer dizer que havendo melhoramento genético na Graciosa, em pouco tempo, ou se faz uma fábrica nova ou se reduz o efectivo para metade ou se pagam mais subsídios para deitar o leite aos porcos.
Uma Ilha como a Graciosa não tem, claramente vocação para a produção de leite e seus derivados. Há por isso que investir em culturas alternativas e que até já foram testadas com resultados muito interessantes.
Onde andou este ano a afamada meloa da Graciosa? foi substituída pela de Santa Maria?
Porque não se produz Uva de mesa em vez de abandonar os vinhedos à cultura da silva?
Perguntas que ficam sem resposta e que provavelmente a não terão tão cedo.
Dir-me-ão que não há mão-de-obra. Pois que se importe,do leste da UE, pode até ser que melhore a genética humana na Ilha.
A PRONICOL inaugurou uma nova unidade fabril na Ilha Graciosa, com apoios da EU e do GRA. É mais uma fábrica para produzir mais do mesmo, ou seja em nada vai revolucionar o sector na Ilha, antes pelo contrário vai criar falsas expectativas nos produtores locais.
O queijo da Graciosa tem pouca saída no mercado regional, conquistando apenas um minúsculo nicho desse mesmo em São Miguel e na Terceira. Por isso mesmo, a Pronicol tentou por várias vezes fechar a sua unidade na Graciosa ou entrega-la à cooperativa e associação de agricultores locais. Tive a honra de assistir a um destes actos de chantagem perpetrado pelo administrador Dr. Mancebo Soares. Alguns senhores deputados que faziam parte da Comissão de Economia do Parlamento dos Açores na legislatura 1996/2000 devem estar lembrados desse episódio caricato.
A fábrica, necessitava, de facto, de ser modernizada e ampliada. Disso não tenho dúvidas. Certo é que, agora, com o dinheirinho de nós todos lá posto, vai passar a dar lucros e o Dr. Mancebo Soares não a quererá entregar aos locais.
O que mais me impressionou na noticia foi a crueldade dos números e a forma como foram anunciados pelo Presidente do Governo, comparando os dados de 1999 com os de 2003 como se tivesse havido um crescimento exponencial e qualitativo do sector na Ilha branca.
Ora vejamos: De 1999 a 2003 apareceram mais 62 explorações pecuárias na ilha Graciosa e o nº de vacas leiteiras aumentou em 145 efectivos ou seja, duas vacas por exploração. A média de nº de vacas leiteiras por exploração em 1999 era de 3 (três- o extenso é para que não pareça gralha), em 2003 continua na mesma média.
Sem olhar ao ridículo destes números, apresentados a seco, sem as contas feitas para que parecessem muito importantes, há a acrescer o seguinte: Para atingir a capacidade máxima de produção da nova fábrica basta que a média anual se fixe na ordem dos 4461 litros de leite por vaca. Este número está muito aquém das médias conseguidas em outras ilhas dos Açores onde os 8000 litros vaca/ano começam já a ser uma realidade. Isto quer dizer que havendo melhoramento genético na Graciosa, em pouco tempo, ou se faz uma fábrica nova ou se reduz o efectivo para metade ou se pagam mais subsídios para deitar o leite aos porcos.
Uma Ilha como a Graciosa não tem, claramente vocação para a produção de leite e seus derivados. Há por isso que investir em culturas alternativas e que até já foram testadas com resultados muito interessantes.
Onde andou este ano a afamada meloa da Graciosa? foi substituída pela de Santa Maria?
Porque não se produz Uva de mesa em vez de abandonar os vinhedos à cultura da silva?
Perguntas que ficam sem resposta e que provavelmente a não terão tão cedo.
Dir-me-ão que não há mão-de-obra. Pois que se importe,do leste da UE, pode até ser que melhore a genética humana na Ilha.
15 de setembro de 2004
Agricultura subvencionada 3
Conclusões
Falar em diversificar a produção e a transformação, sem explicar os meios e as formas, pode parecer algo leviano e facilitista. Importa portanto, em jeito de conclusões especificar como, quem, quando e de que forma se pode fazer esta revolução no sector agrícola regional. Sim porque na Agricultura, como noutros sectores, é de uma verdadeira revolução que necessitamos.
Em primeiro lugar cabe aos produtores efectuarem a tal diversificação, a par de uma boa dose de especialização em culturas inovadoras. Para tal cabe ao Estado, neste caso, à Região, através dos serviços competentes, bem como á Universidade dos Açores através dos seus pólos de investigação, promoverem a criação de campos de experimentação de novas culturas. Á semelhança do que foi feito há anos no então chamado cento de Bovinicultura de Ponta Delgada e nos campos de experimentação da lagoa do Congro, São Gonçalo e Santana, bem como criar outros campos noutras Ilhas. Estes campos, inexplicavelmente, foram transformados em explorações a cargo das diversas organizações de produtores que deles tiram rendimentos para fazer face á suas despesas correntes. Ou seja, são uma forma indirecta do GRA subvencionar as Associações para pagamento daquelas despesas que incluem, como todos sabemos e de quando em vez é noticia, gastos supérfluos significativos.
A par da experimentação e chegado o momento da aplicação no terreno, é importante a reabilitação, em termos modernos, de um serviço de extensão rural, dotado dos técnicos e meios necessários ao acompanhamento dos produtores, nas várias fases da produção. Sementeiras, plantios tratamentos fito-sanitários e colheita. Enfim uma espécie de formação permanente e no local, com efeitos práticos.
Mais do que um sistema de subvenções que colmate a perda de rendimento, a agricultura Açoriana necessita urgentemente de um sistema de incentivos, mesmo que de base regional, para a modernização e inovação.
Na fileira do leite, foram efectuados, muito recentemente, grandes investimentos, comparticipados pela União Europeia e pelo Estado Membro com uma comparticipação da Região, em diversas unidades industriais e em diversas ilhas dos Açores com especial incidência para a Ilha de São Miguel. Contudo este investimento, na nossa opinião, destinou-se a unidades que vão produzir mais do mesmo. Ou seja não houve uma significativa alteração dos produtos finais, apenas uma modernização dos métodos de produção e um optimização dos recursos humanos e energéticos. Já não é mau.
É verdade que não existe indústria sem produtores como também é verdade que não existem produtores se não existir uma indústria competitiva capaz de pagar mais pelo melhor produto.
No caso da indústria transformadora, é importante a avaliação que se faz dos investimentos a subsidiar. Continuar a investir para fazer mais do mesmo, não é certamente o caminho.
Cabe à indústria e á sua associação de produtores (ANIL) promover a inovação. Cabe ao GRA, à Universidade e ao Inova, desenvolverem investigação que possa dar respostas às questões do mercado.
A título de exemplo. Quem é que não gosta de um papo-seco com queijo de São Jorge? Só quem não gosta de queijo, provavelmente. Contudo, o queijo de São Jorge ou outro qualquer Tipo Ilha, para ser vendido em Sandwiches, tem o problema de ser complicado aplicar um método de fatiar eficaz. Não caberia à Universidade ou ao Inova estudar uma solução técnica para tornar o queijo de São Jorge fácil de fatiar? Hoje, todos sabemos que, o chamado fatiado é um dos produtos mais procurados nas grandes superfícies de todo o mundo.
Continuar no caminho que vamos, preocupados com as sucessivas reformas da PAC e fazendo o mesmo que os nossos parceiros comunitários fazem, vamos ir, cada vez mais, no sentido de sermos mais um importador do que um exportador. E com uma balança de transacções, há anos deficitária, vamos no sentido de sermos ainda mais pobres.
Nota: Estes três textos, foram um resumo e um compilação da minha intervenção, feita de improviso, no XI Congresso da Agricultura dos Açores, onde participei a convite da Federação Agrícola dos Açores e que se realizou na Cidade da Horta nos passados dias 2,3,e 4 de Abril.
Na altura o meu querido leitor Carlos Falcão Afonso desafiou-me a publicar a mesma. Como a havia feito de improviso, sem querer deixar o Carlos sem a preciosa informação, entendi resumir os textos a partir de uma gravação que gentilmente me cederam.
Falar em diversificar a produção e a transformação, sem explicar os meios e as formas, pode parecer algo leviano e facilitista. Importa portanto, em jeito de conclusões especificar como, quem, quando e de que forma se pode fazer esta revolução no sector agrícola regional. Sim porque na Agricultura, como noutros sectores, é de uma verdadeira revolução que necessitamos.
Em primeiro lugar cabe aos produtores efectuarem a tal diversificação, a par de uma boa dose de especialização em culturas inovadoras. Para tal cabe ao Estado, neste caso, à Região, através dos serviços competentes, bem como á Universidade dos Açores através dos seus pólos de investigação, promoverem a criação de campos de experimentação de novas culturas. Á semelhança do que foi feito há anos no então chamado cento de Bovinicultura de Ponta Delgada e nos campos de experimentação da lagoa do Congro, São Gonçalo e Santana, bem como criar outros campos noutras Ilhas. Estes campos, inexplicavelmente, foram transformados em explorações a cargo das diversas organizações de produtores que deles tiram rendimentos para fazer face á suas despesas correntes. Ou seja, são uma forma indirecta do GRA subvencionar as Associações para pagamento daquelas despesas que incluem, como todos sabemos e de quando em vez é noticia, gastos supérfluos significativos.
A par da experimentação e chegado o momento da aplicação no terreno, é importante a reabilitação, em termos modernos, de um serviço de extensão rural, dotado dos técnicos e meios necessários ao acompanhamento dos produtores, nas várias fases da produção. Sementeiras, plantios tratamentos fito-sanitários e colheita. Enfim uma espécie de formação permanente e no local, com efeitos práticos.
Mais do que um sistema de subvenções que colmate a perda de rendimento, a agricultura Açoriana necessita urgentemente de um sistema de incentivos, mesmo que de base regional, para a modernização e inovação.
Na fileira do leite, foram efectuados, muito recentemente, grandes investimentos, comparticipados pela União Europeia e pelo Estado Membro com uma comparticipação da Região, em diversas unidades industriais e em diversas ilhas dos Açores com especial incidência para a Ilha de São Miguel. Contudo este investimento, na nossa opinião, destinou-se a unidades que vão produzir mais do mesmo. Ou seja não houve uma significativa alteração dos produtos finais, apenas uma modernização dos métodos de produção e um optimização dos recursos humanos e energéticos. Já não é mau.
É verdade que não existe indústria sem produtores como também é verdade que não existem produtores se não existir uma indústria competitiva capaz de pagar mais pelo melhor produto.
No caso da indústria transformadora, é importante a avaliação que se faz dos investimentos a subsidiar. Continuar a investir para fazer mais do mesmo, não é certamente o caminho.
Cabe à indústria e á sua associação de produtores (ANIL) promover a inovação. Cabe ao GRA, à Universidade e ao Inova, desenvolverem investigação que possa dar respostas às questões do mercado.
A título de exemplo. Quem é que não gosta de um papo-seco com queijo de São Jorge? Só quem não gosta de queijo, provavelmente. Contudo, o queijo de São Jorge ou outro qualquer Tipo Ilha, para ser vendido em Sandwiches, tem o problema de ser complicado aplicar um método de fatiar eficaz. Não caberia à Universidade ou ao Inova estudar uma solução técnica para tornar o queijo de São Jorge fácil de fatiar? Hoje, todos sabemos que, o chamado fatiado é um dos produtos mais procurados nas grandes superfícies de todo o mundo.
Continuar no caminho que vamos, preocupados com as sucessivas reformas da PAC e fazendo o mesmo que os nossos parceiros comunitários fazem, vamos ir, cada vez mais, no sentido de sermos mais um importador do que um exportador. E com uma balança de transacções, há anos deficitária, vamos no sentido de sermos ainda mais pobres.
Nota: Estes três textos, foram um resumo e um compilação da minha intervenção, feita de improviso, no XI Congresso da Agricultura dos Açores, onde participei a convite da Federação Agrícola dos Açores e que se realizou na Cidade da Horta nos passados dias 2,3,e 4 de Abril.
Na altura o meu querido leitor Carlos Falcão Afonso desafiou-me a publicar a mesma. Como a havia feito de improviso, sem querer deixar o Carlos sem a preciosa informação, entendi resumir os textos a partir de uma gravação que gentilmente me cederam.
14 de setembro de 2004
Repor a verdade não fica mal a ninguém
Uma mentira repetida muitas vezes consegue atingir o estatuto de verdade. É um lugar comum mas é a pura, esta sim, verdade.
Segundo um desmentido publicado no Açoriano Oriental de hoje, (que tive o cuidado de confirmar junto de gente muitíssimo bem informada) o Falcon que transportou o Presidente do PSD aos Açores não era da Força Aérea Portuguesa mas sim de uma empresa privada, pertencente ao "major da bola".
Conclui-se, assim que houve má fé da parte de gente que tinha obrigação de estar mais bem informada do que eu, quando andaram a apregoar aos sete ventos que o dito "Jatinho" era um avião da FAP. Fico à espera das devidas assumpções de erro.
Segundo um desmentido publicado no Açoriano Oriental de hoje, (que tive o cuidado de confirmar junto de gente muitíssimo bem informada) o Falcon que transportou o Presidente do PSD aos Açores não era da Força Aérea Portuguesa mas sim de uma empresa privada, pertencente ao "major da bola".
Conclui-se, assim que houve má fé da parte de gente que tinha obrigação de estar mais bem informada do que eu, quando andaram a apregoar aos sete ventos que o dito "Jatinho" era um avião da FAP. Fico à espera das devidas assumpções de erro.
Agricultura subvencionada 2
Este segundo texto de uma trilogia sobre a Agricultura e as soluções que preconizo para o sector mais importante da economia regional, debruça-se sobre as soluções para o sector agro-pecuário. Tal como já foi dito no primeiro artigo, ontem, defendo a diversificação e a inovação como via escapatória para o buraco em que se encontra a Agricultura Regional.
Por mais que não se goste, por mais que se não queira, a globalização é um facto incontornável desde o chamado Uruguai Round.
Por mais que se lute para inverter esta realidade, ela não me parece alterável, pelo menos, nos próximos 30 anos.
Em fim de ciclo da monocultura da vaca e com os Açores ainda a dar passos pouco seguros na construção de um novo ciclo económico, o do turismo, urge encontrar soluções para o sector que emprega, ainda, a maioria da população activa dos Açores. Numas Ilhas mais do que noutras.
Na pecuária preconizo duas intervenções de fundo uma, para a fileira do leite, onde é fundamental investir no fomento da diversificação dos produtos. Outra, na fileira da carne, onde se deve apostar na introdução de variedades de gado de produção de carne e ainda na valorização dos subprodutos, o chamado quinto quarto.
Na Fileira do leite tem-se investido a montante e a jusante sem qualquer sentido estratégico ou quando a estratégia existiu foi a errada. Primeiro foi o investimento cego no aumento da produção de leite em quantidade, esquecendo que através de um melhoramento genético adequado se pode obter leite com qualidades impares para a produção de queijo, leite comum ou iogurtes para o auto-consumo das ilhas e para conquistar mercados de excelência. Para isso, é urgente investir na investigação na área das biotecnologias nomeadamente na genética da vaca leiteira. Já se fazem, felizmente, algumas coisas nesta área no pólo de Angra da UA.
A jusante, na indústria transformadora, importa inovar nos produtos e fabricar queijos, leites e derivados, com carisma local e de alto valor acrescentado. Neste momento o maior produtor de lacticínios dos Açores, é líder no mercado nacional graças à marca Terra Nostra. Embora "Natural dos Açores", o Terra Nostra é um queijo do tipo Flamengo, incaracterístico que muito embora tenha uma boa textura e sabor, só lidera o mercado graças a uma enorme campanha de marketing. A única aliás, feita ao nível nacional e até internacional sobre um produto Açoriano, graças à Fromageries Bell que usou e bem o facto do futebolista Paleta gozar de grande aceitação em França. Também nesta área, a do marketing, importa investir bastante. Os resultados estão à vista.
Faz todo o sentido que uma Região com as especificidades da nossa, num quadro de mercado à escala global, invista em pequenas produções de grande valor acrescentado, já que não temos dimensão para produzir à escala sequer do nosso país. Por isso mesmo, não faz qualquer sentido que o único produto com características únicas das nossas Ilhas seja um queijo (São Jorge) que é vendido ao kg. Os produtos de grande valor acrescentado são vendidos à grama.
Na fileira da carne as questões são mais complexas. Em primeiro lugar é necessário termos noção de que, com excepção para o Pico e Santa Maria, a produção de carne é um suplemento da fileira do leite. Dai a necessidade de investir na genética ou na importação, para que a fileira da carne seja engrossada com raças de produção da mesma por excelência
Além disso, e em segundo lugar, é necessário ter a noção que, com o crescimento do turismo vão ser necessárias muitas mais toneladas de carne para abastecer o mercado sazonal ou flutuante como se o queira classificar. Contudo, todos sabemos que este tipo de mercado apenas consome carne das peças chamadas nobres (a não ser os Suecos que comem hamburgers no Burger King) logo há que fazer o aproveitamento conveniente das restantes peças e do chamado 5º quarto, farinhas, ossos e peles.
Por mais que não se goste, por mais que se não queira, a globalização é um facto incontornável desde o chamado Uruguai Round.
Por mais que se lute para inverter esta realidade, ela não me parece alterável, pelo menos, nos próximos 30 anos.
Em fim de ciclo da monocultura da vaca e com os Açores ainda a dar passos pouco seguros na construção de um novo ciclo económico, o do turismo, urge encontrar soluções para o sector que emprega, ainda, a maioria da população activa dos Açores. Numas Ilhas mais do que noutras.
Na pecuária preconizo duas intervenções de fundo uma, para a fileira do leite, onde é fundamental investir no fomento da diversificação dos produtos. Outra, na fileira da carne, onde se deve apostar na introdução de variedades de gado de produção de carne e ainda na valorização dos subprodutos, o chamado quinto quarto.
Na Fileira do leite tem-se investido a montante e a jusante sem qualquer sentido estratégico ou quando a estratégia existiu foi a errada. Primeiro foi o investimento cego no aumento da produção de leite em quantidade, esquecendo que através de um melhoramento genético adequado se pode obter leite com qualidades impares para a produção de queijo, leite comum ou iogurtes para o auto-consumo das ilhas e para conquistar mercados de excelência. Para isso, é urgente investir na investigação na área das biotecnologias nomeadamente na genética da vaca leiteira. Já se fazem, felizmente, algumas coisas nesta área no pólo de Angra da UA.
A jusante, na indústria transformadora, importa inovar nos produtos e fabricar queijos, leites e derivados, com carisma local e de alto valor acrescentado. Neste momento o maior produtor de lacticínios dos Açores, é líder no mercado nacional graças à marca Terra Nostra. Embora "Natural dos Açores", o Terra Nostra é um queijo do tipo Flamengo, incaracterístico que muito embora tenha uma boa textura e sabor, só lidera o mercado graças a uma enorme campanha de marketing. A única aliás, feita ao nível nacional e até internacional sobre um produto Açoriano, graças à Fromageries Bell que usou e bem o facto do futebolista Paleta gozar de grande aceitação em França. Também nesta área, a do marketing, importa investir bastante. Os resultados estão à vista.
Faz todo o sentido que uma Região com as especificidades da nossa, num quadro de mercado à escala global, invista em pequenas produções de grande valor acrescentado, já que não temos dimensão para produzir à escala sequer do nosso país. Por isso mesmo, não faz qualquer sentido que o único produto com características únicas das nossas Ilhas seja um queijo (São Jorge) que é vendido ao kg. Os produtos de grande valor acrescentado são vendidos à grama.
Na fileira da carne as questões são mais complexas. Em primeiro lugar é necessário termos noção de que, com excepção para o Pico e Santa Maria, a produção de carne é um suplemento da fileira do leite. Dai a necessidade de investir na genética ou na importação, para que a fileira da carne seja engrossada com raças de produção da mesma por excelência
Além disso, e em segundo lugar, é necessário ter a noção que, com o crescimento do turismo vão ser necessárias muitas mais toneladas de carne para abastecer o mercado sazonal ou flutuante como se o queira classificar. Contudo, todos sabemos que este tipo de mercado apenas consome carne das peças chamadas nobres (a não ser os Suecos que comem hamburgers no Burger King) logo há que fazer o aproveitamento conveniente das restantes peças e do chamado 5º quarto, farinhas, ossos e peles.
Gestão caseira
O que o Senhor Ministro das Finanças nos veio dizer hoje, não foi novidade. Quem não sabe que Economia e Fianças são questões de Bom senso? Quem o não tem.
O gasto supérfluo, o gastar acima da receita traz, a curto prazo, muito curto mesmo, dissabores desnecessários.
Para cada povo existe, como para os individuos, uma conta de Deve e Haver, que nos dá o quilate das suas prosperidades, e por onde, cedo, até para os maiores impérios, os pródromos da decadência se denunciam.
Com respeito a Portugal, não será sem interesse indagar por que preço pagou as suas glórias.
J. Lúcio de Azevedo-Épocas de Portugal Económico-Livraria Clássica editora
1928
O gasto supérfluo, o gastar acima da receita traz, a curto prazo, muito curto mesmo, dissabores desnecessários.
Para cada povo existe, como para os individuos, uma conta de Deve e Haver, que nos dá o quilate das suas prosperidades, e por onde, cedo, até para os maiores impérios, os pródromos da decadência se denunciam.
Com respeito a Portugal, não será sem interesse indagar por que preço pagou as suas glórias.
J. Lúcio de Azevedo-Épocas de Portugal Económico-Livraria Clássica editora
1928
13 de setembro de 2004
Agricultura subvencionada 1
Vem este texto a propósito da intenção mostrada por Carlos César em reabri o dossier das quotas leiteiras, intenção essa que também já foi manifestada pelos partidos da coligação, nomeadamente no decorrer da campanha para as últimas eleições europeias.
Falar de quota leiteira e de soluções financeiras para a fileira do Leite é como falar da moléstia da laranja do Sec. XVIII ou seja, malhar em ferro frio. Falo assim, com a autoridade de quem é produtor agrícola e que já fui de leite. Descendo de uma família de agricultores, modestos mas inovadores. Meu Bisavô, Manuel Bento de Sousa, natural e residente enquanto vida teve na Freguesia da Maia na costa norte da Ilha de São Miguel, foi um dos maiores impulsionadores das culturas do Tabaco e do Chá na nossa Ilha. Segundo Manuel Jacinto Andrade foi Manuel Bento de Sousa quem introduziu a cultura do tabaco na Ilha, tendo sido fundador da extinta Fábrica de Tabacos da Maia.
A Inovação e a ânsia de experimentar coisas novas corre-me nas veias. Não posso assistir impávido e sereno a este comodismo da grande massa anónima dos agricultores Açorianos que pretendem continuar a produzir vacas de leite e a constantemente queixarem-se de que aquilo já não dá para por o pão na mesa dos filhos.
A estes digo: Inovem, cultivem outras coisas, tentem outras soluções, diversifiquem, extensifiquem, reduzam os custos.
Se no séc. XVIII, existisse uma União Europeia com a sua Política Agrícola Comum, provavelmente, viveríamos todos, dos subsídios à perca de rendimento dos Laranjais tomados pela moléstia.
Podem perguntar-me, diversificar com quê? Em que área? Com que culturas? Basta ir a uma grande superfície comercial ou assistir à abertura dos contentores frigoríficos que todas as semanas chegam a São Miguel para perceber o que temos que tentar produzir. Vou só exemplificar alguns produtos horto-fruticolas que importamos e que se podem facilmente produzir na Região sem grandes tecnologias e sem grandes conhecimentos técnicos. Eles são: Maçãs, uva de mesa, pimentos, tomate, meloas e melões, manga, papaia, capuchos, nêsperas (importam-se "mocnas" de Espanha meus senhores), cenouras, bananas e outras com menos significado como o gengibre ou os espargos e as beringelas.
De todas estas produções possíveis, só as maçãs representam uma quota importantíssima das nossas importações. Existem já alguns produtores com resultados muito interessantes na Ilha Terceira, com maçã Starking, em Santa Maria com meloa Harlen King e Gália e em São Miguel com melancias Sugarbaby. Contudo, costumo dizer que a fome aguça o engenho e como vão sempre aparecendo soluções financeiras subvencionais para colmatar as sucessivas crises na lavoura, nunca se desperta no produtor um incentivo à mudança de estratégias. Fazer do mesmo e mais forte só pode trazer resultados iguais e cada vez mais fortes.
Falar de quota leiteira e de soluções financeiras para a fileira do Leite é como falar da moléstia da laranja do Sec. XVIII ou seja, malhar em ferro frio. Falo assim, com a autoridade de quem é produtor agrícola e que já fui de leite. Descendo de uma família de agricultores, modestos mas inovadores. Meu Bisavô, Manuel Bento de Sousa, natural e residente enquanto vida teve na Freguesia da Maia na costa norte da Ilha de São Miguel, foi um dos maiores impulsionadores das culturas do Tabaco e do Chá na nossa Ilha. Segundo Manuel Jacinto Andrade foi Manuel Bento de Sousa quem introduziu a cultura do tabaco na Ilha, tendo sido fundador da extinta Fábrica de Tabacos da Maia.
A Inovação e a ânsia de experimentar coisas novas corre-me nas veias. Não posso assistir impávido e sereno a este comodismo da grande massa anónima dos agricultores Açorianos que pretendem continuar a produzir vacas de leite e a constantemente queixarem-se de que aquilo já não dá para por o pão na mesa dos filhos.
A estes digo: Inovem, cultivem outras coisas, tentem outras soluções, diversifiquem, extensifiquem, reduzam os custos.
Se no séc. XVIII, existisse uma União Europeia com a sua Política Agrícola Comum, provavelmente, viveríamos todos, dos subsídios à perca de rendimento dos Laranjais tomados pela moléstia.
Podem perguntar-me, diversificar com quê? Em que área? Com que culturas? Basta ir a uma grande superfície comercial ou assistir à abertura dos contentores frigoríficos que todas as semanas chegam a São Miguel para perceber o que temos que tentar produzir. Vou só exemplificar alguns produtos horto-fruticolas que importamos e que se podem facilmente produzir na Região sem grandes tecnologias e sem grandes conhecimentos técnicos. Eles são: Maçãs, uva de mesa, pimentos, tomate, meloas e melões, manga, papaia, capuchos, nêsperas (importam-se "mocnas" de Espanha meus senhores), cenouras, bananas e outras com menos significado como o gengibre ou os espargos e as beringelas.
De todas estas produções possíveis, só as maçãs representam uma quota importantíssima das nossas importações. Existem já alguns produtores com resultados muito interessantes na Ilha Terceira, com maçã Starking, em Santa Maria com meloa Harlen King e Gália e em São Miguel com melancias Sugarbaby. Contudo, costumo dizer que a fome aguça o engenho e como vão sempre aparecendo soluções financeiras subvencionais para colmatar as sucessivas crises na lavoura, nunca se desperta no produtor um incentivo à mudança de estratégias. Fazer do mesmo e mais forte só pode trazer resultados iguais e cada vez mais fortes.
12 de setembro de 2004
11 de setembro de 2004
10 de setembro de 2004
Hoje há um ano.
Quase sempre não concordo com eles. O Daniel chega a arrepiar-me as unhas dos pés. Mas volto lá. Todos os dias há um ano que é assim.
Parabéns aos Barnabés.
Parabéns aos Barnabés.
Navegar na rede
Já naveguei bastante, perdi horas em bordos para este e para oeste em busca do vento que me levava ao caminho certo para uma qualquer Índia imaginária. Rumo a coisa nenhuma ou ao destino que fosse, pelos sete mares e por outros nunca "dantes navegados", lentamente, de vaga morta em vaga morta, fiz quartos de leme, fui mostrengo e Neptuno, Bojador e Preste João nos impérios do Google ou do Yahoo.
Hoje não navego na rede. Faço surf na rede. Surfar na rede é escolher a praia certa, chegar, deitar a toalha e a prancha, vestir o fato. Deitar de barriga na prancha e ir calmamente remando com as mãos mar fora em busca do lugar certo. È preciso saber onde é o lugar certo. Depois? Depois esperar ali sem pressas nem formigueiros que apareça a onda boa.
E eis senão, quando menos esperamos, lá vem ela, perfeita. Colocamo-nos em posição usamos as palmas das mãos freneticamente como remos e apanhamo-la. Vamos na onda, em pé, soberanos, guinada para um lado, guinada para o outro até ao golpe final. Sentimos o gosto do seu sal na boca os grãos de areia finos entre os dentes. Todas as ondas têm um sabor diferente. E voltamos e repetimos até mais não podermos. E voltamos sempre às mesmas praias onde sabemos que haverão ondas de sabores diferentes.
Hoje não navego na rede. Faço surf na rede. Surfar na rede é escolher a praia certa, chegar, deitar a toalha e a prancha, vestir o fato. Deitar de barriga na prancha e ir calmamente remando com as mãos mar fora em busca do lugar certo. È preciso saber onde é o lugar certo. Depois? Depois esperar ali sem pressas nem formigueiros que apareça a onda boa.
E eis senão, quando menos esperamos, lá vem ela, perfeita. Colocamo-nos em posição usamos as palmas das mãos freneticamente como remos e apanhamo-la. Vamos na onda, em pé, soberanos, guinada para um lado, guinada para o outro até ao golpe final. Sentimos o gosto do seu sal na boca os grãos de areia finos entre os dentes. Todas as ondas têm um sabor diferente. E voltamos e repetimos até mais não podermos. E voltamos sempre às mesmas praias onde sabemos que haverão ondas de sabores diferentes.
9 de setembro de 2004
Dura lex sed lex
45 dias. 45 dias sem poder conduzir o meu 520i, 45 dias sem sentar o traseiro na minha Bandit 1200, 45 dias a andar ao lado da minha mulher, a travar na antepara da frente do lugar do morto antes dela, a olhar para traz antes dela engrenar a marcha à "ré". 45 dias a dar tácticas e palpites. 45 dias por ter pisado por um segundo e ao de leve um risco contínuo. Bem feito.
O engraçado da história é ter sido causada por uma carroça daquelas puxadas a cavalo, já raras, na mais importante via de comunicação dos Açores. A estrada que liga Ponta Delgada à Ribeira Grande. Sim é a via de comunicação mais importante dos Açores.
Porquê?!
Julgavam os pacientes leitores que era a SATA, a Açorline, a Transinsular ou a RTP-a (de agonia)? Não. Não são estas as vias de comunicação mais importantes dos Açores. Para V. informação, naquela estrada, estreita, cheia de cruzamentos e entroncamentos perigosos. Sim, naquela estrada que deve ser a única na Europa que depois de uma obra de fundo ficou mais estreita, com menos zonas de ultrapassagem e muitíssimo mais perigosa, passam mais pessoas, mais mercadorias, mais agentes económicos do que em todas as outras estradas e auto-estradas de terra mar e ar dos Açores. Por isso, concordo com Carlos César e com Victor Cruz. Um diz que vai criar um fundo de coesão Regional, o Outro vai apostar no batido e esbatido argumento do desenvolvimento harmonioso da Região. E eu fico à espera. Sim fico à espera que a minha Ilha receba, finalmente, os investimentos públicos a que tem direito.
O engraçado da história é ter sido causada por uma carroça daquelas puxadas a cavalo, já raras, na mais importante via de comunicação dos Açores. A estrada que liga Ponta Delgada à Ribeira Grande. Sim é a via de comunicação mais importante dos Açores.
Porquê?!
Julgavam os pacientes leitores que era a SATA, a Açorline, a Transinsular ou a RTP-a (de agonia)? Não. Não são estas as vias de comunicação mais importantes dos Açores. Para V. informação, naquela estrada, estreita, cheia de cruzamentos e entroncamentos perigosos. Sim, naquela estrada que deve ser a única na Europa que depois de uma obra de fundo ficou mais estreita, com menos zonas de ultrapassagem e muitíssimo mais perigosa, passam mais pessoas, mais mercadorias, mais agentes económicos do que em todas as outras estradas e auto-estradas de terra mar e ar dos Açores. Por isso, concordo com Carlos César e com Victor Cruz. Um diz que vai criar um fundo de coesão Regional, o Outro vai apostar no batido e esbatido argumento do desenvolvimento harmonioso da Região. E eu fico à espera. Sim fico à espera que a minha Ilha receba, finalmente, os investimentos públicos a que tem direito.
8 de setembro de 2004
País ridículo
Um Ministro
Uma corveta
Uma chalupa
Uma Rebeca
Um Trotskista
Tudo em catadupa
Um referendo
Dez usurpadores
Quinze demagogos
Vinte Jornalistas
Trinta páginas de Jornal vendidas
Quarenta horas de televisão
Um povo feliz, chorando "podriz".
Uma corveta
Uma chalupa
Uma Rebeca
Um Trotskista
Tudo em catadupa
Um referendo
Dez usurpadores
Quinze demagogos
Vinte Jornalistas
Trinta páginas de Jornal vendidas
Quarenta horas de televisão
Um povo feliz, chorando "podriz".
7 de setembro de 2004
20% menos
Luís Nazaré em defesa da causa deles, mostra-se indignado com as declarações do cabeça de lista por São Miguel às eleições legislativas Regionais dos Açores, nomeadamente no concernente à anunciada baixa das tarifas da SATA em 20%.
"o candidato PSD a chefe do governo dos Açores, anunciou pomposamente que, caso fosse eleito, baixaria as tarifas aéreas inter-ilhas em vinte por cento. Nem mais nem menos. Pouco lhe importa a situação financeira da SATA, as regras básicas de funcionamento das empresas, a disciplina orçamental, pública e privada, ou outras questões "menores", totalmente ausentes das preocupações do populismo e da demagogia".
Já antes de Luís Nazaré eu tinha lido noutro blog ou jornal nacional a mesma referência e indignação. Confesso que o assunto não me inspirou por se tratar de período pré-eleitoral. Enfim bocas de rapazes em campanha eleitoral onde há sempre lugar a alguma demagogia e populismo, atente-se às mais recentes acusações de César sobre alegadas queixas anónimas feitas a Bruxelas. Antes, dos comícios, esperávamos mensagens e ideias. Agora ouvem-se acusações sobre denúncias anónimas ou anúncios populistas e demagógicos que não são devidamente explicados.
Eu concordo com o Luís Nazaré. Eu sei que o "arroto" de Victor Cruz não passou de um acto populista e demagógico. Mas eu, que sofro na pele, ou melhor no bolso com o preço das passagens inter ilhas, vou explicar ao Victor Cruz e ao Luís Nazaré, do alto da minha insignificância, porque razões se devem baixar as tarifas inter ilhas e com que contrapartida orçamental. Sem demagogias e sem populismos.
Para já fiquem a saber que se esta medida estivesse em vigor só durante o mês de Agosto último eu tinha poupado 104,90 euros, o que dá para comer muitos bifes no Aliança, muitas doses de chicharros no Avião e até uma lagostinha nos Prazeres da Maia, hábitos burgueses dos quais não abdico. Parece pouco mas para uma pequena e média empresa como a minha, é nessas pequenas coisas que reside a diferença entre o lucro e o prejuízo.
Do ponto de vista da política económica da Região, em meu entender, não faz sentido exigir da República preços mais baratos no transporte de passageiros entre os Açores e o Continente, fomentando assim, a ida dos Açorianos a Lisboa gastar dinheiro em hotéis, restaurantes e centros comerciais.
Economicamente, no meu fraco entender, muito fraco mesmo, faz mais sentido facilitar a mobilidade dos Açorianos entre as suas próprias Ilhas, fazendo assim, circular o dinheiro entre nós.
Durante séculos exportamos o que de melhor tínhamos, mão-de-obra e dinheiro. Exportamos mão-de-obra para os mais diversos países onde ajudamos os autóctones a desenvolverem as suas economias, exportamos capitais porque poupamos e entregamos as nossas economias aos bancos com sede em Lisboa que os aplicaram no desenvolvimento da economia do rectângulo. Ficamos sempre com as migalhas. Este é para mim o argumento de ordem económica para que se reduzam as tarifas de passageiros inter ilhas ao invés de vivermos obcecados com as tarifas de e para o continente.
Na perspectiva do equilíbrio orçamental, também é fácil encontrar uma solução, basta aumentar as tarifas de e para o continente, reduzindo as respectivas indemnizações compensatórias, permitindo que a verba então disponibilizada passe a ser dirigida para indemnizações da mesma ordem mas pagas à Sata-AirAçores em vez de serem pagas à Sata-Internacional. A haver qualquer tipo de fomento ao transporte aéreo entre o Continente e os Açores (sei que isto é contra todas as regras da campanha eleitoral), ele devia ser pago aos continentais que pretendam vir aos Açores, para que os mesmos venham pagar Hotéis, restaurantes táxis e o que mais entenderem pagar. Se eu mandasse, até os horários da SATA eram feitos no sentido de obrigar os continentais a pernoitarem nos Açores para fomentar o seu consumo nas nossas Ilhas. Da maneira que estão feitos, os caixeiros-viajantes chegam de manhã com as malas cheias de bugigangas e vão no voo da noite com as mesmas malas cheias de dinheiro. É por isso que o tal senhor de Boliqueime não se importava de pagar passagens baratas.
Nunca os políticos, os jornalistas, os fazedores de opinião e os economistas do poder e do contra-poder nos Açores, acharam estranham a benevolência da República para com as Regiões Autónomas no caso das indemnizações compensatórias para o transporte aéreo. Mas quando a esmola é grande o pobre desconfia e por isso, sempre tive em relação a este assunto que, como podem constatar, me é caro, uma postura muito critica. Foi Cavaco Silva, um dos melhores macro economistas do nosso país, o principal impulsionador da medida. Arranjou-se assim, uma maneira airosa de, em nome da ultra periferia e da coesão Nacional, contornar as directivas comunitárias de então e injectar dinheiro na TAP-Air Portugal, companhia que, à época, efectuava o serviço público. Além disso, em 1986, a banca com balcões abertos nos Açores tinha cerca de 2,240 mil milhões de contos em depósitos a prazo e os diferentes ministros da economia e o próprio Cavaco Silva promoveram a redução das tarifas entre os Açores e o Continente para estimular nos Açorianos o gosto pelo consumo e fazer assim circular esse dinheiro que estava tradicionalmente aforrado. Facto é que a partir do final dos anos oitenta começou a ser moda ir às compras a Lisboa.
"o candidato PSD a chefe do governo dos Açores, anunciou pomposamente que, caso fosse eleito, baixaria as tarifas aéreas inter-ilhas em vinte por cento. Nem mais nem menos. Pouco lhe importa a situação financeira da SATA, as regras básicas de funcionamento das empresas, a disciplina orçamental, pública e privada, ou outras questões "menores", totalmente ausentes das preocupações do populismo e da demagogia".
Já antes de Luís Nazaré eu tinha lido noutro blog ou jornal nacional a mesma referência e indignação. Confesso que o assunto não me inspirou por se tratar de período pré-eleitoral. Enfim bocas de rapazes em campanha eleitoral onde há sempre lugar a alguma demagogia e populismo, atente-se às mais recentes acusações de César sobre alegadas queixas anónimas feitas a Bruxelas. Antes, dos comícios, esperávamos mensagens e ideias. Agora ouvem-se acusações sobre denúncias anónimas ou anúncios populistas e demagógicos que não são devidamente explicados.
Eu concordo com o Luís Nazaré. Eu sei que o "arroto" de Victor Cruz não passou de um acto populista e demagógico. Mas eu, que sofro na pele, ou melhor no bolso com o preço das passagens inter ilhas, vou explicar ao Victor Cruz e ao Luís Nazaré, do alto da minha insignificância, porque razões se devem baixar as tarifas inter ilhas e com que contrapartida orçamental. Sem demagogias e sem populismos.
Para já fiquem a saber que se esta medida estivesse em vigor só durante o mês de Agosto último eu tinha poupado 104,90 euros, o que dá para comer muitos bifes no Aliança, muitas doses de chicharros no Avião e até uma lagostinha nos Prazeres da Maia, hábitos burgueses dos quais não abdico. Parece pouco mas para uma pequena e média empresa como a minha, é nessas pequenas coisas que reside a diferença entre o lucro e o prejuízo.
Do ponto de vista da política económica da Região, em meu entender, não faz sentido exigir da República preços mais baratos no transporte de passageiros entre os Açores e o Continente, fomentando assim, a ida dos Açorianos a Lisboa gastar dinheiro em hotéis, restaurantes e centros comerciais.
Economicamente, no meu fraco entender, muito fraco mesmo, faz mais sentido facilitar a mobilidade dos Açorianos entre as suas próprias Ilhas, fazendo assim, circular o dinheiro entre nós.
Durante séculos exportamos o que de melhor tínhamos, mão-de-obra e dinheiro. Exportamos mão-de-obra para os mais diversos países onde ajudamos os autóctones a desenvolverem as suas economias, exportamos capitais porque poupamos e entregamos as nossas economias aos bancos com sede em Lisboa que os aplicaram no desenvolvimento da economia do rectângulo. Ficamos sempre com as migalhas. Este é para mim o argumento de ordem económica para que se reduzam as tarifas de passageiros inter ilhas ao invés de vivermos obcecados com as tarifas de e para o continente.
Na perspectiva do equilíbrio orçamental, também é fácil encontrar uma solução, basta aumentar as tarifas de e para o continente, reduzindo as respectivas indemnizações compensatórias, permitindo que a verba então disponibilizada passe a ser dirigida para indemnizações da mesma ordem mas pagas à Sata-AirAçores em vez de serem pagas à Sata-Internacional. A haver qualquer tipo de fomento ao transporte aéreo entre o Continente e os Açores (sei que isto é contra todas as regras da campanha eleitoral), ele devia ser pago aos continentais que pretendam vir aos Açores, para que os mesmos venham pagar Hotéis, restaurantes táxis e o que mais entenderem pagar. Se eu mandasse, até os horários da SATA eram feitos no sentido de obrigar os continentais a pernoitarem nos Açores para fomentar o seu consumo nas nossas Ilhas. Da maneira que estão feitos, os caixeiros-viajantes chegam de manhã com as malas cheias de bugigangas e vão no voo da noite com as mesmas malas cheias de dinheiro. É por isso que o tal senhor de Boliqueime não se importava de pagar passagens baratas.
Nunca os políticos, os jornalistas, os fazedores de opinião e os economistas do poder e do contra-poder nos Açores, acharam estranham a benevolência da República para com as Regiões Autónomas no caso das indemnizações compensatórias para o transporte aéreo. Mas quando a esmola é grande o pobre desconfia e por isso, sempre tive em relação a este assunto que, como podem constatar, me é caro, uma postura muito critica. Foi Cavaco Silva, um dos melhores macro economistas do nosso país, o principal impulsionador da medida. Arranjou-se assim, uma maneira airosa de, em nome da ultra periferia e da coesão Nacional, contornar as directivas comunitárias de então e injectar dinheiro na TAP-Air Portugal, companhia que, à época, efectuava o serviço público. Além disso, em 1986, a banca com balcões abertos nos Açores tinha cerca de 2,240 mil milhões de contos em depósitos a prazo e os diferentes ministros da economia e o próprio Cavaco Silva promoveram a redução das tarifas entre os Açores e o Continente para estimular nos Açorianos o gosto pelo consumo e fazer assim circular esse dinheiro que estava tradicionalmente aforrado. Facto é que a partir do final dos anos oitenta começou a ser moda ir às compras a Lisboa.
6 de setembro de 2004
Faial da Terra
O último fin-de-semana de Agosto, passei-o totalmente na recôndita e isolada Freguesia do Concelho da Povoação chamada Faial da Terra. Das velhas Myrica faya nem rasto. Busquei entre incensos e conteiras e silvados aquelas folhinhas singelas e recortadas de onde saem, nesta altura do ano, cachos de amoras pretas que, se doces, são uma delicia. Quase ninguém come amoras de Faia, eu gosto muito do seu sabor da sensação de arrocho que dão na boca, de ficar com os dentes cheios de grainhas. Eu gosto porque nasci e cresci a comer amoras de faia e uva da serra. Da serra da Tronqueira.
Embora seja hoje um empresário ligado aos assuntos do mar, é a serra e o seu interior que me dão a tranquilidade que procuro quando saio do escritório Sexta-feira à hora que for.
Naquele último fim-de-semana de Agosto percorri vagarosamente as inúmeras veredas que nos levam por cerca de 6 km. Entre a Freguesia do Faial da terra, o Salto do Prego e o Sanguinho.
No Salto do Prego encontrei rolos de madeira abandonados, certamente a montante e que a ribeira trouxe. Continua-se a não limpar as ribeiras que um dia enchem e entopem e rebentam e levam tudo o que encontram pela frente. Ao invés estão os senhores do ambiente preocupados em preservar a Freguesia autorizando a construção de um aldeamento turístico junto ao mar e na abandonada aldeia do Sanguinho. Nesta última, já foram investidos, nos últimos anos, largos milhares de euros e pouco ou nada mudou. Limparam as silvas e limparam as casas dos restos de madeira dos soalhos e telhados apodrecidos. Têm mantido as ladeiras limpas e plantaram umas macieiras e uns pereiros "porqui por li".
Salto do Prego-Faial da Terra-São Miguel-Açores
Que a água da ribeira os leve a eles e aos que como eles olham as árvores em vez da floresta. Onde andam as organizações ambientalistas que em outros tempos pediam a demissão de Secretários Regionais (e bem) só porque a ceifeira das Sete Cidades tinha estado parada mais do que cinco dias consecutivos?
O Faial da Terra é hoje um sítio muito agradável para se estar, onde está preservado um certo equilíbrio agro-silvo-pastoril e onde a mão humana ainda não destruiu muito, tendo construído, mal e porcamente, bastante. Urge manter esse equilíbrio sob pena de se perder totalmente o seu encanto.
Embora seja hoje um empresário ligado aos assuntos do mar, é a serra e o seu interior que me dão a tranquilidade que procuro quando saio do escritório Sexta-feira à hora que for.
Naquele último fim-de-semana de Agosto percorri vagarosamente as inúmeras veredas que nos levam por cerca de 6 km. Entre a Freguesia do Faial da terra, o Salto do Prego e o Sanguinho.
No Salto do Prego encontrei rolos de madeira abandonados, certamente a montante e que a ribeira trouxe. Continua-se a não limpar as ribeiras que um dia enchem e entopem e rebentam e levam tudo o que encontram pela frente. Ao invés estão os senhores do ambiente preocupados em preservar a Freguesia autorizando a construção de um aldeamento turístico junto ao mar e na abandonada aldeia do Sanguinho. Nesta última, já foram investidos, nos últimos anos, largos milhares de euros e pouco ou nada mudou. Limparam as silvas e limparam as casas dos restos de madeira dos soalhos e telhados apodrecidos. Têm mantido as ladeiras limpas e plantaram umas macieiras e uns pereiros "porqui por li".
Salto do Prego-Faial da Terra-São Miguel-Açores
Que a água da ribeira os leve a eles e aos que como eles olham as árvores em vez da floresta. Onde andam as organizações ambientalistas que em outros tempos pediam a demissão de Secretários Regionais (e bem) só porque a ceifeira das Sete Cidades tinha estado parada mais do que cinco dias consecutivos?
O Faial da Terra é hoje um sítio muito agradável para se estar, onde está preservado um certo equilíbrio agro-silvo-pastoril e onde a mão humana ainda não destruiu muito, tendo construído, mal e porcamente, bastante. Urge manter esse equilíbrio sob pena de se perder totalmente o seu encanto.
Resistências
Excitações do António João que vale a pena lerem
"O orçamento regional paga quase tudo desde que se saiba gerir o tempo político. O silêncio. A homenagem. O obséquio."
"Até o catolicismo local se adapta a tudo. Hoje são socialistas. Ontem eram de direita. Por um telhado de igreja ?"
"Os métodos de propaganda: na página de um folheto a cara do Santo Cristo dos Milagres, na outra página, a do candidato."
"O orçamento regional paga quase tudo desde que se saiba gerir o tempo político. O silêncio. A homenagem. O obséquio."
"Até o catolicismo local se adapta a tudo. Hoje são socialistas. Ontem eram de direita. Por um telhado de igreja ?"
"Os métodos de propaganda: na página de um folheto a cara do Santo Cristo dos Milagres, na outra página, a do candidato."
4 de setembro de 2004
"À Mulher de César..."
"À Mulher de César não basta ser séria tem de parecê-lo".
A fazer fé na notícia do Independente e nas inúmeras páginas do Jornal Oficial da Região Autónoma dos Açores, estamos perante uma das maiores vergonhas que a Autonomia, e a auto intitulada Nova Autonomia nos trouxeram.
Mesmo não pondo em causa a competência da pessoa em questão, há que ter o bom-senso de evitar situações como esta, ao Presidente do Governo Regional dos Açores exigia-se maior desprendimento e maior clareza na nomeação e requisição da sua mulher para lugares públicos.
É pena que alguma comunicação social da Região, nomeadamente o Expresso das Nove que era useiro em transcrever as nomeações do tempo do Dr. Mota Amaral, tenha, agora que se transformou em órgão oficial do PS e do Governo, deixado de ler o Jornal Oficial. Foi preciso um Jornal nacional pegar no assunto para que a imprensa regional acordasse.
A fazer fé na notícia do Independente e nas inúmeras páginas do Jornal Oficial da Região Autónoma dos Açores, estamos perante uma das maiores vergonhas que a Autonomia, e a auto intitulada Nova Autonomia nos trouxeram.
Mesmo não pondo em causa a competência da pessoa em questão, há que ter o bom-senso de evitar situações como esta, ao Presidente do Governo Regional dos Açores exigia-se maior desprendimento e maior clareza na nomeação e requisição da sua mulher para lugares públicos.
É pena que alguma comunicação social da Região, nomeadamente o Expresso das Nove que era useiro em transcrever as nomeações do tempo do Dr. Mota Amaral, tenha, agora que se transformou em órgão oficial do PS e do Governo, deixado de ler o Jornal Oficial. Foi preciso um Jornal nacional pegar no assunto para que a imprensa regional acordasse.
3 de setembro de 2004
Coitadinhos dos Suecos...
Os meus impostos servirem para o Sr. Carlos César e o Sr. Sérgio Ávila oferecerem viagens aos velhinhos da Terceira em ano de eleições regionais, além de me irritar como democrata e zeloso cidadão preocupado com as finanças públicas, repugna-me pelo despudor com que dois cabeças de lista às eleições usam o erário público para fazerem campanha partidária.
Mas bem pior do que isso, é o Sr. Sérgio Ávila e o Sr. César (este último indirectamente) usarem os meus impostos para pagar as férias dos suecos que ganham mais do que eu, têm melhor segurança social do que eu, menos desemprego do que eu, menor défice orçamental do que eu, viajarem à borla entre duas Ilhas dos Açores. Está tudo louco ou é mesmo falta de noção de como se promovem Ilhas como os Açores.
Cara Mariana, bem sei que não gostas que eu diga que vendemos os Açores como as prostitutas de 5 euros que andam de roda do I.S.Técnico. Contudo, neste caso não estamos a vender os Açores como destino turístico, estamos a oferecer e todos sabemos que o que é dado, é sempre desdenhado.
Mas bem pior do que isso, é o Sr. Sérgio Ávila e o Sr. César (este último indirectamente) usarem os meus impostos para pagar as férias dos suecos que ganham mais do que eu, têm melhor segurança social do que eu, menos desemprego do que eu, menor défice orçamental do que eu, viajarem à borla entre duas Ilhas dos Açores. Está tudo louco ou é mesmo falta de noção de como se promovem Ilhas como os Açores.
Cara Mariana, bem sei que não gostas que eu diga que vendemos os Açores como as prostitutas de 5 euros que andam de roda do I.S.Técnico. Contudo, neste caso não estamos a vender os Açores como destino turístico, estamos a oferecer e todos sabemos que o que é dado, é sempre desdenhado.
O Sisma dos independentes
Eu não gosto de independentes.(ponto)
Na política os independentes são pessoas que não têm convicções ou que estão à espera de ver para que lado é que a coisa vai virar para logo se colarem.
Os independentes são perniciosos, comodistas, gelatinosos potenciais compráveis.
Ser independente, em politica, é assumir uma total passividade sobre o que nos rodeia e nos destina. Ao invés, pertencer e colaborar com um partido político é querer participar e viver preocupado com o dia-a-dia do nosso povo.
Eu não gosto de independentes e não entendo a obsessão que, todos, os partidos políticos têm em colocar independentes nas suas listas e fazer disso cartaz. É mais ou menos como quem diz: No nosso partido somos todos incapazes. Como tal, recorremos a independentes.
Na política os independentes são pessoas que não têm convicções ou que estão à espera de ver para que lado é que a coisa vai virar para logo se colarem.
Os independentes são perniciosos, comodistas, gelatinosos potenciais compráveis.
Ser independente, em politica, é assumir uma total passividade sobre o que nos rodeia e nos destina. Ao invés, pertencer e colaborar com um partido político é querer participar e viver preocupado com o dia-a-dia do nosso povo.
Eu não gosto de independentes e não entendo a obsessão que, todos, os partidos políticos têm em colocar independentes nas suas listas e fazer disso cartaz. É mais ou menos como quem diz: No nosso partido somos todos incapazes. Como tal, recorremos a independentes.
31 de agosto de 2004
30 de agosto de 2004
Coerência
Como já aqui disse, nada tenho a favor da actual lei sobre o aborto. Contudo, acho que seria uma tremenda hipocrisia se o Estado Português e os seus governantes deixassem esse tal navio/clinica, aportar em território nacional, e depois e ao largo fazer o que não é permitido por lei fazer em Portugal.
Lamentável é a forma como a Juventude Socialista e o Bloco de esquerda tomaram esta agenda como sua.
Um governo liderado por pessoas que são frontalmente contra o aborto e que se bateram pela sua causa em referendo, não poderia fazer outra coisa.
Lamentável é a forma como a Juventude Socialista e o Bloco de esquerda tomaram esta agenda como sua.
Um governo liderado por pessoas que são frontalmente contra o aborto e que se bateram pela sua causa em referendo, não poderia fazer outra coisa.
29 de agosto de 2004
Obra feita
"Tenho uma obra feita. Tive uma presença na comunicação social, na RTP, durante um ano e meio, que foi positiva para o PS."
José Sócrates.
O que dizer de uma Lili Caneças ou de um José Castelo Branco.
José Sócrates.
O que dizer de uma Lili Caneças ou de um José Castelo Branco.
27 de agosto de 2004
Avante ao populismo
As moções dos três candidatos a Secretário-geral do Partido Socialista são um rol de lugares comuns e verdades de Monsieur de La Palice.
Na tradição do "cinzentismo" da política portuguesa, ela caminha rumo a uma longa noite de trevas populista e cheia de coisa nenhuma.
Na tradição do "cinzentismo" da política portuguesa, ela caminha rumo a uma longa noite de trevas populista e cheia de coisa nenhuma.
Juiz em causa própria
"Boa parte da classe política açoriana é medíocre"
Haverá melhor exemplo de mediocridade do que o Presidente da JS-Açores?
Haverá melhor exemplo de mediocridade do que o Presidente da JS-Açores?
24 de agosto de 2004
De que vale o referendo então?
Aborto: Clínica Flutuante Chega a Portugal no Domingo
As mulheres portuguesas que quiserem interromper a gravidez terão a partir da próxima semana à sua disposição,ao largo da costa, uma polémica clínica flutuante holandesa. Os serviços são gratuitos. O país foi escolhido por continuar a levar pessoas a tribunal por aborto. Os partidos da oposição acham que esta pode ser uma oportunidade de chamar a atenção para a lei em vigor no país
Nota: Para que não persistam falsas interpretações, eu estou ao lado da maioria da esquerda e das mulheres Portuguesas no concernente às necessidade de alterar a actual lei do aborto. Mas houve um referendo! Ou não houve?
As mulheres portuguesas que quiserem interromper a gravidez terão a partir da próxima semana à sua disposição,ao largo da costa, uma polémica clínica flutuante holandesa. Os serviços são gratuitos. O país foi escolhido por continuar a levar pessoas a tribunal por aborto. Os partidos da oposição acham que esta pode ser uma oportunidade de chamar a atenção para a lei em vigor no país
Nota: Para que não persistam falsas interpretações, eu estou ao lado da maioria da esquerda e das mulheres Portuguesas no concernente às necessidade de alterar a actual lei do aborto. Mas houve um referendo! Ou não houve?
23 de agosto de 2004
22 de agosto de 2004
19 de agosto de 2004
"provisório com carácter definitivo".
A Lotaçor EP está a gastar cerca de 350.000,00 ? a construir uma lota provisória em Ponta Delgada, para funcionar enquanto constrói um edifício de raiz para o efeito. Até aqui tudo bem, não fora o caso desta ser a segunda lota provisória que vou conhecendo em 14 anos que levo desta vida. A confirmar a regra de que em Portugal as coisas são feitas "provisórias com carácter definitivo".
Pode ser que a vinda dos Espanhois acelere a resolução dos problemas do sector das pescas nos Açores. Pois "aleva"!
Pode ser que a vinda dos Espanhois acelere a resolução dos problemas do sector das pescas nos Açores. Pois "aleva"!
18 de agosto de 2004
Futebois
Não sou rapaz de embarcar em grandes futebois. Gosto, sou adepto, tenho as minhas preferências, sou sócio do Santa Clara duas vezes. Isto é, tenho dois números de sócio e pago as quotas duas vezes. Enquanto fui Deputado Regional e o Santa Clara estava na 1ª liga, era convidado para assistir a todos os jogos na tribuna VIP. Normalmente, de quinze em quinze dias chegava o fax com o protocolar convite. Nunca lá pus os pés, nem na qualidade de Deputado, nem na de Vice-Presidente do CDS-PP Açores, era nessas duas qualidades que me convidavam. Nunca declinei às insistências do Sr. Pedro Castanheira que chegou a telefonar-me a dizer que até o comunista Mário Abrantes tinha costume de ir à Bola, só eu é que não ia. Bem, ia dizendo que talvez na semana seguinte, quem sabe ainda esta, logo se verá. Na verdade o que eu queria era distância, muita distância das misturas entre a política e o futebol.
Agora pergunto: Onde têm estado aqueles políticos e governantes que nos dias da subida à primeira liga e das grandes vitórias, andavam eufóricos pelos balneários na festa com a rapaziada? Oh ! meus grandes FDPs, é agora, quando o clube que representa uma Região está na mó de baixo que mais precisa do V. apoio, que lhe viram as costas?. Mas como V. Excelências são, na verdade, uns Senhores FsDP, e o CDSC já não é sinónimo de votos, V. Senhorias, seus grandessíssimos FDPs, viram as costas e até desdenham. Alguns sentam-se de cócoras à espera de vez. De cócoras estou eu para V. Excelências. Estou de cócoras, de alto e de repuxo, para sujar bastante. Foguetabraze
Agora pergunto: Onde têm estado aqueles políticos e governantes que nos dias da subida à primeira liga e das grandes vitórias, andavam eufóricos pelos balneários na festa com a rapaziada? Oh ! meus grandes FDPs, é agora, quando o clube que representa uma Região está na mó de baixo que mais precisa do V. apoio, que lhe viram as costas?. Mas como V. Excelências são, na verdade, uns Senhores FsDP, e o CDSC já não é sinónimo de votos, V. Senhorias, seus grandessíssimos FDPs, viram as costas e até desdenham. Alguns sentam-se de cócoras à espera de vez. De cócoras estou eu para V. Excelências. Estou de cócoras, de alto e de repuxo, para sujar bastante. Foguetabraze
17 de agosto de 2004
Antes nada do que coisa nenhuma
Tenho andado a ponderar se deveria ou não ter dado umas férias ao Foguetabraze. Afinal, este mês de Agosto não está sendo muito profícuo em textos ou escritos
Veremos se o aproximar das eleições regionais anima a blogosfera de endemismo açorico. Por hora, "tudo na mesma como a lesma". Nos breves intervalos das férias e do trabalho, que já nem sei se isso são férias nem se é trabalho, lá se vai dando uma volta pelos blogues do costume e, aqui e ali, deixando um comentário.
Já repararam que se tem falado muito pouco ou quase nada dos Jogos Olímpicos? Hoje ouvi um velejador Português que, ficou em último lugar, dizer que o problema era que não havia vento. E para os outros, os que ganharam, houve? Não há pachorra para esse tido de justificação para o injustificável. O Problema maior foi o jornalista ter insistido na mesma justificação. E assim vamos cantando e rindo, que os deuses do Olimpo nada querem com Portugal.
Veremos se o aproximar das eleições regionais anima a blogosfera de endemismo açorico. Por hora, "tudo na mesma como a lesma". Nos breves intervalos das férias e do trabalho, que já nem sei se isso são férias nem se é trabalho, lá se vai dando uma volta pelos blogues do costume e, aqui e ali, deixando um comentário.
Já repararam que se tem falado muito pouco ou quase nada dos Jogos Olímpicos? Hoje ouvi um velejador Português que, ficou em último lugar, dizer que o problema era que não havia vento. E para os outros, os que ganharam, houve? Não há pachorra para esse tido de justificação para o injustificável. O Problema maior foi o jornalista ter insistido na mesma justificação. E assim vamos cantando e rindo, que os deuses do Olimpo nada querem com Portugal.
16 de agosto de 2004
De regresso ao berço
Eu e o Foguetabraze estamos de novo aqui.
Por meia dúzia de dias o blogue vai ser abastecido desde Ponta Delgada.
Por meia dúzia de dias o blogue vai ser abastecido desde Ponta Delgada.
14 de agosto de 2004
Excursões de garrafão
Nos meados do século XX, os micaelenses descobriram o autocarro, camioneta de passageiros mais propriamente. De verão, organizavam-se por freguesias e por ruas e faziam pormenorizadas excursões pela Ilha com o final previsto na procissão da freguesia em festa. Recordo os dias 15 de Agosto da minha infância passada no Nordeste. Vivíamos junto ao Parque/viveiro Florestal da Vila no Poceirão. Naquelas manhãs, quase sempre soalheiras de dia de Nossa Senhora da Assunção, arribavam ao Viveiro dezenas de autocarros vindos de todas as partes da Ilha, carregados de garrafões e melancias e farnéis com as mais diversificadas iguarias que as nossas gentes usavam no tempo. Dali rumavam às Furnas onde havia paragem obrigatória e o final do dia acontecia na Procissão da Vila de Água de Pau.
Já no último quartel do século passado, os Micaelenses descobriram a carrinha de caixa aberta, e o grelhador público, sem largar o garrafão. As autoridades acompanharam a descoberta. Os polícias que durante a semana andam em cima dos profissionais, ao fim de semana fecham os olhos às caixas das carrinhas carregadas de novos e velhos, o teste do balão fica em casa, e os diversos serviços do GRA tratam de fazer uma corrida para ver quem constrói mais miradouros e grelhadores. Os micaelenses não vão à ponta da Madrugada ou à do (desa) sossego em busca da paisagem ou do bem-estar, vão em busca de incensar uns e outros com o cheiro a churrasco de frango comprado e acartado nos sacos de plástico dos Hipermercados e que ficam por aqui e por ali, vão em missão de fazer algazarra quanto baste. Os piscos e as toutinegras ânseiam o fim do verão.
Nesse princípio de século, os Micaelenses descobriram o "Golfinho Azul", a tenda de campismo e Santa Maria, não largaram o garrafão nem a melancia e juntaram-lhe a cerveja em garrafa descartável. A Ilha transforma-se num enorme pic-nic que em quase nada contribui para a economia local, pelo contrário apenas provoca custos acrescidos com a limpeza dos caixotes de lixo e das bermas das estradas. Há dias encontrei um casal, numa carrinha de caixa aberta a dormir junto à escola primária de Vila do Porto, ali mesmo ao lado de um dos símbolos do progresso da nossa terra, a caixa estava carregada de sacos de plástico de uma superficie comercial de Ponta Delgada, sacos cama e uma tenda. Haviam chegado de noite e esperavam o amanhecer para montar acampamento.
Já no último quartel do século passado, os Micaelenses descobriram a carrinha de caixa aberta, e o grelhador público, sem largar o garrafão. As autoridades acompanharam a descoberta. Os polícias que durante a semana andam em cima dos profissionais, ao fim de semana fecham os olhos às caixas das carrinhas carregadas de novos e velhos, o teste do balão fica em casa, e os diversos serviços do GRA tratam de fazer uma corrida para ver quem constrói mais miradouros e grelhadores. Os micaelenses não vão à ponta da Madrugada ou à do (desa) sossego em busca da paisagem ou do bem-estar, vão em busca de incensar uns e outros com o cheiro a churrasco de frango comprado e acartado nos sacos de plástico dos Hipermercados e que ficam por aqui e por ali, vão em missão de fazer algazarra quanto baste. Os piscos e as toutinegras ânseiam o fim do verão.
Nesse princípio de século, os Micaelenses descobriram o "Golfinho Azul", a tenda de campismo e Santa Maria, não largaram o garrafão nem a melancia e juntaram-lhe a cerveja em garrafa descartável. A Ilha transforma-se num enorme pic-nic que em quase nada contribui para a economia local, pelo contrário apenas provoca custos acrescidos com a limpeza dos caixotes de lixo e das bermas das estradas. Há dias encontrei um casal, numa carrinha de caixa aberta a dormir junto à escola primária de Vila do Porto, ali mesmo ao lado de um dos símbolos do progresso da nossa terra, a caixa estava carregada de sacos de plástico de uma superficie comercial de Ponta Delgada, sacos cama e uma tenda. Haviam chegado de noite e esperavam o amanhecer para montar acampamento.
12 de agosto de 2004
Um passeio ao fim da tarde
Fomos subir a Fajãzinha, um atalho que nos leva entre os maroiços e vinhedos da Baia de São Lourenço até ao alto do Norte. O regresso é feiro pela estrada das Terras Velhas e pelas voltas a baixo de regresso a São Lourenço, pouco mais de uma hora mais tarde. Olhar os currais depois de um bom suadouro com a subida da vereda, é imaginar a fome que terão passado os primeiros povoadores dessas Ilhas para, a força de braços, terem tirado do chão tantas pedras, nascendo assim uma imensidão de muros e divisórias no meio das quais foram plantadas videiras e outras novidades.
semi-férias
O Foguetabraze está a ser , de novo, feito daqui, entre uma ida ao escritório, outra à praia e um ou outro passeio pedestre. Ao ritmo melhorado de meias férias.
11 de agosto de 2004
"Gazes têses"
Já houve muita coisa que me irritou, o despotismo de alguns governantes, ouvir o Dr. Mota Amaral, ler os discursos do José Decq Mota, a arrogância patética do Sr. MetráÁvila da Povoação e seus metralhinhas das Lajes, os parquímetros, os chicos espertos, os pardais enfim um poderio de coisas. Hoje o que mais me irrita são os bêbedos, não os desgraçados que se plantam à porta do Santo Cristo esperando milagres de onde tardam a chegar.
Não, esses são vitimas de uma sociedade que permite e promove o consumo desenfreado do álcool. Quanto mais bebe mais importante é. Ele é um "Gaz têse".
Os miúdos, com menos de 16 anos, desde as oito da noite até de manhã, no Campo de São Francisco a beber uma "sorrapa" feita com gelo sumo de lima e cachaça brasileira igual àquela pior que sai dos nossos alambiques tradicionais, da que faz inchar os pés. Tudo isso com o alto patrocínio da Câmara Municipal de Ponta Delgada e sem qualquer fiscalização. Domingo, levantei-me cedo, como é costumeiro e vim para a Avenida comer o meu papo seco com queijo de São Jorge e que só o José do Royal sabe fazer. Às 6 horas da manhã eles eram um autêntico enxame, ainda de copo na mão a deambular e já quase a dormir, pelos cantos do Campo. Será permitido por lei?
Essa não vai ser uma geração rasca, vai ser a geração Caipirinha.
Não, esses são vitimas de uma sociedade que permite e promove o consumo desenfreado do álcool. Quanto mais bebe mais importante é. Ele é um "Gaz têse".
Os miúdos, com menos de 16 anos, desde as oito da noite até de manhã, no Campo de São Francisco a beber uma "sorrapa" feita com gelo sumo de lima e cachaça brasileira igual àquela pior que sai dos nossos alambiques tradicionais, da que faz inchar os pés. Tudo isso com o alto patrocínio da Câmara Municipal de Ponta Delgada e sem qualquer fiscalização. Domingo, levantei-me cedo, como é costumeiro e vim para a Avenida comer o meu papo seco com queijo de São Jorge e que só o José do Royal sabe fazer. Às 6 horas da manhã eles eram um autêntico enxame, ainda de copo na mão a deambular e já quase a dormir, pelos cantos do Campo. Será permitido por lei?
Essa não vai ser uma geração rasca, vai ser a geração Caipirinha.
10 de agosto de 2004
Democracia corporativa
A Economia dos Açores, ao invés do que diz o Secretário da tutela, está em franca regressão. O consumo de cimento baixou, as dormidas nos hotéis estão a ser vendidas ao preço da uva mijona, as agentes de viagens queixam-se, os restaurantes idem, as esplanadas estão à mosca, o artesanato está nas prateleiras.
Ao que consegui saber as visitas às plantações de ananases e do chá têm sido boas mas sem vendas de maior.
Todos se queixam, mas à boca pequena. Os seus representantes, os chefes das modernas corporações, não os ouço. Não ouço os representantes das forças vivas, dos comerciantes, dos industriais, dos agricultores, reclamarem ou tomarem posições públicas.
Terão que ser sempre e apenas os partidos da oposição a fazer este papel?
Se é para isso então que se acabe com a farsa que é esta espécie de democracia corporativista que só serve para branquear as acções dos Governos, sejam eles de que cores forem.
Talvez alguns dirigentes associativos devam olhar o passado e fazer uma análise retrospectiva e concluirão que foi quando denunciavam as situações que ganharam respeito e notoriedade nos meios político e social. Ao invés, agora todos os olham com desconfiança, chamam-lhes "Lulu Canecas" e outros epítetos e não lhes é conferido qualquer mérito.
Se merecemos políticos melhores? Claro! Mas também merecemos dirigentes melhores e uma sociedade mais interventiva.
Ao que consegui saber as visitas às plantações de ananases e do chá têm sido boas mas sem vendas de maior.
Todos se queixam, mas à boca pequena. Os seus representantes, os chefes das modernas corporações, não os ouço. Não ouço os representantes das forças vivas, dos comerciantes, dos industriais, dos agricultores, reclamarem ou tomarem posições públicas.
Terão que ser sempre e apenas os partidos da oposição a fazer este papel?
Se é para isso então que se acabe com a farsa que é esta espécie de democracia corporativista que só serve para branquear as acções dos Governos, sejam eles de que cores forem.
Talvez alguns dirigentes associativos devam olhar o passado e fazer uma análise retrospectiva e concluirão que foi quando denunciavam as situações que ganharam respeito e notoriedade nos meios político e social. Ao invés, agora todos os olham com desconfiança, chamam-lhes "Lulu Canecas" e outros epítetos e não lhes é conferido qualquer mérito.
Se merecemos políticos melhores? Claro! Mas também merecemos dirigentes melhores e uma sociedade mais interventiva.
9 de agosto de 2004
Sem título
Nas empresas pequenas, todos os anos, vive-se o drama do pessoal de férias. Os nossos colaboradores fazem a falta que muitas vezes, durante o resto do ano, não lhes reconhecemos. Por isso, hoje, não houve muito tempo para o "bloganço". Agora mesmo vim ao escritório fechar as janelas que havia deixado abertas quando sai por volta das duas da tarde.
Hoje fui Gestor, moço de voltas, escriturário, telefonista, técnico de informática, jardineiro, vendedor. Fui Cavaleiro andante de Antero por "desertos, por sois" de papeis, "por noite escura" de repartições públicas e ao longe avisto o "meu palácio encantado da ventura". Fui D. Quixote e Rocinante.
O calor sufoca-me, o chefe das finanças perdeu o meu processo, perdeu a seu palavra passe para entrar no sistema, o ajudante tenta ajudar mas só desajuda e eu desespero a olhar para o relógio. As ventoinhas estão paradas, o ar condicionado é uma miragem. Afinal o processo foi arquivado. Em fim, uma boa notícia. Diz-me Mariana, eu gosto de escrever - em fim- no lugar de - enfim. Está mal? Ou é demasiado arcaico? Não! Não digas, prefiro não saber. Há anos que faço assim e sei que, mesmo que esteja pouco correcto, vou continuar a fazer. Eu escrevo mal. Sei disso. Há anos que sei isso. Muitas vezes não consigo que os meus dedos acompanhem as ideias, ainda os dedos não foram e as ideias já estão de volta. O que é que eu faço? Continuo a escrever sempre para diante que o caminho de regresso é sinuoso e pleno de surpresas. Olhar para traz? Para quê? para chorar de saudade e arrependimento? O nosso Povo diz sabiamente. "Pa diante é qué caminhe, ala que se faz tarde".
Hoje fui Gestor, moço de voltas, escriturário, telefonista, técnico de informática, jardineiro, vendedor. Fui Cavaleiro andante de Antero por "desertos, por sois" de papeis, "por noite escura" de repartições públicas e ao longe avisto o "meu palácio encantado da ventura". Fui D. Quixote e Rocinante.
O calor sufoca-me, o chefe das finanças perdeu o meu processo, perdeu a seu palavra passe para entrar no sistema, o ajudante tenta ajudar mas só desajuda e eu desespero a olhar para o relógio. As ventoinhas estão paradas, o ar condicionado é uma miragem. Afinal o processo foi arquivado. Em fim, uma boa notícia. Diz-me Mariana, eu gosto de escrever - em fim- no lugar de - enfim. Está mal? Ou é demasiado arcaico? Não! Não digas, prefiro não saber. Há anos que faço assim e sei que, mesmo que esteja pouco correcto, vou continuar a fazer. Eu escrevo mal. Sei disso. Há anos que sei isso. Muitas vezes não consigo que os meus dedos acompanhem as ideias, ainda os dedos não foram e as ideias já estão de volta. O que é que eu faço? Continuo a escrever sempre para diante que o caminho de regresso é sinuoso e pleno de surpresas. Olhar para traz? Para quê? para chorar de saudade e arrependimento? O nosso Povo diz sabiamente. "Pa diante é qué caminhe, ala que se faz tarde".
8 de agosto de 2004
"por'qui por'li"
Corri por ai em busca da musa inspiradora. Jornais, revistas, noticiários das rádios e das televisões. Nada. Nada me deu aquele impulso, aquilo a que na gíria chamamos o click que serviria de mote para um texto com características "blogosféricas". É isso que, nós "Bloggers", somos. Somos uma espécie de seres atentos ao que nos rodeia e com ideias sobre o que lemos e ouvimos. Somos uma espécie de caixa de ressonância da imprensa. Já há algum tempo discutimos isso mesmo aqui. A "blogosfera" generalista anda, cada vez mais, a reboque dos média. Por outro lado, vão aparecendo, "por'qui por'li" , um ou outro "blog" mais específico que anda por si só, sem ir por onde vamos todos,.
Em fim, resta-me olhar o mar e tentar escrevinhar um ou dois parágrafos da vida do meu "Carlins".
Em fim, resta-me olhar o mar e tentar escrevinhar um ou dois parágrafos da vida do meu "Carlins".
6 de agosto de 2004
Entre um e outro fdp
O filho da puta é uma variedade da espécie humana bem portuguesa.
Quando eu era moço pequeno, o fdp era só o cavalinho do Inglês. Acreditem que era a única vês que se ouvia um palavrão lá em casa, era quando se falava do Cavalinho do Inglês que havia sido baptizado de Filho de Puta porque o seu tratador era um português emigrado em Londres que, de quando em vez, se desagradado com as tropelias da besta, chamava à mesma esse nome feio.
Mais tarde aprendi a lidar e a ter que conviver com os verdadeiros FsDP. O que a vida nos ensina.
Hoje tive uma dessas experiências desagradáveis com um desses fdp numa versão Açores Rosa. Também os há em versão Açores Laranja, Azul, Vermelho. Há de todas as cores e para todos os gostos. O fdp "açórico" é uma espécie em larga proliferação. Fica situado entre o fdp salazarento e cheirando a mofo do Alberto Pimenta (Discurso Sobre O Filho da Puta) e o novo fdp, desempoeirado e sofisticado do Pedro Mexia(Grande reportagem de 25 de Julho). O fdp "açórico" não tem, nem a classe de um nem a modernidade do outro.É um ronha, uma espécie de ruralidade polida e com estudos académicos, enxertada em esperteza saloia sem cultura. Uma espécie de falsa modéstia militante enxertada em arrogância disfarçada. O fdp "açórico" é um "self made boy" que ainda não percebeu que mudando o partido do poder passa a ser um self made merda.
Quando eu era moço pequeno, o fdp era só o cavalinho do Inglês. Acreditem que era a única vês que se ouvia um palavrão lá em casa, era quando se falava do Cavalinho do Inglês que havia sido baptizado de Filho de Puta porque o seu tratador era um português emigrado em Londres que, de quando em vez, se desagradado com as tropelias da besta, chamava à mesma esse nome feio.
Mais tarde aprendi a lidar e a ter que conviver com os verdadeiros FsDP. O que a vida nos ensina.
Hoje tive uma dessas experiências desagradáveis com um desses fdp numa versão Açores Rosa. Também os há em versão Açores Laranja, Azul, Vermelho. Há de todas as cores e para todos os gostos. O fdp "açórico" é uma espécie em larga proliferação. Fica situado entre o fdp salazarento e cheirando a mofo do Alberto Pimenta (Discurso Sobre O Filho da Puta) e o novo fdp, desempoeirado e sofisticado do Pedro Mexia(Grande reportagem de 25 de Julho). O fdp "açórico" não tem, nem a classe de um nem a modernidade do outro.É um ronha, uma espécie de ruralidade polida e com estudos académicos, enxertada em esperteza saloia sem cultura. Uma espécie de falsa modéstia militante enxertada em arrogância disfarçada. O fdp "açórico" é um "self made boy" que ainda não percebeu que mudando o partido do poder passa a ser um self made merda.
5 de agosto de 2004
Regionais 2004
Há dias, foi noticia o facto de não haver grande renovação nas listas de candidatos do Partido Socialista às eleições Legislativas Regionais de Outubro. Novidade? Não!
Na verdade, a renovação não existe em nenhum dos partidos e coligações que se apresentam a este acto eleitoral. Com excepção para este ou aquele círculo em que aparece em lugar não elegível uma cara nova, a grande generalidade são candidatos imanados das máquinas partidárias, máquinas essas que são, quase tudo, menos democráticas e onde funciona a democracia, ela vive a par com o caciquismo.
Algumas máquinas partidárias, não perceberam que só faz sentido criar um movimento que congregue várias facções se este for potenciador das qualidades dos seus intervenientes. Casos existiram em que o partido maior da coligação, localmente e contra a vontade dos seus dirigentes regionais, não entendeu que no seu parceiro de coligação havia potencial para fazer crescer o resultado eleitoral da coligação e lançar novas caras e novas discussões.
Uma das poucas novidades é o facto do número dois do Partido Socialista por São Miguel ser uma independente que, não sendo uma cara desconhecida, é nova na politica. Salvo melhor opinião, o PS terá ganho uma figura mediática que facilmente conquistará o eleitorado feminino regional, mas não terá ganho uma deputada para fazer valer os interesses do círculo pelo qual concorre ou com capacidade para sair do discurso miserabilista da apologia da açorianidade ou do "umbiguismo" exacerbado de que o que é nosso é que é bom e o resto são cantigas. Trata-se, portanto, de uma espécie de atracção da feira popular.
Surpresa das surpresas é a falta de candidatos que não sejam dependentes do poder público, que não sejam funcionários públicos, ou de empresas públicas e semi-públicas ou professores. Esta constatação deixa transparecer que só estes, os dependentes do estado, estão dispostos a largar as suas carreiras para, por quatro anos, acartarem o enorme fardo que é ser-se deputado da Região. É verdade que muitas vezes se faz pouco, mesmo que se queira fazer mais o sistema emperra e não permite. Contudo, também é verdade que se é mal pago.
Não é qualquer pessoa que se pode permitir deixar a sua vida empresarial ou profissão liberal para se dedicar, mesmo que por apenas quatro anos, à função de deputado. Além disso, carregará para o resto da vida, o estigma de, por um dia ter estado instalado à manjedoura do orçamento de estado.
Não há maior liberdade do que poder dizer que não se depende do Estado para comer. Cada vez é menos possível dizer isso, cada vez mais o Estado está presente em todas as actividades e usa e abusa das verbas do orçamento para construir um aparachik que, por sua vez, vai acalentando novas clientelas politicas que, vão saciando a fome de votos dos respectivos partidos.
Na verdade, a renovação não existe em nenhum dos partidos e coligações que se apresentam a este acto eleitoral. Com excepção para este ou aquele círculo em que aparece em lugar não elegível uma cara nova, a grande generalidade são candidatos imanados das máquinas partidárias, máquinas essas que são, quase tudo, menos democráticas e onde funciona a democracia, ela vive a par com o caciquismo.
Algumas máquinas partidárias, não perceberam que só faz sentido criar um movimento que congregue várias facções se este for potenciador das qualidades dos seus intervenientes. Casos existiram em que o partido maior da coligação, localmente e contra a vontade dos seus dirigentes regionais, não entendeu que no seu parceiro de coligação havia potencial para fazer crescer o resultado eleitoral da coligação e lançar novas caras e novas discussões.
Uma das poucas novidades é o facto do número dois do Partido Socialista por São Miguel ser uma independente que, não sendo uma cara desconhecida, é nova na politica. Salvo melhor opinião, o PS terá ganho uma figura mediática que facilmente conquistará o eleitorado feminino regional, mas não terá ganho uma deputada para fazer valer os interesses do círculo pelo qual concorre ou com capacidade para sair do discurso miserabilista da apologia da açorianidade ou do "umbiguismo" exacerbado de que o que é nosso é que é bom e o resto são cantigas. Trata-se, portanto, de uma espécie de atracção da feira popular.
Surpresa das surpresas é a falta de candidatos que não sejam dependentes do poder público, que não sejam funcionários públicos, ou de empresas públicas e semi-públicas ou professores. Esta constatação deixa transparecer que só estes, os dependentes do estado, estão dispostos a largar as suas carreiras para, por quatro anos, acartarem o enorme fardo que é ser-se deputado da Região. É verdade que muitas vezes se faz pouco, mesmo que se queira fazer mais o sistema emperra e não permite. Contudo, também é verdade que se é mal pago.
Não é qualquer pessoa que se pode permitir deixar a sua vida empresarial ou profissão liberal para se dedicar, mesmo que por apenas quatro anos, à função de deputado. Além disso, carregará para o resto da vida, o estigma de, por um dia ter estado instalado à manjedoura do orçamento de estado.
Não há maior liberdade do que poder dizer que não se depende do Estado para comer. Cada vez é menos possível dizer isso, cada vez mais o Estado está presente em todas as actividades e usa e abusa das verbas do orçamento para construir um aparachik que, por sua vez, vai acalentando novas clientelas politicas que, vão saciando a fome de votos dos respectivos partidos.
4 de agosto de 2004
Ponto de partida
Apetece-me escrever qualquer coisa. Bem o que me apetece mesmo é "postar" qualquer coisa. Podia ir buscar um e-mail recorrente ou um texto de um leitor ou uma laracha qualquer de um jornal e fazer copy paste. Mas não. O meu Blog Copy paste é o Corsário das Ilhas. Pdia escrever sobre o Porto de Ponta Delgada ou o passeio que dei ontem na vetusta Avenida de "Cu pró mar". Para isso, então postava no Ponta Delgada. Não, apetece-me mesmo é escrever aqui, puro, directo para o blogger, com erros de ortografia e sintaxe. Desculpam-me? Não desculpam? Afinal eu tinha obrigação de escrever melhor, tinha obrigação de ser mais cuidadoso. Porquê? Por ter sido uma figura pública. Não! Eu sou como sou, assim mesmo puro em tudo. Se calhar por isso mesmo não foi longe a minha prestação como homem público. Se calhar por isso, me sinto livre para dizer o que penso, para ser quem sou, para estar onde estou com o sentido de que vou de partida e não como se tivesse acabado de chegar.
3 de agosto de 2004
Surpresa
Hoje fiquei boquiaberto ao entrar no Supermercado Modelo da Ribeira Grande para comparar umas peças de fruta para o jantar e vejo meloa espanhola a 69 cêntimos o Kg. E mais ao lado meloa de Santa Maria a 2,40 euros o kg. Será possível que o preço do transporte de Santa Maria para São Miguel seja assim tão elevado? Ou haverá razoes que a minha razão não alcança?
Demita-se o Povo. Já!
Os incêndios Florestais são o único tema batido e debatido na imprensa nacional, ano após ano, durante os consecutivos verões.
Tema recorrente, parece um flagelo sem solução. Quantos mais meios mais fogos, a fazer jus ao velho ditado popular "quantos mais gatos mais ratos". Na verdade, os meios de prevenção e combate aos incêndios florestais foram altamente reforçados desde o ano passado para este ano. Talvez por isso mesmo, muito embora tenham existido incêndios graves, este ano as coisas vão indo melhor. Também não admira, cada vez há menos área para arder.
De nada serve pedir a cabeça do coordenador nacional dos bombeiros, do Secretário de Estrado das Florestas, do Ministro da Administração Interna.
O Combate aos fogos florestais é uma questão nacional, em que a prevenção é a única arma eficaz. As grandes causas dos fogos florestais são a falta de consciência cívica de um povo habituado ao paternalismo do Estado; A falta de consciência ambiental de um Povo que vive alienado entre as Igrejas e os Centros Comerciais; Um povo que vive como a cigarra e desdenha da formiga e que quando lhe bate a desgraça à porta, não se lembra que atirou já dezenas de beatas de cigarro pela janela do automóvel, deixou dezenas de garrafas na beira do pinhal, sujou e não limpou as lenhas de entre o mato onde andou à procura de não sabe bem do quê. A culpa não é só do calor, do vento e do ministro. A culpa é nossa e deviamos nos envergonhar por isso.
Tema recorrente, parece um flagelo sem solução. Quantos mais meios mais fogos, a fazer jus ao velho ditado popular "quantos mais gatos mais ratos". Na verdade, os meios de prevenção e combate aos incêndios florestais foram altamente reforçados desde o ano passado para este ano. Talvez por isso mesmo, muito embora tenham existido incêndios graves, este ano as coisas vão indo melhor. Também não admira, cada vez há menos área para arder.
De nada serve pedir a cabeça do coordenador nacional dos bombeiros, do Secretário de Estrado das Florestas, do Ministro da Administração Interna.
O Combate aos fogos florestais é uma questão nacional, em que a prevenção é a única arma eficaz. As grandes causas dos fogos florestais são a falta de consciência cívica de um povo habituado ao paternalismo do Estado; A falta de consciência ambiental de um Povo que vive alienado entre as Igrejas e os Centros Comerciais; Um povo que vive como a cigarra e desdenha da formiga e que quando lhe bate a desgraça à porta, não se lembra que atirou já dezenas de beatas de cigarro pela janela do automóvel, deixou dezenas de garrafas na beira do pinhal, sujou e não limpou as lenhas de entre o mato onde andou à procura de não sabe bem do quê. A culpa não é só do calor, do vento e do ministro. A culpa é nossa e deviamos nos envergonhar por isso.
2 de agosto de 2004
Culpado
Sinto-me culpado por não gozar férias. É, leram bem, culpado. Seria mais normal se me sentisse culpado por não trabalhar, por fazer uma fugida mais cedo para a praia ou por deixar de fazer hoje aqui, aquilo que pode esperar pelo amanhã acolá. Mas não. Sinto-me culpado por não tirar mais uns dias para a minha família, para mim, para os meus amigos. Se estou no escritório estou sempre a pensar neles, viajo para lá. Ainda não cheguei e já estou preocupado com o que deixei para traz. Ando assim, nessa volúpia moderna entre as férias e o não férias, entre o desejo de partir e a ânsia de regressar. Eu gostava muito de ter a coragem de gozar umas férias a valer, de estar sete ou oito dias junto das minhas filhas, todo o dia, com elas por cima e por baixo e aos gritos e às turras. Enfim, aquelas coisas das quais quase sempre nos queixamos, mas que afinal fazem muita faltam.
Blogosférias
Tenho andado com as minhas leituras um pouco atrasadas, a Dádiva Divina do Rui Zink está na mesa de cabeceira há algumas semanas com o marcador sempre na mesma página.
Antes não me deitava sem repescar um livro ou uma revista. Hoje deito mão do portátil e aqui estou eu de costas numa almofada, em cima da cama , a escrever este texto de circunstância enquanto o GPRS restabelece o sinal para poder surfar pela blogosfera fora até que as pálpebras comecem a pesar. Já passei pelos regionais que, por sinal, estão muito de "vacanças", pelos nacionais Causa Nossa que nos últimos dias tem estado a cargo do Vicente Jorge Silva, pelo Fórum Comunitário, pelo Aviz, Esplanar e tantos outros.
Continua a ser verdadeira a afirmação de Manuel António Pina, Visão da semana de 20 de Dezembro de 2003. "A Blogosfera é o lugar onde hoje melhor se escreve e pensa em Português"
Antes não me deitava sem repescar um livro ou uma revista. Hoje deito mão do portátil e aqui estou eu de costas numa almofada, em cima da cama , a escrever este texto de circunstância enquanto o GPRS restabelece o sinal para poder surfar pela blogosfera fora até que as pálpebras comecem a pesar. Já passei pelos regionais que, por sinal, estão muito de "vacanças", pelos nacionais Causa Nossa que nos últimos dias tem estado a cargo do Vicente Jorge Silva, pelo Fórum Comunitário, pelo Aviz, Esplanar e tantos outros.
Continua a ser verdadeira a afirmação de Manuel António Pina, Visão da semana de 20 de Dezembro de 2003. "A Blogosfera é o lugar onde hoje melhor se escreve e pensa em Português"
30 de julho de 2004
Estádio Novo
Há umas horas, na apresentação do nº 14 da :ILHAS, vimos um documentário sobre o qual ainda vou escrever algo mais substancial do que isso. Estádio Novo, é um interessante documentário Inglês que trata o tema da promiscuidade entre a política e o futebol, desde o Estado Novo até aos dias de hoje. A certa altura, num tratamento brilhante dos pequenos clubes da 1ª liga, fala dos Açores e do Santa Clara, mais propriamente da Santa Canalha. Nome de claque assaz bem escolhido tratando-se de quem se trata.
Achei muito interessante o facto de, ao referi-se aos Açores, o autor dizer: "os Açores são uma colónia de Portugal". Essa é a visão dos que observam de fora a forma como nos relacionamos com Portugal.
Também é assim que Portugal olha para nós. Porque razão não reagimos a este estatuto? Gostamos? Não nos sentimos colónia? Ou adoramos Portugal? Ou adoramos as transferências do orçamento de estado?
Este é um tema para reflexão séria que se espera seja mais bem tratado lá para depois das férias.
Achei muito interessante o facto de, ao referi-se aos Açores, o autor dizer: "os Açores são uma colónia de Portugal". Essa é a visão dos que observam de fora a forma como nos relacionamos com Portugal.
Também é assim que Portugal olha para nós. Porque razão não reagimos a este estatuto? Gostamos? Não nos sentimos colónia? Ou adoramos Portugal? Ou adoramos as transferências do orçamento de estado?
Este é um tema para reflexão séria que se espera seja mais bem tratado lá para depois das férias.
29 de julho de 2004
28 de julho de 2004
Once more in África
O Governo do Sudão recusa a intervenção da ONU. Enquanto isso, milhares de refugiados, deslocados, em fuga por causa das perseguições das milícias selvagens, vão se aglomerando em enormes campos de refugiados, no norte do país, onde a fome e a doença começam a produzir catastróficos efeitos.
O Governo do Sudão recusa a palavra Genocídio.
Nunca fiz nem volto a fazer
Sai da cama ainda o sol iluminava o hemisfério Sul. Era crepúsculo na Austrália. A madrugada rompia quando sai de casa e ele ali estava, subindo vagarosamente do mar em direcção ao Céu. Ali mesmo à minha frente a Baia de São Lourenço estava linda, estanhada como a lagoa das Furnas num final de tarde de Agosto. Nesses dias, não apetece sair dali. Muito menos se for para apanhar um avião e dar uma fugida a São Miguel (Japão) para uma reunião de manhã num Banco, outra à tarde no Notário uma baguete de atum comida à pressa e empurrada goela abaixo por um sumo de laranja quase morno. Entre a volúpia da vida de um empresário neo-liberal e que leva a vida a correr, dois encontros para troca de conversa. Encontrei o ToZé no canto dos Burros. Ficou a nossa indignação pelo aparecimento de um Blog anónimo para discutir a Independentismo/Nacionalismo Açorianos.
Mais à frente, uma distinta Professora da nossa Universidade conversava numa mesa de esplanada com um não menos distinto advogado da nossa praça. Entre ter-me feito convidado para sentar e já estar a debulhar alarvidades, foi um ápice.
Estivemos para ali uns bons 15 minutos a dizer coisas sem nexo e que no fim tinham todo o sentido do Mundo. Que se lixe o Gerente do Banco que está à minha espera mais à frente. Afinal eu até lhe pago boa parte do ordenado.
Não sei como, falamos de muitas coisas e acabamos falando de ?charros?. Ele nunca fumou, Ela também não. Eu nunca fumei nem volto a fumar. E ela, simples, serena, pálida diz sem malícia, sem qualquer pejo. "Eu sempre gostei muito de tomar uns copos que nunca precisei de fumar charros". Eu não bebo, sou abstémio, cada vez mais militante, mas também não preciso de fumar charros.
Mais à frente, uma distinta Professora da nossa Universidade conversava numa mesa de esplanada com um não menos distinto advogado da nossa praça. Entre ter-me feito convidado para sentar e já estar a debulhar alarvidades, foi um ápice.
Estivemos para ali uns bons 15 minutos a dizer coisas sem nexo e que no fim tinham todo o sentido do Mundo. Que se lixe o Gerente do Banco que está à minha espera mais à frente. Afinal eu até lhe pago boa parte do ordenado.
Não sei como, falamos de muitas coisas e acabamos falando de ?charros?. Ele nunca fumou, Ela também não. Eu nunca fumei nem volto a fumar. E ela, simples, serena, pálida diz sem malícia, sem qualquer pejo. "Eu sempre gostei muito de tomar uns copos que nunca precisei de fumar charros". Eu não bebo, sou abstémio, cada vez mais militante, mas também não preciso de fumar charros.
Passa Cão
Monsenhor Agostinho Tavares não quer mendigos e Bêbedos à porta da Igreja do Senhor Santo Cristo. Tem bom remédio. Leve-os para casa. Fica mesmo em frente.
Não basta apelar e pregoar à caridade cristã. É urgente pratica-la. Infelizmente é da instituição Igreja que vêem os piores exemplos. Passa Cão.
Não basta apelar e pregoar à caridade cristã. É urgente pratica-la. Infelizmente é da instituição Igreja que vêem os piores exemplos. Passa Cão.
27 de julho de 2004
24 de julho de 2004
Lugares-Ghana
Há lugares neste imenso planeta que quanto mais visito mais me apetece voltar. Há lugares nestas nossas Ilhas que quanto mais visito mais me apetecem esquecer e há lugares nestas Ilhas que nunca esquecerei mesmo que nunca mais lá volte. Pela positiva e pela negativa há lugares inesquecíveis.
A vida é como um livro se não viajarmos não passamos da primeira página. Estas palavras que, cito de memória e por isso podem não ter sido escritas bem assim, foram-no por São Tomáz D'Aquino. Lidas nos já longínquos anos da minha adolescência marcaram a minha vida desde então. Na verdade, foram estas palavras que despertaram em mim o gosto pelas viagens, pela aventura de conhecer novos lugares e outras gentes, outras culturas e outras vivências. Hoje relendo um texto que escrevi a bordo do voo 325 da KLM entre Amesterdão e Accra capital do Ghana, avivaram-me a memória e trouxeram-me recordações de África muito interessantes.
África vive hoje momentos dramáticos marcados pela fome, pela guerra e pelo mais moderno dos flagelos, a SIDA.
O Ghana que é uma das economias mais fluorescentes do Continente Africano tem níveis de contaminação pelo HIV assustadores. A título de exemplo, a Dunlop, fabricante e distribuidor de pneumáticos, tinha no Ghana a sua maior fábrica fora dos Estados Unidos da América, destinada a produzir pneus para serem distribuídos em toda a África e Europa. Há dois anos, o Gigante norte-americano encerou aquela fábrica por não conseguir formar novos operários ao mesmo ritmo que outros morriam de sida. Simplesmente assustador. Mais ainda se pensarmos que o Ghana, ao contrário da maioria dos países africanos, tem uma democracia instalada há mais de 30 anos, com alternância de poder entre dois partidos, com uma economia relativamente estável, com enormes recursos naturais e com uma coabitação entre populações de várias religiões de fazer inveja a muitos países desenvolvidos.
A poligamia associada a uma excessiva religiosidade pode estar na base do flagelo. Contudo, haverá certamente culpas nas organizações locais e internacionais de luta contra a SIDA e de pouco ou nada tem servido o facto do Secretário-geral da ONU, Sr. Kofi Annan ser um Ganês.
A vida é como um livro se não viajarmos não passamos da primeira página. Estas palavras que, cito de memória e por isso podem não ter sido escritas bem assim, foram-no por São Tomáz D'Aquino. Lidas nos já longínquos anos da minha adolescência marcaram a minha vida desde então. Na verdade, foram estas palavras que despertaram em mim o gosto pelas viagens, pela aventura de conhecer novos lugares e outras gentes, outras culturas e outras vivências. Hoje relendo um texto que escrevi a bordo do voo 325 da KLM entre Amesterdão e Accra capital do Ghana, avivaram-me a memória e trouxeram-me recordações de África muito interessantes.
África vive hoje momentos dramáticos marcados pela fome, pela guerra e pelo mais moderno dos flagelos, a SIDA.
O Ghana que é uma das economias mais fluorescentes do Continente Africano tem níveis de contaminação pelo HIV assustadores. A título de exemplo, a Dunlop, fabricante e distribuidor de pneumáticos, tinha no Ghana a sua maior fábrica fora dos Estados Unidos da América, destinada a produzir pneus para serem distribuídos em toda a África e Europa. Há dois anos, o Gigante norte-americano encerou aquela fábrica por não conseguir formar novos operários ao mesmo ritmo que outros morriam de sida. Simplesmente assustador. Mais ainda se pensarmos que o Ghana, ao contrário da maioria dos países africanos, tem uma democracia instalada há mais de 30 anos, com alternância de poder entre dois partidos, com uma economia relativamente estável, com enormes recursos naturais e com uma coabitação entre populações de várias religiões de fazer inveja a muitos países desenvolvidos.
A poligamia associada a uma excessiva religiosidade pode estar na base do flagelo. Contudo, haverá certamente culpas nas organizações locais e internacionais de luta contra a SIDA e de pouco ou nada tem servido o facto do Secretário-geral da ONU, Sr. Kofi Annan ser um Ganês.
23 de julho de 2004
22 de julho de 2004
Insularidade
O Inverno resolveu vir passar mais uns dias de verão aos Açores e os aviões estão todos atrasados. Isto é a verdadeira insularidade, não tem nada a ver com os preços das coisas nos supermercados, com o cabaz de compras, com a produtividade, com o PIB ou com o preço do petróleo. A Insularidade não se vence, ameniza-se.
21 de julho de 2004
Ao ritmo das férias
Nos últimos dias o Foguetabraze tem sido feito a partir daqui.
Embora não totalmente em férias já que, para um "workaoolic", isso é coisa que não existe, o ritmo é bem mais moderado. Desde logo, o trabalho aqui é menos no escritório e mais no estaleiro, não convém usar o computador portátil muito próximo de areia, das britas e do pó-de-pedra. Por isso, o Foguetabraze segue o ritmo da restante blogosfera e do País. O ritmo das férias.
Embora não totalmente em férias já que, para um "workaoolic", isso é coisa que não existe, o ritmo é bem mais moderado. Desde logo, o trabalho aqui é menos no escritório e mais no estaleiro, não convém usar o computador portátil muito próximo de areia, das britas e do pó-de-pedra. Por isso, o Foguetabraze segue o ritmo da restante blogosfera e do País. O ritmo das férias.
20 de julho de 2004
17 de julho de 2004
Dos Açores e pelos Açores
Carlos Costa Neves é um político com (P) grande. Profissional, dedicado, conhecedor de inúmeros dossiers é, sem sombra de dúvida, o politico açoriano mais completo do momento. Muitas vezes demasiado palavroso, associa a qualidade de grande orador aos conhecimentos técnicos.
Teria sido um óptimo Presidente do Governo Regional dos Açores, se não tivesse sido traído pelo seu próprio partido e pelo CDS/PP onde eu próprio, não nego, tive enormes responsabilidades, com um episódio parlamentar que deitou definitivamente por terra as aspirações da direita Açoriana de perpetrar um golpe palaciano que, ou se fazia sem anunciar, ou depois de anunciar o melhor era não fazer.
Tenho com Costa Neves um episódio engraçado. Tínhamos um convite para almoçar com o Senhor Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, no Palácio de Santana, na "rocoquérima" sala de jantar do Marquês de Jácome Correia. Costa Neves na qualidade de Presidente do PSD e eu na qualidade de vice-presidente do CDS/PP.
Na noite anterior encontramo-nos, por acaso, na estalagem de Santa Cruz na Horta. E perguntei-lhe:
-Queres boleia para Santana?
Riu-se, olhou em redor e disse:
-Bem depende da Boleia, amanhã para o almoço não preciso, depois é uma questão de conversarmos.
Rimo-nos bastante. Contudo, ambos sabíamos que nem eu nem grande parte do partido dele achávamos qualquer oportunidade em apresentar uma moção de censura ao Governo de César depois da tinta que já havia corrido sobre o assunto, a começar pelo episódio da substituição do Presidente da ALRA que caíra muito mal junto da opinião pública. Ambos sabíamos que o caso estava arrumado.
Tendo em conta a sensibilidade que o novo Ministro tem no concernente às questões da quota leiteira e da abertura das águas da ZEE açores à frota comunitária, estas duas questões de crucial importância apara a economia dos Açores poderão ver assim, melhores dias do que já viram. Por outro lado, junto das corporações do sector agrícola, Costa Neves poderá encontrar algumas barreiras uma vez que o seu antecessor, Sevinate Pinto, estava altamente cotado e era visto como um dos melhores ministros da agricultura dos últimos tempos.
Teria sido um óptimo Presidente do Governo Regional dos Açores, se não tivesse sido traído pelo seu próprio partido e pelo CDS/PP onde eu próprio, não nego, tive enormes responsabilidades, com um episódio parlamentar que deitou definitivamente por terra as aspirações da direita Açoriana de perpetrar um golpe palaciano que, ou se fazia sem anunciar, ou depois de anunciar o melhor era não fazer.
Tenho com Costa Neves um episódio engraçado. Tínhamos um convite para almoçar com o Senhor Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, no Palácio de Santana, na "rocoquérima" sala de jantar do Marquês de Jácome Correia. Costa Neves na qualidade de Presidente do PSD e eu na qualidade de vice-presidente do CDS/PP.
Na noite anterior encontramo-nos, por acaso, na estalagem de Santa Cruz na Horta. E perguntei-lhe:
-Queres boleia para Santana?
Riu-se, olhou em redor e disse:
-Bem depende da Boleia, amanhã para o almoço não preciso, depois é uma questão de conversarmos.
Rimo-nos bastante. Contudo, ambos sabíamos que nem eu nem grande parte do partido dele achávamos qualquer oportunidade em apresentar uma moção de censura ao Governo de César depois da tinta que já havia corrido sobre o assunto, a começar pelo episódio da substituição do Presidente da ALRA que caíra muito mal junto da opinião pública. Ambos sabíamos que o caso estava arrumado.
Tendo em conta a sensibilidade que o novo Ministro tem no concernente às questões da quota leiteira e da abertura das águas da ZEE açores à frota comunitária, estas duas questões de crucial importância apara a economia dos Açores poderão ver assim, melhores dias do que já viram. Por outro lado, junto das corporações do sector agrícola, Costa Neves poderá encontrar algumas barreiras uma vez que o seu antecessor, Sevinate Pinto, estava altamente cotado e era visto como um dos melhores ministros da agricultura dos últimos tempos.
16 de julho de 2004
Uma "boleia" à portuguesa
O João Nuno deixou-nos hoje no : ILHAS este belíssimo texto que merece da minha parte uma reflexão que não cabia num mero comentário a deixar no Blogue deles. Em primeiro lugar devo dizer que estou muito satisfeito por ter atribuído ao articulista (meu primo) o prémio de melhor escritor da Blogosféra Açoriana e ao : ilhas o de mais eclético e melhor Blogue colectivo dos Açores. Se alguma coisa estava por provar, os rapazes fizeram o favor de o confirmar.
Estou capaz de concordar com o comentário do André no que concerne a essa obsessão do PSD no que diz respeito às relações entre o PS e o BE. Devo dizer que ela não me choca nada, chocar-me ia muito mais se o PS andasse atrelado ao PCP, esta esquerda ultrapassada e radical que ainda usa na sua bandeira os símbolos do terror Estalinistas da foice, martelo e estrela e em cujas estruturas existe bastante de tudo e muito pouco de democracia.
Também eu, fico com a sensação que, essa obsessão do PSD e de muitos dos seus militantes e dirigentes, constitui uma espécie de desculpa por andarem a reboque ou à trela do CDS/PP, consoante se queira considerar o PSD um enorme atrelado onde cabe toda a espécie de gente, desde a esquerda mais radical até à direita ultra nacionalista ou um Cão onde todas as pulgas têm lugar independentemente da sua cor raça ou credo.
Tal como, aqui e em outras sedes disse e repito, não morro de amores por essa coligação, não sou por natureza um situacionista, sou mais do contra-poder, das grandes questões e das pequenas bandeiras. É mais fácil para um permanente interventor e repentista ser da oposição do que pertencer a um partido do arco do poder, ter que engolir sapos quase todos os dias e sofrer as enormes dores que um tiro nos pés provoca.
Bem sei que a minha opinião pouco importa, mas não contem com o CDS/PP para rebocar ou acartar no pêlo, seja quem for que, depois venha desdenhar da boleia. No CDS/PP há muito boa gente que estará disposta a soltar o atrelado ou sacudir as pulgas.
Não se esqueçam, Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube.
Estou capaz de concordar com o comentário do André no que concerne a essa obsessão do PSD no que diz respeito às relações entre o PS e o BE. Devo dizer que ela não me choca nada, chocar-me ia muito mais se o PS andasse atrelado ao PCP, esta esquerda ultrapassada e radical que ainda usa na sua bandeira os símbolos do terror Estalinistas da foice, martelo e estrela e em cujas estruturas existe bastante de tudo e muito pouco de democracia.
Também eu, fico com a sensação que, essa obsessão do PSD e de muitos dos seus militantes e dirigentes, constitui uma espécie de desculpa por andarem a reboque ou à trela do CDS/PP, consoante se queira considerar o PSD um enorme atrelado onde cabe toda a espécie de gente, desde a esquerda mais radical até à direita ultra nacionalista ou um Cão onde todas as pulgas têm lugar independentemente da sua cor raça ou credo.
Tal como, aqui e em outras sedes disse e repito, não morro de amores por essa coligação, não sou por natureza um situacionista, sou mais do contra-poder, das grandes questões e das pequenas bandeiras. É mais fácil para um permanente interventor e repentista ser da oposição do que pertencer a um partido do arco do poder, ter que engolir sapos quase todos os dias e sofrer as enormes dores que um tiro nos pés provoca.
Bem sei que a minha opinião pouco importa, mas não contem com o CDS/PP para rebocar ou acartar no pêlo, seja quem for que, depois venha desdenhar da boleia. No CDS/PP há muito boa gente que estará disposta a soltar o atrelado ou sacudir as pulgas.
Não se esqueçam, Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube.
Abruptamente coerente
Pacheco Pereira demitiu-se do cargo para o qual havia sido recentemente nomeado. As suas divergências com Pedro Santana Lopes, não permitiam manter-se num cargo de nomeação governamental, muito embora se tratasse de um cargo que não cai com o Governo.
A coerência acima de tudo.
A coerência acima de tudo.
15 de julho de 2004
Segundas escolhas
Com o recuo de António Vitorino, José Sócrates e José Lamego, revêem as respectivas estratégias e entendem relançar as suas candidaturas à liderança do maior Partido da oposição.
O PS irá, assim, eleger um dos candidatos que se auto-classificaram como segundas escolhas.
Podemos assim prever, longos e animados duelos entre Santana Lopes O populista primeiro-ministro de Portugal e o não menos populista líder do maior partido da oposição, José Sócrates.
O verão promete ser animado no País político. Enquanto isso, o outro País, o real, segue o ritmo das férias, ressaca do Euro 2004, e perde-se alienadamente, num terramoto de festivais musicais e festas do "JET 7", com o Algarve como epicentro.
O PS irá, assim, eleger um dos candidatos que se auto-classificaram como segundas escolhas.
Podemos assim prever, longos e animados duelos entre Santana Lopes O populista primeiro-ministro de Portugal e o não menos populista líder do maior partido da oposição, José Sócrates.
O verão promete ser animado no País político. Enquanto isso, o outro País, o real, segue o ritmo das férias, ressaca do Euro 2004, e perde-se alienadamente, num terramoto de festivais musicais e festas do "JET 7", com o Algarve como epicentro.
14 de julho de 2004
14 Juillet
Aujourd'hui est 14 Juillet. Personne à "poster" sur ce là. Pourquoi ? Ce n'est pas important?
13 de julho de 2004
"esperar por D.Sebastião quer venha ou não"
As manchetes do Público, ultimamente não acertam uma. Há dias era dada como certa a dissolução da Assembleia da República, menos de 24 horas depois o Senhor Presidente da República anunciava precisamente o inverso.
Hoje, enquanto regressava a casa sentado num dos muitos lugares vazios de um Airbus 310-300 da Sata-Internacional, li o seguinte título em destaque, "António Vitorino prestes a avançar para a liderança do PS". Pouco depois chego a Ponta Delgada e o meu Amigo Abel Carreiro já havia deixado um comment no meu último post a criticar eu ainda não ter dito nada sobre a fuga do "D. Sebastião" que os socialistas esperavam regressar de Bruxelas com os nevoeiros de Outubro .
Confesso que estava à espera que Vitorino avançasse, mas afinal o Homem nem é grande nem é grande coisa. Começa a haver algum nervosismo no Partido Socialista. Algumas figuras tidas como boas para liderar o Partido temem a luta eleitoral com a dupla PSL&PP (não se importam com as siglas pois não?). O primeiro já fugiu foi Ferro Rodrigues, segundo Sarsfield Cabral, no Diário de Noticias de ontem, "um líder fraco", não vejo como é que um Homem que dá ao seu Partido o melhor resultado de sempre pode ser classificado como "um líder fraco".
Depois foram as fugas de Coelho, Lamego e Sócrates que, ao empurrarem descaradamente Vitorino para a cabeça do Toiro se demarcaram da corrida e tentaram garantir um lugarzinho na contra ajuda ou quem sabe como rabejadores.
Agora a fuga do D. Sebastião, que não havia ido a cavalo para Alcácer Quibir mas sim montado num enredo fiscal para Bruxelas, se bem me lembro por causa de uma SISA ou algo parecido, nada comparável a uma manta da TAP tantas vezes usada como bandeira, ainda recentemente, por alguma esquerda menos séria.
Ficamos à espera dos candidatos.
João Soares já se assumiu, declarando a sua intenção de candidatura e de "acabar com a lógica dos unanimismos em que as coisas se decidem à mesa dos cafés nas costas de toda a gente". Será que Lamego, Coelho e Sócrates vão rever as suas estratégias ou João Soares será ele próprio uma vitima dos tais unanimismos que tanto condena?
Hoje, enquanto regressava a casa sentado num dos muitos lugares vazios de um Airbus 310-300 da Sata-Internacional, li o seguinte título em destaque, "António Vitorino prestes a avançar para a liderança do PS". Pouco depois chego a Ponta Delgada e o meu Amigo Abel Carreiro já havia deixado um comment no meu último post a criticar eu ainda não ter dito nada sobre a fuga do "D. Sebastião" que os socialistas esperavam regressar de Bruxelas com os nevoeiros de Outubro .
Confesso que estava à espera que Vitorino avançasse, mas afinal o Homem nem é grande nem é grande coisa. Começa a haver algum nervosismo no Partido Socialista. Algumas figuras tidas como boas para liderar o Partido temem a luta eleitoral com a dupla PSL&PP (não se importam com as siglas pois não?). O primeiro já fugiu foi Ferro Rodrigues, segundo Sarsfield Cabral, no Diário de Noticias de ontem, "um líder fraco", não vejo como é que um Homem que dá ao seu Partido o melhor resultado de sempre pode ser classificado como "um líder fraco".
Depois foram as fugas de Coelho, Lamego e Sócrates que, ao empurrarem descaradamente Vitorino para a cabeça do Toiro se demarcaram da corrida e tentaram garantir um lugarzinho na contra ajuda ou quem sabe como rabejadores.
Agora a fuga do D. Sebastião, que não havia ido a cavalo para Alcácer Quibir mas sim montado num enredo fiscal para Bruxelas, se bem me lembro por causa de uma SISA ou algo parecido, nada comparável a uma manta da TAP tantas vezes usada como bandeira, ainda recentemente, por alguma esquerda menos séria.
Ficamos à espera dos candidatos.
João Soares já se assumiu, declarando a sua intenção de candidatura e de "acabar com a lógica dos unanimismos em que as coisas se decidem à mesa dos cafés nas costas de toda a gente". Será que Lamego, Coelho e Sócrates vão rever as suas estratégias ou João Soares será ele próprio uma vitima dos tais unanimismos que tanto condena?
Pausa para o almoço
Enquanto o diligente empregado vem e não vem, portátil para cima da mesa, ligação GPRS e já está, actualizam-se os comentários e pode-se até postar. Mesmo que não seja mais do que isto, uma entrada de circunstância para dizer que estamos vivos.
Hoje tentei ajudar uma idosa, simpática, de cabelo pintado de azul, como a minha avó, que se abeirou de mim e me pediu ajuda. Fui gentil como qualquer provinciano o é na grande Lisboa onde nos atropelamos anonimamente. No final, não era nenhuma idosa simpática, era só o raio de uma velha metediça a querer vender-me a sua religião. Passa fora.
Hoje tentei ajudar uma idosa, simpática, de cabelo pintado de azul, como a minha avó, que se abeirou de mim e me pediu ajuda. Fui gentil como qualquer provinciano o é na grande Lisboa onde nos atropelamos anonimamente. No final, não era nenhuma idosa simpática, era só o raio de uma velha metediça a querer vender-me a sua religião. Passa fora.
12 de julho de 2004
Estou eufórico
Estou na sala de embarque do Aeroporto João Paulo II em Ponta Delgada, a caminho da Capital do Império e estou a postar. Consegui ao fim de muitas tentativas ligar o meu portátil à rede "wireless", que é como quem diz sem fio. Agora é que vai ser postar em todo o lado.VIVA!!!!!!!!!!!!
Soneto LX
A ti te hiere aquel que quiso hacerme daño,
y el golpe del veneno contra mí dirigido
como por una red pasa entre mis trabajos
y en ti deja una mancha de óxido y desvelo.
No quiero ver, amor, en la luna florida
de tu frente cruzar el odio que me acecha.
No quiero que en tu sueño deje el rencor ajeno
olvidada su inútil corona de cuchillos.
Donde voy van detrás de mí pasos amargos,
donde río una mueca de horror copia mi cara,
donde canto la envidia maldice, ríe y roe.
Y es ésa, amor, la sombra que la vida me ha dado:
es un traje vacío que me sigue cojeando
como un espantapájaros de sonrisa sangrienta.
1959
y el golpe del veneno contra mí dirigido
como por una red pasa entre mis trabajos
y en ti deja una mancha de óxido y desvelo.
No quiero ver, amor, en la luna florida
de tu frente cruzar el odio que me acecha.
No quiero que en tu sueño deje el rencor ajeno
olvidada su inútil corona de cuchillos.
Donde voy van detrás de mí pasos amargos,
donde río una mueca de horror copia mi cara,
donde canto la envidia maldice, ríe y roe.
Y es ésa, amor, la sombra que la vida me ha dado:
es un traje vacío que me sigue cojeando
como un espantapájaros de sonrisa sangrienta.
1959
Aviso inconsequente
Agora com mais calma e resolvido e bem o imbróglio institucional e constitucional em que Sampaio se viu enredado nos últimos 15 dias, debrucemo-nos sobre o imbróglio político em que Sampaio se enredou desde Sexta-feira passada.
Já aqui escrevi, e defendi que Sampaio não podia fazer outra coisa, ouvidos os partidos da maioria parlamentar, que não fosse indigitar o novo Presidente do PSD para formar um novo Governo.
Também já aqui escrevi que não gosto do estilo de PSL nem morro de amores por PP.
Do ponto de vista constitucional estamos conversados, Sampaio teve todas as razões e mais uma para agir como agiu.
Do ponto de vista político, o Presidente da República devia estar calado. Mas não, ao invés entendeu dar uma aviso ao novo governo, qual mestre-escola em inicio de ano lectivo prevendo uma turma de rebeldes arruaceiros.
Eu acho que o André tem razão. Aliás ontem tive a oportunidade de lhe dizer isso mesmo, ao vivo e a cores. Eu acho estupendo, vindo de um "Património do Partido Socialista". Acho delicioso. Estou regalado. Que mais posso pedir.
Depois de Fernando Rosas ter dito, a respeito da politica financeira do governo, que Manuela Ferreira Leite era "um Salazar de saias", só faltava que Sampaio, um antigo militante do MES e "património do Partido socialista", viesse dizer que o novo governo liderado por Pedro Santana Lopes tem que seguir o rumo do anterior.
Força camarada, tal como Barroso, entendes as mensagens do Povo quando vota mas manténs teimosamente o rumo. (Barroso ao menos foi-se embora)
Sampaio esteve bem em toda a linha na gestão e decisão desta crise mas devia ter estado calado quando começou a justificar que ia estar atento ao rumo deste governo e não permitir que saisse do rumo do anterior.
E se PSL e PP, mudarem o rumo o que é que Sampaio vai fazer? Vai acabar com a aula e mandar todos para a rua com falta a vermelho? Vai puxar as orelhas aos dois e pô-los de castigo no canta da sala? Vai dar-lhes umas reguadas valentes nas palmas das mãos? Ou vai obrigar os dois a escreverem a palavra défice 50 vezes no quadro?
Já aqui escrevi, e defendi que Sampaio não podia fazer outra coisa, ouvidos os partidos da maioria parlamentar, que não fosse indigitar o novo Presidente do PSD para formar um novo Governo.
Também já aqui escrevi que não gosto do estilo de PSL nem morro de amores por PP.
Do ponto de vista constitucional estamos conversados, Sampaio teve todas as razões e mais uma para agir como agiu.
Do ponto de vista político, o Presidente da República devia estar calado. Mas não, ao invés entendeu dar uma aviso ao novo governo, qual mestre-escola em inicio de ano lectivo prevendo uma turma de rebeldes arruaceiros.
Eu acho que o André tem razão. Aliás ontem tive a oportunidade de lhe dizer isso mesmo, ao vivo e a cores. Eu acho estupendo, vindo de um "Património do Partido Socialista". Acho delicioso. Estou regalado. Que mais posso pedir.
Depois de Fernando Rosas ter dito, a respeito da politica financeira do governo, que Manuela Ferreira Leite era "um Salazar de saias", só faltava que Sampaio, um antigo militante do MES e "património do Partido socialista", viesse dizer que o novo governo liderado por Pedro Santana Lopes tem que seguir o rumo do anterior.
Força camarada, tal como Barroso, entendes as mensagens do Povo quando vota mas manténs teimosamente o rumo. (Barroso ao menos foi-se embora)
Sampaio esteve bem em toda a linha na gestão e decisão desta crise mas devia ter estado calado quando começou a justificar que ia estar atento ao rumo deste governo e não permitir que saisse do rumo do anterior.
E se PSL e PP, mudarem o rumo o que é que Sampaio vai fazer? Vai acabar com a aula e mandar todos para a rua com falta a vermelho? Vai puxar as orelhas aos dois e pô-los de castigo no canta da sala? Vai dar-lhes umas reguadas valentes nas palmas das mãos? Ou vai obrigar os dois a escreverem a palavra défice 50 vezes no quadro?
O País feito "forró"
A política Portuguesa está cada vez mais cinzenta, "feiosa", mal cheirosa, asquerosa, sem nexo, sem protagonistas firmes, sem ética, sem princípios. A política Portuguesa está como sempre esteve uma verdadeira bosta. Bosta com M.
Tenho pena que no meu país se discuta a política pela rama, sem ir ao cerne das questões sem avaliar a verdadeira amplitude das mesmas. Cada vez mais o País se transforma numa enorme Feira Popular, onde ganha e determina os seus destinos, quem tem a maior atracção.
Num país onde para ganhar votos, já se distribuíram televisões, preservativos, a par de simples esferográficas e T-Shirts de fraca qualidade.
Num país onde a perspectiva maniqueísta de que tudo o que é de esquerda é bom e tem boas intenções e tudo o que é de direita é mau e mal intencionado;
Num país em que o Presidente da República decide de acordo com os mais elementares princípios de respeito pelo parlamento e isso faz cair o líder da oposição;
Num país em que os críticos do regime hoje, são os lideres do mesmo regime amanhã. Custa muito fazer política e continuar a gostar de o fazer. Não fosse a política uma coisa intrínseca, quase genética e que me dá imenso prazer já tinha deixado de fazer política, neste "forró" permanente. Não há pachorra.
Tenho pena que no meu país se discuta a política pela rama, sem ir ao cerne das questões sem avaliar a verdadeira amplitude das mesmas. Cada vez mais o País se transforma numa enorme Feira Popular, onde ganha e determina os seus destinos, quem tem a maior atracção.
Num país onde para ganhar votos, já se distribuíram televisões, preservativos, a par de simples esferográficas e T-Shirts de fraca qualidade.
Num país onde a perspectiva maniqueísta de que tudo o que é de esquerda é bom e tem boas intenções e tudo o que é de direita é mau e mal intencionado;
Num país em que o Presidente da República decide de acordo com os mais elementares princípios de respeito pelo parlamento e isso faz cair o líder da oposição;
Num país em que os críticos do regime hoje, são os lideres do mesmo regime amanhã. Custa muito fazer política e continuar a gostar de o fazer. Não fosse a política uma coisa intrínseca, quase genética e que me dá imenso prazer já tinha deixado de fazer política, neste "forró" permanente. Não há pachorra.
Esperem tudo dele
O Joel e o seu "Não esperem nada de mim" estão de parabéns. O Blog completa hoje o seu primeiro aniversário. Um ano é, na Blogosfera, uma espécie de maioridade, por isso, esperamos muito mais dele, muito mais do que já nos deu.
Ao Joel e ao seu Blog os meus mais sinceros parabéns
Ao Joel e ao seu Blog os meus mais sinceros parabéns
11 de julho de 2004
Sem surpresas
Não me surpreendeu a decisão do Presidente da República.
E não era uma questão de fé. Era uma questão de respeito pela Constituição da república e pela democracia parlamentar e essencialmente pelos eleitos e pelos seus eleitores.
Na Sexta Feira davam-me como certo que a decisão seria no sentido da dissolução. Nunca acreditei. Contudo cheguei a pensar que, não sendo bom para o país, era bom para a coligação PSD/PP. Seria um combate politico difícil mas Santana Lopes e Portas, apesar do descontentamento publicamente manifestado, tinham argumentos bem melhores do que Ferro Rodrigues
Como defensor frívolo do sistema parlamentar puro devo dizer que fiquei muito satisfeito pelo facto de Jorge Sampaio, apesar da chinfrineira que alguma esquerda mais populista andou a fazer, não se ter deixado levar por essa nova onda a que eu chamo "democracia do ruído".
As palavras anti democráticas da dirigente Socialista Ana Gomes, vieram demonstrar bem que há gente que faz muito esforço para manter as máscaras no seu lugar, à custa de muita "massa de ferro" mas um dia a cosmética cai e fica tudo ali à vista, as pilancas, as rugas, as gretas, as verrugas, não escapa nada.
Agora, há no meio desta crise ou não crise, uma coisa que não entendo. Porque razão se demitiu Ferro Rodrigues? Então o Homem não ganhou as europeias? Essa vitória não
era um indicador do Povo para o PS ser Governo?
A saída (fuga) de Ferro Rodrigues da liderança do PS constitui uma enorme falta de respeito pelo seu eleitorado e uma prova cabal de que a liderança do PS tinha falta de alma e de convicção e por isso, não servia para governar Portugal.
Se Sampaio decidiu com dúvidas, essas ficaram totalmente desfeitas com a fuga de Ferro Rodrigues. Sampaio estará, assim, muito mais descansado.
Felizmente Sampaio não é um homem de direita. Porque se o fosse, quem é que ia poder ouvir a esquerda ruidosa?
E não era uma questão de fé. Era uma questão de respeito pela Constituição da república e pela democracia parlamentar e essencialmente pelos eleitos e pelos seus eleitores.
Na Sexta Feira davam-me como certo que a decisão seria no sentido da dissolução. Nunca acreditei. Contudo cheguei a pensar que, não sendo bom para o país, era bom para a coligação PSD/PP. Seria um combate politico difícil mas Santana Lopes e Portas, apesar do descontentamento publicamente manifestado, tinham argumentos bem melhores do que Ferro Rodrigues
Como defensor frívolo do sistema parlamentar puro devo dizer que fiquei muito satisfeito pelo facto de Jorge Sampaio, apesar da chinfrineira que alguma esquerda mais populista andou a fazer, não se ter deixado levar por essa nova onda a que eu chamo "democracia do ruído".
As palavras anti democráticas da dirigente Socialista Ana Gomes, vieram demonstrar bem que há gente que faz muito esforço para manter as máscaras no seu lugar, à custa de muita "massa de ferro" mas um dia a cosmética cai e fica tudo ali à vista, as pilancas, as rugas, as gretas, as verrugas, não escapa nada.
Agora, há no meio desta crise ou não crise, uma coisa que não entendo. Porque razão se demitiu Ferro Rodrigues? Então o Homem não ganhou as europeias? Essa vitória não
era um indicador do Povo para o PS ser Governo?
A saída (fuga) de Ferro Rodrigues da liderança do PS constitui uma enorme falta de respeito pelo seu eleitorado e uma prova cabal de que a liderança do PS tinha falta de alma e de convicção e por isso, não servia para governar Portugal.
Se Sampaio decidiu com dúvidas, essas ficaram totalmente desfeitas com a fuga de Ferro Rodrigues. Sampaio estará, assim, muito mais descansado.
Felizmente Sampaio não é um homem de direita. Porque se o fosse, quem é que ia poder ouvir a esquerda ruidosa?
9 de julho de 2004
Alea jacta est
O Cancelamento das férias era indicador da posição que o Presidente da República iria tomar. Se fosse dissolver a Assembleia da República podia ir para férias sem qualquer impedimento. Ao invés, Com novo Governo, há que preparar a posse e restantes formalidades. Análises pragmáticas.
Na hora de todas as decisões
A dissolução da Assembleia da República é, de acordo com os mais diversos constitucionalistas, a "bomba atómica" dos poderes do Presidente da República, só utilizável em último recurso.
"o poder de dissolução da Assembleia da República, pelo seu impacto e pelas consequências políticas potencialmente implicadas, é o mais drástico e relevante dos poderes presidenciais. Entendo mesmo que qualquer alteração da sua actual configuração constitucional desvirtuaria significativamente o equilíbrio, separação e interdependência dos poderes dos diferentes órgãos de soberania"
JORGE SAMPAIO, "Portugueses", pág. 14 do Volume VI, Imprensa Nacional-Casa da Moeda
7 de julho de 2004
O PR continua a ouvir os Portugueses
Jorge Sampaio prossegue com a ronda de audiências rumo a eleições antecipadas, ou não.
Fonte do Palácio de Belém confirmou hoje à Lusa que Sampaio cancelou as suas férias previstas para a próxima segunda-feira e que o Presidente pretende ouvir ainda mais proeminentes figuras nacionais.
As audiências ocorrerão no início da próxima semana.
Na agenda do Presidente da República só falta ouvir a Linda Reis, Zimara , Lili Caneças, o Rãrã e o Emplastro.
Fonte do Palácio de Belém confirmou hoje à Lusa que Sampaio cancelou as suas férias previstas para a próxima segunda-feira e que o Presidente pretende ouvir ainda mais proeminentes figuras nacionais.
As audiências ocorrerão no início da próxima semana.
Na agenda do Presidente da República só falta ouvir a Linda Reis, Zimara , Lili Caneças, o Rãrã e o Emplastro.
6 de julho de 2004
À porta do meu liceu
Hoje passei à porta do meu liceu. De quando em vez apetece-me entrar e ir por ali à solta, subir ao velho ginásio, correr à volta do campo de futebol (no meu tempo era relvado), jogar à tabela, uma espécie de basquetebol a dois ou a quatro, entrar pela porta da secção e irromper rampa a baixo montado em cima do meu skate.
Lá em baixo, no pátio coberto da secção, joguei à mosca e ao "lencinho". Ainda se joga à mosca? Ou agora é mais gameboy e nintendo?
Entrei na Biblioteca e em vez de abrir um livro olhei o teto e fiquei para ali perdido nas minhas cogitações.
A biblioteca do meu liceu
O Meu liceu é o liceu mais bonito do mundo, porque é o meu liceu.
Sentado na banqueta de pedra fria do pátio da cantina, recordei os dias que passei ali. No meu liceu. Rodeado de amigos e conhecidos, de amigas e amantes deliciosas, fazendo de tudo um pouco menos estudar. Isso fazia em casa, no recato do meu quarto que, embora pequeno, dava para ter uma secretária, e estantes para os livros preferidos.
O meu liceu é o melhor liceu do mundo.
Encontrei o Sr. Manuel do Campo de Jogos e o Agostinho. Estavam lá, tal como eu, a recordar o meu liceu. Estive tentado a entrar no Avião e pedir metade dum pão com pé de torresmo. Será ainda saboroso como era dantes? Tive medo e não arrisquei. Prefiro continuar a acreditar que o pé de torresmo do Agostinho continua bom apesar da modernice da esplanada com mesas e cadeiras da coca-cola e das regras da EU obrigarem as matanças de porco a serem feitas com mais limpeza.
Eu fui hoje ao meu Liceu porque ele é o melhor liceu do Mundo.
O jardim do meu Liceu
5 de julho de 2004
Today's another day
Os portugueses hoje, regressam ao país real, caído o pano sobre o Euro e prolongada prestação da selecção nacional. Voltemos ao trabalho.
A Organização do evento foi enaltecida por todos, locais, forasteiros, organizações Internacionais do desporto. São só elogios. Somos mesmo bons a organizar grandes eventos. Resta a Portugal esse consolo. Temos que aprender a fazer isso com tudo. Cultivar a excelência é o nosso grande objectivo.
Today's another day.
A Organização do evento foi enaltecida por todos, locais, forasteiros, organizações Internacionais do desporto. São só elogios. Somos mesmo bons a organizar grandes eventos. Resta a Portugal esse consolo. Temos que aprender a fazer isso com tudo. Cultivar a excelência é o nosso grande objectivo.
Today's another day.
4 de julho de 2004
O voo do Pauleta
Será hoje que vamos ver o já famoso voo do Açor?
Espero que sim. Contamos todos com isso, os mais nacionalistas, os mais Iberistas, os mais europeistas e os mais eurocépticos.
Espero que sim. Contamos todos com isso, os mais nacionalistas, os mais Iberistas, os mais europeistas e os mais eurocépticos.
3 de julho de 2004
Euforia
Para amanhã espera-se a total euforia dos portugueses. Seja qual for o resultado, amanhã portugal estará na rua. Com bandeiras com castelos, pagodes ou palhotas como esta que recuperei do sitio oficial do torneio.
Viva o Portugal no seu melhor. E quanto ao resto, esperemos com serenidade que pouco importa.
Viva o Portugal no seu melhor. E quanto ao resto, esperemos com serenidade que pouco importa.
Cada vez mais e sempre Sophia
As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.
Sophia de Mello Breyner Andresen
2 de julho de 2004
A crise. Cena final
Não digo mais nada sobre a crise. Estou farto da crise e da argumentação aduzida por uns e por outros.
É verdade que a esquerda sempre me irrita mais ou pouquinho do que a direita, mas o que mais me irrita é a falta de imparcialidade. Já disse e volto a dizer que não gosto do Santana e não morro de amores pelo Portas.
Contudo, porque razão o José X e que foi eleito nas listas do partido Y pelo circulo W e os seus N eleitores, vão ver o mandato do representante do povo interrompido só porque o PM se foi, fugiu, foi promovido, o que lhe queiram chamar? Nenhuma.
Por isso, enquanto houver solução parlamentar, no meu entender de parlamentarista convicto, não deve haver dissolução. Caso contrário, mudem a constituição e transformem a democracia portuguesa num regime presidencialista com eleição directa do chefe de governo.
No regime parlamentar puro, a legitimidade do Governo imana do parlamento. A legitimidade do Parlamento imana de eleições democráticas e directas. O parlamento representa, de facto e de direito, o Povo ao qual me orgulho de pertencer.
Ao Senhor Presidente da República cabe regular e zelar pelo bom funcionamento das restantes instituições democráticas. A ele cabe a última palavra. Esperemos serenamente pela sua decisão, na certeza porém que, quanto mais demorada ela for, mais contribuirá para o clima de instabilidade criado pela crise politica instalada.
É verdade que a esquerda sempre me irrita mais ou pouquinho do que a direita, mas o que mais me irrita é a falta de imparcialidade. Já disse e volto a dizer que não gosto do Santana e não morro de amores pelo Portas.
Contudo, porque razão o José X e que foi eleito nas listas do partido Y pelo circulo W e os seus N eleitores, vão ver o mandato do representante do povo interrompido só porque o PM se foi, fugiu, foi promovido, o que lhe queiram chamar? Nenhuma.
Por isso, enquanto houver solução parlamentar, no meu entender de parlamentarista convicto, não deve haver dissolução. Caso contrário, mudem a constituição e transformem a democracia portuguesa num regime presidencialista com eleição directa do chefe de governo.
No regime parlamentar puro, a legitimidade do Governo imana do parlamento. A legitimidade do Parlamento imana de eleições democráticas e directas. O parlamento representa, de facto e de direito, o Povo ao qual me orgulho de pertencer.
Ao Senhor Presidente da República cabe regular e zelar pelo bom funcionamento das restantes instituições democráticas. A ele cabe a última palavra. Esperemos serenamente pela sua decisão, na certeza porém que, quanto mais demorada ela for, mais contribuirá para o clima de instabilidade criado pela crise politica instalada.
1 de julho de 2004
Decisão.Precisa-se.Urgente
Esta suposta crise, começa a ser por culpa do Presidente da República que teima em não decidir. Quanto mais tempo Sampaio demorar mais instabilidade existirá, a todos os níveis. No partido mais votado e órfão de líder, bem como, no seu parceiro de coligação, os lutadores de sempre, começam a digladiar-se pelos lugares nos órgãos do partido, nas listas de candidatos a deputados, se houver eleições e congresso. Caso contrário, a guerra é para ver quem apoia quem de forma a assegurar lugares de Ministro e Secretários de Estado e até de Directores Gerais.
No PS a Guerra será entre os que querem eleições para tentar ganhar e assim comprar um seguro de vida para a liderança de Ferro Rodrigues e os outros, os que rezam à santinha de Fátima para que o PR não dissolva o parlamento que sempre têm mais dois anos para arranjar um lugarzinho ao Sol.
No BE, nada muda, está na moda e o populismo de esquerda é o que está a dar. Por isso todos unidos no caminho da dissolução para ver se ganhamos mais uns deputados e se não temos que fazer tanta rotação. Na verdade, com sistema de rotação que o Bloco usa na AR e que copiou de CDS/PP do tempo de Monteiro, dá a impressão que tem muitos mais deputados do que na realidade tem. Na minha opinião é uma boa maneira de fazer politica parlamentar. Contudo, tira valor à teses de Fernando Rosas e de outros que defendem que o Povo vota no Primeiro Ministro e nos cabeças de lista. Então porque razão o Bloco roda os seus candidatos?
Na direcção do PCP, não se pode estar do lado da coligação porque é de direita, mas o que apetecia mesmo era a não dissolução para ver se não se perde mais um deputado para o Bloco. Do lado dos reformadores alguns até querem eleições para ver se correm com o Carvalhas de uma vez por todas.
Na classe jornalística, uns dão pulos de contentes e outros estão roxos de raiva. As redacções dos Jornais, rádios e televisões, andam em polvorosa. É que também aqui, com eleições ou com remodelação governamental, vão existir mudanças, falo muito concretamente, nos assessores de imprensa. Uns deixarão de o ser e vão voltar às redacções onde vão tentar fazer a vida negra aos Ministros novos. Outros estão nas redacções a fazer a vida negra aos Ministros que lá estão para ver se vão para assessores dos próximos Ministros. Maquiavélico mas não longe da realidade.
Por último estão os patrões dos patrões e os grandes grupos empresariais. Desta vez até estão do mesmo lado a esquerda. Claro! Pode ser que venha mais um Pina Moura que faça da economia do País um paraíso para a engorda de alguns e para a desgraça dos mais fracos. É que a politica da Coligação foi bem diferente nesse sentido e muito embora não estejamos a viver dias de grande fartura a verdade é que o sistema está moralizado.
Enfim o País está refém dos interesses de cada um e o Sr. Presidente da República a quem cabe, legitima e legalmente a última palavra parece não estar preocupado em decidir.
No PS a Guerra será entre os que querem eleições para tentar ganhar e assim comprar um seguro de vida para a liderança de Ferro Rodrigues e os outros, os que rezam à santinha de Fátima para que o PR não dissolva o parlamento que sempre têm mais dois anos para arranjar um lugarzinho ao Sol.
No BE, nada muda, está na moda e o populismo de esquerda é o que está a dar. Por isso todos unidos no caminho da dissolução para ver se ganhamos mais uns deputados e se não temos que fazer tanta rotação. Na verdade, com sistema de rotação que o Bloco usa na AR e que copiou de CDS/PP do tempo de Monteiro, dá a impressão que tem muitos mais deputados do que na realidade tem. Na minha opinião é uma boa maneira de fazer politica parlamentar. Contudo, tira valor à teses de Fernando Rosas e de outros que defendem que o Povo vota no Primeiro Ministro e nos cabeças de lista. Então porque razão o Bloco roda os seus candidatos?
Na direcção do PCP, não se pode estar do lado da coligação porque é de direita, mas o que apetecia mesmo era a não dissolução para ver se não se perde mais um deputado para o Bloco. Do lado dos reformadores alguns até querem eleições para ver se correm com o Carvalhas de uma vez por todas.
Na classe jornalística, uns dão pulos de contentes e outros estão roxos de raiva. As redacções dos Jornais, rádios e televisões, andam em polvorosa. É que também aqui, com eleições ou com remodelação governamental, vão existir mudanças, falo muito concretamente, nos assessores de imprensa. Uns deixarão de o ser e vão voltar às redacções onde vão tentar fazer a vida negra aos Ministros novos. Outros estão nas redacções a fazer a vida negra aos Ministros que lá estão para ver se vão para assessores dos próximos Ministros. Maquiavélico mas não longe da realidade.
Por último estão os patrões dos patrões e os grandes grupos empresariais. Desta vez até estão do mesmo lado a esquerda. Claro! Pode ser que venha mais um Pina Moura que faça da economia do País um paraíso para a engorda de alguns e para a desgraça dos mais fracos. É que a politica da Coligação foi bem diferente nesse sentido e muito embora não estejamos a viver dias de grande fartura a verdade é que o sistema está moralizado.
Enfim o País está refém dos interesses de cada um e o Sr. Presidente da República a quem cabe, legitima e legalmente a última palavra parece não estar preocupado em decidir.
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